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Mães e pais, atenção: Pasta com flúor, só após os 5 anos de idade

Publicado em: 30 de novembro de 2012

por Conceição Lemes

Que imagens veem à sua cabeça quando o assunto é higiene bucal da criança?  Nós apostamos. Quase certamente uma delas é aquela do menininho ou menininha se esforçando para alcançar a pia do banheiro para escovar os dentes. Acertamos?

“Só que a higiene bucal deve ser feita desde o nascimento”, alerta o cirurgião-dentista Marcelo Fava, diretor do Departamento de Odontologia do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP. “Deve ser iniciada antes mesmo de aparecerem os dentinhos.”

Com a ponta da fralda ou gaze umedecida, higienize a boca do bebê após cada mamada ou refeição. É para tirar os resíduos de leite e alimentos que, em contato com as bactérias locais, causam cáries.  Limpe gengiva, língua, céu da boca, parte interna das bochechas e dentes, se houver.

Blog da Saúde — Por que fazer a higiene bucal desde o nascimento se os dentinhos só aparecem aos 6 meses de idade?

Marcelo Fava — É para a mãe já ir se acostumando, a fazer a limpeza. Também para evitar a replicação das bactérias que provocam cáries.

Blog da Saúde — Mas os dentinhos podem nascer com cárie caso a mãe não faça a higiene?

Marcelo Fava –Não. As cáries só podem aparecer depois que os primeiros dentinhos (incisivos inferiores, os dois da frente, parte debaixo) despontarem. A higiene bucal é uma questão de hábito. É uma medida educativa. Ela é essencial à promoção da saúde desde o nascimento.

Blog da Saúde –Com que idade deve-se começar a escovar os dentinhos da criança, usando creme dental? 

 Marcelo Fava – A partir de 1 ano de idade. Antes, a higiene bucal é feita com ponta da fralda ou gaze umedecida após cada mamada ou refeição.

Blog da Saúde —  Tem de ser com escova e pasta especiais?

Marcelo Fava – Escova de cerdas macias, pequena, em tamanho adequado à boca da criança. De 1 a 4 anos de idade, a pasta não deve conter flúor.

Blog da Saúde – Por quê?

 Marcelo Fava — A água de muitas cidades – São Paulo, por exemplo, — já contêm flúor.  Mesmo a água mineral, tem certa quantidade. Assim, se juntarmos o flúor da água com o da pasta de dente, já que a criança acaba engolindo sempre um pouco, ela estará exposta duas fontes.  Em conseqüência, pode ter fluorose, ou seja, mancha nos dentes.  Daí a contraindicação de creme dental com flúor onde a água distribuída à população já é fluoretada.

Blog da Saúde – Há pastas infantis sem flúor?

 Marcelo Fava – Sim, mas poucas. Descobrimos duas nacionais (Welleda e Malvatrikids Baby) e uma importada (First Teeth).

Blog da Saúde – Uma criança de 2, 3 anos já pode escovar os seus próprios dentes?

 Marcelo Fava – Como brincadeira, sim. Na frente do espelho, ela imita os pais, aprende os movimentos.  Mas a escovação de verdade, para higienizar mesmo, deve ser feita pelos próprios pais enquanto ela tiver de  1 a 4 anos de idade. A escovação é indispensável após cada refeição.

Blog da Saúde – Com quantos anos a criança pode usar pasta com flúor?

Marcelo Fava – Acima de 5 anos de idade, quando ela já consegue bochechar e cuspir a pasta.

Blog da Saúde – E com quantos anos a criança já pode escovar os seus próprios dentes?

Marcelo Fava – A partir dos 4. Mas sob supervisão dos pais.

Blog da Saúde – Nas propagandas, normalmente a escova fica cheia de pasta. A quantidade mostrada dos anúncios é a recomendada?

Marcelo Fava – Não. Está errada. A quantidade é equivalente a um grão de ervilha. Isso vale todo tipo de creme dental.

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Violência obstétrica: Em vídeo, brasileiras denunciam abusos, maus tratos e sofrimento nas mãos de profissionais de saúde

Publicado em: 25 de novembro de 2012

por Conceição Lemes

Neste 25 de novembro, faz exatamente um ano que um grupo de mulheres ligadas à área de saúde e/ou interessadas em questões referentes a parto realiza ações coletivas nas mídias sociais. Objetivos: dar mais visibilidade à violência obstétrica e desnaturalizar  as infrações aos direitos das mulheres, que são cometidas pelos profissionais de saúde e muitas vezes passam desapercebidas.

“São ações organizadas por usuárias, pesquisadoras e profissionais da saúde para promover o debate, sensibilizar, denunciar essas questões “, diz Ana Carolina Franzon, que edita o blog Parto no Brasil em parceria com Bianca Lanu.  “Prosseguiremos até que políticas públicas efetivas sejam promovidas no sentido de erradicar a violação dos direitos humanos das mulheres no parto.”

Em 2010,  os dados sobre a violência da pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privadorealizada pela Fundação Perseu Abramo e o SESC, chamaram muito a atenção do grupo. E um dado se destacou: uma cada quatro mulheres (25%) relatou ter sofrido algum tipo de violência na hora do parto.

Entre as possíveis formas de abusos e maus-tratos, sobressaíram:  exame de toque doloroso, recusa para alívio da dor,  não explicação de procedimentos adotados, gritos de profissionais ao ser atendida, negativa de atendimento, xingamentos e humilhações.

Além disso, 23% das entrevistadas ouviu de algum profissional algo como: não chora que ano que vem você está aqui de novona hora de fazer não chorou, não chamou a mamãese gritar eu paro e não vou te atenderse ficar gritando vai fazer mal pro neném, vai nascer surdo.

Por isso, neste 25 de novembro, Dia Internacional para Eliminação da Violência contra as Mulheres, o grupo está lançando o videodocumentário popular Violência obstétrica — A voz das brasileiras, produzido entre outubro e novembro deste ano. Os responsáveis pela iniciativa:

Ana Carolina Franzon, jornalista, pesquisadora em Saúde Pública, integrante do grupo de pesquisa sobre Gênero, Maternidade e Saúde ( GEMAS), da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Bianca Lanu,cientista social, produtora cultural e educadora perinatal.

Bianca Zorzam,  obstetriz, aluna de mestrado do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da USP.

Lígia Moreiras Sena, bióloga, aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina, e responsável pelo blog Cientista Que Virou Mãe.

Kalu Brum, jornalista, doula e coeditora do blog Mamíferas.

Armando Rapchan,  fotógrafo e videomaker.

Conversei um pouco mais com Ana Carolina sobre esse trabalho.

Blog da Saúde — Violência obstétrica traduz bem os maus tratos e abusos que sofrem as mulheres quando internadas numa maternidade. Essa expressão foi criada pelo blog?

Ana Carolina Franzon — Não. Foram as próprias mulheres do movimento que cunharam o termo violência obstétrica para tais práticas.

 Blog da Saúde —  Por que videodocumentário popular?

Ana Carolina Franzon — Trata-se de uma ação de ciberativismo, realizada quase que exclusivamente via mídias sociais, coordenada por usuárias e pesquisadoras da área da Saúde Coletiva.

Chamamos de “videodocumentário popular”, porque priorizamos a experiência das usuárias de saúde para elaborar e difundir este conceito “violência obstétrica”. Também qualificamos como uma produção da subárea da Comunicação Social, a Comunicação Popular e Comunitária, que compreende produtos de informação de caráter não-empresarial.

Blog da Sáude — Os vídeos foram gravados por vocês ou pelas próprias mulheres e/ou familiares? 

Ana Carolina Franzon — Inicialmente, montamos um roteiro para os depoimentos. Que formas de desrespeito você viveu em seu parto? Como isso te afetou física e emocionalmente? Qual o seu objetivo com esse depoimento?.

Depois, por meio de uma divulgação nas mídias sociais, convidamos as mulheres para participar. Pedimos vídeos com depoimentos,  fotografias com descrições das imagens… Assim, todas as mulheres que estão no vídeo participaram de forma espontânea e voluntária.

Os vídeos foram gravados em webcam, celular ou máquina fotográfica pelas próprias mulheres, que se auto-selecionaram para participação. Optamos por manter esta característica de “comunicação popular”, como você poderá ver.

Por fim,  fizemos um roteiro para edição final. Aí, contamos com os trabalhos – também voluntários – de um fotógrafo e videomaker. Fizemos tudo isso em apenas um mês.

Blog da Saúde — Me fala um pouco sobre o vídeo. 

Ana Carolina Franzon — O filme retrata a experiência das mulheres brasileiras com o nosso atual modelo de assistência ao parto, que já foi definido por Maria do Carmo Leal (ENSP/FIOCRUZ), coordenadora do Inquérito Nacional Nascer no Brasil, como um “modelo obstétrico doente e adoecedor”.

Aliás, os nossos atuais indicadores de saúde reprodutiva são igualmente preocupantes:

* Anualmente, temos  no país um milhão de cesáreas desnecessárias.

* Temos uma assistência ao parto normal excessivamente medicalizada e intervencionista, com abuso de procedimentos obsoletos, que já deveriam ter sido erradicados há muitos anos.

* Cerca de 90% das mortes maternas evitáveis estão relacionadas à qualidade insuficiente dos serviços obstétricos.

* A péssima qualidade das informações dos prontuários sobre procedimentos obsoletos, dolorosos, e até arriscados à saúde. Por exemplo, a episiotomia (corte no períneo) e a manobra de Kristeller (pressão externa no fundo do útero para expulsão do bebê).

* A negação do direito de escolha das mulheres e o impedimento de sua autonomia pela ausência completa de consentimentos esclarecidos.

* Infração institucional da Lei do Acompanhante (de 2005), que ocorre de modo ordinário e impune.

Esses mesmos problemas ocorrem com as mulheres que buscam os serviços de saúde para planejamento reprodutivo e abortamento, com todos os agravantes que a ilegalidade provoca.

Blog da Saúde — O vídeo traz histórias dolorosas. Vocês já sabiam que iriam encontrar essa situação?

Ana Carolina Franzon– Sim, porque nas pesquisas que realizamos em Saúde Coletiva temos uma trajetória de escuta das mulheres. As pesquisas sobre a qualidade da assistência compreendem: a efetividade das condutas clínicas, a segurança das pacientes e sua experiência emocional com todo o processo de cuidado.

Estamos fazendo uma escolha consciente, quando priorizamos a perspectiva que as mulheres têm de todos os direitos reprodutivos que lhes foram subtraídos pela instituição ou pelos profissionais das maternidades.

 Blog da Saúde — O vídeo é uma denúncia.

Ana Carolina Franzon — Sem dúvida, sim. Há um ano a nossa grande questão é desnaturalizar essa forma de violência contra as mulheres, violência de gênero. Dar visibilidade aos direitos humanos das mulheres na gravidez, parto, pós-parto, planejamento reprodutivo e abortamento – que são os próprios direitos reprodutivos.

Temos uma reação muito comum e corriqueira – especialmente anunciada por profissionais de saúde – que é de desmerecimento da questão, uma tentativa talvez até inconsciente de naturalizar os maus-tratos e invisibilizar a questão.

Já ouvimos de tudo um pouco: que estamos transformando “problemas médicos” em fatos policialescos; que não temos a mínima ideia da violência que os próprios profissionais sofrem do sistema de saúde – como se uma violência justificasse a outra; que tudo não passa de uma escolha ou descompensação/exagero por parte das mulheres.

O problema da invisibilidade é que as mulheres ficam fadadas ao silêncio e à individualização, personalização, do dano. Ou seja, não conseguimos politizar o debate, e continuaremos anos e anos sofrendo em silêncio, mas “felizes porque ao menos o bebê está bem”.

Também temos como resultado a responsabilização da fisiologia do parto pelos danos iatrogênicos.  Parto normal não é terrível por si – como descreve a Bíblia cristã.  É a assistência que pode piorá-lo — e muito.

Blog da Saúde — Com base nas suas pesquisas e neste vídeo, o que recomendaria? 

Ana Carolina Franzon — Sempre encorajamos as mulheres a buscarem informações alternativas sobre os processos da gravidez, parto e pós-parto, com valorização da troca de experiências.

Infelizmente, a realidade dos serviços hoje, de modo geral, não consegue viabilizar a “escuta das mulheres” – suas histórias de vida são geralmente marcadas por situações que não devem ser compartilhadas em grupos, e é assim que os serviços as silenciam. Queremos resgatar os benefícios dos grupos populares de apoio, com rodas dialogadas sobre direitos e cidadania – além de informações sobre fisiologia da gravidez e parto, com esclarecimento sobre riscos e benefícios.

Temos hoje grupos voluntários de apoio entre usuárias, que existem na maior parte das capitais e em algumas cidades do interior. A Rede Parto do Princípio mantém uma lista periodicamente atualizada com as informações destes grupos.

Além disso, temos uma agenda de pesquisa e políticas públicas que inclui a criação de indicadores específicos para o parto, para que seja possível monitorar e avaliar a qualidade da assistência. Enquanto todos os procedimentos não estiverem bem monitorados, continuaremos produzindo uma cultura de fobia do parto normal, como se os danos fossem próprios da fisiologia e não, da iatrogenia. E o número de cesáreas tenderá a aumentar.

Acima de tudo queremos colaborar para a mudança do modelo de assistência ao parto, hoje centrado no bem-estar do provedor de saúde e não da mulher. Para termos experiências mais satisfatórias, precisamos:

* ter autonomia sobre nossos corpos;

* de esclarecimentos verdadeiros sobre riscos e benefícios dos procedimentos:

*ter liberdade de posição durante o trabalho de parto e parto, com incentivo ao parto normal em posição verticalizada;

* analgesia de qualidade para todas as mulheres;

* e o cumprimento estrito da Lei do Acompanhante, que prevê sua permanência junto da mulher durante toda a internação.

Eu assisti ao vídeo. Estarrece. Vale a pena conhecê-lo.Embora  as mulheres pobres e as negras sejam as as principais vítimas da violência no parto, aquelas de alto poder aquisitivo, que têm os seus bebês em hospitais famosos, não estão livres do problema.

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Paulo Saldiva, da USP: Poluição atmosférica mata 4 mil pessoas por ano na cidade de São Paulo

Publicado em: 5 de agosto de 2012

Foto:  Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP

por Isabel Harari e André Cristi, em Carta Maior, sugestão de Robson Moreno

São Paulo – Por ano, cerca de 1,3 milhão de mortes no mundo são causadas pela poluição urbana, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Só em São Paulo morrem 4 mil anualmente. Em 2004, quando o número de carros era um terço menor, estima-se que o número de mortes tenha sido 2,9 mil. Idosos, crianças, gestantes, portadores de doenças respiratórias e cardíacas crônicas e, principalmente, os mais pobres – que têm níveis maiores de exposição – são os principais atingidos.

Segundo Paulo Saldiva, médico especialista em poluição atmosférica e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), “não há impedimentos técnicos ou falta de conhecimento para que esse problema seja resolvido. No meu entendimento, temos todas as condições de resolver o problema da poluição do ar em nossas cidades em alguns anos”.

De acordo com a OMS, os elevados níveis de poluição na cidade de São Paulo são responsáveis pela redução da expectativa de vida em cerca de um ano e meio. Os três motivos que encabeçam a lista são: câncer de pulmão e vias aéreas superiores; infarto agudo do miocárdio e arritmias; e bronquite crônica e asma. Estima-se um aumento de oito meses na expectativa de vida a cada 10 microgramas de poluição retirados do ar.

Em entrevista à Carta Maior, o patologista apontou para as duas causas fundamentais do problema: o caráter segregador da ocupação do solo nas metrópoles e a falta de políticas públicas que privilegiem o transporte público. Segundo Saldiva, quem mais polui são os carros, e, nas grandes cidades do Brasil, a opção pelo transporte veicular sequer traz o benefício de uma mobilidade eficiente. “A existência de um transporte coletivo rápido, eficiente e barato daria a motivação para que a população migrasse para o transporte público”, afirma.

Carta Maior Segundo dados da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, ligada ao governo do estado de São Paulo) e do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP, os índices de poluição em São Paulo são os piores dos últimos oito anos e as doenças cardiorrespiratórias matam 20 pessoas por dia na região metropolitana. Há relação entre esses dois fatores?

Paulo Saldiva – O aumento dos casos de doenças cardíacas e respiratórias em nossas cidades tem várias causas: envelhecimento da população, sedentarismo, obesidade e também a poluição atmosférica. Nas cidades onde há grandes séries históricas de medições de poluição, como São Paulo e Rio de Janeiro, houve uma melhora contínua até cerca de 2005 e 2006. A partir desse momento, a tendência de melhora se interrompe, com evidências de piora, notadamente para partículas finas e ozônio. O mais grave é que o patamar onde estamos é reconhecidamente causador de dano à saúde.

Carta Maior  – Por que a poluição piorou a partir de 2006? Foi por causa do aumento da frota de veículos?

Paulo Saldiva – A poluição deixou de melhorar a partir de 2006, estacionando em níveis inadequados para a saúde humana. Os poluentes que ficaram acima do padrão são o ozônio e o material particulado. As razões para isso são o aumento da frota e a lentificação do trânsito, que fazem com que os veículos emitam mais poluentes ao estarem presos em congestionamentos. A redução da velocidade do tráfego faz com que permaneçamos cada vez mais tempo em meio a corredores de tráfego, onde os níveis de poluição são substancialmente mais elevados do que a média da cidade. Em outras palavras, quanto mais tempo ficamos presos em congestionamentos intermináveis, maior será a nossa dose de poluição.

O tamanho do problema pode ser resumido da seguinte forma. Aproximadamente 12% das internações respiratórias em São Paulo são atribuíveis à poluição do ar. Um em cada dez infartos do miocárdio são o produto da associação entre tráfego e poluição. Os níveis atuais de poluição do ar respondem por 4 mil mortes prematuras ao ano na cidade de São Paulo. Trata-se, portanto, de um tema de saúde pública.

Carta Maior – Quem são os principais atingidos pelo aumento da poluição?

Paulo Saldiva — Idosos, crianças, gestantes, portadores de doenças respiratórias e cardíacas crônicas e, principalmente, os mais pobres, que têm níveis maiores de exposição.

Carta Maior Por que os mais pobres têm níveis maiores de exposição?

Paulo Saldiva — O fato de tratarmos o solo das cidades como mercadoria faz com que as áreas centrais da cidade percam população, notadamente a mais pobre, que migra para áreas mais acessíveis na periferia, aumentando, consequentemente, o tempo de permanência no tráfego. As casas das comunidades mais carentes são também as mais permeáveis à entrada de poluentes. Finalmente, é nos pontos de ônibus, pontos de alta concentração de poluentes, que a população mais desfavorecida passa longos períodos à espera do transporte.

Carta Maior  Quais as alternativas de políticas públicas que o senhor  sugere para diminuir a poluição?

Paulo Saldiva  – No meu entendimento, temos todas as condições de resolver o problema da poluição do ar em nossas cidades em alguns anos. Nas grandes cidades do Brasil, a poluição veicular é responsável pela grande maioria das emissões de poluentes. Mudamos o microclima urbano e poluímos o ar sem termos nem ao menos o benefício de uma mobilidade mais eficiente. A existência de um transporte coletivo rápido, eficiente e barato daria a motivação para que a população migrasse para o transporte público. Sabemos fazer metrô, construímos trens e nossos engenheiros produzem os grandes corredores de ônibus em Santiago, Bogotá e Pequim. Temos a disponibilidade de vários combustíveis mais limpos do que os que utilizamos. Não há, portanto, impedimentos técnicos nem falta de conhecimento para que resolvamos o problema. Faltam políticas públicas de médio prazo para privilegiar o transporte coletivo.

Carta Maior — Além das medidas de mobilidade, existem outras que poderiam ser tomadas em outras áreas?

Paulo Saldiva – Aumento da cobertura vegetal – que funciona como fator de redução de poluição –, medidas de readensamento urbano nas regiões centrais das cidades e políticas de incentivo aos combustíveis menos poluentes.

Carta Maior  – Se não há impedimento técnico ou de conhecimento,  esse impedimento é político?

Paulo Saldiva – Nas presentes circunstâncias, dificilmente haverá um político no Brasil, que ouse implementar políticas de favorecimento do uso das vias pelo transporte coletivo ou ciclovias em detrimento dos automóveis. Também creio ser muito pouco provável que encontremos condições para combater a política atual de uso e ocupação do solo urbano, dado o estado de descrédito em que as principais forças políticas de nosso país se encontram. Por exemplo, a maior parte da população irá preferir pagar um pedágio urbano “indireto” – pagar estacionamentos particulares nos locais de trabalho ou perder horas de sono por causa dos congestionamentos – a pagar uma taxa para a melhoria do transporte coletivo. É uma situação que mistura uma crise de gestão política, interesses econômicos e falta de lideranças confiáveis.

Carta Maior  Como o modo de vida nas grandes cidades pode afetar a saúde, além da poluição?

Paulo Saldiva – O fator mais significativo é o estresse social. O conjunto de falta de mobilidade, ruído excessivo, sedentarismo veicular e violência faz com que a incidência de doenças mentais e afetivas seja muito mais frequente nas cidades. Outro exemplo é a obesidade, produto do modo de vida que resulta da maneira como organizamos a cidade. Por exemplo, uma criança hoje não tem acesso ao espaço público por razões de violência. Nesse cenário, o jogo de futebol é no console eletrônico do Fifa 2012 e não na rua.

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Jamil Murad: O risco dos “depósitos humanos”

Publicado em: 7 de novembro de 2011

Diante do grave quadro de crescimento no consumo do crack em diversas cidades do país, soluções variadas têm sido debatidas. A mais polêmica propõe a internação compulsória especialmente dos dependentes que vivem nas ruas. A proposta, no entanto, não é encarada como a melhor saída para o problema, que demanda tratamento médico, acompanhamento multidisciplinar e reinserção sócio-familiar.

por Jamil Murad

O uso de substâncias alucinógenas ou que alterem os sentidos é milenar na história da humanidade. Possivelmente, permeou a existência de alguns dos nossos mais antigos antepassados – que recorriam a diversas plantas para fins geralmente ligados à religião e à medicina – e certamente continuará a fazer parte de nosso cotidiano.

No entanto, na contemporaneidade o processo que levou à exacerbação da sociedade do consumo parece ter resultado em uma nova relação com as drogas e na sua maior disseminação e grau de dependência. O conhecido “vazio existencial” e as doenças cuja intensificação está associada à modernidade, como a depressão, é um dos fatores que levam uma parcela considerável da população a recorrer aos mais diversos tipos de droga como saída paliativa às suas angústias.

Por outro lado, as drogas são usadas para buscar novas experiências, para auto-afirmação social ou mesmo para turbinar a sensação de felicidade e bem-estar. Fator igualmente importante é que, especialmente no caso de substâncias de mais baixo custo, maior poder de alucinação e alto grau de dependência, como o crack, a utilização serve para aplacar as dores de populações em condições sócio-familiares vulneráveis, como os moradores de rua.

Outro aspecto a ser considerado é que o mercado de drogas está entre as mais rentáveis atividades econômicas do mundo, ou seja, de uma maneira ou de outra, ainda que seja feito o combate ao tráfico, as estruturas criminosas usarão dos mais diversos artifícios para potencializar seus lucros e manter girando a roda do negócio. E uma das maneiras é fazer com que as substâncias cheguem a cada vez mais pessoas de idade cada vez menor.

Nestas situações, ou quando a somatória dessas diversas motivações e fatores leva a um descontrole do uso de drogas, passa a ser imprescindível a interferência do poder público tanto do ponto de vista preventivo – o que inclui desde ações de inteligência e combate ao tráfico até a educação de crianças e jovens – como no âmbito do tratamento multidisciplinar – envolvendo desde aspectos ambulatoriais até a ressocialização dos dependentes em estado mais preocupante.

A gravidade da situação de milhares de usuários Brasil afora ganhou contornos de tragédia nacional, entrando na agenda oficial do governo federal e chamando maior atenção dos poderes locais.

Quando o crack supera o álcool

Não são apenas as substâncias ilegais que causam preocupação. O consumo de álcool, especialmente em nossa juventude, é outro dado alarmante. Pesquisa realizada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) com 17 mil estudantes universitários de todas as capitais mostrou que 86% deles consumiram álcool e que nesse universo, 22% podem desenvolver dependência. Mas, por se tratar de uma droga socialmente aceita e de menor agressividade tóxica quando comparada ao crack, por exemplo, tem sido tolerada ao longo dos anos. Além disso, seu consumo é propagandeado nos principais meios de comunicação, o que contribui para naturalizar o seu uso. Mas, a epidemia de crack já chega, em alguns aspectos, a superar o álcool.

Um levantamento feito pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, da Assembleia Legislativa de São Paulo, mostra que especialmente no interior paulista, em cidades entre 50 mil e 100 mil habitantes, o crack se equipara ao álcool no número de atendimentos na rede pública de saúde: 38% cada.

Para chegar a estes dados, foram enviados questionários aos administradores de todos os 645 municípios paulistas; 325 deles o responderam, representando 76% da população.

No estado como um todo, dentre os usuários de algum tipo de droga lícita ou ilícita que buscam atendimento, 49% estão ligados ao vício do álcool; o crack vem depois, com 31%, seguido da cocaína (10%), maconha (9%) e drogas sintéticas (0,59%). O levantamento mostrou também que tem sido alto o consumo entre os cortadores de cana.

Inversamente contrário às necessidades dos municípios é a ajuda vinda dos entes estadual e federal. Segundo as respostas dos gestores, apenas 5% das prefeituras recebem recursos estaduais para lidar com o problema e apenas 12% dizem receber ajuda federal.

Alcance devastador

Resultante da mistura da pasta-base de coca ou cocaína refinada com bicarbonato de sódio e água, o crack pode ainda conter outras substâncias tóxicas tais como, por exemplo, querosene, cal, cimento e soda cáustica. Por ser fumado, alcança diretamente o pulmão, órgão que, devido à sua vascularização e tamanho, tem a absorção facilitada, levando a substância rapidamente à circulação sanguínea e ao cérebro.

Conforme informações da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, em 10 a 15 segundos, os primeiros efeitos já ocorrem, enquanto após cheirar cocaína surgem depois de 10 a 15 minutos, e após a injeção, em 3 a 5 minutos. “Essa característica faz do crack uma droga ‘poderosa’ do ponto de vista do usuário, já que o prazer acontece quase instantaneamente após uma ‘pipada’ (fumada no cachimbo)”, informa.

No entanto, a sensação dura pouco: cerca de cinco minutos; no caso de cheirar ou inalar cocaína, varia de 20 a 45 minutos. Conforme explica a Senad, isso faz com que o usuário volte a utilizar a droga com mais frequência que as outras (praticamente de cinco em cinco minutos), facilitando a dependência.

Propostas em questão

Conforme dados da Organização Mundial de Saúde, a estimativa é de que haja no Brasil 6 milhões de usuários de crack, equivalentes a cerca de 3% da população, enquanto o Ministério da Saúde trabalha com cerca de 2 milhões. Estudo realizado pela Unifesp e pela Senad adotado nas Diretrizes Gerais Médicas do Conselho Federal de Medicina (CFM) indica que um terço dos usuários encontra a cura, outro terço mantém o uso e outro terço morre, sendo que 85% dos casos estão relacionados à violência.

O CFM defende intervenções dentro dos preceitos legais para desintoxicação como medida inicial, ressaltando que o paciente deve “ter acesso à rede de tratamento ambulatorial bem como aos processos integrados”.

Para o Conselho, além das questões de cunho médico, é preciso criar uma rede multidisciplinar que englobe, entre outros fatores, ações preventivas através da sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde e educação; identificação precoce e encaminhamento adequado; desintoxicação via tratamento e suporte sintomático; tratamento das comorbidades clínicas e psiquiátricas; aplicação de estratégias de psicoeducação trabalhando fatores de risco, entre outros.

No âmbito federal, a busca por saídas levou à elaboração de um Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, lançado em maio de 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com um orçamento inicial na ordem de R$ 410 milhões para aquele ano a serem utilizados em ações de prevenção, atenção e reinserção social de usuários e dependentes, e repressão ao tráfico.

A presidenta Dilma Rousseff deu continuidade ao plano e no começo deste ano, durante lançamento de 49 Centros de Referência em Crack e outras Drogas, declarou: “Temos um quadro extremamente preocupante no que se refere às drogas e à criminalidade. Meu governo vai fazer um combate sustentável ao crack. Tenho o compromisso de levar uma luta sem quartel ao crack”. As ações federais são passos positivos, especialmente levando-se em conta que até 1998, não havia no Brasil uma política pública voltada para as drogas. E mostram que o governo está se comprometendo a enfrentar a questão.

No âmbito municipal, as coisas são mais preocupantes. Uma forte polêmica, opondo parte do setor médico e entidades ligadas aos direitos humanos às autoridades públicas, veio à tona com mais força a partir da política adotada na cidade do Rio de Janeiro.

O uso da polícia no processo de recolhimento de crianças nas ruas e sua condução a delegacias policiais, num flagrante desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), levaram o Ministério Público Estadual a propor à Secretaria Municipal de Assistência Social o compromisso de assinar um termo de ajuste de conduta a fim de que seja revista a tática usada pela prefeitura carioca. Até agosto, as operações teriam resultado no acolhimento de mais 1.300 pessoas, das quais pouco mais de 250 eram crianças e adolescentes.

No caso da cidade de São Paulo, não levou muito tempo para que a prefeitura cogitasse aplicar a mesma tática do Rio de Janeiro, o que indica um perigoso potencial de reprodução em âmbito estadual e mesmo nacional dada a influência que a capital tem sobre as demais cidades. Interesses econômico-imobiliários focados no projeto “Nova Luz” e a percepção de boa parcela da população de que a presença de usuários nas ruas é uma ameaça à sua segurança e degrada a cidade estão na essência do posicionamento assumido pela administração municipal.

Neste contexto que envolve as duas maiores capitais do país, a tática da internação compulsória ganhou capas de jornais e revistas e se tornou a grande panaceia daqueles que querem extirpar o problema sem ter de enfrentar sua essência. Estimativas do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) apontam que devem existir na cracolândia, região central da cidade, cerca de 2 mil usuários. Muitas dessas pessoas, de fato, encontram-se em situação deplorável: já não têm total consciência de seus atos, dormem e acordam nas ruas, passam fome, frio e todo tipo de violência, se afastam de seus familiares e contraem doenças de toda espécie.

Mas, recolher essas pessoas à força e trancafiá-las num espaço físico qualquer, tirando-as da vista da sociedade, não se configura em solução adequada. É preciso uma abordagem multidisciplinar feita por profissionais treinados para a situação.

Em casos muito extremos de dependência ou de surtos psicóticos que ponham em risco a vida do usuário, pode ser necessária a internação. Porém, é preciso que haja uma avaliação médica cuidadosa e autorização judicial, além de uma estrutura de tratamento completa. O recolhimento desordenado de todo e qualquer usuário é medida policialesca e de pouca eficácia, conforme tem sido colocado por diversos especialistas.

Reação à internação compulsória

Diante deste quadro alarmante e na busca por soluções que fujam do rol das respostas simplistas, autoritárias e higienistas, a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania, Segurança Pública e Relações Internacionais da Câmara Municipal de São Paulo realizou debate sobre o tema.

Com base nas opiniões expostas por especialistas da área médica, jurídica, psicológica e representantes da administração pública, ficou claro que é preciso enfrentar a questão principalmente nos âmbitos familiar, social, educacional e da saúde. É preciso associar ações nestas áreas, oferecendo assim uma saída multissetorial. Um olhar especial deve estar voltado para a questão dos moradores de rua, principalmente as crianças e adolescentes.

Conforme dados do Projeto Quixote, ligado ao Departamento de Psiquiatria da Unifesp, obtidos através de 209 entrevistas feitas com crianças e adolescentes atendidas por ele, apenas 12% dos usuários foram para as ruas por causa da droga.

O abandono e a negligência por pais e parentes (37%) e as violências familiar (18%) e sexual (15%) são os principais fatores. Ou seja, a desestruturação das relações sócio-familiares, a falta de perspectivas, de apoio, afeto e educação levam parte de nossos jovens, já em sua tenra idade, a caírem na armadilha das drogas. Além disso, essas informações mostram que os recursos médicos respondem por uma parte do tratamento; é preciso uma rede de sustentação que faça com o que o usuário – criança ou adulto – seja inserido socialmente, veja-se como parte da cidade, tenha perspectivas futuras de estudo, emprego, saúde e convívio familiar. Sanar a doença sem oferecer novos rumos é como enxugar gelo: não resolve a questão.

Durante o debate que realizamos, um caso chamou atenção. O psiquiatra da Faculdade Paulista de Medicina, Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Tratamento a Dependentes (Proad),criado há 24 anos, recordou ter testemunhado o relato de uma menina que usava crack para não sentir a dor física de ter de se prostituir e, assim, garantir seu sustento. Para aquela menina, lembrou, a droga era a solução e não o problema de seu cotidiano. Mas ele advertiu que internar sem a concordância do usuário não é o caminho mais adequado para lidar com a brutalidade de situações como essa. “Posso afirmar que 98% das pessoas que são internadas compulsoriamente recaem, sendo, portanto, um método de baixa eficácia. Aliás, mesmo com a internação voluntária, o sucesso não é muito grande”. Segundo ele, ainda que haja insuficiências, os melhores métodos atualmente são os de atendimento ambulatorial, como os empregados nos Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Droga (Caps-AD).

Do ponto de vista jurídico, Luiz Fernando Vidal, membro do Conselho da Associação Juízes para a Democracia, alertou para o fato de que nenhuma alternativa deve desrespeitar a autonomia do indivíduo. “Não se pode admitir nenhuma intervenção de conteúdo autoritário na abordagem desse problema. Não havendo um programa, governos correm o risco de agir na base do voluntarismo, desprovidos de conhecimentos e base teórica e científica”.

Eduardo Ferreira Valério, promotor público da Divisão de Inclusão Social, disse que apesar de não haver ainda um parecer oficial do Ministério Público paulista sobre o assunto, “o MP não concordará com as internações compulsórias que signifiquem a mera remoção dos dependentes, sem um projeto que contemple o tratamento, sobretudo ambulatorial, propicie refazer os laços familiares e ofereça alternativas de profissionalização e moradia para que não retornem às ruas”.

Resolver essa situação não é tarefa simples: não dispomos de fórmulas prontas, nem há soluções definitivas. Além disso, a questão muitas vezes fica permeada por um forte recorte de classe e uma visão elitista do problema que podem resultar em ações cosméticas e que colocam o uso da droga em si como foco deste drama, ignorando o que de fato está por trás do aumento de seu uso.

A prevenção, por meio da educação e da conscientização, ainda é o melhor caminho para se evitar epidemias de quaisquer drogas. Também é preciso criar uma rede de atendimento aos dependentes que contemple o tratamento médico por meio de centros de referência e a reinserção social e familiar.

A internação compulsória casada à falta de uma estrutura abrangente e que permita aos dependentes serem tratados e ressocializados leva ao risco de as cidades, especialmente São Paulo, ganharem verdadeiros “depósitos humanos”, cuja função seria simplesmente retirar os dependentes das vistas da população, uma resposta higienista que não resolveria efetivamente esta situação e infringiria o direito humano básico à vida, à liberdade e à dignidade.

Jamil Murad é médico,  vereador, líder do PCdoB e presidente da Comissão de Direitos Humanos,Cidadania, Segurança Pública e Relações Internacionais da Câmara Municipal de São Paulo

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