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Morre Manoel, outra vítima do amianto

Atualizado em 17 de outubro de 2009 às 14:25 | Publicado em 14 de julho de 2008 às 10:48

Em 34 dias, o amianto fez duas vítimas. No dia 3 de julho, faleceu Aldo Vicentin, 66 anos, secretário-geral da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea). Na terça-feira, 6 de agosto, às 18h e 50, o senhor Manoel de Souza e Silva Júnior, 64.

Conceição Lemes entrevistou sua filha Lúcia de Souza e Silva Marques para a reportagem Médicos disseram que Manoel estava bem de saúde. Ele tinha câncer no pulmão, publicada em 14 de julho. Lúcia é uma das fundadoras da Associação Goiana dos Expostos ao Amianto (Agea) “Meu pai grita de dor, está à base de morfina; tem metástases em ossos, cabeça, fígado; os dois rins estão tomados pelo câncer, somente um funciona”, afirmou à época. Infelizmente, mais uma vez a fibra assassina termina o seu maldito “serviço”. 

***
 
REPORTAGEM E TEXTO DE CONCEIÇÃO LEMES, ESPECIAL PARA O VIOMUNDO*
 

-- Alô!
-- Consultório...
-- É do consultório do doutor Terra?
-- Sim.
-- Ele está?
-- Deu uma saidinha; volta mais tarde.  
-- Os doutores Nery e Bagatin também são daí?
-- Sim.
-- Me deram esse telefone como sendo da junta médica da Eternit... É isso mesmo?
-- Sim.
-- Seria possível marcar consulta com um deles?
-- Marcar consulta é em outro telefone. Fala lá com a Marina...
-- Mas, se a pessoa for até aí, será que eles atenderiam?
-- Não, não. Aqui, é de outro jeito.
-- É só com encaminhamento da Eternit?
-- Sim.
-- Por favor, qual o seu nome?
-- Paula.
-- Eu digo à Marina que você, Paula, foi que indicou?
-- Sim.
-- Qual o endereço daí?
-- Por que você quer saber?

O consultório é dos médicos Mario Terra Filho, Ericson Bagatin e Luiz Eduardo Nery. A secretária eletrônica informa: CDDR -- Centro de Diagnóstico de Doenças Respiratórias. Fica a uns 200 metros do complexo do Hospital São Paulo/Universidade Federal de São Paulo (HSP/Unifesp). É à rua Borges Lagoa, Vila Clementino, zona Sul de São Paulo.  O visitante só sobe depois de apresentar aos funcionários da recepção do edifício documento de identidade e passar por identificador biométrico, onde deixa suas impressões digitais. Os recepcionistas têm na ponta da língua: a junta médica da Eternit fica no 81 e 82; os doutores Terra, Bagatin e Nery são de lá, sim; o doutor. Terra só aparece às sextas-feiras.

Os três têm outro ponto em comum. “Pesquisa feita por professores da Unicamp, USP e Unifesp comprovou que não existe no Brasil nenhum registro de qualquer tipo de doença relacionada ao amianto, ou asbesto, entre trabalhadores admitidos após 1980”, afirma Marina Júlia de Aquino, presidente do Instituto Brasileiro do Crisotila. O objetivo principal do IBC é fazer lobby a favor dos interesses da indústria do amianto branco, ou crisotila.

Élio Martins, presidente do Grupo Eternit, o maior do País na área de amianto, apoiado na mesma pesquisa, reafirma: “Desde 1980, quando começamos a trabalhar só com a crisotila e adotamos várias medidas de segurança, não temos nenhum trabalhador doente em nossas fábricas nem em nossa mineradora”.  

Ericson Bagatin, professor de saúde ocupacional da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é o coordenador da pesquisa mencionada. Ele argumenta: “Nós avaliamos 4.200 ex-empregados e trabalhadores que, de 1940 a 1996, trabalharam na mineração e foram expostos ao amianto. No grupo que começou após 1980, quando as indústrias implementaram medidas coletivas de proteção, todos foram examinados e não observamos nenhum tipo de doença relacionada ao asbesto”. Mário Terra Filho, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e chefe do Ambulatório de Pneumologia Ocupacional do Instituto do Coração, o Incor –SP, e Luiz Eduardo Nery, professor de Pneumologia da Unifesp, também participam da pesquisa.

 “Essa é a propaganda utilizada pelo lobby do amianto, mas sabemos que é falaciosa”, rebate Eliezer João de Souza, presidente da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea). “Nós temos conhecimento de trabalhadores que iniciaram suas atividades depois de 1980 e adoeceram por causa do amianto; há óbitos, inclusive.”  

MANOEL: MÉDICOS DA PESQUISA DISSERAM QUE NÃO TINHA NADA

Manoel de Souza e Silva Júnior, 64 anos, é casado com dona Maria Lúcia, tem seis filhos (cinco mulheres e um homem), 16 netos e 1 bisneta. Reside atualmente em Goiânia. De agosto de 1982 a novembro de 1996, trabalhou na SAMA, a mineradora do Grupo Eternit, que fica em Minaçu, norte do estado de Goiás.

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Manoel, em dezembro de 2007, com dona Maria Lúcia, a filha Lucinha, a neta Bruna e a bisneta Iara

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Manoel, no início de junho de 2008

O “Português”, seu apelido entre os amigos, era mecânico de manutenção de máquina perfuratriz. Periodicamente, como recomenda Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para ex-empregados do setor de amianto, fazia avaliação específica de saúde. Ela inclui exame clínico e exames complementares, como radiografia de tórax, tomografia de pulmão e espirometria, ou prova de função pulmonar, que avalia a capacidade respiratória e possíveis limitações associadas.

 “Esses exames são feitos em clínicas indicadas pela própria SAMA, em Goiânia, e enviados à junta médica, para fazer o laudo”, conta a filha Lúcia de Souza e Silva Marques, 41 anos, a Lucinha, pedagoga e professora de arte. “Depois, o laudo é mandado para o médico da SAMA que, aí, nos entrega. Todas as imagens dos exames ficam com a empresa. A gente nunca tem acesso a elas nem ao prontuário médico.”

Em maio de 2005, Manoel fez a sua avaliação periódica de saúde. O laudo, datado de 24 de junho de 2005, concluiu que Manoel não tinha alteração pleuro-pulmonar relacionada à exposição ao asbesto. É assinado por cinco médicos de São Paulo: Mário Terra Filho, Luiz Eduardo Nery, Ericson Bagatin, Reynaldo Tavares Rodrigues e Jorge Issamu Kawakama (já falecido).  Os três primeiros formam a junta médica do Grupo Eternit, do qual a SAMA faz parte. São também os professores que assinam a pesquisa pela Unicamp, USP e Unifesp, citada pela presidente do IBC e pelo presidente do conglomerado Eternit S/A.

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OUTRO MÉDICO DETECTA NÓDULOS EM PULMÃO E RIM; ERAM MALIGNOS

No início de 2006, seis, sete meses após a avaliação acima, Manoel consultou-se com um cardiologista de sua confiança. Ele já era hipertenso e cardiopata. “Como meu pai fumou a vida inteira e havia trabalhado com amianto, o médico solicitou vários testes, entre os quais radiografia de tórax”, prossegue Lucinha. “A radiografia detectou um nódulo no pulmão. Tomografia de abdômen descobriu também nódulos nos rins. Meu pai estava com câncer em pulmão e rim direitos e no mediastino [espaço que fica entre coração, pulmões, coluna vertebral e grandes vasos sangüíneos existentes no tórax]”.

O caso chegou à SAMA. Mais precisamente a Eduardo Andrade Ribeiro, ginecologista e médico do trabalho da empresa, e a Milton do Nascimento, gerente de Saúde Ocupacional do Grupo Eternit. Rapidamente a empresa, num ato de “liberalidade” (é um termo que gostam muito de usar), prontificou-se a custear todo o tratamento. Manoel veio para São Paulo com a esposa e Lucinha. Em julho de 2006, fez a cirurgia do pulmão; tirou parte dele. Após aproximadamente 20 dias, operou também o rim. Todas as despesas das duas cirurgias e da hospedagem da família em São Paulo foram custeadas pela SAMA.

Material do tumor do pulmão foi enviado aos Estados Unidos para exames. No início de 2007, a família recebeu o resultado. “O médico da SAMA nos disse que não havia nada relacionado ao amianto”, relembra a filha. “Inicialmente, ficamos aliviados. Se não era o amianto, o nosso maior temor, e a cirurgia havia retirado os tumores, por que nos preocupar? Mal sabíamos que estávamos enganados e sendo enganados.”  

Assina o exame o patologista Victor L. Roggli, do Duke University Medical Center, Durham, Carolina do Norte. O laudo, datado de 5 de outubro de 2006, é endereçado à médica Vera Luiza Capelozzi, professora da Faculdade de Medicina da USP. A tradução para o português foi realizada em 14 de novembro de 2006 pelo tradutor público João Carlos Aguiar Gay.

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USP: AMIANTO ASSOCIADO AO FUMO CAUSOU TUMOR EM MANOEL

É mais do que sabido que, no longo prazo, o amianto promove alterações nas células, podendo causar câncer de pulmão. A pessoa exposta ao amianto e, ao mesmo tempo, fumante tem 57 vezes mais probabilidade de ter esse tumor maligno do que quem não está nessas duas situações. É que o  amianto e o tabaco têm efeito sinérgico: um potencializa o malefício do outro. O senhor Manoel manteve contato com esses dois fatores de risco importantes para o câncer de pulmão.

Ele só piorava. Mesmo assim, a SAMA parou de custear o tratamento.  Foi quando amigos alertaram sobre a possibilidade de o exame feito nos Estados Unidos não ser totalmente confiável. A família resolveu então refazer os testes. A reavaliação foi no próprio Incor de São Paulo no início de 2008. O senhor Manoel e Cláudia, outra filha, vieram para a capital paulista com despesas, agora, totalmente custeadas pela família.

A conclusão pôs abaixo a versão oficial de que após 1980 nenhum trabalhador havia adoecido. O relatório tem cinco páginas. É assinado pelo médico Ubiratan de Paula Santos, também da disciplina de Pneumologia da Faculdade de Medicina da USP, como Mario Terra Filho.

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 “Meu pai grita de dor, está à base de morfina; tem metástases em ossos, cabeça, fígado; os dois rins estão tomados pelo câncer, somente um funciona”, afirma Lucinha. Dona Maria Lúcia revolta-se: “Esses médicos são uns assassinos! Que junta médica é essa que vê o problema e finge que não vê? É criminoso!”  

Fernanda Giannasi, engenheira de segurança do trabalho e auditora fiscal do MTE denuncia: “Não existem casos de doenças entre trabalhadores que começaram depois de 1980, porque as indústrias, com o beneplácito de alguns médicos, escondem a verdade”.

 Maior referência no Brasil na área de amianto, Fernanda põe o dedo em outra ferida: “Como confiar em estudos em que os pesquisadores são pagos pela indústria para integrar a sua junta médica, que arbitra não só a doença associada ao amianto como a categoria que determina o valor da indenização em acordos extrajudiciais? E como confiar numa junta médica que, ao mesmo tempo, recebe da indústria para fazer pesquisa para mostrar que o amianto não faz mal à saúde e que as condições das nossas fábricas são as melhores do mundo, quando eu, como auditora fiscal do Ministério do Trabalho, posso provar que isso é mistificação?”
 

MESOTELIOMA = SENTENÇA DE MORTE= R$ 36.976,65

“Numa atitude pró-ativa, a companhia disponibiliza aos ex-colaboradores um acordo extrajudicial”, expõe Élio Martins. Para isso, o ex-empregado tem que passar por uma junta médica pré-determinada e se submeter a exame clínico, radiografia de tórax, tomografia de pulmão e prova de função pulmonar.  

Suponhamos que se detecte placa pleural, situação que pode não dar sintomas, mas pode também acarretar falta de ar, cansaço, dores nas costas e tosse. “É um marcador de exposição ao amianto e não uma doença”, nos diz em e-mail o Grupo Eternit. “Mas, por liberalidade, o ex-colaborador recebe um plano de saúde vitalício.”

Uma asbestose leve corresponde a uma indenização de R$12.326,40 mais plano de saúde vitalício. A asbestose, popularmente conhecida como “pulmão de pedra”, endurece pouco a pouco esse órgão, fibrosando-o; leva lentamente à morte. Já um mesotelioma (tumor maligno de pulmão, pleura, pericárdio e peritônio) vale R$ 36.976,65! Seu diagnóstico é sentença de morte rápida. A quase totalidade vai a óbito em um ano. No dia 3 de julho, matou Aldo Vicentin, 66 anos, ex-secretário geral da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea). Aldo morreu aproximadamente três meses após o diagnóstico.
                                               
“Indenização pífia. No Brasil, ainda custa muito pouco causar a morte e a incapacidade temporária ou permanente de um trabalhador”, reage Fernanda. “Condena-se a dez anos de prisão um homem por roubar uma pizza, mas não se pune exemplarmente uma companhia que explora e comercializa material cancerígeno, que é uma questão de saúde pública. É a certeza da impunidade de quem tem no bolso gente poderosa de todas as esferas da sociedade.”

“Se essa compensação financeira é justa? Bem, foi aquilo que a empresa entendeu que ela poderia fazer”, justifica Élio Martins. “Agora, se as pessoas acham que o valor é baixo ou alto é outra questão. Depende da avaliação de cada pessoa.”

ACORDO EXTRAJUDICIAL: CREDENCIAIS ACADÊMICAS “ILUDEM”

Em geral, os ex-empregados são pessoas humildes, têm baixo nível socioeconômico e pouca escolaridade. Algumas vezes é a empresa que os procura para propor o acordo extrajudicial; outras, são eles próprios que vão até ela. Em Osasco, Grande São Paulo, a Eternit mantém um escritório para atender especificamente esses casos. Sumara Ramalho é a chefe.  

“Preferi fazer o acordo; ganhei uns trocados e um plano de saúde”, diz um ex-funcionário que pediu para não ser identificado. “Não quero ficar mal com a Eternit nem com o pessoal da Abrea. Acendo duas velas: uma para o diabo, outra para Deus. Eu procurei a Sumara, que me orientou tudo, inclusive onde fazer os exames. Fiz no Hospital São Paulo [da Unifesp]. Depois, conversei com o doutor Mário Terra sobre o relatório. O laudo ficou com a Eternit.”

A junta médica pré-determinada pela Eternit para o acordo extrajudicial é – atenção! – exatamente a mesma que assinou o laudo do senhor Manoel, em junho 2005, dizendo que ele não tinha nada em relação ao amianto. Pelo menos desde 1998, ela atua para o Grupo Eternit.

“Tenho uma firma com dois sócios [Bagatin e Nery] que presta consultorias em pneumologia ocupacional, sílica, amianto, poeiras orgânicas, etc. A Sama e a Eternit são duas das empresas clientes”, respondeu Mário Terra Filho por e-mail a esta repórter. “É uma atividade privada no meu consultório que não tem qualquer ligação com a Pneumologia da USP. O que meus clientes fazem com meus pareceres não cabe a mim decidir.”

No parecer, constam o nome e o número dos médicos no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Porém, no acordo extrajudicial de quase 30 páginas, assinado pelo ex-empregado, o número no Cremesp não consta. Em vez dele, em destaque na cláusula 4, aparecem as credenciais acadêmicas dos três médicos.

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“O fato de os professores da junta médica serem professores da USP, Unicamp e Unifesp ilude as pessoas; faz a gente acreditar que é coisa séria, boa, oficial”, afirma Lucinha. “Como conseguem fazer laudos para os acordos extrajudiciais e, ao mesmo tempo, pesquisas para beneficiar essa mesma indústria?”

Perguntamos à Eternit quantos acordos extrajudiciais já foram assinados.  Ela não nos respondeu. Mas estimam-se que mais de 2.500 acordos já foram celebrados. Importante: o acordo é assinado antes de a pessoa passar pela junta médica. “É no escuro, aí é que o bicho pega. A gente fica nas mãos deles. Fazer o quê?” resigna-se o ex-funcionário que pediu para não ser identificado. “Pelo menos tenho um plano de saúde para vida inteira.”

 “É uma camisa-de-força nessas pobres vítimas”, condena Fernanda Giannasi. Quem assina o acordo extrajudicial abre mão de pleitear na Justiça qualquer outro tipo de reparação por causa do amianto, pois, em tese, concordou que a indenização recebida “compensou suas perdas”.  E o que muitos ainda não se deram conta é de que os benefícios cessarão em caso de falência da empresa ou quando for decretado o banimento do amianto. Está na última cláusula, a 29ª. “Foi a forma que a indústria encontrou para impedir que ex-funcionários, que assinam o acordo extrajudicial, engrossem os movimentos contra o amianto e pelo seu banimento”, acrescenta Fernanda. “Afinal, uma vez banido, eles perdem os benefícios previstos.”

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NOVA PESQUISA: ENVOLVIDOS INFORMAM VALORES DIFERENTES

Todo tipo de amianto, ou asbesto, é cancerígeno, inclusive a crisotila. Está banido em 49 países, entre os quais Argentina, Chile, Uruguai e União Européia. No Brasil, seu uso já é proibido em quatro estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e São Paulo. Cresce a campanha pró-banimento da fibra assassina no país inteiro.  

A indústria, claro, contra-ataca. Uma nova pesquisa, ainda em execução, é alardeada como sua tábua de salvação, seu salvo-conduto.  “Nós, da cadeia produtiva, provocamos a USP, que, por sua vez, chamou outras universidades brasileiras e estrangeiras”, afirma Élio Martins. “Teremos os primeiros resultados em 2009.”

A pesquisa tem duas partes. Uma é a exposição ocupacional. “Vamos continuar avaliando os 4.200 estudados na pesquisa anterior”, diz Ericson Bagatin. “Outra parte é a exposição ambiental. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Salvador e Recife, selecionamos 500 pessoas – 100 em cada capital -- que residem há mais de 20 anos em casas com telhado de amianto. O objetivo é saber se elas estão doentes por causa do asbesto e quantificar as fibras nos locais. A tendência é não haver fibras nesses ambientes.”

Na linha de frente, estão os mesmos professores que fizeram o estudo anterior e integram a junta médica do Grupo Eternit: Mário Terra Filho, coordenador principal; Ericson Bagatin, coordenador-executivo; e Luiz Eduardo Nery. O orçamento previsto para esse projeto é 4 milhões de reais.

“Quem sabe o valor correto da pesquisa é a Marina [Júlia de Aquino]; fala com ela”, sugere Élio Martins. Inicialmente, Marina diz: “O valor total é 3,6 milhões de reais. O CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] deu um terço, 1 milhão  de reais”.

Em e-mail de 23 de junho, Mario Terra Filho informa valor inferior:  

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Voltamos à Marina. Curiosamente, entre um contato e outro, o discurso sobre o volume total uniformiza-se. Em e-mail de 23 de junho, sua assessoria de imprensa informa:    

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Parêntese. IBC, relembramos, é o Instituto Brasileiro do Crisotila. É o porta-voz principal da indústria do amianto. A participação do governo de Goiás, através da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, se deve a interesses econômicos, já que 40% da arrecadação bruta de impostos do Estado provêm da única mina de amianto em exploração comercial no país. Tanto o governo de Goiás como sindicalistas representantes dos trabalhadores do setor de mineração amianto e da construção civil, através da Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA), participam do IBC. Recentemente, a Abrea acusou esses sindicalistas de serem financiados pelo patronato e denunciou o fato à Organização Internacional do Trabalho (OIT). A conduta deles configura prática anti-sindical. Fere os princípios de liberdade e autonomia sindical. Fechado o parêntese.   
    
A repórter insiste nos 3,6 milhões de reais. “A Marina não estava com os papéis em mãos e se enganou”, diz sua assessoria de imprensa. “Nesses R$ 2.562.275,00, estão englobadas as duas partes da pesquisa.”

Supondo que o total seja mesmo R$ 2.562.275,00, quanto a indústria está pagando? R$1.062.275,00, segundo a presidente do IBC? Ou aproximadamente os 500 mil reais que Terra diz ter recebido?        
 

PESQUISADOR OMITE À USP FINANCIAMENTO DO SETOR INDUSTRIAL

Basta uma rápida pesquisa no Google para achar a apresentação dessa pesquisa, toda colorida, em power point. Na capa, em destaque, as logomarcas de três grifes universitárias brasileiras: USP, Unifesp e Unicamp. Mas o que mais chamou a atenção desta repórter foi a página abaixo, com a logomarca do Hospital das Clínicas de São Paulo: HC.  

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Euclides Castilho, presidente da CAPPesq na época, é professor titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP. É epidemiologista, pesquisador de primeira linha, reconhecido nacional e internacionalmente. Também um cidadão honrado e ético. A repórter procurou-o:

-- Professor, o senhor se lembra de um projeto aprovado em 2006 sobre exposição ambiental e ocupacional ao amianto?
-- Por ano, passam na CAPPesq quase 1.500 projetos, que são avaliados por uma comissão. Desse eu me lembro, por se tratar de um estudo multicêntrico. Além do Incor, tinha a participação da Unifesp e da Unicamp.  

-- Poderia mostrá-lo para mim?
-- A CAPPesq foi criada pela Conep [Comissão Nacional de Ética em Pesquisa], que, por sua vez, é uma comissão do Conselho Nacional de Saúde. Seu princípio maior é o controle social, a defesa da sociedade. Portanto, é meu dever esclarecer a sociedade.

-- O senhor lembra se havia conflito de interesse?
-- Não me recordo, vou apurar.

Um dia depois voltamos a conversar:
-- Essa pesquisa tem financiamento?
-- Do CNPq.

-- Além do CNPq, essa pesquisa tem financiamento de empresas, indústrias?  
-- No formulário do projeto, é preciso detalhar todas as fontes de recursos, e isso é perguntado explicitamente. Os autores não nomearam nenhuma empresa.
 
-- Tem conflito de interesse?
-- Pela documentação apresentada, não. O pesquisador assinou o termo de responsabilidade. Logo, em tese, está implícito que não há. Assinar o termo de responsabilidade implica obedecer a resolução196/96, do Conselho Nacional de Saúde. Nela está explícito que não pode ter conflito de interesse. Além disso, insisto, o pesquisador não nomeou nenhuma fonte que pudesse sugerir conflito de interesse.

-- Mas acontece que essa pesquisa tem financiamento da indústria via entidade que faz o lobby a favor da indústria do amianto.
-- Bem... tal informação deveria constar do projeto; não consta. Se for verdade, é uma omissão grave.
 
-- HC e USP não estariam sendo usados pela indústria do amianto?
-- Já fui vice-diretor do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. Também integrei o Comitê de Vacinas do Programa Global de Aids da Organização Mundial de Saúde (OMS). Eu recebia muitas cartas de pesquisadores. A sonegação de informações era gritante. Às vezes tinha a impressão de que eles só assinavam o projeto. Havia pesquisadores patrocinados pela indústria farmacêutica, participando de protocolo de pesquisa de vacinas, como se eles fossem os autores. Na verdade, eram meros executores de tarefas desenhadas pela indústria. Curiosamente, sempre queriam ter pelo menos dois, três pacientes do HC para usar a logomarca da USP.

É IGUAL A FAZER PESQUISA DE TABAGISMO PAGA PELA SOUZA CRUZ

O financiamento da indústria também não consta do currículo Lattes. Aliás, não é a primeira vez que isso acontece. Na pesquisa, iniciada em 1996 e citada no início desta reportagem, divulgou-se apenas que era financiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo). “Só que mais de 50% dos recursos foram bancados pela indústria do amianto, o maior interessado em seus resultados”, denunciou Fernanda Giannasi em 2000. “O conflito de interesses era flagrante. Essa nova pesquisa, mesmo antes de ser divulgada, já está sob suspeita, pois os mesmos erros persistem.”

José Fernando Perez, diretor-científico da Fapesp à época, respondeu: ...a assessoria da Fapesp entende que esse apoio financeiro da empresa SAMA não invalida, em princípio, os resultados do projeto. No entanto, entende também que ele cria uma situação de potencial conflito de interesse, que requer aplicação rigorosa do “princípio de plena informação”.

“Eu estava em Boston, o Perez me ligou, perguntando se eu sabia que essa pesquisa era financiada pela indústria. Eu não sabia”, relembra o médico patologista Paulo Saldiva, que iria fazer os exames anátomo-patológicos. “Imediatamente me desliguei do estudo. Disse ao Ericson Bagatin que discordava da conduta e que havia conflito de interesse.”

Paulo Saldiva é professor titular de Patologia da Faculdade de Medicina da USP e pesquisador da Harvard Medical School, nos Estados Unidos. “Mesmo que a lisura da pesquisa não seja comprometida, não fica bem ter financiamento da indústria num assunto tão polêmico, com interesses gigantescos, como o do amianto. É a mesma coisa que fazer pesquisa de tabagismo financiada pela Souza Cruz. É eticamente incompatível, eu me recuso a participar disso”, frisa Saldiva. “O amianto é cancerígeno, e eu defendo o banimento total dele no Brasil”.  

Pelas mesmas razões de Saldiva, Eduardo Algranti, outro renomado pesquisador brasileiro, se retirou da pesquisa, informando isso à Fapesp; em carta a Bagatin, pediu que seu nome fosse retirado do relatório final. Algranti é doutor em Saúde Pública, pesquisador e pneumologista da Fundacentro, órgão ligado ao MTE.   


ERRO CRASSO; NO MÍNIMO, ESTRANHO. NÃO HÁ JANTAR DE GRAÇA

“Potenciais conflitos de interesse são resolvidos pelo princípio do pleno conhecimento, isto é: desde que se declare que você prestou assessoria a empresas nos artigos científicos publicados com assunto referentes a estas. O leitor julga se houve o conflito ou não”, disse por e-mail Mário Terra Filho.

Sem identificar os pesquisadores e o objeto do estudo, discutimos a questão com o médico Dirceu Greco, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep):

-- A abertura da existência de conflito para o leitor de uma revista científica ou platéia de congresso basta para garantir a lisura da pesquisa?
-- É um passo 100% obrigatório, mas pode não ser suficiente. O pesquisador pode até dizer que não tem conflito de interesse. Só que às vezes ele tem tanto envolvimento que não consegue separar o seu interesse pessoal do que está fazendo como pesquisador.

-- É correto omitir do comitê de ética as fontes financiadoras?
-- É um erro crasso; no mínimo, estranho, levanta suspeitas. Se o pesquisador é pago por um segmento cujo interesse é manter seu produto no mercado, ele corre um risco enorme. Há uma tendência imensa de a relação financiador-financiado não ser completamente independente e influenciar o resultado da pesquisa. Logo, a transparência plena é condição indispensável para se avaliar se há ou não conflito de interesse. Se o pesquisador omite, aí talvez tenha algum problema. Qual? É difícil dizer.

-- Tem jantar de graça?
-- Não. Na cabeça de muitos pesquisadores passa o seguinte raciocínio. Poxa, o patrocinador me trata tão bem, me financia, como é que vou colocá-lo numa situação que pode ser prejudicial para o negócio que está me financiando? E aí, o que fazer? O correto é que enfrentemos a situação, mesmo com o risco de perder futuros patrocínios.

-- Omitir informações é ético?  
-- Omitir não é ético. Nunca! A transparência é parte do processo da nossa relação com os nossos pesquisados.  Logo, toda informação pertinente ao projeto tem que ser disponibilizada. Talvez o pesquisador diga: “isso não tem importância, por isso não foi acrescentado”. Ao omitir dados, você tira de qualquer pessoa a possibilidade de avaliar aquela informação. Você impede o contraditório. A informação só pode se tornar clara se o pesquisador for claro.

A propósito. Por que o financiamento do setor do amianto deixou de ser explicitado à comissão de ética da Faculdade de Medicina da USP? Foi esquecimento? Se os resultados da pesquisa forem contrários aos interesses da indústria, eles serão publicados? Existe um contrato particular entre as partes de não se publicar resultados negativos? Haverá nesta pesquisa, tal qual na primeira, um seguro pago pela SAMA em favor dos médicos pesquisadores por possíveis erros médicos? Que mecanismos de controle foram colocados neste estudo para que ele não traga respostas falsas? Que providências as comissões de ética adotarão de agora em diante?

E o ex-empregado ou trabalhador, submetido à junta médica, como fica, já que ele não lê trabalhos científicos? Que garantia tem de que a sua avaliação de saúde está sendo adequada se os membros da junta médica têm pesquisa financiada pela indústria do amianto, que, por sua, quer que os resultados dêem aval à continuidade do produto? O ex-empregado ou trabalhador sabe dessa dupla-função? Qual a repercussão disso sobre a saúde do trabalhador?

 “O pessoal da Eternit, o doutor Mílton [do Nascimento] e os professores que são médicos da junta são uns assassinos, mesmo!”, responde, na lata, dona Maria Lúcia. “São gente que não tem mãe”. A filha Lucinha assina embaixo: “O único jeito de mais gente não sofrer o que estamos vivenciando é o banimento completo --- e já! -- do amianto no Brasil e no restante do mundo”.

* ARTE DE ILUSTRAÇÕES DE LEANDRO GUEDES


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
FERNANDA GIANNASI (01/12/2009 - 18:30)
Leonardo,
Como você deve saber, estamos fiscalizando a INFIBRA e a PERMATEX, a qual interditamos por duas vezes, a primeira para não mais receber amianto e a segunda para parar a produção do que eles ainda têm em estoque. Infelizmente parece que a empresa conseguiu uma liminar na Justiça para continuar a produzir e isto é muito grave.
De toda forma, foi muito bom você ter nos advertido sobre o excesso de horas extras, pois retornaremos em breve a Leme e certamente multaremos a empresa por esta irregularidade aqui denunciada, como já fizemos com a concorrente de Hortolândia.
Preciso, entretanto, que vocês não deixem de bater o cartão, pois se estiverem marcando estas horas extras em cartões adicionais para enganar os fiscais ou usando de outro expediente, fica difícil para nós identificarmos e provarmos, sem testemunhas, este flagrante descumprimento da legislação trabalhista.
O problema maior de vocês aí em Leme é que o Sindicato é a favor do amianto e joga do lado do patrão. Não é aliado dos trabalhadores. Eles encobrem todas as irregularidades e nós só ficamos sabendo através de denúncias corajosas como a sua. Pode deixar que vamos atrás e vamos repassar para os procuradores do Ministério Público do Trabalho e para os colegas que estão atuando junto comigo aí em Leme para tomarmos as providências cabíveis. Parabéns por sua consciência de classe e por não se deixar intimidar por aqueles que interagem aqui no VIOMUNDO como espiões do lobby do amianto e para sua defesa.

FERNADA GIANNASI (01/12/2009 - 18:18)
Concordo totalmente com o que o Luis Ortiz denuncia em VIOMUNDO. Existe uma epidemia silenciosa de doentes do amianto em Leme e a cada dia encontramos mais gente vitimada pela fibra assassina. É preciso apenas que estas vítimas e suas famílias deixem de ter medo e se apresentem à imprensa e às autoridades. Só assim poremos um fim a este vergonhoso silêncio epidemiológico das doenças do amianto em nosso país, removendo as mordaças impostas pelos patrões e por sindicalistas pelegos que fazem o jogo da indústria e se dizem representantes dos trabalhadores.

Leonardo de leme (30/10/2009 - 21:47)
gostaria de saber do ministerio do trabalho Fernanda se é por lei, o foncionario ser obrigado a trabalhar os horarios que a empresa põe onde so ela é favorecida . sabe porque aqui na INFIBRA/PERMATEX nós somos obrigados a trabalhar sabado e domingo eferiados como dias normais trabalhamos [seis dias] e folgamos dois e se faltar somos advertido obrigados assinar UMA ADVERTENCIA se não justificar a falta . gostaria muito Fernanda que voce me respondese esse comentario. porque parece que não existe lei para esses empresarios.

Luis Ortiz (29/10/2009 - 20:01)
Caros amigos de leme , trabalhar com amianto mata .os casos de cancer é demorados para aparecer,quando aparece não tem mais cura sabe porque ele toma quase todos os orgãos. so quem ganha com isso são os patrões cada vez mais ricos. procurem alguem bem sucedidos ai na sua cidade que trabalhou ou trabalha nessas empresas , saia fora enquanto é tempo . não coloque seus familiares para trabalhar com esse produto assasino .fale se conhecer alguem essas empresas jogam milhares e milhares de fibras no ar na sua cidade atraves de exaustores, Leme é uma das cidades que mais existe casos de cancer no estado de são paulo .

FERNANDA GIANNASI (27/10/2009 - 13:20)
Prezados Degilson e Arildo Silva,
Como vocês devem estar sabendo, todas as fábricas de Leme, em especial a Infibra e Permatex, estão interditadas e impossibilitadas de utilizarem o amianto. Por isto, é que deputados ligados a estes empresários estão tentando mudar a lei de proibição do amianto em nosso estado. Temos tentado organizar reuniões com ex-empregados, atuais trabalhadores e vítimas do amianto e seus familiares, mas não temos tido sucesso. Por isto, peço-lhes que entrem em contato comigo no Ministério do Trabalho (11 31508050) ou me escrevam no fer.giannasi@terra.com.br para conversarmos particularmente sobre o que está acontecendo aí em Leme. Convido-os para virem a São Paulo no dia 10 de novembro para ato que vamos realizar na Assembléia Legislativa onde vamos juntar todos os apoiadores da causa do banimento a partir das 17 horas. Sabemos dos problemas de saúde em Leme e estamos tentando intervir. Quanto aos baixos salários, isto não depende de nós e sim do sindicato da categoria. Organizem-se e exijam que o sindicato cumpra o seu papel e deixe de defender o indefensável amianto.
Juntem-se a nós!

Degilson (23/10/2009 - 21:53)
trabalhar com amianto faz mal sim em leme morreu um sr.que trabalhou mas de vinte anos com amianto .morreu de cance es funcionario da permatex conhecido como Paulo bim.
mais o assunto e abafado os familiares recebem coroas de flores da empresa para velar seus mortos .a quem eles mesmo mataram.

Arildo silva (22/10/2009 - 22:07)
TRABALHO QUASE VINTE ANOS COM AMIANTO AQUI EM LEME O SALARIO É UMA MISERIA COREMOS TODOS OS RISCOS E O MINISTERIO DO TRABALHO NEM PARA FIXISAR UM SALARIO DIGUINO PARA AS PESSOAS QUE TRABALHAM COM AMIANTO EU TENHO VERGONHA DE FALAR O TETO SALARIAL DA INFIBRA PERMATEX 650 REAIS E FICAMOS 50 HORAS PARA FOLGAR SO´GANHAMOS 44 HORAS TRABALHAMOS SABADO DOMINGO E FERIADOS SEM NENHUM ACRECIMO RENUMERADO SE ALGUEM LER ESTE COMENTARIO ENTRE EM CONTATO COM OS FUNCIONARIOS POIS ESTAMOS TODOSINSASTIFEITOS COM OSALARIO

Fernanda Giannasi (15/05/2009 - 16:35)
Jonas,
Não há máscaras totalmente eficientes para conter a poeira de amianto, até porque não há qualquer limite seguro definido pela Organização Mundial da Saúde para impedir o câncer.
O problema do amianto não é só pulmonar (pode ocorrer que o tumor primário seja no pulmão e que ocorra metástases como foi o caso do Sr. Manoel).
Recentemente, a IARC-Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, da OMS-Organização Mundial da Saúde, confirmou que além dos conhecidos cânceres do aparelho respiratório, como o adenocarcinoma, mesotelioma de pleura, também o câncer de laringe e de ovário estão confirmados para exposição ao amianto.
Portanto, não se iluda: não há qualquer segurança para se trabalhar com o amianto. A erradicação do câncer ocupacional relacionado ao amianto só ocorrerá quando houver o fim de seu uso; isto é, o banimento dos processos industriais.

miriam (28/04/2009 - 20:59)
nossaa q horror ........
meus pesames

Jonas Torres (31/03/2009 - 13:48)
Uma coisa que eu ainda não entendi disso tudo. Entendo que antigamente a preocupação com a saúde do trabalhador inexistia. Mas hoje não haveriam máscaras ou outros tipos de EPI que protegeriam adequadamente o trabalhador?
Como é a fiscalização disso?
E a pessoa que teve o problema no rim... Como é que é isso? Não é só no pulmão?

FERNANDA GIANNASI (04/02/2009 - 01:22)
Marli
Procure a ABREA em Osasco no telefone (11) 3681-2710 ou pelo e-mail: abrea@abrea.com.br

marli oliveira melo (02/02/2009 - 11:51)
sou filha de uma das vitimas do amianto resebi um valor minimo do que aconteceu com meu pai minha historia e a mesma que aconteceu com o senhor manoel citado a cima a mesma firma fez o inxame sem advogado sem justiça sera que posso recorre com um advogado

João Eduardo Rompato LEME - SP (18/09/2008 - 11:00)
Aqui em Leme - SP, não é diferente, pois a industria do amianto existe desde 1960 ou antes, meu pai faleceu com abestose, e existe muitos casos na cidade, pena que alguns médico digam que é asma , broquite etc....

Roberto Ribeiro - Rio das Pedras/SP (09/08/2008 - 16:17)
Condolências à Família do Sr. Manoel. Moro numa cidade do interior de S. Paulo, aqui já morreram vários trabalhadores vítimas do trabalho extenuante do corte de cana. Pessoas vem para cá de MG e do Nordeste e para conseguir mandar um pouco de dinheiro para suas famílias, se arrebentam de trabalhar nos canaviais. A TV Record já fez uma reportagem aqui, foi estarrecedora. Se você caro Luiz Carlos Azenha quizer fazer uma matéria sobre o sofrimento dos cortadores de cana, Rio das Pedras fica próximo a Piracicaba/SP. Conheço na pele o trabalho, fui cortador de cana de 1983 a 1988. Graças a Deus a partir de 1989 concluí o Primário, e saí da cana fiz supletivo à noite 5ª a 8ª séries, depois fiz o 2ºGrau integrau, hoje tenho curso superior e ajudo a governar a cidade onde moro, GRAÇAS A DEUS!!!

sergio grusca (08/08/2008 - 21:50)
ahhh.....ia me esquecendo, recentemente perdi dois amigos [e colegas contemporaneos] : João Segatti e Isaque. com cancer, fizeram a maior" boca de siri" aqui em Minaçu.
Quantos já foram assim? Ninguém conta>

Sergio Grusca (08/08/2008 - 21:42)
Acho que me chamam de super-homem,por tabela...pois trabalhei na SAMA de 75/83 e fumo a quarenta anos.
Claro, que sinto dores nas costas,tenho falta de ar no entanto os médicos pagos pela multi do amianto dizem que estou normal, mesmo com tres drenagens de pneumotorax [que adquiro por quase nada].....pode?

ADRIANO (08/08/2008 - 10:05)
A historia devastadora do Asbesto, conhecido no Brasil como Amianto,é considerado um inimigo mortal em muitos paises.No Brasil,devido a interesses inescrupulosos, ainda morrem pessoas afetadas por serias doenças causadas pelo Asbesto.

Marcos Battistuzzi (08/08/2008 - 01:44)
Excelente reportagem, parabéns a todos. O Azenha, essa reportagem foi enviada ao CRM por exemplo? Acho que deve. E também ao Ministério Público. Abraço.

Henrique (20/07/2008 - 22:25)
Brilhante reportagem. Parabéns à autora, por escrevê-la, e ao Azenha, por publicá-la. Corajosa, bem escrita, bem fundamentada, irretorquível.

harpyia (20/07/2008 - 16:16)
Lamentável a situação, não se discute.
Mas... 40 anos de cigarro? Por ele mesmo, já seria etiologia de neo pulmonar.

Fernando Ferreira (19/07/2008 - 18:31)
Azenha,você não precisa de elogios, a sua crebilidade é tudo, há jornalistas e jornalistas. Se fosse um estudante de jornalismo, iria dissecar os seus textos, a forma como você faz pesquisa, até chegar ao produto final, que é este supertexto.
Parabéns pela matéria, a força da grana, corrompe quase todo tipo de cidadão, o Dantas que o diga.

Daniel Xavier (19/07/2008 - 16:11)
Azenha, eu sei que já passou um pouco mas eu não vi você falar nada sobre a libertação dos reféns colombianos e a participação camuflada dos EUA na operação. Sem falar que isso aconteceu algumas horas após o McCain deixar a Colômbia. Muito esquisita essa história e eu gostaria de saber a sua opinião. Dá uma olhada nesse artigo da CNN:

http://www.cnn.com/2008/WORLD/americas/07/09/farc.hostages/index.html

Abs!
:D

Jorge Borges (19/07/2008 - 11:03)
Isto é jornalismo e não as ladainhas medíocres que a gente assiste nas grandes redes de TV.

Minaçu City (18/07/2008 - 22:48)
Azenha, por favor, venha conhecer o povo mais antigo desta cidade. Eles te dirão nas entrelinhas o que aconteceu e acontece como nossos irmãos. É fato que existe uma comunidade que surgiu em torno da Mina de Cana Brava, como é fato as inúmeras mortes que o AMIANTO causou e ainda causa. Apesar da SAMA instalar filtros para as fibras, ainda assim o município está CONTAMINADO pois aqui, em outros tempos, era uma NÉVOA contínua.
Defensores do amianto como o dep. Léreia recebem vultuosas quantia$ da Sama para fazer lobby no CONGRESSO. Foram 300 mil reais enquanto UM morimbundo de asbestose recebia 5 mil, creio que para pagar o cortejo fúnebre, e por aí vai... Minaçu sem lei!

Marcelinho (18/07/2008 - 09:13)
Vc precisava ver no programa, Brasil em discussão na Recordnews, 2 PESSOAS defendendo o fumo , um diretor jurídico da Abrasel o outro um ITAMAR n sei o q.. Cheio de gracinha, fazendo piadinha com o médico e pneumologista do Ministério da Saúde.. Até a apresentadora ficou parcial e tomou as dores do médico. Uns argumentos ridículos desse Itamar e pior ainda do Percival da Abrasel.. Ai os e-mails foram chegando e os internautas colocaram esses dois na perede.. Lembrei logo do filme OBRIGADO POR FUMAR, qd vi os 2 lá...

Alessandra Uchoa (18/07/2008 - 07:57)
Eu me pergunto se esse pais tem jeito? Por que existem pessoas tao mas assim.

francisco.latorre (18/07/2008 - 07:42)
nome aos bois.
máfia médica, máfia jurídica.
saudades da cosanostra.
quem são os donos, colunáveis, dessa eternit.
e das outras poluidoras. assassinos.
os nomes. os nomes.
revista caras. de pau.

eduardo (18/07/2008 - 00:44)
reportagem de perder o fôlego!

Gersier (17/07/2008 - 23:29)
Parece que não tem nada a ver com o assunto mas tem,estão interligados.Veja o que disse o Juiz que ordenou a prisão da quadrilha que o gemendes mandou soltar:"se for pra ter uma instituição de faz de conta,melhor não te-la".Estava referindo sobre os questionamentos que se faz atualmente relacionada aos inquéritos e prisões feitos pela Polícia Federal,para nós brasileiros a única que verdadeiramente trabalha e tem foco.O resto é um grande e verdadeiro faz de conta,sempre foi e continua sendo assim em todas as repartições públicas desse país.Tudo e todos os responsáveis por alguma coisa,incluso aí certos terçeirizados,fazem de conta que estão interessados em resolver os problemas que lhes são postos.Não vê o Congresso Nacional?Faz de conta que trabalha.Nas votações parecem mais feirantes que parlamentares que estão alterando alguma coisa na vida dos brasileiros.Nesse caso específico,se vê que existe um conluio entre médicos que se posam de éticos,podem até ser mas...e a indústria responsável.Nota se o total desinteresse em mostrar e resolver os problemas que a exposição prolongada as fibras de asbesto provocaram.É preciso ter muita persistência porque é um parto,não de um,mas de vários elefantes quando se quer resolver alguma coisa e que tenha um órgão público ou a serviço de algum deles envolvido,seja na saúde,no judiciário, etc.Haja paciencia.

Manuel Barros (17/07/2008 - 22:27)
É triste viver em um mundo de bandidos, tenho muita pena desse senhores pois não tenho duvidas que em algum lugar responderão por todas suas mazelas.

Luiz Carlos Azenha (17/07/2008 - 17:19)
Antonio, deve ter havido algum engano. Todos os comentários feitos aqui foram aprovados. Deixe registrado, por favor, se vc comentou e não entrou. Pode ser um problema do site.
abs e obrigado

antonio (17/07/2008 - 17:12)
Fiz meus comentários e não foram considerados !!!!!
Que pena estou indicando este link a muitos amigos pena q não tem esse espaço para comentários.

Rodrigo Biro Biro (17/07/2008 - 07:20)
Lembrem-se que não é so a Eternit que fabrica produtos com abesto ( amianto )há muitas outras como grupo INFIBRA/PERMATEX, DECORLIT,ISDRALIT, CONFIBRA, todas situadas no estado de SP e ainda comercializando os produtos sem nenhuma objeçao por parte dos orgaos competentes, as mesmas que ainda utilizao já tem a nova tecnologia de materiais sem amianto, o que nao fazem parar de vender os produtos com amianto é que a relação custo X lucro e bem menor nos produto sem amianto, fazendo com que eles aleguem que não a materia-prima suficiente para a mudança total de tecnologia. A Brasilit trabalha a mais de 5 anos sem nenhum produto com amianto e hoje tem uma fabrica de materia-prima que substitui o amianto, mas as concorrentes não querem ter que comprar da lider de mercado que trabalhou mais de 3 anos no vermelho e hoje é lider com produto sem amianto.
Amianto mata !!!1 Fim do amianto em todos os estados e nao so em SP. Força amiga!!!!

José Rodrigues (16/07/2008 - 23:54)
Em Minaçu nevava Amianto dentro até da área residencial mas como é fácil de se enganar brasileiro houve um milagre e ninguém adoeceu acredite quem quizer.É fácil de se enganar os funcionários q precisam de trabalho nem q isso signifique a morte depois de anos de trabalho afinal para q serve um aposentado da Sama.Flores no funeral ou churrasquinho no final do ano um cala boca.

Mara Martins (16/07/2008 - 23:49)
O conflito de interesses é um fato! Será q não existe justiça no Brasil? A comissão de ètica da Faculdade de Medicina da USP foi desconsiderado? É tão fácil assim?Os trabalhadores nem imaginam estarem sendo envolvidos com suas vidas nesse jogo de interesse econômico,político, social e tb quanto a justiça.Que crueldade.As autoridades deveriam se manifestar precisamos de mais respostasdas nas área da saúde, justiça aguardamos mais reportagem sobre essse assunto.

Mauricio Oliveira (16/07/2008 - 23:40)
Como a Sama prefere gastar milhões com informaçoes e dados falsos do que com seus funcionários doentes. Isso é muito cruel A história do seu é muito triste, é cruel, é deshumana e muito injusta.Como o HC E USP vão provar que não estão tirando benéfício ou sendo usados pela essas indústrias do amianto?

Antonio (16/07/2008 - 23:33)
Dinheiro compra tudo até laudos feitos nos Estados Unidos, por que vão tão longe? Se não existe doença como dizem as pesquisas não existe doentes, por que tantos acordos extra- judiciais planos de saúde daos aos ex funcionários, isso é muito estranho.Será que existe justiça em Minaçu?Na porta do fórum existe uma grande rocha de amianto, o que isto que dizer?Em Goiás o q o ministério público já conseguiu fazer? É certo q os políticos são financiados por estas empresas mas a justiça isso não pode ser possível mas é importante a justiça se explicar aos trabalhadores eles merecem respostas, ações a seu favor. Parabéns pela coragem Conceição.

Custodio Silva (16/07/2008 - 23:22)
Sou ex-funcionário da Sama fico pensando como um simples trabalhador consegue processar cinco açogueiros que laudaram que o seu Manoel não tinha nada mais um ginecologista açogueiro e um outro testa de ferro da empresa conhecido por Milton? E eles tem a certeza que pagando uma indenização tudo está resolvido.Pergunte a eles se a vida deles vale somente isso?QUem liga para esses trabalhadores? Existe justiça?

Andre Fernades (16/07/2008 - 23:16)
O caso do português foi desmascarado e quanto outros que morreram sem saber nem o por quê ? Como não se indignar se um trabalhador não pode ter acesso ao seu dossiê de saúde o que leva ter certeza que esta pesquisa não é séria nem a favor do trabalhador serve somente para dados serem máscarados a favor desta empresas irresponsaveis que preferem gastar com inverdades e políticos.

Luccas (16/07/2008 - 23:09)
Fiquei indignado quanto aos médicos q reaslizam as pesquisas conhecidos como junta médica da Eternit não são profissionais,eles usam faculdades como UNICAMP,USP,unifesp para enganar trabalhadores usando nomes e fama dessas entidades. Tenho vergonha de como os trabalhadores no Brasil são tratados .Duvida que essas pesquisas tenham resultados verdadeiros,deve atender apenas os interesses da Empresa q as mantem.Que vergonha!
Parabéns pela sua coragem e seu profissionalismo.

Lúcia (16/07/2008 - 23:01)
Gostaria de parabenizar vc pela sua coragem e seu profissionalismo,q busca a verdade e a divulga e isso nem sempre é fácil conhecer o assunto, ser integra,persistente crítica e se posicinar-se diante de assunto tão sério e tb contra uma empresa tão poderosa sem escrupulo que pensa q a vida tem preço.

Conceição Oliveira (15/07/2008 - 00:35)
Conceição, eu sei que a gente não deve desanimar. Mas é desanimador Governo, academia, agências de pesquisa, sindicatos ninguém cumprindo o seu papel.
Mais uma vez agradeço pelo seu empenho de nos pôr a par deste mundo cão.
Divulgando já!
Grande abraço

Edson Munford (14/07/2008 - 23:28)
Devemos fazer boicote aos produtos da Eternit.

luzete (14/07/2008 - 22:58)
Parabéns Conceição. Excelente jornalismo, somado a muita coragem. Será que alguém do MP leu ou lerá esta reportagem?

Boletim 1420 [BECE-REBIA] (14/07/2008 - 22:39)
Aldo Vicentin foi mais uma vítima assassinada pela ganância dos que exploram
o amianto. Quantos mais tombarão? Quantos estão doentes e não sabem?
Quantos?

O desejo de Aldo se expressa nesta corajosa matéria da repórter Conceição
Lemes retratando os perigos do amianto, as omissões e a determinação de
Fernanda Giannasi pelo banimento da fibra assassina.

Olhem bem estas fotos, leiam e distribuam também a segunda parte desta
matéria feita exclusivamente para o site multimídia Viomundo do Jornalista
Luiz Carlos Azenha.

Um assunto sério, uma denúncia da maior gravidade tratado com sensibilidade
por quem faz jornalismo de verdade!

Que Aldo Vicentin descanse em paz com a certeza de que sua mensagem será
estímulo para que outros não desistam.

Parabéns Conceição Lemes! Parabéns Azenha e Leandro Guedes pelo belo
trabalho
da equipe Viomundo! Parabéns Fernanda Giannasi !
Parabéns pela construção com dignidade um mundo socialmente
justo e ambientalmente sustentável!
"Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada
façam". (Edmund Burke)



Amyra El Khalili - Movimento Mulheres pela P@Z!



Leandro Guedes (14/07/2008 - 20:19)
Parabéns Conceição pela excelente matéria! Muito boa a abordagem e a maneira com que foi explicado e provado o fato. Isso só nos mostra que o Amianto deve ser mais do que banido e sim extinto, DESAPARECIDO.

Nirmal (14/07/2008 - 18:26)
quando vai começar a campanha "Banimento do Amianto Já!"?

Anabel Scaranelo (14/07/2008 - 18:02)
Brilhante como sempre e altamente corajosa ao mexer em vespeiro. Parabens, amiga.

Marcio Gaspar (14/07/2008 - 17:27)
Ja denunciaram esses medicos pesquisadores ao CRM e ao Ministerio Publico? Isso eh gravissimo!!!

Maria Cecilia Felli (14/07/2008 - 16:49)
Muito boa sua denúncia. Pra variar, vc foi fundo!!



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