Atualizado em 02 de maio de 2008 às 14:51 | Publicado em 02 de maio de 2008 às 14:33
WASHINGTON - Os Estados Unidos desceram do muro em relação às pretensões separatistas de quatro departamentos da Bolívia, de acordo com entrevista que o subsecretário de Estado adjunto para assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, deu ao jornal "El Pais" em Madrid. Aí tem o dedo da secretária de Estado Condoleezza Rice, que implementa a democracia "fala mansa" do Itamaraty no Departamento de Estado. Mas permanece o ranço de acreditar que jogar dinheiro na região resolve algum problema. Segue a íntegra:
O Tratado de Livre Comércio com a Colômbia está morto? Depende dos líderes do Partido Democrata. Do nosso ponto de vista, e o presidente tem falado claramente sobre isso, é algo que devemos à Colômbia por ser um bom aliado na luta contra o narcotráfico e o terrorismo. Começou a transição em Cuba? Sem dúvida algo está acontecendo. Há uma série de medidas para tentar mostrar que o governo tem capacidade de promover a mudança. O que não está claro, no entanto, é qual é o propósito da mudança. Nossa política é promover uma transição pacífica e cubana para a democracia, ou seja, feita pelos cubanos. Mas, do nosso ponto de vista, a forma de iniciar um processo assim é abrindo espaço para um diálogo nacional e libertando os presos políticos. Não chegou a hora dos Estados Unidos suspenderem o embargo à ilha? É um tema sobre o qual existem muitas opiniões. Queremos nos aproximar de Cuba para ajudar a transformação em um país democrático, não queremos fazê-lo apenas para melhorar as relações ou ajudar o governo em um momento não muito bem definido. Buscamos algo mais audacioso do que permitir que os cubanos comprem telefones celulares. Faz anos se diz que a guerra contra o terrorismo distraiu os Estados Unidos da América Latina... Não é verdade. Bush é provavelmente o presidente mais ativo na América Latina desde John Kennedy. Viajou à região oito vezes em sete anos, 12 vezes se se incluir o Canadá. Visitou mais países e recebeu mais líderes do que qualquer outro presidente e duplicou a ajuda econômica. No princípio do mandato estávamos dando cerca de 800 milhões de dólares de ajuda por ano e agora a média é de quase 2 bilhões. E negociamos dez tratados de livre comércio na região. Como se vê de Washington a situação da Venezuela? Em primeiro lugar creio que o referendo de dezembro demonstrou que a democracia tem capacidade de defender-se e, em segundo, que o interesse principal dos eleitores é sobre a capacidade do governo de governar, de fazer frente aos problemas atuais como recolher o lixo, atuar contra o crime e assegurar o abastecimento de alimentos. O povo venezuelano está enviando um forte sinal a seu governo neste sentido. A Bolívia realiza domingo um referendo polêmico sobre a autonomia da província de Santa Cruz. Crê que há perigo de ruptura? Ninguém na América do Sul apóia a ruptura da integridade territorial da Bolívia. Nem nós. Temos compromisso com a unidade territorial de todos os países da região, mas assim mesmo somos a favor da expressão, de uma maneira democrática, dos interesses dos diferentes grupos e setores. O mais importante na Bolívia neste momento é que há um conflito político baseado mais que nada na intenção de desenvolver uma nova Constituição. A América Latina parece guinar à esquerda. O último país a fazê-lo foi o Paraguai. Cada país tem sua própria história política. Do meu ponto de vista, falar de esquerda ou direita não tem o valor que talvez tivesse no passado. O que estamos vendo na América Latina hoje em dia é que os eleitores querem líderes que respondam a eles, que entendam que as coisas mais importantes pertencem à agenda social, ou seja, à luta contra a pobreza, contra a desigualdade, contra a exclusão social e esperam que seus líderes tenham planos de ação para fazer frente a estes problemas. O que estamos vendo em cada eleição é que os ganhadores são sempre os que demonstram entender o que os eleitores querem, seja Lugo no Paraguai, Uribe na Colômbia ou Lula no Brasil. O Brasil é um sócio ou um rival? É um grande sócio. Uma das grandes conquistas do presidente Lula e do presidente Bush é que estão tornando realidade a potencialidade que sempre existiu entre os dois países, mas que por várias razões nunca se consolidou.
O maior desejo, como a cereja em cima do bolo de chocolate, do departamento de estado dos EUA é anexar Cuba a Miame. É o momento!