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TOURAINE, POR QUÉ NO TE CALLAS?

Atualizado e Publicado em 22 de maio de 2008 às 20:24

Olavo de Carvalho, em 21 de maio de 2008, no MidiaSemMascara.org

Em recente entrevista à France-Presse , em Lima, o mundialmente célebre sociólogo francês Alain Touraine disse que “a América Latina caminha para a Direita ”. O argumento que ele apresentou para justificar uma afirmativa tão extravagante foi que “nenhum dos países da região fez reformas para reduzir a desigualdade”. A ciência política nasceu quando Platão e Aristóteles distinguiram entre o discurso do agente político que quer produzir certos efeitos práticos e o discurso teorético do estudioso que quer apenas compreender a ação política. Decorridos dois mil e quatrocentos anos, ainda há quem se esforce para apagar essa distinção, de modo a que o olhar atento do filósofo não constitua obstáculo à ação política baseada na confusão e no erro. Hoje em dia esse esforço é premiado com honras acadêmicas e aplausos da mídia, constituindo mesmo tudo o que um cidadão precisa fazer para celebrizar-se como cientista político.

Direita e Esquerda são termos que podem ser usados seja por um observador para descrever entidades políticas concretas, seja por essas mesmas entidades para definir-se a si próprias ou a seus adversários. Têm, portanto, três camadas básicas de significado. São, em primeiro lugar, nomes de grupos políticos atuantes, perfeitamente identificáveis. Em segundo lugar, nomeiam um conjunto de ideais e valores, reais ou fictícios, alegados para legitimar as ações desses grupos. Em terceiro lugar, e com emprego inverso, constituem o nome de vícios e crimes que cada um dos grupos imputa ao respectivo adversário.

Só o primeiro desses três sentidos corresponde diretamente a uma realidade objetiva: os outros dois são expressões simbólicas de emoções e preferências subjetivas. Deixar claro em qual desses três sentidos as expressões estão sendo usadas é um dever que incumbe até mesmo às pessoas empenhadas na pura ação política, quanto mais ao estudioso acadêmico. Confundir os significados é a obra dos demagogos e charlatães.

Na primeira das três acepções, Esquerda é o nome das entidades que sustentam a política de Lula, no Brasil, de Hugo Chávez, na Venezuela, de Evo Morales, na Bolívia, etc. Na segunda acepção, representa o conjunto de pretextos ideológicos que legitimam essa sustentação, o mais veemente dos quais é a promessa de “reduzir as desigualdades”. Na terceira, expressa a auto-imagem desses grupos enquanto inimigos da Direita , identificada, para fins de propaganda, como criadora e beneficiária da desigualdade.

Nos países latino-americanos presentemente governados pela Esquerda , os partidos que ela denomina de Direita - dos quais alguns se autodefinem como tal e outros não - encontram-se cada vez mais distanciados não só do poder como da mera possibilidade de alcançá-lo um dia, tal a força dos mecanismos repressivos e de controle, ostensivos ou sutis, que a Esquerda dominante mobilizou contra eles.

Em segundo lugar, a Esquerda latino-americana está organizada supranacionalmente, através do Foro de São Paulo e da sua bem azeitada rede de contatos, que lhe tem propiciado vitórias em cima de vitórias, enquanto os partidos de Direita se limitam a reações locais e inconexas, incapazes de fazer face a uma estratégia continental unificada. Muitos desses partidos encontram-se tão debilitados que já temem ostentar o rótulo de direitistas e buscam adaptar-se ao esquerdismo triunfante por meio de toda sorte de concessões pusilânimes e mimetismos simiescos. Mais ainda, as organizações de esquerda , apoiadas por fundações bilionárias, por organismos internacionais e pela grande mídia da Europa e dos EUA, têm hoje recursos financeiros com que nenhum partido de Direita ousaria sonhar.

Por fim, o governo dos EUA, em vez de contrabalançar a situação ajudando os partidos latino-americanos de direita no seu próprio interesse, insiste na velha tática de buscar “conter a Esquerda radical ” por meio do apoio à Esquerda moderada , ignorando solenemente a solidariedade profunda entre as duas esquerdas e ajudando a marginalizar e estrangular as poucas forças de Direita e pró-americanas que possam restar no continente. Nesse panorama, a coisa mais evidente é que a Esquerda , como força concreta organizada, já domina a América Latina como nenhuma outra corrente política unificada jamais dominou antes, e que as perspectivas de afastá-la do poder são cada vez mais remotas e, a curto prazo, praticamente inexistentes.

Por outro lado, é um fato histórico inegável que a Esquerda , justamente nos países que dominou da maneira mais completa e incontrastada, como a URSS, a China ou Cuba, não só fez pouco ou nada para reduzir as desigualdades, como realmente as aumentou. Tanto do ponto de vista político quanto do econômico, a distância entre os privilegiados e a massa popular aí cresceu a um ponto que o cidadão comum das democracias mal pode conceber, mas que se mede em números: jamais se morreu de fome, no mundo, como se morreu nessas nações governadas por nababos revolucionários. Em matéria de fome e miséria, nada, nos países capitalistas, ou mesmo na maior parte das colônias das antigas potências européias, se compara ao que se passou na Ucrânia em 1932-33 ou na China durante o Grande Salto para a Frente .

Definir a Esquerda pela “luta contra a desigualdade” é defini-la pelo seu discurso de auto-exaltação ideológica exclusivamente, vendendo como realidade atual e concreta o que é somente um slogan publicitário e uma promessa jamais cumprida. Isso não é ciência, é vigarice intelectual. Vigarice tanto mais intolerável quando acoplada à fraude semântica complementar e inversa que, recusando à Direita o privilégio conferido à Esquerda , de autodefinir-se por seus ideais nominais, a define pelos males e pecados que a Esquerda lhe imputa. Mas fazer desse truque imoral o fundamento para o diagnóstico de uma situação política concreta, saltando da mera confusão proposital de conceitos à falsificação de um estado de fato, já é ir além da pura vigarice, é abdicar da condição de intelectual e rebaixar-se ao nível dos demagogos mais chinfrins e desprezíveis.

Além de camuflar o poder da Esquerda sob o falso alarma de uma guinada à Direita , desviando as atenções gerais de um desastre atual e presente para um perigo remoto e fictício, o professor Touraine transforma em propaganda esquerdista aquilo que, pela sua substância fática, só poderia e deveria ser um ataque frontal à hipocrisia das organizações de Esquerda , ao já proverbial cinismo com que, uma vez chegadas ao poder, elas só se ocupam em conquistar mais poder ainda, em vez de zelar pelo bem do povo que nelas confiou.

Não, o que define a Esquerda , historicamente, não é a luta contra a desigualdade. É a luta pela concentração de poder político, sob o pretexto de combater a desigualdade. Foi isso o que se viu na Revolução Francesa, na Revolução Russa, na Revolução Chinesa, na Revolução Cubana e por toda parte onde a Esquerda reinou sem ser atrapalhada pela presença da maldita Direita . Mesmo nas nações democráticas, onde tem adversários a enfrentar, a Esquerda busca sempre aumentar por todos os meios possíveis o poder da burocracia estatal. E, como a concentração do poder político concentra também necessariamente o poder econômico – motivo pelo qual os capitalistas monopolistas ajudam sempre a Esquerda , não a Direita --, a Esquerda mundial deve ser definida estritamente, segundo a substância da sua realidade histórica, como a força política que há pelo menos dois séculos promove a desigualdade em nome da igualdade.

Nenhum cientista social, mesmo sem o prestígio do prof. Touraine, tem jamais o direito de tomar slogans como realidades, seja para favorecer o seu próprio grupo político, seja para denegrir o adversário.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Paulo Lustosa Demmani (08/08/2008 - 10:14)
Acho o Alain Torraine meio bocó... mas para dizer a verdade conheço pouco a obra dele. Do Olavo de Carvalho sei dos artigo furibundos (e mal informados). Mas o que mais me intriga é algo que pouca gente sabe: o Olavo de Carvalho é astrólogo, tendo no passado inclusive feito consultas astrológicas (mapas astrais). Como a astrologia é neutra, nem de direita nem de esquerda, não há nenhuma contradiç

Dermeval Vianna (20/07/2008 - 18:58)
James Petras, em seu sítio, manifesta opínião quase semelhante a do filósofo Alain Touraine, de que a esquerda da América Latina, tem muito pouco de conteúdo igualitário.Vejamos o caso da Argentina, com o recente ´panelaço` promovida pelos agentes do agronegócio com boicote de gêneros alimentícios de primeira necessidade. Christina Kishner tem como vice um senador que deu-lhe uma rasteira daquelas na última votação rejeitada pelos seus pares, de aumento dos impostos das commodities agrícolas. Na Bolívia, a turma do Evo Morales se encastelou nas sinecuras estatais, e o povo perde as esperanças de reformas sociais prometidas em campanha.A esquerda de Hugo Chaves reclama por reformas que não vêm, mesmo com petróleo a 140 U$S dólares. Lula não sai do receituario neoliberal deixado pelo ´farol` de alexandria, do Daniel Dantas e do consenso de washington. Sem Lula, Bachelet e Christina Kichner, o que resta para Evo Morales, Hugo Chaves e Rafael Correa, para unir seu eleitorado e justificar a presença no poder, senão, invadir a Colômbia de Uribe e completar a revolução bolivarista.

Carlos Silva (14/07/2008 - 15:29)
Os comentários feitos a este artigo seriam revistos agora que estoura o caso do Daniel Dantas, que se abrir a sua caixa de pandora vai fulminar todo o espéctro ideológico desta triste pátria, e como, brincou o Paulo Henrique Amorim, vai fazer o PT virar um PTB.

Paulo (22/06/2008 - 22:50)
Eu pergunto ao regionalmente famoso por suas idéias torpes: Olavo (argh) por qué no te callas? (Para siempre)

Indira (22/06/2008 - 17:23)
O titulo cai melhor ainda para o Olavo de Carvalho...

Dimitri (14/06/2008 - 20:27)
Ilustrissimo Sr. Olavo de Carvalho, porque nao sai do alto dessa montanha e desce ate nossa planicie?? Sera bem-vindo!

Daniel Lavieri (10/06/2008 - 16:43)
Azenha, o OC pode dar as mãos com Reinaldo Azevedo. Acho que OC é ainda pior que esse último porque tenta disfarçar seu reacionarismo inflando sua retórica. O Reinaldo Azevedo admira esse cara. Bom, daí dá pra perceber o quanto OC incorpora a filosofia neoliberal e conservadora americana. Os seguidores de OC consideram-no um expoente da Filosofia, mas nem ao menos OC possui diploma de bacharéu na área. É um indivíduo que escreve muito bem. Mas pára por aí qualquer outro elogio. Pode-se chamá-lo até mesmo de lunático, porque emite opiniões sobre um mundo que somente observa através da televisão e do que ouve no rádio lá de sua casa na Virginia. O cara é contra qualquer forma que se oponha aos interesses norte-americanos. Não é capaz de ponderar nenhuma opinião contrária à política externa americana. Só quer mostrar um lado da moeda. E essa moeda para ele tem 2 caras ou 2 coroas. E é moeda de dólar.

marcosomag (31/05/2008 - 05:31)
Como escreve bobagens este Olavo De Carvalho!O capitalismo monopolista apóia a esquerda?O cara desconhece completamente a Lei De Concentração Do Capital, uma das mais importante da Economia.Como todo o capitalismo hoje é monopolista; então podemos chamar os grandes acionistas das multinacionais de "camaradas"!Ha!Ha!Ha!Escrever que morreram mais pessoas de fome no socialismo do que no capitalismo é outra piada;ainda mais em um momento onde exatamente a incursão dos grandes fundos de investimentos na agricultura está causando a fome no mundo.O capitalismo mata diretamente de fome (pela impossibilidade dos mais pobres adquirirem víveres) e indiretamente (pelo esmagamento dos pequenos agricultores,comerciantes, empresários urbanos, pela grande empresa capitalista).Apenas quando a indústria têxtil britânica eliminou a pequena manufatura na Índia, no século 19, estima-se que morreram de fome mais de 100 milhões de indianos.Este Olavo De Carvalho,espécie de Walter Mercado metido a besta, não se cansa de passar vexame. Ainda mais, quando tenta contestar um verdadeira filósofo como Aláin Tourraine.

Eduardo Aires (28/05/2008 - 20:37)
Bom dia, nem sei se o senhor lê os comentários que são feitos no seu Blog, mas quando tratamos dos pensamentos de esquerda e de direita, estamos tratanto de um dilema, igualdade versus liberdade. Esses conceitos são complementares em uma concepção "iluminada", que agrupa todos sob a bandeira de "igualdade, liberdade e fraternidade". Ao cair da noite temos um paradoxo, não podemos aumentar as liberdades individuais sem promover as desigualdades, nem promover a igualdade sem cercear as liberdades individuais. Ambos os caminhos levam ao acirramento dos ânimos. Ao meu ver o Brasil, apesar de ter um partido de esquerda no poder, acelerou um processo de liberalismo iniciado por Collor e itensificado por Itamar e FHC. Assim, Touraine está correto no caso Brasileiro, Colombiano, Chileno e Argentino. Mas, se pensarmos em Venezuela, Bolivia, Equador e Paraguai podemos dizer que ele errou. Esse foi o erro dele, colocar toda a America latina em um balaio só, quando na verdade somos muito diferente. Como admirador seu, gostaria de sugerir um assunto para reflexão aqui no blog. Qual a ligação de duas políticas do atual governo com a crise dos alimentos. 1- As inundações das terras ferteis - nas planices dos rios - motivadas pelas instalações das várias barragens para fabricação de alumínio. 2 - A diminuição da área plantada de alimentos em favor de plantações de alta aceitabilidade para outros fins (cana, soja, mamona, girasol e canola não são propriamente alimentos)

Carlos Muniz (26/05/2008 - 20:48)
Apesar de não concordar com a politíca econômica idealizada por Chaves e Lula, tenho que ser prático e reconhecer que através de dados da própria ONU que com a chegada da esquerda ao poder na Venezuela e no Brasil, diminui-se a fome e a miséria nesses dois países. O que eu gostaria de saber depois de um texto desses é porque a direita não reconhece isso.

Carlos Henrique (26/05/2008 - 16:53)
A direita é conservadora, defende o status quo. É por isso que fica difícil descrever a ideologia da direita, pois ela não existe. Ela é unicamente reacionária, reagindo aos estímulos de mudança produzidos pela esquerda.

Menjol (26/05/2008 - 13:09)
Azenha, a exemplo do que você fez com um texto do sr. Ali Testando Hipóteses Kamel (onde você deu o seguinte título ao artigo "Ali Kamel é jornalista"), neste artigo, de igual modo, você deveria ter colocado o título " Olavo de Carvalho é filósofo". Desta forma muitos leitores teriam mais facilidade para entender o por quê da ojeriza de muita gente quando se fala de filosofia. No mais: tirem as crianças da frente do computador.

O Chris Almeida - BH (26/05/2008 - 09:28)
O que achei mais interessante nesse discurso frágil do Olavo é o alerta contra a promiscuidade estado-corporações. No mais, o que ele critica na esquerda, combater uma construção feita por ela própria (direita diabólica e pró-desigualdade), ele faz em seu artigo (esquerda diabólica, controladora e mentirosa). FRACO!

luzete (25/05/2008 - 22:35)
Olha só o que este senhor disse: "Em segundo lugar, a Esquerda latino-americana está organizada supranacionalmente, através do Foro de São Paulo e da sua bem azeitada rede de contatos, que lhe tem propiciado vitórias em cima de vitórias, enquanto os partidos de Direita se limitam a reações locais e inconexas, incapazes de fazer face a uma estratégia continental unificada. Muitos desses partidos encontram-se tão debilitados que já temem ostentar o rótulo de direitistas e buscam adaptar-se ao esquerdismo triunfante por meio de toda sorte de concessões pusilânimes e mimetismos simiescos" Daria até prá gente ficar com dó da direita...tão, mas tão delibitada... este senhor não sabe de nada... esperto ele. O Sânzio tem razão, com licença...

O Chris Almeida - BH (25/05/2008 - 18:47)
Ele tava até criticando bem até que começou a falar do FORO e bendizer os EUA, ainda bem que voltou ao foco. Boa publicação Azenha. Belo alerta nesses tempos de BrOi.

Luisa (25/05/2008 - 10:29)
Existe também uma terceira vertente além da esquerda e direita, que é a dos neo-fascistas, nesta categoria se enquadra este senhor que se diz professor.

Aparecida Maciel (24/05/2008 - 22:12)
Em tudo o que se fala e que se omitem por essa imprensa vendida, pode-se sentir o desespero dos correligionários de FHC. Fazem tentativas desesperadas para desacreditar o governo Lulam desmerecendo mesmo o que tem feito de positivo, para o povo de modo geral (e tem feito muito). Álvaro Dias, Artur Virgílio, Heráclito Fortes e outros envergonham a política brasileira.

Frederico Gorski (24/05/2008 - 21:39)
Não sejamos tão exigentes. Vejam, dessa vez, ele utilizou o termo "Foro de São Paulo" apenas uma vez o texto inteiro. Trata-se de uma evolução...

Di Carlo (23/05/2008 - 12:23)
Olavo, o neurótico. Tronou-se motivo de piada faz tempo. Parece que ele gostou de ser o bobo da corte para aqueles que ainda não sofreram uma lobotomia. Então, ha ha ha!

Sanzio (23/05/2008 - 11:29)
Com licença, vou sair para vomitar.

Antonio (23/05/2008 - 10:21)
Realmente, acho que estes emissários da corte demo-tucana estão muito incomodados. Que dizer da falta total de argumentos que sustentem a tese do autor. O título melhorado seria: FHC e sua corja, porque não calam e saem de fininho do cenário".

Nilson Euclides da Silva (22/05/2008 - 20:39)
CONHEÇO UM POUCO DA OBRA DE ALAIN TORRAINE, E ACHO QUE SUAS REFLEXÕES SÃO FRUTO DE UMA VIDA INTEIRA DE TRABALHO COMO INTELECTUAL, E CONSIDERO INAPROPRIADO DEFINI-LO COMO DE DIREITA OU ESQUERDA. A AFIRMAÇÃO CONTIDA NO ARTIGO, DE QUE A ESQUERDA MATOU MUITO MAIS GENTE DE FOME NAS REVOLUÇÕES QUE PROMOVEU E NOS PAISES EM QUE GOVERNOU CABERIA ACRESCENTAR QUE O "ESTADO" O "PODER" MATOU PESSOAS E CONDENOU MILHÕES DE OUTRAS A MISÉRIA E A INJUSTIÇA. O "ESTADO" SEJA DE ESQUERDA OU DE DIREITA CUMPRIU ESSA MISSÃO. O SR. ALAIN TORRAINE EU CONHEÇO UM POUCO, O OLAVO..........



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