Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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200 ANOS DEPOIS DO FIM DO COMÉRCIO DE ESCRAVOS, NEGRO CONCORRE À PRESIDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS

Atualizado em 03 de junho de 2008 às 21:42 | Publicado em 03 de junho de 2008 às 20:12

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Cerca de 40 anos depois da Suprema Corte dos Estados Unidos ter tomado decisões que acabaram oficialmente com a segregação racial no país, o Partido Democrata está prestes a fazer História ao escolher o primeiro negro para concorrer à Casa Branca. De acordo com a campanha do senador de Illinois, ele está a apenas 11 votos de obter a vitória matemática sobre Hillary Clinton, graças ao apoio dado nas últimas horas por superdelegados com direito a voto na Convenção Nacional Democrata.

A escolha coroa a extraordinária campanha de um político que era praticamente desconhecido do grande público há 12 meses. Desde então, Obama usou a internet, uma grande capacidade de organização e uma retórica que lembra os oradores do movimento negro por direitos civis para gerar o entusiasmo que garantiu a ele a vitória sobre a franca favorita, a ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton. Hillary e o marido, o ex-presidente Bill Clinton, controlavam a maior parte da máquina partidária antes de serem atropelados pelo senador em primeiro mandato.

Apesar do racismo e da discriminação persistirem nos Estados Unidos, Obama foi capaz de construir uma coalizão que juntou o entusiasmo dos jovens com o apoio dos democratas mais ricos e mais educados, que foram seduzidos pelo slogan do "Sim, Podemos", pela promessa de acabar com a guerra do Iraque e a prisão de Guantánamo e de promover uma reforma completa da política doméstica e externa dos Estados Unidos depois de dois mandatos de George W. Bush.

Nas próximas semanas a tarefa de Barack Obama será a de consolidar o seu apoio partidário. Em Montana, onde a temporada de prévias se encerrou, 60% dos democratas que votaram em Hillary disseram  que votarão em Obama em novembro, mas 25% afirmaram que preferem o candidato republicano John McCain. Não se sabe ainda qual será o papel da senadora na campanha. Não foi descartada, ainda, a indicação dela a vice na chapa do partido, uma escolha que dependerá acima de tudo dos cálculos eleitorais do próprio Obama.

O senador demonstrou capacidade de atrair votos mesmo em estados de população majoritariamente branca. O problema dele parece ser mais geográfico do que racial. Obama se deu bem em estados historicamente liberais - como o Oregon - ou naqueles em que a economia não está completamente deprimida - Iowa, por exemplo. Mas fracassou miseravelmente em estados essenciais para uma vitória em novembro, como Ohio e a Pensilvânia, onde não foi capaz de conectar especialmente com os eleitores brancos de classe média baixa.

Mas a escolha do Partido Democrata não deixa de ser extraordinária: há apenas cinco décadas, em algums regiões dos Estados Unidos - especialmente no Sul - a segregação entre brancos e negros era política oficial. Só em 1954, na famosa ação Brown vs. Board of Education, a Suprema Corte do país derrubou oficialmente a segregação nas escolas. As fotos que ilustram esse texto são, em si, um retrato dessa mudança: a que aparece abaixo da família Obama retrata um negro usando um bebebouro para "gente de cor" em Oklahoma City, Oklahoma, em 1939. A escolha de Obama acontece dois séculos depois da proibição do comércio de escravos nos Estados Unidos.

A escolha de Obama se reveste de uma importância especial dadas as circunstâncias que tornam qualquer candidato democrata franco favorito para vencer em novembro. De acordo com pesquisa Gallup feita para o jornal USA Today, 55% dos americanos dizem que estão pior financeiramente hoje do que há um ano, o maior índice desde que o levantamento começou a ser feito. Além disso, usando uma inovadora campanha baseada acima de tudo em pequenas contribuições feitas através da internet, o senador de Illinois bateu todos os recordes de arrecadação. Só para se tornar candidato democrata gastou mais de 200 milhões de dólares.

Acima de tudo, Barack Obama representa a possível mudança de geração no comando dos Estados Unidos. O senador, se eleito, assumirá com apenas 47 anos de idade. Parece incrível, mas todo americano de menos de 19 anos de idade só conhece a Casa Branca ocupada por um Bush ou um Clinton.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
luana (17/09/2008 - 18:10)
Que Deus abençoe o futuro presidente dos Estados Unidos na América,Barack Obama.

Antonio Alvaro Guedes (24/07/2008 - 21:58)
No Brasil, excetuando alguns no período do governo militar, os presidentes, se houve alguma exceção não sei, eram pelo menos não brancos. Acho estranho, por exemplo chamarem o FHC, Gilmar Mendes, Lula, Miriam Leitão, o congresso e aí vai; de elite branca, elite tudo bem mas,.......... Brasileiro é mestiço de todas as raças, dificilmente um preto não tenha uma pitada de sangue branco e ou índio assim como nossos loirinhos não tenham em outras proporções os mesmos sangues. Isso é comprovado com exames de DNA. Somos culturalmente uma colônia americana. Ou melhor, nem sei se só culturalmente. Os americanos consideram a origem, qualquer proporção de sangue não branco, pode ser loiro do jeito que for será considerado não branco. Lá no USA temos os brancos com uma certa hierarquia de "branquidão" anglo saxões ou nórdicos, os italianos, os poloneses etc. de origem européia; os "latinos" que podem ser de qualquer cor ou origem, são os provenientes da américa latina e quase todos, pularam o muro, são os "indocumentados". Nos brasileiros, diferente dos americanos consideramos raça como sendo cor. Para facilitar a emissão de documentos no quesito cor que é sempre uma dificuldade, estou propondo um modo de nos classificarmos: : 1- COR DA PELE: classificaremos a cor da pele pela Escala Pantone de Cores, assim nos documentos ao invés de branco, pardo, negro; teríamos Pantone C1825 ou outro número qualquer, segundo a nossa tez.Não permitiremos em nenhuma hipótese o uso de adjetivações comparativas com coisas de comer ou beber, como: leite, café com leite, chocolate, pois excluem muitas outras bebidas e comidas 2- CABELOS: classificaremos pelo grau de enrolamento-alizamento, espessura, resistência a tração, ao fogo,etc; Para estabelecer uma tabela contrataremos o IPT. 3- FORMA DA CABEÇA- dada a enorme variedade dos formatos das cabeças que vão da bola de futebol (soccer) a bola de football, de uma pirâmide a uma pirâmide invertida, de ovo, de abóbora, etc etc, contrataremos os gêmeos Chico e Paulo Caruso para estabelecer uma classificação mais técnica. 4- OLHOS- classificaremos os olhos por duas características: a) GRAU DE PUCHAMENTO/ ESPICHAMENTO- assim de uma linha de um japonês dormindo (- -) até arregalão de um europeu flagrando sua mulher com outro ( O O ) teríamos uma escala que alcançaria todos humanóides. b) COR- usaremos a escala CMYK; não usaremos e nem permitiremos o uso da Escala Europa de Cores, pois, trata-se de uma escala eurocentrista e preconceituosa já que por enquanto não foi ainda inventada a Escala Asiática, Americana ou Africana de Cores.

Cláudio (06/06/2008 - 15:07)
(Cont.) Teve ele a coragem de, afastando-se de seu líder espiritual o reverendo Jeremiah Wright, acreditar na possibilidade de uma união inter-racial. Apenas para lembrar, como observa o jornalista Michel Gerson, do Washington Post, o reverendo Jeremiah Wright havia afirmado, fomentando a luta entre brancos e pretos, que o governo dos Estados Unidos tinha criado em laboratório o vírus HIV objetivando a extinção da raça negra. Embora o cinema às vezes mostre relações inter-raciais, nos Estados Unidos não ocorre essa inter-relação. A amostragem é feita somente para cumprir disposições legais. Obama abriu uma nova visão da realidade racial americana e não será sem muito susto para todos nós se ele vier a ser eleito presidente dos Estados Unidos. Pela sua postura desassombrada, ele está sendo equiparado a Abraham Lincoln, Franklin Roosevelt e John Kennedy, derrotará seus adversários como a rotura das águas, em razão do acordo feito com os judeus, chamado de Baal-Perazim, numa alusão ao rei Davi.

Cláudio (06/06/2008 - 15:03)
Quem se lembra do discurso tido como histórico pronunciado em Filadélfia em sua campanha pela indicação de seu nome pelo Partido Democrata, o primeiro negro com possibilidades de vir a ser presidente da maior potência mundial? Abriu para nós brasileiros a necessidade de novas reflexões sobre o problema racial brasileiro. Obama em seu discurso supra-racial dissipou o medo existente no seio da comunidade negra americana de que ele, para chegar à presidência dos Estados Unidos, fosse capaz de rejeitar suas origens. Nós estávamos acostumados a ver a questão racial nos Estados Unidos pela fala de Martin Luther King de um lado e pelas ações da Ku Klux Klan de outro. Não se analisava o problema racial pelo prisma da igualdade de todos. Em seu discurso, sem negar a divisão racial, sem ocultar a realidade, falou de uma reconciliação sem afastar as razões da raiva, da dor e das frustrações da raça negra na sociedade americana. Definiu a necessidade de uma superação sem esquecimento da realidade. Ele quer, para os Estados Unidos, um a governo que seja indiferente às distinções raciais e que garanta realmente a igualdade de oportunidades para todos... Continua

Idalina Ramos (05/06/2008 - 10:39)
Um momento histórico. Comemorei. Vou continuar comemorando e fazendo Campanha. Obama enche de gás a autoestima dos negros que lutam contra or acismo no mundo. E isto é mais do que bom para a humanidade. E vaie chegar à Casa Branca, com a força de todos os orixás!

Carlos Nathansohn (04/06/2008 - 23:00)
Muito bom o debate entre o Azenha e o Eduardo. Isso mesmo, só a indicação de Barack Obama, da forma como foi conduzida dá um suspiro de que até aqui foi possível. Consolida uma parcela significativa da população norte-americana em torno dessa possibilidade. Tem início agora o jogo no campo das contradições maiores lá existentes e que respingam (de sangue?) em todos nós, seres constituídos neste planeta. Como diz o I Ching, agora é deixar o caudal existencial fluir ... Barack pra presidente! Como disse o Flavio Aguiar As promessas e as decepções ... a gente discute depois. O Barack Obama vai dar várias de contorcionista, primeiro para sobre-viver e depois para chegar lá. E vai chegar, porque o McCain é muito ruim de roda.

wilson cunha junior (04/06/2008 - 19:21)
É preciso considerar, porém, que Obama deu uma guinada conservadora nas últimas semanas. Entretanto, se mantiver a promessa de sair do Iraque e fechar Guantánamo já será um avanço. No mais, se Obama vencer, o mundo muda pouco. Mas muda. O que já é muito em se levarmos em conta as tragédias humanitárias e ambientais provocadas pelos últimos governantes norte-americanos.

Para as Bel com Z e S de Conceição Oliveira (04/06/2008 - 17:51)
Azenha e demais (desculpe o off topic, se tivesse os mails das Bels eu encaminharia no privado a mensagem) Bel com Z, o meu comentário anterior era referente à comparação que fiz de seu comentário no artigo do Boaventura e o feito aqui. Achei os dois muito diferentes, daí a incógnita. Lá parecia que vc destituía o discurso do Boaventura que em minha leitura é uma das análises de maior bom senso que li nos últimos tempos. Boaventura não ignora o que pensam os diferentes povos indígenas americanos, pelo contrário, ele argumenta que eles têm todo o direito de pensar coisas bem diferentes e serem respeitados. Boaventura jamais argumentaria que os indígenas são sujeitos anistóricos, ele tem clareza que são seres humanos complexos passíveis de contradição. Agora sobre o meu comentário anterior: meninas às vezes cansamos. Eu ando nesta fase, um pouquinho desestimulada com o recrudescimento de discursos tão tacanhas ('índio bom é índio morto'.., 'lugar de negro é na senzala, não na universidade ou na presidência'; lugar de operário é no chão da fábrica e não falando para líderes mundiais'... e outros absurdos travestidos de análise). Há tempos que acho o relativismo absoluto da direita racista é motivo de cadeia (eles se acham no direito de relativizar princípios básicos de civilidade). A tensão pré-cirúrgica e a quantidade de trabalho para dar cabo até lá, enfim, um contexto um pouco adverso que vivo de olhar a trajetória dos 40 anos vividos e perceber que ainda há tanto por fazer

Eduardo Guimarães (04/06/2008 - 16:17)
Azenha, muito boas novas. Tem esse fator da derrocada econômica... É, tem razão. É que li Noam Chomsky falando do racismo. É que estou pensando na América como se fosse o Estado de São Paulo, onde se mantém um grupo político ruim no poder por puro conservadorismo. Às vezes os EUA me parecem isso, mas deve ser só minha impressão. Estando aí você sente o clima. Se não acha que será essa pedreira dita por Chomsky, muito melhor.

Leider Lincoln (04/06/2008 - 16:12)
Hans, faz muito sentido, por que ainda em agosto do ano passado, quando as coisas deveriam estar menos piores, o francês Liberatión deu um quadro igualmente sinistro: http://www.liberation.fr/actualite/monde/273569.FR.php

Gérson (04/06/2008 - 15:21)
Prezado Eduardo Guimarães e Azenha, acho que o Obama já começou rascunhar a "Carta ao Povo Americano" (ou parte do povo). É só ver o discurso que ele fez hoje para a comunidade judaica. Aliás fiquei até na dúvida se ele é candidato à presidentcia dos EUA ou a primeiro ministro de Israel.

Luiz Carlos Azenha (04/06/2008 - 15:15)
Eduardo, faltou dizer que Obama já fez concessões à direita: abandonou os árabes - com os quais havia flertado - e se aproximou do lobby israelense conservador; se desfiliou da igreja "radical"; e agora diz que vai negociar com Cuba, sim, mas só se o regime cubano soltar os presos políticos.

Hans Bintje (04/06/2008 - 15:07)
Por favor, será que o pessoal poderia checar a veracidade da informação abaixo? "Look around. The evidence of a withering economy is everywhere. In 'good times' consumers shun the canned meat aisle altogether, but no more. Today, Spam sales are soaring; grocery stores can't keep it on the shelves. Everyone is looking for cheaper ways to feed themselves and their families. The Labor Department assures us that core-inflation is only 4 per cent, but everybody knows that"s a load of malarkey. Food prices are shooting up. Inflation is rampant and there's no end in sight. The dollar is closing in on the peso and working people are struggling just to get by. In Santa Barbara parking lots are being converted into hostels so that families that lost their homes in the subprime fiasco can sleep in their cars and not be hassled by the cops. The same is true in LA where tent cities have sprung up around the railroad yards to accommodate the growing number of people who've lost their jobs or can't afford to rent a room on service-industry wages. This is the great triumph of Reagan's free trade 'trickle down' Voodoo economics; whole families living out of their cars waiting for the pawn shop to open." Fonte: http://www.counterpunch.org/whitney06032008.html

Luiz Carlos Azenha (04/06/2008 - 15:07)
Eduardo, a economia americana está degringolando. E, nessas condições, o Obama só perde se houver um tsunami. O McCain fez um discurso ontem em que parecia um candidato empalhado. O Obama tem por trás um movimento, é um fenômeno que captura toda a insatisfação dos americanos com o processo político. Feito o Lula, ele vai evitar rupturas e canalizar essa força até o esgotamento dentro da democracia existente, que é de fachada.

Márcia (04/06/2008 - 15:02)
Maria Izabel, inacreditável é que isso tudo seja fachada, já que o PIG é quem governa e não o Lula, o Evo Morales tentam derrubar o tempo todo através de plebiscitos separatistas, o Hugo Chávez foi literalmente derrubado pelos EUA e conseguiu heróicamente voltar ao poder, a Critstina enfrenta o PIG argentino que assim como a ditadura deve ser pior lá também, e o Obama já foi praticamente ameaçado de morte. Espantoso achar que está tudo bem.

Fernando SP (04/06/2008 - 14:59)
De fato é emblemática a escolha de um negro para a disputa da presidência dos EUA.Como seria também a de uma mulher. O importante é a vitória dos democratas(AMERICANOS-os daqui correspondem aos republicanos de lá),embora não sejam significativas as diferenças entre os 2 partidos americanos.Mas acho que no final o conservadorismo vai prevalecer e o Rambo Mc Cain deverá ser o novo comandante daquele país.

Eduardo Guimarães (04/06/2008 - 14:57)
Azenha, vamos aproveitar para apimentar um pouco o debate? Veja bem, com ou sem o nosso senso histórico, dos que, como eu, você e vários outros leitores estamos vendo as possibilidades na eleição de alguém como Barack Obama, temos que ter em mente que ele não ganhou nada, ainda. Por mais que sua indicação pelo partido Democrata represente um avanço, não podemos pôr de lado o fato de que a sociedade americana é conservadora e que o racismo que persiste nos EUA pode vir a falar mais alto. Nesse contexto, Obama, como competente político, certamente fará concessões à direita, assim como Lula fez no Brasil com a Carta aos Brasileiros. Obama é o Lula ianque, vejam só! Mas o fato é o de que o fundamentalismo purista da esquerda mundial pode vir a falar mais alto, deixando Obama morrer na praia. É aquela velha história - e aí entra a polêmica: os fins justificam os meios? Pode Obama adotar um discurso forçadamente direitoso para diminuir resistências? E até que ponto ele terá que cumprir o que prometeu? Nada disso, porém, elidirá o fato de que a possibilidade de eleger um Obama é um sopro de frescor no rosto extenuado da humanidade.

Luiz Carlos Azenha (04/06/2008 - 13:43)
1. Estou bem de saúde. É que meu senso de humor me impele a brincadeiras que não "combinam" com a minha estampa; 2. Eduardo, você tem senso histórico; e o Obama, do ponto-de-vista histórico, é um fenômeno; do ponto-de-vista político, também, já que derrotou os caciques do Partido Democrata, ou seja, está surfando a onda de insatisfação com a política americana graças à molecada. Quanto aos 200 anos, são os 200 anos do fim do comércio de escravos nos Estados Unidos (no Brasil ainda não acabou). Finalmente, sobre a participação política dos americanos, é maior do que parece. Eles se envolvem muito em política comunitária, aquela que diz respeito diretamente aos interesses pessoais.

João Sebastião Bar (04/06/2008 - 13:41)
Caro Azenha: Da "Sociedade Afluente" para o Crepúsculo da Descendência Americana. O artigo da Folha SP abaixo me levou a refletir sobre a sociedade americana. O escritor John Kenneth Galbraith cunhou uma frase que foi título de seu livro nos anos 50"s, "A Sociedade Afluente" (The Affluent Society), que trocando em miúdos poderia ser simbolizada no sucesso da GM e da IBM. Tudo que acontecia de bom ou ruim com elas refletia na sociedade americana, mas os sucessos ao longo do último século foram maiores que os fracassos. Do inicio do século XX até os anos 70"s, os EUA foram os maiores produtores de petróleo do mundo, quase 40 anos depois e na terceira crise do petróleo, eles ainda não superaram esse paradigma. Para se ter uma idéia, criando uma caricatura de como funciona a realidade americana, até para matar mosquitos, eles inventam uma geringonça movida à gasolina e sua versão elétrica. Neste novo século inverteu-se a polarização, estamos assistimos o Crepúsculo da Descendência Americana. A caixa de Pandora da industria de carros dos EUA esta apenas começando a enfrentar o hiato (abismo) entre o bom-senso convencional e a realidade dos fatos, assim como toda a infraestrutura no país ao longo do último século, construídos de acordo com a teoria Freudiana do individualismo. Para reconstruir e corrigir a rota, eles precisarão de muitos Obama"s nas próximas décadas. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0406200827.htm Sds,JSB

Maria Izabel L. Silva (04/06/2008 - 13:18)
Cara amiga de blog do Azenha. Eu tenho 47 anos. Isso é ser velha?? Eu vou viver mais 40. Estou na metade da minha vida. Pretendo morrer aos 95. Sim. Quanto aos líderes americanos, não quis ser grosseira. Mas acho que fui. Só para esclarecer. Eu adoro o Presidente Lula, de paixão.E como sou militante petista, já tive oportunidade de ficar bem pertinho dele e conversar com ele, quando ele era apenas presidente do partido.Quanto aos demais líderes, minha admiração também é indescritível ... Do ponto de vista etnico-social, as lideranças americanas refletem a diversidade do continente. É fantastico. Nunca ocorreu tal coisa na história das Americas. Isso me conforta por que mostra que a humanidade tem futuro. Obrigada. É isso, agora me calo.

Bruno Brasil (04/06/2008 - 12:47)
Fiquei feliz com a nomeacao, mas acho que o preconceito contra ele vai acabar elegendo o McCain... Bom, mas o Obama vai com tudo mesmo, quer o apoio de todos os lados: http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/7435883.stm

Eduardo Guimarães (04/06/2008 - 11:50)
Azenha, a simples eleição de Obama já mudaria a face do mundo contemporâneo. É um avanço inquestionável. Claro que não mudará o fato de que os EUA se apóiam no resto do mundo para manterem sua supremacia, mas dará um caráter mais humano ao império americano. Obama é um presente para a humanidade nestes tempos tão conturbados.

JOSÉ LUIZ COUTO (04/06/2008 - 11:41)
Oi Azenha, uma pergunta me incomoda: como votaria o eleitor norte-americano se a eleição presidencial se o voto fosse direto? Venceria o demomocrata ou o republicano? O povo americano é um tanto despolitizidado, certo? Abraço

Alexandro (04/06/2008 - 11:36)
Que é impressionante que o Império leve um tapa na cara e veja seu comando ir para as maõs de um negro, isso sim lá é verdade.Agora achar que Obama será uma espécie de pacificador mundial e irá domesticar a ira imperialista do capital norte-americano isso beira a imbecilidade e nao a ingenuidade.Não é porque Obama é negro, "progressista" para os padrões americanos que o mundo entrará numa fase gloriosa.Obama é sedento por poder e vai jogar o jogo como deve.Achar que com ele o mundo ficará menos pior,que as guerras preventivas acabarão,que o apoio americano a golpes em países que ousem desafiar seus interesses vão acabar...isso é tolice.Com Obama ou Hillary,pouca coisa mudará nos EUA sobretudo quanto sua política externa.Para chegar a casa branca esse pessoal vende a alma a quem tiver grana pra financiá-los e lá chegando,podem ter certeza,não moverão uma palha para ir contra os interesses das grandes corporações capitalistas norte-americanas,estas sim, que mandam no mundo.Até porque o que vai motivar a vitória de um democrata ou republicano não é a questão externa e sim a interna.A economia americana está em recessão,o consumo e a renda em declínio,a pobreza(sim,para você que só lê Veja e assiste o JN fique sabendo existe pobreza lá)aumenta,e é isso que os americanos querem,que seus problemas internos sejam solucionados e dane-se o mundo.Ademais eles já aprendem a décadas em suas escolas que o mundo gira ao seu redor e conforme seus interesses.Obama é uma farsa,é o Lula deles!

marcelo - curitiba (04/06/2008 - 11:25)
bem, posso estar enganado,mas maria elizabeth está apenas sendo sarcástica e zombeteira! se for este o caso, endosso suas palavras apesar de achar que obama não venha a representar grandes coisas para o mundo ou para nós, já que continuará sendo um presidente americano, e mudar a cabeça daquele povinho, é algo meio difícil...

jose Carlos de Souza (04/06/2008 - 11:14)
Maria Izabel Talvez a maxima de que os fatos vencem os sonhos seja a culpada desta virada politica!

Walter Cesar Mercadante (04/06/2008 - 09:56)
É Azenha estamos todos surpreendidos. Seu texto é bem oportuno. Imagino vivenciar tudo isso, com a mesma idade do candidato democrata dos EUA. É notícia estraordinária para esse começo de sécculo XXI. As quetões de jornalismo ficaram mais expostas na ética mesmo no Brasil.

Leonardo (04/06/2008 - 09:50)
Pé na cova? Isso não foi um pouco radical da sua parte? Você não está tão velho assim e, a não ser que esteja doente, com certeza viverá muitos anos mais! Vida londa ao Azenha! :)

Fernando (04/06/2008 - 09:48)
Se vencer Obama vai governar pros brancos ricos, assim como o sindicalista nordestino governa para os empresários do Sul Maravilha. Grande transformação que passará os EUA.

Renato (04/06/2008 - 09:03)
Só espero que todas estas mudanças "dêem certo", porque se não der... a "extrema" é cruel... e forte!!! Abr.

Romanelli (04/06/2008 - 07:20)
Depois dos EUA terem sido DESMASCARADOS, com PROVAS, em episódios lamentáveis como c/as DITADURAS da década de 60-70, as CRISES das dividas e a HIPERinflação exportada nos anos 80-90, tudo como forma de se impor geopolíticamente (vide as privatarias), depois das recentes guerras por petróleo no IRAQUE, do apoio incondicional ao massacre de Israel,, Guantanamo, Abu-grab, e como esquecer, depois do GRADISSÍSSIMO fiasco de 11/09 c/direito a AVIÃO imaginário, acho que o "império" pensou que estava na hora de se criar um fato novo ...já é tarde, vide as crises e fragilidades, a obesidade ...ching-ling vem aí...e o KATRINA não me deixa mentir ...o resto é teatro. Sabia que OBAMA disse que quem manda nele é a esposa? Certo dia, conta, ela o fez sair do SENADO pra ir lhe comprar um vinho. Ela tb foi responsável por ele parar de fumar ...viu, americano bonzinho. Por enquanto um terno sob medida prum eleitorado MEDÍOCRE e desinformado ...triste é vermos alguns dos nossos caírem neste conto do vigário

Marcelo Villodres (04/06/2008 - 00:22)
É, é uma mudança, sim. Mas,.... essa história de querer transformar a amazônia em território global é o fim da picada. Torna-o igual aos outros... um ledo engano!!!

Isabel (04/06/2008 - 00:20)
Ah, vamos deixar pra lá, Conceição e Azenha, essa coisa de pé na cova, por favor. Que troço mais deprimente...vai saber se o Azenha não vive até os cem? E a Conceição? Com esse gás todo, vai longe. Extraordinário é que Obama, além de negro, tem esse nome, Barack..quem diria, depois do 11 de setembro... A História é viva, e avança. Os bárbaros destruiram Roma, e emergem outra vez.

Everton, de Belo Horizonte (04/06/2008 - 00:19)
É, Evo morales, Hugo Chaves, e Crisitina, quem diria, uma mulher na Argentina. No Brasil, dos senhores de engenho, senhores feudais, senhores da mídia, Lula, um líder sindical. E agora um negro jovem na velha casa branca. O mundo está mudando mesmo... Até a fórmula 1 está mudando, pois tem um ídolo negro! Quem diria, do alto dos meus 45 anos ver tanta mudança. Mudanças outrora impensáveis mostrando que sim, podemos evoluir. Nunca sabemos se será para melhor ou para bem melhor, mas só de mudar, já é uma grande vitória.

Gérson (04/06/2008 - 00:12)
Segundo o Jabor, em comentário recente,ele (Obama) corre sério risco de ser assasinado se for eleito presidente. Procurem os post do tal na CBN. Porque é um momento histórco ?? Só pq um afro-americano chegou lá ? Nem chegou!!, está disputando. E se chegar pq vai ser melhor para a humanidade ? Me poupem desse maniqueismo. O Status Quo vigente na América do Norte está longe de aceitar alguém com uma visão humanista, holística (que não acredito que o Obama tenha)para dirigir os rumos de uma sociedade que só enxerga o próprio umbigo.

ANDRE DIREITO (03/06/2008 - 23:38)
momento triste...mas um populista sera eleito...a politica nas americas vive seu pior momento.temo pelo futuro do mundo.

gaúcho (03/06/2008 - 23:34)
Realmente, como diria Machado de Assis uma lufada de vento soprou sobre o continente americano, penso se as pessoas estão menos reacionárias embora os esforços da mídia golpista ou se a direita está em crise ou seu modo de administrar se esgotou. Quanto a Obama estou curioso para saber, caso ele chegue mesmo à presidência, se a política externa dos EUA é uma política de estado ou de governo. Também quero ver qual vai ser a estratégia do PIG de lá para derrubar o negro insolente do poder... Os próximos anos prometem muita ação!

ELE CONSEGUIU (03/06/2008 - 23:26)
momento histórico!

Lúcia Cantanhede (03/06/2008 - 23:15)
Gostei da abordagem. Muito. Faço questão de dizer que não sou nada de Eliane Cantanhede, graças a todos os deuses. E deusas também

Leider Lincoln (03/06/2008 - 22:56)
Diz a CNN que deu. É Obama!

Jorge (03/06/2008 - 22:33)
Calma, Azenha, você ainda vai ver muita coisa. Deu outra volta na Globo e na Folha, hein...Só bem depois que você noticiou esta informação, eles acordaram.

Edu marcondes (03/06/2008 - 22:10)
Azenha Só ficou uma dúvida Porque "200 anos"? No brasil, o fim do comércio de escravos ocorreu com a Lei Eusébio de Queiróz, de 1850, há, portanto, 158 anos. Abraço.

Francisco Carvalho Venancio (03/06/2008 - 22:02)
0...... Obama é candidato!!

Mariana Rodrigues (03/06/2008 - 21:51)
XÔ! Isabel não surtou ela vive em permanente estado de maluquez

Conceição Oliveira (03/06/2008 - 21:25)
Maria Izabel L. Silva vc é uma incógnita para mim. Tem hora que te leio e não compreendo onde quer chegar. Mas assino embaixo este seu comentário e me solidarizo ao Azenha, pois como ele, também não tenho a sua juventude para poder apreciar esse novo tempo com o tempo que desejaria viver para isso. Mas mesmo já tendo entrado no primeiro enta, fico feliz com as mudanças de paradigmas no continente americano e também espero que minha filha e todas as demais crianças deste continente encontrem caminhos mais democráticos e mais includentes para conviver. Abraços

Francisco Carvalho Venancio (03/06/2008 - 21:21)
4...

Francisco Carvalho Venancio (03/06/2008 - 21:07)
Só cinco agora Azenha.... Vamo lá, contagem regressiva! 5...

Luiz Carlos Azenha (03/06/2008 - 21:04)
Izabel, em compensação eu estou com o pé na cova, mas espero que minhas filhas aproveitem este momento extraordinário.

Roberto Ribeiro - Rio das Pedras/SP (03/06/2008 - 21:04)
Que Deus abençoe o futuro Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama.

Maria Izabel L. Silva (03/06/2008 - 20:51)
Inacreditável. Extraordinário mesmo. O continente surtou. Primeiro votaram no Lula (sindicalista sem pedigre). Depois votaram no Evo Morales (índio até os ossos).Depois votaram no Hugo Chaves (antiamericano aloprado). Depois votaram na Cristina (mulher) ... E agora parace que vão eleger o Obama!! Fico muito feliz de estar viva, jovem e com saúde para presenciar tudo isso, e dizer aos meus futuros netos que a política no início do século 21 foi incomparável!



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