Atualizado em 28 de abril de 2008 às 21:22 | Publicado em 28 de abril de 2008 às 20:17
WASHINGTON - Uma das muitas virtudes da internet é a de permitir a disseminação de informação de qualidade como nunca foi possível no passado: a custo quase zero. Pensando nos leitores que querem se aprofundar em um tema e em professores aos quais muitas vezes falta material didático, este site passa a partir de hoje a reproduzir documentos em PDF.
Estreamos com a íntegra do livro Tenotã-Mõ, que fala sobre a longa campanha contra a construção de barragens no rio Xingu. Essa campanha foi marcada por uma imagem:

A jovem Tu Ira colocou o terçado nas bochechas do engenheiro maranhense José Antonio Muniz Lopes, que dirigia a Eletronorte no governo Sarney, numa foto que rodou o mundo em 1989. Foi um momento tenotã-mõ de oposição à construção da barragem.
O engenheiro é persistente: agora como presidente da Eletrobrás, ele é um dos líderes da terceira encarnação da idéia de "barrar" o Xingu.
Trecho do livro Tenotã-Mõ, que trata do renascimento da idéia:
"Uma das razões é que, vinte anos depois, o agora senador Sarney e aliado do governo Lula, parece ter persuadido a cúpula federal da importância e da excelente oportunidade do projeto Belo Monte. No mínimo, mostrou que ainda comandava o seu feudo, tendo recentemente conduzido a troca de presidente da empresa "holding" Eletrobrás, que é acionista principal da Eletronorte.
Todavia, esses "novos" dirigentes já tiveram que reconhecer que o rio não fornecerá a potência necessária para a instalação dos 11.000 MW, e que a Eletronorte não terá como bancar sozinha o investimento, que precisam ser atraídos investidores parta se associar, além de uma parte do financiamento ser assegurada pelo banco estatal BNDES. De tal modo que a saída agora apontada como natural é a formação de um consórcio de grupos poderosos, capazes de alavancar o financiamento: as empreiteiras Camargo Correa e Andrade Gutierrez, as fabricantes de equipamento pesado Alstom, Asea Brown Boveri, General Eletric e Voith Siemens, e grupos capazes de contratar a compra de alguns pacotes de eletricidade de bom tamanho, como as empresas mineradoras e metalúrgicas como a Alcoa, a CVRD, a australiana BhpBilliton".
Quem quiser saber mais pode ler ou baixar o texto em PDF.
Sobre o título do livro, diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro:
“Tenotã mõ significa “o que segue à frente, o que começa”.
Essa palavra designa o termo inicial de uma série: o primogênito de um grupo de irmãos, o pai em relação ao filho, o homem que encabeça uma fila indiana na mata, a família que primeiro sai da aldeia para uma excursão na estação chuvosa. O líder araweté é assim o que começa, não o que comanda; é o que segue na frente, não o que fica no meio.
Toda e qualquer empresa coletiva supõe um Tenotã mõ. Nada começa se não houver alguém em particular que comece. Mas entre o começar do Tenotã mõ, já em si algo relutante, e o prosseguir dos demais, sempre é posto um intervalo, vago mas essencial: a ação inauguradora é respondida como se fosse um pólo de contágio, não uma autorização”
depois do primo de Uribe ter prisão decretada semana passada, agora foii uma ex-deputada. Essa mulher Yidis Medina participou do "mensalão colombiano" em que congressistas são acusados de receber favores em troca de aprovar a releição de Uribe.. Foi presa por vender votos.. Agora imagina s fosse Chavez, ou Evo, Cristina??? Fernando Lugo que se cuide.