Atualizado e Publicado em 20 de fevereiro de 2008 às 20:51
Amigos brasileiros sempre me pedem sugestão de algum roteiro turístico diferente para fazer nos Estados Unidos. Alguns ficam maravilhados com a viagem de carro pela costa do estado americano da Califórnia, de Las Vegas a São Francisco.
Outros saem de Nova York, também de carro, para subir o vale do rio Hudson. Pouca gente conhece a rota de Phoenix, no estado do Arizona, a Salt Lake City, em Utah. É, como dizem os americanos, breathtaking, de tirar o fôlego.
No caminho ficam alguns dos parques nacionais mais bonitos do país, inclusive o Grand Canyon. Lugares bonitos parecem inspirar lunáticos. Neste caso, marcianos. Foi num deserto de formações rochosas coloridas que nós os encontramos.

Estudantes de uma universidade de Utah que sonham em um dia colocar os pés no planeta vermelho. É uma idéia popular nos Estados Unidos. O Projeto Marte é financiado por cidadãos que acreditam que devemos nos preparar, aqui na Terra, para o dia em que seremos forçados a mudar para Marte. A previsão dessa gente é de que algum cataclisma ecológico ou acidente - o choque de um asteróide, por exemplo - vai ameaçar a raça humana de extinção.
Por isso, é preciso colonizar Marte. O segundo homem a pisar na lua, Buzz Aldrin, e o diretor de cinema Jim Cameron (do filme Titanic), ajudam a financiar o projeto que visitamos.

Fomos pegos de surpresa pela aparição de um ET. Era apenas um dos estudantes, que buscava uma bola de futebol do outro lado da montanha. Quando não batem bola, nas horas de folga, os universitários estudam o solo, fazem observações astronômicas e vivem como se estivessem em Marte.
Marte é o planeta do sistema solar mais parecido com a Terra. Até o solo avermelhado, que levou os homens a apelidarem Marte de planeta vermelho, existe no lugar. A instalação central do projeto é a réplica de um estágio do foguete Saturno, aquele que levou os homens à Lua.
Os marcianos de Utah acreditam que a mineração do solo de Marte poderia resultar na produção do combustível essencial para levar a humanidade ainda mais longe.
Semanas antes dessa visita entrevistei o astronauta Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua. Ele é conhecido pelo temperamento explosivo, mas nos tratou de forma educada e generosa. Permitiu até que nossa equipe o acompanhasse numa feira de aviação em Dayton, no estado americano de Ohio. Ele era o convidado especial.
Buzz Aldrin em solo lunar, em 1969. O ex-astronauta acredita que a Terra corre risco de extinção. Acha que a colonização de Marte poderá salvar a raça humana. Propõe a extinção da frota americana de ônibus espaciais e o investimento maciço em foguetes de longo alcance que poderiam impulsionar uma nave até Marte.
Todos nós temos metas na vida. Aldrin já esteve na Lua, um feito e tanto. Quando voltou à Terra, caiu em profunda depressão, que superou lentamente.
Disse que contou com a ajuda da família e de antidepressivos para recuperar o interesse pela vida. Quem sabe pensar na viagem a Marte faça parte do remédio de que ele precisa para continuar vivendo.
Publicado originalmente em 2005
O Gênio da Gravidade Luiz Domingos de Luna Cada tombo uma queda O Ser vivo a equilibrar Não pode escorregar Uma altura que esfarela Quem anda de avião Já fica preocupado Numa pane é jogado Corpo sem vida no chão Gravidade impiedosa Sempre a puxar das alturas Até às vezes, dá tonturas. De queda assombrosa Lá da montanha, um condor. Voava tranquilamente Num instante somente Pensei que estivesse parado Parado nas alturas Está tudo errado Cadê tua força, puxador? Eu estava enganado Não era um condor Não era um planador Era um simples beija-flor Enganando a gravidade.