VIOMUNDO

Paulo Pimenta: Ao romantizar estupro, Ligações Perigosas incita o crime e endossa ideias retrógradas sobre a mulher

10 de janeiro de 2016 às 14h55

Estupro - relações perigosas

A MORAL SELETIVA DA REDE GLOBO

Paulo Pimenta, em sua página no Facebook

Essa semana a Globo levou ao ar uma cena de estupro na minissérie “Ligações Perigosas”. Ao contrário do que acontece nas ocasiões em que um beijo gay é mostrado nas telas – o que ocorreu pela primeira vez na emissora apenas em 2014 -, a maioria das pessoas não está escandalizada. E por que as pessoas ficam horrorizadas com uma cena de afeto entre homossexuais e não se incomodam com o estupro na TV? Porque têm moral seletiva, assim como a emissora que, com certa frequência, leva o abuso ao ar mas tem muita cautela ao transmitir o amor entre casais do mesmo sexo.

A minissérie é baseada no romance do século XVII “Les liaisons dangereuses”, de Choderlos de Laclos. Na história, Augusto entra no quarto de Cecília, e mesmo com os pedidos da moça para que ele vá embora, insiste em ensiná-la a dar um “beijo de verdade”. Depois do beijo, Cecília ameaça gritar para que Augusto deixe seu quarto. Ele tampa sua boca e inicia o ato sexual não consentido: o estupro. Durante o ato, Cecília é retratada como sentindo prazer.

Além de mostrar uma cena perturbadora de estupro, a Globo ainda tratou de romantizá-la. Apesar de a moça ter deixado claro que não consentia com a relação sexual, a emissora mostra que, no final das contas, ela sentiu prazer. A história original também é assim. Mas, fica a dúvida: por que, então, tantas décadas estudando se ia ou não mostrar um beijo gay e nenhum pudor ao mostrar um estupro? Talvez porque essa cultura patriarcal e do estupro, que viola, mutila e tortura mulheres todos os dias – física e psicologicamente – seja mais aceitável para as famílias tradicionais brasileiras e para a grande mídia do que o amor entre pessoas do mesmo sexo.

Não vamos permitir que esse tipo postura da Globo passe sem críticas. A violência contra a mulher em suas diversas formas é uma realidade latente que vitima todas as brasileiras em algum momento, seja pelo assédio no rua, pela violência doméstica ou pelo estupro. Romantizar isso é uma atitude que incita o crime e endossa todas as ideias profundamente retrógradas que existem sobre a submissão da mulher. Machistas não passarão.

Paulo Pimenta é jornalista e deputado federal pelo PT-RS

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roberto

11/01/2016 - 19h32

Os retardados que ainda assistem a globo, só vão ficar escandalizados se tiverem uma filha estuprada, ou um filho que trouxer o namorado para passar a noite com ele, no quarto ao lado dos pais.

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Gerson Carneiro

11/01/2016 - 17h51

No facebook, espalha-se um boato sobre um suposto livro do MEC destinado a crianças com imagens de relação sexual. Encena-se uma pavorosa indignação. Mas sobre a cena de estupro exibida pela Rde Globo, nenhuma indignação. Silêncio total. Tudo recebido com a mais absoluta apatia.

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    Lukas

    11/01/2016 - 22h04

    Não houve silencio, não houve apatia. Leia as comentarios abaixo e pense qual será a opinião dos que nao comentaram uma noticia contra aGlobo num blog progreçista.

    Nesta, a Globo venceu, até aqui.

    Proximo!

    Fábio Lima

    12/01/2016 - 00h10

    “Falou” o bobo da corte de Viomundo !

Preocupado-rj

11/01/2016 - 17h50

Deputado Paulo Pimenta. A cultura machista é a pior que todas as outras doenças sociais, porque é a mais opressora, a mais alienante, a mais depravada, a mais perversa e a mais doentia de todas as outras. Talves seja a ideologia mais antiga, porque tem como objetivo principal e único subjugar o gênero Mulher, justamente este Ser que é predestinado pela nossa Mãe Natureza para Gerar a Vida de todos os humanos, incluindo o gênero homem. Surgido em priscas eras por quem detinham, a ferro e fogo, os bens do capital, e também até hoje, eles sentiram a necessidade de criar um mecanismo perverso que tivesse o poder de subjugar todas as Mulheres. O principal mecanismo inicial foi a necessidade de criar “as religiões”. Estava assim e de maneira perversa e sutil incutir o doentio conceito do da inferioridade do gênero feminino. Acontece que o gênero homem desconhece até hoje que a Mãe Natureza não dá saltos e portanto quando o gênero homem contraria de maneira imbecil a predestinação dada á Mulher através da reprodução da Vida, ele mesmo passa a sofrer desvios comportamentais inumeráveis, e dentre eles o do “homossexualismo enrustido e a pederastia”, sem excessão. Freud, o criador da psicanálise, explica de maneira didática e errefutável este fenômeno dos desvios sexuais de tipos diversos e com características próprias em cada um. É como uma ferida escondida no interior de cada machista e que nunca cicatrizará, enquanto ele não perceber que esta doença social vem do fato de ele não valorizar a verdadeira importância do gênero Mulher sobre todos os outros Seres, incluindo o gênero homem, que é apenas um coadjuvante. Muito embora ele não perceba este fenômeno que é óbvio e ululante, tem como castigo carregar todos estes desvios comportamentais, todos eles, enrustidos até o fim de sua vida. Nelson Rodrigues sempre diz: “…se todos os homens conhecessem a intimidade sexual de cada qual, ninguém se falaria, e acrescenta ainda: “…se os fatos provam tudo isso, pior para os fatos”. É só!

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Rafales.

11/01/2016 - 13h03

Que ridiculo, Na obra original foi exatamente assim.

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lulipe

11/01/2016 - 12h31

A Globo deve adorar a imensa audiência dos esquerdopatas, nos blogs progressistas, seja lá o que isso signifique, gostam de posar que não assistem nada da Globo, mas na realidade sabem mais da programação do plim plim do que os mais assíduos noveleiros…Será que Freud ou Jung conseguiriam explicar essa neurose global???

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    roberto

    11/01/2016 - 19h36

    Essa informação, é apenas um desejo que isso acontecesse,nada mais, mas na verdade para assistir a globo tem que ser retardado, e só existem retardados na extrema direita fundamentalista, isso sim é um fato.

Sergio Ribeiro

11/01/2016 - 11h56

Como o próprio texto diz, o romance é do Século XVII, e a cena se passa no início do século XX. Há que se contextualizar o fato e suas implicações. Além do mais, tanto na série como no romance, como nos filmes e peças inspirados no mesmo, tanto o estuprador como a protagonista (Isabel, no original Marquesa de Merteuil), que incentiva a prática, são descritos como figuras pérfidas e amorais.

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    Tiamat

    13/01/2016 - 13h53

    No Brasil do início do século XX a situação da mulher vítima de estupro era bastante desfavorável, se observamos o ponto de vista da jurisprudência, medicina legal, religião, senso comum do povo…

EVANDRO

11/01/2016 - 10h42

Em “Toda Nudez Será Castigada”, o filho do protagonista é estuprado e se apaixona pelo agressor. Qual a diferença? Há que se considerar também qual o final do estuprador em tela, se será punido ou não.

Em tempo: odeio novelas e minisséries da Globo, Record, Bandeirantes, Tupi etc.

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    Claudionor de Medeiros

    11/01/2016 - 18h58

    Mas as da TV Exclesior e da TV Paulista você curte, né?

Otto

11/01/2016 - 10h16

Agora o Petismo e os blogs sujos querem pautar a produção cultural. E o funk com suas letras imundas, faz apologia do que?

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    roberto

    11/01/2016 - 19h39

    Uma coisa de cada vez. Se o assunto é novela, o foco é novela e os otários que assistem.

    Otto

    13/01/2016 - 13h50

    Então o funk não faz apologia do estupro também?

    Lukas

    11/01/2016 - 11h42

    Aconteceu, alguns já estão andando de quatro.

Lukas

10/01/2016 - 18h07

Obras do passado deverão ser reinterpretadas pelas ideias do presente.

Mais alguns anos de petismo e estaremos andando de quatro.

Responder

    Elisabeth

    10/01/2016 - 21h52

    Como tu?

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