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Antes de comer frutas e hortaliças, você higieniza-as certo? Teste. A culpa de alguns “desarranjos” não é a comida do boteco!

Publicado em: 2 de setembro de 2012

por Conceição Lemes

“Quem vê cara, não vê coração”, diz o ditado popular. Em se tratando de legumes, verduras e frutas é a pura verdade.

Vê-las em supermercados e feiras enche os olhos.  Apetitosas, lindas e aparentemente limpas.  Só que, até chegar à sua mesa, as hortaliças passam por diversas situações capazes de comprometer-lhes a segurança.

A começar pelo plantio. Que garantia se tem de que foram irrigados com água de boa procedência? E de que os seus colhedores lavam as mãos após ir ao banheiro?

Depois no depósito. Qual a certeza de que ratos, baratas e outros animais não passaram por cima, urinaram e defecaram? E de que os funcionários que os manipulam são asseados? E de que feirantes, repositores de supermercado e clientes não deixaram nesses alimentos bactérias, fungos e vírus, já que os manuseiam o tempo todo?

“Se filmássemos às escondidas a trajetória das hortaliças”, previne a a nutricionista Celeste Elvira Viggiano, da Supervisão de Vigilância em Saúde da Prefeitura de São Paulo, “vocês teriam surpresas desagradáveis.”

Arghr… Calma, tem jeito! O que fazer?

Bem, primeiro um teste. É simples. Antes de comer frutas, verduras e legumes, é hábito na sua casa passar todos esses alimentos:

a) Apenas na água corrente?

b) Na água corrente e depois deixá-los em solução de água e vinagre?

c) Na água corrente e depois deixá-los em solução de água mais água sanitária?

d) Na água corrente e depois deixar apenas as verduras em solução de água mais água sanitária?

“Se você cravou c, mantenha o hábito”, aplaude Celeste, que também é mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP.

Já se o costume é uma das demais alternativas, ela alerta: “Você e sua família correm o risco de consumir alimentos contaminados por microorganismos e terem problemas gastrintestinais”.

Os sintomas mais freqüentes são diarréia, vômito, dor abdominal e náusea. Eles podem ocorrer desde meia hora após o consumo até dias, dependendo do agente patogênico causador.

Moral da história: alguns daqueles “desarranjos”, que muitas vezes atribuímos à comida do boteco, restaurante ou da lanchonete, decorrem de erros de higienização de hortaliças em nossa própria cozinha.

COMO HIGIENIZAR ADEQUADAMENTE AS HORTALIÇAS

— Ah, mas isso a gente já sabe fazer!!! — já sei que alguém acaba de dizer.

— Tem certeza de que faz corretamente?Faz isso toda vez ou às vezes passa batido?

Passar as hortaliças apenas na água corrente é insuficiente, a menos que, depois, elas sejam cozidas, assadas ou fritas. A água corrente elimina unicamente as sujeiras aparentes – terra, larvinhas.

Já água com vinagre faz essas sujidades se desprenderem mais facilmente.  Só isso.

Exceto o processo de cocção, nenhuma dessas condutas mata os microorganismos presentes em verduras, cascas de legumes e frutas e que são invisíveis a olho nu. Os microorganismos que não alteram textura, sabor e cheiro do alimento são os mais nocivos à saúde. Pior. Ao cortar as hortaliças, a faca — isso mesmo, a faca! — leva os microorfanismos para a parte comestível.

Por isso a única maneira de prevenir problemas gastrintestinais é submeter aquelas que serão consumidas cruas à higienização com água sanitária (a 2% ou 2,5% de cloro ativo) ou hipoclorito de sódio (em gotas, distribuído em postos de saúde e à venda em farmácias).

O processo deve ser feito antes de verduras, frutas e legumes irem para a geladeira:

* Passe o alimento na água corrente. É para limpá-lo.

* Faça uma solução de água com água sanitária. Para cada litro de água use uma colher de sopa de água sanitária. No caso do hipoclorito de sódio, siga a orientação do fabricante. Misture bem.

* Coloque as hortaliças nessa solução. Deixe por 15 a 20 minutos. Escorra.

* Passe, de novo, o alimento na água corrente, para retirar eventual resíduo do produto. Está pronto para ser consumido.

A propósito. Substitua a tábua de madeira (microorganismos se acumulam nos orifícios) pela de plástico (lavável e não junta sujidades).

Lave a pia com água e detergente toda vez que manipular hortaliças. Portanto, olho na cozinha. É questão de segurança alimentar.

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Seu filho não come?! Ainda bem! O doutor Ary Lopes Cardoso, do Instituto da Criança da USP, explica por quê

Publicado em: 31 de julho de 2012

por Conceição Lemes

Basta ficar algum tempo na sala de espera de ambulatórios ou consultórios de pediatras que certamente se ouvirá:

— Não sei mais o que faço… Meu filho não come!

— Já estou ficando desesperada… Juro que ele não come!

A queixa é bem brasileira. O prato do dia a dia de todo pediatra. Acontece quando o bebê atinge 1,5 anos, 2, 3 anos. Se a mãe é de origem italiana, espanhola ou portuguesa, então nem se fala. Frequentemente continua carregando tradições dos antepassados que chegaram aqui no século passado. Quase sempre humildes, eles queriam trabalhar para que suas famílias tivessem o melhor futuro possível, com sucesso financeiro e muita saúde. Para todos, a comida sempre foi associada à boa saúde.

— Doutor, meu bebê comia bem, agora não quer mais…

— Ele não come nada o dia todo…

— Estou achando que ele está com algum problema…

“Ainda bem”, de pronto, quebra o gelo o pediatra o pediatra Ary Lopes Cardoso, chefe do Departamento de Nutrologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. “Graças a Deus, seu filho é normal!”

Calma, mãe (pai também!). O doutor Ary não está fazendo pouco caso da sua queixa. Ele fala sério.

“Só de observar a criança, dá para perceber que ela está se desenvolvendo bem”, afirma o doutor Ary. “Vamos pesar e medir o comprimento do seu nenê e ver se estão adequados “.

As explicações para o que está acontecendo são as seguintes:

* No primeiro ano de vida, em geral a criança ganha três vezes o peso que tinha ao nascer e metade (em centímetros) do comprimento do nascimento.

* No segundo ano, adquire cerca de 3,5 quilos e 8 a 10 centímetros de comprimento.

* Do terceiro ano até à puberdade, vai mais devagar :  cerca de 2 quilos e 5 a 6 centímetros por ano.

Matou a charada? Pois é isso mesmo. No primeiro ano de vida, o apetite é enorme porque as necessidades nutricionais para são muito altas para que as metas propostas sejam atingidas. Nos anos seguintes as necessidades anuais vão diminuindo e isso se traduz por menor apetite.

A família precisa entender isso. É necessário que o pediatra explique esse fenômeno fisiológico da diminuição do apetite. Se isso não ocorrer, a tendência da família é insistir, forçar, agradar (com guloseimas e outras tranqueiras engordativas ) e principalmente começa a “irradiar” a refeição: se comer esta colherada vamos passear, a vovó vai dar um presente, o papai vai deixar você brincar no carro, você vai crescer

Eventualmente o próprio pediatra cai na armadilha e prescreve equivocadamente um desses estimulantes de apetite.

“O resultado desses erros freqüentes, muitas vezes, é a obesidade no futuro”, alerta o doutor Ary. “Às vezes ao medir e pesar a criança já se nota o ganho excessivo de peso para a altura e idade.”

— O que fazer então?

Se o seu bebê vem mantendo uma velocidade de crescimento dentro de um canal adequado, tranqüilize-se, tranqüilize-se, tranqüilize-se…

No primeiro ano de vida, o leite materno deve representar o único alimento nos primeiros seis meses. No segundo semestre, inicia-se a introdução das frutas e da comida da casa, as papas. O leite materno continua sendo necessário. É um período em que a criança come a cada 3 ou 4 horas.

O interessante é que a partir dos seis meses a criança já entre nos horários da família. Por exemplo: tome o café da manhã na forma de leite materno ou fórmula infantil, seguida de lanche no meio da manhã (uma fruta com ou sem o leite), almoço (comida da casa amassada em peneira e com consistência pastosa), lanche à tarde (fruta ou leite com bolo ou iogurte  ou cereais) e jantar. À noite, novamente leite.

 — Mas meu filho não come NADA!!!

Nada mesmo? E aquelas três a quatro mamadeiras de leite, quase sempre com açúcar e cereais são o quê? Alimento. Por isso o seu filho não come outras coisas. As mamadeiras saciam o apetite dele.

“Talvez abolir as mamadeiras seja o único jeito de o seu filho passar a comer comida”, recomenda o doutor Ary. “Experimente. Depois, me conte.”

Leia também:

Junk food: Médicos puxam a orelha de pais e mães

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Médicos puxam a orelha de pais e mães

Publicado em: 15 de julho de 2011

por Conceição Lemes

No capítulo “Emagrecer” do livro “Saúde — A hora é Agora”, a médica endocrinologista Maria Teresa Zanella, professora titular de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Unifesp, recomenda: toda criança, desde pequena, deve ser estimulada à prática da atividade física e à alimentação saudável para prevenir a obesidade.

O psiquiatra Arthur Kaufman,   coordenador do Projeto de Atendimento ao Obeso (Prato), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e professor da Faculdade de Medicina da USP, concorda com ela mas desabafa: “Falar para os pais é o mesmo que falar para as paredes. Eu já desisti de mudar a cabeça deles, não adianta”.

Basta um giro num domingo e talvez lhe dê razão. Em parques, por exemplo, quantas crianças bem pequenininhas você encontra tomando refrigerante na mamadeira? Em churrascarias, quantas pulam as saladas e vão direto para frituras, como batata ou cebola frita? Em redes de fast-food, quantas estão se empapuçando com hambúrgueres em vez de almoçar?

As crianças não aprenderam esses maus hábitos alimentares sozinhas. Foram acostumadas pelos pais, que costumam dizer: “É melhor comerem isso do que nada”. O cardápio das crianças, aliás, é organizado de acordo com o que os adultos acham que elas gostam. Só que muitas vezes os adultos não se dão conta de que foram eles que criaram esses gostos nas crianças. E são justamente essas preferências que elas transmitirão para os amigos, os irmãos e, no futuro, para os seus filhos.

Sentiu o puxão de orelha? Para Kaufman, o caminho é trabalhar a base. “Nas cantinas escolares, deveria ser proibido junk food [como coxinha, empadinha, pastel, cachorro-quente, hambúrguer, batata frita]”, defende ele. “Ou as crianças mudam os pais, ou isso nunca vai mudar.”

Tais providências, aliás, já vigoram nas cantinas de algumas escolas: ali não se vendem junk food nem refrigerantes. Tomara que a tendência se propague. “Seria interessante também que, na medida do possível, as escolas ensinassem as crianças a cozinhar e preparar pelo menos pratos rápidos”, preconiza.

O puxão de orelha ainda dói? Então procure ter uma alimentação saudável e exercitar-se regularmente. É um ótimo começo. Terá mais moral para sugerir ao seu filho que não fique o dia inteiro jogando videogame. Ou coma uma fruta, em vez de simplesmente abrir um pacote de biscoitos ou de snacks, quando bate a fome fora de hora. Dessa forma, vai ajudá-lo a construir hábitos de vida saudáveis e a evitar a obesidade e outros problemas de saúde no futuro. De quebra, vai parar de falar com as paredes.

Clique aqui para ler a reportagem “Ministro, ‘filho feio’ não tem pai: Lições do “affair” com a McDonald’s

Meu twitter: @conceicao_lemes, siga à vontade.

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Ômega-3, proteção contra doenças cardíacas

Publicado em: 24 de maio de 2011

por Conceição Lemes

Você gosta de salmão ou atum? Prefere bacalhau, truta ou sardinha? Pois esses peixes do mar, todos de água fria, possuem outra característica em comum: contêm em abundância um tipo de gordura poli-insaturada muito especial – os protetores ácidos graxos ômega-3.

“Quem come mais peixe rico em gordura ômega-3 infarta menos”, informa a médica e professora Isabela Benseñor, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. “O ômega-3 tem ação contra arritmia e, com isso, previne morte súbita por doenças cardíacas.”

O médico e professor Walter Willett, chefe do Departamento de Nutrição e Epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, acrescenta outros benefícios dos ácidos ômega-3: 1) são componentes importantes das membranas das células de todo o organismo, especialmente dos olhos, cérebro e espermatozoides; 2) são matéria-prima para a produção de alguns hormônios, entre eles os que regulam a contração e o relaxamento das paredes das artérias; 3) ajudam na prevenção e no tratamento de AVC e possivelmente de doenças autoimunes, como lúpus eritematoso e artrite reumatoide.

Por isso, segundo Willett, todas as pessoas deveriam ingerir diariamente pelo menos uma boa fonte de ômega-3. Para gestantes ou mulheres que desejam engravidar, isso é indispensável. “Uma criança em desenvolvimento precisa de suprimento constante de ácidos graxos ômega-3, para a formação do cérebro e outras partes do sistema nervoso”, cientifica o professor.

Óleo de soja e cápsulas

Os peixes de água fria, no entanto, não são a única fonte de graxos ômega-3.  Eles também estão presentes em boa quantidade em castanhas (como amendoim, castanha-do-pará, macadâmia e castanha-de-caju), semente de linhaça e – atenção! – no óleo de soja, o mais usado no Brasil.

“Claro que comer peixe é melhor, mas quem utiliza normalmente óleo de soja no preparo dos alimentos preenche as necessidades diárias de ômega-3”, tranquiliza a nutricionista Celeste Elvira Viggiano, da Supervisão de Vigilância em Saúde da Prefeitura de São Paulo e mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP..

– Vale a pena tomar as cápsulas de ômega-3 à venda nas farmácias?

A resposta é não. “Os estudos científicos feitos até agora não demonstraram que elas são eficazes”, justifica Isabela. “Comprovadamente o que funciona é o ômega-3 misturado no prato de comida, interagindo com outros nutrientes.”

Mas há mais um argumento contra as cápsulas: o financeiro. É só fazer as contas. Considerando o número de cápsulas recomendado nos rótulos desses produtos e o preço de mercado, você gastaria por mês cerca de 50 reais. A quantia dá para comprar uns quilos de salmão e vários de sardinha. A vantagem dos peixes é tripla: além de saborosos e de fornecerem ômega-3 de primeira, são ótimas fontes de proteínas e minerais. Proteja o seu bolso e o seu coração.