Atualizado em 23 de junho de 2008 às 19:03 | Publicado em 23 de junho de 2008 às 18:57

A Polícia Federal está investigando se militares brasileiros, da ativa ou da reserva, ajudaram os arrozeiros que disputam terra com indígenas na Raposa/Serra do Sol, em Roraima, a fazer bombas de fabricação caseira.
A informação é do delegado Fernando Segóvia, coordenador geral de Defesa Institucional da PF e responsável pela operação Upatakon III - "nossa terra", em macuxi -, que visava retirar os não-índios da reserva mas foi suspensa por decisão do Supremo Tribunal Federal.
A suspeita da PF teve origem em vários incidentes que antecederam a operação. Em um deles, moradores de Pacaraima - cidade governada pelo prefeito Paulo César Quartiero, um dos arrozeiros - destruiram o posto da Receita Federal situado na fronteira com a Venezuela e tentaram atacar também o posto da Polícia Federal.
Na ocasião, explosivos foram colocados sob um carro estacionado diante do posto. Um policial federal interveio, evitou a detonação e ainda prendeu o líder dos manifestantes.
Posteriormente a Polícia Federal apreendeu uma bomba de fabricação caseira atirada dentro da pequena igreja católica da vila de Surumu, em área da terra indígena demarcada, por motoqueiros suspeitos de agir a serviço de Paulo César. A bomba não explodiu e foi submetida a perícia.
Em maio deste ano, quando funcionários da fazenda Depósito, reivindicada por Paulo César, atiraram e detonaram bombas em um grupo de indígenas que tentou montar um acampamento depois de invadir a área, ferindo vários deles, a Polícia Federal fez uma busca e encontrou em galpões o que diz ser material para a fabricação de bombas. Os peritos que acompanharam o delegado Segóvia na apreensão atestaram que o material encontrado era similar ao da bomba apreendida na igreja.
Pela lei brasileira a posse de explosivos é exclusiva do Comando do Exército e configura um crime continuado. Foi o que levou a Polícia Federal a prender Paulo César, o filho dele, Renato, e funcionários da fazenda. Eles se encontram em liberdade por habeas corpus concedido pela Justiça Federal.
A PF suspeita que uma bomba tenha explodido nas mãos de Renato, o filho do prefeito, durante manifestação ocorrida sobre a ponte de concreto que leva à vila Surumu. Renato, de 24 anos, administra as fazendas do pai e foi fotografado no hospital por um jornal de Boa Vista com ferimentos no peito e nas mãos. Entrevistado para o documentário Luta na Terra de Makunaima, da TV Cultura, Renato disse que não tinha lembrança clara do incidente. As mãos dele exibiam sinais de ferimento.
Sem entrar em detalhes, o delegado Segóvia diz que a PF tem motivos para suspeitar de que os arrozeiros tenham recebido ajuda de militares para fazer as bombas. O filho de Quartiero, Renato, diz que as peças apreendidas pela polícia na fazenda Depósito fazem parte de implementos agrícolas.
As fotos exibidas aqui são da perícia feita pela Polícia Federal.

AUTOMÓVEL SOB O QUAL FOI COLOCADA UMA BOMBA, DIANTE DO PRÉDIO DA POLÍCIA FEDERAL NA FRONTEIRA DO BRASIL COM A VENEZUELA



Documentário soberbo. Não emitiu juízo de valor de seu autor, não puxou a sardinha pra lado nenhum. Deixou que o espectador tomasse sua posição. Bravo, bravíssimo! Estou com os índios tanto por razão genética como de justiça, já que se a terra tem um dono incontestavelmente são eles os tais. O grito de guerra de Sepé Tiarajú se faz novamente presente: Ayuca karayba!