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PERITO "SUIÇO" EM AMIANTO FOI PAGO PELA INDÚSTRIA BRASILEIRA DO AMIANTO

Atualizado em 29 de setembro de 2008 às 09:28 | Publicado em 28 de setembro de 2008 às 19:35

por CONCEIÇÃO LEMES

 

Guarde este nome: David Bernstein. E este termo: biopersistência. A partir de agora, “ouvirá” falar bastante de ambos. No centro da discussão, o amianto branco, ou crisotila, utilizado no Brasil. Com a palavra, primeiro, as instituições defensoras do mineral no País. Seus sites expressam suas posições.

O da Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA) divulga: “A menor taxa de biopersistência: ‘Estudos recentes confirmam que o crisotila brasileiro é menos nocivo á saúde humana no mundo’. A declaração é do médico David M. Bernstein em abordagem sobre os efeitos do mineral para a saúde (sic)”.

“‘Hoje, diferente do que ocorreu no passado, não há nenhum risco para os trabalhadores, que aderiram ao uso controlado e responsável, assim como para a população que utiliza produtos que contém o crisotila e o mundo precisa saber disso (sic)’”, destaca Adilson Santana, vice-presidente da CNTA, ao comentar, no boletim da entidade, a Conferência Internacional do Amianto, realizada na cidade do México, em 2007. “A Conferência foi marcada por diversas palestras, que deram um panorama geral sobre o amianto crisotila e a defesa dos recursos naturais, como o do médico e pesquisador David Bernstein (sic) ...”

O Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC) propaga: “Em temperaturas acima de 800ºC o amianto crisotila sofre decomposição térmica, transformando-se em forsterita (...); a forsterita não é fibrosa, sendo inócua à saúde humana. Estudos de biopersistência evidenciam o fato do produto ter baixo potencial de toxicidade (...) Esses dados foram confirmados pelo renomado médico toxicologista suíço, Dr. David Bernstein (sic).”  O objetivo principal do IBC é fazer lobby a favor dos interesses da indústria.

O site do Grupo Eternit, o maior do setor de amianto no Brasil, expõe: “Biopersistência significa o tempo de permanência das fibras no pulmão antes de serem eliminadas. Enquanto as do amianto crisotila permanecem no máximo dois dias e meio no pulmão, as do anfibólio ficam mais de um ano. Os trabalhadores das indústrias que seguem as regras do uso controlado estão totalmente seguros”.

“O discurso sindical é xerox do discurso empresarial”, considera Eliezer João de Souza, presidente da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea). A engenheira de segurança do trabalho Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em São Paulo e coordenadora da Rede Virtual-Cidadã pelo Banimento do Amianto para a América Latina, põe o dedo na ferida: “CNTA =IBC=Eternit = David Bernstein + biopersistência”.

Bernstein defende que o tempo que a fibra de amianto persiste no pulmão é que indica o seu grau de nocividade. É o que ele chama de biopersistência. Em 1999, ao participar de uma audiência pública sobre o tema na Câmara dos Deputados, em Brasília, foi saudado como “cientista suíço, autoridade máxima e de reconhecimento internacional em estudos de fibras e partículas”.

Na ocasião, apresentou-se como pesquisador independente e disse, entre outras coisas, que: 1) a crisotila da mina de Cana Brava, em Minaçu, norte do Estado de Goiás, fica pouco tempo no pulmão, o que eliminaria o risco de ser cancerígena; 2) o amianto brasileiro seria seguro e não faria mal à saúde; 3) suas pesquisas sobre biopersistência, feitas com ratos de laboratório, teriam orientado a Comissão Européia na classificação de fibras. Fora, inclusive, convidado a participar dela.

INDÚSTRIA BRASILEIRA DO AMIANTO FINANCIOU BERNSTEIN

Faltou com verdade aos deputados brasileiros. Físico de formação e estadunidense de nascimento, Bernstein acabou se dedicando à toxicologia e foi morar na Suíça.

Recentemente, sua máscara de neutralidade e independência lhe foi arrancada em plena Corte do Distrito de Ellis County, Texas, Estados Unidos. A audiência era para tratar do processo de indenização de vítima de mesotelioma contra a empresa Geórgia Pacific (G-P), que fabricava produtos à base de crisotila, também conhecido como calídria, proveniente da mina da Union Carbide na Califórnia. Bernstein compareceu na condição de expert para defender a G-P, como o fizera anteriormente para a Union Carbide .  

O tiro saiu pela culatra. Ao ser interpelado pelo advogado dos familiares da vítima, Rick Nemeroff, revelou, entre outras coisas, que a indústria brasileira do amianto financiou suas pesquisas com a crisotila. A transcrição do depoimento tem 143 páginas. Abaixo alguns trechos importantes. Você vai descobrir que certas informações disseminadas por e sobre Bernstein, inclusive no Brasil, não correspondem à verdade factual. P refere-se às perguntas dos advogados. R, às respostas de Bernstein.

(...)

P. Doutor, quanto você recebe atualmente por hora de trabalho?

R. Em moeda local, na Suíça, meu preço é 506 francos-suíços por hora.

P. Convertidos em dólares americanos, é quanto?

R. Suponho que US$ 415 por hora.

(...)

P. Você tem falado a este júri sobre seus estudos com crisotila. Eles foram realizados a pedido da Union Carbide [dos Estados Unidos], do setor de mineração da crisotila no Brasil, do Instituto de Asbesto e do governo do Canadá. Isso é correto?

R. Correto.

P. Suponho que contou a este júri que, nas décadas de 1960 e 1970, quando você descobriu que a crisotila causava mesotelioma, os seus estudos não eram financiados por esses grupos, eram?

R. Eles foram financiados por outros grupos.

P. Outros grupos?

R. Hum-hum.

P. E, agora, que trabalha para grupos de mineração ou industrialização da crisotila, você próprio está se distanciando dos seus estudos iniciais, dizendo: no passado, nós cometemos erros, demos doses exageradas para os ratos e assim por diante. Isso é parte do seu testemunho, aqui, ao júri?

R. É parte dele.

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(...)

P. Quanto os advogados, representando a Union Carbide, ajudaram a financiar seus estudos? Conte a este júri quanto você recebeu deles para fazer o trabalho que você está fazendo hoje neste tribunal?

R. Eles me pediram para fazer uma avaliação científica.

P. Quanto eles pagaram em dinheiro para você? Pode ser em francos ou dólares.

R. Eu não tenho isso em mãos no momento.

P. Refrescaria a sua lembrança se eu lhe mostrasse que os representantes da Union Carbide [um dos clientes de Bernstein e ré em muitos casos de amianto nos Estados Unidos] admitem ter pago a você US$ 400.623,30 por sua participação em audiências de litígio?

(...)

Corte. Ouça. Pode me ouvir? Pode me ver e ouvir? Leia meus lábios. Quanto a Union Carbide, por meio dos advogados dela, pagou a você?

R. Não tenho o total exato na minha frente. Me lembro que é cerca de 100 mil francos suíços.

(...)

P. Você nos falou a respeito dos seus estudos; repetidamente disse que a EPA [Agência de Proteção Ambiental, dos EUA] e a Comissão Européia vieram até você para fazer alguma coisa. Nem a EPA nem a Comissão Européia jamais procuraram você para fazer um estudo sobre amianto, procuraram?

R. Não, eles não me procuraram.

P. Então, se este júri ficou com a impressão de que EPA e a Comissão Européia procuraram você devido às suas opiniões sobre amianto, isso seria incorreto, certo?

R. Sim.

(...)

P. Eu entendo que epidemiologia (...) é o estudo das pessoas e de fatores que causam doenças. Você concorda comigo?

R. Concordo.

P. E você, senhor, não é epidemiologista?

R. Eu não sou.

P. Então, seria justo afirmar que você estuda amianto em ratos para ver o que acontece?

R. É verdade.

P. Em relação às suas qualificações, senhor, você não é higienista industrial, é?

R. Eu não sou.

P. E não é médico?

R. Eu não sou.

P. E não é patologista?

R. Eu não sou.

(…)

P. E o senhor discorda de todas as agências que dizem que o amianto crisotila pode causar mesotelioma [câncer agressivo e fatal de pleura, pulmão, peritônio, pericárdio e diafragma; a média de sobrevida após o diagnóstico é de 1 ano], não é correto?

R. Correto.  

P. E você discorda de todos os países que baniram o amianto, inclusive daquele que você escolheu morar, não é correto?

R. Correto.

P. E as suas conclusões são baseadas nos estudos financiados por esta companhia, com licença, não por esta companhia, mas financiados por companhias que atuam na mineração e fabricação de produtos com amianto crisotila?

(...)

 
“SILÊNCIO CONSTRANGEDOR SOBRE A QUANTIA PAGA CHEIRA MAL”

As pesquisas de Bernstein e suas conclusões foram usadas pela indústria no mundo inteiro, inclusive no Brasil, com os objetivos de: inocentar a crisotila dos males do amianto, adiar leis e regulamentos de restrição ou banimento do mineral e não pagar indenizações às vítimas. Desde o início do século 20, já se sabia que o amianto causa asbestose, mais conhecida como “pulmão de pedra”. A doença provoca o “endurecimento” do pulmão, levando pouco a pouco à perda progressiva da capacidade respiratória; pode evoluir para a morte -- a chamada morte lenta. Na década de 1940, comprovou-se que era cancerígeno.

Em 3 de setembro, esta repórter enviou seu primeiro e-mail a David Bernstein. Perguntou:

1) Sabemos que teve pesquisas financiadas pela indústria brasileira do amianto. O senhor confirma isso? Que companhia, especificamente, financiou seu trabalho?

2) Se a informação que temos é totalmente verdadeira, poderia nos dizer quanto recebeu? Para que pesquisas esses financiamentos foram utilizados? Uma delas é sobre a biopersistência da crisotila brasileira. Há outras?

Primeiro e-mail, nenhuma resposta. Segundo, idem. Terceiro, também. No quarto: “Todos os financiamentos estão referidos na primeira página de cada publicação e se você quiser mais informação, por favor, contate as respectivas companhias”.

Solicitamos então o envio de uma cópia dos trabalhos por e-mail. Ou, considerando que eram públicos, que dissesse o nome das empresas que o financiaram e quanto pagaram. Esquivou-se, de novo: “Estou viajando e não os tenho disponíveis. Você pode fazer o download deles no website da revista Inhalation Toxicology. Espero que você leia as publicações”.

 

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Ao mesmo tempo, questionamos Marina Júlia de Aquino, presidente-executiva do IBC. Por meio de sua assessoria da imprensa, devolveu, por e-mail, a bola para Bernstein: “Quando o Instituto Brasileiro do Crisotila foi criado, o Dr. David Bernstein já havia realizado suas pesquisas. A pergunta, portanto, deve ser encaminhada diretamente a ele”.

Perguntamos também à Eternit. Apesar de vários e-mails e contatos telefônicos desta repórter com assessoria de imprensa do Grupo, silêncio total. A indústria brasileira que financiou as pesquisas de Bernstein sobre a crisotila foi justamente a mineradora do Grupo Eternit, a SAMA, em Minaçu, norte de Goiás. A SAMA é responsável pela única mina de amianto em exploração no Brasil -- a de Cana Brava. Descobrimos duas publicações, onde a SAMA é citada como financiadora; ironicamente, uma delas, no próprio site do IBC, em português e inglês.
 

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“Cheira mal o silêncio constrangedor de Bernstein e de seus clientes, quando solicitados a divulgar quanto a indústria brasileira do amianto pagou pelos serviços do cientista”, vaticina o consultor ambiental Barry Castleman, autor do livro Asbestos: Medical and Legal Aspects (Amianto: Aspectos Médicos e Legais).

Castleman é, desde 1999, consultor do Banco Mundial e da Comissão Européia para assuntos relativos ao amianto. É também testemunha-expert nas Cortes americanas sobre matérias de saúde pública e história corporativa do amianto. Por ano, atua em 20 a 30 processos, quase todos casos de mesotelioma. Ele denuncia: “Bernstein continuará sendo pago pelos negócios do amianto, inclusive do Brasil, enquanto houver ações financiadas pela indústria para defender seus produtos. Ele é o fim de uma longa tradição de cientistas contratados para publicar pesquisas e conclusões em saúde pública favoráveis à indústria do amianto”.

“Em 1999, quando o Bernstein depôs na Câmara dos Deputados, bem que estranhamos o fato de ele só andar com o pessoal da indústria. Agora sabemos o motivo”, observa Fernanda Giannasi. “Bernstein participa de uma orquestração internacional muito bem engendrada para sustentar em todo o mundo a ausência de nocividade da fibra assassina. Médicos das nossas mais prestigiosas faculdades de medicina fazem parte dela. Bernstein, como dizem os americanos, é o melhor que o dinheiro pode comprar.”

Laurie Kazan-Allen, coordenadora do International Ban Asbestos Secretariat (Secretariado Internacional pelo Banimento do Amianto, o IBAS), sediado na Inglaterra, fustiga: “Já que David Bernstein não é epidemiologista, não é higienista industrial, não é médico ou patologista e todas as entidades científicas rejeitam as conclusões dele de que a crisotila não é cancerígena, estou muito curiosa para saber que serviços ele presta para merecer tanto dinheiro dos réus do amianto, as mineradoras e indústrias do setor”.

"O argumento dele é ridículo", afirma o médico David Egilman, professor adjunto de Clínica Médica da Brown University, em Massachusetts, EUA, e testemunha em disputas judiciais para uma companhia que foi proprietária de uma mina de amianto. “Ele só enxerga ‘biopersistência’ no pulmão e todo mundo concorda que a crisotila causa câncer no pulmão. A crisotila é o tipo de fibra  mais ‘biopersistente’ na pleura; assim, se ‘biopersistência’ é a questão-chave para a carcinogenicidade, então a crisotila é a principal causa de mesotelioma. Para tanto dinheiro assim, eles deveriam ter arranjado uma teoria melhor.”

“O fato de a crisotila ser menos biopersistente não significa que seja inócua à saúde; é como fumaça do cigarro”, compara o médico Ubiratan de Paula Santos, professor colaborador da disciplina de Pneumologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Incor/HC/FMUSP). “A fumaça não tem biopersistência alguma. Entra e vai embora. Mas, ao fumar todo dia, você vai provocando e renovando a lesão. Resultado: assim como o cigarro no longo prazo pode causar câncer de pulmão, a crisotila pode ocasionar câncer de pulmão e mesotelioma.”

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Barry Castleman

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Geoffrey Tweedale

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Laurie Kazan-Allen

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Ubiratan de Paula Santos

 
Na verdade, o trabalho de Bernstein segue o modelo da “ciência do tabaco”. Sempre que algo pode ameaçar a sua sobrevivência, cria-se uma nova teoria para protelar a discussão. É o que David Michaels chama de ciência da defesa do produto no seu livro Doubt is Their Product (Dúvida é o produto deles). O título vem de um memorando interno da indústria do tabaco que dizia "a dúvida é o nosso produto".

“O memorando dizia que enquanto se mantivesse o debate sobre se fumar mata, seria possível retardar as normas reguladoras”, expõe Castleman. “É o que a indústria do amianto faz desde a década de 1930, quando já se manipulavam as pesquisas para que a discussão não ganhasse repercussão e o assunto não entrasse em debate. Sempre havia um cientista importante que tinha feito uma pesquisa que negava o malefício descoberto.”

"Quantos estudos que atestaram a ‘ausência de risco’ da crisotila não foram financiados ou apoiados de certa forma pela indústria do amianto? Eu estou tentando me lembrar de um!”, ironiza o historiador especializado em negócios corporativos, professor e pesquisador inglês Geoffrey Tweedale, autor do livro Defending the Indefensible: The Global Asbestos Industry and its Fight for Survival (Defendendo o Indefensível: A Indústria Global do Amianto e sua Luta pela Sobrevivência). O também historiador JocK McCulloch é seu co-autor.   

Tweedale é taxativo: “As táticas usadas pela indústria do amianto no Brasil não são novas; foram formuladas e usadas ao longo de décadas. Certamente na Europa a indústria do amianto influenciou (e muitas vezes financiou) médicos, jornalistas e políticos de várias maneiras. No Reino Unido, eu não estou a par de nenhum caso de pagamento de propina para sindicalistas e membros do judiciário. Nesse sentido, a situação brasileira é talvez ainda mais surpreendente”.

“DENÚNCIAS GRAVES”. “CONFLITO DE INTERESSES FLAGRANTE”  

De fato, a história se repete. O que o Brasil fez foi apenas reproduzir o modelo que existia lá fora. Nada de novo.  A indústria brasileira financiou a pesquisa de Bernstein que “livra cara” da crisotila brasileira. Curiosamente, bancou e banca boa parte das pesquisas sobre amianto dos médicos Mário Terra Filho, Ericson Bagatin e Luiz Eduardo Nery, respectivamente, professores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É deles o estudo que levou à conclusão de que nenhum trabalhador brasileiro que começou a trabalhar com amianto após 1980 adoeceu. Um mantra repetido à exaustão pelo lobby do amianto.

A reportagem Médicos disseram que Manoel estava bem de saúde. Mas ele tinha câncer no pulmão, publicada pelo Viomundo em 14 de julho, denunciou ainda que:

1) Mário Terra Filho, Ericson Bagatin e Luiz Eduardo Nery, responsáveis por pesquisas com amianto, são os mesmos médicos que, através de empresa privada que mantêm em sociedade, participam das Juntas Médicas de Acordos Extrajudiciais com fins de indenização das vítimas pelos danos provocados pela exposição ao amianto.

2) Desse modo, fazem pesquisa sobre o amianto -- financiada inclusive com dinheiro público --, diagnóstico de ex-empregados do setor -- como consultores da empresa e com financiamento privado -- e ainda interferem no valor das indenizações, já que indicam o grau de incapacidade e a classe correspondente no referido Acordo. Privado e público se confundem na cabeça dos ex-empregados. Onde começa um e termina o outro?

3) Apresentam conflito de interesse tanto na relação médico-paciente quanto na realização de suas pesquisas sobre amianto.

4) Omitem informações importantes aos órgãos de fomento à pesquisa científica do País.

5) Escondem informações cruciais às comissões de ética em pesquisa das suas próprias instituições. Foi o que aconteceu com o projeto Exposição ambiental ao asbesto: avaliação dos riscos e efeitos na saúde apresentado à Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa (CAPPesq) da Diretoria Clínica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O orçamento previsto era de 4 milhões de reais. Foi revelado à CAPPesq apenas 1 milhão de reais do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq). Sonegou-se que boa parte do valor restante seria financiado pela indústria do amianto no Brasil.

“Nada disso foi dito nem descrito quando [2006] da apresentação do projeto à CAPPesq”, afirma Euclides Castilho, seu presidente à época e professor titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP. “Vejo como uma situação grave. Demonstra conflito de interesse flagrante. Fere a resolução 196/96 da Conep.” Conep é a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. É uma comissão do Conselho Nacional de Saúde. Seu princípio maior é o controle social, a defesa da sociedade.  

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Professor Euclides Castilho, Fernanda Giannasi e Eliezer de Souza: encontro na Faculdade de Medicina da USP para se solidarizar com o ex-presidente da CAPPesq e solicitar seu apoio para apuração das denúncias.

 
“A conduta deles é muito típica de médicos financiados pela indústria”, observa Geoffrey Tweedale. “Nomeie um país onde isso não tenha acontecido. Não existe!”

Laurie Kazan-Allen compara o caso à situação na Índia: “A vergonhosa situação da comunidade médica na Índia em relação aos trabalhadores do setor do amianto é bem parecida ao escândalo dos pesquisadores brasileiros que receberam financiamento da indústria do amianto para fazer pesquisa que, convenientemente, mostrou que a crisotila brasileira não é perigosa”. Semana passada, em conjunto com vários colegas indianos, Laurie lançou, simultaneamente, em Bombaim e Amsterdã o livro India’s Asbestos Time Bomb (Amianto, uma Bomba Relógio na Índia). Coincidentemente, um relatório que, entre outras bombas, condena médicos indianos por acordos secretos com a indústria local do amianto.

 “Como esses médicos conseguem dormir, sabendo que estão agindo contra nós, trabalhadores?”, indigna-se Eliezer de Souza, presidente da Abrea, contaminado pelo amianto. “É muita desumanidade, irresponsabilidade e falta de ética.”

“As denúncias publicadas pelo Viomundo mudaram a história no Brasil. São um divisor de águas: antes e depois delas”, afirma Fernanda Giannasi, símbolo da luta contra o amianto no País. “Muita gente foi enganada por esses médicos da indústria travestidos de pesquisadores neutros e professores éticos das nossas mais importantes universidades.”

“Os juízes, ao lerem um relatório deles, aceitavam-no como a grande verdade científica. Os trabalhadores acreditavam que estavam sendo encaminhados a médicos ilibados de faculdades da maior credibilidade. Políticos os reverenciavam assim como a imprensa nacional que, antes de publicar qualquer queixa nossa, ia ouvir essas ‘autoridades médicas’”, ilustra Fernanda Giannasi. “Agora, está provado que nem os médicos nem as pesquisas deles são isentas. Ao contrário. A pesquisa é um relatório feito sob encomenda para a indústria do amianto. Eles macularam a imagem de suas instituições, que acabaram legitimando as teses da segurança do uso da crisotila no país e sua inocuidade à saúde pública.”

CREMESP ABRE SINDICÂNCIA.  USP PROMETE APURAÇÃO ISENTA

Baseados nas reportagens Aldo Vicentin, mais uma vítima do Amianto e Médicos disseram que Manoel estava bem de saúde. Mas ele tinha câncer no pulmão, publicadas pelo Viomundo, a Abrea solicitou ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e às instituições envolvidas a apuração das denúncias.  A Abrea representa milhares de vítimas do amianto no País, organizadas em seis estados da nossa federação -- São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Goiás e, mais recentemente, Minas Gerais.

 “São fatos graves que estão sendo denunciados”, diz o médico Henrique Carlos Gonçalves, presidente do Cremesp. “A luta dos trabalhadores expostos ao amianto é perfeitamente correta do ponto de vista social. E o Cremesp, além de ser um órgão de fiscalização do exercício da Medicina, é historicamente comprometido com as lutas sociais.” O Cremesp abriu imediatamente a sindicância nº 096142.

 
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Na USP, a denúncia foi feita diretamente ao diretor clínico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina, o professor José Otávio Auler Jr. O alvo é o professor Mário Terra Filho, chefe do Ambulatório de Pneumologia Ocupacional do Incor, subordinado ao HC-FMUSP. Rapidamente, o doutor Auler criou uma comissão de averiguação para apurar o caso; ela tem até 18 de outubro para apresentar suas conclusões. “A apuração será isenta, neutra”, promete.



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Dr. Henrique Gonçalves, presidente do Cremesp, e Eliezer de Souza, presidente da Abrea.


 
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Professor José Otávio Auler Jr, diretor clínico HC-FMUSP


Na Unicamp, a denúncia foi encaminhada à coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas, a professora Carmen Sílvia Bertuzzo. O alvo é Ericson Bagatin, professor de saúde ocupacional. “Abrimos uma sindicância para apurar esses fatos; estamos no meio dessa averiguação”, informa a professora Carmen. “Assim que terminarmos, encaminharemos nosso parecer final.”

“Esse projeto de pesquisa não passou pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unifesp”, diz o seu coordenador, o professor José Osmar Pestana Medina. “A questão está sendo discutida no âmbito da USP e do Conselho Regional de Medicina.” O alvo é Luiz Eduardo Nery, professor de Pneumologia.

CERTIDÃO DE ÓBITO DE MANOEL: AMIANTO NÃO APARECE. “MEDO”.

A reportagem Manoel estava bem de saúde. Mas ele tinha câncer no pulmão foi publicada no dia 14 de julho. Em 6 de agosto Manoel de Souza e Silva Júnior, 64 anos, faleceu em decorrência de um câncer de pulmão causado por amianto e cigarro. Trabalhou na SAMA de agosto de 1982 a novembro de 1996.

 “Está muito difícil. A gente sente bastante falta do Manoel”, chora a esposa, dona Maria Lúcia, que em agosto completaria 45 anos de casamento. “A minha vida se foi.”

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“Na última vez em que o Manoel foi ao escritório da SAMA fazer exame, tinha biscoito, lanchinho”, relembra. “O Manoel disse: ‘querem comprar a gente com isso’. Estava inconformado, enfurecido. Tinha perdido um amigo, o Ildo, que trabalhava no escritório e morreu de câncer do pulmão. Disseram que era porque fumava demais. O Ildo nunca pôs um cigarro na boca e ainda falava para todo mundo não fumar!”

“Nesses anos todos, aquela cambada de safados da SAMA e os médicos ficaram impunes. Não imaginavam que um operário fosse abrir o bico”, fala já com orgulho. “Agora, quero que todos paguem, inclusive os médicos da Junta Médica. Não só pelo o que fizeram com o Manoel, mas por todos os operários que foram vítimas do mesmo esquema.”

“Bem no fim, quando tinha apenas alguns momentos de lucidez, o Manoel pediu para mim e os sete filhos: ‘Não larguem a luta. Vão até o fim’”, emociona-se. “Nós iremos!”

“Em Goiás, o medo de represálias da SAMA é tamanho que a palavra amianto não aparece na certidão de óbito do meu pai”, revela a filha Lúcia de Souza e Silva Marques, a Lucinha. “E isso apesar de apresentarmos o laudo do doutor Ubiratan de Paula Santos, da disciplina de Pneumologia da Faculdade de Medicina da USP, atestando que o câncer de pulmão foi causado pelo amianto e pelo cigarro.”

“Nós insistimos para que constasse a palavra amianto”, enfatiza Cláudia de Souza e Silva, outra filha do senhor Manoel. “O mais próximo que a médica chegou foi fibrose pulmonar, que é um problema que pode ser causado pelo amianto.” No caso do amianto, essa fibrose é denominada asbestose.

 

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“Inegavelmente, há um conluio, envolvendo os médicos da Junta Médica e o ‘doutor’ David Bernstein, para ocultar os casos de doenças relacionadas ao amianto e contribuir para a invisibilidade delas no País”, arremata Fernanda Giannasi.“A ‘ausência’ de doentes e de estatísticas adia o debate para o banimento da fibra cancerígena. Sob o pretexto de haver dúvidas se o amianto brasileiro goiano é realmente nocivo, nossos políticos se esquivam de pôr fim a esta tragédia ecossanitária sem precedentes na história industrial moderna. A dúvida é produto deles, não nosso. Nós temos certeza. O amianto mata!” 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Amyra El Khalili (04/10/2008 - 10:53)
Para aqueles que ainda não conhecem a história da nossa gloriosa FERNANDA GIANNASI, separo um trecho. "Acreditamos que a história destas Mulheres, suas trajetórias têm o mérito desta premiação, bem como acreditamos que o gesto de indicá-las para nós deste Movimento de Mulheres pela P@Z!, constitui num reconhecimento público e um prêmio tão ou mais importante que a comenda em si.

Estas Mulheres defendem o meio ambiente, suas comunidades em diversas frentes inúmeras vezes, com suas vidas em risco como se inscreveu na lista de Mulheres Mártires Ambientalistas a nossa homenageada, Irmã DOROTHY STANG, brutalmente assassinada quando muitos destes algozes ainda continuam impunes.

Muitas dessas Mulheres sofreram ou ainda sofrem discriminação étnica, religiosa, sexual, ideológica e em muitos casos foram ou ainda são caluniadas, difamadas e ridicularizadas apesar de seus esforços, de seus poderosos currículos, mesmo sendo premiadas e reconhecidas internacionalmente superando enormes desafios para serem respeitadas como profissionais e humanas que são.

Destas Mulheres exigem mil vezes mais, mas muito mais e, quando há o mínimo deslize, uma pequena falha, são perseguidas e duramente reprimidas.

O trabalho destas Mulheres, suas causas personificadas nesta caminhada coletiva por um bem maior , transcendem a questão de gênero na mais pura essência conceitual ao defenderem com suas vidas o meio ambiente e suas comunidades para homens e mulheres em quaisquer campos, seja da ciência, economia, justiça, educação, saúde, entre outros.

São Mulheres muito diferentes entre si, mas idênticas ao acolherem os anseios da sociedade como um todo com a "feminística" da questão de gênero para o olhar holístico. Por serem também Mulheres sofrem o que sofrem, principalmente.


Seus nomes se inserem neste seleto grupo de Mulheres que terão de nossa parte suas indicações ao Prêmio Bertha Lutz edição 2007 como um gesto simbólico na construção da Paz e dos preceitos da Convenção Universal da Diversidade Cultural, pois somos cientes que para essas Mulheres o seus maiores prêmios serão efetivamente suas causas realizadas. " Fernanda Giannasi é uma delas! Há de se ter respeito e permitir que Fernanda trabalhe sem pressões, intimidações, ameaças e acusações infundadas seja de quem for, POR UM BEM MAIOR!

Orlando Junqueira (04/10/2008 - 06:46)
Rodovias Dom Pedro e Ayrton Senna e Familia Covas:Todas estradas do estado de São Paulo foram entregues à concessionarias vencedoras (?) de licitações. Todas não.
Nas rodovias Don Pedro e Ayrton Senna o processo foi diferente: há mais de dez anos a firma TEJOFRAM recolhe o pedágio nessas rodovias , atuando na prática como concessionária para o quezito "polpuda arrecadação". A Tejofram pertence a um filho do finado Mario Covas. Prá mim teve trambicagem grossa nesse negócio, estou errado ?

Wellington Goiânia-GO (03/10/2008 - 22:48)
Eu já tive oportunidade de ir a fábrica da Eternit aqui em Goiânia, onde eles processam o amianto vindo de Minaçú-GO. Eles desenvolvem um programa denominado PORTAS ABERTAS. Eles recebem principalmente escolas, e exibem vários videos falando dos usos do amianto, fazendo paralelos entre o crisotila e um outro que eles dizem ser altamente perigoso e que não exploram - me foge o nome, e fala desse termo "bio-persistência". Mas lá na Eternit não citam quem elaborou a pesquisa, e muito menos quem pagou a pesquisa e que reconhecimento tem esse "cientista" na comunidade dos estudiosos. Faz parte da estratégia deles espalhar essa teoria do amianto bonzinho e utilizar a população como massa de manobra. A Eternit fala em responsabilidade ambiental, investimento na qualidade de vida do trabalhador, mas fica evidente que ela não está aí muito preocupada com o bem-estar social. O lobby da Eternit é forte também na imprensa local, nem acreditei direito lendo a denúncia. Onde tem um lobby muito forte é no governo da cidade de Minaçu, que apesar das duas usinas hidrelétricas que possuí - Cana Brava e Serra da Mesa, tem sua economia baseada na mina de amianto e por parte do governo de Goiás. Só para se ter idéia em Goiás tem se três unidades do grupo Eternit, a SAMA, a Eternit de Goiânia e a Precon em Anapólis. Elas são interessantes para os governantes dizer que protegeram elas principalmente durante a eleição.

Manuel Calandrine (03/10/2008 - 15:28)
Não li nada sobre a Brasilit, que também produz telhas de amianto. Ela tem uma fábrica aqui em Belém do Pará e é estranho que nesta cidade não exista nenhuma vítima de amianto, e em consequência, talvez, nenhum braço da ABREA. Aproveito para perguntar a quem souber responder: as telhas de amianto da Brasilit não possuem a assassina crisotila?

Neury (03/10/2008 - 15:08)
POR ESTAS E POR GILMAR MENDES, DANIEL DANTAS E OUTROS É QUE TENHO VERGONHA DE SER BRASILEIRO! MEU DEUS EM QUE PAIS O MEU FILHO FOI NASCER!

Fátima-Bahia (02/10/2008 - 20:13)
Azenha,
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SENADOR DE GOIÁS FOI A MENDES TRATAR DE FÁBRICA DE AMIANTO
(...) O editor do Conversa Afiada Givanildo Menezes conversou com Isanulfo Cordeiro, assessor de imprensa do senador Marconi Perillo, também de Goiás, como Demóstenes Torres, porque soube que, na última hora, Demóstenes não foi ao encontro do Supremo Presidente, mas, sim, Marconi Perillo.

. Givanildo Menezes perguntou a Isanulfo Cordeiro por que Marconi Perillo queria encontrar o Presidente Supremo.

. Isanulfo Cordeiro respondeu que o motivo era tratar da indústria do amianto na cidade de Minaçu, no norte de Goiás.

. Segundo Isanulfo Cordeiro, o amianto de Minaçu não faz mal à saúde.

. Givanildo perguntou a Isanulfo Cordeiro se a matéria seria proximamente apreciada pelo Supremo.

. Isanulfo Cordeiro respondeu que sim.(...)www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=704

sonia soares (02/10/2008 - 18:30)
excelente Azenha, era só prá dar os parabéns...e se puder veja essa história da monsanto também, tá?

João Bravo (02/10/2008 - 17:07)
Dizem ex agentes da CIA, que se você distrair a atenção de uma multidão, fazendo desfilar uma mulher nua a sua frente, consegue passar por trás, sem ser percebido, com um elefante.Falei aqui na falta de justiça,pois bem, para fazer justiça tenho que confessar que agora que percebí,que está havendo um movimento elogiavel por parte do STJ,que começa a se posicionar em favor do povo.Não sei qual o motivo desta mudança, mas está acontecendo.Creio que em muito breve, teremos pessoas e empresas, contumazes no ilicito, punidas com altas indenizações.Espero que fique bem resolvida esta questão, que se declare o amianto, assim como o fumo e tantas outras coisas, altamente cancerigenos e logo logo, vamos ver o fim desta ganância desenfreada.

Azarias (02/10/2008 - 17:05)
Que país de M.

Claudião (02/10/2008 - 12:15)
Amianto, nicotina e outros quetais :
È melhor morrer no longo que ficar desempregado no curto prazo.

Fernando (02/10/2008 - 09:25)
Indiana, essa informação é de conhecimento de todos, foi bastante noticiada pela Folha de São Paulo e por entidades ambientalistas, mas a mobilização não adiantou de nada. O nome do sujeito é Beto Ferreira Martins Vasconcelos, ele representou a Monsanto entre 1998 e 2002. Depois foi contratado pela Dilma para ser sub-chefe adjunto para assuntos jurídicos da Casa Civil, e preparou o texto do decreto que regulamentou a Lei de Biossegurança.

henry (02/10/2008 - 05:37)
Azenha veja qui coisa: Agora pouco eu sonhei que havia ganho uma mamatinha(pequeninha mesmo)num DOB ( depto oficial de burocracia), o salário era até que pouco, mas eu num precisava fazer nada e tinha uma chefe bacana que deixava eu fazer todos os meus bicos durante o expediente.
Acordei e tomei um choque de realidade.
Inda por cima arriou a bateria da kombi!

indiana (01/10/2008 - 18:11)
Que bom que existem pessoa como a Conceição para denunciar esses quadrilheiros. Fernando, se tem informação que a D. Dilma contratou advocado da Monsanto para redigir a legislação sobre biosegurança, por favor denuncie. Isso é muito sério.

marlon (01/10/2008 - 14:04)
Complemento ao comentário anterior: claro, a bancada levou consigo ao encontro o representante da Eternit.

marlon (01/10/2008 - 14:01)
Azenha,
em Goiânia, há alguns dias atrás, uma pequena nota no mais importante jornal local noticiou o encontro de dois senadores e um deputado federal da bancada goiana com o presidente do STF para discutir (contra) a proibição do amianto. Segundo a nota, o presidente do STF sugeriu aos parlamentares encontro individual com todos os membros do Tribunal.

Marcia Costa (01/10/2008 - 13:41)
Gente, desde de 1997 conheço o problema do amianto através de um médico pneumologista da UFRJ - Dr. Alberto. Eu acreditava que este assunto já havia sido superado e que não havia mais amianto no Brasil! Isso é um crime! Eu tive a tristeza de conhecer trabalhadores prejudicados pelo amianto. Por Deus, voces não têm idéia da degradação na saúde de uma pessoa que isto provoca. Parabéns ao site por divulgar este crime de lesa-humanidade. Peço que seja divulgado quais os produtos que utilizam amianto para que eu não mais contribua para este genocídio.

FERNANDA GIANNASI (01/10/2008 - 11:45)
LOARAN(É NOME, SOBRENOME OU PSEUDÔNIMO?)
É bom deixar claro definitivamente que a bandeira do banimento do amianto não é e nunca foi da Saint-Gobain ou de qualquer empresa ex-amianto. É uma bandeira exclusiva do movimento social em todo o mundo. Como você tão bem disse, a Saint-Gobain francesa(dona da marca Brasilit) já foi controladora da Eternit e estiveram juntas até alguns atrás se opondo a nós e fortemente a qualquer tentativa de se banir o amianto ou aprovar leis que o restringisse. Inclusive, como conhecedor "profundo" do tema, sabe que fui processada várias vezes pelo grupo francês, tanto civil como criminalmente, diretamente ou através de seus prepostos/associados/ parceiros. Eram todos empresários unidos contra nós! Depois veio um divórcio litigioso e como em todos vem a lavação de roupa suja. A briga deles não interessa ao movimento social, com exceção de que agora eles estão mais enfraquecidos, o que diminui a pressão sobre nós e as vítimas do amianto. Não podemos dizer que são aliados, mas o fato de não estarem mais juntos, como já disse, para nós é ótimo. Menos gente para encher o nosso saco. Ninguém reclamava deles(nem você, pelo que me lembro deste nome ou pseudônimo Loaran, nestes tantos anos em que estiveram juntos contra nós). Somente agora que estão separados e brigando entre si, é que aparecem as viúvas do amianto,lamentando este divórcio. Para nós, torcemos que continuem assim e nunca se reconciliem, deixando-nos trabalhar em paz pelo bem da humanidade.

Luiz Carlos Azenha (01/10/2008 - 11:36)
Caros amigos, apenas para lembrar aos que estão chegando agora que este site é como se fosse o meu trabalho voluntário. Não ganho um centavo com ele. Nem de real, nem de dólar. Aos que eventualmente perdem tempo tentando tumultuar o ambiente, saibam que eu sei discernir exatamente a fronteira entre o debate acalorado -- que incentivo -- e ataques gratuitos e outras nóias. Aos que praticam estes, sugiro não perder tempo. É aquele 0,5% que nasceu para confundir.

FERNANDA GIANNASI (01/10/2008 - 11:22)
Caro José Carlos e demais internautas que têm interagido neste salutar debate do amianto, embora a fibra cancerígena não tenha nada de "salubre"; pelo contrário é chamada a fibra assassina ou, como os trabalhadores se referem, a fibra do diabo. O informe publicitário que você ouviu na Band News é tipicamente a antecipação do desespero, sabedores que são de matérias que devem ser veiculadas pela TV Bandeirantes e associados, cujas chamadas foram veiculadas no final de semana passado. O lobby do amianto tem muito dinheiro para gastar porque este msmo informe foi publicado em revistas semanais de grande circulação há 20 dias, mais ou menos, como Veja, Época e Isto É.
Como tão bem dizem os americanos "eles têm o melhor que o dinheiro pode comprar"!

Ademar (01/10/2008 - 11:00)
Parabéns Azenha!

José Carlos (01/10/2008 - 10:15)
Hoje, dia 1.º de outubro, quando me dirigia para o trabalho aqui em Brasília eu ouvia a band news no carro. No intervalo comercial surgiu um informe publicitário falando dos benefícios do amianto para o crescimento do país, que ele é utilizado nos EUA, Europa e ainda que ele só foi maléfico para os que o manipulavam até o ano de 1980. Destacou-se, também, no informe, que os problemas de saúde daqueles que inicialmente trabalhavam com amianto foi o mesmo caso que ocorreu com aqueles que operavam máquinas de raio-x, que adoeceu uma série de pessoas em seu período inicial pelo uso incorreto da radiofreqüência. Deve ter sido um spot de 1 minuto, com o mais puro lobby. Como não acredito em coincidências, parabenizo o Azenha pelo site e pelo trabalho jornalistico.

João Bravo (01/10/2008 - 09:47)
Azenha,desculpe-me por postar algo fora do assunto, mas achei importante.O movimento de combate a corrupção está colhendo assinaturas para um projeto de iniciativa popular visando barrar a candidaturas dos politicos fichas sujas.Não é digital, ou seja, tem-se que imprimir e depois remete-lo pelo correio. www.lei9840.org.br/iniciativapopular.htm ou fazer busca no google por MCCE.

Wilson Roberto Caveden (30/09/2008 - 17:31)
Meus cumprimentos pelo belo trabalho de Conceição Lemes. Aproveito para saudar o trabalho de Fernanda Giannasi, uma guerreira que há décadas combate esses falsários. Tive oportunidade de atuar junto a ela e me orgulho de saber que existem pessoas de sua qualidade e ousadia. Parabéns Fernanda e certamente você já é vencedora em seu objetivo que é para a coletividade e não para você.

Fernando (30/09/2008 - 09:53)
Isso é tão lamentável quanto a Dilma ter contratado o advogado da Monsanto pra fazer a legislação de Biossegurança do Brasil. Mas se eu criticar vou ser chamado de demo-tucano, psolista, leitor da Veja e etc.

antonio (29/09/2008 - 21:58)
Parabéns a corajosa reportagem apresentada neste site! é de Jornalistas investigativos deste naipe que precisamos para coibir a sanha dos grandes grupos econômicos que mandam e desmandam neste país.

Suely F. Mello (29/09/2008 - 18:49)
Conceição Lemes merece todo nosso carinho, por sua luta e coragem. Mas confiar nas SSCRISMAP SÓ LOUCO. Eu sei o que estou falando.

Leider Lincoln (29/09/2008 - 18:44)
É mesmo, Azenha, venha filmar as "doideras" que existem em Goiás. E passe por aqui: meu pai faz o melhor frango caipira do estado! :)

luzete (29/09/2008 - 18:01)
Parabéns Conceição. Parabéns Azenha. Um trabalho digno. Coisa de gente GRANDE. MUITO grande. Jornalismo investigativo e ponto final. Tenho certeza que o Brasil dos justos agradece.

Marcelo Conti (29/09/2008 - 17:21)
Quantos e quantos "especislistas", pagos a peso de ouro não vêm aqui difundir seus ideais financeiros e nos arrancam uma enorme grana enfiando-nos goela abaixo, suas mentiras e suas falácias. Quantos e quantos gringos, só de ter nome ou sobrenome de país rico, já chegam aqui sem ter que apresentar seu currículo... Fiquemos atentos, pois...

Athos Rache (29/09/2008 - 16:56)
Excelente reportagem.

Me parece incrível a facilidade com que o poder econômico distorce os fatos.


Everton, de Belo Horizonte (29/09/2008 - 16:32)
Por mais que saibamos do quadro terrível provocado pelo amianto, é impressionante vermos que a realiade é muito pior. Existem máfias, organizadas, que sufocaram a verdade pro muitos anos e pior, continuam sufocando. Empresas como a Eternit e Souza Cruz deviam ser responsabilizadas por assassinato em massa. Essas empresas são verdadeiros campos de extermínio e as pessoas contratadas por elas, para sufocar a verdade, são verdadeiros operadores de câmaras de gás.

Loaran (29/09/2008 - 15:46)
Acho uma boa o assunto do amianto estar no viomundoteve. Acho que a denuncia abre a porta para um rosário de outras denuncias em relação ao que fazem os grupos economicos e seus "objetivos maiores" em detrimento a vida.
A denuncia de mostrar um profissional que fêz um discurso "comprado" é importante mas não aprofunda a questão. Por que a entidade dos atingidos pelo amianto e seus técnicos não falam do grupo internacional que comandou por mais de 60 anos o amianto no Brasil? Por que só falam de quem ainda usa o amianto que é a Eternit ? A entidade dos atingidos e doentes e em especial os técnicos que sempre estão na mídia ou em algum projeto acadêmico, devem sim perguntar ao grupo Saint Gobain quem foi "comprado" mas, devem perguntar também quem eles estão comprando agora pois, na época do auge da campanha do banimento do amianto, o grupo financiador pró amianto fêz o que fêz e agora o que faz ? Esta é a pergunta focal que deve ser perseguida pois, este grande grupo agora, depois de mais de 60 anos do lado do amianto ( $$$$ ) agora financia o banimento dele. Dá para entender ? Além dos lutadores das entidades dos trabalhadores pró saude e segurança a favor do banimento, o viomundoteve sabe que é o grupo francês Saint Gobain um dos maiores financiadores atuais das campanhas do banimento do amianto crisotila no Brasil ? Além desta incomoda situação , quem eles estão financiando agora ? Quais os interesses atrás desta polêmica ?

Garcia (29/09/2008 - 15:16)
Caro Azenha por se falar em contaminação por amianto (asbesto), não é proibida a sua fabricação e comercialização em todo o estado de São Paulo?
Se assim for porque é que continuamos a encontrá-lo em casa de materiais de construção?
Será que há o dedo da "Industria Brasileira do Amianto" por trás da falta da fiscalização do produto!

Leider Lincoln (29/09/2008 - 13:48)
Fernanda, muito obrigado. Desta eu não sabia... Jurava que o mal vinha do tório e das terras raaraas raadioaativas ou dos resíduos do ácido clorídrio e fluorídrico usado na extração do fosfato da apatita...

Ivan Moraes (29/09/2008 - 12:35)
(((Off topic: Carissima Conceicao, me perdoe se dei a impressao que estava contra sua reportagem ou contra suas afirmacoes no meu comentario previo. Eu estava numa tangente muito especifica e nao notei que poderia ter dado essa impressao. Sou, e sempre fui, contra a acao de lobbies porque eles sao pagos pra cercarem seus alvos de projecoes de um futuro rosado numa cama de flores, e se o efeito sobre a populacao eh altamente negativo... dane se. Era nessa tangente que eu estava. O efeito imediato do lobby vai ser no preco dos telhados. Eh obvio que existem perigos de saude associados ao amianto que a industria nao aceita. Nao nego isso, esta provado, mais que provado!)))

João Bravo (29/09/2008 - 11:00)
Gosto de ter pensamentos radicais,ou seja de raiz.Pelo menos me esforço.Sempre lutei por justiça porque sei que ela é a unica arma contra a violência,tanto fisica como econômica.Ontem ví na Record uma quadrilha super armada, na delegacia, seus integrantes riam as bicas.Sabem eles,que seus protetores nas altas cortes não os deixarão na mão. O poder economico a muito consegue com a desculpa do "enriquecimento ilícito" dar sustenção as decisões absurdas do STJ, em manter à distância o "punitive demages",para isso não mede esforços,ou seja a justiça não pune com altissimas indenizações como deveria fazer.Bastaria a justiça mandar recado:-Querem fazer que façam,mas saibam que nenhuma indenização se for o caso, será inferior de R$ 50.000.000,00.Alguem aí acha que o amianto, ou o trabalho desumano em minas de carvão ou a venda de cigarros continuariam?

Marco Antônio Leite (29/09/2008 - 09:11)
A indústria brasileira não produz somente bens de consumo de massas, ela também fabrico milhares de mortos e doentes graves em função do amianto, máquinas da idade da pedra e, principalmente da corrupção que existe nos meios trabalhista e da medicina trabalhista, com a omissão do Estado. É só verificar a quantidade exorbitante de acidentes e doenças profissionais que ocorrem todos os anos no país, fora os que são escondidos das estatísticas oficiais.

Otaciel de Oliveira Melo (29/09/2008 - 06:54)
O problema nº 1 da humanidade: existe muita gente disposta a fazer qualquer coisa por dinheiro, em todas as profissões ou na falta de uma delas. O impressionante disso tudo é que os lobistas ("médicos" e pesquisadores picaretas) da indústria do amianto nunca vão presos quando são desmascarados; parece que nem mesmo nos Estados Unidos que, segundo muitos brasileiros, é um "país sério". Agora, vocês imaginem a irresponsabilidade dos "pesquisadores" empregados da indústria bélica, a mais poderosa e destruidora do mundo. E ainda tem gente que acredita na humanidade.

Boletim 1462 [BECE-REBIA] TV Bandeirantes e o site VIOMUNDO (29/09/2008 - 00:17)
O SITE VIOMUNDO APRESENTA MAIS UMA REPORTAGEM INÉDITA E BOMBÁSTICA SOBRE O AMIANTO. SOB O TÍTULO PERITO "SUIÇO" EM AMIANTO FOI PAGO PELA INDÚSTRIA BRASILEIRA DO AMIANTO DA JORNALISTA CONCEIÇÃO LEMES NOVAS REVELAÇÕES SOBRE O "ESQUEMA MILIONÁRIO" QUE MOVE O LOBBY DO AMIANTO NO MUNDO.



A TV Bandeirantes produziu uma série especial de 3 matérias sobre o amianto no Brasil e suas conseqüências sobre a saúde humana e o meio ambiente, que irá ao ar a partir da próxima segunda-feira (29/9/2008) no Jornal da Band a partir das 19 horas. A chamada de ontem à noite mostra a grave situação que vive a população de Bom Jesus da Serra, na Bahia, onde funcionou a primeira mina de amianto do país.

O passivo socioambiental dali é algo impressionante e pior é o abandono em que vivem os ex-empregados de uma empresa, que por lá explorou o mineral cancerígeno por quase 40 anos; passivo este de responsabilidade da empresa ETERNIT, cujos principais acionistas são o Fundo de Pensão do Banco Central (CENTRUS) e o Fundo de Participação Societário do BNDES. Hoje só restam escombros,

resíduos/lixo/amontoado de pedras, doentes e viúvas por toda a parte.



Tenho certeza e esperança que isto contribua ainda mais para fortalecer a nossa luta pela erradicação do mal industrial do século XX - a catástrofe ecossanitária-, que ainda está silenciosa em nosso país, escondida por mecanismos perversos que pouco a pouco vão sendo desvendados ao grande público. Com certeza, estes patrocinadores deste imenso vazio ou silêncio epidemiológico não passarão impunes para a história.



Portanto, não percam estas reportagens especiais de Eleonora Paschoal que, para nós, são uma raridade num canal aberto de TV e que trará muitas novidades de interesse a todos que militam na área de saúde, trabalho, meio ambiente, direitos humanos, ambiental e do consumidor.



Amanhã o Itamaraty, a partir das 15 horas, vai ouvir a sociedade civil sobre a decisão que o governo brasileiro deve apresentar em outrubro deste ano em Roma na COP4, dentro dos quadros da Convenção de Roterdã, sobre a inclusão do amianto crisotila na lista para PIC-Consentimento Prévio Importado, onde os países importadores terão de aceitar o amianto, informado pelos países produtores de seu risco, que só poderão exportar sob consentimento daqueles de que estão devidamente informados dos riscos asociados ao agente tóxico. Por Fernanda Giannasi - Amyra El Khalili, Movimento Mulheres pela P@Z!

Ivan Moraes (29/09/2008 - 00:15)
"Hoje, diferente do que ocorreu no passado, não há nenhum risco para os trabalhadores, que aderiram ao uso controlado e responsável, assim como para a população que utiliza produtos que contém o crisotila e o mundo precisa saber disso (sic)": se o amianto usado no Brasil fosse tao prejudicial assim, BH, uma cidade aonde voce nao pode abrir os bracos no centro sem ver 3 ourives trombarem em voce, teria taxas altissimas de canceres relacionados ao amianto: nao tem. Que aconteceria com os TRABALHADORES de minas aonde o amianto eh tirado eh muitissimo mais provavel. Vai com o trabalho se o trabalhador nao tiver protecao adequada. Mas o que fizeram com a prohibicao de telhas, mais precisamente, o que fizeram com a Eternit, eh um absurdo! Ninguem ainda me respondeu quanto custa hoje a telha de amianto. Se o lobby ganhar, pode esperar o preco de colocar telhado numa casa quintuplicar em 5 anos. Eh pra isso que lobbies foram criados.

FERNANDA GIANNASI (28/09/2008 - 23:39)
Lieder,
Você está totalmente correto em relação ao deputado e também sobre a preocupação com a sua cidade.
O minério vermiculita extraído aí está contaminado com um tipo de amianto, anfibólio, já proibido no país desde 1991 pela legislação trabalhista e desde 1995 pela lei 9.055.
Foram analisadas amostras da vermiculita daí e encontraram o amianto anfibólio, proibido em nosso país. Pela lei estadual de São Paulo (12.684/2007)a vermiculita com anfibólio está proibida de ser utilizada.
Uma grande contaminação por amianto no estado de Montana nos Estados Unidos na cidade de Libby provém justamente da vermiculita minerada naquele local pela W.R.Grace. Há muitos processos de vítimas em curso contra tal empresa.
Fiquem atentos aí em Catalão (Goiás) com a população exposta ocupacional e ambientalmente.

Leider Lincoln (28/09/2008 - 21:55)
Eu sou de Goiás e Catalão, a cidade em que moro, também pode ser vítima de mineradoras. Anotem o nome do defensor mor do amianto na Câmara: Carlos Alberto Leréia, do PSDB.



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