Atualizado em 05 de maio de 2008 às 22:13 | Publicado em 05 de maio de 2008 às 22:09
WASHINGTON - Hillary Clinton e Barack Obama se enfrentam nesta terça-feira em Indiana e na Carolina do Norte. Nas pesquisas o cenário é tão confuso que o melhor é esperar o resultado. Há indícios de que Obama vai vencer na Carolina e Hillary em Indiana.
Mas vamos supor, para efeito de cálculo, que a senadora repita hoje o resultado da Pensilvânia: vença nos dois estados com 53% dos votos. E que vença em todos os outros estados em que ainda vai haver prévias com o mesmo resultado. Ainda assim, ela terá de convencer 69% dos superdelegados que ainda estão em cima do muro a apoiá-la. Isso contraria a tendência: desde a Super Terça, em 5 de fevereiro, Obama conquistou o apoio de 88 superdelegados. Hillary, de apenas 13.
Por mais que se fale do enfraquecimento de Obama nas últimas semanas, os números continuam favorecendo o senador de Illinois. É possível que Obama siga tropeçando até se tornar oficialmente o candidato do Partido Democrata.
E também é possível que o grande perdedor desta noite seja, mais uma vez, o senador John McCain. Como notou Frank Rich, do New York Times, McCain passou apertado na Pensilvânia. Houve primárias republicanas naquele estado, na mesma noite em que a mídia dedicou 100% da cobertura aos democratas, por motivos óbvios: McCain já é o candidato republicano.
Mas 15,9% dos eleitores republicanos da Pensilvânia se deram ao trabalho de sair de casa para votar em Ron Paul. E outros 11,8% fizeram o mesmo para votar em Mike Huckabee. Ou seja, quase 28% votaram contra McCain, que teve 72,8% dos votos.
Outro número impressionante: mais de 2,3 milhões de democratas compareceram às urnas, contra 900 mil republicanos. Você vai argumentar que não houve disputa entre os republicanos, mas os números acima desmentem isso. Mais de 200 mil republicanos saíram de casa para votar contra McCain.
E a extraordinária participação dos democratas demonstra o entusiasmo dos militantes do partido em relação a novembro.
"E a extraordinária participação dos democratas demonstra o entusiasmo dos militantes do partido em relação a novembro.' Eu venho dizendo isso há algum tempo, nunca acompanhei com tanto interesse uma eleição fora do Brasil, tá certo que ela é inédita em vários sentidos e tem significados que extrapolam os EUA, mas sinto que os eleitores estadunidenses, especialmente os democratas, estão bem envolvidos como há muito não faziam e, embora seja desgastante a disputa entre Obama e Hillary tem um outro lado: suas propostas ficam mais conhecidas, são mais debatidas e acho isso positivo.