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Pesquisa do amianto: financiamento público sob suspeita

Atualizado em 03 de dezembro de 2009 às 15:43 | Publicado em 01 de dezembro de 2009 às 11:34

por Conceição Lemes

 Miguel Nery 3_1.jpg

 Nome: Miguel Nery.

Profissão: Engenheiro de minas. 

Atividade: Servidor público de carreira, com assento e poder em várias instâncias.  Encaminhou e deu aval ao Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq), do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), para o financiamento da pesquisa Exposição Asbesto Ambiental.  

Asbesto é sinônimo de amianto. Na reportagem Médicos disseram que Manoel estava bem de saúde. Mas ele tinha câncer no pulmão, publicada em 14 de julho de 2008, o Viomundo denunciou vários conflitos de interesse nessa pesquisa:

1) A indústria brasileira do amianto, por intermédio do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC), financia boa parte dela.  É a instituição lobista do setor. É como se a Souza Cruz pagasse uma pesquisa para dizer que o cigarro não faz mal à saúde.

2) Essa informação crucial foi ocultada à Comissão de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da USP pelos autores, os médicos Mário Terra Filho (coordenador principal), Ericson Bagatin e Luiz Eduardo Nery, respectivamente, professores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

3) No projeto, revelou-se apenas o financiamento de R$ 1 milhão do CNPq. Nenhuma suspeita cercava ainda esse recurso.

4) Em entrevista ao Viomundo em 2008, Marina Júlia de Aquino, presidente-executiva do IBC, disse: “O valor total da pesquisa é 3,6 milhões de reais”.

5) Na sequência, questionados, IBC e Mário Terra Filho deram valores discrepantes. Após vaivéns, quem deu a palavra final sobre o orçamento foi o financiador principal, o Instituto Brasileiro do Crisotila, e não o pesquisador, como seria o esperado: “Valor total: R$ 2.562.275,00. CNPq: R$ 1 milhão. Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás: R$ 500 mil. IBC: R$ 1.062.275,00”. 
 
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 6) Terra, Bagatin e Nery são os mesmos médicos que, por meio de empresa que mantêm em sociedade em São Paulo, atuam como consultores privados do Grupo Eternit, participando das Juntas Médicas de Acordos Extrajudiciais com fins de indenização das vítimas pela exposição ao amianto.

7) Dessa forma, são professores das principais faculdades de medicina do país, realizam pesquisas sobre amianto com as grifes das prestigiosas USP, Unicamp e Unifesp e, ao mesmo tempo, trabalham como consultores privados no consultório particular. Aqui, o mesmo resultado é usado para a “pesquisa” e para fins de indenização em acordos extrajudiciais.

E Miguel Nery onde entra na história? Ele não tem relação de parentesco com o pneumologista Luiz Eduardo Nery, um dos médicos da pesquisa do amianto. 

“Por acaso essa pessoa tem meu sobrenome, nem sei quem é”, diz. “Sou Nery da linhagem direta de Ana Justina Ferreira Nery [patrona da enfermagem nacional]. Só tem uma ramificação dela aqui no Brasil, que foi pela Bahia. Eu conheço todos os meus parentes.”

IBC + DNPM + CT MINERAL= MIGUEL NERY= FINANCIAMENTO

Miguel Nery é a figura central no financiamento de R$ 1 milhão do CNPq para a pesquisa Exposição Ambiental ao Asbesto

Atente a estes documentos.

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Miguel Antonio Cedraz Nery, que prefere ser chamado Miguel Nery, dirige o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), do Ministério de Minas e Energia (MME). É membro do Conselho Diretor do IBC. É titular do Comitê Gestor do Fundo Setorial (CT Mineral), do Ministério da Ciência e Tecnologia. O CT Mineral é a instância que decide se o projeto do setor de mineração será ou não financiado pelos órgãos executores do MCT. Leia-se Finep ou CNPq.

“Todos os caminhos para o financiamento da pesquisa Asbesto Ambiental com dinheiro público federal, via CNPq, passam pelo Nery”, denuncia o procurador Antônio Carlos Cavalcante Rodrigues, do Ministério Público do Trabalho de Goiás, que abriu inquérito e solicitou ao Ministério Público Federal a investigação por suspeita de improbidade administrativa. “O Nery atua tanto do lado do poder público quanto do lado da indústria do amianto.”

“Ao violar o dever de imparcialidade das instituições, atenta-se contra um dos princípios da administração pública”, afirma o advogado Mauro Menezes, da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto – Abrea. “Considero uma atitude eticamente reprovável.”
 
Nery defende-se: “Eu só cumpro o meu dever de ofício, representando o DNPM no Conselho Superior do Instituto Brasileiro do Crisotila e em outras entidades do setor mineral. Participo como pessoa institucional e não como pessoa física. Não recebo nada por isso”.

“O CRISOTILA NOS PROCUROU E SUGERIU A CONTRATAÇÃO DA PESQUISA”

– Mas, doutor Miguel, isso não gera conflito de interesse, já que o objetivo do IBC é defender uma atividade econômica e o DNPM é um órgão governamental?

– O IBC é uma entidade sem fins lucrativos que defende a mineração no Brasil. O DNPM defende o mesmo.

– Mas o senhor integra também o CT Mineral, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do qual faz parte o CNPq, e que subvencionou a pesquisa do amianto. Não gera conflito de interesse, já que integra tanto o órgão que solicitou a pesquisa [o IBC] quanto o que aprovou o financiamento?

– A verdade é a seguinte. Um primeiro estudo desenvolvido pela Unicamp [divulgado em 2000, feito também pelos médicos Bagatin, Terra Filho e Nery] comprovou que é possível o uso seguro do amianto, desde que se adotem medidas de segurança... Então, os que advogam o banimento passaram a dizer que não era só um problema de saúde ocupacional,  mas de saúde pública também... Diziam que telhados e caixas d’água de amianto poderiam soltar fibras e causar prejuízos à saúde pública... Estavam dizendo isso com tanta insistência que o Crisotila [IBC] nos procurou e sugeriu que o CT Mineral contratasse uma pesquisa para avaliar os efeitos sobre a saúde da população usuária das telhas de amianto...

– Nós não poderíamos admitir afirmações de que as casas, por serem cobertas hoje com fibrocimento [amianto], trariam prejuízo ao meio ambiente e à vida das pessoas...

– Nós levamos a proposta do Crisotila ao CT Mineral; o plenário achou relevante e decidiu financiar um pool de universidades públicas para fazer o estudo, que inclusive tem a participação de pesquisadores estrangeiros... O CT está financiando as universidades públicas e não o Instituto Crisotila...

– Não é o CNPq que está financiando?

– O CNPq não tem recurso. O recurso é do CT Mineral. Ele é oriundo da compensação financeira que o DNPM arrecada pela extração mineral. O DNPM repassa esse recurso para o fundo setorial mineral e, dependendo do projeto, o MCT, a quem o CT Mineral é vinculado, executa pela Finep ou pelo CNPq. Vai depender do edital... No caso da pesquisa Asbesto ambiental, a execução coube ao CNPq.

– Então o CT Mineral é a instância que decide se o projeto do setor de mineração será ou não financiado pelos órgãos executores do MCT, ou seja, Finep ou CNPq?

– Exatamente.

– Mas o dinheiro é público?

– Público... E a pesquisa tão somente cientifica.

– Qual a posição do DNPM em relação ao banimento do amianto?

– Nós não comungamos com a tese do banimento. Achamos que é disputa comercial entre as fibras sintéticas e o fibrocimento [amianto]. Esse é o entendimento que nós temos... Meu convencimento se deu a partir do estudo [da Unicamp] que comprovou que é possível fazer uso seguro do amianto crisotila, adotando medidas de segurança... E os próprios trabalhadores que trabalham com amianto manifestam também a defesa de que é possível se fazer o uso seguro do amianto crisotila...

– O senhor acha que a OMS [Organização Mundial da Saúde] e a Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz], que advogam o banimento do amianto, defendem as fibras artificiais?

– Eu desconheço que qualquer profissional da Fiocruz que tenha feito pesquisa nessa área. Desconheço essa resolução da OMS... O pessoal que trabalha pelo banimento tem feito uma afirmação tão veemente que qualquer um se sensibiliza.

– Mas é a posição da IARC [sigla em inglês da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, com sede em Lyon, França, vinculada à OMS]...

– Não, não, não... Aí, junta um nível de defesa ambientalista... Começam a buscar definições supostamente ambientalistas para a defesa de posições que nem estão cientificamente comprovadas...

 “RISCOS ULTRAPASSAM MUROS DAS MINAS E FÁBRICAS DE ARTEFATOS”

Vamos por pontos.

1º) Miguel Nery diz que os defensores do banimento “recorrem a posições que nem estão cientificamente comprovadas”.

Mentira. Já está cientificamente comprovado que todos os tipos de amianto são cancerígenos ao ser humano, inclusive a crisotila, extraída e comercializada no Brasil.

É a posição unânime entre as mais importantes instituições científicas e/ou relacionadas à saúde do mundo. Entre elas, IARC, OMS, Organização Internacional do Trabalho (OIT), Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM), da França, e Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional (NIOSH), dos Estados Unidos. No Brasil, assinam embaixo o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Fiocruz, ambos no Rio de Janeiro.

2º) Miguel Nery diz que “os que advogam o banimento passaram a dizer que não era só um problema de saúde ocupacional, mas de saúde pública também...”

A posição dele é a mesma do IBC, que, em informe publicitário de duas páginas, em 2008, nas revistas semanais do país, afirma:

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“O amianto não é apenas uma questão de saúde ocupacional, mas também um grave problema de saúde pública”, adverte o pneumologista Hermano de Castro, coordenador do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) da Fiocruz. “Os riscos à sua exposição ultrapassam os muros das minas e fábricas de artefatos.”

Os trabalhadores que o manipulam estão expostos a um risco direto. Já as pessoas que utilizam produtos feitos com o mineral, como telhas e caixas d’água, estão expostas a um risco indireto e difuso. Por ser disseminado, não dá para medi-lo.

O mesotelioma é um bom indicador dessa exposição não explícita. É um tumor maligno  extremamente agressivo, fatal, que pode aparecer 35, 40 e até 50 anos após o primeiro contato com o amianto. Pode afetar a pleura, o peritônio (membrana que reveste a cavidade abdominal) e o pericárdio (membrana que recobre o coração).

“Em qualquer parte do mundo, inclusive no Brasil, quase metade dos mesoteliomas não tem história de exposição ocupacional”, avisa Hermano. “Nesses casos, onde não se tem memória de exposição, as evidências científicas são de que decorrem de exposição ambiental.”
 
“O mesotelioma é considerado uma neoplasia tanto de origem ocupacional como ambiental”, afirma a toxicologista Silvana Rubano, responsável pela área de Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho e ao Ambiente do Inca. “A contaminação ocorre, principalmente, pela inalação das fibras de amianto.”

Pode ser por: manuseio e exposição a produtos contendo amianto; contato dos familiares com roupas e objetos dos tra balhadores contaminados pela fibra; residir nas proximidades de fábricas, minerações ou em áreas contaminadas (solo e ar) pelo mineral; frequentar ambientes onde haja produtos de amianto degradados.

O mesotelioma é 100% fatal. “Mais de 80% de óbitos ocorrem nos primeiros 12 meses”, informa Silvana. “Cerca de 95% dos pacientes vão a óbito até 24 meses após o diagnóstico. A evolução é ainda pior quando o diagnóstico correto não é alcançado.”

DESQUALIFICAÇÃO DA FIOCRUZ PROVA FALTA DE ARGUMENTO CIENTÍFICO

3º) Miguel Nery diz “desconhecer” qualquer profissional da Fiocruz que tenha feito pesquisa na área de amianto.

Pois acaba de ser apresentado ao pneumologista e pesquisador Hermano de Castro.  A desqualificação do outro – no caso, a Fiocruz, que defende o banimento do amianto – é típico de quem não tem argumentos científicos para rebater.

4º) Miguel Nery diz que a pesquisa Asbesto Ambiental tem a participação de pesquisadores estrangeiros.

A realidade é outra, como o Viomundo denunciou na reportagem Médicos brasileiros passam a perna em canadenses. Margaret Becklake, professora da Universidade McGill, nunca participou desse estudo. E Nestor Müller, do Departamento de Radiologia da Universidade da British Columbia, que defende o banimento do amianto, nunca foi informado de que a pesquisa era financiada pelo Instituto Brasileiro do Crisotila. Müller, ao saber, desligou-se imediatamente dela.

5º) Na pesquisa Morbidade e Mortalidade entre Trabalhadores Expostos ao Asbesto na Atividade de Mineração, realizada, de 1996-2000, os médicos Terra Filho, Bagatin e Nery também faltaram com a verdade em relação ao financiamento e aos “apoios internacionais”, usados para dar “credibilidade científica” à investigação deles.

Essa é a pesquisa que Miguel Nery refere como “um primeiro estudo desenvolvido pela Unicamp”.

No documento anunciando os resultados, é dito que o estudo teve apoio internacional do prestigiadíssimo NIOSH, dos Estados Unidos. O NIOSH desmentiu. NIOSH é o National Institute for Occupational Safety and Health (Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional, correspondente à nossa Fundacentro).

Essa pesquisa teve financiamento da Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo] e do IBC. Os médicos ocultaram da Fapesp o patrocínio privado. Na pesquisa Asbesto Ambiental, reincidiram.

“AFRONTA AO DEVER DE IMPARCIALIDADE”; “FINANCIAMENTO COM MÁCULA” 

 “Como é possível um funcionário público ser porta-voz do segmento da atividade econômica, ter assento no órgão que aprova o financiamento da pesquisa e ainda ser o seu relator?”, interpela Antonio Carlos. “É ilegal, imoral.”

O procurador explica:

* O DNPM é o órgão regulador do setor de mineração. Diferentemente dos ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Cultura, que defendem a proibição total do amianto, o de Minas e Energia patrocina o seu uso.  

* O IBC é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). E a lei das Oscips proíbe que servidores públicos tomem parte em instituição parceira. Portanto, de saída, o diretor geral do DNPM, servidor público de carreira, não poderia integrar o IBC.

* De mais a mais, Nery é membro do Conselho Diretor do IBC, cujo objetivo é gerir o intelecto da entidade que protege a atividade econômica do amianto. Nela, participa desde a criação de projetos até a discussão sobre seus valores e onde obtê-los.

* No caso da pesquisa Asbesto Ambiental, o IBC – com Nery no conselho -- provocou o CT Mineral – do qual Nery faz parte  –, pedindo recursos para esse estudo via CNPq. Nery, que representa o DNPM também no CT Mineral, fez encaminhamento oficial. 

* O CT Mineral escolheu como relator do pedido do IBC o diretor geral do DNPM, que é diretor do IBC, que é Miguel Nery. Seu parecer, favorável, foi um aval específico. Adivinhem o que aconteceu? O plenário do CT Mineral, do qual o Nery também faz parte, aprovou o relatório, consequentemente o financiamento da pesquisa Asbesto Ambiental

* Resultado: Nery atuou do nascedouro do projeto, no IBC, à aprovação do seu financiamento. Em 2006, foram liberados R$ 300 mil; em 2007, R$ 700 mil. 

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 Balanço de 2006, aprovado na reunião do CT Mineral, em novembro de 2006.

 “Todo servidor que ocupa um cargo está sujeito a direitos, deveres e proibições”, expõe o advogado Mauro Menezes. “O IBC, enquanto ostentar a condição de OSCIP, pode contar com representantes de órgãos públicos no seu conselho. Só que é uma forma escamoteada, de aparência formal de regularidade. O problema de raiz é que o IBC jamais poderia ser OSCIP, pois, em essência, se trata de uma entidade defensora das indústrias do amianto.”

Menezes prossegue: “Quem provoca a concessão do financiamento da pesquisa e depois participa de sua aprovação viola o dever de imparcialidade, que é um dos princípios do direito administrativo. A carapaça de aparente isenção cai por terra".

“Na verdade, o financiamento da pesquisa Asbesto Ambiental foi deferido com mácula”, observa Antonio Carlos. “As provas que juntei durante a investigação já estão com o Ministério Público Federal (MPF).” A denúncia foi feita pela Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto – Abrea.

“Não é de hoje que denunciamos os conflitos flagrantes de interesse e a falta de transparência do atual estudo”, afirma Eliezer João de Souza, presidente da Abrea. “O financiamento do CNPq era a única  ‘perna’ da pesquisa ainda livre de desconfiança.. Agora, com as novas provas, a já suspeita pesquisa Asbesto Ambiental ficou bem mais comprometida. A ‘máscara’ caiu de vez.”

“O ELEMENTO HUMANO FOI ESQUECIDO EM DETRIMENTO DO ECONÔMICO”

Tramita no Tribunal Regional do Trabalho de Goiás Ação Civil Pública, proposta pelo Ministério Público do Trabalho, que pede a extinção do Instituto Brasileiro do Crisotila.

 “O IBC já nasceu errado, é ilegal”, justifica o procurador Antonio Carlos, autor da Ação. “É uma organização orquestrada pela atividade econômica. Na verdade, é o sindicato das empresas do setor de amianto. Se elas quiserem se organizar em sindicato patronal, existe um instrumento legal para isso, e não é uma OSCIP.”

Marina Júlia de Aquino, presidente-executiva do IBC, contesta: “O Instituto Brasileiro do Crisotila é uma Oscip devidamente certificada pelo Ministério da Justiça por atender à risca os critérios previstos pela legislação vigente. Informamos ainda que já existe posicionamento proferido em despacho do Juiz da 11ª Vara, em 26/10/09, indeferindo o pedido de concessão de antecipação dos efeitos da tutela antecipada, formulado pelo MPT, no sentido de negar esta descabida pretensão”.

Tutela antecipada é uma medida de urgência, solicitada para antecipar algumas decisões antes mesmo de o juiz julgar o mérito. Pode ser concedida excepcionalmente quando, por exemplo, há risco de a pessoa morrer se não fizer rapidamente determinado tratamento. 

“O fato de ter havido rejeição da antecipação de tutela não significa que o juiz esteja dando razão ao réu. Apenas que o magistrado deseja produzir provas para formar a sua convicção”, explica Mauro Menezes. “Em hipótese alguma, a negativa do pedido assegura o resultado do julgamento final da causa."
 

“O IBC”, continua Marina, “é uma instituição pública voltada para a promoção da excelência do conhecimento técnico-científico e o uso seguro do mineral amianto crisotila e de todos os produtos que o contêm.”

Em 2008, o orçamento do IBC foi de cerca de R$ 5 milhões, 70% provenientes do Grupo Eternit. Há meses a entidade lobista da indústria do amianto pressiona o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para tirar da fiscalização Fernanda Giannasi, auditora fiscal em São Paulo. Alega conflito de interesse, já que a engenheira civil e de segurança do trabalho é conhecida por sua defesa intransigente do banimento do amianto e por sua reconhecida ajuda às vítimas e seus familiares para que se organizem e lutem por seus direitos nas esferas pública e privada.

“Depois de tudo o que conversamos, que autoridade moral tem o Crisotila para falar em conflito de interesse?”,  indigna-se Antonio Carlos. “A engenheira Fernanda é, efetivamente, a única pessoa que vi preocupada com a saúde do trabalhador.”

Marina repete: “O IBC e seus associados têm plena convicção da importância, para a sociedade brasileira, do trabalho legítimo e transparente que esta Oscip tem desenvolvido em prol da difusão do conhecimento científico, realizando ações para a promoção da saúde e segurança dos trabalhadores desta atividade”.

O procurador Antonio Carlos rebate: “Ninguém do IBC veio me relatar que estava interessado na saúde do trabalhador ou qualquer outra coisa do gênero. O elemento humano foi esquecido em detrimento do econômico, que é o único que, realmente, interessa a eles”.
 
Um fato, porém, é indiscutível. “Não há limite seguro para exposição ao cancerígeno amianto”, ressalta Silvana Rubano, do Instituto Nacional do Câncer, o Inca, no Rio de Janeiro. “A melhor forma de eliminar as doenças relacionadas ao amianto é o seu banimento total.”
 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
FERNANDA GIANNASI (11/12/2009 - 15:03)
Nós já sabemos o resultado da pesquisa desde que ela começou. Não tenhamos ilusão: a indústria de um produto cancerígeno não gasta milhões de reais para provar o que ela já sabe há um século. Estes resultados são para os leigos, incautos e ignorantes acreditarem na segurança do amianto branco - a tal crisotila - afinal o negócio dos assesores deles é este: o produto da dúvida. Só querem ganhar tempo com esta balela de pesquisa encomendada. Só acredita quem quer!


marlCelo de Castro (08/12/2009 - 15:38)

Gente não vejo nada demais em uma OSCIP participar de uma pesquisa com entidades do governo! Acredito que o resultado final dessa pesquisa é importante para esclarecer se o uso do amianto é seguro ou não!

Fernando (08/12/2009 - 10:58)
A pesquisa é importante para a gente ter certeza sobre o rela risco do amianto.

Euler (03/12/2009 - 23:25)
Ótima matéria, Conceição, com dados e provas que fundamentam sua análise. No caso do amianto, a omissão do poder público é uma falta de respeito à vida humana. Ora, se existem tantos relatos, pesquisas e indícios da periculosidade do amianto - tanto para o trabalhador das minas, como para o usuário de telhas e caixas d`agua, já era tempo do governo assumir uma postura que protegesse os cidadãos. Mas, como ocorre com inúmeros outros casos, na balança entre os interesses econômicos e a vida humana, esta nem sempre leva a melhor. Matérias jornalísticas como esta podem ajudar a criar um movimento de cobrança ao poder público e de recusa à utilização do amianto.

Gilberto (03/12/2009 - 22:26)
O cigarro tambem faz mal, compra quem quer.

Documentário Sobre Amianto (03/12/2009 - 21:05)
TV-Escola vai reprisar excelente documentário sobre o asbesto(amianto) nesta sexta-feira,04.12.2009 as 10h00 e novamente as 16h00, (pela sky é no canal 112)
AVISOS DA NATUREZA: LIÇÕES NÃO APRENDIDAS
AMIANTO
27'52"
Episódio da série Avisos da Natureza - Lições Não Aprendidas, que mostra como algumas invenções e produtos utilizados no século XX trouxeram, e ainda trazem, prejuízos para o homem e o meio ambiente.
Confira na grade de programação: http://portal.mec.gov.br/tvescola/

antonio ramos pimentel (03/12/2009 - 19:29)
porque vcs que querem banir o amianto crisotila não vão morar la onde não tem amianto e deixa o nosso amianto crisotila em paz.O CRISOTILA E NOSSO DO POVO BRASILEIRO EU DISSE DO POVO BRASILEIRO , UMA DAS MAIOR RIQUEZA DO BRASIL E DE GOIÁS.

Ubaldo (03/12/2009 - 15:32)
Lima (03/12/2009 - 12:37):

Esse gás tóxico não tem nada a ver com o amianto. o amianto foi banido há muitos anos nos EUA e tem de ser banido aqui também.
O desastre do amianto é mais silencioso do que a explosão de Bhopal.

Lima (03/12/2009 - 12:37)
Hoje completam 25 anos do acidente com a fábrica de pesticidas da estadunidense Union Carbide (hoje, subsidiária da Dow Chemical) em Bhopal, Estado de Madhya Pradesh, na Índia. Na madrugada de 03/12/1984, uma chuva ácida provocada por um vazamento de gás tóxico que matou cerca de 4.000 pessoas imediatamente e pelo menos 15.000 nos anos anos seguintes devido à contaminação. Grupos ambientalistas afirmam que o número de mortos chega a 25.000. Diversas ONGs estimam que 100.000 pessoas sofram de seqüelas permanentes devido ao vazamento. Câncer, problemas no estômago, no fígado, nos rins, nos pulmões, transtornos hormonais e mentais são alguns dos males causados pela contaminação.
Um hospital público de Bhopal possui estatísticas que mostram que o bairro pobre vizinho à antiga fábrica da Union Carbide, possui altos índices de mortalidade. Uma possível explicação é a contaminação da área pelo vazamento de gás de isocianato de metila de um tanque da fábrica que mesmo desativada, ainda guarda mais de 300 toneladas de produtos químicos perigosos, como o DDT. Depois de 25 anos do desastre, crianças pequenas ainda nascem em Bhopal com problemas de má formação causados pela contaminação do solo e da água da região. São as chamadas vítimas de segunda geração.

O jornal El Pais fez uma matéria :

por Ana Gabriela Rojas

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/12/03/ult581u3674.jhtm

Lirio (03/12/2009 - 11:11)
Bombeiros que trabalharam no resgate do 11 de Setembro contrairam câncer. Fonte: The Guardian

Uma sequência de mortes registradas em um curto espaço de tempo reacendeu, nos EUA, o fantasma dos atentados de 11 de setembro de 2001. Bombeiros e policiais que trabalharam nas operações de emergência no Marco Zero - o local onde ficava o World Trade Center, em Nova York - estão morrendo de câncer, o que faz crescer o medo de a doença estar relacionada ao trabalho desenvolvido por eles na época...

Dados do Departamento de Saúde de Nova York mostram que 817 pessoas que trabalharam na área dos destroços do World Trade Center morreram, mas não é possível afirmar categoricamente em quantos casos houve relação com o fato. O grupo 911 Police Aid Foundation, criado para apoiar agentes doentes, diz estar ajudando mais de cem policiais que trabalharam no pós-11 de Setembro e agora estão com câncer. A cada semana, surge, em média, um novo caso. Michael Valentin é um dos voluntários da organização. Ele trabalhou durante quatro meses nos escombros e agora está com tumores no peito e também sofre de envenenamento por ASBESTO.

http://club-k-angola.com/index.php/internacional/3904-bombeiros-que-trabalharam-no-resgate-do-11-de-setembro-contrairam-cancer.html


Ubaldo (03/12/2009 - 10:50)
Mesmo com um controle rigoroso sobre a operação, com a utilização do uso de máscaras e outros equipamentos de proteção, ficou provado que o amianto continua altamente prejudicial à saúde. O baixo custo unitário do amianto, menos de R$ 3,00/Kg, chega a compor até 8% da matriz de fibrocimento,enquanto as fibras sintéticas em geral são usadas em quantidades abaixo de 2% e tem preço que varia em torno de R$ 7,00 a R$ 40,00/Kg. Feitas as contas, se percebe que a vantagem econômica não é tão grande para o amianto. Nessa direção, o governo poderia criar incentivos fiscais e facilitar a construção de empreendimentos substitutivos. Assim o caminho para as indústrias que manuseiam e fabricam os artefatos de fibrocimento é substituir o amianto por fibra sintética ou outra alternativa e também oferecer os serviços de substituição do amianto empregado nas edificações, quais representam um enorme passivo ambiental. Quanto a legislação, já aprovada em 2007, que proíbe o uso do amianto no Estado de São Paulo e que está sob júdice no Supremo é mandatório uma decisão urgente. Próximo passo é extender a legislação a nivel Brasil.

Romanelli (03/12/2009 - 10:26)
Conceição, grato pela lembrança, mas eu acompanhei boa parte dos textos e ainda não me dei por satisfeito
.
é como disse: "é difícil considerar erros do PASSADO como sendo impedimentos irremovíveis pro futuro"
.
Técnicas mudam, exigências, legislação trabalhista, vigilância sanitária etc
.
O amianto encontrou muita resistência em países aonde ele era "aspergido" como isolante acústico e térmico, tipo nos EUA ..lá, tanto pro operário, como pro aplicador e consumidor, o produto ficava em SUSPENSÃO por anos, amplificando e perpetuando o dano
.
aqui NÃO, aqui ele foi aplicado basicamente em caixas d´água e telhas (diga-se, uma porcaria por sinal, pois esquenta uma barbaridade)
.
Sinceramente, não vejo muito diferença entre sua exploração(c/danos ambientais e HUMANOS), e a de outros, como a carvoaria pra uso em telhas e na siderurgia
.
TODOS, eu disse TODOS, se manipulados de forma indevida, causam danos ..inclusive os materiais voláteis e cancerígenos aplicados às resinas pra fabricação da fibra de vidro ou nas telhas de papel prensado (outra novidade de nosso tempo)
.
Ainda acho que as conclusões, com fundamentação pretérita, não poderiam ser CONDENATÓRIAS ao uso do produto no futuro que, em sua forma final, aqui, é praticamente INERTE ..ou até menor que outros tantos, por exemplo, qto analisado pelo foco da absorção pelo ambiente após seu descarte, frente ao alumínio por exemplo
.
Enfim, verdade é que TUDO o que é demais faz mal, e é por esta máxima que deveríamos nos guiar

Fernando Gonzales (03/12/2009 - 09:38)
O que tem que haver é uma rigorosa fiscalização, pois se ve que em todas as areas do conecimento humano tem algum tipo de perigo, alem do que, quem fiscaliza se corrompe com facilidade. O amianto não é mais perigoso que defencivos agricolas e ja morreram centenas intoxicados com estes pesticidas, mas quase não se houve falar em acabar com isso, porque ainda é muito dominado pelos países ricos. O pesticida só vai acabar quando eles de uma maneira safada inventarem algo que substitua, daí vão denegrir ao máximo o pesticidas que são usados em países pobres, para que continue a dominação. Só a imprensa mercantilista finge que não ve isso. Cade a mídia livre, nunca existiu e nunca existira.

Fernando Gonzales (03/12/2009 - 09:32)
Prezado Azenha.
Acho que o amianto é um material perigoso, assim como os acidos em geral, os defensivos agricolas em geral, os inseticidas,as tintas e seus produtos solventes e quase todos os materiasi quimicos que usamos no dia-a-dia. Acho que os maiores causadores dos males da humanidade estão nas conservação dos alimentos, eles são os grandes causadores do aparecimento de varios tipos de cancer do aperelho digestório, mas quase não se houve falarem disto, Existem uma razão bem simples nas coisas que a nossa midia tupiniquim e mercantil não fala, estas coisa se chamam malandragem dos países desenvolvidos. Quando um país perde receita num determinado ramo comercial,para um pais em desenvolvimento ele logo trata de arrumar uma maneira de reparar este prejuiso arranjando um outro produto e diz que este é muito melhor pois não causa dano a saude e ao meio ambiente como aquele que ele usava e foi perdido para um outro pais dito inferior. Este truque é velho e a nossa mídia canalha conhece muito bem. Eles usaram e abusaram por séculos do lucro cigarro, quando as empresas de cigarro debandaram para os países em desenvolvimento, logo apareceu na mía que o cigarro fazia mal.Usaram e abusaram do lucro do amianto, agora dizem que faz mal. Tudo o que eles perdem, eles denigrem ao maximo, pois querem a todo o custo manter os paises em desenvolvimento no cabresto. Se eles pudessem voltar a dominar o amianto, tenho certesa que acionariam a midia para dizer que o amianto é bom.

Conceição Lemes para Romanelli (03/12/2009 - 09:25)
Caro Romanelli,
Nós últimos 18 meses, o Viomundo publicou cerca de 30 matérias sobre o amianto. Nelas, discutimos muito a questão do amianto e saúde. Denunciamos vários problemas na pesquisa em andamento. Por isso a minha sugestão é que vc leia as matérias anteriores. Tudo o que vc perguntou está devidamente respondido. Abs

Romanelli (03/12/2009 - 09:03)
Azenha
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Será que todos os operários que lidam com este material ficam doentes ? ..será que TODOS os que usam equipamento de proteção adequado estão sujeitos aos riscos? ..não haveriam outros ângulos a serem considerados nisso?
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Quais as opções para esta MP e seus sub-produtos ..a cerâmica, os derivados de petróleo, os de aço e zinco por ex ..será que estes TAMBÉM não causam impacto no meio ambiente e nas pessoas que os manipulam ?
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o BRASIL possui imensas reservas deste produto que, se bem conduzidos, podem gerar bons frutos
.
Francamente ..como consumidor ainda não me ficou CLARO o que rege esta briga aparentemente inflada por vaidades e interesses
.
pra mim esta difícil considerar erros do passado como sendo impedimentos irremovíveis do futuro

Mauro Figueira (03/12/2009 - 00:13)
Azenha e Conceição, parabéns. O Viomundo, como diz o slogan, é onde a gente pode ver o que nunca pôde na Tv. No caso das matérias do amianto,eu diria que é uma série que eu nunca vi em NENHUM OUTRO LUGAR NA MÍDIA BRASILEIRA, falada, escrita, televiosanada, internetada. Achei ótima a idéia da Márcia. O que nós, leitores,podemos fazer para torná-la realidade? O material de vcs é muito rico e tem que virar um documento que a gente possa pegar na hora em que quiser. É um documento histórico. Parabéns mais uma vez.´Nós, leitores do Viomundo, nos orgulhamos do trabalho de vcs dois. Forte abraço

Márcia (02/12/2009 - 22:49)
Azenha
Essa série de matérias sobre o amianto de fato dá uma novela. Vcs já pensaram em organizar e publicar um livro?

Enquanto isso (02/12/2009 - 22:25)
Política externa do Brasil 'decepciona' Obama, diz 'Wall Street Journal'
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/12/091202_press_brasileua_pu.shtml

Alípio (02/12/2009 - 21:30)
Azenha e Conceição, estou enviando esta excelente matéria para os deputados estaduais de Sâo Paulo, todos os federais e senadores. Caras, vocês não têm noção do serviço de utilidade pública que es~tao prestando à sociedade brasileira. Eu já vi gente morrer por causa do amianto. Portanto, sei do que estou falando. Conheço muito bem o poderoso poder de fogo do lobby pró-amianto. Parabéns pela coragem e decência. Vida longa ao Viomundo. Abs

Roney (02/12/2009 - 18:39)
Excelente a matéria. Mostra os dois lados.
Parabéns.
No Canadá, não se chega perto de amianto sem uma proteção equivalente as utilizadas em ataques biológicos, segundo meu amigo Sr. Waldir que morou naquele país. Fica claro que o interesse econômico esta por traz das instituições.

Moacir Simples Assim (02/12/2009 - 18:33)
Espero que a Polícia Federal esteja filmando tudo isso...

Será a novela mais comprida de todos os tempos: 45 anos perdidos, mas que afinal serviram de lição, reconheçamos...

Edna Duarte (02/12/2009 - 18:16)
Azenha, que colocasse esse video na pauta do blog.
José Serra sem coragem de defender a privatização de empresas estatais é desmascarado?
FHC: Serra foi um dos que mais lutaram pela privatização da Vale
O Governador de São Paulo José Serra sem coragem de defender a privatização de empresas estatais é desmascarado neste vídeo. O fogo amigo vem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que não dá margem a dúvidas: "O Serra foi um dos que mais lutaram em favor da privatização da Vale".

http://www.youtube.com/watch?v=grbeuBaY9%u2026

Este video FHC desmascara o presidenciavel Jose Serra!!!!!

Esses TUCANOS ENTREGUISTAS conseguem enganar quem?

Leider Lincoln (02/12/2009 - 17:41)
Aliás, eu penso que já deveríamos começar a pressionar a Dilma para que acabasse de vez com as agências e colocasse coisas como Denatran, Denit e DNPM na linha.
Não suporto a ideia de que um boçal destes é servidor público. De toda forma, o DNPM deveria ter um código de ética...

Rogério (02/12/2009 - 16:13)
É, essa linha não tem fim. Parabéns pela reportagem.
E o tal fibrocimento sem amianto? Desenvolvido pelas mesmas corporações que antes usavam amianto e diziam que não fazia mal. Aposto e ganho que é outra bomba para a saúde. Mas vai levar outros 50 anos para puxar o fio desta meada.

Ricardo Vieira (02/12/2009 - 15:54)
Azenha, que bom seria se a imprensa tivesse esse compromisso com a saúde pública. Conceição Lemes,parabéns série de reportagens sobre amianto. Impecável cientificamente e corajosa. Isso, sim, é jornalismo, de verdade. Abraços

jbmartins (02/12/2009 - 15:51)
Na verdade, acompanho o site vi o mundo, tem sempre estas materias de alerta e orientação, porem pouco anda ou feito, acho que esta na hora do Ministerio Publico tomar a iniciativa e resolver esses problemas.

Marcelo J. (02/12/2009 - 13:13)
Ubaldo (02.12.09-10:15)
Não desconsiderei os custos de saude Ubaldo, me referi como custo baixo porque grande parte dos usuários destas telhas são de baixa renda. A critica deve ser acompanhada de bom senso nestes casos, soluções alternativas que substituam o uso devem ser postadas, a critica pela critica não ajuda em nada, e não, não faço parte deste tipo de cadeia produtiva, muito antes pelo contrário seu Ubaldo.
Fernanda Giannasi (02.12.09 - 11:35)
Gracias por teu comentário. A de aparas de tubinhos de pasta dentifricio eu sabia que existia mas não que já era comercializada, as outras eu não conheço.
Abraços a todos

Milton Hayek (02/12/2009 - 12:50)
Eu não acredito que estou concordando com o Ubaldo!!!!!!!!
Aqui nos EUA,Ubaldo,o gringo também pensa que vive numa democracia.

FERNANDA GIANNASI (02/12/2009 - 11:35)
Há várias alternativas ao fibrocimento com amianto já disponíveis no mercado, inclusive telhas mais e menos ecológicas. Entre as ecológicas, já temos produção com aparas de pastas de dentifrício, caixas longa vida e até papelão reciclado produzidas por cooperativas de catadores de papel. Vale a pena conferir estas novidades em lojas de materiais de construção. Ficarão surpresos com a diversificação de tipos e tem para todos os bolsos, mais ou menos recheados, e modelos mais ou menos sofisticados.

Ubaldo (02/12/2009 - 10:49)
Marcelo J. (02/12/2009 - 10:15):

Custo baixo?
Some-se os custos sociais, com despesas com médicos, internação, hospitais, indenizações,etc e terá o custo real. Se nos países desenvolvidos eles baniram o uso, por que não podemos aqui fazer o mesmo?
Pela sua fala, você deve ter uma boquinha em algum lugar da cadeia produtiva do fibrocimento ou dos pneumologistas.


Marcelo J. (02/12/2009 - 10:15)
Azenha, meus regozijos a voce, teu blog sacode o nosso Brasil varonil e isto é muito bom. Sinto te dizer que este tipo de infiltreção é corriqueira, já ouvi falar de chefe de fiscalização deA Sec. da Agricultura do RGS que é fazendeio e grande imagina outros setores. Tá tudo infiltrado nos niveis federal, mineral e vegetal, oops digo estadual e municipal. Mas me diz uma coisa Azenha existe alguma alternativa com custo baixo para substituir a telha de fibroamianto neste pais? Te agradeço te antemão se pudesse postar alguma alternativa no blog.Grande abraço P.S. JEANETE isto de enriquecer as custas da saude das pessoas(publica) é histórica!!!!

Ivan Arruda (02/12/2009 - 09:49)
A promiscuidade público privada é de tal ordem, que os interesses de estado ficaram em segundo plano. O patrimônio público brasileiro que ninguém sabe o quanto é e nas mãos de quem está, se tornou mais nebuloso com a proliferação de ONGs, OSCIPs, agências reguladoras e Fundos sem controle efetivo.
Está surgindo um emaranhado de leis e normas deturpando princípios, normas e convenções inclusive contábeis, que, a meu juízo, legitimarão o saque que ainda se pratica. Para se ter idéia do rombo que nos espera, a nova montanha de normas impatrióticas, permitirá que, se alguma receita tributária foi arrecadada indevidamente há uns dez anos atrás, essa devolução poderá ser feita sem empenho ou dotação orçamentária hoje. Basta estornar da receita desse ano sem se importarem com a deturpação das bases anuais ou princípios consagrados de que apenas as receitas arrecadadas indevidamente no exercício é que podem ser estornadas. Como são altamente confiáveis nossos políticos e agentes públicos, conforme atesta a base aliada do Arruda e assessores que até conselheiro de tribunal foram nomeados, pode-se imaginar como ficarão nossas contas. O Fundeb que se prepare.
Convém não nos esquecermos que vivemo a ditadura dos bacharéis.

Ubaldo (02/12/2009 - 09:47)
Nos EUA, a fabricação de artefatos de fibrocimento está proibida há mais de trinta anos. Isso porque o asbesto ou amianto é altamente prejudicial à saúde, principalmente no seu processo de manuseio para fabricação dos artefatos devido a suspenção de fibras que são inaladas pelos trabalhadores. Além da proibição da fabricação nos EUA, houve há cerca de vinte anos um movimento de troca dos artefatos de fibrocimento com incentivo governamental. Assim as indústrias e comércio, principalmente, fizeram a troca de telhas de fibrocimento.
Aqui no Brasil, os modismos e tecnologias estrangeiras, chegam muito rápido pelo interesse comercial. Quando é o caso de saúde pública, com remédios, produtos químicos e minerais quais são lá proibidos, o processo de pode demorar muito, pelo lobby de fabricantes. Nessa direção, por exemplo, o gás refrigerante utilizado em geladeiras, ar condicionado de automóveis e como propelente em aerosóis, qual destroi a camada de ozônio, vem sendo substituido nos EUA por um gás ecológico, há mais de vinte anos. Aqui, estamos iniciando a substituição, qual pode demorar muitos anos.
Por que esses casos ainda acontecem no Brasil?
Subserviência crônica e ganância de maus brasileiros que se sujeitam ao lobby dos industriais.

Jeanette (02/12/2009 - 09:02)
É triste ver empresas se enriquecendo às custas da saúde das pessoas.

João Batista (02/12/2009 - 08:42)
Concordo com o Tomás: precisamos desprivatizar o estado brasileiro.

MArcos (02/12/2009 - 04:51)

O artigo é instigador, abrangente, cativante. Só um blog como o Viomundo poderia produzi-lo e publicá-lo. Tenho duvidas se , contando com publicidade oficial, como a Veja, a Folha , etc outros blogs iriam publicar e produzir uma matéria dessas. Por isso tenho um pouco de medo do "fortalecimento" dos blogs via publicidade oficial.Mas reconheço que isso poderia ser resolvido com um contrato de publicidade , amparado no artigo 220 da Constituição Federal que resguardasse o blog da censura. Meus cumprimentos à jornalista Conceição Lemes e ao Azenha. Meu estimulo a que Voces utilizem sua influencia para organizar melhor e de forma mais profissional e empresarial a atividade de "blogueiro ". Mas isso , sem que ela perca suas características revolucionárias de produzir informação relevante, mas específica,profunda, que pode ser aprofundada pelo leitor interessado. Um leitor não só leitor passivo mas ele próprio um potencial partícipe não só na difusão como no aprofundamento do conhecimento, tal como ocorre no blog do Nassif, que tem " equipes de leitores especializados" que aprofundam e produzem mais informação, em "páginas temáticas" . Tenho informações relevantes da captura da ANVISA pela industria farmacêutica e como trabalho no Estado nessa área, não posso me identificar senão perco o emprego. Mas nada me impede de fornecer informações a vocês, que podem ser checadas. Não só por vocês, pois isso poderia dar muito trabalho, mas por outros profissionais, que poderiam produzir a informação, aprofundá-la e o Viomundo poderia checar com os responsáveis, entrevistá-los, com as nossas informações e divulgar.

Tomás (02/12/2009 - 04:35)
Essa matéria é um exemplo de como o Estado Brasileiro foi capturado por grupos de interesse econômico. E Conceição está de parabéns.Não só pela pesquisa, mas pela oportunidade de defesa dos implicados, pela profundidade e principalmente pela paciência e didática com que nos explicou com tão pouco texto, um assunto tão complicado.
O trabalho é prova dE ALGO que eu digo sempre: "a mídia de esquerda, mesmo sem recursos, pode ser PRODUTORA DE INFORMAÇÃO e não só de OPINIÃO."
É lógico que com recursos seria muito melhor. E vai ser ainda,se a midia de esquerda souber pressionar por seu reconhecimento como veículo, junto ao governo e iniciativa privada. Afinal, nenhum veiculo tem a circulação mais auditada do que os blogs, que tem mecanismo de contagem de acessos, que nenhum jornal tem. Afinal, exemplar impresso não significa exemplar lido.Além disso, ninguém copia no xerox e nem envia por correio ou empresta noticia de jornal. Mas noticia de blog todo mundo retransmite por e-mail...
Sem querer entrar no merito do amianto, do cancer, das maracutaias do DNPM e do MME,pois não tenho conhecimento específico, o artigo em si é até mais importante para a inteligencia nacional do que o próprio assunto que trata.O câncer de pulmão foi a causa da morte do meu queridopai, com apenas 64 anos. Ele fumava muito, é verdade.Mas era engenheiro civil e fiscal de obras.Trabalhou muito em fiscalização no campo.E sempre com edificações com cobertura de amianto na area industrial.

Ex-servidor do DNPM (02/12/2009 - 02:12)
Opa .... será que desta vez ao menos balançam ele no cargo ??? .... que sonha inclusive com uma futura agencia reguladora mineral (e sua diretoria geral claro).



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