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LÁPIS COR DE PELE. PELE DE QUEM?

Atualizado em 18 de abril de 2008 às 21:44 | Publicado em 18 de abril de 2008 às 09:14

 por Denise Camargo

Gostaria de contar-lhes a seguinte história:
 
Quando meu filho ingressou na escola de educação infantil,  chegou aqui em casa certo dia dizendo que queria ser "cor de pele".
 
Gostaria de informar que somos negros. Meu marido é branco. Nosso filho, mestiço. Não conseguimos entender o desejo dele, pois ele já era cor de pele - foi o que respondi. "Filho, você é cor de pele. Cor de pele negra".
 
Esse tema rondou a casa por semanas até que um dia fui à escola descobrir o que estava havendo. E, para minha surpresa, o fato era uma mistura de incompetência para a diversidade brasileira vinda da própria professora e, muito fortemente, saída também da Faber-Castell, que tem na sua caixa de lápis de 36 cores uma cor chamada PELE. Que cor é essa?
 
Um salmão, rosa-claro, rosinha a que o fabricante denomina PELE. Pele de quem, me pergunto? Pele branca, é claro. Não seria legítimo em um país de maioria negra que houvesse também uma cor na caixa de lápis para quem não tem pele branca?
 
Ressalto que, sim, embora as estatísticas camuflem esse dado, o Brasil é um país de maioria negra. E posso informar bibliografia consistente sobre o assunto, se necessário. Ou insiram uma nova cor, que contemple a pele negra, ou mudem o nome dessa, por favor.
 
Meu filho está com sete anos agora e já faz tempo que sabe que "marronzinho", como ele mesmo dizia. Mas entendeu nesse exato momento em que quis ser "cor de pele" que vocês o submeteram a um preconceito disfarçado.
 
Camuflado em uma caixa de lápis que vemos nas propagandas cantantes, coloridas, sorridentes da marca.O fato é que desde essa época - e faz tempo! tento por este canal, sem sucesso, um contato com a Faber-Castell. O fato é que semana passada, fazendo uma compra pude ver que a cor PELE continua na caixa de lápis fabricada por vocês.
 
Quero uma resposta e providências em uma semana, por favor. Porque hoje acordei cansada de ser ignorada. Aproveito para informar que, desta vez, usarei todos os recursos necessários para que minha reclamação atinja os canais destinados a ela, bem como instituições que se preocupam com a questão no Brasil.

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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Margarete Prado (22/07/2008 - 10:48)
Parece banal, mas é tremendamente importante descobrir-se as formas clamufadas por onde entra o racismo e preconceitos que poderão moldar caráter e personalidade de alguns. Como pode uma cor ser identificada como "cor de pele"? Isto foi criação de quem????

Rebeca Oliveira Duarte (15/07/2008 - 20:28)
A quem pensa que é lenda a "cor-de-pele" rosa pálido da Faber-Castell, digo que tenho uma caixa de lápis de cor em casa dizendo exatamente isso: em castelhano, a cor se chama rosa pálido; em português, cor-de-pele. Pele de quem, cara pálida? Exatamente.

Rafael Carvalho Tavares (25/06/2008 - 21:45)
achei que você tem toda a razão, pois nosso paiz, é mestiço, porque não fazer cor de pele mestiça??????

Indira (22/06/2008 - 17:33)
O racismo no Brasil é tão intrinseco e arraigado, que alguns professores sentem-se à vontade em sala de aula para exercer seus preconceitos racistas. Quem é negro ou mulato nesse pais, e assume, sabe bem. Democracia racial ? So na cabeça doente de um Ali Kamel e afins.

François Camargo (20/06/2008 - 11:59)
Bastante pertinente esta reclamação.Passarei a mesma na integra para os meus amigos do Orkut, e pedirei explicações aos fabricantes deste produto.

Marco Rodrigues (04/06/2008 - 07:20)
O lápis cor de pele não é da cor de pele de ninguém. ELe é praticamente bege, meu caro. QUando eu estava na escola primária, eu usava o salmão pra fazer pele de pessoas brancas e o marrom para os negros... a cor de pele não serve para nada ._.

Juvenal (14/05/2008 - 21:58)
Será que se o nome "cor da pele" se referisse à cor da pele dos negros (que não é exatamente preta, diga-se de passagem), e não ao tal "salmão" clarinho, a autora desse texto teria se abalado tanto? Teria ela exigido algum tipo de mudança?

tina oiticica harris (14/05/2008 - 11:40)
Vim parar aqui via a Teia Neuronial do Thiago Leite. Aqui nos EUA vendem uma caixinha de oito crayons para "cores de pele". O racismo existe mas há muitas ações para combatê-lo.

Roberto (13/05/2008 - 11:22)
Só uma pergunta: o que é ser negro?

Conceição Oliveira (06/05/2008 - 11:35)
esqueci de identificar o comentário anterior sobre o texto publicado pelo INEP, desculpem.

(06/05/2008 - 11:34)
Para quem deseja refletir sobre os danos dos educadores não refletirem sobre o 'currículo oculto' como este de aceitar passivamente as denominações racializadas de cores (tão importantes na primeira infância) sugiro a leitura do texto de Fabiana Oliveira (Universidade de São Carlos) orientanda de Anete Abramowicz estudo de caso sobre práticas educativas e o tratamento da questão racial na faixa etária de 0 a 3 anos o link para a publicação que pode ser baixada direto do site do inep é este aqui: http://www.publicacoes.inep.gov.br/arquivos/%7B29CB25AB-8DF6-428A-B6C9-CAC08238A908%7D_MIOLO_negro%20e%20educação.pdf Vcs podem ter acesso a outras publicações neste link: http://www.publicacoes.inep.gov.br/default.asp

Thiago Dutra Vilela (03/05/2008 - 21:15)
Até hoje eu me lembro. Eu devia estar na primeira série do fundamental (atual segunda série), estava desenhando e pedi a minha mãe o lápis "cor-de-pele". Ela, como educadora e mãe, me fez refletir sobre o que eu havia dito. Percebi logo a besteira que estava dizendo. Mas não só isso, percebi que mesmo crianças negras chamavam aquele lápis, de cor "salmão-amarelado", de cor-de-pele. Não sei até que ponto isso influencia o racismo nas crianças, mas ninguém pode negar que a Faber Castell deve tirar imediatamente de circulação esse denominação de cor.

Gérson (26/04/2008 - 16:12)
Isto também merece ser denunciado: 18/04/2008 - 09h45 Em Taubaté, concurso para escriturário tem questões sobre BBB e casal "global" Publicidade FÁBIO AMATO da Agência Folha, em São José dos Campos Quem não acompanhou a última edição do "Big Brother Brasil" nem o fim do relacionamento de um casal de atores da TV Globo pode ter ficado de fora da seleção para escriturário da Prefeitura de Taubaté (130 km de SP). Do site UOL.

Ricardo Limas (23/04/2008 - 15:05)
Acho que seria o caso então de renomear para pele caucasiana , ou branca, se vc trabalha com desenho e pintura vai ver da necessidade de tal cor, isto pra mim é discução sobre sexo dos anjos, não existe. Querem arrumar racismo em tudo, parem com isso!

Rosa Amélia Barbalho (21/04/2008 - 20:30)
Sinceramente/ Adorei a discussão que incialmente parece nada, mas é muito explícito or acismo

Ana Paula Maravalho (21/04/2008 - 11:02)
O mais incrivel nao é ver que a Faber Castell ainda resiste em mudar e retirar do mercado o produto racista, mesmo com a batalha da Denise. O mais incrivel mesmo é ver gente que ainda acha que esta questao é "delirio", "racismo ao contrario" (como se isso fosse possivel!) e "politicamente correto". A luta ainda é longa!

Vilma Oliveira (19/04/2008 - 17:35)
Muito boa a discussão

Conceição Oliveira (19/04/2008 - 14:16)
Nos países de língua inglesa, parece que essa questão foi resolvida desde 1962: http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Crayola_crayon_colors Several colors have been renamed through the years, beginning with the 1958 renaming of "Prussian blue" to "midnight blue." The color known as "flesh" was renamed "peach" in 1962, partially in response to the U.S. Civil Rights Movement. "Indian red" was renamed "chestnut" in 1999 due to concern that some children thought the crayon color represented the skin color of Native Americans.[1] According to the company, however, the name originally referred to a reddish-brown pigment from India that is used in artists' oil paint. [1] The most recent name change occurred in 2000, when the name "torch red" was changed to "scarlet". (Contribuição do professor Antonio Luiz M. C. da Costa, da Comunidade História, Orkut).

Elisa Soares (19/04/2008 - 13:48)
Achei exagerado na primeira leitura. Relendo, entendi que tem tudo a ver

Josilda Campelo (19/04/2008 - 13:47)
Nunca havia pensado. Mas achei realmente pertinente

mensagem de Rebeca Oliveira Duarte por mail (19/04/2008 - 10:41)
'Fui olhar a caixa do Faber Castel. É interessante ver como isso é tipicamente brasileiro...acontece que a caixa é bilíngue - português e espanhol - e a cada palavra em português corresponde seu equivalente espanhol. Vermelho - rojo, etc. Ao chegar na cor definida em português como "pele", o equivalente castelhano é "rosa pálido". Brasil, Brasil...' (Rebeca Oliveira Duarte Advogada do Observatório Negro Fellow da Ashoka - Recife/PE) (comentário postado por Conceição Oliveira)

Da professora de artes Bebel Montenegro (SSA, BA) (19/04/2008 - 09:25)
Na comunidade: Profissão professor: 'Como professora de artes já ouvi muito aluno perguntando: - não tem tinta cor de pele ? (aboli da minha sala) - como eu faço a cor de pele ? eu respondo : - a minha pele eu pego marron, e um pouquinho do amarelo - como vc acha que pode ser a sua? e deixo pra cada um decidir, dando dicas de misturas, etc.'

Janete Ferreira (18/04/2008 - 23:27)
Achei meio confuso, complexo. Mas se muita gente afirma que há racismo, é bola pra frente

Leider Lincoln (18/04/2008 - 23:23)
Publicarei em meu blogue, a reivindicação faz sentido. E suponho que o Pamplona foi sarcástico, ao demonstrar o porquê da preferência dos alemães da Faber Castell e de gente como o Ives Gandra.

Catia Luciana (18/04/2008 - 23:20)
Todos nós sabemos que o RACISMO é muito forte nos dias atuais, mas também cresce o nível de consciência de que ele é maléfico e precisa ser combatido, denunciado e eliminado. Como educadora,convido a todos a terem uma postura crítica diante desta luta e incentivá-los a denunciá-los, que é de fundamental importância!

Para Isabel de Conceição (parte 2) (18/04/2008 - 21:56)
Mas os professores fazem parte de nossa sociedade e como tal se não forem convidados à reflexão vão reproduzir ações e discursos preconceituosos. Lembro de uma das oficinas, vou relatar brevemente um caso: uma professora conta ao grupo que propôs uma atividade para fazer um cartão para o dia das mães em uma sala de primeira série. Chama a sua atenção um menino de pele clara todo empolgado, fazendo o cartão para a sua mãe, pintando uma mulher de preto. A professora vendo o desenho correu pra intervir, mas antes de abrir a boca, o menino todo feliz, risonho, vira-se pra ela e fala: 'tá bonita a minha mãe, né, professora? Ela disse que tava, mas ficou preocupadíssima, na medida que a representação da professora para um cartão do dias da mãe era algo colorido e ela como um monte de testes psicológicos associa o uso do preto em desenhos infantis como algo anormal. Pra complicar, ela não entendia como um menino de pele clara pintava feliz uma mãe de preto. No dia seguinte descobriu o óbvio: a mãe do menino era negra. Ela relatou a experiência de um modo muito honesto e genuíno e era sensível pra refletir, a ponto de expor seus preconceitos em um grupo com mais de cem professores. O episódio a ajudou a prestar mais atenção em suas crianças negras e brancas e com toda a certeza a torná-la uma melhor professora.

Para Isabel de Conceição (parte 1) (18/04/2008 - 21:45)
Oi Isabel, então, a Denise encontrou pelo menos duas caixas em grandes papelarias com a tal cor de pele (portanto, ainda circulando por aí). Vou ver se ela fotografa e me manda. Mas pela última conversa que tive com a mulherada sobre o assunto a Faber respondeu e já deve estar tomando providências, daí fingir que não tem nada a ver com isso, né? A gente menospreza o poder da rede, a coisa anda se nos mexemos... Mas quanto aos educadores, eu venho há alguns anos lidando com uma série de ações para a educação da igualdade racial. Textos, livros didáticos, formação de professores e pesquisa. Já vi muitos relatos de professoras negras e brancas em oficinas pedagógicas. Sobre esta questão no post da HP cujo link forneci no meu primeiro comentário aqui, levanto outras (os dos cabelos 'ruim' e as referências pejorativas a cor da pele são as mais comuns), mas há muito no currículo oculto que desnorteia as nossas crianças. O dano não é apenas para as crianças negras, mas para as brancas também que não refletem sobre sua identidade a 'branquitude' em país racista e a gente vai deformando ao invés de educar para a igualdade étnico-racial. Bel, há coisas terríveis no tratamento entre crianças negras e brancas em nossas escolas e isso não é fruto de um 'complô' armado e sim herança e presença de uma sociedade racializada e racista na qual os professores precisam ser preparados para não reproduzir preconceitos. (continua)

Para Stella de Conceição (18/04/2008 - 21:19)
Oi Stella a mulherada deste espaço é ponta firme, há duas Conceição (eu e a Lemes) e mesmo assim mantemos nossas identidades, mas tenho mais sorte, né? (risos) grande abraço

Para a outra Estela, a que não acredita (parte 2) (18/04/2008 - 21:18)
continuando. O relato de Denise foi repassado por pessoas sérias em espaço sério e já mobilizou gente séria. Enfim, a Faber Castell nunca encontrou uma Denise pela frente, é bom que ela mude e se assuste e repense a sua cartela de cores.

Para a outra Estela, a que não acredita (parte 1) (18/04/2008 - 21:13)
Estela eu não sou jornalista, sou historiadora e ambas profissões quando são levadas a sério costumam ser cuidadosas com o cotejo de suas fontes. Eu tenho muitos cuidados ao postar algo na rede, sei da quantidade de bobagens bem intencionadas (a última circulando, acusa o governo inglês de retirar dos currículos escolares o Holocausto, é mentira eu descobri lendo as incongruências do mail, mas fui checar e não há nenhuma legislação neste sentido). Mas não é esse o caso, a autora do relato e da luta com a Faber Castell é fotógrafa, mestre em Ciências da Comunicação, pela ECA - USP e especializada em Cultura da Imagem, pela Universidade de Navarra, em Pamplona, Espanha. É docente do Bacharelado em Fotografia da Faculdade Senac de Comunicação e Artes onde participa do Grupo de Pesquisa da Imagem Contemporânea. É formada em Jornalismo, pela ECA - USP. Foi fotojornalista dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde e editora de fotografia da revista Irisfoto e do site Fotopro, ambos especializados na difusão da cultura fotográfica brasileira. Tem ensaios fotográficos belíssimos sobre herança africana no Brasil e nos EUA. O relato é feito em primeira pessoa, ela não tem porque mentir. Ela vem nesta briga (como relata na mensagem, há algum tempo), A Faber Castell já se pronunciou, já tem ONG envolvida na campanha, semana que vem Denise tem reunião na Faber. Confio em minhas fontes e checo o que posso antes de comprometer meu nome e das pessoas que admiro.

Gustavo Pamplona (18/04/2008 - 21:09)
Estela, não sei se existe lápis "cor de pele" mesmo, mas eu creio que o Luis Carlos Azenha não publicaria um texto destes sem checar antes as informações. Senão nem eu mesmo teria escrito aqueles três comentários... Mas que existe tinta guache "cor de pele" (beje) existe mesmo... Eu mesmo já vi isto em papelarias. Falando nisto, dê uma olhada na lista de material escolar do Colégio Marista http://www.maristas.org.br/colegios/page.asp?cod=3&codpag=9382 Tem tinta guache "cor de pele" mesmo... e também dê uma olhada na lista de material escolar da Rede MV1 de Ensino http://www.mv1.com.br/conteudo/arquivos/material_2008_jd2_e_pr.pdf e para complementar dê uma olhada no site da Livraria Melhoramentos. (Tinta guache amarelo pele) http://www.livrariamelhoramentos.com.br/supercart/cgi-bin/supercart.exe/searchID?ok=detalhes_papelaria.htm¬hing=papel_nada.htm&b=168&id_est=1084496&depto=2712 O Luis Carlos Azenha é um jornalista sério, não faria uma coisa destas...

Gustavo Pamplona [Final] (18/04/2008 - 16:02)
Na 1ª parte fui racista, na 2ª defendi claramente os negros. Mas agora vamos ao lado prático... Eu sou um homem branco e posso dizer que não tenho proteção nenhuma do Estado. Vejamos: Eu posso ser acusado de racista e não tenho benesses como licença maternidade nem aposentadoria mais cedo como as mulheres possuem. Uma das coisas que a maior parte das pessoas não entendem é o porque da diferença de salários entre os homens e mulheres e o porque da mulher negra receber bem menos do que um uma mulher branca e de um homem negro para um branco e o porque da mulher negra receber o salário mais baixo de todos. Isto se chama CUSTO. Eu por exemplo sou obrigado a trabalhar pelo menos 35 anos, não tenho benefícios nenhum de qualquer espécie que as mulhreres recebem, posso ser ACUSADO DE RACISTA e pagar alto por isto. Por isto tenho que receber alto para eu mesmo poder arcar com tudo isto. A maior parte das mulheres quando casam viram donas-de-casa. Ou seja eu não somente tenho que arcar com tudo isto como eu tenho que arcar com despesas de família. Detalhe: o "eu" em si não significa que sou eu mesmo, e sim o homem branco. E para variar, se caso meu país entrasse em guerra eu teria que ser obrigado a combater na linha de frente. As mulheres geralmente pegam postos burocráticos nas forças militares Ou seja o "HOMEM BRANCO" é obrigado a sustentar tudo isto. Por isto seu salário é mais alto. Nós, os homems brancos não temos proteçao alguma! [FIM]

Estela (18/04/2008 - 16:00)
Azenha, Você publicou esse texto, gentilmente, acreditando que ajudava uma causa nobre. Porém, já confirmei: É falso. Não existe o registro da cor PELE nos produtos da Faber Castell. Portanto, esse texto jamais foi enviado àquela empresa. Tudo não passa de uma brincadeira.

Gustavo Pamplona [Parte 2] (18/04/2008 - 15:49)
Apesar de ter eu aparentado ser racista na Parte 1, eu tenho que dizer que acho a raça negra muitas vezes SUPERIOR a raça branca e amarela. Peguem uma pessoa nascida na Suécia, na Noruega, ou na Finlândia por exemplo. Ou um branquinho de olhos azuis. Se deixarem eles no sol por muito tempo, a pele fica vermelha facilmente, pode dar bolhas em alguns casos chega a dar queimaduras de 1º grau. Pois bem, também conte o fato que os negros devido o nariz ser um pouco mais largo e narinas bem mais abertas, eles tem bem mais fôlego e resistência física do que os brancos/asiáticos. Lembrem-se do caso das olimpíadas em que Adolf Hitler esteve presente e foi obrigado a assistir a vitória de um negro numa corrida em contraste com a raça "superior" (ironia) ariana. E por terminar o homem negro possui aquele "membro" bem maior do que os brancos e especialmente os asiáticos. ;-)

Gustavo Pamplona [Parte 1] (18/04/2008 - 15:41)
Será que se a Faber-Castell, um dia colocasse nos lápis deles, especialmente os de cor marrom e preta, a seguinte inscrição "cor de pele", isto seria diferente? Bom, pelo que eu sei a Faber-Castell é uma multinacional alemã e foi fundada em 1761. Ou melhor dizendo... Será que na África o lápis de cor marrom/preto é vendido como sendo de "cor de pele". Mais uma vez, vemos o negro se rebelando contra o "racismo" que eles mesmos criaram... Muitas pessoas aqui vão dizer que sou racista quanto de fato eu não sou... O negro realmente tem INVEJA especialmente dos cabelos lisos e do nariz do branco... Eu tenho uma empregada negra que uma vez já me disse, "Eu bem que poderia ser uma preta do cabelo bom." Senti uma certa pena dela... Mas fazer o quê? A pessoa nasceu daquele jeito, tem que se conformar. Outro caso, tinha uma época que eu assistia o Mentirástico (Fantástico), uma vez a Glória Maria (esta é negra mesmo) teve uma certa inveja de um povo negro aqui nas Américas que tinha olhos azuis e verdes numa série de reportagens que ela fez cobrindo algumas partes da América Latina. Eu pergunto... É ou não é inveja?

Márcia (18/04/2008 - 14:41)
Muito bom divulgar isso. Você deveria enviar este seu texto por email todo início de ano quando compramos o material escolar para que todos boicotassem esta marca. Só de pensar o quanto eu não gastei esse ano de material com eles, nojenta essa Faber Castell.

Isabel (18/04/2008 - 14:01)
CONCEIÇÃO: Procurei o tal do lápis e realmente não encontrei. Encontrei "salmão". Será que já tiraram de fabricação? Mas fui ao site da Faber Castel e mandei de lá uma mensagem, pedindo esclarecimento. Se eu acho isso grave? Gravíssimo. Menos pela empresa, que se chamada as falas corre ou correrá para mudar, afinal eles não são nada bobos, querem vender,mas sim pela atitude da professora. Que raio de educadora é essa? Se ninguém reclamar, a coisa vai ficando assim mesmo. Eu sempre estou atenta á educação que meu filho recebe. Falta aos pais vontade e atenção. Meu filho, com 10 anos, já é capaz de compreender (e muitas vezes repreender) quando algo que cheira a preconceito paira no ar. Toda criança, se educada para tal, é capaz. O preconceito nasce em casa e se propaga na escola. É preciso cobrar constantente dos educadores uma postura digna. Quando meu filho estava no pré, as professoras fizeram uma apresentação de fim de ano que procurava retratar vários aspectos da cultura brasileira. Havia um quadro, do qual meu filho participava, sobre Iemanjá, ao som de Dorival Caymmi, onde ele era um peixinho. Os pais evangélicos da escola quiseram proibir o quadro. Eu e mais duas mães, com ânimos bem alterados, exigimos a realização da encenação. E lá foi Iemanjá com seus peixinhos de todas as cores,ao som de "hoje tem jangada no mar". Eu sou da opinião que não somos negros,brancos,amarelos,vermelhos. Somos humanos. Quem não é capaz de ver isso, perdeu o trem da história.

Mari-Jô Zilveti (18/04/2008 - 13:51)
Essa história da Denise é sensacional. Minha filha Manuela já questionou em sala de aula diversas vezes. Como assim, cor de pele? Minha pele é marrom, e a sua é amarela. E a dele também é marrom. Tinha 4 anos, quando aconteceu isso. Hoje tem 11 e vive peitando a molecada e as meninas quando lhe dizem que seu cabelo está desalinhado. Ele é crespo. E hoje vai com ele bem cacheado sem problema algum. Orgulhosa das suas melenas. Aproveito para convidar todos a ouvir uma entrevista ao vivo com Adelina Moura, uma professora de Braga, que decidiu se alidar ao celular em sala de aula. Aí vai o link do blog: http://tinyurl.com/3kd6f7. Abraços digitais, Mari-Jô Zilveti http://nomadismocelular.wordpress.com

Stella (18/04/2008 - 13:40)
Conceição e comentaristas: Essa "Estela" que acha que é exagero se preocupar com a cor pele dos lápis, não tem nada a ver comigo, Stella, que já comentei em vários posts do Vi o Mundo. Fiquei tão desconcertada com a simples possibilidade de ser confundida com alguém que possa no mínimo ser taxada de insensível em relação a como se começa a minar a auto-aceitação de uma criança, que nem consigo comentar o assunto com a profundidade e delicadeza que ele merece.

Conceição Oliveira (18/04/2008 - 12:42)
Para os que acham que o episódio de Denise e seu filho é procurar pêlo em ovo segue relato do professor Zenildo dos Santos (SP- Capital) Eu vivi isto !! Eu ainda não li o que está postado nos links. Mas, só de ouvir esta frase: "Use o lápis 'cor da pele' para fazer a pintura do rosto do desenho...", eu me lembro de uma situação que passei em sala de aula, e que foi a seguinte: Eu estava pintando o desenho e a minha professora soltou esta "pérola" e eu peguei o lápis de cor marrom e ela disse que eu estava fazendo errado a atividade, pq aquele não era o lápis da cor da pele. Aí eu coloquei os dois lápis sobre a minha pele e perguntei pra ela qual era o lápis que mais se parecia com minha pele. Ela disse que aquilo era um insulto e como minha mãe trabalhava como empregada na casa dela, eu iria apanhar da minha mãe assim que ela soubesse. A aula era de manhã e naquela tarde ela contou meu "insulto" à minha mãe. Quando minha mãe chegou em casa, ela chegou rindo e me deu um belo abraço e disse que eu tinha aprendido muito bem. No dia seguinte, na sala de aula, a professora só disse que não tinha idéia do que era ser negro no Brasil. Se hj sou assim devo tudo isto a minha mãe.

Geraldo (18/04/2008 - 12:34)
O melhor modo de mostrar que existe preconceito é esse: filho de negro esclarecido. Vê-se que a influência para querer ser claro veio de outros meios e não dos pais. Eu fico perplexo com os que atacam os negros dizendo que eles mesmos é que criam o preconceito. Uma criança não conseguiria criar isso (a não ser que fosse influenciada para isso, especialmente pelos pais, que não é o caso aqui), ela foi induzida a querer ser 'normal', ter a cor-de-pele normal. Obs: Eu sou branco, mas tenho vários amigos negros e sei como essa roda gira.

Marcos Romao (18/04/2008 - 12:27)
Poderia ser engraçado, mas não o é, mas é uma questão delicada. Denise Camargo deve se aconselhar com advogados que conheçam as filigranas do racismo para não ser ridicularizada. Antes de se pensar em um processo contra alguém, ou uma firma, é preciso se avaliar se o contrarrente tem interesse ou consciência objetiva do seu ato. No Brasil ainda não existe uma consciência generalizada de que se é necessário acabar com o racismo onde e quando se manifeste. Ainda se considera um delito de pouca monta ou de cavalheiros. Mesmo com minha experiência de fundador do SOS Racismo no Brasil, nunca havia atentado ao lápis "cor da pele" que conheco desde criancinha. O band-aids, esparadrapo cor de pele, já me incomodou quando apareceu, e meus colegas de futebol, lá com meus 12 anos se encarnavam em minha pele por não ter esparadrapo pra minha cor de pele. Recomendo a Denise para sua proteção e de seu filho, que aja em grupo para alertar a empresa produtora do lápis cor-de-pele, ofereça a ela uma oportunidade para que se redima e coloque em um museu um grande lápis "cor de pele" com direito a uma placa do tipo: "No tempo em que éramos racistas e nem sabíamos, chamávamos salmão de cor de pele....". E a propósito, Denise, fui no quarto de minhas filhas olhar o lapiseiro da Castell que elas tem, comprado aqui numa lojinha de Hamburgo, e é "salmon" mesmo, não tem nada de cor de pele lá escrito. Fale pro seu menino que mentiram pra ele e prá nós na escola. Boa sorte.

O Chris Almeida - BH (18/04/2008 - 12:07)
Stela e Fábio deviam tomar conta é da turma do "Não é nada disso que vocês vêm". É bom SIM ter uma política de tolerância zero com a discriminação racial. Entendeu?

Conceição Oliveira (18/04/2008 - 11:00)
Estela e Fábio não entendi os comentários de vcs, podem se explicar melhor? Vcs realmente acham que não há problema algum para uma criança pequena negra topar com um lápis que diz que a cor da pele não é a cor da sua pele? Muito complicado reduzir o racismo escolar que se reproduz nas mínimas práticas cotidianas a um mero 'politicamente correto'. Gostaria de convidá-los à leitura do post que indiquei no comentário anterior onde problematizo essa questão e faço alguns relatos sobre as expressões racistas que perpassam nosso cotidiano, há também além do depoimento de Denise duas matérias correlacionadas que contribui para entender que o que Denise relata não é bobagem alguma é bem sério e vem minando cotidianamente a auto-estima das crianças negras.

Douglas (www.cabecanamao.blogspot.com) (18/04/2008 - 10:54)
Sinceramente Estela, existe uma grande diferença entre seres humanos e rosas, chocolates e mares. Seres humanos, através de relações de poder e da comunicação, podem ferir, física ou moralmente - quando não ambos -, outros seres humanos. Parece-me que não está comprovado que os outros elementos mencionados compreendam o que dizemos nem sintam dor. Não imaginava ser necessário explicitar essas trivialidades, porém não parece ser o caso.

Fabio (18/04/2008 - 10:42)
Esse pessoal do politicamente correto já está passando dos limites, sério.

Estela (18/04/2008 - 10:29)
Que bobagem isso! O que faremos com o "cor de rosa"? Afinal existem rosas amarelas, vermelhas, brancas etc. E quanto à cor "chocolate"? Teremos que indagar: chocolate branco ou chocolate marrom? Claro que não. E o "azul marinho"? Os mares têm muitas cores, assim como as peles. Quando se procura "racismo" com má-fé, ele é encontrado em todos os lugares e em todas as situações, sem exceção.

O endereço para o post que mencionei no comentário anterior (18/04/2008 - 10:18)
é: http://historiaemprojetos.blogspot.com/2008/04/cor-da-pele-da-faber-castell-apelidos-e.html título: Lápis 'cor da pele' da Faber Castell, apelidos e expressões racistas, o que nós educadores temos a ver com tudo isso? Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Conceição Oliveira para os blogueiros e comentaristas (18/04/2008 - 10:16)
Turma, nós temos muito a aprender com os estadunidenses. Eles tem lá várias listas 'negras' (sic)- muito inadequado dominá-las assim especialmente neste contexto da Denise-, mas enfim tem uma bem legal de enfrentamento das redes de televisão que são reacionárias e para atingi-las além de não assisti-las eles boicotam as marcas e produtos anunciados e não param por aí, escrevem cartas pras empresas informando por que elas estão na lista 'negra' e que o boicote a marca e produtos prosseguirá até as empresas tomem uma atitude. Quando é assim descaradamente racista como a Faber Castell cabe também denúncia no MP e se a propaganda for racista no CONAR. O povo da 4 P (Poder para o povo preto) a partir de uma campanha que promovemos conseguiu tirar propagandas do ar, como uma da maionese que era bem estereotipada; outra da melissa e tem outros casos. Mas enfim o que estou propondo agora é que nós comentaristas e blogueiros freqüentadores do Vi o mundo comecemos uma campanha de boicote a marca e aos produtos da Faber Castell. Nós só vamos transformar esse tipo de situação se as ações não partirem apenas do povo negro organizado, mas se elas forem abraçadas por todos os cidadãos comprometidos com a luta de combate ao racismo neste país. Quem quiser conhecer um pouco mais desta história narrada pela Denise eu abri um post problematizando a questão com outras matérias e chamando ao boicote e denúncia, quanto mais os blogueiros espalharem a notícia e aderirem ao boicote melhor.

Guilherme M. (18/04/2008 - 09:46)
Denise, isso dá um baita processo. Dano moral por discriminação. Cabe um processo individual, em nome do teu filho, ou uma ótima ação coletiva. Procure um bom advogado.



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