Atualizado em 04 de maio de 2008 às 19:34 | Publicado em 04 de maio de 2008 às 19:12
WASHINGTON - A Agência Boliviana de Notícias diz que um homem de 68 anos morreu na cama, em Santa Cruz de la Sierra, depois que a polícia usou gás lacrimogêneo para separar grupos pró e contra o referendo autonômico do departamento, realizado neste domingo. O homem foi identificado como Benjamín Ticona Machaca.

A ABI divulgou a foto de um homem que, segundo a agência, fez cinco disparos contra partidários do governo central que ocuparam um colégio que serviria de local de votação.
"O triunfo contudente do sim", anunciou um jornalista da Rede Democracia e Liberdade, formada por emissoras de rádio de todo o país, que fez campanha aberta a favor do SIM e passou o dia pedindo aos eleitores de Santa Cruz que fossem votar.
Assim que as urnas foram fechadas um radialista disse que o sim havia vencido com 77% dos votos, atribuindo o resultado a pesquisas de boca de urna. "Nasce uma nova Bolívia", disse ele, "uma Bolívia de esperança, de oportunidade".
Os entrevistados da rede de rádio, que só ouviu gente a favor da autonomia, negaram que o referendo coloque em risco a integridade territorial da Bolívia e compararam o processo ao da autonomia de regiões da Espanha.
O mesmo radialista voltou em seguida para dizer que 82,7% votaram a favor e 17,3% contra. Os partidários da autonomia dizem que os atos de violência foram promovidos pelo governo central. A taxa do SIM, de acordo com as transmissões da rede de rádios, logo subiu para 88%. "O único que resta ao governo agora é parabenizar a Santa Cruz e a todos os bolivianos", disse um comentarista.
"Senhor, ganhamos!", gritou uma repórter nas ruas de Santa Cruz. "Ganhamos", ele respondeu.
A rede de emissoras de rádio cortou pela metade uma entrevista de um ministro do governo de Evo Morales e mudou de assunto quando entrevistados descreveram incidentes violentos.
A agência oficial da Bolívia, no entanto, descreveu o referendo assim:
"A rebelião do povo, a violência e a fraude marcaram a jornada de consulta sobre o estatuto autonômico, dia em que os dirigentes civis que impuseram o ato inconstitucional constataram que não foi suficiente o milionário gasto midiático e enfrentaram a realidade, que tentaram superar com urnas cheias de votos marcados com SIM".
Quem mentiu mais?
Ganhar jogo roubado não é mérito... Vivam Evo, o MaS e a unidade popular da Bolívia! Que venha o Referendo da Nova Constituição!