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Tirar engenharia básica da Petrobras do Centro de Pesquisas é “erro colossal”

15 de janeiro de 2016 às 12h24

Petrobras

Convés de navio visualizado em sala 3D no Cenpes. Foto: Agência Petrobras/Divulgação.

Petrobras provoca debate ao propor transferir engenharia básica do Cenpes para a área de serviços

do portal do  Clube de Engenharia, sugestão de Carlos Ferreira

Por alguns anos a Petrobras divulgou, com orgulho, a gestão tecnológica feita de maneira compartilhada entre o seu Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes), onde concentra atividades de pesquisa, desenvolvimento (P&D) e engenharia básica (E), e os segmentos de negócios da empresa.

O país tem comemorado a excelência tecnológica e o reconhecimento internacional com os prêmios recebidos pelas tecnologias pioneiras desenvolvidas para o Pré-Sal.

Em 2015 a Petrobras recebeu, pela terceira vez, o OTC — “Distinguished Achievement Award for CompaniesOrganizations, and Institutions”, o maior reconhecimento tecnológico que uma empresa de petróleo pode receber como operadora offshore.

Apesar da excelência em diversas áreas, circulam informações de que na reestruturação em curso as atividades de engenharia básica serão deslocadas do Cenpes para a área de engenharia responsável pela implantação dos empreendimentos da companhia.

Guilherme Estrella, conselheiro do Clube de Engenharia, assume posição radicalmente contrária.

Entende que a transferência da engenharia básica do Cenpes para a área de serviços “é um salto para trás, um monumental retrocesso que certamente trará risco para a trajetória de extraordinário e, como tal, mundialmente reconhecido êxito nas atividades fins da companhia”.

Para o ex-diretor de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras a medida “não encontra sustentação no campo conceitual do desenvolvimento/inovação tecnológica endógeno da Petrobrás nem do ponto de vista das atribuições específicas e fundamentais da engenharia-serviços”.

São posições e avaliações que já são compartilhadas com a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), na perspectiva de que uma profunda reflexão seja feita para evitar o grave retrocesso.

Como Estrella, a Aepet define a mudança proposta, caso se concretize, como um “erro colossal”.

“É de conhecimento público que a Petrobras está promovendo a reestruturação da sua organização corporativa. A bem-vinda reestruturação deve preservar acertos históricos e a organização do trabalho pode ser aperfeiçoada. Notadamente, o conceito de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia Básica (P&D+E) do Cenpes deve ser preservado e aprimorado”, afirma a Aepet em documento datado de novembro de 2015.

Ainda segundo a AEPET, “ao ser incorporada no CENPES, a Engenharia Básica (E) transformou o centro de pesquisas em Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Engenharia (P&D+E), passando a promover vínculos entre os pesquisadores e os projetistas dos equipamentos, facilitando a aplicação de inovações nos projetos”.

Gestão estratégica e tecnológica

Guilherme Estrella esclarece que o êxito da Petrobras na implantação da gestão estratégica e das atividades de desenvolvimento tecnológico não se concretizou sem disputas. O não entendimento integral do próprio conceito de tecnologia, por exemplo, estava incluído entre as causas dos conflitos.

A Petrobras implantou a gestão estratégica e tecnológica plena com a criação, no Cenpes, da área da engenharia básica, primeiro do refino e depois do E&P. O “E” de engenharia básica, foi finalmente adicionado ao “P&D” na designação das atividades do Cenpes.

A inquestionável e difícil conquista do modelo de “gestão compartilhada” foi implantada no Cenpes em meados da década de 80, com o planejamento completamente integrado das atividades do Centro com os chamados órgãos operacionais – órgãos que vão operar as tecnologias – do E&P, do refino e da petroquímica, registra Estrella.

“Operamos desta forma um enriquecedor processo de feedback contínuo aos projetos básicos na medida em que dificuldades ou novos desafios e necessidades operacionais são trazidos aos projetistas do Cenpes, que por sua vez introduzem nos novos projetos as inovações/avanços destinadas a superá-los. É neste momento que surge como imperativa a junção da engenharia básica com o “P&D”, integralizando-se então o conceito de P&D+E, e de tecnologia. Esquartejar esta integração – sob qualquer argumento — é desconhecer um modelo de gestão universalmente reconhecido”, conclui Guilherme Estrella.

Na mesma linha, contrário à mudança em pauta, o vice-presidente do Clube de Engenharia, Sebastião Soares, consegue sintetizar sua visão em uma única e lapidar frase: “O Cenpes é a Embrapa da indústria”.

Leia também:

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titus

16/01/2016 - 11h18

O objetivo e muito claro! privatizar(doar) mais uma empresa publica.
Os abutres norte americanos nao vao descansar enquanto nao se apoderarem do presal …e os vendilhoes internos estao facilitando muito (seja Bendine, moro, janot,serra,e outros implicados…) a destruicao da tecnologia brasileira e imperativo para esses carniceiros…

Responder

FrancoAtirador

15/01/2016 - 15h40

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EMBRAPA & PETROBRAS: 2 EMPRESAS PÚBLICAS COM TECNOLOGIA DE PONTA.
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AS ESTATAIS BRASILEIRAS QUE AINDA RESISTIAM À DOMINAÇÃO ESTRANGEIRA.
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Agora, definitivamente, o ‘bra’ de ‘braZil’ é mesmo o de bradesco’ do JN da Globo.
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Responder

FrancoAtirador

15/01/2016 - 15h12

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O SISTEMA DA DÍVIDA E A CORRUPÇÃO NO BRASIL
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(https://youtu.be/q-LPGwUIadQ?t=476)
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(https://youtu.be/rRQHG5kd-Q0)
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(https://youtu.be/lYRIV9pkzpM)
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Enquanto a Maioria aceitar passivamente
o Sistema Usurário da Dívida Pública da União,
Ditado pelo Capital Financeiro Transnacional,
o Brasil estará em Permanente Crise Econômica,
sem Capacidade de Custeio e de Investimento.
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Quando 15 Raposas cuidam do Galinheiro Global…
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O CÍRCULO SECRETO QUE COMANDA O MERCADO
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Bloomberg News, via Exame
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Quinze dos Maiores ‘Players’ [leia-se: Donos da Banca] do Mercado
de US$ 14 TRILHÕES de Seguro de Crédito são também seus Árbitros.
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Empresas como JPMorgan Chase Co.
e Goldman Sachs Group Inc.
escreveram as regras,
são os compradores e vendedores dominantes
e, em última análise, ajudam a decidir
quem são os vencedores e os perdedores.
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Será que um país como a Argentina [ou o braZil] pagou o que deve?
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Será que uma empresa como a Caesars Entertainment Corp. honrou suas contas?
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Quando surge a pergunta, as 15 empresas se reúnem em uma teleconferência para decidir se um calote desencadeou o pagamento do seguro garantia, chamado de Swap de Crédito, ou CDS, na sigla em inglês.
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Os investidores usam o CDS para se protegerem de pagamentos de dívidas não realizados ou para lucrar com eles.
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Quando as 15 empresas decidem se houve ou não um calote, elas estão determinando, na prática, quanto dinheiro mudará de mãos.
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E agora, sete anos depois de a crise financeira ter colocado a atenção geral pela primeira vez sobre o CDS, é crescente a pressão dentro e fora do chamado comitê de determinações para solucionar os conflitos de interesse, segundo entrevistas com mais de três dezenas de pessoas com conhecimento direto do funcionamento do painel, que pediram anonimato.
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Os escândalos que expuseram a forma como os traders dos bancos manipularam as taxas básicas de juros e fixaram os valores do câmbio deram munição para aqueles que dizem que os swaps de crédito também podem ser suscetíveis a conluios, ou pior, à manipulação direta.
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O grupo que supervisiona o processo, a Associação Internacional de Swaps e Derivativos (ISDA, na sigla em inglês),
atualmente está propondo mudanças nas regras que, segundo ela, reformarão o comitê de determinações.
[Ao estilo Paulo Nogueira: Pausa para um Sorriso Irônico de Desconfiança…]
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Entre as propostas estão a limitação das pessoas habilitadas a se envolverem com a tomada de decisões
e a proibição aos membros do painel de discutirem as decisões fora das reuniões,
de acordo com um documento obtido pela Bloomberg News.
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Para os céticos, a questão é se as mudanças seriam suficientes.
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Como apenas os maiores traders de CDS têm assento no painel,
os conflitos não são apenas tolerados, mas inevitáveis.
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“Trata-se de um órgão autorregulatório que entregou a autoridade de todo um mercado
àqueles que têm o maior interesse próprio e nenhuma proibição
para colocar seus interesses à frente do mercado como um todo”,
disse Joshua Rosner, diretor-gerente da empresa de pesquisas financeiras Graham Fisher Co.,
que escreveu um relatório sobre as deficiências do comitê de determinações no início deste ano.
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Raramente, ou nunca, o mundo, de uma forma mais ampla, sabe como ou por que as decisões do comitê são tomadas.
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Apesar de a contagem final e a forma como cada empresa votou serem postadas na internet,
o mesmo não ocorre com as discussões entre os membros do painel.
Nenhum dos 15 Membros do Comitê, nem as Empresas que eles representam,
quis comentar esta reportagem.
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Um executivo de uma das empresas disse, sem especificar, que a discussão
de assuntos internos do painel provoca repercussões potencialmente severas.
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Argentina [Brasil?] e Venezuela na Mira
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Os Swaps de Crédito de Dívidas Corporativas e Soberanas,
que estão sujeitos às Decisões do Painel,
ganharam Destaque nos Últimos Tempos.
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Com a Queda dos Preços do Petróleo e de Outras Commodities,
algumas Corporações e Governos enfrentaram Dificuldades
para se manter em dia com os Credores.
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Por exemplo, os Preços dos Swaps de Crédito mostram
que os Traders* precificaram uma Probabilidade
de 95% de a Venezuela dar um Calote dentro de 5 Anos,
segundo dados de CDS da S&P Capital IQ divulgados terça-feira.
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A forma de lidar com os conflitos de interesse veio à tona no ano passado,
durante uma conferência sobre as finanças em perigo da Argentina.
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O país havia dado calote em sua dívida?
A pergunta foi submetida ao comitê de determinações no dia 31 de julho.
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Se o painel decidisse que sim, até US$ 532 milhões fluiriam para os compradores de CDS.
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Entre esses compradores estava o Fundo Hedge de Paul Singer,
a Elliott Management Corp. — que também é membro do comitê de determinações.
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A Elliott tinha uma história com a Argentina.
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A empresa era credora durante o calote da dívida do país nos anos 1990
e não havia aceitado um pagamento reduzido por uma parte de seus bonds.
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Para recuperar seu dinheiro, a Elliott utilizou como tática, por exemplo,
a tentativa de apreensão de um navio argentino atracado em Gana
e uma ação judicial contra a empresa Space Exploration Technologies, de Elon Musk,
para tentar assumir o controle dos direitos de dois contratos de lançamento de satélites da Argentina.
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No dia 1º de agosto, o comitê decidiu pelo ‘sim’. ‘A Argentina havia dado calote’.
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Segundo a Isda, o comitê votou como em quase todas as suas decisões: por unanimidade.
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Só que a coisa não foi tão simples assim.
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A representante de Elliott — Mary Kuan, sócia do escritório de advocacia novaiorquino
Kleinberg, Kaplan, Wolff Cohen — fez algo que nenhum membro jamais havia feito,
segundo fontes com conhecimento direto sobre o assunto.
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Ela pediu que a Elliott se abstivesse de votar.
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As regras não permitem abstenções.
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E se uma empresa-membro, por alguma razão,
se abstém duas vezes durante seu mandato,
ela é expulsa do painel.
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Se todos os que têm um conflito se abstivessem,
possivelmente não sobraria ninguém para tomar as decisões,
disseram fontes das empresas, sob a condição de anonimato.
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Há conflitos em quase todas as votações, segundo elas.
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Michael O’Looney, porta-voz da Elliott,
preferiu não comentar em nome de Kuan e do Fundo Hedge.
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A Elliott acabou se unindo ao voto pelo ‘sim’.
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Depois que o colapso do Lehman Brothers Holdings Inc., em setembro de 2008,
expôs a complexidade do mercado de CDS, Timothy Geithner,
à época presidente do Federal Reserve de Nova York,
decidiu que era necessária uma reformulação — e rapidamente.
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A pedido dele, Executivos das Maiores Negociantes de CDS
e Empresas de Gestão de Recursos
se reuniram na sede do Goldman Sachs,
no New York Financial District, na Baixa Manhattan…
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[Mais uma Pausa, no mesmo estilo, desta feita para gargalhar].
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*(http://www.infomoney.com.br/petrobras/noticia/4523543/com-uma-palavra-magica-dilma-traders-opcoes-lucraram-ate-500)
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http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/o-circulo-secreto-que-comanda-um-mercado-de-us-14-trilhoes
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Responder

FrancoAtirador

15/01/2016 - 14h18

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O SISTEMA DA DÍVIDA E A CORRUPÇÃO NO BRASIL
.
(https://youtu.be/q-LPGwUIadQ?t=476)
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(https://youtu.be/rRQHG5kd-Q0)
.
(https://youtu.be/lYRIV9pkzpM)
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Enquanto a Maioria aceitar passivamente
o Sistema Usurário da Dívida Pública da União,
Ditado pelo Capital Financeiro Transnacional,
o Brasil estará em Permanente Crise Econômica,
sem Capacidade de Custeio e Investimento.
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Responder

Urbano

15/01/2016 - 14h14

Alguém já disse em tempos passados: “Há tantos burros mandando, que às vezes chego a pensar que a burrice é uma ciência”.

Responder

FrancoAtirador

15/01/2016 - 12h39

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A Manutenção das Colônias como Meras Fornecedoras de Matérias Primas
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sempre foi a Pré-Condição para a Manutenção dos Impérios Dominadores.
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