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Criança tem de praticar esporte ou fazer atividade física em escolinha? O pediatra João Guilherme Alves dá todas as dicas

Publicado em: 14 de setembro de 2012

O pediatra João Guilherme Alves receita: Atividade física é um dos melhores “remédios” para a criançada

por Conceição Lemes

Esconde, pega-pega, amarelinha, barra-manteiga, queimada, pular corda, andar de bicicleta, jogar bola, garrafão

A lista de brincadeiras infantis de 20 ou 30 anos atrás era imensa. Brincando, a criançada se exercitava, mesmo. Tanto que raramente os pediatras precisavam prescrever atividade física, como é obrigatório hoje em dia.

“As crianças de hoje não estão se exercitando como devem, estão menos ativas”, alerta o pediatra João Guilherme Bezerra Alves, responsável pela pós-graduação do Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP), em Pernambuco. “Estima-se que hoje uma criança gaste menos 400 Kcal por dia do que há 20 anos.”

É o equivalente às calorias contidas em meio litro de leite ou em aproximadamente uma hora de atividade física. Conseqüências: crianças obesas, com colesterol, pressão arterial e níveis de açúcar elevados no sangue.

Questão de saúde pública, portanto. Por isso, aprofundei  essa conversa com o doutor João Guilherme Bezerra Alves.

Blog da Saúde —  Que  fatores contribuem para a inatividade infantil e as suas conseqüências?

João Guilheme Alves-– Por exemplo, a falta de espaço para recreações, incluídos o residencial e o da escola, devido à especulação imobiliária; a violência que limita os deslocamentos das crianças — não se vai mais à escola de bicicleta como antigamente; TV, computador, internet, videogame.

Bog da Saúde — Qual a importância da atividade física para a criança?

João Guilherme Alves — É um dos melhores remédios para ela. Ajuda a manter a criança com aptidão física e no seu peso adequado.  Promove a saúde, previne doenças e auxilia no tratamento de muitas delas.  Atividade física é excelente para coração, pulmão, osso, músculo, cabeça… Ajuda a evitar doenças que podem acometer a criança, como depressão, asma, infecções. Assim como doenças da vida adulta, entre as quais hipertensão arterial, diabetes, infarto do miocárdio.

Blog da Saúde —  Que atividades são recomendadas à criança?

João Guilherme Alves — A criança simplesmente necessita de espaço para desenvolver suas atividades físicas, que dependem da idade. É importante que faça uma que goste. Atividades esportivas competitivas somente devem ser praticadas sob duas condições: 1) se a criança quiser; e 2) baseada na habilidade dela e não naquilo que os pais gostariam. Por exemplo, se a criança não leva jeito para jogar futebol, convém que seja estimulada para outro tipo de esporte.

Blog da Saúde — A partir de que idade?

João Guilherme Alves — Desde o momento em que começa a ir para o chão, a criança necessita de espaço para pleno desenvolvimento. Na realidade, já na vida intra-uterina. A pratica da atividade física orientada durante a gravidez beneficia o feto e ajuda a mulher a ter um bom parto.

Blog da Saúde —  Muitas pessoas acham que atividade física supõe esporte ou atividade em escolinha. Isso é necessário?

João Guilherme Alves –– Nem uma coisa nem outra. Atividade física é se movimentar,  gastar energia. Ou seja, quando transpiramos um pouco ou sentimos o coração bater mais acelerado já estamos fazendo atividade física. Logo, uma criança brincando no parque, jogando, correndo, andando de bicicleta, está fazendo atividade física.

Blog da Saúde — Que alerta gostaria de fazer aos pais e mães?

João Guilherme Alves — Crianças fisicamente ativas têm maior probabilidade de viverem mais e com saúde.  Afinal, na vida adulta, terão menos risco de diabetes, hipertensão, obesidade e de morte por infarto do miocárdio, principal causa de óbitos no mundo, inclusive no Brasil.

Blog da Saúde — O que recomendaria mais ?  

João Guilherme Alves — Mãe, pai, sejam fisicamente ativos! Além de terem mais saúde, serão exemplos para os seus filhos.

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Atividade física: Dores e doooooooooooooooores

Publicado em: 12 de agosto de 2011

por Conceição Lemes

Se, na caminhada, corrida ou qualquer outra atividade física, sentir doooooooooooor, não force a barra, pare. Ou você fez algum movimento inadequado – por exemplo, pisou ou se abaixou errado – ou exagerou na dose – resolveu tirar o atraso de anos num dia ou malhou demais para ficar sarado. Em bom português: foi além da sua capacidade naquele momento.

“A dor durante ou logo após a atividade física é anormal”, alerta o médico Arnaldo José Hernandez, chefe do grupo de Medicina do Esporte do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo, no  livro “Saúde — A hora é Agora”.“É sinal de superdesgaste metabólico, que é coisa de atleta, ou lesão muscular por sobrecarga mecânica, que ocorre tanto em atletas como na população em geral.”

Mas existe um segundo tipo. É a chamada dor muscular de início tardio: é tolerável, todo mundo a tem em certo grau quando aumenta a atividade física, e aparece de 24 a 48 horas após o exercício. “Provavelmente decorre de microlesões na musculatura causadas pela sobrecarga da atividade, e não por acúmulo de ácido láctico nos músculos, como muitos imaginam”, observa Hernandez. “É esse processo que lhe permite hoje andar um quarteirão, amanhã, dois, depois de amanhã, três, e assim sucessivamente.”

Explica-se:

* Toda vez que se aumenta a intensidade da atividade física em relação ao que se fazia, há sobrecarga sobre os músculos.

* Tal estímulo causa nos músculos microlesões, que produzem pequena reação inflamatória.

* A reação inflamatória, por sua vez, faz as microlesões “cicatrizarem”. E, aí, ocorre a dor, que demora de 24 a 48 horas para se manifestar. Tudo isso é absolutamente normal e fisiológico.

* Ao fazer o reparo, porém, os músculos sempre “cicatrizam” um pouco a mais. É essa reserva que os torna mais fortes e permite a você ir aumentando gradativamente a intensidade da atividade.

Agora, se a dor persistir por mais de 48 horas e for extremamente localizada, ela não é dor muscular de início tardio”, alerta Hernandez. “Pode ser lesão no tendão, fratura por estresse. Procure um médico.”

Portanto, há dores e dooooooooooooores. O melhor jeito de evitar as anormais é ir devagar na atividade física. É a receita para toda a vida.

Contra depressão, use atividade física regularmente

Ômega 3, proteção contra doenças cardíacas

Sexo, distribua carícias à vontade

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Contra a depressão, “use” atividade física regularmente

Publicado em: 25 de abril de 2010

por Conceição Lemes

Mens sana in corpore sano –mente sã em corpo são. Vocês já leram ou ouviram em latim ou português essa célebre máxima. É do poeta romano Juvenal (60-130 d.C), que, para criá-la, recorreu aos manuscritos de Hipócrates (460 a 377 a.C). Muito lá trás, o Pai da Medicina antevia o que a ciência só recentemente demonstrou.

“A atividade física beneficia não apenas a saúde física, a mental também”, afirma a psiquiatra Laura Helena Andrade, responsável pelo Núcleo de Epidemiologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e professora colaboradora da Faculdade de Medicina da USP. “Está comprovado que ela é eficaz tanto na prevenção quanto no tratamento da depressão.”

Mas antes de ter mais detalhes, é importante saber que a depressão é uma doença comum. Hoje em dia, basta juntar dez mulheres, e terá esta “foto”: duas a três têm, tiveram ou terão o problema. Em caso de dez homens, um a dois aparecerão no “filme”.

O retrato é mundial. A depressão afeta 20% a 30% da população adulta. Segundo pesquisa da Universidade de Harvard, as doenças mentais causam metade dos 1,3 bilhão de dias/ano de afastamentos do trabalho nos Estados Unidos, sendo a depressão a principal responsável. Quadro semelhante ocorre entre os funcionários do Hospital das Clínicas de São Paulo: 45% das licenças médicas devem-se à depressão.

Ela provoca prejuízos duros e doídos. As perdas vão desde dias de trabalho, emprego, bom humor, qualidade de vida e alegria de viver até fim de relacionamentos. Tem mais. Ninguém está livre de ter uma crise um dia.

Logo, prevenir a depressão interessa a todas e todos. Pesquisas de longo prazo demonstram que a atividade física evita o aparecimento de sintomas depressivos em jovens, adultos e idosos, além de melhorar o humor e o bem-estar. Parece ainda reduzir o risco do Mal de Alzheimer e demência senil no futuro. Já em quem tem depressão, ajuda no tratamento.

“É um recurso adjuvante à medicação (os antidepressivos) e à psicoterapia”, salienta a doutora. “Os resultados surgem seis a oito semanas após o início dos exercícios regulares.”

Outra grande vantagem é diminuir as recaídas. Quem tem um episódio depressivo, tem 50% de risco de apresentar um segundo. Se dois, a probabilidade de um terceiro sobe para 70% a 80%. Em caso de três, o perigo de outras crises ultrapassa os 90%. Conseqüentemente é vital investir na prevenção de novas crises. É a chamada prevenção secundária.

Conclusão: os exercícios funcionam – mesmo! — na depressão. O que a ciência ainda não desvendou totalmente são os mecanismos que propiciam tais ganhos. Aparentemente, eles aumentam a liberação pelo cérebro de substâncias, como a serotonina (melhora humor e bem-estar) e as endorfinas (aliviam tensão e ansiedade).

Agora, para conquistá-los, há uma condição: a atividade física tem que ser regular. O ideal, quatro a cinco vezes por semana durante meia hora. Vale o que você preferir ou estiver ao seu alcance: caminhada, corrida, esteira, bicicleta, natação, exercícios com pesinhos, dança, ioga.

Tanto que a doutora Laura prescreve a todos os meus pacientes. Àqueles saudáveis, sem doenças, é sugestão, visando proteger-lhes mais a saúde mental e física. Já para quem tem depressão, é “remédio” obrigatório, que complementa os antidepressivos e/ou a psicoterapia. Potencializa, inclusive, os efeitos de ambos.

A depressão é problema de saúde como outro qualquer. No Brasil, atinge cerca de 20 milhões de pessoas. Quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento, menor o risco de voltar. Portanto, se você se sente triste ou infeliz, sem esperança no futuro, com vontade freqüente de chorar, atenção: talvez seja “ela”. Não se envergonhe, busque ajuda logo.

E mexa-se– sempre! Ninguém está livre de ter uma crise depressiva. Sua cabeça e seu corpo só lucrarão.