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O médico e o fabricante de drogas

Atualizado e Publicado em 14 de outubro de 2008 às 18:00

Um dos mais influentes psiquiatras dos Estados Unidos recebeu mais de 2,8 milhões de dólares em "consultorias" de fabricantes de drogas entre 2000 e 2007 mas não informou sobre mais de 1,2 milhão à universidade e violou as regras federais de pesquisa, de acordo com documentos entregues a investigadores do Congresso.

O psiquiatra, Dr. Charles B. Nemeroff, da Universidade de Emory, é a figura mais importante envolvida em uma série de revelações que está chacoalhando o mundo acadêmico da Medicina e que provavelmente vai causar mudanças na relação entre médicos e fabricantes.

Em um exemplo significativo, Dr. Nemeroff assinou uma carta datada de 15 de julho de 2004 prometendo aos administradores da [universidade] Emory que receberia menos de 10 mil dólares por ano da GlaxoSmithKline, com isso obedecendo a regras federais [que existem para evitar conflito de interesses]. Mas no mesmo dia ele estava no hotel Four Seasons de Jackson Hole, Wyoming, recebendo 3 mil dólares dos 170 mil que ganhou da companhia naquele ano -- 17 vezes mais que o valor que ele havia aceitado como limite.

(De Gardiner Harris, no New York Times)


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Advogado do Diabo (18/10/2008 - 14:55)
Ao Dr. Pedro:

com relação ao seu comentário sobre os laboratórios que lhe oferecem ingressos, passagens e outros mimos, o senhor deve(ria) saber que existem regras claras (e severas!) da ANVISA regulando a propaganda médica (RDC 102).

Isso inclui a proibição de iniciativas como essa que o senhor admite ter sido alvo. Por acaso o senhor já fez denúncias à ANVISA? Se não fez, foi por desconhecimento das normas da sua profissão ou por omissão mesmo?

Os mecanismos para coibir tais práticas estão aí - basta fazer uso deles. Ou então é só ficar fazendo coro com os que reclamam, de braços cruzados.

Nina (16/10/2008 - 09:25)
E AS CRIANÇAS USADAS COMO COBAIAS, COM O APOIO DAS MÃES, COMO FICAM?

Da Istoé, coluna do Boechat:

"REMÉDIOS
Rumo aos tribunais
Fabricante do Ritalina, que o pragmatismo médico transformou no calmante pediátrico mais vendido do Brasil (cerca de dois milhões de caixas anuais), o laboratório Novartis meteu-se numa encrenca de família. Um pai divorciado, de Santa Catarina, reclama que o filho de 11 anos foi usado, sem sua licença, como cobaia em testes do medicamento. Segundo a denúncia, a mãe autorizou o estudo unilateralmente, o que é proibido. Entre os efeitos colaterais do Ritalina estão inapetência, insônia, irritação gástrica e dores de cabeça."

Faltou dizer que a pesquisa em questão acontece no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, envolve crianças, e é patrocinada pelo laboratório NOVARTIS, que produz o medicamento.
Aonde estão os resultados negativos das pesquisas patrocinadas por laboratórios?
Se o pai não consegue proteger o filho, quem consegue?

Marco Antônio Leite (15/10/2008 - 18:01)
O médico usa a filosofia do é dando que se recebe. O médico dá atenção ao propagandista, por sua vez este como intermediário do laboratório lhe entrega mimos e mais mimos. Dessa maneira, o paciente recebe a conta, pois o médico avia uma receita com o medicamento do laboratório que o propagandista representa. Também é comum passar por consulta que o médico da um cartão indicando a farmácia, oftalmologista entre outras lojas do ramos medicinais. Todo médico é louco e, todo paciente é bobo?

Anônimo da Silva (15/10/2008 - 14:19)
Não se pode mais ganhar um dinheirinho extra. A Yeda com este expediente comprou uma linda mansão e o Luis Carlos Zachia iversos apartamentos.

Farmacêutico (15/10/2008 - 13:30)
(continuando...) E aí, quando chega a indústria no consultório do médico, mostrando suas inovações e presenteando-lhe com passagens, congressos, etc., a grande maioria acaba se rendendo a tantas vantagens fascinantes, com tantas facilidades. Ou seja, ele acaba ficando refém da indústria, tornando isso um ciclo vicioso: a indústria quer vender, procura quem prescreve o medicamento; o prescritor, além de se "atualizar" através da indústria, por prescrever aquele medicamento, recebe presentes e vantagens - e pra isso ele não precisa fazer absolutamente nada, a não ser prescrever determinado medicamento! Fácil, não é?

E isso nunca vai acabar, enquanto não houver uma minimização da participação da iniciativa privada na saúde brasileira - seja na produção de medicamentos, seja na atenção à saúde, com concomitante aumento de investimentos por parte do Governo em pesquisas de medicamentos inovadores nas Universidades Públicas (e privadas, por que não?) e nos laboratórios públicos (ditos oficiais). Sem isso, definitivamente, a coisa só tende a piorar mais e mais. E a saúde vai continuar sendo um grande comércio, o das vidas humanas - que, convenhamos, é um mercado extremamente lucrativo (que o diga os planos de saúde, indústrias farmacêuticas e atenção privada à saúde no país).

Farmacêutico (15/10/2008 - 13:19)
Podem reclamar que isso é papo de esquerdista revoltado, mas é a mais pura verdade: a partir do momento que saúde virou um grande comércio nesse nosso sistema capitalista "maravilhoso", estamos sujeitos a esse tipo de coisa.

A indústria farmacêutica, como qualquer outra indústria, visa o LUCRO acima de tudo. Se buscasse a saúde da população, certamente estaria pesquisando também a cura para a MALÁRIA, a LEISHMANIOSE e outras doenças que assolam a população que mora abaixo dos trópicos, e que mata milhares de pessoas todo ano.

Mas ela investe maciçamente em pesquisas para novos medicamentos em câncer, depressão, dentre outras. Quero deixar bem claro que as pesquisas nessas áreas também são muito importantes, sem dúvida. No entanto, são totalmente priorizadas em detrimento daquelas, devido à alta lucratividade desses medicamentos - tanto para a indústria, como também para quem vende diretamente esses medicamentos ao consumidor (vulgo usuário).

A promiscuidade dos médicos é somente um dos pontos que merece ser debatido quando falamos de saúde e de insumos para a saúde (como é o caso dos medicamentos). Aliás, não é de hoje que a medicina deixou de ser um ramo escolhido por vocação, para ser uma profissão de status e ganhos exacerbados de dinheiro. Se perguntarmos a um graduando em Medicina qual o motivo que o levou a escolher esta profissão, pouquíssimos irão dizer que é por vocação ou por querer servir à sociedade. A grande maioria quer ganhar dinheiro! (continua...)

Advogado do Diabo (15/10/2008 - 10:55)
Trabalhei por algum tempo na indústria farmacêutica e gostaria de tecer alguns comentários sobre essa polêmica. Vamos fazer uma pausa na perseguição ao monstro ignóbil e olhar sob outro ponto-de-vista.

Para haver o corruptor é preciso que alguém aceite ser corrompido. Se o médico troca sua prescrição por espelhos e miçangas está traindo um juramento que fez ao sair da universidade. Se aceita milhares de dólares para participar de pesquisas é porque dá mais valor à sua ambição e vaidade acadêmica do que à sua ética.

Longe de pretender ser um defensor da indústria farmacêutica lembro que, nos últimos dez anos, 90% dos avanços da medicina devem-se aos novos fármacos. Fora isso, nenhuma nova técnica cirúrgica, nenhum novo exame laboratorial.

A indústria faz espetáculos nos congressos médicos? Sem dúvida! Mas sem ela não haveria congressos médicos. Nenhum evento de atualização científica seria realizado. Menos de 1% das publicações científicas seria produzida.

Quando eu ainda era propagandista, a maioria dos médicos que visitava jamais abriu um livro depois que saiu da faculdade. A atualização científica deles é nula. Estão limitados ao que lhes leva o propagandista - se tanto.

Não pretendo fazer apologia da indústria , mas é preciso considerar os dois lados da moeda. Se você acha que o seu médico não tem discernimento suficiente para ficar longelonge das tentações que os laboratórios lhe oferece, como entrega-lhe sua vida?

Pedro Saraiva (14/10/2008 - 21:19)
Azenha, sou médico e convivo com o assédio da indústria farmacêutica desde a época de estudante. Já me ofereceram ingressos para o maracanã, DVD player, passagem aérea e mais um monte de coisas.
A indústria gasta mais em propaganda que em pesquisa. Muitos médicos recebem esses presentes inocentemente e não mudam suas prescrições por causa disso. Até há pouco tempo eu aceitava as amostras grátis porque levava para os meus pacientes dos hospitais públicos que não tinham dinheiro para comprá-los. Só parei de aceitar quando descobri que esse presentinho representava um aumento de até 20% no preço dos remédios. Achava que estava ajudando e no final era exatamente o oposto.
A indústria tem pleno conhecimento sobre o que cada médico prescreve. Se você não altera sua prescrição por causa dos presentes, eles param de te visitar.
Quanto mais lucro o médico dá, maiores são os presentes.
tenho um blog médico no qual frequentemente abordo esses assuntos. Tô preparando um texto exatamente sobre essa relação promiscua entre médicos e indústria. Quando estiver pronto eu aviso.
www.mdsaude.blogspot.com
abs.

Anon (14/10/2008 - 20:34)
Esse pessoal está drogado.

Roberto Rosário (14/10/2008 - 18:36)
Dize-me com quem andas...

Marco Antônio Leite (14/10/2008 - 18:36)
O papel do propagandista é servir de intermediário entre o médico e o laboratório farmacêutico. Para que o doutor faça propaganda ou então indique o remédio daquele laboratório, nesse intermédio sempre rola um presentinho ou um presentão. Venho de uma família de propagandistas que diziam o que vira dez% de bola entre esses dois e, quem paga o preço é o paciente, pois se sente na obrigação de engolir aquilo que "seu" médico receitou. No entanto, isso acaba gerando a famosa propina caseira. Em função de uma moléstia sou assíduo freqüentador de consultório médico e, passo muito nervoso esperando o propagandista adentrar na sala com um presentinho nas mãos e, demorar minutos e mais minutos, os quais atormentam e deixam o doente ainda mais doente.

Julio (14/10/2008 - 18:15)
A classe médica, no Brasil e no mundo, sempre recebeu o que é conhecido como "chocolate" das empresas fornecedoras. Isso é conhecido por todos os que labutam na área, de um lado e de outro.
No caso de convênios e seguros, as próprias empresas remuneram o profissional abaixo do valor de mercado por saber destas práticas; hospitais exigem descontos financeiros nas faturas e embolsam o valor liquido sem impostos.
Dizem, o cardiologista cobra 35% do valor do material a ser utilizado no paciente; na ortopedia, alcança 20% no valor das proteses. Os laboratórios que produzem pílulas magicas, aquelas azuizinhas, patrocinam congressos espetaculares de dar água na boca a qualquer evento de luxo, e as despesas dos principais urologistas, viagem, hotel, passeios, acompanhantes profissionais ... etc .. por conta do laboratório.
Consulte seu médico!



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