Advogado do Diabo (18/10/2008 - 14:55)
Ao Dr. Pedro:
com relação ao seu comentário sobre os laboratórios que lhe oferecem ingressos, passagens e outros mimos, o senhor deve(ria) saber que existem regras claras (e severas!) da ANVISA regulando a propaganda médica (RDC 102).
Isso inclui a proibição de iniciativas como essa que o senhor admite ter sido alvo. Por acaso o senhor já fez denúncias à ANVISA? Se não fez, foi por desconhecimento das normas da sua profissão ou por omissão mesmo?
Os mecanismos para coibir tais práticas estão aí - basta fazer uso deles. Ou então é só ficar fazendo coro com os que reclamam, de braços cruzados.
Marco Antônio Leite (15/10/2008 - 18:01)
O médico usa a filosofia do é dando que se recebe. O médico dá atenção ao propagandista, por sua vez este como intermediário do laboratório lhe entrega mimos e mais mimos. Dessa maneira, o paciente recebe a conta, pois o médico avia uma receita com o medicamento do laboratório que o propagandista representa. Também é comum passar por consulta que o médico da um cartão indicando a farmácia, oftalmologista entre outras lojas do ramos medicinais. Todo médico é louco e, todo paciente é bobo?
Farmacêutico (15/10/2008 - 13:30)
(continuando...) E aí, quando chega a indústria no consultório do médico, mostrando suas inovações e presenteando-lhe com passagens, congressos, etc., a grande maioria acaba se rendendo a tantas vantagens fascinantes, com tantas facilidades. Ou seja, ele acaba ficando refém da indústria, tornando isso um ciclo vicioso: a indústria quer vender, procura quem prescreve o medicamento; o prescritor, além de se "atualizar" através da indústria, por prescrever aquele medicamento, recebe presentes e vantagens - e pra isso ele não precisa fazer absolutamente nada, a não ser prescrever determinado medicamento! Fácil, não é?
E isso nunca vai acabar, enquanto não houver uma minimização da participação da iniciativa privada na saúde brasileira - seja na produção de medicamentos, seja na atenção à saúde, com concomitante aumento de investimentos por parte do Governo em pesquisas de medicamentos inovadores nas Universidades Públicas (e privadas, por que não?) e nos laboratórios públicos (ditos oficiais). Sem isso, definitivamente, a coisa só tende a piorar mais e mais. E a saúde vai continuar sendo um grande comércio, o das vidas humanas - que, convenhamos, é um mercado extremamente lucrativo (que o diga os planos de saúde, indústrias farmacêuticas e atenção privada à saúde no país).
Advogado do Diabo (15/10/2008 - 10:55)
Trabalhei por algum tempo na indústria farmacêutica e gostaria de tecer alguns comentários sobre essa polêmica. Vamos fazer uma pausa na perseguição ao monstro ignóbil e olhar sob outro ponto-de-vista.
Para haver o corruptor é preciso que alguém aceite ser corrompido. Se o médico troca sua prescrição por espelhos e miçangas está traindo um juramento que fez ao sair da universidade. Se aceita milhares de dólares para participar de pesquisas é porque dá mais valor à sua ambição e vaidade acadêmica do que à sua ética.
Longe de pretender ser um defensor da indústria farmacêutica lembro que, nos últimos dez anos, 90% dos avanços da medicina devem-se aos novos fármacos. Fora isso, nenhuma nova técnica cirúrgica, nenhum novo exame laboratorial.
A indústria faz espetáculos nos congressos médicos? Sem dúvida! Mas sem ela não haveria congressos médicos. Nenhum evento de atualização científica seria realizado. Menos de 1% das publicações científicas seria produzida.
Quando eu ainda era propagandista, a maioria dos médicos que visitava jamais abriu um livro depois que saiu da faculdade. A atualização científica deles é nula. Estão limitados ao que lhes leva o propagandista - se tanto.
Não pretendo fazer apologia da indústria , mas é preciso considerar os dois lados da moeda. Se você acha que o seu médico não tem discernimento suficiente para ficar longelonge das tentações que os laboratórios lhe oferece, como entrega-lhe sua vida?
Anon (14/10/2008 - 20:34)
Esse pessoal está drogado.
Marco Antônio Leite (14/10/2008 - 18:36)
O papel do propagandista é servir de intermediário entre o médico e o laboratório farmacêutico. Para que o doutor faça propaganda ou então indique o remédio daquele laboratório, nesse intermédio sempre rola um presentinho ou um presentão. Venho de uma família de propagandistas que diziam o que vira dez% de bola entre esses dois e, quem paga o preço é o paciente, pois se sente na obrigação de engolir aquilo que "seu" médico receitou. No entanto, isso acaba gerando a famosa propina caseira. Em função de uma moléstia sou assíduo freqüentador de consultório médico e, passo muito nervoso esperando o propagandista adentrar na sala com um presentinho nas mãos e, demorar minutos e mais minutos, os quais atormentam e deixam o doente ainda mais doente.
E AS CRIANÇAS USADAS COMO COBAIAS, COM O APOIO DAS MÃES, COMO FICAM?
Da Istoé, coluna do Boechat:
"REMÉDIOS
Rumo aos tribunais
Fabricante do Ritalina, que o pragmatismo médico transformou no calmante pediátrico mais vendido do Brasil (cerca de dois milhões de caixas anuais), o laboratório Novartis meteu-se numa encrenca de família. Um pai divorciado, de Santa Catarina, reclama que o filho de 11 anos foi usado, sem sua licença, como cobaia em testes do medicamento. Segundo a denúncia, a mãe autorizou o estudo unilateralmente, o que é proibido. Entre os efeitos colaterais do Ritalina estão inapetência, insônia, irritação gástrica e dores de cabeça."
Faltou dizer que a pesquisa em questão acontece no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, envolve crianças, e é patrocinada pelo laboratório NOVARTIS, que produz o medicamento.
Aonde estão os resultados negativos das pesquisas patrocinadas por laboratórios?
Se o pai não consegue proteger o filho, quem consegue?