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Benayon: Brasil capturado para remeter lucros ao Exterior

28 de janeiro de 2016 às 10h03

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Finanças públicas – Expansão vs. Contração

por Adriano Benayon * — 18.01.2016

Há um debate, mais que secular, entre economistas ligados ao sistema financeiro, partidários do controle monetário, e os que recomendam a expansão dos meios de pagamento e do crédito, em favor da produção e do emprego.

2. Tanto as políticas monetárias de contração como as expansivas podem ser reforçadas ou atenuadas por meio da política fiscal: redução de despesas públicas e elevação ou manutenção de impostos, versus o contrário disso.

3. A maioria manifesta-se em favor de políticas anticíclicas: se a economia está em crescimento e aparecem tendências inflacionárias, seria o momento de adotar política contracionista, e, em caso de retração na atividade econômica, conviria expandir a moeda e o crédito, aumentar a despesa pública etc.

4. Os “desenvolvimentistas” e keynesianos preocupam-se com os indicadores de interesse da economia produtiva, enquanto os monetaristas visam à estabilidade do valor da moeda, ponto essencial para os que aplicam dinheiro em títulos, especialmente os de renda fixa.

5. A discussão parece-me estéril, por girar em torno apenas dessas questões, de natureza macroeconômica. Prefiro o enfoque da economia nacional, atenta à estrutura de mercado: 1) se é concentrada, oligopolizada, cartelizada, ou se abre razoável espaço à concorrência, propiciando surgirem novas empresas e tecnologias; 2) se prevalece ou não o capital nacional.

7. No caso de descentralizada e de predominantemente nacional, há campo para atender as necessidades reais da população, em lugar de a economia, como vem ocorrendo, ser manipulada pelo marketing, pelo merchandising e mais técnicas de venda, e determinada a consumir (independentemente de o quê) e a ser mera geradora de faturamento para os carteis transnacionais.

8. Essa é a situação em quase todo o mundo ocidental, sendo que no Brasil os residentes são ainda mais saqueados, dada a desindustrialização dos últimos sessenta anos, e a desnacionalização, dois fatores da enorme desigualdade nas relações de troca do comércio mundial de bens e serviços, e também de transferência vultosa de recursos ao exterior.

9. Desse modo instituiu-se estrutura microeconômica infalível para resultar em subdesenvolvimento, e agravada pela infraestrutura do modelo dependente, que desaproveita os recursos naturais do País, com sistemas de energia, transportes e comunicações ineficientes e superfaturados.

10. Essa situação doentia acarretou mais uma moléstia: a dívida pública gigantesca, criada pela composição de juros, a taxas arbitrariamente elevadas, impeditiva de investimentos públicos e privados, na dimensão requerida pelo desenvolvimento.

11. De qualquer modo, com a estrutura de mercado existente, maior investimento que o atual traria poucos benefícios à economia do País, consideração amiúde ignorada na discussão entre keynesianos e monetaristas.

12. Estes pretendem combater a inflação por meio das políticas contracionistas, potenciadas pelas taxas de juros altíssimas, impingidas pelo Banco Central. Já os desenvolvimentistas, como José Carlos Assis, consideram imperioso dinamizar a economia, abalada por declínio na produção e no emprego.

13. Assis demonstra a irrelevância da argumentação de Marcos Lisboa, segundo a qual políticas fiscais expansivas não funcionam em países com dívidas elevadas, pouca ociosidade no sistema produtivo (erroneamente, diz Lisboa, sinalizada pela alta inflação e juros altos).

14. Com razão, Assis retorque que esses juros resultam da política arbitrária do BACEN: poderiam cair muito, o que, entretanto, exigiria autoridade do governo sobre o BACEN e mudanças na Constituição (autoridade ao Tesouro para emitir moeda).

15. Assis lembra também que a ociosidade é alta e se reflete na contração do PIB, enquanto a inflação decorreria do alto grau de indexação formal e informal dos preços, sobretudo das tarifas públicas. Aduzo que ela provém muito da estrutura oligopolizada dos mercados. De fato, a capacidade ocupada está baixa: 66%.

16. Acrescenta, ainda, Assis que na União Europeia houve bons resultados da política expansiva, mas, tendo sido essa revertida, a zona do euro voltou à estagnação e a ter agravadas as condições sociais.

17. No Brasil houve boas taxas de crescimento do PIB, com a política aplicada em 2009/2010, quando o Tesouro injetou R$ 180 bilhões no BNDES, principalmente para a infraestrutura.

18. Diz, ainda, Assis, nunca ter apoiado a estúpida política de subsidiar a indústria automobilística e a linha branca, supostamente para preservar empregos, quando se estava, na realidade, subsidiando lucros remetidos para o exterior por multinacionais. E: “não se faz política fiscal micro: se tiver de funcionar, é no nível macro.”

19. Entendo que, com a presente estrutura de mercado, não há política macroeconômica alguma que possa dar certo.

* Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

Leia também:

O desmanche da Petrobras. Da pior forma possível

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FrancoAtirador

29/01/2016 - 17h33

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Quanto vale um Usuário do Feicibuquistão.
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(http://www.tecmundo.com.br/facebook/94762-facebook-cada-usuario-brasileiro-vale-5-reais.htm)
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Responder

FrancoAtirador

28/01/2016 - 18h40

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BRASIL: DO GUARANI AO GUARANÁ,
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O PAÍS DAS GERAÇÕES FRUSTRADAS.
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POIS É… PRÁ QUÊ?
(Sidney Miller)
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O automóvel corre, a lembrança morre.
O suor escorre e molha a calçada.
Há verdade na rua, há verdade no povo.
A mulher toda nua, mais nada de novo.
A revolta latente que ninguém vê
E nem sabe se sente, pois é, prá quê?
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O imposto, a conta, o bazar barato.
O relógio aponta o momento exato
Da morte incerta. A gravata enforca,
O sapato aperta, o país exporta
E, na minha porta, ninguém quer ver
Uma sombra morta, pois é, prá quê?
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Que rapaz é esse, que estranho canto.
Seu rosto é santo, seu canto é tudo.
Saiu do nada, da dor fingida,
Desceu a estrada, subiu na vida.
A menina aflita ele não quer ver…
A guitarra excita, pois é, prá quê?
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A fome, a doença, o esporte, a gincana.
A praia compensa o trabalho, a semana.
O chope, o cinema, o amor que atenua
O tiro no peito, o sangue na rua…
A fome, a doença… nem sei mais por que.
Que noite, que lua, meu bem, prá quê ?
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O patrão sustenta o café, o almoço.
O jornal comenta um rapaz tão moço.
O calor aumenta, a família cresce,
O cientista inventa uma flor que parece
A razão mais segura, pra ninguém saber
De outra flor que tortura, pois é, prá quê?
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No fim do mundo há um tesouro.
Quem for primeiro carrega o ouro.
A vida passa no meu cigarro.
Quem tem mais pressa que arranje um carro
Prá andar ligeiro, sem ter porquê
Sem ter prá onde, pois é, prá quê?
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(https://youtu.be/sAhFBHeG-os)
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(https://youtu.be/ZBAFMTApVEA)
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(https://youtu.be/wkEGNgib2Yw)
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(https://youtu.be/fEY9Z8LJfMY)
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(https://youtu.be/EGyb11knYYo)
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(https://youtu.be/EwIcHJleS5A)
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(https://youtu.be/FOsXaaW4Pkk)
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(https://youtu.be/YaAMiZiH4eE?t=525)
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(http://tvbrasil.ebc.com.br/musicograma/episodio/mpb4-e-quarteto-em-cy)
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