Professor Mílton: Para prevenir anencefalia, ácido fólico nas gestantes

por Conceição Lemes

É definitivo. A mulher grávida de feto anencéfalo pode  interromper a gestação ou levá-la adiante, sem ter de entrar na Justiça.  Na semana passada por 8 votos a 2, o Supremo Tribunal Federal (STF), num julgamento histórico,  decidiu que, nesses casos, não é crime a antecipação terapêutica do parto.

A anencefalia resulta de um defeito do tubo neural (estrutura embrionária que dá origem ao cérebro e à medula espinhal). O feto não tem cérebro, calota craniana e couro cabeludo.

É uma doença multifatorial. Os cientistas não sabem exatamente a causa. O que sabem é que resulta da interação de componente genético com ambiente. Em outras palavras: existem alguns genes que predispõem à doença e algum fator ambiental faz com que ela se manifeste.

“A ingestão insuficiente de ácido fólico, ou folato, é um dos fatores ambientais”, informa o professor Mílton de Arruda Martins, titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. “Gestante com deficiência dessa vitamina do complexo B tem maior risco de gerar bebê com defeitos graves do tubo neural, entre os quais anencefalia e espinha bífida [fechamento incompleto da coluna vertebral].”

A boa notícia. Várias pesquisas já demonstraram que existe diminuição de defeitos do tubo neural em bebês cujas mães tomam suplementação de folato na gravidez. O ácido fólico ajuda a prevenir esses graves problemas congênitos.

O ácido fólico é encontrado em castanhas, vegetais de folhas escuras, cereais integrais, levedo, fígado e leguminosas, como feijão e lentilha. Portanto, em mulheres que desejam engravidar, o consumo de alimentos ricos em folato é fundamental. Suplementação significa ingerir comprimidos dessa vitamina do complexo B.

“Além de uma dieta rica em alimentos contendo ácido fólico, é indispensável a gestante fazer de suplementação dessa vitamina”, orienta o professor Mílton de Arruda Martins. “A suplementação deve ser iniciada três meses antes da gestação”.

A razão é simples. Como os defeitos do tubo neural aparecem nas primeiras semanas de desenvolvimento do feto, o ideal é a mulher estar tomando ácido fólico — atenção! — antes de engravidar. Converse  com o seu médico a respeito.

Leia também:

Nascituro: Ninguém assume a sua paternidade nem maternidade na MP 557