Atualizado em 15 de julho de 2008 às 17:35 | Publicado em 15 de julho de 2008 às 17:11
O relatório do delegado Protógenes Queiroz sobre a suposta quadrilha formada pelo banqueiro Daniel Dantas diz que o empresário mantinha 151 empresas, muitas delas apenas de fachada, para legimitar os seus negócios - um dos quais se destinava a depositar quantias no Exterior para clientes brasileiros, violando a lei e permitindo a sonegação de impostos.
Os dados estão na íntegra do relatório enviado pelo delegado ao juiz Fausto Martins de Sanctis, da Sexta Vara Criminal Federal de São Paulo, que serviu de base para o pedido de prisão de Dantas e seus sócios. A íntegra do relatório foi divulgada pelo Consultor Jurídico. O relatório não inclui as informações coletadas pela Polícia Federal depois do cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
O relatório inclui transcrição de telefonemas e mensagens eletrônicas trocadas entre os suspeitos. Nele, o delegado fala na existência de cinco discos rígidos apreendidos na sede do Banco Opportunity, que serviram de base para a investigação.
O relatório sugere que o advogado Luiz Eduardo Greenhalg, ex-deputado federal do PT, era um dos três operadores de Daniel Dantas no lobby junto ao governo federal pela fusão das operadoras de telefonia que resultou na BrOi. O codinome de Greenhald seria Gomes.
Os outros dois são Guilherme Henrique Sodré Martins (Guiga) e Humberto José Rocha Braz (Guga).
Reprodução de conversas telefônicas revela que no dia 27 de março, às 20:36, Daniel Dantas ligou para Guilherme para dizer que o acordo entre o Opportunity e o Citibank havia sido concluído. As partes tinham uma disputa judicial em Nova York. Resolver a pendenga era um passo necessário para permitir a fusão das empresas de telefonia no Brasil - negócio que interessava a Dantas.
Às 21:12 "Guilherme fala com o senador Heráclito Fortes dizendo que tudo foi resolvido e que todas as pendências foram resolvidas, agradecendo a grande ajuda do Senador".
Às 21:15 "Guilherme conversa com o ministro Geddel. Guilherme diz que Daniel V. Dantas mandou um grande abraço para o ministro".
No dia seguinte, 28 de março, Guilherme conversa às 18:07 com o advogado Greenhalg:
"Guilherme diz que o senador Heráclito Fortes ligou pra ele pra dizer que foi a plenário fazer a defesa da Ministra e Greenhalg diz que considera o dossiê uma brincadeira de mal gosto e que a assessora Erenicy vai ser mandada embora, que conversou com a Ministra Dilma pela manhã noticiando a ela a conclusão do episódio 'daquela situação' (acordo entre CITI e DANTAS) e agradecendo à Ministra", diz o relatório.
O relatório não explica o motivo pelo qual um senador da oposição teria ido ao plenário fazer a defesa de uma ministra do governo. O dossiê a que o texto se refere é referente às despesas pessoais de Fernando Henrique Cardoso na Presidência.
O documento revela o esforço de assessores de Daniel Dantas para obter a fusão da Brasil Telecom com a OI.
Na conversa gravada entre dois assessores de Daniel Dantas - Arthur Joaquim de Carvalho e Guilherme Henrique Sodré Martins -, eles fazem referência a um desentendimento entre o senador Heráclito Fortes e Kátia Abreu, a líder do DEM, que poderia complicar o negócio. Um dos assessores lamenta críticas do senador Fortes à senadora petista Ideli Salvatti que, segundo ele, poderiam fazer "desandar tudo", numa provável referência à fusão das empresas de telefonia, impossível sem a anuência do governo federal:
ARTHUR - Disse que o Heráclito se dirigiu a Ideli quatro vezes dizendo que ela tava lá a serviço do Daniel Dantas num sei o que esculhambando com ela...
GUILHERME - Rapaz eu não sei, mas ele... ele num... ele tá... a briga dele com Ideli suplanta qualquer coisa, é política...
ARTHUR - Rapaz ele não pode fazer isso não, pode desandar tudo...
GUILHERME - Eu não ouvi isso. Ele me ligou perguntando qual era a posição tá certo? Porque Kátia, Kátia... Kátia passou ele do lado dela, rapaz....
ARTHUR - Kátia passou o que?
GUILHERME - Passou ele do lado dela...
ARTHUR - Orra cara...
GUILHERME - É posição do partido, rapaz, ele não tem como ficar contra o partido, tá certo, não tem como...
ARTHUR - Rapaz mas não pode cara eles estão metendo pau no nosso negócio...
GUILHERME - Eu não ouvi isso, eu digo, Arthur não acredito que seja exatamente assim...
ARTHUR - Ele não pode, ô...ô...ô... ele vai votar contra a gente cara?
GUILHERME - Eu não... Eu tô lhe dizendo que eu não acredito que ele fez exatamente assim, ele não é uma pessoa irresponsável... é amigo, tá certo, me ligou hoje preocupado com a situação que a gente tá vivendo... tá certo, mas me disse que Kátia tava arrigimentando votos... a posição é do Democratas, tá certo, agora eu quero ouvir o que ele disse Arthur...
ARTHUR - Eu sei, deixa eu falar, eu recebi a informação de que ela estava recebendo 2.000.000,00 da OAS, né?
GUILHERME - Eu sei, eu disse a ele isso no telefone amigo, eu digo eu não posso competir com a OAS, ponto...
Mas adiante, na mesma ligação, Guilherme fala a respeito de Heráclito Fortes: "Ele é vendedor de péssima notícia... é assim que ele faz a vida inteira sabe? É vender péssima notícia..."
Vindo dos tucanalhas e demônios, nada é novo para mim. Eles só sabem doar o patrimônio publico e depois receber a parte que lhe é devida.