Dpadua (10/04/2008 - 10:52)
1) empresas não acabaram com o analfabetismo, pelo contrário, facilitaram a institucionalização da MEDIOCRIDADE nas escolas e universidades (médicos vendidos para farmacêuticas, advogados sem senso de justiça, etc.).
2) empresas não baratearam nem atualizaram a telecom do país, que continua uma das mais CARAS e DEFASADAS do mundo (contas de telefone estão no top 3 de todo orçamento familiar nesse país, mesmo com o pontecial do wifi, wimax e do mesh-networking).
3) empresas não democratizaram a mídia, mas viabilizaram um império de controle do imaginário e ALIENAÇÃO (cerveja, mulher e carro na veia - anuncie e adestre!).
4) empresas não fortaleceram a cultura popular do Brasil, mas se apropriaram de manifestações regionais/locais para exercer sua propaganda faminta de lucro, além de cercear os espaços onde os talentosos não aparecem, apenas os fantoches da indústria cultural (a promessa do lucro e da riqueza material aniquilando a espontaneidade e as expressões comunitárias).
INCLUSÃO DIGITAL é apenas um nome estúpido para a tentativa de entrada do povo nos 4 campos listados acima: Tecnologia de Informação, Mídia, Cultura e Escola. O governo só faz um papel de articulador porque nós mesmos, enquanto empresas e indivíduos, somos incapazes de constituir agir cooperativamente e integrados para a resolução rápida das demandas sociais. No fim, o lucro e a fama são imperativo.
Se a FEBRABAN e a indústria brasileira fizesse pressão, teríamos telecomunicações baratas?
Conceição Oliveira (08/04/2008 - 21:15)
mas existem programas de inclusão digital, aqui um bom site para conhecê-los: http://www.inclusaodigital.gov.br/inclusao/
Nonato (08/04/2008 - 11:31)
A pluralidade de opiniões e interatividade que a internet permite aliados aos custos altos, para a maioria da população, de acessá-la determina que qualquer governo democrático estimule, promova, coordene, etc, a inclusão social dos mais pobres, independentemente da ação de empresas privadas. Nessa linha, cabe destacar a ação do senador Eduardo Azeredo (PSDB) que, na contramão da inclusão social, propôs lei, a cerca de um ano atrás, que exigiria identificação positiva do usuário para acesso à internet. Acredito que sua motivação foi reduzir o risco, e custos, da ação de bandidos virtuais contra os bancos. Até ai tudo bem, mas o problema é que essa identificação equivaleria a, por exemplo, toda vez que um cidadão saísse às ruas, tivesse que identificar-se a todo policial que encontrasse pelo caminho o que agride a liberdade de ir e vir. Vale ressaltar que identificação positiva, como certificados digitais, na hora de usos específicos da internet, como acesso a bancos, é válida, mas não para o simples acesso genérico à internet. Além do aspecto filosófico acima, a identificação para acesso à internet oneraria os provedores e aumentaria a burocracia do acesso, fatores que não ajudam a inclusão social.
Antonio Arles (08/04/2008 - 09:21)
Azenha, como bem colocado por você, as empresas privadas só querem o filão do mercado. O Estado tem que entrar para garantir acesso "universal", sem as desigualdades que a lógica mercadológica propicia.
Um outro problema de se garantir espaço só para a iniciativa privada é como estas empresas vão se comportar se tiverem o controle desses meios, dessas concessões. O exemplo da Tv no Brasil mostra que quando a iniciativa privada é a única a atuar de maneira efetiva em questões ligadas à comunicação, a tendência é que se crie oligopólios que acabam por não contemplar as diversidades de nossa sociedade.
Imagine se alguns portais de acesso começarem a cobrar a mais para que você tenha acesso ao conteúdo externo ao portal? Isso é impossível? acredito que não. Veja que existem alguns provedores que limitam o acesso a um determinado tráfego. Se vc exceder o volume de tráfego contratado, vc paga mais pela utilização extra. Para limitar o acesso às áreas externas é só "desenvolver" esta lógica. Alegariam, provavelmente, que o acesso ao conteúdo de outros provedores seria mais dispendioso e, portanto, o valor cobrado por esses acessos "externos" deveria ser maior.
Temos muito ainda a discutir. Mas precisamos estar atentos para que a "liberdade" na Rede não seja limitada por interesses de certos grupos.
Forte abraço.
Jorge (08/04/2008 - 09:02)
Pelo que vejo os programas do governo federal em inclusão digital são bem interessantes, já que divulgam o LINUX. Das empresas privadas tem banco que equipa 60 escolas por ano aqui no Rio de Janeiro (não lembro se é o bradesco). Mas há programas do governo que investem em centros de informática e o governo do estado do Rio de Jeneiro tem equipado as escolas estaduais. Para mim é importante os dois. Aqui no Rio fica assim: a iniciativa privada equipa as escolas municipais com salas de informatica e o ensino médio e adultos e ficam com os centros dos governos federal e estadual.
O município do Rio também investe em inclusão fora da rede municipal de educação. Pelo menos aqui na cidade do Rio de Janeiro há um esforço para diminuir as diferenças dos dois lados.
Romanelli (08/04/2008 - 06:58)
O que você acha? Faça os cálculos e ponderações, há 25 anos a microinformática já é difundida pelas empresas, o que se progrediu? Aonde e pra quem? Por acaso a indústria já deu conta de formar profissões de seu interesse como pedreiro, carpinteiro, marceneiro, pintor ou encanador? Pagar ou permitir o acesso gratuito a internet nas escolar públicas (quem sabe um dia com tarifas módicas nas casas), micro pessoais, professores, materiais, uma REDE aberta e assistida pelo LINUX, tudo isso estaria incluído? Quem vai por dinheiro do bolso na escola pública básica? nos morros? Oras oras, pra concluir, acho melhor primeiro você me explicar o que vc entende que seria "inclusão digital" ...favor não confundir com "incluir a digital". Aliás, pq as empresas não acabaram com o analfabetismo até hoje hein?
Azenha, Se um governo executar um programa de inclusão digital, ele deve ser laico, apartidário e outros adjetivos que dão essa conotação de não-tendencioso... É o que se espera... Por outro lado, se uma empresa leva um projeto de inclusão digital, aplicará ali seus interesses, é do jogo... se a Globo tiver um programa de inclusão digital, será para que o povo acesse o G1 e vote no BBB. Se o Bradesco tiver um programa de inclusão digital, será para ensinar a usar o SEU internetbanking... Se a BrasilTelecom ensina idosos a usarem internet, é para contratarem SEU serviço de ADSL... Já o governo deve ser isento, neutro, e por isso deve ser o principal articulador de políticas e ações de inclusão digital. O governo, seja municipal, estadual ou federal, deve sim envolver-se em inclusão digital, pelos argumentos já apresentados em outros comentários aqui. Mas também, acima de tudo, deve apresentar ao cidadão a importância da independência, da liberdade de expressão, da auto-capacidade de acesso ao conhecimento, e da possibilidade de organização em comunidades virtuais de interesse comum. Para que tudo isso seja isento, neutro e libertador, é fundamental que as iniciativas de inclusão digital sejam baseadas em alguns princípios: software livre, padrões abertor, compartilhamento de conhecimento, construção coletiva de bens comuns. Software livre (e não somente Linux) é a base da verdadeira inclusão digital, que permite ao usuário trilhar seus próprios caminhos.