Atualizado em 22 de abril de 2008 às 22:48 | Publicado em 22 de abril de 2008 às 21:46
SÃO PAULO - Depois de ganhar em Ohio, a senadora Hillary Clinton conquistou esta noite mais um estado importante: a Pensilvânia. A margem inicial na contagem de votos era de 10%. Depois caiu para cerca de 6%, menor do que o esperado. A ex-primeira-dama vem demonstrando uma extraordinária capacidade de sobrevivência. Barack Obama gastou duas vezes mais que a senadora no estado, mas ela contou com os votos tradicionais da base democrata para vencer e se manter no páreo.
A vitória de hoje dá força ao argumento de Hillary junto à máquina partidiária: ela venceu em todos os grandes estados, sem os quais dificilmente o Partido Democrata conquistará a Casa Branca em novembro. A ex-primeira-dama ganhou em Nova York, Nova Jersey, Califórnia, Texas, Ohio e agora na Pensilvânia.
Mais uma vez, Hillary preservou sua base de eleitores: ganhou entre as mulheres, os mais velhos, os trabalhadores de classe média baixa (chamados de colarinho azul) e os democratas conservadores.
A economia americana é a maior preocupação dos democratas que participaram das prévias de hoje: 54% dos entrevistados em pesquisa de boca-de-urna colocaram a preocupação com o próprio bolso como a questão principal. Em segundo lugar foi mencionada a guerra no Iraque (28%) e em terceiro a saúde (14%).
É outro ponto que favorece a ex-primeira-dama: quanto maior for a crise da economia americana, melhor para ela. Os eleitores americanos se lembram com carinho dos dois mandatos do presidente Bill Clinton, oito anos de expansão econômica contínua. Além disso, a senadora tem 35 anos de experiência em Washington.
Entre os eleitores de mais de 65 anos, Hillary Clinton venceu por 60% a 39%. Entre os de menos de 30 anos de idade, Obama venceu por 62% a 38%.
Outro número significativo: 54% dos democratas do estado acham que Obama será o candidato do partido. Hillary aparece com 43%.
Mas, com o resultado desta noite, é certo que a senadora vai persistir na campanha, provavelmente até a Convenção Democrata.
Uma pesquisa demonstrou que a campanha, que nas últimas semanas foi dominada por ataques entre os dois candidatos, está causando danos ao partido: 25% dos militantes dizem que, se Obama for o candidato, votarão em John McCain ou vão se abster; 17% dizem que farão o mesmo se a candidata for Hillary Clinton.
Hoje o presidente Bush negou que a economia dos Estados Unidos esteja em recessão. Tecnicamente, ele está correto. A recessão lá é definida como dois trimestres consecutivos de retração econômica. Mas vá dizer isso a um eleitor americano, especialmente com a disparada do preço da gasolina.
Se o Obama vencer as eleições estadunidenses será um sonho concretizado. Temos um Nordestinho, Retirante da Seca, Sem Curso Superior governando o Brasil. Um índio na Bolívia. E para completar um negro nos Estados Unidos. Um tapa com luva de pelica nos rostos de todos os conservadores do mundo, na ficção os gênios concedem três pedidos, dois já foram realizados e terceiro será em breve. Espero que possa existir na história mais presidentes como os citados acima.