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CORREA CHAMA JORNALISTAS DE "APÁTRIDAS"; COLÔMBIA VAZA SUPOSTOS DADOS DE COMPUTADOR PARA O NY TIMES

Atualizado em 30 de março de 2008 às 10:41 | Publicado em 30 de março de 2008 às 09:05

SÃO PAULO - Costumo dizer que, se houver uma crise entre o Brasil e os Estados Unidos, a mídia brasileira se colocará à disposição do Departamento de Estado americano para oferecer a Washington mais espaço que ao governo brasileiro. No Equador já está acontecendo. Diante da crise entre o país e a Colômbia, que estão com as relações diplomáticas cortadas, as emissoras de TV privadas locais e os principais comentaristas políticos assumiram a defesa da Colômbia, tanto na repercussão dos acontecimentos quanto na opinião a respeito deles.

O que assistimos hoje no Brasil, em torno de um suposto dossiê, é uma crise artificial criada pela revista Veja, com apoio da Folha, Estadão, TV Globo e adjacências. Esse filme já assistimos no passado. "Especialistas" são convocados para dizer que o governo vai cair, ou que vai perder a eleição, ou que fulana ou sicrano estão fritos. É, essencialmente, uma ação eleitoral defensiva que tem o objetivo de queimar uma possível candidata à presidência da República.

Porém, qual foi a decisão estratégica do governo Lula desde sempre? Buscar uma acomodação com a mídia tradicional, fortalecendo-a com propaganda oficial - na casa dos milhões e milhões de reais. É como dar Biotônico Fontoura àqueles que querem te fazer sangrar. Até agora a estratégia de acomodação deu certo, se considerarmos a mais recente pesquisa de opinião a respeito do governo.

Mas já dá para sentir o afastamento de vários aliados à esquerda do governo Lula. O que dizem? Que o governo é unha-e-carne com a mídia tradicional, que são duas faces da mesma moeda. Mais: que o surgimento de uma mídia independente e plural - baseada em rádios e TVs comunitárias, em sites da internet e outros meios -  não interessa ao governo Lula,  uma vez que ele ficaria sujeito a críticas à esquerda.

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Essa foto deveria servir de exemplo: o presidente do Equador, Rafael Correa, denunciou publicamente o comportamento de alguns jornais de seu país, como o El Telégrafo.

O jornal equatoriano El Comercio minimizou a denúncia do presidente com um parágrafo: "É uma pena que haja estes apátridas, que em seu papel de comunicadores apóiam a conduta do governo colombiano", disse. E mais:  São "um punhado de apátridas hipócritas".

O que tem acontecido no Equador? A Teleamazonas, por exemplo, uma das principais emissoras de TV do país, reproduz qualquer acusação feita contra o Equador pelo governo da Colômbia, inclusive com uso de imagens das emissoras colombianas RCN e Caracol.

Para efeito de comparação, é o mesmo que, em uma crise entre Brasil e Argentina que leve os países a romper relações diplomáticas, a TV Globo dar cinco minutos no Jornal Nacional para acusações do governo argentino e três para apresentar a defesa do governo brasileiro. Não acredito que a Globo faria isso no caso, mas não tenho qualquer dúvida de que faria se a crise fosse entre Brasil e Estados Unidos, especialmente entre os governos Lula e Bush.

"A TV Equador é a televisão pública do Equador, que os seus filhos poderão ver sem se preocupar, sem o espírito de busca de audiência; asseguramos que será um canal educativo, resgatando os valores, a culinária, com informação veraz e imparcial", afirmou Correa a respeito da tv pública equatoriana, que em breve será inaugurada.

Ele fez acusações tanto contra o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, quanto contra o chanceler daquele país, Fernando Araújo, a quem acusou de promover a propaganda contra seu governo.

ARQUIVOS DIVULGADOS PELA COLÔMBIA MOSTRAM TENTATIVA DA VENEZUELA DE ARMAR REBELDES

A manchete acima foi divulgada neste domingo pelo New York Times, em reportagem assinada pelo correspondente Simon Romero, desde Bogotá.

"Arquivos oferecidos por autoridades colombianas de computadores que eles dizem ter sido capturados num ataque em território do Equador parecem ligar o governo da Venezuela à tentativa de conseguir armas para a insurgência da Colômbia", diz o primeiro parágrafo.

"Autoridades que participam da investigação dos computadores deram ao New York Times cópias de mais de 20 arquivos, alguns dos quais mostram contribuições dos rebeldes à campanha do presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa."

"Se certificados, os arquivos ofereceriam uma visão da natureza do mais antigo conflito da América Latina, incluindo a morte de um espião do governo da Colômbia com microchips implantados no corpo, um crime aparentemente cometido pelos rebeldes em seu esconderijo na selva."

Os grifos são meus.

Temos dois problemas com esse tipo de reportagem. Em primeiro lugar, ela é baseada em fonte anônima que tem interesse no conteúdo. Em segundo lugar, o correspondente faz ilações a partir de supostas mensagens contidas em arquivo de computador. Se eu escrevo um e-mail dizendo que pretendo arrecadar 200 mil dólares para a campanha do prefeito Kassab não significa que eu tenha arrecadado o dinheiro, nem que tenha feito a contribuição.

Porém, está lá no texto a respeito dos arquivos que "some of which also showed contributions from the rebels to the 2006 campaign of Ecuador's leftist president, Rafael Correa". Traduzindo: "...alguns dos quais mostram contribuições dos rebeldes para a campanha de 2006 do presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa."

Em nome da verdade factual, o Simon Romero deveria ter escrito que houve referência, em suposta troca de mensagens, a uma possível contribuição.

No quinto parágrafo do texto: "Embora tenha sido impossível verificar a autenticidade dos arquivos, as autoridades colombianas disseram que seu governo havia convidado a Interpol para analisá-los. As autoridades não quiseram se identificar alegando que a investigação da Interpol está em andamento."

De acordo com a reportagem, um total de 16 mil arquivos foram recuperados. O vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, disse que os laptops sobreviveram ao bombardeio por que estavam protegidos por caixas de metal.

"Pessoalmente eu não me arrependo de nada, de absolutamente nada, mas eu sou ministro de um governo que concordou que esse tipo de ação não seria repetida", disse o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. "Naturalmente isso depende de nossos vizinhos colaborarem na luta contra o terrorismo", afirmou.

"A principal arma que eles têm agora é o computador, o suposto computador de Raúl Reyes", disse Hugo Chávez a respeito. "O computador é como serviço à la -carte, dando a você o que você quiser. Quer bife? Peixe frito? Bem passado? Você terá o que o império decidir", afirmou.

De acordo com uma carta que teria sido encontrada no computador, datada de 25 de janeiro de 2007, um dos integrantes do secretariado de sete membros das FARC, Iván Marquez, teria se referido a um certo Carvajal  dizendo que "ele foi embora com a promessa de que traria um vendedor de armas do Panamá."

Carvajal, de acordo com o New York Times, seria o general Hugo Carvajal, diretor de inteligência militar da Venezuela.

"A divulgação dos arquivos acontece em um momento delicado, quando alguns legisladores em Washington estão pressionando para que a Venezuela seja incluída na lista de estados que patrocinam o terrorismo. Mas com a Venezuela entre os maiores fornecedores de petróleo dos Estados Unidos, tal decisão é considerada improvável por causa dos limites no comércio que imporia", diz o texto do New York Times.

De acordo com outro dos arquivos divulgados pelo jornal, há suposta correspondência de 21 de novembro de 2006 que menciona uma contribuição de 100 mil dólares das FARC à campanha de Rafael Correa.

O Times também fala do registro, em um dos computadores de Raúl Reyes, de correspondência entre ele e o número um das FARC, Manuel Marulanda, sobre uma espiã do governo da Colômbia que teria sido descoberta com dois microchips implantados no corpo, um sob um dos seios e outro sob o queixo. A espiã teria sido executada.

 

 

 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Gilson Raslan (02/04/2008 - 12:27)
Essa ESTÓRIA de financiamento a Rafael Correa pelas FARC é a mais pura invencionice, é a mula-sem-cabeça da COLÔMBIA/USA/MÍDIA, senão vejamos: Hugo Chaves financia as FARC, que por sua vez financia Rafael Correa.

Ninguém, com um mínimo de raciocínio, pode acreditar nessa conversa, que pode-se dizer que é conversa-para-boi-dormir.

Essa mídia imagina que somos todos idiotas!

José Ricardo Pimenta (31/03/2008 - 12:13)
Por mais factóide e artificial que seja essa nova "crise", por que é tão difícil para esse Governo que se diz "democrático e republicano" abrir todo o "banco de dados"? O que tem de confidencial nisso tudo a não ser encobrir mesquinharias?

O Chris Almeida - BH (30/03/2008 - 20:58)
Não há como um presidente em pleno gozo de seu juízo "bater de frente" com a mídia.

Correto é criar uma TV pública e incentivar a diversidade de opiniões na mídia, tratar as empresas de comunicação sob a forma da lei.
Propagandas de empresas públicas e do governo realmente são um veneno!

T.G. Meirelles (30/03/2008 - 19:23)
Olá Azenha,
Se você conhece o Grande Fausto Wolf (claro que conhece..) deve conhecer também o seu personegem, o colunista social Nataniel Jebão. O Grande Jebão, como a ele se refere Wolf, é o retrato fiel de tudo aquilo que é anti-ético, amoral e ilegal. As opiniões de Nataniel Jebão são sempre muito divertidas, pois, de propósito, são totalmente politicamente incorretas, reveladoras de um péssimo caráter e absolutamente avessas a tudo o que venha em prol do povo.
Assim, parabéns pela iniciativa de "inventar" esse personagem, que é uma espécie de Nataniel Jebão, só que com o nome de João Bastos. Rio bastante a cada comentário dele.
Abraços!

Tiago Negreiros (30/03/2008 - 15:34)
Italo e João Bastos, acredito que o governo Lula não "bate" na "grande midia" por medo. Vale lembrar que a grande balbúrdia do caso "mensalão" foi alimentado pela imprensa, causando um dos momentos mais tensos do Governo Lula. Esta mesma imprensa foi a que motivou as eleições presidenciais passada chegar ao 2° turno e tornar os senadores e deputados federais delegados de questionável categoria. Isso significa que a atuação da mídia contra o Governo Lula é muito mais eficaz no Congresso do que na contagem de votos, já que, em pesquisa de votos atuais apontam aprovação récorde de Lula. Esse trabalho mentiroso e golpista da mídia atual termina por prejudicar o andamento da administração do país, já que, trava o congresso em picuinhas que poderiam ser resolvidas de maneira mais simples. As inúmeras CPIs abertas serviram mais para vender jornal e fazer propaganda para deputado ou senador incompetente. Por esse motivo, o Governo prefere não "bater de frente" com a imprensa, ou seja, é mais cômodo ser saco de pancada do que um adversário de carne e osso. Sendo assim, Lula acredita que apanharia muito mais da Veja e de seus comparsas. É o simples medo de ser nocalteado.

Mari-Jô Zilveti (30/03/2008 - 15:28)
Azenha, sobre seu post, recomendo aos comentaristas a leitura do artigo de Gilson Caroni Filho em http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3854
"Quando a imprensa vira partido, seja de oposição ou de apoio a qualquer governo, renuncia ao seu caráter republicano, passando a ser ferramenta de interesses escusos. Há dúvidas se merece ainda ser mesmo chamada de imprensa."
Esse trecho traduz bem o que acontece hoje no Brasil.

Abraços digitais,
Mari-Jô Zilveti
http://nomadismocelular.wordpress.com

Fabio Mattoso (30/03/2008 - 15:19)
"Pessoalmente eu não me arrependo de nada, de absolutamente nada, mas eu sou ministro de um governo que concordou que esse tipo de ação não seria repetida", disse o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. "Naturalmente isso depende de nossos vizinhos colaborarem na luta contra o terrorismo", afirmou.

Preocupante esse trecho ... mostra que ainda há disposição colombiana em invadir novamente o Equador ou outro país se julgar que não estão colaborando com a "luta contra o terrorismo".

Roberto Ribeiro - Rio das Pedras - SP (30/03/2008 - 15:07)
Lula já perdeu 05 anos de mandato, poderia disseminar Rádios e Tvs Comunitárias por todo o País e derrotar o PIG de uma vez por todas. Dormiu de touca. Sem a Democratização dos Meios de Comunicação os governos democráticos serão sempre chantageados pela mídia nazista.

marcelo - curitiba (30/03/2008 - 14:31)
eu realmente nao acho qeu Lula deveria "socar" a mídia tradicional. Em time que tá ganhando, não se mexe. Ainda que na minha opinião e com certeza, de todos os do governo, nossa mídia não preste, já tá comprovado que ela tem pés de barro. Se derruba a sí mesma. Só a classe média ainda é imbecil ao ponto de acreditar na Veja e no JN. O pobre acredita em quem lhe dá o feijão de cada dia. Acredita em quem

Joao Bastos (30/03/2008 - 14:24)
"As FARCs estão protegendo a Ingrid do Uribe. "


Azenha, vide exemplo acima do teu publico...
Eh esse tipo de pensamento que voce estimula e fertiliza.
Parabens pela sua contribuicao aa idiotizacao do debate!

Joao Bastos (30/03/2008 - 13:35)
"Azenha, por que o governo Lula não "bate" de frente com a grande mídia?"

Porque o Brasil ainda eh um estado democratico de direito.

Joao Bastos (30/03/2008 - 13:33)
Azenha,

O Correa e o Chavez sao cumplices dos terroristas da FARC e estao prestes a conhecer a lata de lixo da historia.

Esse ano mesmo, tem eleicoes na Venezuela (governadores) e os aliados do Chavez vao perder de lavada, em considerando os problemas economicos daquele pais e a impopularidade de seu presidente.

Stanley Burburinho (30/03/2008 - 13:08)
Azenha, se lembra quando postei aqui um comentário sobre a possibilidade da Ingrid Betancourt ter morrido no ataque da Colômbia / USA às FARCs? //// Pois é, o marido dela vem dizendo que ela pode já estar morta. É tudo o que a dupla Uribe / Bush queriam. A Ingrid é a adversária natural do Uribe nas próximas eleições. As FARCs estão protegendo a Ingrid do Uribe. //// Se realmente se confirmar a morte da Ingrid, a dupla Uribe / Bush jogarão a culpa no colo das FARCs para justificar outro ataque contra a guerrilha mas, desta vez, para matar todos.

Conceição Oliveira (30/03/2008 - 11:35)
"Mas com a Venezuela entre os maiores fornecedores de petróleo dos Estados Unidos, tal decisão é considerada improvável por causa dos limites no comércio que imporia"

Bem isso nunca impediu os EUA de agir, não? São cinco anos no Iraque...

Ítalo (30/03/2008 - 11:25)
Azenha, por que o governo Lula não "bate" de frente com a grande mídia?

Leider Lincoln (30/03/2008 - 10:23)
Azenha, esperneia mais quem está se afogando, não é mesmo? A mídia quisling sul-americana pode gritar, pode espernear, mas ela mesmo já deve ter percebido que a sua (porquê em potuguês não há algo como ''their''?) hora está chegando. E quanto mais mentem, manipulam e tentam enganar, pior e mais rápido será este fim. Sou um otimista: o século XXI finalmente chegou na América Latina!



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