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QUARTIERO: A TÁTICA É DIVIDIR PARA GOVERNAR

Atualizado em 26 de agosto de 2008 às 18:48 | Publicado em 26 de agosto de 2008 às 16:27

O arrozeiro Paulo César Quartiero tem grande apoio popular em Roraima. Na cidade que ele governa, Pacaraima, diz-se que será candidato a governador do estado ou a senador. A Polícia Federal é o "inimigo externo", que ele enfrentou com apoio de gente ligada ao Exército.

Quartiero, eleito pelo DEM, diz que Fernando Collor, Fernando Henrique e Lula são vendilhões do Brasil e que só Itamar Franco serve, por ser nacionalista. O arrozeiro é politicamente esperto: navega na ascensão da extrema-direita, articulada com setores do Exército. O objetivo deles é derrubar Lula. Mas, sem força eleitoral para isso, se articulam taticamente para derrotar o governo sempre que possível.

No caso da reserva Raposa/Serra do Sol o grupo contou com apoio de alguns jornalistas para propagar as suas teorias conspiratórias segundo as quais os indígenas fazem parte de uma trama internacional. A tática tem o objetivo de jogar os brasileiros brancos contra os indígenas como se eles não fossem brasileiros. É o dividir para conquistar.

Quem perde? Os indígenas com certeza.

Quem ganha? Os arrozeiros. As mineradoras. O agronegócio. Que, lá na frente, financiam as campanhas de gente como Quartiero. Simples, não?

Essa tática de dividir para governar ele já aplicou com os próprios indígenas.

Com o controle da Prefeitura de Pacaraima, deu emprego àqueles que hoje fazem campanha em defesa da permanência dos arrozeiros.

Quartiero montou uma sub-prefeitura em Surumu e os indígenas empregados por ele defendem, com certeza, seus próprios empregos.

E tem gente que se diz  "da esquerda" ou "progressista" que apóia os arrozeiros. Estão alimentando o monstro que vai engolí-los lá na frente. Fiquem com a nota da Agência Brasil:

Em Roraima, Quartiero aguarda decisão do STF e diz que PF é “Gestapo tupiniquim”

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

    

Brasília - A poucos dias do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) de ações que contestam a demarcação em área contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, o prefeito de Pacaraima e produtor de arroz Paulo César Quartiero demonstra confiança na permanência dos não-índios na reserva.

Mesmo depois de duas prisões, ele continua a criticar inquéritos em curso na Superintendência da Polícia Federal em Boa Vista, que apuram o seu envolvimento em um atentado contra posto policial e no episódio de maio em que índios foram baleados dentro de sua propriedade.

“Eu me sinto orgulhoso de estar sendo processado e investigado pela Gestapo [polícia secreta alemã ligada ao nazismo] tupiniquim que é a Polícia Federal."

"Junto com o Ministério da Justiça, ela [Polícia Federal] está vendida ao interesse internacional e eu diria que atenta contra os interesses diretos da nação brasileira”, afirmou Quartiero, líder do movimento de resistência à saída dos não-índios, em entrevista à Rádio Nacional da Amazônia e à Agência Brasil.

“O dia que eu receber uma medalha desse povo, certamente me considerarei um criminoso. Mas enquanto for processado é sinal de que estou no caminho certo. A história vai mostrar quem está vendendo o Brasil e quem está defendendo a nação”, acrescentou.

Procurada para responder às críticas de Quartiero, a Superintendência da PF informou que não irá se pronunciar sobre assuntos relacionados à reserva até o próximo dia 27, data do julgamento no STF.

Quartiero disse que não pretende vir a Brasília. Alega que precisa defender sua propriedade dos índios que querem a demarcação contínua. Entretanto, os arrozeiros de Roraima estarão representados pelo advogado do grupo, o ex-ministro do STF Ilmar Galvão.

“Não é por ser ex-ministro, mas pela bagagem, experiência e sentimento patriótico que ele vai nos ajudar. Não estamos dizendo que os índios não devem ter terra. Eles já têm espaço mais do que suficiente. Estamos pedindo uma área ridícula, que permita a sobrevivência dos não-índios e dos municípios”, disse o arrozeiro.

A Terra Indígena Raposa Serra do Sol, de acordo com a demarcação concluída pelo governo federal, abrange uma área de 1,7 milhão de hectares. Os arrozeiros ocupam cerca de 1% dessa área e há uma divisão das comunidades indígenas entre simpatizantes e contrárias aos produtores.

A produção de arroz corresponde a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) de Roraima, segundo o governo do estado, e gera pelo menos 2 mil empregos diretos. Mas os produtores já receberam multas milionárias do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por degradação ambiental. Eles não aceitam deixar a reserva e alegam que as indenizações oferecidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) são irrisórias.

Do ponto de vista jurídico, o principal argumento dos agricultores é a existência de supostos vícios no laudo antropológico que embasou a demarcação.

“O laudo é falso. É uma fraude impulsionada por interesses estrangeiros que compram consciências de brasileiros em favor de uma aberração jurídica, que vai inviabilizar o estado de Roraima. Se o Supremo manter a demarcação contínua, o meu município [Pacaraima] será praticamente extinto”, criticou Quartiero.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Angelo (12/10/2008 - 10:59)
Azenha e os outros...! Quanta bobagem! Desde que mundo é mundo...,os que trabalham, buscam progresso, são empreendedores..., avanzam sobre os "vagabundos" ! Sem significado pejorativo, com referencia as minorias, que vivem a vida de forma vegetativa! Depois de seculos de civilização, com a invenção do conceito de"governo"...;esta instituição,que deveria providenciar o equilibrios entre as forças do Pais...; no Brasil, ainda não atua convenientemente para tal ! Os arroceiros, são os que engrandecem o Pais ! Assim como os bandeirantes ! Graças aos quais, temos o tamanho do Brasil que temos! Os indios, se não se organizarem como sociedade em cooperativa etnica, trabalhando e produzindo riqueza..., tendem a desaparecer! É a lei da "Mãe" Natureza ! O Governo deveria se empenhar muito mais, em "ensinar" as minorias todas, como se deve roceder para não sucumbir a "Mãe" Natureza ! Sem comunistoides tendencias, a permitir que se concretizem "nações indigenas", propiciando o tal de "dividir, para reinar" ! Muito desejado pelas grandes potencias, que não gostam de ver um grande en Latinoamerica, dono de jazidas e agua...; e pelas nações nanicas, que querem traficar drogas, cada dia mais ! Equilibrio ! Esta em falta !

Mario Ramos (29/08/2008 - 10:14)
Seria engraçado, se não fosse tão trágico. Os tais fazendeiros da Raposa Serra do Sol, que se dizem patriotas, não passam de inescrupulosos grileiros. Invadem terras públicas, devastam o ecossistema com desmatamento e agrotóxicos, praticam uma monocultura exportadora que produz uma sociedade elitista e excludente. Depois acham que vão convencer alguém com essa balela de estarem defendendo os interesses do povo brasileiro. Eles são inimigos de todos so que prezam a ética, o bom senso e a verdeira justiça.
Deus queira que as instituições brasileiras sejam capazes de colocar estes criminosos em seus devidos lugares, a fim de evitar a guerra civil que a elite fascista e plutocrática parece desejar.

Marcelinho (27/08/2008 - 10:33)
Quartieiro, típico do cabra safado, nós que invadimos o território indígena, nós que transmitimos doenças, que quase acabamos com os verdadeiros donos dessas terras... Deixem-nos em paz.... Esse arroizeiro nojento quer ganhar mais e mais dinheiro, quer aumentar suas terras... e vem com esse discurso escroto

Galerius (27/08/2008 - 00:05)
A gente sabe que a situação do índio brasileiro é muito trágica, mas só isso, fora da agenda nacional e do dia dia das preocupações do brasileiro, e totalmente ignorada como se fosse algo longe e irrelevante. Eu gostaria de ver mais apreciação e mais inclusão desse povo que é nosso povo. Uma das coisas mais belas de nosso país e que nos dá uma identificação tão brasileira é quando a gente ve nomes tupi-guarani de ruas, cidades, e regiões.. nomes bem brasileiros que parecem poesia. Mas hoje em dia nomes em ingles são mais ''chique'', digo ''cool''. Muito louvável dar um espaço neste blog a um tema tão importante, a situação do índio, porque a gente sabe muito pouco, não sabe nada.

Baader (revoltado) (26/08/2008 - 19:22)
Desculpa tocar nesse assunto de novo, mas me parece claro a quem e a que serve o sentimento de patriotismo que fora discutido em outra notícia. Serve pura e simplesmente para manipular a opnião pública em prol de uma elite de comportamento feudal.
Eu ando surpreendido com esses índios internacionalistas que, através de conluios globais, ainda vão acabar dominando o mundo. Proponho que organizemos uma missão para cataquizá-los, livrar suas respectivas almas e, de quebra, defender o território nacional!
É uma pena minha idéia carecer de originalidade...

Sergio Murilo (26/08/2008 - 19:15)
Impressiona ouvir as elites com seus discursos patrióticos.
Frases como "Legítimos interesses do povo brasileiro" e outras me deixam com a pergunta: A que povo brasileiro eles se referem? Os indios por acaso não o são?
Pilantras, a quem pensam que enganam com esse discursinho viciado?

Norma Magalhães (26/08/2008 - 18:40)
O cara é um salafrário mesmo

Laércio Nunes (26/08/2008 - 18:36)
Infelizmente muita gente que se diz nacionalista e de esquerda embarca nesta história de que os índios representam interesses estrangeiros. Os índios são muito mais brasileiros que todos nós.

Mary (26/08/2008 - 17:53)
É uma pena que sua reportagem não tenha um alcance maior, Azenha. Quantos brasileiros não fazem idéia da disputa que acontece na Reserva Raposa do Sol... Trata-se de posse da terra, de assassinatos, de interesses gananciosos de fazendeiros e políticos que se julgam donos do mundo, os representantes da elite ruralista, e de preconceito e desrespeito descarados que se utilizam da mídia de aluguel para fazer-se representar. Eu temo que o STF, já totalmente desacreditado, venha novamente favorecer o lado mais forte, condenando nossos índios à extinção e à degradação. Deus queira que não, mas nossa Justiça tem se mostrado cega, surda e ineficaz ultimamente.

Luiz Henrique Gomes Moraes (26/08/2008 - 17:03)
Até quando isso tudo vai durar??????



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