VIOMUNDO

PSDB abraça tese furada de Merval e diz que impeachment melhora a economia

11 de fevereiro de 2016 às 12h46

mervalpereira-serra

O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), condiciona a saída da presidente Dilma Rousseff do cargo a eficiência de medidas econômicas que o Congresso possa aprovar este ano para a recuperação da economia. Para ele, o governo perdeu credibilidade para tentar reverter o quadro de desemprego e baixo investimento privado. “O desejável é o afastamento da presidente da República porque, com ela, é impossível recuperar a economia brasileira”, argumenta Imbassahy. Do Congresso em Foco

08/02/2016 02h00

por Celso Rocha de Barros, na Folha

O colunista Merval Pereira, de “O Globo” e da CBN, citou em uma coluna recente um estudo feito pelo economista Reinaldo Gonçalves que teria demonstrado, por meio de um estudo comparativo de vários países latino-americanos, que processos de impeachment costumam ter efeitos positivos para a economia (um “bônus do impedimento”) em um período de dois a quatro anos após a interrupção do mandato.

Tendo lido o trabalho, meu conselho ao leitor é: forme sua opinião sobre o impeachment sem consultá-lo. Ele tem problemas que exigem uma revisão, só alguns dos quais serão discutidos abaixo.

Interrupções de mandato são mais frequentes durante crises econômicas. Segundo o próprio trabalho de Gonçalves, a inflação média no período da interrupção de mandato em sua amostra é 523,3%. Isto é, o ponto de partida da comparação de Gonçalves é bem baixo.

Mas crises e ajustes econômicos não são eternos. Não é muito surpreendente que as coisas melhorem quatro anos depois de uma crise. E alguns governos caem durante ajustes impopulares que geram efeitos positivos no futuro. Na crise atual, as projeções da maioria dos analistas sugerem que daqui a quatro anos estaremos mesmo melhor do que em 2015, com ou sem impeachment. Istso é, Gonçalves submeteu sua hipótese a um teste fácil demais.

O surpreendente é que, mesmo nesse teste muito fácil, seus resultados não são tão impressionantes. Após períodos de dois anos, as coisas só melhoram em 55% dos casos de interrupção de mandato (fl. 19). Passados quatro anos, período em que inúmeras outras coisas além da interrupção do mandato certamente aconteceram, o número chega a 59% (idem). Resultados semelhantes são obtidos comparando o desempenho pós-impeachment com a média histórica, e resultados bem mais fracos na comparação com as medianas.

Além disso, é importante ressaltar que Gonçalves não inclui em sua análise países em que crises políticas foram resolvidas sem impeachment. Isto é, não sabemos se, nesses países, o desempenho macroeconômico foi melhor, igual ou pior do que nos países em que houve impeachment. Se o “Fora FHC” tivesse prosperado, é possível que tivéssemos superado a crise de 1999 em menos que quatro anos. E foi isso mesmo que aconteceu com FHC terminando seu mandato.

E nenhum outro fator além da interrupção é testado como explicação para os resultados encontrados. Por exemplo, o Brasil depois do impeachment de Collor teve uma significativa melhora econômica graças ao Plano Real. Outros países da região tiveram planos com resultados semelhantes, sem passar por interrupções de mandato. É razoável supor que foi o Plano Real, não o impeachment, que melhorou a economia.

Mas digamos que você não goste de nada nessa discussão, porque isso tudo parece formal demais e você prefere análises históricas. Bom, aí é que você não vai gostar do trabalho de Gonçalves mesmo. Não há nenhuma consideração do contexto histórico de nenhum dos casos de interrupção do mandato.

Enfim, talvez um dia alguém demonstre que os processos de impeachment, em circunstâncias específicas, são bons para a economia. Mas não foi hoje. Se tiverem vontade de bater em alguma coisa por causa da Dilma, batam nas panelas, não nos dados.

Leia também:

Fernando Brito: Jurisdição de Moro chega aos pedalinhos

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

R$0,00

% arrecadado

arrecadados da meta de
R$ 20.000,00

90 dias restantes

QUERO CONTRIBUIR

 

16 Comentários escrever comentário »

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Julio Silveira

11/02/2016 - 21h17

Bom para a economia seria a extinção do PSDB, pelo menos com isso poderíamos ter a chance nos livrarmos de suas politicas recessivas e ante crescimento. Com alguma muita chance de não termos mais apagões onde passam, da energia elétrica aos recursos hídricos.

Responder

    Lukas

    12/02/2016 - 16h13

    Verdade, com o PT não temos recessão, estamos crescendo ao ritmo chinês, a energia elétrica nunca foi tão barata e o desemprego é mínimo.

    Julio Silveira

    13/02/2016 - 16h45

    Cidadão, não nego o que escreve, mas há uma diferença fundamental. Devemos a situação atual não só ao amadorismo petista, por não ter sabido se defender das artimanhas midiático / oposicionistas reagindo com rigor a tempo e a hora. Mas, também, a já incrustrada reação nacional que nas dificuldades cobra mais dos menos preparados economicamente para reagir. Aqui no Brasil as autoridades, sejam elas de quais partidos forem obedecem a logica de reduzir a pobreza tentando levar os pobres a miserabilidade. Só não conseguem com todos por que o povo brasileiro e forte, e se vira como pode para sobreviver. O PSDB e o PT, hoje verifico se diferenciam muito pouco nas ações. nenhum deles teve a ousadia de imprensar os ricos para que estes retribuíssem, um pouco, os anos das conta deles que o estado nacional sempre assumiu. Na verdade cidadão, chego a conclusão que afora os que se mantem enganados, como eu fui, que o PT e a linha auxiliar do PSDB, pois todos são grandes confrades fora do grande publico, inclusive na repartição do estado. O PT foi, para mim, um partido formado para ser o laranja do Tucanos.

Felipe Souza

11/02/2016 - 21h12

Teses vão e vem e nesse interim, há aquelas boas e as ruins…essa peca por isolar fatos históricos do contexto histórico. A ver…
Mas, o que me chamou mais atenção não foi o objeto da tese, e sim o que está subjacente a ela: se a premissa dos liberais, neoliberais e conservadores – mídia, oposição e parte a sociedade – é a de dizer que a economia é uma ciência pura, totalmente positivista e tecnocrata, com essa tese expuseram seu calcanhar de Aquiles. Como sabemos, não há política sem ideologia, economia sem política ou sociedade capitalista sem luta de classes.
Mas, tem gente que continua acreditando e vomitando as balelas da autossuficiência do indivíduo e o autorreferencia inercial e parasita do estado.

Responder

FrancoAtirador

11/02/2016 - 20h55

.
.
Lucro das Grandes Petrolíferas caiu 98% em 2015
.
Com a Forte Queda dos Preços de Petróleo e Gás
.
e os Custos ainda Altos de Exploração e Produção,
.
o LUCRO das Principais Petrolíferas do Mundo
.
foi praticamente a ZERO no Ano Passado (2015).
.
O Valor [Globo+Folha] levantou os balanços de
.
Exxon Mobil [EUA], Chevron [EUA], Shell [Holanda/UK],
.
BP [Britânica], Statoil [Noruega] e Pemex [México]
.
e constatou que o resultado líquido das 6 Empresas
.
teve um recuo significativo de 98% perante 2014.
.
Para Exxon, Chevron e Shell, o Lucro caiu em 2015.
.
Já BP, Pemex e Statoil tiveram perdas no Fim do Ano.
.
(http://jornalggn.com.br/noticia/gigantes-do-petroleo-tiveram-queda-de-98-em-seu-lucro-liquido)
.
.
-Ué?!? Mas não era só a Petrobrás ‘PúrCáuzaDúzPetrálhaLadrãun’???,
.
Diz, agora, o Muar Fascista Leitor Exclusivo da Mídia Jabáculê do PSDB.
.
.

Responder

Sidnei Brito

11/02/2016 - 16h19

Vamos parar, gente!
Collor, Andrés Perez, Lugo.
Existem muitos mais casos de impeachment do que estes três, os únicos que guardo na memória?
Se é que seria possível analisar o quadro da economia pós-impeachment, creio que não daria para fazê-lo em tão poucos casos.
O impeachment é medida excepcionalíssima, e, por isso, não dá para se criar teorias em cima das raríssimas vezes em que ocorre.

Responder

Urbano

11/02/2016 - 16h12

Sem cretinice, por sinal o que há de mais inocente nele, o tunganato nem existiria…

Responder

Bacellar

11/02/2016 - 15h35

Realmente falam qualquer coisa mesmo. E assim de cara dura, sem ruborizar. Embora o Merval de vez em quando deixe escapar uma risadinha.

Responder

Mauricio Gomes

11/02/2016 - 15h29

Enquanto uns vão de impeachment, outros defendem um golpe militar para “salvar a democracia”. Não é o Caiado e nem o BolsoASNO, e sim o deprimente Raul Jungmann do igualmente deprimente PPS. A que ponto chegamos…

http://www.ocafezinho.com/2016/02/11/deputado-federal-do-pps-defende-um-golpe-militar/

Responder

FrancoAtirador

11/02/2016 - 13h50

.
.
O Departamento de Estado Norte-Americano e o FED
.
juntamente com o FMI e o Banco Central Europeu
.
também apresentaram o Mesmo Estudo na Ucrânia.
.
(http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/presidente-da-ucrania-e-deposto-e-nova-eleicao-marcada-para-maio-ew5f9aor5h8a6acwiwyd3x5xq)
.
.

Responder

João Bezerra

11/02/2016 - 13h20

Se o Viomundo não tem nada de útil para comentar que não o faça, mas propagar as idéias destes golpistas de plantão é um absurdo. Este tal de Merval, o PSDB, a Globo, A Folha e Estadão e mais uma dúzia de golpistas não merecem nenhum crédito. Meu voto, ninguém cassa.

Responder

Deixe uma resposta