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Cartas de Minas
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Jornalista revela como sindicato patronal fez campanha pelo impeachment na mídia

31 de agosto de 2016 às 22h10

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O pato era você, leitor

COMO AJUDEI A MANIPULAR OPINIÕES E VIABILIZAR O GOLPE

por Elcio Cabral Melo, jornalista, no Facebook, via Maria Frô, na Revista Fórum

Peço desculpas por ter colaborado com essa sujeira, e quero me justificar dizendo que eu estava tentando trabalhar honestamente, que entrei em depressão nesse trabalho e (ainda bem!) fui demitido.

Foi entre julho de 2014 e junho de 2015 que trabalhei como jornalista, assessor de imprensa, repórter e ghostwriter do Sindhosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de SP) e Fehoesp (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de SP) e lá ajudei a “aquecer o caldeirão” em que colocaram a democraticamente eleita presidenta Dilma Rousseff.

Um golpe começa assim: você reúne os interessados e vai “queimando o filme” da presidenta em várias frentes, culpando-a de tudo que for possível, usando as televisões, os jornais, as rádios e os portais da internet. Um dos interessados na queda de Dilma era o meu chefe, Yussif Ali Mere Jr., bem como seus colegas diretores do sindicato e da federação.

Assim, tive de escrever coisas que abomino, e quem assinava era o presidente, ou vice, ou algum manda-chuva de lá.

Consegui publicar as opiniões em jornais como “Folha”, “Estadão”, “Valor Econômico” e “O Globo”, entre outros.

Lembrando: eu era só um jornalista de uma pequena associação patronal.

Muitos outros estavam fazendo o mesmo por aí, no Brasil todo.

Exemplos: Fiesp, Fecomercio, Febraban etc…

PASSOS DA MANIPULAÇÃO

A) Desqualificar o alvo:
 “Mere Jr explicou que 2015 é “o ano do ajuste de contas”, visto que a presidente Dilma Rousseff não tomou as atitudes cabíveis na economia no passado”  — Ver aqui

— “Os dados do TCU confirmam (editorial “As Falhas do Mais Médicos“) o que já era sabido: o programa Mais Médicos, de forte cunho ideológico e que liga o atual governo à ditadura cubana dos irmãos Castro, foi feito às pressas às vésperas das eleições e tem caráter eleitoreiro.” — Ver aqui

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— “Em vez de leiloar ministérios para acalmar os ânimos dos partidos aliados – que de aliados não têm nada – o governo deveria anunciar as reformas políticas e ministeriais. Trocar favores, votos e cargos é uma barganha que faz mal à saúde.”

— “Parabenizo o economista Arminio Fraga, cujas palavras desnudaram a tese falaciosa da candidata Dilma Rousseff. Por mais que haja, no governo atual, malabarismos financeiros, a verdade sempre surgirá, pois os números não mentem. É preciso manter olhos e ouvidos atentos.” — Ver aqui

B) Impor a agenda de direita como se fosse solução para todos os problemas:

— “O texto revela o mal que centrais sindicais estão provendo nas relações de trabalho. Políticas de bondade não levam ao crescimento. O país só integrará o rol dos desenvolvidos quando melhorar a produtividade.” — Ver aqui

C) Ignorar assuntos desconfortáveis como a Lei-Anticorrupção, enviando um subordinado em seu lugar:
 “Marcelo Luis Gratão, gestor do Instituto de Ensino e Pesquisa na Área da Saúde (IEPAS), representou o presidente da FEHOESP e do SINDHOSP, Yussif Ali Mere Jr, no 1º Seminário Lei das Empresas Limpas com Foco na Área da Saúde.” — Ver aqui

D) Dar o tiro de misericórdia: 
“Junto com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e outras centenas de entidades, o SINDHOSP, a FEHOESP e seus sindicatos filiados estão apoiando a campanha pelo “Impeachment Já!” da presidente da República, Dilma Rousseff.“– Ver aqui

E) Celebrar:

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Leia também:

Senadores pró-impeachment admitem: não houve crime de Dilma

 

6 Comentários escrever comentário »

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Serjão

01/09/2016 - 04h44

A globo É o golpe, é a grande traíra da Nação Brasileira e do nosso povo! Sem a rede goebbels o golpe não se sustenta por um só dia!

Responder

Messias Franca de Macedo

31/08/2016 - 23h56

… Lei de Segurança Nacional em todos estes terroristas!…

Responder

nadja

31/08/2016 - 23h34

Minha nossa! isso tem que ser divulgado aos 4 cantos

Responder

    Nelson

    01/09/2016 - 09h30

    Amiga Nadja.

    Não há novidade alguma no que o jornalista afirma, até porque, como ele mesmo afirma, “muitos outros estavam fazendo o mesmo por aí, no Brasil todo”. Até porque, a mesma artimanha já tinha sido utilizada lá na campanha que levou Getúlio ao suicídio e no golpe que derrubou Jango em 1964.

    Um órgão de mídia, temos que ter consciência disso, é, com poucas exceções, uma empresa capitalista. E, em assim sendo, ele procura, em primeiro lugar, como primeira prioridade, o lucro. O resto, se der, vem depois. Então, não devemos esperar ética da parte da mídia.

    Há que levarmos em conta, também, que o Sistema de Poder dominante tem uma forma sutil de controle que dispensa aparatos repressivos. Aparatos que, certamente, com o tempo, gerariam forte e, possivelmente, irresistível oposição.

    Aquele órgão de mídia que ousar “sair dos trilhos” e passar a praticar um jornalismo verdadeiro, será penalizado com, por exemplo, o corte de verbas publicitárias. O empresariado capitalista se reunirá para boicotá-lo e levá-lo à falência por inanição, quero dizer, por falta de um elemento básico na alimentação de uma empresa capitalista, o din din, o dinheiro.

    Por seu turno, o jornalista, a mais das vezes, é um trabalhador que, como o Cabral Melo, tem que trabalhar para sobreviver. Se ele, não levar a linha ideológica do patrão, estará na rua e passará a amargar as penúrias do desemprego. Assim, a grande maioria fica sem opção; ou entra no esquema da mentiralhada e manipulações ou não terá emprego.

    Para terminar, amiga Nadja, eu te digo que este cenário que tracei nós vivenciamos no que, dizem e repetem à exaustão, democracia, num regime de liberdade de escolha que só o capitalismo pode nos prover.

Pafúncio Brasileiro

31/08/2016 - 22h33

Temer e Yussif, tudo entre “brimos”.

Responder

    bonobo de oliveira, severino

    01/09/2016 - 07h50

    Eh a essa corja, aves do mau agouro da doença, urubus disfarçados de jaleco branco, comparsas das quadrilhas donas de redes de jornais e TVs e sócios das quadrilhas do PMDB que se juntou o judiciário brasileiro corrupto para apoiar e participar do plano sórdido, vindo de além mar, para destruir a estabilidade política e econômica do país. Em meio a essa MEGA organização criminosa, o Moro e sua gangue de abestados é apenas um bando de jagunços que cumpre as ordens da alta malandragem constituída pelos banqueiros agiotas, nacionais e internacionais. Temos que agradecer a coragem do autor dessa denúncia que nos permite enxergar a dimensão da subversão que atingiu as instituições desse país, composta, nas esferas da chamada alta burocracia improdutiva do Estado, por quadros humanos de baixíssima qualidade ética e moral. Curioso que a campanha midiática é sempre focada em apontar desvios no lado político do Poder, no Executivo e no Legislativo. Agora podemos ver claramente que a podridão está entranhada na máquina burocrática do Estado, de onde não podemos extirpá-la em eleições. Tem que ser na bala!!

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