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Patricia Faermann: Cardozo ataca suposta delação de Delcídio

03 de março de 2016 às 18h24

Cardozo - ABR

 Cardozo desconstrói suposta delação de Delcídio

QUI, 03/03/2016 – 17:10

ATUALIZADO EM 03/03/2016 – 17:51

por Patricia Faermann, no GGN 

Jornal GGN – “Se for uma delação premiada não sobrevive”, disse o ex-ministro da Justiça, em coletiva de imprensa posicionando-se de forma combativa sobre a suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). “Eu acho triste que isso aconteça. Tanto eu quanto a presidente Dilma Rousseff recebemos isso com indignação”, afirmou.

Divulgada pela revista IstoÉ, o referido depoimento do parlamentar informava que Cardozo supostamente ajudou a presidente Dilma em tentativas de interferir na Operação Lava Jato e na indicação de ministros de tribunais superiores para favorecer a liberação de acusados presos.

“A presidente Dilma nunca se reuniu com o Delcídio para decidir nomeação do Tribunal de Justiça. Isso eu posso falar seguramente, porque todas as reuniões que a presidente teve com representantes do Judiciário, eu participei de todas”, desmentiu.

Na coletiva, Cardozo afirmou que ficou “completamente decepcionado” com Delcídio, com quem admitiu ter mantido uma boa relação pessoal — descrevendo, por exemplo, que era chamado a assistir partidas de futebol juntos –, após “todos os episódios”, referindo-se à divulgação, em novembro do último ano, da fita com o áudio do parlamentar tentando anular as provas da Operação Lava Jato, que acarretou na prisão do senador.

“Ás vezes, a gente passa muito tempo sem saber como a pessoa é realmente. O Delcídio ficou oito meses como líder [no Senado]. Era competente, mostrava lealdade. Mas vendo como o Delcídio militava, na minha antessala, ele falava muita coisa. Me pedia também muita coisa. Obviamente, sem fato, sem representação, eu nunca fazia nada. Eu, como Ministro da Justiça, não poderia fazer nada”, disse Cardozo.

Com as recentes notícias de que Delcídio do Amaral negou o conteúdo divulgado pela revista IstoÉ, o agora advogado-Geral da União foi questionado se o governo não se antecipou antes da confirmação se era verdadeira a publicação do acordo. Cardozo respondeu que não. “Se sendo um esboço de delação, isso não é delação”, retrucou.

Cardozo explicou que, uma vez que a notícia envolvia o seu nome e o de Dilma, as suas informações já valiam como resposta para as publicações. Lembrou, ainda, que “a delação premiada é o ponto de partida, não é o ponto de chegada”.

Diante de todas as contestações, jornalistas perguntaram por quê, então, os procuradores aceitariam o acordo, se com uma rápida busca as declarações não se sustentariam, como informou o ministro.

“Com base na delação, se abre inquérito. [Esse suposto depoimento] não para em pé para nós que sabemos que não para. O procurador não sabe. Está se dando um peso judicial para delação que não existe”, afirmou. “O fechar de uma delação não significa culpabilidade”, completou.

Ainda assim, o ex-ministro da Justiça criticou duramente o ex-senador petista. “Ele está misturando fatos na tentativa de fazer a sua vingança. Delcídio visivelmente quer uma retaliação. No fundo parece que ele quer dividir um pouco do ônus com outros. Sinceramente, tem credibilidade o senador Delcídio do Amaral? Esse não será o cumprimento de uma ameaça?”, concluiu.

Desmentido

Enquanto a coletiva do Cardozo seguia, o senador Delcídio do Amaral soltou uma nota desmentindo que teria dado entrevista ao site consultado. O senador e sua defesa não confirmam a questão da delação premiada. Eis a nota na íntegra.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em respeito ao povo brasileiro e ao interesse público, o Senado Delcídio Amaral e a sua defesa vêm se manifestar sobre a matéria publicada na Revista IstoÉ na data de hoje. À partida, nem o Senador Delcídio, nem a sua defesa confirmam o conteúdo da matéria assinada pela jornalista Débora Bergamasco. Não conhecemos a origem, tampouco reconhecemos a autenticidade dos documentos que vão acostados ao texto. Esclarecemos que em momento algum, nem antes, nem depois da matéria, fomos contatados pela referida jornalista para nos manifestarmos sobre fidedignidade dos fatos relatados. Por fim, o Senador Delcídio Amaral reitera o seu respeito e o seu comprometimento com o Senado da República.

SENADOR DELCÍDIO AMARAL

ANTONIO AUGUSTO FIGUEIREDO BASTO

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Mauricio Gomes

03/03/2016 - 19h27

Das duas uma, ou a jornalista e namorada do Zé recebeu ilegalmente uma delação que deveria ser sigilosa, ou a mesma tirou esse factóide da cartola para vender mais exemplares da “QuantoÉ”. Nos dois casos, cabe processar ou o vazador ou a mentirosa, não pode deixar para lá com bundamolismo (apelidado de republicanismo).

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