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	<title>Viomundo - O que você não vê na mídia &#187; Blog da Saúde</title>
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	<description>O que você não vê na mídia</description>
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		<title>Mário Scheffer: Câncer e doenças do coração, os tratamentos que planos de saúde mais negam</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 16:26:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Agência Nacional de Saúde Suplementar]]></category>
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		<description><![CDATA[Pesquisador dá 15 dicas para você não ser vítima]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por<strong> Conceição Lemes</strong></p>
<p>Quase todo mundo tem familiar, amigo, vizinho ou colega de trabalho que teve tratamento ou exame negado por plano ou seguro de saúde. Uma parte dos casos, porém, vai parar na Justiça.</p>
<p>Mário Scheffer, doutor em ciências e pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, acaba de divulgar um estudo justamente sobre a judicialização da assistência médica suplementar.</p>
<p>Ele analisou 782 decisões judiciais relacionadas à exclusão de cobertura, julgadas em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) em 2009 e 2010. Aqui, existem 489 empresas de planos de saúde e 18,3 milhões de usuários; 44,5% da população do estado e 59% da capital têm plano privado.</p>
<p>“Das 782 decisões judiciais analisadas, 88% foram favoráveis ao usuário, obrigando o plano de saúde a arcar com a cobertura negada; em 4% dos casos concedeu parte da cobertura solicitada”, revela Mário Scheffer. “Em 7,5% das decisões, o juiz acatou o argumento do plano de saúde.”</p>
<p>“Os principais motivos dessas ações são as negativas de tratamento de câncer e de doenças do coração”, informa Mário Scheffer. “Já entre os procedimentos médicos mais excluídos destacam-se quimioterapia, radioterapia e cirurgias diversas. Os insumos mais negados são órteses e próteses, principalmente stents, marcapassos e próteses ortopédicas (quadril, joelho),  exames diagnósticos e medicamentos de alto custo.”</p>
<p><strong>ESMIUÇANDO</strong></p>
<p>Os tratamentos negados para os diversos tipos de câncer (leucemia, linfomas, mama, próstata, colo de útero etc)  representam 36,57% das ações  judiciais. Em segundo lugar estão as doenças do aparelho  circulatório, incluindo acidente vascular cerebral (AVC, mais conhecido como derrame), infarto do miocárdio e outros problemas cardíacos, com  116 ações judiciais (19,46%).</p>
<p>Os dois grupos de doenças mais citados – câncer e cardiopatias – referem-se (em ordem inversa) às duas principais causas de adoecimento e morte no Estado de São Paulo. Em comum com as demais exclusões citadas nas ações, os tratamentos dessas doenças são onerosos.</p>
<p>Quimioterapia e radioterapia para tratamento do câncer são os procedimentos mais negados: correspondem a 33% das ações judiciais que mencionam procedimentos médicos excluídos pelos planos de saúde. Em seguida, as cirurgias (mastectomia, cirurgias cardíacas e bariátricas, aneurisma, vesícula etc);  sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e reabiltações; hemodiálise; transplantes, dentre outros procedimentos.</p>
<p><a href="../wp-content/uploads/2011/11/plano-de-sa%C3%BAde.jpg" rel="lightbox[32242]"><img title="plano de saúde" src="../wp-content/uploads/2011/11/plano-de-sa%C3%BAde.jpg" alt="" width="599" height="304" /></a></p>
<p>“Isso reforça a tese de que os planos excluem os tratamentos caros”, acrescenta Scheffer. “Em estudo que fiz sobre as ações julgadas pelo TJSP de 1999  a 2004, o tratamento de aids aparecia em terceiro lugar. Já como hoje ele é 100% garantido  pelo SUS, os pacientes adoecem e internam muito menos, resta aos planos cobrir poucos exames e consultas. A surpresa é o aumento da negação de atendimento em casos de obesidade mórbida, sob a alegação de que se trata de cirurgia estética, quando não é.”</p>
<p><strong>O QUE OS PLANOS DE SAÚDE ALEGAM PARA DIZER &#8220;NÃO&#8221;</strong></p>
<p>Entre os motivos usados pelos planos e seguros de saúde para negar o atendimento da demanda, destacam-se:</p>
<p>* O procedimento não consta no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).</p>
<p>* O contrato possui cláusula que exclui a cobertura solicitada (comum nos planos antigos, assinados antes da lei 9656, de 1998, e que não fizeram a migração).</p>
<p>* A doença é preexistente.</p>
<p>* Prazo de carência não foi cumprido.</p>
<p>* Hospital ou serviço utilizado não é credenciado do plano de saúde.</p>
<p>* O tratamento médico não foi indicado corretamente, está fora de diretriz clínica ou da “bula”, segundo auditoria do plano de saúde.</p>
<p>* Não é obrigação do plano de saúde cobrir medicamentos, sobretudo de uso ambulatorial, domiciliar e oral.</p>
<p>* A finalidade do procedimento é estética (mesmo em casos de reconstrução de mama devido ao câncer e redução de estômago para tratar obesidade mórbida).</p>
<p>* O plano de saúde é coletivo (pessoa jurídica, associação etc), logo prevalece o contrato entre as partes e não se aplica o Código de Defesa do Consumidor. A garantia irrestrita à saúde é dever do Estado e não do plano de saúde.</p>
<p>“Na verdade, o que chega à Justiça é a ponta do problema. Antes, muitos já tentaram solução junto ao plano de saúde, ANS  e Procon.  Como são casos urgentes, diante da negativa o mais comum é o usuário arcar com os  custos particulares ou buscar socorro na rede pública, o que sobrecarrega e onera o SUS.”</p>
<p>“Treze anos depois de aprovada a lei 9656, dos planos de saúde, o estudo mostra falhas na legislação e omissão da ANS”, avalia Scheffer. “Infelizmente, a ANS não cumpre com rigor o seu papel de regulação e fiscalização.&#8221;</p>
<p><strong>15 DICAS PARA VOCÊ E SEUS FAMILIARES NÃO SEREM VÍTIMAS<br />
</strong></p>
<p>O que fazer para que você não ter atendimento negado pelos planos e seguros de saúde?</p>
<p>Baseado nas suas pesquisas e na sua experiência de trinta anos anos como ativista na área de saúde, Mário Scheffer dá estas dicas:</p>
<p>1. Você tem direito a informações claras e adequadas, com especificação correta sobre a qualidade do plano de saúde, o que inclui redação com destaque, nos contratos, das cláusulas que possam limitar direitos.</p>
<p>2. Verifique se a empresa está registrada na ANS. Caso esteja sob direção fiscal ou técnica, isso significa que ela tem problemas (www.ans.gov.br e 0800 701 9656).</p>
<p>3. Leia atentamente o contrato antes de assinar, exija uma cópia.  As informações e &#8220;promessas&#8221; do corretor obrigam a operadora a cumpri-las, pois ele representa a empresa. Peça que o corretor entregue por escrito os benefícios prometidos.</p>
<p>4. Se você tem um contrato “novo” (assim chamado os contratos assinados a partir de 1999), verifique se o atendimento negado consta no rol de procedimentos da ANS. Esse rol define uma lista de consultas, exames e tratamentos que os planos de saúde são obrigados a oferecer. Se o seu contrato é “antigo”, você pode se valer do Código de Defesa do Consumidor para discutir a exclusão de cobertura.</p>
<p>5. O preço da mensalidade e as coberturas ofertadas têm a ver com: tipo de plano contratado, abrangência  (municipal, estadual ou nacional) e tamanho, extensão e qualidade da rede credenciada.</p>
<p>6. Leia atentamente a descrição da rede oferecida (médicos, laboratórios e hospitais), que deve fazer parte do contrato. Quanto mais restrita a rede, mais dificuldades você poderá ter para o atendimento.</p>
<p>7. O contrato pode impor carências (24 horas para urgências e emergências, dois anos, no caso de doenças preexistentes; 300 dias em caso de parto; 180 dias para os demais casos).</p>
<p>8. Se o seu plano é antigo (anterior a 1999) e tem cláusulas restritivas, veja se a empresa oferece a migração e se isso compensa financeiramente.</p>
<p>9. Muitos planos anunciam a “compra” ou redução de prazos de carências para você mudar de plano. Exija esse compromisso por escrito.</p>
<p>10. Atente ao que o plano oferece e exige para pessoas que já têm alguma doença, idosos, mulheres em idade fértil e outras necessidades de saúde especiais.</p>
<p>11.  Desconfie de mensalidades muito baixas de planos de saúde. Você pode estar caindo em alguma “arapuca”; por exemplo, ter dificuldade para agendar consultas, exames e cirurgias (em razão da reduzida rede credenciada) ou ver a empresa “quebrar” após longos meses pagando mensalidades.</p>
<p>12. Cuidado com os “cartões de desconto”, que oferecem consultas e exames mais baratos, mas não são planos de saúde e não dão nenhuma garantia de atendimento.</p>
<p>13. Cuidado com os “falsos” planos coletivos. São planos para duas, três ou mais pessoas em que você tem de apresentar o CNPJ de uma empresa para assinar o contrato. Os reajustes não são controlados pela ANS e as operadoras entendem que podem cancelar o contrato a qualquer momento (prática que, felizmente, vem sendo rejeitada pela Justiça).</p>
<p>14. Se o seu plano é da empresa onde você trabalha, informe ao setor de recursos humanos ou a seu chefe sempre que tiver um atendimento negado. Se o seu plano é individual ou familiar, tente primeiro uma solução com a operadora. Se não resolver, denuncie à ANS e ao Procon. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) tem em seu site ( www.idec.org.br) modelos de cartas para formalizar a reclamação.</p>
<p>15. Se decidir entrar na justiça, você tem que ajuizar uma ação por meio de advogado. É comum o juiz de primeira instância, na qual o processo é iniciado, conceder a liminar ou a tutela antecipada.</p>
<p>O plano de saúde é, então, obrigado a atender a imposição judicial; aí, ele recorre da decisão nas instâncias superiores. Na maioria das vezes, a Justiça tem dado ganho de causa ao paciente, mas há também decisões favoráveis aos planos de saúde. Muitas ações contra planos de saúde passaram a ser movidas junto aos juizados especiais cíveis (JECs), mais ágeis na tentativa de conciliar as partes litigantes – quando o valor envolvido vai até 40 salários mínimos. Nos JECs, se a causa for até 20 salários mínimos não é necessária a presença de advogado.</p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/pedro-michaluart-nos-estagios-bem-iniciais-a-probabilidade-de-cura-e-maior-do-que-95.html">Pedro Michaluart: “Nos estágios bem iniciais a probabilidade de cura do câncer é maior do que 95%”</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/ronco-alto-todas-as-noites-cuidado-pode-ser-apneia.html">Ronco alto? Todas as noites? Cuidado, pode ser apneia</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/atividade-fisica-dores-e-doooooooooooooooores.html">Atividade física: Dores e doooooooooooooooores</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/infertilidade-causada-por-remedio-para-calvicie-e-reversivel.html">Remédio para calvície causa infertilidade? E impotência sexual?</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/tiroidite-de-hashimoto-diagnostico-e-tratamento.html">Tiroidite de Hashimoto: Diagnóstico e tratamento</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/drogas-parar-ou-reduzir-danos.html">Drogas: Parar ou reduzir danos?</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/aids-as-aparencias-enganam-o-hiv-e-democratico.html">Aids: As aparências enganam, o HIV é democrático</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/distribua-caricias-a-vontade-sem-a-menoooooooooor-pressa.html">Sexo: distribua carícias à vontade</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/check-up-conversa-e-a-parte-mais-importante-da-consulta.html">Check up: Conversa é a parte mais importante da consulta</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/drogas-chega-de-empurra-empurra.html">Drogas: Chega de empurra-empurra!</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/em-briga-de-marido-e-mulher-se-mete-a-colher-sim.html">Em briga de marido e mulher se mete a colher, sim!</a></strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Rocinha: Preconceito social, problema de saúde pública?</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/preconceito-social-problema-de-saude-publica.html</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Nov 2011 16:48:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
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		<description><![CDATA[Vídeo feito por jovens moradores, para debater a questão ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>Em  fevereiro,  publiquei aqui no Blog da Saúde a matéria<strong> <a href="http://http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/parceria-puc-rj-viramundo-e-rocinha-da-samba-ops-saude.html">Parceria PUC-RJ, Viramundo e Rocinha dá samba, ops!, saúde</a></strong>. A<strong><a href="http://www.viramundo.org/"> Viramundo</a></strong> é uma ONG presidida pelo médico e professor Flavio Wittlin, que atua na área de educação em saúde, desenvolvendo um trabalho muito interessante com a comunidade da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.</p>
<p>&#8220;O preconceito social é  fator de  adoecimento para quem o sofre e expressão de patologia social para quem o  exerce&#8221;, observa o médico Flavio Wittlin. &#8220;Assim, preocupados com a questão que muitas vezes apresenta-se camuflada e não ousa dizer o seu nome, os jovens moradores da comunidade tiveram a ideia e fizeram um vídeo sobre o tema. Por meio desse vídeo, eles buscam afirmar o seu sentimento de rejeição ao preconceito e à discriminação.&#8221;</p>
<p>&#8220;O tráfico no morro sempre foi a ponta visível, denunciada e   estigmatizada do novelo, cuja ponta mais importante está no consumo da   droga pelos círculos mais abastados da sociedade e na sua   mercantilização belicosa&#8221;,  observa Wittlin. &#8221; Só que esses jovens  não querem mais  ser responsabilizados pela violência social. Eles  esperam, sim, uma mudança de cenário no lugar onde moram, com paz, justiça e oportunidades.&#8221;</p>
<p>O vídeo abaixo faz parte dessa mudança de cenário.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/sKLRjByVvuk" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/sKLRjByVvuk"></embed></object></p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/jamil-murad-o-risco-dos-depositos-humanos.html">Jamil Murad sobre a internação compulsória de dependentes de crack: O risco dos “depósitos humanos”</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/pedro-michaluart-nos-estagios-bem-iniciais-a-probabilidade-de-cura-e-maior-do-que-95.html">Pedro Michaluart: “Nos estágios bem iniciais a probabilidade de cura do câncer de laringe é maior do que 95%”</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/ronco-alto-todas-as-noites-cuidado-pode-ser-apneia.html">Ronco alto? Todas as noites? Cuidado, pode ser apneia</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/atividade-fisica-dores-e-doooooooooooooooores.html">Atividade física: Dores e doooooooooooooooores</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/medicos-puxam-a-orelha-de-pais-e-maes.html">Médicos puxam a orelha de pais e mães</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/infertilidade-causada-por-remedio-para-calvicie-e-reversivel.html">Remédio para calvície causa infertilidade? E impotência sexual?</a></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/tiroidite-de-hashimoto-diagnostico-e-tratamento.html">Tiroidite de Hashimoto: Diagnóstico e tratamento</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/omega-3-protecao-contra-doencas-cardiacas.html">Ômega-3, proteção contra doenças cardíacas</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/drogas-parar-ou-reduzir-danos.html">Drogas: Parar ou reduzir danos?</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/carmita-abdo-orientacao-sexual-nao-se-inverte.html">Orientação sexual não se inverte</a></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<slash:comments>12</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Jamil Murad: O risco dos &#8220;depósitos humanos&#8221;</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/jamil-murad-o-risco-dos-depositos-humanos.html</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 17:55:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Blog da Saúde -- Conceição Lemes]]></category>
		<category><![CDATA[Blog da Saúde do Viomundo]]></category>
		<category><![CDATA[dependentes químicos]]></category>
		<category><![CDATA[drogas]]></category>
		<category><![CDATA[internação compulsória para usuários de drogas]]></category>
		<category><![CDATA[Jamil Murad]]></category>

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		<description><![CDATA[Sobre a internação compulsória para dependentes de crack, especialmente os que vivem nas ruas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diante do grave quadro de crescimento no consumo do crack em diversas cidades do país, soluções variadas têm sido debatidas. A mais polêmica propõe a internação compulsória especialmente dos dependentes que vivem nas ruas. A proposta, no entanto, não é encarada como a melhor saída para o problema, que demanda tratamento médico, acompanhamento multidisciplinar e reinserção sócio-familiar.</p>
<p><em> </em>por <strong>Jamil Murad</strong></p>
<p><em> </em>O uso de substâncias alucinógenas ou que alterem os sentidos é milenar na história da humanidade. Possivelmente, permeou a existência de alguns dos nossos mais antigos antepassados – que recorriam a diversas plantas para fins geralmente ligados à religião e à medicina – e certamente continuará a fazer parte de nosso cotidiano.</p>
<p>No entanto, na contemporaneidade o processo que levou à exacerbação da sociedade do consumo parece ter resultado em uma nova relação com as drogas e na sua maior disseminação e grau de dependência<em>. </em>O conhecido “vazio existencial” e as doenças cuja intensificação está associada à modernidade, como a depressão, é um dos fatores que levam uma parcela considerável da população a recorrer aos mais diversos tipos de droga como saída paliativa às suas angústias.</p>
<p>Por outro lado, as drogas são usadas para buscar novas experiências, para auto-afirmação social ou mesmo para turbinar a sensação de felicidade e bem-estar. Fator igualmente importante é que, especialmente no caso de substâncias de mais baixo custo, maior poder de alucinação e alto grau de dependência, como o crack, a utilização serve para aplacar as dores de populações em condições sócio-familiares vulneráveis, como os moradores de rua.</p>
<p>Outro aspecto a ser considerado é que o mercado de drogas está entre as mais rentáveis atividades econômicas do mundo, ou seja, de uma maneira ou de outra, ainda que seja feito o combate ao tráfico, as estruturas criminosas usarão dos mais diversos artifícios para potencializar seus lucros e manter girando a roda do negócio. E uma das maneiras é fazer com que as substâncias cheguem a cada vez mais pessoas de idade cada vez menor.</p>
<p>Nestas situações, ou quando a somatória dessas diversas motivações e fatores leva a um descontrole do uso de drogas, passa a ser imprescindível a interferência do poder público tanto do ponto de vista preventivo – o que inclui desde ações de inteligência e combate ao tráfico até a educação de crianças e jovens – como no âmbito do tratamento multidisciplinar – envolvendo desde aspectos ambulatoriais até a ressocialização dos dependentes em estado mais preocupante.</p>
<p>A gravidade da situação de milhares de usuários Brasil afora ganhou contornos de tragédia nacional, entrando na agenda oficial do governo federal e chamando maior atenção dos poderes locais.</p>
<p><strong>Quando o crack supera o álcool</strong></p>
<p>Não são apenas as substâncias ilegais que causam preocupação. O consumo de álcool, especialmente em nossa juventude, é outro dado alarmante. Pesquisa realizada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) com 17 mil estudantes universitários de todas as capitais mostrou que 86% deles consumiram álcool e que nesse universo, 22% podem desenvolver dependência. Mas, por se tratar de uma droga socialmente aceita e de menor agressividade tóxica quando comparada ao crack, por exemplo, tem sido tolerada ao longo dos anos. Além disso, seu consumo é propagandeado nos principais meios de comunicação, o que contribui para naturalizar o seu uso. Mas, a epidemia de crack já chega, em alguns aspectos, a superar o álcool.</p>
<p>Um levantamento feito pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, da Assembleia Legislativa de São Paulo, mostra que especialmente no interior paulista, em cidades entre 50 mil e 100 mil habitantes, o crack se equipara ao álcool no número de atendimentos na rede pública de saúde: 38% cada.</p>
<p>Para chegar a estes dados, foram enviados questionários aos administradores de todos os 645 municípios paulistas; 325 deles o responderam, representando 76% da população.</p>
<p>No estado como um todo, dentre os usuários de algum tipo de droga lícita ou ilícita que buscam atendimento, 49% estão ligados ao vício do álcool; o crack vem depois, com 31%, seguido da cocaína (10%), maconha (9%) e drogas sintéticas (0,59%). O levantamento mostrou também que tem sido alto o consumo entre os cortadores de cana.</p>
<p>Inversamente contrário às necessidades dos municípios é a ajuda vinda dos entes estadual e federal. Segundo as respostas dos gestores, apenas 5% das prefeituras recebem recursos estaduais para lidar com o problema e apenas 12% dizem receber ajuda federal.</p>
<p><strong>Alcance devastador</strong></p>
<p>Resultante da mistura da pasta-base de coca ou cocaína refinada com bicarbonato de sódio e água, o crack pode ainda conter outras substâncias tóxicas tais como, por exemplo, querosene, cal, cimento e soda cáustica. Por ser fumado, alcança diretamente o pulmão, órgão que, devido à sua vascularização e tamanho, tem a absorção facilitada, levando a substância rapidamente à circulação sanguínea e ao cérebro.</p>
<p>Conforme informações da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, em 10 a 15 segundos, os primeiros efeitos já ocorrem, enquanto após cheirar cocaína surgem depois de 10 a 15 minutos, e após a injeção, em 3 a 5 minutos. “Essa característica faz do crack uma droga ‘poderosa’ do ponto de vista do usuário, já que o prazer acontece quase instantaneamente após uma ‘pipada’ (fumada no cachimbo)”, informa.</p>
<p>No entanto, a sensação dura pouco: cerca de cinco minutos; no caso de cheirar ou inalar cocaína, varia de 20 a 45 minutos. Conforme explica a Senad, isso faz com que o usuário volte a utilizar a droga com mais frequência que as outras (praticamente de cinco em cinco minutos), facilitando a dependência.</p>
<p><strong>Propostas em questão</strong></p>
<p>Conforme dados da Organização Mundial de Saúde, a estimativa é de que haja no Brasil 6 milhões de usuários de crack, equivalentes a cerca de 3% da população, enquanto o Ministério da Saúde trabalha com cerca de 2 milhões. Estudo realizado pela Unifesp e pela Senad adotado nas Diretrizes Gerais Médicas do Conselho Federal de Medicina (CFM) indica que um terço dos usuários encontra a cura, outro terço mantém o uso e outro terço morre, sendo que 85% dos casos estão relacionados à violência.</p>
<p>O CFM defende intervenções dentro dos preceitos legais para desintoxicação como medida inicial, ressaltando que o paciente deve “ter acesso à rede de tratamento ambulatorial bem como aos processos integrados”.</p>
<p>Para o Conselho, além das questões de cunho médico, é preciso criar uma rede multidisciplinar que englobe, entre outros fatores, ações preventivas através da sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde e educação; identificação precoce e encaminhamento adequado; desintoxicação via tratamento e suporte sintomático; tratamento das comorbidades clínicas e psiquiátricas; aplicação de estratégias de psicoeducação trabalhando fatores de risco, entre outros.</p>
<p>No âmbito federal, a busca por saídas levou à elaboração de um Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, lançado em maio de 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com um orçamento inicial na ordem de R$ 410 milhões para aquele ano a serem utilizados em ações de prevenção, atenção e reinserção social de usuários e dependentes, e repressão ao tráfico.</p>
<p>A presidenta Dilma Rousseff deu continuidade ao plano e no começo deste ano, durante lançamento de 49 Centros de Referência em Crack e outras Drogas, declarou: “Temos um quadro extremamente preocupante no que se refere às drogas e à criminalidade. Meu governo vai fazer um combate sustentável ao crack. Tenho o compromisso de levar uma luta sem quartel ao crack”. As ações federais são passos positivos, especialmente levando-se em conta que até 1998, não havia no Brasil uma política pública voltada para as drogas. E mostram que o governo está se comprometendo a enfrentar a questão.</p>
<p>No âmbito municipal, as coisas são mais preocupantes. Uma forte polêmica, opondo parte do setor médico e entidades ligadas aos direitos humanos às autoridades públicas, veio à tona com mais força a partir da política adotada na cidade do Rio de Janeiro.</p>
<p>O uso da polícia no processo de recolhimento de crianças nas ruas e sua condução a delegacias policiais, num flagrante desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), levaram o Ministério Público Estadual a propor à Secretaria Municipal de Assistência Social o compromisso de assinar um termo de ajuste de conduta a fim de que seja revista a tática usada pela prefeitura carioca. Até agosto, as operações teriam resultado no acolhimento de mais 1.300 pessoas, das quais pouco mais de 250 eram crianças e adolescentes.</p>
<p>No caso da cidade de São Paulo, não levou muito tempo para que a prefeitura cogitasse aplicar a mesma tática do Rio de Janeiro, o que indica um perigoso potencial de reprodução em âmbito estadual e mesmo nacional dada a influência que a capital tem sobre as demais cidades. Interesses econômico-imobiliários focados no projeto “Nova Luz” e a percepção de boa parcela da população de que a presença de usuários nas ruas é uma ameaça à sua segurança e degrada a cidade estão na essência do posicionamento assumido pela administração municipal.</p>
<p>Neste contexto que envolve as duas maiores capitais do país, a tática da internação compulsória ganhou capas de jornais e revistas e se tornou a grande panaceia daqueles que querem extirpar o problema sem ter de enfrentar sua essência. Estimativas do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) apontam que devem existir na cracolândia, região central da cidade, cerca de 2 mil usuários. Muitas dessas pessoas, de fato, encontram-se em situação deplorável: já não têm total consciência de seus atos, dormem e acordam nas ruas, passam fome, frio e todo tipo de violência, se afastam de seus familiares e contraem doenças de toda espécie.</p>
<p>Mas, recolher essas pessoas à força e trancafiá-las num espaço físico qualquer, tirando-as da vista da sociedade, não se configura em solução adequada. É preciso uma abordagem multidisciplinar feita por profissionais treinados para a situação.</p>
<p>Em casos muito extremos de dependência ou de surtos psicóticos que ponham em risco a vida do usuário, pode ser necessária a internação. Porém, é preciso que haja uma avaliação médica cuidadosa e autorização judicial, além de uma estrutura de tratamento completa. O recolhimento desordenado de todo e qualquer usuário é medida policialesca e de pouca eficácia, conforme tem sido colocado por diversos especialistas.</p>
<p><strong>Reação à internação compulsória</strong></p>
<p>Diante deste quadro alarmante e na busca por soluções que fujam do rol das respostas simplistas, autoritárias e higienistas, a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania, Segurança Pública e Relações Internacionais da Câmara Municipal de São Paulo realizou debate sobre o tema.</p>
<p>Com base nas opiniões expostas por especialistas da área médica, jurídica, psicológica e representantes da administração pública, ficou claro que é preciso enfrentar a questão principalmente nos âmbitos familiar, social, educacional e da saúde. É preciso associar ações nestas áreas, oferecendo assim uma saída multissetorial. Um olhar especial deve estar voltado para a questão dos moradores de rua, principalmente as crianças e adolescentes.</p>
<p>Conforme dados do Projeto Quixote, ligado ao Departamento de Psiquiatria da Unifesp, obtidos através de 209 entrevistas feitas com crianças e adolescentes atendidas por ele, apenas 12% dos usuários foram para as ruas por causa da droga.</p>
<p>O abandono e a negligência por pais e parentes (37%) e as violências familiar (18%) e sexual (15%) são os principais fatores. Ou seja, a desestruturação das relações sócio-familiares, a falta de perspectivas, de apoio, afeto e educação levam parte de nossos jovens, já em sua tenra idade, a caírem na armadilha das drogas. Além disso, essas informações mostram que os recursos médicos respondem por uma parte do tratamento; é preciso uma rede de sustentação que faça com o que o usuário – criança ou adulto – seja inserido socialmente, veja-se como parte da cidade, tenha perspectivas futuras de estudo, emprego, saúde e convívio familiar. Sanar a doença sem oferecer novos rumos é como enxugar gelo: não resolve a questão.</p>
<p>Durante o debate que realizamos, um caso chamou atenção. O psiquiatra da Faculdade Paulista de Medicina, Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Tratamento a Dependentes (Proad),criado há 24 anos, recordou ter testemunhado o relato de uma menina que usava crack para não sentir a dor física de ter de se prostituir e, assim, garantir seu sustento. Para aquela menina, lembrou, a droga era a solução e não o problema de seu cotidiano. Mas ele advertiu que internar sem a concordância do usuário não é o caminho mais adequado para lidar com a brutalidade de situações como essa. “Posso afirmar que 98% das pessoas que são internadas compulsoriamente recaem, sendo, portanto, um método de baixa eficácia. Aliás, mesmo com a internação voluntária, o sucesso não é muito grande”. Segundo ele, ainda que haja insuficiências, os melhores métodos atualmente são os de atendimento ambulatorial, como os empregados nos Centros de Atenção Psicossocial &#8211; Álcool e Droga (Caps-AD).</p>
<p>Do ponto de vista jurídico, Luiz Fernando Vidal, membro do Conselho da Associação Juízes para a Democracia, alertou para o fato de que nenhuma alternativa deve desrespeitar a autonomia do indivíduo. “Não se pode admitir nenhuma intervenção de conteúdo autoritário na abordagem desse problema. Não havendo um programa, governos correm o risco de agir na base do voluntarismo, desprovidos de conhecimentos e base teórica e científica”.</p>
<p>Eduardo Ferreira Valério, promotor público da Divisão de Inclusão Social, disse que apesar de não haver ainda um parecer oficial do Ministério Público paulista sobre o assunto, “o MP não concordará com as internações compulsórias que signifiquem a mera remoção dos dependentes, sem um projeto que contemple o tratamento, sobretudo ambulatorial, propicie refazer os laços familiares e ofereça alternativas de profissionalização e moradia para que não retornem às ruas”.</p>
<p>Resolver essa situação não é tarefa simples: não dispomos de fórmulas prontas, nem há soluções definitivas. Além disso, a questão muitas vezes fica permeada por um forte recorte de classe e uma visão elitista do problema que podem resultar em ações cosméticas e que colocam o uso da droga em si como foco deste drama, ignorando o que de fato está por trás do aumento de seu uso.</p>
<p>A prevenção, por meio da educação e da conscientização, ainda é o melhor caminho para se evitar epidemias de quaisquer drogas. Também é preciso criar uma rede de atendimento aos dependentes que contemple o tratamento médico por meio de centros de referência e a reinserção social e familiar.</p>
<p>A internação compulsória casada à falta de uma estrutura abrangente e que permita aos dependentes serem tratados e ressocializados leva ao risco de as cidades, especialmente São Paulo, ganharem verdadeiros “depósitos humanos”, cuja função seria simplesmente retirar os dependentes das vistas da população, uma resposta higienista que não resolveria efetivamente esta situação e infringiria o direito humano básico à vida, à liberdade e à dignidade.</p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Jamil Murad é médico,  vereador, líder do PCdoB e presidente da Comissão de Direitos Humanos,Cidadania, Segurança Pública e Relações Internacionais da Câmara Municipal de São Paulo</strong></p>
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<p><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/em-briga-de-marido-e-mulher-se-mete-a-colher-sim.html">Em briga de marido e mulher se mete a colher, sim!</a><br />
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</strong></p>
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</div>
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		<item>
		<title>Pedro Michaluart: &#8220;Nos estágios bem iniciais a probabilidade de cura é maior do que 95%&#8221;</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/pedro-michaluart-nos-estagios-bem-iniciais-a-probabilidade-de-cura-e-maior-do-que-95.html</link>
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		<pubDate>Sun, 30 Oct 2011 16:36:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[abuso de álcool]]></category>
		<category><![CDATA[câncer de laringe]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição Lemes]]></category>
		<category><![CDATA[ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[qumioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[rouquidão]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Tabaco]]></category>
		<category><![CDATA[tabagismo]]></category>
		<category><![CDATA[tumor maligno]]></category>

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		<description><![CDATA[Câncer de laringe]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva começa nesta segunda-feira quimioterapia para tratar o câncer na sua laringe.</p>
<p>Dos 489.270 casos novos de câncer esperados para 2011 no Brasil, os de laringe representam 2% do total. Representam ainda 25% dos tumores malignos que acometem cabeça e pescoço.</p>
<p>Para que nos ajudasse a entender o tumor diagnosticado no ex-presidente Lula, eu entrevistei um dos mais renomados cirurgiões de cabeça e pescoço do Brasil, o doutor Pedro Michaluart Jr. Ele é professor livre-docente da Faculdade de Medicina USP e médico da disciplina de Cirurgia e Pescoço do Hospital das Clínicas de São Paulo.</p>
<p><strong>Viomundo – O que causa o câncer de laringe?</strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr.</strong> – O câncer de laringe está associado principalmente ao tabagismo e ao etilismo. E se a pessoa tem esses dois fatores de risco aumenta muito a chance de aparecimento desse tumor, que é mais comum entre homens dos 50 aos 70 anos.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Viomundo – Tem algum fator de risco que prepondera? </strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr.</strong>&#8211; Isoladamente o hábito de fumar é o fator mais importante. Agora quando tabagismo e abuso de álcool estão associados a importância é maior do que a soma deles. Aparentemente eles têm efeito sinérgico, um potencializando o do outro.</p>
<p><strong>Viomundo – Por quê? </strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr. –</strong> Não sabemos exatamente por quê. Mas essa é observação feita em várias populações.</p>
<p><strong>Viomundo – E o fato de a pessoa falar muito pode levar ao câncer de laringe?</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr.  &#8212; </strong>Não.<strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Viomundo – Quais os sintomas [aquilo que o paciente sente] e sinais [aquilo que o médico observa]? </strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart</strong> <strong>Jr. </strong> – Nós costumamos dividir a laringe em três sítios: glote, que é a região das cordas vocais, supra-glote e infra-glote. No Brasil, o local onde mais aparece é na glote, ou seja, nas cordas vocais propriamente ditas. Representam 70% dos casos. Trinta por cento são na supra-glote e os de infra-glote são extremente raros. Frequentemente o primeiro sintoma é a rouquidão. Pode ocorrer também alteração da deglutição.</p>
<p><strong>Viomundo – Que tipo de alteração na deglutição?</strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr.</strong> – Dor ou dificuldade na hora de engolir.</p>
<p><strong>Viomundo – O fato de estar num ou no outro sítio tem alguma implicação?</strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr</strong>. – Tem, sim. Nos tumores da glote, a probabilidade de disseminação em pescoço é pequena nos casos iniciais. Já nos de supra-glote é maior a preocupação com linfonodos cervicais (gânglios), mesmo nos casos iniciais.</p>
<p><strong>Viomundo &#8212; O doutor Artur Katz, que faz parte da equipe que está cuidando de Lula, disse que é um tumor epidermoide. O que isso significa?</strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr. -</strong>- O carcinoma epidermoide representa 95% dos tumores malignos de mucosa de cabeça e pescoço. E é a ele que estou me referindo quando eu falo dos antecedentes de fatores de risco do tabagismo e etilismo. Existem outros tipos histológicos que têm comportamento distinto.</p>
<p><strong>Viomundo – Quais são os tratamentos para esse tipo de tumor? Tem médico dizendo que o tratamento de Lula começará com quimioterapia, pois já estaria num estádio avançado. É isso mesmo?</strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr.</strong> &#8212; Existem  muitos esquemas de tratamento para o câncer de laringe, que é um órgão extremamente importante, com funções vitais. A laringe tem função na preservação das vias aéreas, na deglutição e na fonação, entre outras.</p>
<p>Assim todo esforço é feito para preservação das funções. A opção sempre leva em consideração tratamentos que tenham a mesma chance de cura e entre esses  o que se procura é o que tenha melhor expectativa de preservação da função.</p>
<p>Nessa linha, nos últimos anos, existe uma tendência de iniciar muitas vezes o tratamento do câncer de laringe com quimioterapia.  Também tem a radioterapia e a cirurgia. Os três têm efetividade e utilidade, dependendo de cada caso.</p>
<p>Agora só pelo fato de de se iniciar com quimioterapia não dá para dizer qual é o estágio do seu tumor.</p>
<p><strong>Viomundo – O fato de começar com químio não significa que Lula vá fazer só químio? </strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr. -</strong>- A quimioterapia usualmente faz parte do tratamento, mas não é exclusiva. Mais comumente a cirurgia ou radioterapia são tratamentos únicos para o câncer de laringe.</p>
<p><strong>Viomundo – Lula então vai fazer rádio ou cirurgia?</strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr. </strong>&#8211; Eu não tenho nenhuma informação técnica sobre o caso dele.</p>
<p><strong>Viomundo &#8212; Qual a possibilidade de cura?</strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr.  &#8211;</strong> Depende do estágio em que se inicia o tratamento. Nos estágios bem iniciais a probabilidade de cura é maior do que 95%. Já nos estágios bastante avançados é bem inferior.</p>
<p><strong>Viomundo – Quer dizer que as chances de cura de Lula são excelentes? </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr.  -</strong>- Como disse, não tenho nenhuma informação sobre o caso dele</p>
<p><strong>Viomundo – Aproveitando esse momento, o que o senhor diria para os nossos leitores? </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Pedro Michaluart Jr.</strong> &#8212; Tabagismo e abuso de álcool são os grandes inimigos da laringe.  A rouquidão é o principal sintoma do câncer nesse órgão. Rouquidão que não melhora em 15 dias deve ser investigada. Ás vezes gânglios cervicais aumentados (“caroço” no pescoço) também podem ocorrer em câncer de laringe. Em quaisquer dessas situações, busque um médico. Se eventualmente for câncer, tem-se a oportunidade de fazer diagnóstico precoce, com possibilidade de preservação do órgão e de cura.</p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
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</div>
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<p><strong><a href="../voce-escreve/forcalula.html">#forçalula</a></strong></p>
</div>
<p><strong><a href="../voce-escreve/lula-iniciara-quimioterapia-na-segunda-feira.html">Lula inicia quimioterapia na segunda-feira</a></strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Doutora Evelyn Eisentein: Palmadas fazem mal à saúde</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/doutora-evelyn-eisentein-palmadas-fazem-mal-a-saude.html</link>
		<comments>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/doutora-evelyn-eisentein-palmadas-fazem-mal-a-saude.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 19:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[danos físicos e emocionais à criança]]></category>
		<category><![CDATA[palmadas]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção de danos]]></category>
		<category><![CDATA[saúde da criança]]></category>
		<category><![CDATA[saúde do adolescente]]></category>

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		<description><![CDATA[Humilha e traumatiza a criança]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Evelyn Eisentein</strong></p>
<p>Crianças e adolescentes estão em fase de crescimento e desenvolvimento corporal, mental, emocional, social. Necessitam, portanto, de apoio e proteção social.  Uma simples questão de Direitos à Saúde e Vida, mas que se tornou bastante complexa no Brasil de hoje. A violência diária, estrutural e cultural vai sendo banalizada e se tornando um ciclo vicioso entre gerações.</p>
<p>É isso o que queremos? Saúde ou doença? Em quais escolhas investiremos para nossos filhos, os escolares, os universitários em cada canto do país? Castigar e maltratar? Ou proteger e prevenir todos os tipos de violência e abusos?</p>
<p>A “punição corporal”, que vem sendo justificada como uma “disciplina familiar”, é na realidade, um abuso “silencioso” que vai humilhando e traumatizando a criança. Isso trará conseqüências em seu aprendizado e rendimento escolar, na sua (des)integração social e no uso de drogas/álcool, aumentando os dados estatísticos de mortes por causa externa ou “fatalidades” (homicídios, suicídios e acidentes), perigos que poderiam ter sido prevenidos, se a atitude de construção para a vida fosse outra, de educação para a paz e a saúde!</p>
<p>O castigo corporal é a força física empregada com intuito de castigar, disciplinar, silenciar, ameaçar ou controlar o comportamento ou a conduta impulsiva da criança/adolescente em qualquer situação ou local de moradia. É considerado como abuso físico e emocional, pela Organização Mundial de Saúde, porque a intenção é “punir” em vez de “dialogar”. Muitos atos considerados “disciplinares” são punitivos e abusivos em vez de serem construtivos e preventivos. Às vezes envolve palavras, xingamentos ou ameaças como, “não vai jantar” (quando a alimentação é vital para o crescimento saudável e dormir com fome se torna um castigo de negação do amor!) ou “vai ficar preso em casa” (quando a moradia deveria representar espaço de abrigo e refúgio prazeroso em vez de prisão domiciliar!).</p>
<p>Mas o pior é que começa com uma “palmada” ou “palmatória” e vai se intensificando em atos e castigos cada vez mais violentos e humilhantes. Muitas crianças ao serem atendidas, dizem chorando, baixinho: “deixei de sentir a dor!”</p>
<p>Geralmente os castigos acontecem por causa de raiva, tensão ou desespero da pessoa que deveria cuidar e ser mais responsável. Alguém estressado por outras razões e que desconta seu furor na criança, como se fosse um “saco-de-pancadas” pois “não quer perder tempo, explicando o por quê das coisas” para essa criança “teimosa” e “pirralhenta”.</p>
<p>A punição usa controles externos e revela abuso do poder coercitivo, da força ou da dominância patriarcal ou de gênero.  Além disso, o uso de qualquer objeto no intuito de punir, bater, castigar, torturar é inaceitável e inapropriado em qualquer idade e em qualquer cidade dos países que assinaram e ratificaram acordos internacionais das Nações Unidas, como é o caso do Brasil.</p>
<p>A Declaração Universal dos Direitos da Criança, a Convenção dos Direitos da Criançae o nosso Estatuto da Criança e do Adolescente de Outubro  são contra a violência e a favor da dignidade, do respeito e da proteção social da criança, na família, na sociedade e no Estado.</p>
<p>Isso significa que “bater” na criança não é permitido em nenhuma circunstância e sempre é injustificável: “maltratar” significa prejudicar alguém e “maus tratos” são todos os tipos de abuso, negligência, abandono ou exploração.</p>
<p>Segundo o projeto de Lei 7672/2010, o Brasil se prepara para rever alguns dos artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente, que responsabilizam os pais e integrantes da família ampliada, assim como quaisquer outras pessoas encarregadas de cuidar, tratar, educar ou vigiar crianças e adolescentes, por utilizarem o castigo corporal ou tratamento cruel ou degradante como forma de correção, disciplina, educação ou a qualquer outro pretexto. Todos estarão sujeitos às medidas previstas e sanções cabíveis em lei. E também, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios atuarão de forma articulada na ampliação das políticas públicas e na execução de ações preventivas destinadas a coibir o castigo corporal ou qualquer tratamento cruel ou degradante.</p>
<p>Precisamos refletir também sobre as justificativas da frequente “falta de recursos”, pois o Brasil é um “país de todos” e crianças e adolescentes são “prioridade absoluta” na lei. Portanto, está mais do que na hora de as políticas públicas de prevenção e educação em saúde saírem do papel e serem implementadas e executadas!</p>
<p>A violência não é só contra-indicada como remédio para controlar comportamentos, mas também como droga de uso letal, pois causa danos, lesões e mortes e ainda repercussões mentais na vida adulta, da mesma forma como o abuso de tantas outras drogas por parte da população doente. Isso inclui a que se encontra em prisões, delegacias ou traumatizadas e atendidas nas emergências e nos serviços psiquiátricos. São pessoas que não tiveram a chance de crescer sem palmadas e com o afeto que necessitavam quando crianças e adolescentes! Proteção social e prevenção da violência são as melhores vitaminas da receita para o crescimento saudável do Brasil!</p>
<p><strong>Evelyn Eisentein <strong>é</strong></strong><strong> médica pediatra e clínica de adolescentes, professora adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e membro da International Society for Prevention of Child Abuse and Neglect (ISPCAN) </strong><strong>, representando o Brasil.</strong></p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/ronco-alto-todas-as-noites-cuidado-pode-ser-apneia.html">Ronco alto? Todas as noites? Cuidado, pode ser apneia</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/atividade-fisica-dores-e-doooooooooooooooores.html">Atividade física: Dores e doooooooooooooooores</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/doutor-marcelo-silber-esclarece-duvidas-de-leitores.html">Doutor Marcelo Silber esclarece dúvidas de Beattrice, André e Brasileiro</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/medicos-puxam-a-orelha-de-pais-e-maes.html">Médicos puxam a orelha de pais e mães</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/infertilidade-causada-por-remedio-para-calvicie-e-reversivel.html">Remédio para calvície causa infertilidade? E impotência sexual?</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/tiroidite-de-hashimoto-diagnostico-e-tratamento.html">Tiroidite de Hashimoto: Diagnóstico e tratamento</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/omega-3-protecao-contra-doencas-cardiacas.html">Ômega-3, proteção contra doenças cardíacas</a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/drogas-parar-ou-reduzir-danos.html">Drogas: Parar ou reduzir danos?</a></strong></p>
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		<title>Ronco alto? Todas as noites? Cuidado, pode ser apneia</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 15:47:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[acidente vascular cerebral]]></category>
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		<category><![CDATA[ronco alto]]></category>
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		<category><![CDATA[sonolência diurna excessiva]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode ter conseqüências devastadoras para a saúde e a vida pessoal, profissional e social]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>Maurício Rocha e Silva, 71 anos, é médico e professor emérito do Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da USP. Em fevereiro de 2000, mal começara um relacionamento, sua namorada e atual esposa, Vera, deu-lhe uma cotovelada no fígado.</p>
<p>“Você ronca feito um serrote e para de respirar durante o sono”, repete ele hoje, às gargalhadas. “Claro, não acreditei. Como era possível eu, médico, nunca ter percebido minhas paradas respiratórias, e ela, uma leiga, fazer um diagnóstico? Só podia ser implicância com o meu ronco, que eu imaginava normal.”</p>
<p>Em 2001, em Londres, na primeira noite que o casal passou na casa de amigos, a anfitriã, que é pneumologista, confirmou o “diagnóstico” de Vera: “O barulho do seu ronco é suficiente para acordar um bairro. Você tem apneia obstrutiva do sono. Chegando ao Brasil, vá fazer uma polissonografia”.</p>
<p>Foi seu primeiro compromisso ao retornar a São Paulo. O exame é feito enquanto a pessoa dorme e monitora os estágios do sono, a respiração a  oxigenação do sangue, entre outros parâmetros. Assim, com fios conectados em vários pontos do corpo, ele passou a noite no Laboratório do Sono do Instituto do Coração de São Paulo (Incor-SP). “Não tenho nada, não é?”, perguntou quando acordou ao técnico que fazia o exame. A resposta foi na lata. “É a apneia mais grave que eu já vi. O senhor para de respirar a cada um minuto e meio.”</p>
<p>Maurício saiu do hospital com um aparelho chamado CPAP (Continuous Positive Airway Pressure ou, em português,<em> </em>pressão positiva contínua em vias aéreas), que ele utiliza para dormir: uma máscara no nariz é conectada a um gerador de pressão contínua, que joga ar nas vias aéreas superiores e impede que a garganta se feche, eliminando as paradas respiratórias. Na primeira semana, Maurício dormiu 12 horas por noite.</p>
<p>“Eu tinha uma sonolência diurna muito forte e não sabia por quê”, relembra o médico, dando o braço a torcer à esposa. “Minha vida mudou completamente. Se tivesse ouvido a Vera, provavelmente não teria dormido em palestras de colegas, nem ela teria usado protetores auditivos para se proteger dos meus serrotes.”</p>
<p><strong>PARADA RESPIRATÓRIA E RISCOS<br />
</strong></p>
<p>Em se tratando de ronco, Maurício Rocha e Silva é a regra. Quem ronca não tem consciência do próprio ronco, que é sempre relatado por terceiros. “O ronco acontece, porque durante o sono a musculatura da faringe [garganta] relaxa, dificultando a passagem de ar quando se respira. Essa obstrução leva ao ronco”, ensina o médico e especialista do sono Geraldo Lorenzi Filho, no capítulo<strong> </strong><em>Sono &#8212; Questão de vida ou</em><em><strong> </strong>..</em>. , do livro <strong><a href="../opiniao-do-blog/conceicao-lemes-lanca-o-saude-a-hora-e-agora.html"> “Saúde — A hora é Agora”</a></strong>. Lorenzi é professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Laboratório do Sono do Incor-SP.</p>
<p>O ronco é gerado pela vibração das paredes da garganta. Roncar de vez em quando e não muito alto não é “um crime”. Você pode roncar, por exemplo, quando: <strong>1)</strong> usa bebida alcoólica ou sedativos &#8212; eles promovem maior relaxamento da musculatura; <strong>2)</strong> está na fase REM do sono &#8212; aqui existe um grande relaxamento da musculatura; <strong>3)</strong> o nariz está entupido.</p>
<p>Além disso, existe gente que ronca sempre que está de barriga para cima, porque a força da gravidade contribui para o fechamento da garganta. Por isso, se você vive ganhando cotoveladas à noite, cuidado. É um sinal de alerta: significa que a sua garganta tem grande tendência a se fechar durante o sono. Nesses casos, perder um pouco de peso e acostumar-se a dormir de lado podem ser a solução.</p>
<p>Mas vamos em frente, isso é só o começo. Existem roncos e roncos. O sinal vermelho surge quando o ronco tem as seguintes características:</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>*</strong> É muito alto, a ponto de incomodar quem dorme no mesmo quarto (muitas vezes até o vizinho de quarto!).</p>
<p><strong>*</strong> Ocorre todas as noites.</p>
<p><strong>*</strong> É irregular, com momentos em que desaparece totalmente, ressurgindo alto. Cuidado! Pode ser sinal de uma parada respiratória.</p>
<p>É a apneia obstrutiva do sono: <em>a</em> significa ausência e <em>pneia</em>, respiração. Portanto, apneia é ausência de respiração. Nesse caso, há fechamento completo da garganta (faringe), a pessoa tenta respirar, mas não consegue: é o momento em que o ronco desaparece. O bloqueio da garganta só termina com um pequeno despertar, quando o tônus da musculatura se restabelece e a pessoa volta a respirar. Cada despertar desses dura apenas alguns segundos e, na grande maioria das vezes, a pessoa não tem consciência do processo. Ela volta imediatamente a dormir, e o processo se repete. Às vezes, nem para de respirar totalmente, mas seu fluxo de respiração diminui muito. Aí, tem de acordar para respirar direito. É a hipopneia.</p>
<p>Dependendo do número de apneias (paradas respiratórias) e de hipopneias (redução importante da respiração) por hora de sono, a doença pode ser leve (5  a 15 eventos), moderada (16 a 30) e grave (mais de 30 paradas respiratórias por hora de sono). O professor Maurício Rocha e Silva tinha – pasme! – fazia 40 paradas respiratórias por hora de sono.</p>
<p>“A pessoa com apneia obstrutiva dorme, dorme, dorme, mas o sono é fragmentado e não repousante, já que ela desperta centenas de vezes por noite”, esclarece Lorenzi. A consequência óbvia é a sonolência diurna, pois ela não passa por todas as fases do sono. Como essa história se repete noite após noite, pode ter conseqüências devastadoras para a saúde e a vida pessoal, profissional e social. Além de contribuir para a perda de memória, diminuição da concentração e sonolência diurna, a apneia obstrutiva do sono aumenta o risco de o seu portador ter depressão, pressão alta, acidente vascular cerebral (derrame), infarto do miocárdio e impotência sexual.</p>
<p><strong>EMAGRECER AJUDA MUITO<br />
</strong></p>
<p>Prótese dentária para ser colocada à noite para dormir (casos leves a moderados), cirurgia, CPAP (tratamento de escolha para casos moderados a graves) e perda de peso são os tratamentos disponíveis para a apneia obstrutiva do sono.</p>
<p>“Emagrecer é sempre ótima ideia. A gente não engorda só por fora, por dentro também; a garganta fica mais estreita, dificultando a passagem de ar”, adverte Lorenzi. “Setenta por cento dos portadores de apneia têm obesidade ou sobrepeso. Daí perder peso ajuda muito; em alguns casos pode resolver.”</p>
<p>Outra medida que pode ajudar alguns é dormir de lado, nunca de barriga para baixo (prejudica a coluna vertebral) nem de barriga para cima (faz a língua cair para trás e roncar mais). Costure uma bolinha nas costas do seu pijama ou camisola. Assim, aprenderá a dormir de lado. No mínimo, a sua coluna se sentirá melhor.</p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Meu twitter: @conceicao_lemes, siga à vontade. </strong></span></p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/contra-a-depressao-%E2%80%9Cuse%E2%80%9D-atividade-fisica-regularmente.html">Contra depressão, use atividade física regularmente</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/check-up-conversa-e-a-parte-mais-importante-da-consulta.html">Check-up: Conversa é a parte mais importante da consulta</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/atividade-fisica-dores-e-doooooooooooooooores.html">Atividade física: Dores e dooooooooooooooooooores </a></strong></p>
<p><strong><a href="../blog-da-saude/distribua-caricias-a-vontade-sem-a-menoooooooooor-pressa.html">Sexo, distribua carícias à vontade</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/em-briga-de-marido-e-mulher-se-mete-a-colher-sim.html">Em briga de marido e mulher, se mete a colher, sim!</a></strong></p>
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		<title>Atividade física: Dores e doooooooooooooooores</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 16:38:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[atividade física]]></category>
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		<category><![CDATA[dores após atividade física]]></category>
		<category><![CDATA[excesso de atvidade física]]></category>
		<category><![CDATA[exercício]]></category>
		<category><![CDATA[promoção da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde -- A hora é agora]]></category>
		<category><![CDATA[sedentarismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Superdesgaste metabólico? Microlesões Acúmulo de ácido láctico?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>Se, na caminhada, corrida ou qualquer outra atividade física, sentir doooooooooooor, não force a barra, pare. Ou você fez algum movimento inadequado – por exemplo, pisou ou se abaixou errado – ou exagerou na dose – resolveu tirar o atraso de anos num dia ou malhou demais para ficar sarado. Em bom português: foi além da sua capacidade naquele momento.</p>
<p>“A dor durante ou logo após a atividade física é anormal”, alerta o médico Arnaldo José   Hernandez, chefe do grupo de Medicina do Esporte do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo, no  <strong><a href="../opiniao-do-blog/conceicao-lemes-lanca-o-saude-a-hora-e-agora.html">livro “Saúde — A hora é Agora”</a></strong>.“É sinal de superdesgaste metabólico, que é coisa de atleta, ou lesão muscular por sobrecarga mecânica, que ocorre tanto em atletas como na população em geral.”</p>
<p>Mas existe um segundo tipo. É a chamada dor muscular de início tardio: é tolerável, todo mundo a tem em certo grau quando aumenta a atividade física, e aparece de 24  a 48 horas após o exercício. “Provavelmente decorre de microlesões na musculatura causadas pela sobrecarga da atividade, e não por acúmulo de ácido láctico nos músculos, como muitos imaginam”, observa Hernandez. “É esse processo que lhe permite hoje andar um quarteirão, amanhã, dois, depois de amanhã, três, e assim sucessivamente.”</p>
<p>Explica-se:</p>
<p><strong>* </strong>Toda vez que se aumenta a intensidade da atividade física em relação ao que se fazia, há sobrecarga sobre os músculos.</p>
<p><strong>* </strong>Tal estímulo causa nos músculos microlesões, que produzem pequena reação inflamatória.</p>
<p><strong>* </strong>A reação inflamatória, por sua vez, faz as microlesões “cicatrizarem”. E, aí, ocorre a dor, que demora de 24 a 48 horas para se manifestar. Tudo isso é absolutamente normal e fisiológico.</p>
<p><strong>* </strong>Ao fazer o reparo, porém, os músculos sempre “cicatrizam” um pouco a mais. É essa reserva que os torna mais fortes e permite a você ir aumentando gradativamente a intensidade da atividade.</p>
<p><strong>“</strong>Agora, se a dor persistir por mais de 48 horas e for extremamente localizada, ela não é dor muscular de início tardio”, alerta Hernandez. “Pode ser lesão no tendão, fratura por estresse. Procure um médico.”</p>
<p>Portanto, há dores e dooooooooooooores. O melhor jeito de evitar as anormais é ir devagar na atividade física. É a receita para toda a vida.</p>
<p><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/contra-a-depressao-“use”-atividade-fisica-regularmente.html">Contra depressão, use atividade física regularmente</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/omega-3-protecao-contra-doencas-cardiacas.html">Ômega 3, proteção contra doenças cardíacas</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/distribua-caricias-a-vontade-sem-a-menoooooooooor-pressa.html">Sexo, distribua carícias à vontade</a></strong></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Meu twitter: @conceicao_lemes, siga à vontade. </strong></span></p>
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		<title>Doutor Marcelo Silber esclarece dúvidas de Beattrice, André e Brasileiro</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/doutor-marcelo-silber-esclarece-duvidas-de-leitores.html</link>
		<comments>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/doutor-marcelo-silber-esclarece-duvidas-de-leitores.html#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 17:46:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação saudável]]></category>
		<category><![CDATA[atividade física]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição Lemes]]></category>
		<category><![CDATA[conexões perigosas]]></category>
		<category><![CDATA[estilo de vida saudável]]></category>
		<category><![CDATA[hábitos saudáveis de vida]]></category>
		<category><![CDATA[inatividade física]]></category>
		<category><![CDATA[junk food]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Silber]]></category>
		<category><![CDATA[obesidade infantil]]></category>
		<category><![CDATA[Pediatria]]></category>
		<category><![CDATA[sedentarismo infantil]]></category>

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		<description><![CDATA[Sobre obesidade e suas conexões perigosas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="IDThread174900568">
<div id="IDComment174169195">
<div>
<div>
<p>por <strong>Conceição Lemes</strong><em><br />
</em></p>
</div>
</div>
<div id="IDCommentTop174900568">
<div>
<p>Na reportagem<strong> <a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/medicos-puxam-a-orelha-de-pais-e-maes.html">Médicos puxam a orelha de pais e mães</a></strong>, <strong>André Oliveira</strong> questionou:</p>
</div>
<div style="padding-left: 60px;">
<p>Eu  gostaria de saber o que os doutos médicos dão ou deram para os seus  filhos comer&#8230; Eu tenho certeza de que será o caso &#8220;faça o que eu digo,  mas não faça o que eu faço&#8230;</p>
</div>
</div>
<div>
<p><strong>O Brasileiro</strong>, leitor assíduo do <strong>Viomundo</strong>, deu  lição de bom senso:</p>
</div>
</div>
</div>
<div id="IDComment174209666">
<div id="IDCommentTop174209666">
<div style="padding-left: 60px;">
<p>Meu filho  passa a semana toda comendo alimentos saudáveis. Mas no fim-de-semana a  gente libera um pouco para as guloseimas. Afinal de contas, ninguém é  de ferro, não é? (É assim que o pessoal da cervejinha do fim-de-semana  fala!)</p>
</div>
<div style="padding-left: 60px;">
<p>E outra questão é o que fazer se as crianças que comem &#8220;junk  food&#8221; estiverem crescendo mais do que aquelas que comem alimentos saudáveis?  Apesar de conter muita gordura saturada, a &#8220;junk food&#8221; muitas vezes é  hiperprotéica, além de levar à hiperinsulinemia. Proteínas são um  estímulo para liberação de hormônio do crescimento e a insulina é um  importante hormônio anabólico.</p>
</div>
<div style="padding-left: 60px;">
<p>Nós, os pais, estamos entre a cruz e a espada! Só muita dedicação para fazermos nossos filhos crescerem bem e de forma saudável.</p>
</div>
</div>
<div id="IDCommentBottom174209666">
<div id="IDCommentPostReplyLink174209666">
<p><em> </em></p>
</div>
</div>
</div>
<div id="IDComment174823690">
<div>
<div>
<p>A propósito das observações de O Brasileiro, a querida <strong>Beattrice</strong> acrescentou:</p>
</div>
</div>
<div id="IDCommentTop174823690">
<div style="padding-left: 60px;">
<p>E a hiperinsulinemia pode levar ao pré-diabetes.</p>
</div>
</div>
</div>
<div>
<p>Apesar da provocação do doutor Marcelo Silber (lerão logo abaixo,é um gozador; sou apenas jornalista), achei importante que um pediatra esclarecesse os pontos levantados por André, Brasileiro e Beattrice e tratasse da obesidade infantil, que exige abordagem multifatorial. Por isso, convidei-o para essa tarefa, já que é também leitor do <strong>Viomundo</strong>.</p>
</div>
<div>
<p>Silver é pediatra e neonatalogista há 25 anos. Trabalha nos hospitais Israelita Albert Einstein e Sírio-Libanês, no Instituto da Criança do  Hospital das Clínicas da USP e, como médico voluntário, em  creches municipais da cidade de São Paulo.</p>
</div>
<div>
<p>por <strong>Marcelo Silber</strong>, para o <strong>Viomundo</strong></p>
</div>
<p>Como muitos dos leitores do <strong>Viomundo </strong>sabem, sou pediatra clínico e neonatologista. Trabalho em consultório e hospital particular, em hospital público e creches municipais (como médico voluntário), além de ter atuado por muitos anos em postos de saúde.</p>
<p>Muitos mitos (verdadeiros e falsos) estão presentes na abordagem da obesidade infantil (que como todos sabemos é multifatorial), procurarei a pedido da minha amiga, a Dra. Conceição Lemes (hehehehe) esclarecer os mais frequentes entre os leitores do  <strong>Viomundo</strong>.</p>
<p>- Médicos são seres humanos normais como todos os outros. Alguns têm hábitos alimentares,de lazer e de atividade física adequados às necessidades de uma vida como a nossa e outros não, com consequências óbvias na educação de seus filhos (e pacientes também !!)</p>
<p>- Um melhor nível cultural, sócio-econômico e educacional não garante necessariamente hábitos alimentares mais saudáveis. Vou além, acho que o Brasil vive agora uma “ grande epidemia de obesidade” decorrente da inclusão de milhões de pessoas na classe média (fato bom) com hábitos alimentares e físicos ruins (dieta hipercalórica e gordurosa aliada a falta de atividade físíca e esportiva regular).</p>
<p>Concordo com os leitores que disseram que a solução passa pela escola de período integral para todas as crianças, com almoço e jantar sob supervisão de nutricionista habilitada, além de no mínimo duas atividades de  esportes coletivos por criança (handebol, voleibol, natação e futebol).</p>
<p>- A osesidade é considerada hoje um estado pró-inflamatório, já que provoca um aumento na liberação de citocinas inflamatórias que atuam na  diminuição da produção de adiponectina (importante hormônio cuja função é atuar como fator adjuvante positivo na atuação da insulina) , resultando portanto numa diminuição da sensibilidade à insulina. Lembrando também que o tecido adiposo fabrica o hormonio resistina (que também aumenta a resistência à insulina)</p>
<p>- Resistência à  insulina aumentada é um termo que descreve a capacidade diminuida dos tecidos-alvo principais (fígado, músculo e tecido adiposo) a responder à ação celular da insulina. Com isso, a glicose passa a ter dificuldade de penetrar nestas células, gerando um aumento na produção pancreática de insulina (hiperinsulinismo). Quando as células beta-pancreáticas atingem seu limite secretor máximo (e entram em falência), a pessoa torna-se portadora de diabetes tipo II. Ressalto que mesmo antes do diagnóstico clínico as lesões microvasculares já estão ocorrendo com comprometimento da retinas, rins, nervos entre outros órgãos&#8230;</p>
<p>- A inatividade física ou o sedentarismo, por sua vez, diminui os níveis de GLUTT 4 que vem a ser o principal transportador de glicose, diminuindo mais  a sua entrada nas células e obrigando o pâncreas a secretar ainda mais insulina, agravando portanto o hiperinsulinismo  e o risco de  diabetes tipo II.</p>
<p>Calma, leitor. O que não está bom, sempre pode ficar um pouquinho pior&#8230; Se não vejamos:</p>
<p>- O aumento da resistência insulínica no tecido adiposo leva a um aumento no número de ácidos graxos livres. Esses por sua vez aumentam no fígado a produção de triglicérides e LDL (o colesterol ruim) e, ao mesmo tempo, diminuem a produção do HDL (o colesterol bom). Essse fenômeno negativo se chama dislipidemia. Perde-se, portanto, o efeito antioxidante na parede das artérias, favorecendo assim a formação das placas de aterosclerose, aumentando significamente o risco de doenças cardiacas e acidentes vasculares cerebrais</p>
<p>-Finalmente destaco a elevada incidência de Hipertensão arterial nos obesos, explicada por vários mecanismos, tais como o estado pró inflamatório e pró-trombótico (já mencionado), alteração vascular estrutural (encontradas já nas crianças obesas) e que o hiperinsulinismo provoca retenção de sal, levando o obeso há uma sobrecarga renal crônica com hipertensão arterial subsequente&#8230;</p>
<p>Como pediatra, destaco que adquirir hábitos alimentares, de lazer e de atividade física saudáveis na infância é a única solução de médio-longo prazo eficaz no controle da obesidade e de seus malefícios e que somente o envolvimento de médicos, educadores, da mídia, em suma de toda a sociedade, ajudarão as famílias a mudar hábitos tão arraigados e a lutar contra interesses tão poderosos que todos sabemos quais são&#8230;</p>
<p><a href="http://Médicos puxam a orelha de pais e mães"><strong> </strong></a><strong><a href="../blog-da-saude/medicos-puxam-a-orelha-de-pais-e-maes.html">Saiba aqui por que médicos puxam a orelha de pais e mães</a></strong></p>
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		<title>Médicos puxam a orelha de pais e mães</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 01:56:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Junk food]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> por Conceição Lemes</strong></p>
<p>No capítulo &#8220;Emagrecer&#8221; do <strong><a href="http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/conceicao-lemes-lanca-o-saude-a-hora-e-agora.html">livro &#8220;Saúde &#8212; A hora é Agora&#8221;</a>,</strong> a médica endocrinologista Maria Teresa Zanella, professora titular de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Unifesp, recomenda: toda criança, desde pequena, deve ser estimulada à prática da atividade física e à alimentação saudável para prevenir a obesidade.</p>
<p>O psiquiatra Arthur Kaufman,   coordenador do Projeto de Atendimento ao  Obeso (Prato), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e  professor da Faculdade de Medicina da USP, concorda com ela mas desabafa: “Falar para os pais é o mesmo que falar para as paredes. Eu já desisti de mudar a cabeça deles, não adianta”.</p>
<p>Basta um giro num domingo e talvez lhe dê razão. Em parques, por exemplo, quantas crianças bem pequenininhas você encontra tomando refrigerante na mamadeira? Em churrascarias, quantas pulam as saladas e vão direto para frituras, como batata ou cebola frita? Em redes de fast-food, quantas estão se empapuçando com hambúrgueres em vez de almoçar?</p>
<p>As crianças não aprenderam esses maus hábitos alimentares sozinhas. Foram acostumadas pelos pais, que costumam dizer: “É melhor comerem isso do que nada”. O cardápio das crianças, aliás, é organizado de acordo com o que os adultos acham que elas gostam. Só que muitas vezes os adultos não se dão conta de que foram eles que criaram esses gostos nas crianças. E são justamente essas preferências que elas transmitirão para os amigos, os irmãos e, no futuro, para os seus filhos.</p>
<p>Sentiu o puxão de orelha? Para Kaufman, o caminho é trabalhar a base. “Nas cantinas escolares, deveria ser proibido junk food [como coxinha, empadinha, pastel, cachorro-quente, hambúrguer, batata frita]”, defende ele. “Ou as crianças mudam os pais, ou isso nunca vai mudar.”</p>
<p>Tais providências, aliás, já vigoram nas cantinas de algumas escolas: ali não se vendem junk food nem refrigerantes. Tomara que a tendência se propague. “Seria interessante também que, na medida do possível, as escolas ensinassem as crianças a cozinhar e preparar pelo menos pratos rápidos”, preconiza.</p>
<p>O puxão de orelha ainda dói? Então procure ter uma alimentação saudável e exercitar-se regularmente. É um ótimo começo. Terá mais moral para sugerir ao seu filho que não fique o dia inteiro jogando videogame. Ou coma uma fruta, em vez de simplesmente abrir um pacote de biscoitos ou de snacks, quando bate a fome fora de hora. Dessa forma, vai ajudá-lo a construir hábitos de vida saudáveis e a evitar a obesidade e outros problemas de saúde no futuro. De quebra, vai parar de falar com as paredes.</p>
<p><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ministro-padilha-filho-feio-nao-tem-pai.html">Clique aqui para ler a reportagem &#8220;Ministro, &#8216;filho feio&#8217; não tem pai: Lições do &#8220;affair&#8221; com a McDonald&#8217;s</a></strong></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Meu twitter: @conceicao_lemes, siga à vontade. </strong></span></p>
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		<title>Remédio para calvície causa infertilidade? E impotência sexual?</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/infertilidade-causada-por-remedio-para-calvicie-e-reversivel.html</link>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 16:44:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Urologista Sidney Glina esclarece]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Conceição Lemes</strong></p>
<p>O remédio chama-se finasterida. A descoberta da sua ação contra a calvície foi por acaso. Ao usar no tratamento de hiperplasia benigna da próstata (HBP), os médicos notaram um efeito colateral nos pacientes que tomavam o medicamento: evitava a queda de cabelos.</p>
<p>Explicação. A finasterida inibe a ação da enzima que transforma a testosterona em diidrotestosterona, que é o hormônio masculino ativo. Com esse bloqueio, a testosterona age menos no organismo, inibindo o crescimento da próstata. Daí ser usada no tratamento da HBP, a doença mais comum dessa glândula masculina.  Mas combate também a perda de cabelos em homens.</p>
<p>Em 2005, porém, o urologista Sidney  Glina observou que esse medicamento poderia levar à infertilidade. Foi o primeiro pesquisador no mundo a fazer essa associação, encarada, na época, com ceticismo pelos colegas. Mas, aos poucos, outros estudos foram lhe dando razão. O mais recente foi publicado pela<strong> </strong>revista <em>Fertility and Sterility </em>, publicação da Associação Americana de Medicina de Reprodutiva.</p>
<p>Conversei com o doutor Glina lá atrás e voltei a falar agora, já que a finasterida é o remédio mais usado para prevenir e tratar a calvície androgenética, ou masculina. Ex-presidente das sociedades Internacional de Medicina Sexual e Brasileira de Urologia, Sidney Glina é professor livre-docente de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC e chefe da Clínica Urológica do Hospital Ipiranga, em São Paulo. <strong> </strong></p>
<p><strong>Viomundo – Nas farmácias,  há</strong> <strong>uma quantidade imensa de medicamentos à base de finastertida [<strong>Propecia, Pracap, Pro Hair, Finastec, Finasterida Euro, Merck, Medley, Eurofarma, Legrand, Calvin, Biosintética, Neo-Química, Sanval].  Todo homem que usa finasterida pode ter infertilidade? </strong></strong></p>
<p><strong>Sidney  Glina</strong><strong> – </strong>Não. Existem trabalhos que mostram que homens que tomaram 1mg por dia finasterida por dia [é a dosagem recomendada para tratar a calvície] durante pelo menos seis meses, não apresentaram alteração do espermograma. Entretanto há vários relatos de infertilidade em alguns homens que tomavam essa medicação. Tais homens têm outras causas de infertilidade como varicocele (varizes dentro do escroto) ou obesidade. Aparentemente a finasterida ampliaria o efeito dessas situações e aumentaria o efeito negativo sobre o testículo.</p>
<p><strong>Viomundo </strong>–<strong> O </strong><strong> senhor foi o primeiro pesquisador no mundo a relacionar a finasterida à infertilidade masculina. Como descobriu isso? </strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong> – Há alguns anos comecei a ver pacientes que apresentavam infertilidade e estavam tomando finasterida. Como sempre houve suspeita de que a finasterida pudesse ter essa ação, eu optei junto com os pacientes por suspender a medicação para ver se a alteração encontrada no espermograma era revertida. E isso ocorreu. Daí ter estabelecido o nexo. Em 2004, publiquei trabalho científico mostrando tal evidência.</p>
<p><strong>Viomundo – De lá para cá, outros trabalhos também mostraram esse efeito. Recentemente, uma revista internacional importante apontou o mesmo resultado. </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong> – Existem mais seis trabalhos que relatam casos semelhantes aos que descrevemos em 2004. Este ano, a <em>Fertility and Sterility, </em>publicada pela Associação Americana de Medicina de Reprodutiva, apresentou mais um caso.</p>
<p><strong>Viomundo – Afinal, como a  finasterida pode interferir na fertiliddade masculina? </strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong> – A finasterida inibe uma enzima chamada 5-alfa redutase que bloqueia a transformação da testosterona em diidrotestosterona, que é o hormônio masculino ativo. Isso diminui a queda de cabelo de alguns pacientes. E também o crescimento da próstata quando tomada na dose de 5 mg. Entretanto, a diidrotestosterona tem ação no testículo. A diminuição da concentração de diidrotestosterona no organismo leva à alteração na produção de espermatozóides em testículos que já estejam sofrendo algum tipo de problema.</p>
<p><strong>Viomundo – Quais?</strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong> – Parece que a associação de finasterida com varicocele altera a produção de espermatozóides. Também a associação de finasterida com obesidade.</p>
<p><strong>Viomundo – Essa infertilidade é permanente? </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong> – Não. Uma vez interrompido o uso da finasterida,  há reversão da infertilidade após cerca de três meses.</p>
<p><strong>Viomundo &#8212; Qual a sua recomendação para homens com dificuldade de engravidar as suas parceiras e usam finasterida? </strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong> – A primeira atitude é procurar um urologista e fazer um espermograma. Caso o exame venha alterado, a conduta é a suspensão da finasterida antes de tomar qualquer outra medida.</p>
<p><strong>Viomundo – Na época em que publicou o seu estudo, lembro que alguns colegas seus questionaram o resultado. Como é que se sente hoje, quando cada vez mais as evidências mostram que estava correto? </strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong> – Acho que isso faz parte da nossa vida. A única coisa relevante é que, lá atrás, em 2004, a <em>Fertility and Sterility</em> recusou a publicação do meu trabalho.  E agora publicou outros dois citando o meu como pioneiro.</p>
<p><strong>PS do Viomundo 1: </strong>Infertilidade não é impotência, não! Manter relações sexuais e ejacular não são atestado de fertilidade de homem nenhum. Mais: infertilidade não tem nada a ver com impotência sexual nem torna nenhum homem mais macho.</p>
<p>O que é então infertilidade? É a incapacidade de o casal gerar um bebê após um ano de relações sexuais regulares sem usar qualquer método contraceptivo.</p>
<p>Em 40% dos casais com dificuldade de engravidar, o homem tem problemas reprodutivos – o chamado fator masculino. Em outros 40%, a causa está na mulher – o fator feminino. Em 20%, ambos têm algum impedimento. Ou seja, é meio a meio. Em 50% dos casos de infertilidade, a mulher está envolvida; nos demais 50%, o homem.<strong> </strong></p>
<p><strong>PS do Viomundo 2: </strong>Os leitores Almerindo e Mário Jordão questionaram nos comentários sobre a possibilidade de a finasterida causar disfunção erétil, mais conhecida como impotência sexual. Em função das observações dos dois,  voltei a consultar o doutor Sidney Glina. A resposta dele é a seguinte:</p>
<p>&#8220;Entre 10%  a 20% dos pacintes que tomam finasterida 5mg (dose para tratamento da  hiperplasia benigna da próstata, não é o 1mg para calvície) têm alguma  queixa sexual.  Vai desde perda da libido até dificuldade para ter  ereção, passando pela diminuição do volume do ejaculado.</p>
<p>Quando  isso ocorre, o ideal é suspender a medicação. Não se sabe porque ocorre  com alguns pacientes e com outros não. Acredito que exista muito o  fator &#8216;ler bula e sugestão&#8217;&#8221;.</p>
<p>Leia-se: fator psicológico, que é a  principal causa de disfunção erétil. Leia-se também que a finasterida  na dosagem para tratamento prostático é que está relacionada à disfunção  erétil e não na que é recomendada para tratar calvície.</p>
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		<title>Tiroidite de Hashimoto: Diagnóstico e tratamento</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/tiroidite-de-hashimoto-diagnostico-e-tratamento.html</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Jun 2011 18:14:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Principal causa de hipotiroidismo no Brasil]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Conceição Lemes</strong></p>
<p>Em fevereiro, durante coletiva de imprensa para anunciar sua aposentadoria do futebol, <strong><a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/especialistas-alertam-hipotiroidismo-nao-causa-obesidade-nem-o-remedio-para-a-doenca-da-doping.htm">Ronaldo revelou que tem hipotiroidismo</a></strong>. No final da semana passada, reportagem sórdida da revista <em>Época </em>divulgou que a <strong><a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/prontuario-medico-de-dilma-foi-vazado-no-hospital-sirio-libanes.html">presidenta Dilma Rousseff também. No caso dela, a origem é a tiroidite de Hashimoto</a></strong>.</p>
<p>Pois cerca de 3 milhões de brasileiros, principalmente mulheres acima de 40 anos, estão na mesma situação que Ronaldo e Dilma. Faça um teste. Pergunte a familiares, amigos, colegas de trabalho se conhecem alguém com hipotiroidismo. Vai se surpreender. Quase certamente encontrará algum caso.</p>
<p>“A incidência de hipotiroidismo vem aumentando no Brasil e uma das razões é a maior quantidade de iodo na dieta dos brasileiros”, informa o endocrinologista João Hamilton Romaldini, professor titular da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade de Campinas. “Outras: métodos diagnósticos mais sensíveis e maior conhecimento da doença pelos médicos.”</p>
<p>O iodo é a matéria-prima básica para a glândula tiroide fabricar hormônios. Existe principalmente em peixes e frutos de mar. Na carência do nutriente, ela não trabalha direito. Em situação extrema, o adulto tem bócio e a criança, deficiência mental.</p>
<p>Não é à toa que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda universalmente adicioná-lo ao sal de cozinha, pois o iodo é raro na natureza. A dose indicada é 20 a 60 miligramas de iodo por quilo de sal.</p>
<p>Porém, iodo demais torna a tiroide suscetível à tiroidite de Hashimoto nas pessoas com predisposição genética. Hashimoto é a principal causa de hipotiroidismo.  Na região Metropolitana de São Paulo, o hipotiroidismo foi encontrado em 8% das mulheres e na cidade do Rio de Janeiro, em 12,3%. Quanto à tiroidite de Hashimoto, afeta mundialmente 2% a 5%  da população feminina.  Quanta maior a faixa etária, maior a ocorrência da doença.</p>
<p><strong>INTERAÇÃO ENTRE PREDISPOSIÇÃO E AMBIENTE</strong></p>
<p>Coloque a mão sob a ponta do queixo. Deslize os dedos até a parte inferior do pescoço. Aí fica a tiroide. Com formato de borboleta e pesando cerca de 20 gramas, é uma das nossas principais glândulas. Ela fabrica os hormônios tiroidianos &#8212; substâncias que, via sangue, agem no corpo inteiro, no desenvolvimento e manutenção de todos os órgãos e funções. Por exemplo, ajudam o corpo a usar energia e reter calor; fazem cérebro, coração, músculos e outros órgãos trabalhar devidamente.</p>
<p>Hipotiroidismo significa que os hormônios estão sendo fabricados abaixo do nível considerado normal. Tem vários motivos: má-formação da glândula, radioterapia ou cirurgia no pescoço e uso de certos medicamentos, como amiodarona (para angina e arritmia cardíaca), lítio (antipsicótico), fenilbutazona (antiinflamatório) e sertalina (antidepressivo).</p>
<p>Mas a causa principal em regiões onde há iodo em quantidade suficiente – caso de maior parte do Brasil  – é a tiroidite de Hashimoto, uma doença autoimune.</p>
<p>“A tiroidite de Hashimoto está relacionada à predisposição genética a doenças autoimunes, como diabetes tipo 1, lúpus eritematoso, vitiligo, psoríase, artrite reumatoide,  com forte influência de fatores ambientais, que aumentam o risco”, explica Romaldini. “Os fatores ambientais mais comuns são radiação, infecções frequentes e estresse, além da elevada ingestão de iodo. A mulher, devido ao estrógeno, o hormônio feminino, também tem maior risco.”</p>
<p>Em outras palavras: a tiroidite de Hashimoto resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais desencadeantes. O sistema imunológico não reconhece a tiroide como parte do corpo e passa a produzir anticorpos contra a glândula, inflamando-a ou destruindo-a progressivamente.</p>
<p>O processo é irreversível. O tratamento consiste em tomar diariamente, e para o restante da vida, comprimidos de levotiroxina (há várias marcas comercializadas no Brasil). É hormônio T4 sintético. Não cura o hipotiroidismo, apenas substitui o T4 (ou tiroxina, principal hormônio fabricado pela tiroide) que a glândula doente não produz em quantidade suficiente. A melhora dos sintomas é lenta, podendo levar meses se eles forem intensos.</p>
<p><strong>SINAIS E SINTOMAS DE HIPOTIROIDISMO</strong></p>
<p>Independentemente da causa, a redução dos hormônios tiroidianos no sangue leva aos poucos o organismo inteiro a “andar” em marcha lenta.</p>
<p>Os sintomas (é o que você sente) e sinais (é o que você e o médico veem) comuns :</p>
<p>* Cansaço, desânimo, com fraqueza, perda de energia.</p>
<p>* Prisão de ventre.</p>
<p>* Pele seca.</p>
<p>* Ganho de peso ou dificuldade para perdê-lo.</p>
<p>“O aumento de peso em função do hipotiroidismo geralmente não é superior a 10% do peso”, afirma Romaldini. “Ele se deve ao acúmulo de líquidos [água] nos espaços entre os tecidos do corpo. É diferente da obesidade, cujo ganho de peso é decorrente do aumento de gordura.”</p>
<p>Outros sinais e sintomas do hipotiroidismo:</p>
<p>* Sensação de frio quando as outras pessoas sentem calor.</p>
<p>* Voz rouca.</p>
<p>* Diminuição da audição.</p>
<p>* Dores articulares (nas juntas).</p>
<p>*Alteração na menstruação, principalmente com aumento do</p>
<p>sangramento.</p>
<p>* Infertilidade.</p>
<p>* Galactorreia (produção de leite fora do período pós-parto ou de lactação. Pode ocorrer no sexo masculino).</p>
<p>* Perda de libido.</p>
<p>* Lerdeza para reagir às situações do cotidiano.</p>
<p>* Raciocínio moroso, concentração difícil e memória ruim.</p>
<p>* Sonolência durante o dia.</p>
<p>* Pálpebras e rosto inchados ao amanhecer.</p>
<p>* Cabelos ressecados, quebradiços, que caem mais do que o habitual.</p>
<p>* Unhas quebradiças.</p>
<p>* Irritação.</p>
<p>* Surgimento ou agravamento da depressão.</p>
<p>* Aumento da taxa de colesterol.</p>
<p>Hoje, raramente, os médicos atendem hipotiroideo com tudo isso junto. É o hipotiroidismo clássico, ou manifesto. Usualmente, o diagnóstico é feito numa fase mais precoce, e o paciente apresenta apenas alguns dos sintomas acima, aliás, comuns a diversas condições, como anemia, depressão, stress e menopausa.</p>
<p>“Em geral, a pessoa não nota o início do hipotiroidismo, os sinais e sintomas são brandos”, avisa Romaldini. “Por meses e muitas vezes anos não tem sintoma algum.” É o hipotiroidismo subclínico, cuja única alteração é o aumento no sangue do hormônio estimulante da tiroide (TSH).</p>
<p><strong>DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DE HASHIMOTO</strong></p>
<p><strong>&#8211; E como saber se a pessoa tem hipotiroidismo?</strong></p>
<p><strong>&#8211; E se ele é causado por tiroidite de Hashimoto?</strong></p>
<p>Bem, as sociedades de ginecologia e endocrinologia preconizam a dosagem de TSH para mulheres após os 40 anos. Porém, se sentir cansaço, desânimo ou depressão que não consegue explicar direito, consulte o seu médico. Pode ser que não seja stress ou excesso de trabalho, mas hipotiroidismo.</p>
<p>O diagnóstico de hipotiroidismo é feito através de dosagens hormonais. Na maioria das vezes basta o TSH. É o primeiro a detectar qualquer alteração na tiroide.  O normal é ter de 0,3 a 4,5 miliunidades de TSH por litro de sangue.</p>
<p>Nos resultados alterados, devem ser feitos mais dois testes:</p>
<p>1) T4 livre, particularmente útil no diagnóstico do hipotiroidismo subclínico. É aquele que ainda não dá sinais nem sintomas. O T4 livre normal combinado a TSH pouco elevado indica disfunção mínima da tiroide.</p>
<p>2) Anticorpos antitiroide, para identificar a causa. Resultado positivo é forte indício de tiroidite de Hashimoto.</p>
<p>“TSH Acima de 10, considera-se hipotiroidismo”, observa Romaldini. “Deve ser sempre tratado. A terapia é tomar levotiroxina diariamente pelo restante da vida.”</p>
<p>De 4,5 a 10 miliunidades é a faixa do hipotiroidismo subclínico. Alguns médicos já tratam. Mas o professor Romaldini acha que só deve ser tratado se o paciente tem queixa importante ou fator de risco associado, como aumento do colesterol total e da fração LDL (o ‘mau’ colesterol), angina, doença do pânico ou depressão que não melhora com antidepressivos, diminuição de memória e de concentração.</p>
<p>“O hipotiroidismo está associado a aumento de colesterol, favorecendo aterosclerose e infarto do miocárdio”, justifica Romaldini. “Também pode alterar o humor, contribuindo para a depressão.”</p>
<p><strong>&#8211; E se a pessoa tiver também tiroidite de Hashimoto, como fica o tratamento?</strong></p>
<p>O tratamento não muda. O que altera é o prognóstico. Portanto, a forma como se vê a doença naquele paciente que é positivo para anticorpos antitiroide. O risco de evoluir para hipotiroidismo é sete vezes maior.</p>
<p>“A cada seis meses, o paciente passa por nova avaliação”, atenta o doutor Romaldini. “Se alterar o TSH ou o quadro clínico, inicia-se o tratamento.”</p>
<p><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/especialistas-alertam-hipotiroidismo-nao-causa-obesidade-nem-o-remedio-para-a-doenca-da-doping.html">Mas atenção. Tem muita gente sendo tratada desnecessariamente de hipotiroidismo no Brasil.  Sobre isso, nós alertamos aqui.</a></strong></p>
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		<title>Ômega-3, proteção contra doenças cardíacas</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/omega-3-protecao-contra-doencas-cardiacas.html</link>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2011 00:35:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Até agora cápsulas não demonstraram eficácia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Conceição Lemes</strong></p>
<p>Você gosta de salmão ou atum? Prefere bacalhau, truta ou sardinha? Pois esses peixes do mar, todos de água fria, possuem outra característica em comum: contêm em abundância um tipo de gordura poli-insaturada muito especial – os protetores ácidos graxos ômega-3.</p>
<p>“Quem come mais peixe rico em gordura ômega-3 infarta menos”, informa a médica e professora Isabela Benseñor, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. “O ômega-3 tem ação contra arritmia e, com isso, previne morte súbita por doenças cardíacas.”</p>
<p>O médico e professor Walter  Willett, chefe do Departamento de Nutrição e Epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, acrescenta outros benefícios dos ácidos ômega-3: <strong>1)</strong> são componentes importantes das membranas das células de todo o organismo, especialmente dos olhos, cérebro e espermatozoides; <strong>2)</strong> são matéria-prima para a produção de alguns hormônios, entre eles os que regulam a contração e o relaxamento das paredes das artérias; <strong>3)</strong> ajudam na prevenção e no tratamento de AVC e possivelmente de doenças autoimunes, como lúpus eritematoso e artrite reumatoide.</p>
<p>Por isso, segundo Willett, todas as pessoas deveriam ingerir diariamente pelo menos uma boa fonte de ômega-3. Para gestantes ou mulheres que desejam engravidar, isso é indispensável. “Uma criança em desenvolvimento precisa de suprimento constante de ácidos graxos ômega-3, para a formação do cérebro e outras partes do sistema nervoso”, cientifica o professor.</p>
<p><strong>Óleo de soja e cápsulas</strong></p>
<p>Os peixes de água fria, no entanto, não são a única fonte de graxos ômega-3.  Eles também estão presentes em boa quantidade em castanhas (como amendoim,  castanha-do-pará, macadâmia e castanha-de-caju), semente de linhaça e – <strong>atenção!</strong> – no óleo de soja, o mais usado no Brasil.</p>
<p>“Claro que comer peixe é melhor, mas quem utiliza normalmente óleo de soja no preparo dos alimentos preenche as necessidades diárias de ômega-3”, tranquiliza a nutricionista Celeste Elvira Viggiano, da Supervisão de Vigilância em Saúde da Prefeitura de São Paulo e mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP..</p>
<p><strong>– Vale a pena tomar as cápsulas de ômega-3 à venda nas farmácias? </strong></p>
<p>A resposta é <em>não</em>. “Os estudos científicos feitos até agora não demonstraram que elas são eficazes”, justifica Isabela. “Comprovadamente o que funciona é o ômega-3 misturado no prato de comida, interagindo com outros nutrientes.”</p>
<p>Mas há mais um argumento contra as cápsulas: o financeiro. É só fazer as contas. Considerando o número de cápsulas recomendado nos rótulos desses produtos e o preço de mercado, você gastaria por mês cerca de 50 reais. A quantia dá para comprar uns quilos de salmão e vários de sardinha. A vantagem dos peixes é tripla: além de saborosos e de fornecerem ômega-3 de primeira, são ótimas fontes de proteínas e minerais. Proteja o seu bolso e o seu coração.</p>
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		<title>Drogas: Parar ou reduzir danos?</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2011 01:59:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
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		<description><![CDATA[Especialistas mostram por que a política de repressão está perdendo terreno nessa luta]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Trazido do Viomundo antigo. Foi publicado originalmente em 3 de novembro de 2009</strong></p>
<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>Não adianta bancar a avestruz.  As drogas – ilícitas e legais – estão  onde quer que estejamos. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio  Grande do Sul, Pernambuco, Bahia&#8230;</p>
<p>No momento, especialistas, pesquisadores, gestores, parlamentares,  militantes de movimentos sociais organizados e órgãos governamentais  preocupados com a questão estão envolvidos num amplo debate. A  Secretaria Nacional sobre Drogas (Senad) , órgão vinculado à Presidência  da República, e o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad)  acabam de formar um expressivo e gabaritado grupo de trabalho, para  elaborar proposta de projeto de lei ao Congresso Nacional para modificar  a atual legislação.</p>
<p>Supondo que fosse chamado (a) a opinar, você proporia:</p>
<p>* Guerra às drogas?</p>
<p>* Repressão ao uso?</p>
<p>* Internação dos usuários?</p>
<p>* Prisão dos traficantes?</p>
<p>* Descriminalização do uso?</p>
<p>* Redução de danos?</p>
<p>Do ponto de vista de saúde, o ideal, claro, é evitar o uso de drogas.  Só que, queiramos ou não, as drogas sempre existirão e as pessoas farão  uso delas. Algumas param, outras não. Dessas, algumas não querem,  outras não conseguem, apesar do uso problemático.</p>
<p>“É ilusão achar que a repressão motiva o tratamento ou interrompe o  uso”, desmistifica a psicóloga Denise Serafim, assessora técnica da  Unidade de Prevenção do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do  Ministério da Saúde. “Considerando as dificuldades de enfrentamento de  situações complexas da vida, os diferentes desejos de prazer e até as  motivações inconscientes, a redução de danos é estratégia fundamental  para se lidar com a questão drogas e com as pessoas que fazem uso. É uma  estratégia de saúde pública que visa à redução das conseqüências  danosas à saúde e sociais do uso problemático de álcool e outras  drogas.”</p>
<p>“O objetivo principal dessa estratégia não é a interrupção do uso”,  adianta Denise. “É motivar o usuário a ir ao serviço de saúde, a falar  mais sobre seus hábitos de drogas e a se cuidar melhor. O respeito à sua  escolha ou necessidade de uso, sem imposição ou preconceito, faz com  que o usuário se sinta um cidadão, com direitos e deveres também.”</p>
<p>“A política de ‘guerra às drogas’ não obteve bons resultados – nem  lá fora nem aqui”, põe abaixo outro mito o advogado e deputado federal  Paulo Teixeira (PT-São Paulo). “Mundialmente está perdendo a batalha.”</p>
<p>No Brasil, o tráfico se fortaleceu.  Financeiramente, cooptando  milhares de pessoas para distribuir seus “produtos”. Militarmente, se  instalando e controlando o território de inúmeras comunidades pobres.  Politicamente, neutralizando a ação repressiva do Estado.</p>
<p>Os condenados por tráfico de drogas – quase 70 mil – são o segundo  contingente do sistema carcerário brasileiro. Pesquisa realizada por  Luciana Boiteux e Ela Wiecko nas varas criminais de Brasília e Rio de  Janeiro traça o perfil deles: a maioria é réu primário, foi preso  sozinho, com pouca quantidade de drogas e não tinha associação com o  crime organizado.</p>
<p>“A lei brasileira não penaliza o consumo individual, porém não  diferencia o usuário do traficante”, condena Teixeira. “A distinção  então é subjetiva e muitos usuários estão sendo presos e condenados,  especialmente os pobres e pretos, sem acesso à assistência jurídica. Nos  presídios, organizações criminosas atraem parte deles para delitos mais  graves, como roubos, sequestros e extorsões.”</p>
<p>“De fato, na hora de decidir o enquadramento, policiais e juízes  acabam levando em conta onde a pessoa mora ou é presa”, revela Luciana  Boiteux, professora de Direito Constitucional da Universidade Federal do  Rio de Janeiro (UFRJ). “Isso reforça a criminalização da pobreza”.</p>
<p>O problema advém da política de enfrentamento das drogas. As  legislações da América Latina, inclusive a do Brasil, sofrem forte  influência dos Estados Unidos.</p>
<p>“Só que esse modelo não é adequado à nossa realidade social nem à  nossa Constituição”, argumenta Luciana Boiteux. “Temos de olhar para  outro lado. A minha proposta é que seja para a Europa.”</p>
<p>Paulina Duarte, Secretária Adjunta da Senad, afirma: “No Brasil, a  tendência é discutir as drogas somente com base na experiência pessoal  ou nas informações da mídia. É preciso fazer agora um debate mais  científico e menos ideológico”.</p>
<p><strong>DESCRIMINALIZAÇÃO: A EXPERIÊNCIA BEM-SUCEDIDA DE PORTUGAL </strong></p>
<p>Tratar a questão de forma científica é exatamente o que pretende fazer o <em>Viomundo</em>.</p>
<p>Nos dias 21 e 22 de outubro, a Comissão de Direitos Humanos e  Minorias da Câmara dos Deputados realizou um seminário com especialistas  nacionais e estrangeiros, que defenderam: <strong>1. </strong>a prevenção do abuso de drogas; <strong>2.</strong> a implementação de políticas visando à saúde dos usuários, inclusive a redução de danos; <strong>3.</strong>a descriminalização do uso e posse de pequenas quantidades para uso pessoal.</p>
<p>Holanda e Inglaterra foram os primeiros adotar essas políticas. E cada vez mais países estão mudando para essa direção.</p>
<p>&#8220;Portugal descriminalizou o uso e o porte, criou um serviço de  acompanhamento do usuário e diminuiu o uso de drogas. Caíram também os  crimes e as mortes relacionados às drogas”, justifica Teixeira. “Só no  Rio de Janeiro ocorrem anualmente 4 mil mortes associadas a crimes de  drogas, enquanto o uso provoca cerca 100. A droga tem produzido efeitos  menos nocivos do que o próprio crime relacionado à droga.&#8221;</p>
<p>Luciana Boiteux defende: “O Brasil deve unir os avanços da legislação  de Portugal, onde descriminalizaram as drogas,  com os da Espanha, que  diferencia pequenos e grandes traficantes e as drogas de baixo e de alto  impacto social”.</p>
<p>A Holanda tem uma abordagem pragmática. Vai atrás dos consumidores e  encaminha para tratamento de redução de danos, às vezes até com  prescrição da droga sob cuidado médico. É para evitar, por exemplo, que o  usuário problemático pratique pequenos roubos para obtê-la.</p>
<p>México e Argentina também descriminalizaram o consumo e estabeleceram  critérios claros para separar os usuários dos traficantes e evitar que  consumidores acabem na cadeia.</p>
<p>“Uma diferenciação menos subjetiva é necessária também no Brasil ”,  propõe Teixeira. “O uso de drogas passaria a ser infração  administrativa, com advertência, multa e frequência em cursos.”</p>
<p><strong>“REDUÇÃO DE DANOS É UMA ESTRATÉGIA MAIS HUMANIZADA E INCLUSIVA”</strong></p>
<p>“Afinal, o que é redução de danos?”, alguns devem estar querendo mais  detalhes desde o começo da reportagem. Outros, de pé atrás, questionam:  “De que adianta a redução de danos se ela não objetiva acabar com o uso  das drogas?”</p>
<p>Temos que voltar no tempo. Mais precisamente a 1989. O vírus da aids  se disseminava entre os usuários de drogas injetáveis. No exterior e  aqui, se observou que o ritual de uso – o compartilhamento da seringa – é  que provocava, pela via sanguínea, a infecção pelo HIV. Além disso, é  comum, sob efeito de substâncias psicoativas, os usuários se protegerem  menos, ou seja, não usarem a camisinha nas suas relações sexuais.</p>
<p>O diagnóstico positivo de HIV equivalia à sentença de morte. Hepatite  C e formação de abscessos no local da injeção (por conta da higiene  precária) também eram comuns. Pessoas da sociedade civil ligadas à  questão e do Programa Nacional de DST/Aids resolveram usar a estratégia  da redução de danos.</p>
<p>“Como os usuários não iam ao serviço de saúde, para não revelar o uso de  droga ilegal, nós, profissionais de saúde, e os redutores de danos,  representantes da sociedade civil, passamos a ir à noite, de madrugada,  ao encontro deles nos mocós”, relembra a psicóloga Denise Serafim. “Aí,  descobrimos que não adiantava dizer ‘pára de usar’. Isso afugentava.  Dizíamos então que muitos estavam se infectando pelo HIV, morrendo cedo e  isso não precisava acontecer com eles. Para isso, era importante que  não compartilhassem a seringa e usassem camisinha nas relações sexuais.  Nesses contatos, eram oferecidos os materiais, pois geralmente não  tinham dinheiro para comprar, com orientações para uso mais seguro das  drogas, prevenção das DST [doenças sexualmente transmissíveis] e de  outros danos para a saúde.”</p>
<p>Com o tempo, essa experiência foi disseminada para outras cidades  brasileiras. A estratégia se estendeu à cocaína aspirada, ao crack, ao  álcool. Hoje, a redução de danos é uma estratégia do Ministério da Saúde  para lidar com usuários de qualquer droga.</p>
<p>“O usuário abordado assim usa mais camisinha, busca mais o serviço de  saúde, tende a olhar mais para a dependência, no mínimo reduzindo o uso  da droga”, revela Denise. “É uma política que respeita a vontade do  usuário. É inclusiva, mais humanizada e favorece ao autocuidado.”</p>
<p>“Mas não seria melhor parar de vez?”, vão cobrar de Denise Serafim.</p>
<p>“Alguns conseguem interromper o uso bruscamente, outros precisam ir  aos poucos. Há uma diversidade de usos e de perfil dos usuários”,  explica a psicóloga. “Por isso, há um ‘cardápio’ de opções. A gente tem  de sentar com o usuário, ouvir sobre a sua rotina, as suas pretensões e  com ele identificar qual o tratamento que melhor se adapta àquele caso  específico. Ele tem de ter a liberdade de escolha.”</p>
<p>Para cada droga e doença associadas há uma abordagem. Vamos supor que  a pessoa já esteja infectada pelo vírus da hepatite C – a maioria dos  usuários de drogas injetáveis está – tomando medicamento.  Conversar  sobre a sobrecarga do fígado é fundamental. Repensar o uso se torna  indispensável. “Você tem hepatite C e ainda vai beber todo dia?” A  prevenção é para evitar a piora do fígado e do estado geral.</p>
<p>“Os serviços e os profissionais de saúde precisam entender que a  abordagem baseada na redução de danos aproxima mais o usuário do  serviço”, continua Denise. “Favorece uma melhor adaptação ao tratamento  quando o usuário deseja se tratar.”</p>
<p><strong>“OS PAIS DEVEM MANTER DIÁLOGO ABERTO COM OS FILHOS” </strong></p>
<p>No Brasil inteiro, o uso de drogas está crescendo entre os jovens do  ensino fundamental e médio. Raramente os professores sabem abordar o  assunto. Como a política é a de prevenção ao uso, quando um aluno é  flagrado, frequentemente é expulso.</p>
<p>“É para não ‘contaminar’ os outros”, critica Denise. “É um faz de  conta que aqui não está acontecendo nada. Uma pena. Afinal, é também no  contexto escolar, que a gente tem que investir na redução de danos. É  importante problematizar a questão, mostrando aos jovens quais são as  drogas, seus efeitos e consequências, para no caso do uso, fazê-lo de  forma mais consciente.”</p>
<p>A droga sozinha não tem efeito demoníaco. É preciso sempre fazer a  sua contextualização. A droga junto com uma pessoa em conflito é que vai  facilitar o seu uso. Depois, dependendo da maneira como essa droga atua  na vida daquela pessoa e do seu contexto familiar, é que vai se tornar  problemática ou não.</p>
<p>“Por isso, é preciso se dialogar de forma ampla com os filhos”, aconselha Denise.</p>
<p>“E se de repente meu filho começar a usar?”</p>
<p>“Será que proibir vai ajudar? Será melhor permitir, para saber o que  está acontecendo? A família tem de definir a estratégia. Aí, é  importante também discutir com um profissional”, diz Denise. “Não há uma  recomendação única. Eventualmente, quando o o uso se torna  problemático, é preciso até a contenção.”</p>
<p>Paulo Teixeira tem seis filhos: “Os pais devem manter diálogo aberto  com os filhos e acompanhá-los nos diferentes momentos de vida. Acredito  na educação aberta, na prevenção. Falo a eles dos perigos e espero que  me contem o que fazem para que eu possa aconselhá-los”.</p>
<p>E para a sociedade geral, qual a “receita”?</p>
<p>“Desaconselho o uso de drogas. Para o usuário, evitar o abuso”, frisa  Teixeira.  “No caso de abuso, o tratamento voluntário deve estar à  disposição do usuário.”</p>
<p><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/paulo-teixeira-a-folha-nao-queria-me-encontrar-a-materia-ja-estava-pronta-toda-editada.html">Leia aqui a entrevista com o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) sobre matéria publicada pela <em>Folha de S. Paulo</em>,  que insinua que ele  defende o uso de drogas. O jornal fez a matéria sem ouvi-lo: &#8220;A <em>Folha </em>não queria me encontrar. A matéria já estava pronta, toda editada&#8221;.</a></strong></p>
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		<title>Orientação sexual não se inverte</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 01:19:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Carmita Abdo]]></category>
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		<description><![CDATA[Homossexualidade, questão de atração]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>Independentemente da cultura, quase 10% da população é homossexual, sendo 7% homens e 3% mulheres. Menos de 1% é bissexual. Os 90% restantes são heterossexuais. Isso ocorre em todo o mundo, inclusive no Brasil.</p>
<p>“Ninguém se torna homo, bi ou heterossexual por opção ou escolha”, afirma a psiquiatra e especialista em medicina sexual  Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (Prosex) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.  “O que nos conduz para esta ou aquela orientação sexual é um conjunto de fatores biopsicossocioculturais.”</p>
<p>Hoje os especialistas acreditam que o indivíduo nasce com uma carga genética sobre a qual se assentam fatores educacionais, sociais e emocionais, que o vão moldando para a heterossexualidade, a homossexualidade ou a bissexualidade. Muitos estudos demonstram que alguns fatores que vão determinar a orientação sexual estão presentes muito cedo na vida, talvez até já ao nascimento.</p>
<p>E mais. Teoricamente, o que define a orientação sexual de todos nós não é a nossa prática<strong>, </strong>mas a nossa atração. Ou seja, fazer sexo com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto não é, por si só, determinante de homo ou de heterossexualidade. Por outro lado, sentir-se atraído por pessoa(s) do mesmo sexo ou do sexo oposto é indicativo de orientação homo ou heterossexual, respectivamente.</p>
<p>“Orientação sexual não se inverte”, avisa Carmita. As tentativas para “corrigir” a homossexualidade, “tratando-a” por meio de psicoterapia, técnicas comportamentais e de convencimento, resultaram em depressões profundas, surtos psicóticos gravíssimos e até suicídios.</p>
<p><strong>DE <em>ISMO </em>PARA<em> ADE</em></strong></p>
<p>Os primeiros passos rumo à visão atual da medicina se deram na década de 1960, nos Estados Unidos. A Associação Psiquiátrica Americana decidiu estudar o assunto a fundo. Em 1980, baseada em evidências científicas, retirou o homossexualismo da lista de transtornos de preferência sexual, como a pedofilia (práticas e fantasias sexuais com crianças) e a zoofilia (sexo com animais). O sufixo <em>ismo, </em>que significa “doença”, foi então substituído por <em>ade</em>, que indica atividade, comportamento.</p>
<p>Em 1992,  a Organização Mundial de Saúde (OMS), igualmente embasada em centenas de estudos, pôs a pá de cal sobre a questão: homossexualidade não é doença. Logo, é incorreto o termo homossexualismo; o certo é homossexualidade.</p>
<p>E sexo natural, que antes de 1992, era sexo com adulto, vivo e do gênero oposto, passou a ser aquele aquele que você pratica com ser humano adulto, vivo e cuja  finalidade é o prazer e/ou a reprodução. Hoje, a homossexualidade é considerada uma forma natural de expressão da  orientação sexual, assim como a hétero e a bissexualidade.</p>
<p><strong>TREJEITOS ENGANAM<br />
</strong></p>
<p>Por falar nisso, tem gente que afirma: <em>Pelos trejeitos do homem ou da mulher sempre é possível saber se a pessoa é homossexual</em>. Você concorda?</p>
<p>“Pois essa frase é mais uma das muitas ideias equivocadas sobre sexualidade”, alerta a professora Carmita, que frequentemente atende pais aflitos, achando que pelos trejeitos o filho ou a filha é homossexual. “Não é bem assim.”</p>
<p>Trejeito é um modo de se comportar diferente daquele adotado pela maioria do seu gênero. Numa criança de 5 ou 6 anos, pode ser apenas dificuldade de se identificar com o gênero ao qual ela pertence devido à ausência de modelos suficientemente claros na família. Mas isso não significa homossexualidade.</p>
<p>Como assim? Por exemplo, às vezes o pai é muito “machão” e esse excesso de virilidade pode inibir o filho de manifestar a sua fórmula máscula de ser. Por não se sentir tão poderoso, o menino acaba tendo então comportamento menos exuberante do que é esperado do ser masculino.</p>
<p>Já no caso de a menina parecer mais máscula, outras circunstâncias podem estar em jogo. Às vezes, por exemplo, a mãe é muito bonita e não sobra espaço para a filha como figura feminina. Aí, para não contrariar a expectativa materna ou mesmo paterna, a garota passa a querer ser diferente.</p>
<p>“Na faixa dos 5 ou 6 anos, é muito cedo para se alarmar”, antecipa Carmita. “O melhor é aguardar que a criança entre na escola.” Em geral, o simples contato com amiguinhos, amiguinhas, professor, professora, pai e mãe de colegas faz com que ela se identifique com modelos não oferecidos em casa e a questão se resolva. Porém, há casos em que os pais são bem resolvidos e mesmo assim a criança tem mais dificuldade para se identificar com o seu gênero. “Portanto, nada de precipitações”, insiste Carmita. “O mais adequado é acompanhar o desenvolvimento dessa criança.”</p>
<p><strong>RESPEITE AS DIFERENÇAS</strong></p>
<p>A adolescência é outra ocasião em que filhos são literalmente arrastados para os consultórios de especialistas por conta de “dúvidas” sobre sua sexualidade. Em geral, o raciocínio da família é o seguinte: <em>Esse rapaz está com 16, 17 anos e não iniciou a sua vida sexual. Então, antes que comece a fazer bobagens, tem de resolver essa vergonha</em>. Só que, em conversa reservada, frequentemente se descobre que ele tem namorado e não vê nada em si para ser corrigido. Porém, não tem ambiente em casa para revelar a sua preferência sexual.</p>
<p>Aí, o caminho é trabalhar a família para entender o que está se passando. É até possível que a orientação sexual não esteja ainda totalmente definida. Às vezes por medo, insegurança ou inabilidade, o jovem inicia a sua vida sexual na homossexualidade, depois percebe que era uma fase de experimentação e parte para a heterossexualidade. Outras vezes se dá o contrário. Devido à expectativa familiar e social, ele tenta, primeiro, a heterossexualidade. Posteriormente, aos 25, 30 ou 35 anos, se dá conta de que forçou a barra e assume a sua real preferência. O mesmo pode acontecer com as meninas.</p>
<p>“Pais e mães não devem se sentir culpados”, enfatiza Carmita. Primeiro, porque a homossexualidade não é uma opção. Segundo, a influência familiar é apenas parcela de uma situação muito mais ampla, que envolve inclusive carga genética. Terceiro, vocês não têm tanto poder quanto imaginam a ponto de definir a orientação sexual dos seus filhos.</p>
<p>Aliás, cabe exatamente aos pais de homossexuais combater o preconceito, dando-lhes força para que sejam respeitados e exijam o respeito pela sua condição. Só assim diminuiremos a necessidade que muitos ainda têm de viver escondidos. Guarde sempre isto: homossexualidade não é doença, é uma orientação sexual. Respeite as diferenças.</p>
<p>*<strong>A doutora Carmita Abdo </strong> é professora livre-docente da    Faculdade de Medicina da USP e  um dos 70 profissionais de saúde  entrevistados por esta repórter para o livro<a href="../opiniao-do-blog/conceicao-lemes-lanca-o-saude-a-hora-e-agora.html"> <strong>Saúde — A Hora é agora, do qual é coautora</strong>. </a></p>
<p><strong> </strong><span style="color: #000000;"><strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/troca-troca-o-que-falar-com-os-filhos.html">Leia aqui</a> o que falar com filhos, sobrinhos&#8230;sobre troca-troca. É uma entrevista com a doutora Carmit<span style="color: #000000;">a </span></strong></span><strong><span style="color: #008080;"><span style="color: #000000;">Abdo. </span></span></strong></p>
<p><span style="color: #008080;"><strong>Meu twitter: @conceicao_lemes, siga à vontade. </strong></span></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Doença rara leva pai a criar entidade de apoio a portadores e familiares</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/doenca-rara-leva-pai-a-criar-entidade-de-apoio-a-portadores-e-familiares.html</link>
		<comments>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/doenca-rara-leva-pai-a-criar-entidade-de-apoio-a-portadores-e-familiares.html#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2011 21:26:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Rogério Lima, de Brasília]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Rogério Lima</strong>, da <strong>Amavi</strong></p>
<p>Meu nome é Rogério Lima, moro em Brasília, tenho uma filha de seis meses, Vitória, que foi diagnosticada como portadora da neurofibromatose (NF), doença  genética que atinge 1 a cada 2.000 nascidos vivos.</p>
<p>O atendimento que recebemos aqui deixou muito a desejar. Muitas vezes trouxe mais angústias do que compreensão sobre como a doença poderia afetar a minha filha. Diante dessa realidade, começamos a procurar informações na internet e em todos os meios disponíveis.</p>
<p>Foi um período muito ruim. Na internet, aparecem os casos mais graves e não há muita informação. Eu olhava para minha filhota, linda, loura, esperta e serelepe, ao mesmo tempo via casos extraordinários como o homem elefante, o homem árvore&#8230;Enfim, toda sorte de desinformação possível. Um site me revoltou bastante. Era um site chamado coisas bizarras ou algo parecido. A primeira foto era de um garoto que a NF tinha deixado parte do seu rosto inchado e caído. Susto total.</p>
<p>Fiquei imaginando como era a vida daquele garoto, os seus sonhos, desejos. Saber que ele deveria viver o tempo todo dentro de casa me fez pensar bastante sobre o que é vida normal. Pois, para um paciente de NF, é normal ter acompanhamento médico anual, realizar algumas cirurgias e conviver com olhares furtivos do meio da multidão.</p>
<p>O mais grave foi perceber a falta de informação da comunidade médica. Aqueles que acompanhavam a minha filha ajudavam em, praticamente, nada!</p>
<p>Felizmente, Vitória acabou sendo vista pelo  dr. Mauro Gueller, do Rio de Janeiro e fundador do Centro Nacional de Neurofibromatose (www.cnnf.org.br). Saímos dessa consulta com outra visão da síndrome,  sabendo que:</p>
<p>* As manchinhas cor de café-com-leite, que nossa filha possui desde o nascimento nascido, é a característica básica da NF. O número e local das manchas podem caracterizar o tipo; existem sete.</p>
<p>* A síndrome possui causa genética e pode não ter sido herdada dos pais. Qualquer casal pode possuir um filho/a com NF. Nossa filha é a portadora primária.</p>
<p>* A manifestação da doença é vasta, pode acontecer desde aumento dos órgãos e ossos até a pequenas erupções na pele. Nossa filha possui apenas manchas café-com-leite e um pequeno atraso da fala, o restante é 100%.</p>
<p>* Os sintomas podem aparecer em determinadas fases da vida: final da infância, puberdade, gravidez&#8230; Enfim, pelo que entendi em fases em que há maior produção hormonal.</p>
<p>* A síndrome não tem tratamento específico e a melhor forma de conviver é ter paciência e gerenciamento. Primeiro, porque não adianta ficar imaginando o que vai acontecer. Segundo, porque sempre temos de fazer acompanhamento médicos.</p>
<p>* Ela exige acompanhamento multidisciplinar: fonoaudiólogo, psicólogo, neurologista, às vezes cirurgião plástico, ortopedista e outros profissionais especialmente, dependendo das manifestações.</p>
<p>* Vitória terá  vida igual a qualquer outra jovem e até chegar à adolescência haverá remédio para amenizar as manifestações da NF, já que vários estão em desenvolvimento.</p>
<p>Baseados na experiência do Rio de Janeiro, resolvemos nos mobilizar. Nascia no início de 2011 a ideia da Associação Maria Vitória (Amavi), entidade sem fins lucrativos de apoio a portadores de algum tipo de doença classificada como rara (DR) e seus familiares bem como de defesa dos seus direitos.</p>
<p>Em 26 de fevereiro, realizamos o primeiro dia sobre doenças raras no Distrito Federal e região.  Entre portadores de doenças raras, familiares, representantes do governo, parlamentares, universidades, estudantes,  mais de 300 pessoas participaram. O vídeo do evento está aqui:</p>
<p>http://associacaomariavitoria.blogspot.com/2011/03/dia-das-doencas-rarasm4v.html.</p>
<p>Provavelmente em 26 de novembro acontecerá o primeiro congresso iberoamericano de doenças raras. Já solicitamos ao secretário adjunto de Saúde a criação de um grupo de estudos sobre essas doenças. Também contatamos o Núcleo de Genética dos hospitais de Apoio e Universitário de Brasília para que indiquem um profissional para participar da diretoria técnico-científica da Amavi.</p>
<p>Apesar do envolvimento nessas e outras atividades, a fundação da Amavi só será formalizada no dia 26 de março, quando ocorrerá a escolha da sua diretoria. A reunião será aberta. Se você é portador de doença rara, familiar ou solidário a essa causa, venha participar. Ajude-nos a divulgar na sua comunidade o dia de fundação da Amavi. Quem quiser contribuir mais efetivamente, poderá fazer parte da diretoria. Para mais informações, contate-nos por um destes celulares: 061 99249-6901, 9654 6523 ou 9222-1070.</p>
<p>Grande Abraço,</p>
<p>Rogério Lima</p>
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		<title>Drogas: O que falar com os filhos</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/drogas-chega-de-empurra-empurra-2.html</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Mar 2011 16:27:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Isso é normal? É uma fase da vida? Evite?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>O consumo de drogas, inclusive álcool, cresce na maior parte dos países. No Brasil, mais da metade das pessoas já experimentou alguma droga ilícita e a iniciação é cada vez mais precoce. Daí a importância da prevenção.</p>
<p>No seu entender, qual destes discursos deve ser adotado por uma mãe ou um pai:</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>a)</strong> <em>Meu filho, evite as drogas</em>.</p>
<p><strong>b)</strong> <em>Meu filho, o problema não é a droga; é a polícia, o bandido. Então venha usar aqui em casa</em>.</p>
<p><strong>c) </strong><em>Meu filho, eu sei lidar, você saberá lidar também. Como você é um bom garoto, a questão está em suas mãos. </em></p>
<p>“A longo prazo, filhos de pais que lançam mão do discurso <em>a<strong> </strong></em>usam menos drogas do que os dos que recorrem ao <em>b</em> ou <em>c</em>, que são ambíguos. É difícil o adolescente entender que drogas fazem mal se o uso é permitido em casa”, alerta o psiquiatra e professor André Malbergier, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea), da Faculdade de Medicina da USP. Ele avisa: “O cérebro dos adolescentes não está preparado para lidar com situações de prazer envolvidas no uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas, o que aumenta o risco de se tornarem usuários”.</p>
<p>Existem no cérebro regiões que medeiam a relação de prazer que temos com as coisas da vida. Algumas substâncias nele produzidas estão envolvidas nessas sensações. Uma delas é a serotonina, ligada à tranquilidade e ao bem-estar. Outra é a dopamina, associada ao prazer. Em adultos saudáveis, a produção de serotonina e de dopamina é relativamente equilibrada. Já os adolescentes produzem normalmente menos serotonina e mais dopamina. Porém, a partir do momento em que começam a usar drogas, têm o circuito cerebral de prazer alterado.</p>
<p>“As drogas potencializam o efeito da dopamina. Funcionam como reforçador do prazer que dificilmente se obtém nas atividades comuns”, explica Malbergier. “Por isso o risco de o adolescente perder o controle sobre o consumo de drogas é consideravelmente maior do que o de alguém que inicia aos 30, 40 anos.”</p>
<p>Mas não é só. Outros fatores contribuem para que adolescentes e até pré-adolescentes se tornem usuários quando entram em contato com drogas: a tendência à impulsividade e a dificuldade de esperar pelo prazer – ele tem de ser imediato; pressão do grupo social; vulnerabilidade genética devido ao tipo de personalidade – há garotos e garotas que nascem com maior propensão à busca de sensações de grande impacto; história familiar de conflitos importantes; falta de um dos pais ou distanciamento de ambos; abuso sexual; violência; acessibilidade.</p>
<p><strong>– Mas eu sempre soube lidar com droga, meu filho saberá também. Isso é coisa da adolescência&#8230;</strong></p>
<p>O fato de você ter o consumo sob controle não significa que seu garoto ou sua garota terá, por melhor que eles sejam. Deixar essa questão só nas mãos dos jovens é um risco. Promover saúde é tentar evitar o contato.</p>
<p><strong>– Ah&#8230; Mas eu usei drogas dos 18 aos 25 anos, hoje tenho 40, sou um executivo bem-sucedido, trabalho numa boa&#8230;</strong></p>
<p>Por mais careta que pareça, o discurso de evitação colabora para que os filhos usem menos drogas. Aliás, mesmo que você consuma, há coisas ligadas ao prazer que não precisam ser ditas aos filhos. Da mesma maneira que você não lhes conta como é sua atividade sexual, certo?</p>
<p><strong>– Mas, se eu disser para evitar, será que ele não vai usar só para me contrariar?</strong></p>
<p>Independentemente de dizer sim ou não, é imensa a probabilidade de os adolescentes experimentarem, pois o acesso é muito fácil. Afinal, em boa parte das festas rolam drogas ilícitas. Agora, se eles introjetaram que os pais preferem que as evitem, diminui a possibilidade de continuarem o consumo.  “A sensação de risco é muito maior do que se simplesmente ouvissem dos pais ‘Isso é fase, faz parte da vida’, justifica Malbergier.</p>
<p><strong>– E se, apesar do discurso de evitação, meu filho continuar usando drogas?</strong></p>
<p>Não é porque ontem seu filho ou sua filha provou álcool ou alguma droga ilícita que amanhã ele ou ela será dependente, irá mal na escola, terá atritos com familiares. Em geral, a dependência é desenvolvida gradativamente. Portanto, fique atento(a) ao processo lento de mudança de comportamento social e  notará tão logo ele ou ela comece a ficar “diferente”. Caso positivo, converse. Se necessário, busque ajuda.</p>
<p>“É claro que vocês, pais, são os primeiros responsáveis pela orientação dos filhos quanto ao uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas”, salienta Malbergier, no livro <em>Saúde &#8211; A hora é ago</em>ra. “Mas não os únicos. Como questão de saúde coletiva, a prevenção é responsabilidade também de professores, profissionais de saúde, autoridades governamentais e dos próprios adolescentes. Cada um tem de fazer a sua parte. ”</p>
<p>Para quem já é usuário, a discussão é <strong><a href="http://www.viomundo.com.br/arquivo/blog-da-saude/drogas-parar-ou-reduzir-danos"><span style="color: #800080;">parar ou reduzir danos. Aqui, tratamos desse aspecto</span></a><span style="color: #800080;">.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #800080;"><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/desinformacao-pode-causar-impotencia-sexual-e-infertilidade.html"></a></span></strong></p>
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		<title>Parceria PUC-RJ, Viramundo e Rocinha dá samba, ops!, saúde</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Feb 2011 12:33:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[check-up]]></category>
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		<category><![CDATA[Educação em saúde]]></category>
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		<category><![CDATA[promoção de saúde]]></category>
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		<description><![CDATA[Educação em Saúde]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>É muito comum as pessoas irem ao médico como se fossem a uma oficina mecânica. Entregam o “carro” para avaliação e depois o “pegam”, na crença de que, <strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/check-up-conversa-e-a-parte-mais-importante-da-consulta.html">magicamente, montes de exames (o brasileiro é fã deles, veja aqui) e remédios por si solucionarão eventuais problemas de saúde e prevenirão um porção de outro</a>s</strong>.</p>
<p>Um tremendo equívoco. Saúde se constrói com check ups periódicos (<strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/check-up-conversa-e-a-parte-mais-importante-da-consulta.html">veja aqui</a></strong> <strong>e</strong> <strong><a href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/check-up-anual-de-prostata-fazer-ou-nao.html">aqui </a></strong>), diagnósticos e tratamentos adequados, mas principalmente com adoção de hábitos e estilo de vida saudáveis. Acredite. Muito da nossa saúde – atual e futura – está nas mãos de cada um de nós. Isso implica informar-se. Educação em saúde.</p>
<p>“O modelo biomédico vigente há 100 anos, mais centrado na doença do que na saúde, tem contribuído para a perpetuação de diversas doenças infecciosas e crônico-degenerativas evitáveis, sobretudo na população de baixa renda”, afirma o médico Flávio Wittlin, coordenador executivo do curso de Educação em Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e presidente da ONG Viramundo.  “Afinal, esse modelo não prioriza a medicina preventiva, a promoção e a educação em saúde.”</p>
<p>“Para agravar, predomina na mídia a informação que privilegia a doença, como a publicidade de remédios e de planos de saúde”, prossegue Wittlin. “Portanto, é fundamental recuperar o tempo perdido e investir em Educação em Saúde, para ajudar a reverter essa perspectiva negativa.”</p>
<p>É justamente com essa visão que a PUC-RJ promoverá de março a julho de 2011 um curso de extensão universitária de Educação em Saúde. Visa à formação de pessoal para transmitir informações básicas de saúde; será em parceria com a <strong><a href="http://www.viramundo.org">ONG Viramundo</a> </strong>e a comunidade da favela da Rocinha.</p>
<p>Público-alvo: estudantes universitários e profissionais com nível superior das áreas da saúde (médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, dentistas, fisioterapeutas), educação e comunicação, interessados em Educação em Saúde. O curso tem duas aulas semanais. Nesta entrevista, o professor Flávio Wittlin, que também integra as comissões de Saúde e  Saneamento Ambiental da recém-fundada Câmara Comunitária de Desenvolvimento Rocinha, Gávea e São Conrado, dá detalhes.</p>
<p><strong>Viomundo – O curso implica trabalhar conteúdos básicos de saúde assim como as formas de levá-lo às diferentes populações? </strong></p>
<p><strong>Flávio Wittlin</strong> – É isso mesmo. Só que a agenda dos conteúdos de saúde é definida em conjunto com os moradores da Rocinha, que funciona como laboratório. Na maior parte das vezes, a Academia tenta se impor ao mundo, muitas vezes com receitas de bolo solado e de péssimo gosto. Já nós buscamos ampliar as possibilidades de conexão com a comunidade e suas diversas áreas de necessidade e interesse social.</p>
<p><strong>Viomundo – Quais os objetivos educacionais do curso?</strong></p>
<p><strong>Flávio Wittlin </strong>– São vários, entre eles estes: 1) produção de conhecimento sobre questões de saúde pública e prevenção de doença e promoção de saúde; 2) a construção de novos paradigmas práticos que ampliem a eficácia de informação em saúde, sobretudo em comunidades socialmente excluídas; 3)  capacitação para manejo básico dos meios digitais para aplicação em Educação em Saúde.</p>
<p><strong>Viomundo – Frequentemente no imaginário popular a disseminação de informações de saúde está associada a médicos. O projeto de vocês passa esse poder também para outros atores. Por quê? </strong></p>
<p><strong>Flávio Wittlin</strong> &#8212; A ação de saúde é muito maior do que o ato médico. Focar com exclusividade ou primazia no médico é algo muito tacanho e estúpido, um reducionismo que concorre para conservar baixo o nível de informação da população.</p>
<p>Há uma lacuna abissal quanto à comunicação de informação de saúde. Isso envolve desde colegas que não sabem e muitas vezes não querem comunicar nada em saúde até agentes comunitários do Programa de Saúde da Família, que têm deficiências nessa área. Mas uma vez encorajados e qualificados podem ampliar a conscientização das comunidades onde atuam.</p>
<p><strong>Viomundo – Por que a Rocinha?</strong></p>
<p><strong>Flávio Wittlin</strong> – Proximidade com a PUC-RJ. O curso, aliás, é ministrado no campus da PUC e na Rocinha.  Agora, por seus indicadores sociais e de desenvolvimento humano, saúde, educação e ambientais, a Rocinha é por si só uma prioridade.</p>
<p><strong>Viomundo &#8212; Como é a relação com a comunidade? E os traficantes?</strong></p>
<p><strong>Flávio Wittlin </strong>– A sensação é que estamos avançando na forma de a comunidade ver as questões de saúde. Mas ainda não conseguimos medir esses resultados.  Até recentemente as lideranças da Rocinha nos viam como <em>outsiders</em>. Mas estamos ganhando o respeito crescente da comunidade. Os traficantes pelo menos não nos molestam.</p>
<p>A propósito. Inspirando-me  nas companheiras italianas, comprometidas em construir uma rede de neopartisans contra Berlusconi <em>et caterva</em>, cabe a pergunta: se não agora, quando? O modelo biomédico precisa ser enfrentado com determinação, conjungando a força dos trabalhadores da saúde com a das comunidades socialmente deserdadas.</p>
<p><span style="color: #993366;"><strong><a href="http://www.cce.puc-rio.br/sitecce/website/website.dll/folder?cOferec=5333">Sobre inscrições e mais informações sobre o curso de Educação em Saúde, clique aqu</a>i.</strong></span></p>
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		<title>Vovó e vovô sem sede? Eles precisam de água!</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 20:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O alerta é do médico e professor Arnaldo Lichtenstein, do HC-SP. Tudo o que precisa ser feito]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>de <strong>Conceição Lemes* </strong></p>
<p>Sempre que a vovó ou o vovô têm confusão mental, duas hipóteses atemorizam os familiares: será tumor na cabeça ou mal de Alzheimer?</p>
<p>Na imensa maioria dos casos não é nem um nem outro”, afirma  o clínico geral Arnaldo  Lichtenstein, do Hospital das Clínicas de São Paulo, professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP e um dos especialistas entrevistados no<em> livro <span style="color: #339966;"><span style="color: #008080;"><strong>Saúde &#8212; A hora é Agora</strong></span> </span></em>(<em>leia no pé deste texto)</em>.  “Os principais responsáveis são diabetesdescontrolado, infecção urinária e família que passa o dia inteiro no trabalho, no shopping ou no clube, fora de casa.”</p>
<p>Parece brincadeira, mas não é. Constantemente vovó e vovô não têm sede e deixam de tomar líquidos. Como não há gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. E a desidratação no idoso tende a ser grave, afetando todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (“batedeira”), angina (dor no peito), coma e até mesmo morte.</p>
<p>Impossível?! Não. Ve ja por quê:</p>
<p>• Ao nascermos, 90% do nosso corpo é constituído de água. Na adolescência, isso cai para 70%. Na fase adulta, para 60%. Após os 60 anos, temos pouco mais de 50% de água. Isso faz parte do processo naturalde envelhecimento. Portanto, de saída, os idosos têm menor reserva hídrica.</p>
<p>• Mas há outro complicador. Mesmo desidratados, eles podem não sentir vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno funcionam menos.</p>
<p>• Explicamos. Nós temos sensores de água em várias partes do organismo. São eles que verificam a adequação do nível. Quando o nível cai, esses detectores acionam automaticamente o “alarme”. Pouca água significa menor quantidade de sangue, de oxigênio e de sais minerais circulando nas nossas artérias e veias. De imediato, então, o corpo “pede” água. Essa informação é passada ao cérebro, a gente sentesede e sai em busca de líquidos. Nos idosos, porém, esses mecanismos atuam menos.</p>
<p>A detecção de falta de água corporal e a percepção de sede estão diminuídas. Alguns ainda, devido a certas doenças, como artrose avançada, evitam se movimentar até para tomar água.</p>
<p>• Resultado: os idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque sentem menos sede. Além disso, para ter desidratação grave, eles não precisam de grandes perdas — por exemplo, diarreias, vômitos ou exposição intensa ao sol. Basta o dia estar bastante quente ou a umidade do ar baixar muito. Nessas situações, perde-se mais água pela respiração e suor e, se não houver reposição adequada, é desidratação na certa. Mesmo que o idoso seja saudável, essa perda prejudica o desempenho das reações químicas e das funções de todo o organismo.</p>
<p>“Por isso, vovós e vovôs, se habituem a beber líquidos”, alerta Lichtenstein. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água de coco, leite. Sopa, gelatina e frutas ricas em água (melão, melancia, abacaxi, laranja e mexerica) também funcionam como líquido. O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!</p>
<p>O segundo alerta de Lichtenstein é para os familiares. Ofereçam constantemente líquidos aos idosos da casa. Lembre-lhes de que isso é vital. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que eles estão rejeitando líquidos e, de um dia para outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, <strong>atenção</strong>. É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.</p>
<p>****</p>
<p>*  O<strong> doutor Arnaldo  Lichtenstein</strong> é clínico geral, médico do Hospital das Clínicas de São  Paulo, professor colaborador da   Faculdade de Medicina da USP e  um dos 70 profissionais de saúde entrevistados por esta repórter para o livro<a href="http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/conceicao-lemes-lanca-o-saude-a-hora-e-agora.html"> <strong>Saúde &#8212; A Hora é agora, do qual é coautora</strong>. </a></p>
<p><strong><span style="color: #008080;"><span style="color: #000000;"> Meu twitter:</span> @conceicao_lemes, siga à vontade. </span></strong></p>
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		<title>Doutora Laura Andrade dá dicas para prevenir a ressaca</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/doutora-laura-andrade-da-dicas-para-prevenir-a-ressaca.html</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Dec 2010 23:12:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[bebida alcoólica]]></category>
		<category><![CDATA[ressaca]]></category>

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		<description><![CDATA[Cuidado com orientações enganosas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>Costumo brincar que existem algumas matérias que &#8220;vão sozinhas&#8221; para a &#8220;gráfica&#8221;, de tantas repetitivas que são. Bastar atentar para o noticiário que vocês vão perceber.</p>
<p>Na época da Páscoa, por exemplo, há três &#8220;clássicas&#8221;: 1) não vai faltar peixe semana santa; 2) chocolate e acne ; 3) chocolate e consumo excessivo de calorias. Já nas festas de final de ano, o tema ressaca vira hit. E, assim, vai. Todos os veículos fazem a mesmas reportagens. Tudo  igualzinho.</p>
<p>Claro que o público se renova,daí a validade de se voltar ao assunto. Só que em vez de acrescentar informações e/ou atualizações , frequentemente o que se vê na área de saúde é a eterna repetição de equívocos. Pior. Certos &#8220;especialistas&#8221; falam  besteiras com &#8220;tanta autoridade&#8221; que os leitores em geral não percebem, &#8220;engolem&#8221; c0mo verdade.</p>
<p>Em 2008, eu havia publicado uma matéria sobre ressaca, para a qual o Luiz Carlos Azenha, eterno gozador/provocador, sapecou o título<strong> <em>Beba, a Conceição Lemes  garante!</em></strong></p>
<p>Diverti-me à beça com a brincadeira. Leitores do <em>Viomundo</em> também. Eu não pretendia abordar otema neste <em>reveillon</em> de 2010. Mas li tantas dicas erradas hoje na internet que voltei atrás e decidi reproduzir a reportagem publicada originalmente em 27 de dezembro de 2008.</p>
<p>A entrevistada foi médica psiquiatra Laura  Helena Andrade, coordenadora do Núcleo de  Epidemiologia do Instituto de  Psiquiatria do Hospital das Clínicas e  professora colaboradora da  Faculdade de Medicina da USP. Por cautela, submeti o texto hoje a ela novamente.  Afinal, o nosso objetivo é fornecer informações corretas, atualizadíssimas, baseadas nas mais recentes evidências científicas</p>
<p><strong>Trazido do Viomundo antigo. Publicado em 27 de dezembro de 2008. </strong>T<strong>ítulo original: Beba, a Conceição Lemes garante!</strong> (rs).</p>
<p><strong>por Conceição Lemes</strong><em><strong><br />
</strong></em></p>
<p>Em tempo de festas, quase todo mundo bebe. São celebrações com  familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho. Uma delícia. Em  pequenas doses, o álcool deixa a maioria das pessoas mais alegres,  relaxadas, descontraídas, sem prejudicar a saúde. Mas, quando se  exagera, o dia seguinte é um horror: dor de cabeça, corpo “moído”,  cansaço, aumento da sensibilidade à luz e ao ruído, boca seca,  vermelhidão dos olhos, tontura, náusea, vômitos e diarréia. Argh&#8230;A  temida ressaca.</p>
<p>Não à toa cresce, nesta época, a procura por dicas que garantam  acordar bem, são e salvo.</p>
<p><strong>Por falar nisso, qual destas receitas recomendaria  para  prevenir ressaca:</strong></p>
<p><strong>1)</strong> Ingerir uma colher de azeite antes de beber?</p>
<p><strong>2) </strong>Tomar um Engov antes e outro depois de uma comemoração, como sugere a propaganda?</p>
<p><strong>3)</strong> Tomar bastante refrigerante?</p>
<p><strong>4)</strong> “Forrar” o estômago antes e enquanto bebe?</p>
<p><strong>5) </strong>Se for homem, consumir até duas latinhas de cerveja, ou duas doses de  destilado, como uísque ou vodca (36 ml) ou duas taças de vinho (120  ml)? Se for mulher, uma latinha de cerveja ou uma dose de destilado ou  uma taça de vinho?</p>
<p><strong>6)</strong> Alternar bebidas alcoólicas com o consumo de água-de-coco, mineral ou sucos?</p>
<p>“Só tem um jeito de realmente prevenir a ressaca: beber pouco, portanto a  receita 5; as receitas 1, 3, 4 e 6 podem ajudar”,  avisa médica psiquiatra Laura  Helena Andrade, coordenadora do Núcleo de Epidemiologia do Instituto de  Psiquiatria do Hospital das Clínicas e professora colaboradora da  Faculdade de Medicina da USP. Que adverte: “A receita 2 é propaganda  enganosa. O ‘tal remédio antes e depois’ não impede a intoxicação pelo  álcool, só diminui um pouco as dores de cabeça”.</p>
<p><strong>CONHEÇA O MAIOR CULPADO </strong></p>
<p>Muitos devem estar questionando:</p>
<p>&#8211; Engov não funciona!?</p>
<p>&#8211; As receitas 1, 3, 4 e 6 apenas podem ajudar!?</p>
<p>Calma. Vamos por partes. Em pequenas doses, você já sabe, o álcool deixa  a maioria das pessoas para cima, pois age como estimulante. No entanto,  à medida que seu nível sobe no sangue, inibe o sistema nervoso central,  diminuindo o seu funcionamento. Afinal, uma vez ingerido, o álcool  segue para estômago e intestino. Aqui, é absorvido e lançado na corrente  sangüínea. Por meio da circulação, atinge então o corpo inteiro,  inclusive o cérebro. No fígado, especificamente, é pouco a pouco  transformado em outra substância &#8212; o bastante tóxico acetaldeído.</p>
<p>O acetaldeído – e não o álcool propriamente dito – é o maior responsável  por a gente acordar um trapo após beber um pouco mais. Nosso organismo é  capaz de eliminar uma dose de álcool por hora, ou seja, 14 a 18 gramas  da substância ativa das bebidas. Isso equivale ao consumo de uma latinha  de cerveja ou uma taça de vinho (120 ml) ou uma dose de uísque, vodca,  rum, aguardente ou outro destilado (36 ml). Uma dose de destilado é  aquela medida de dosador de boate, que contém 36 ml. Num daqueles  copinhos tradicionais de pinga, uma dose de destilado “pega” um pouco  acima da segunda listra.</p>
<p>Conclusão: quanto maior o consumo de álcool, maior a quantidade de  acetaldeído no sangue e, consequentemente, pior a ressaca. A intensidade  dela depende também da velocidade da ingestão.</p>
<p><strong>COMO ACORDAR BEM </strong></p>
<p>Imagine uma caixa d’água especial. Para enchê-la, basta abrir uma  torneira; para esvaziá-la, o único recurso é uma canequinha. Pois bem, a  caixa d’água equivale ao sistema de metabolização do álcool que existe  no nosso organismo; a torneira, à via de entrada dele; a água a ser  tirada com canequinha, ao acetaldeído.</p>
<p>Ao abrir demais a torneira, a “caixa” atinge rapidamente o seu limite,  mesmo que continue o trabalho de esvaziamento. Não há como acelerar a  eliminação do álcool, que tem velocidade fixa. A “água” então se  amontoa, causando estragos.</p>
<p>“Por isso, o único jeito de prevenir, de fato, a ressaca é não exagerar  na dose”, insiste Laura. “Evita-se, ao mesmo tempo, o acúmulo de  acetaldeído e a intoxicação pelo álcool.”</p>
<p>Um estudo publicado na prestigiosa revista inglesa <em>British Medical  Journal</em>, <em>BMJ</em>, chega à mesma conclusão: não existe nenhuma evidência  científica de que remédios sejam efetivos para prevenir ou tratar a  ressaca A forma mais eficaz de evitar os seus sintomas é a abstinência  ou o consumo moderado.</p>
<p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como de baixo risco o  homem beber até duas doses de álcool por ocasião; uma dose, a mulher. O  cálculo é para uma pessoa de 70 quilos. Isso equivale ao consumo  mencionado na receita 5.</p>
<p>“Em compensação, o homem que consome cinco doses de álcool numa festa e a  mulher, quatro, já são heavy drinking, ou bebedores ‘pesados’, mesmo  que isso seja ocasional”, a doutora Laura abre este parêntese para  alertar. “O heavy drinking está associado diretamente a vários problemas  imediatos devido à intoxicação pelo álcool: estimula a violência;  favorece acidentes de trânsito e doméstico; contribui para relação  sexual sem proteção, ou seja, sem camisinha; prejudica a memória e o  raciocínio; aflora ou agrava dificuldades emocionais; pode causar  arritmia cardíaca que, às vezes, leva à morte”.</p>
<p>Voltando à ressaca. Estas medidas podem também ajudar você a diminuir o  acúmulo de acetaldeído no organismo, conseqüentemente reduzir o risco de  acordar um bagaço no dia seguinte:</p>
<p>* “Forre” o estômago antes de beber – Pode ser com uma comida gostosa ou  até com a tal colher de azeite.  O importante é ter alimento lá dentro  para competir com o álcool na hora da absorção. Isso tornaria a  assimilação mais lenta, diminuindo por tabela a produção de acetaldeído.</p>
<p>* Hidrate-se bem, alternando o consumo de bebidas alcoólicas com o de  não alcoólicas – O álcool inibe a ação de um hormônio chamado  antidiurético. Por isso, aumenta a produção de urina, facilitando a  desidratação e a maior concentração de acetaldeído no corpo. É  fundamental, então, ingerir mais líquidos do que habitualmente. O  conselho vale principalmente para quem prefere vinho ou destilados como  uísque e pinga. Você pode beber água-de-coco, água mineral, sucos ou até  refrigerantes. Ao consumir mais líquidos é como se você tomasse uma  bebida mais diluída. E bebida mais diluída significa menor concentração  de acetaldeído.</p>
<p>* Beba aos poucos – O maior espaçamento entre os drinques faz a  metabolização do álcool também ser paulatina. Em conseqüência, a  fabricação de acetaldeído é igualmente mais vagarosa, o que dá tempo ao  organismo para eliminá-lo em maior quantidade, evitando o acúmulo. Beber  deve ser para celebrar, confraternizar, e não para afogar as mágoas e  tristezas nem resolver desencantos e dificuldades.</p>
<p>“Mas e o Engov antes e outro depois”!?”</p>
<p>“Esse remédio não impede a intoxicação pelo álcool, logo não evita o  acúmulo de acetaldeído”, previne a professora Laura Helena. “Também não é  um passaporte para beber sem problemas. A falsa promessa de proteção  leva alguns a abusar da bebida e, portanto, a correr outros riscos.”</p>
<p>O Engov é apenas um medicamento para aliviar especialmente a dor de  cabeça, o sintoma número 1 da ressaca. Funciona tal qual um comprimido  de analgésico. Tanto que o ácido acetilsalicílico, a popular aspirina, é  o seu principal componente. Os outros três são: hidróxido de alumínio –  antiácido; mepiramina – anti-histamínico, que reduz enjôos e vômitos; e  cafeína – estimulante do sistema nervoso central, que diminui o torpor.</p>
<p>Ou seja, o famoso remédio age somente sobre alguns dos sintomas  causados pelo excesso de álcool, diminuindo-os, mas não evita a  intoxicação nem a ressaca. Tomá-lo por antecipação é como recorrer a  analgésico, antiácido ou antiemético ao desconfiar de que terá dor de  cabeça, acidez gástrica ou náusea. Só isso.<br />
<em><br />
</em><strong>NÃO DIRIJA DE RESSACA</strong></p>
<p>Respeite, portanto, o seu limite. Uma forma prática de saber o seu  limite: quando você planeja dizer uma palavra, mas diz outra, está na  hora de dar um tempo no drinque. As mulheres são efetivamente mais  suscetíveis aos efeitos do álcool. Primeiro, porque não têm no estômago  um pouco da enzima álcool desidrogenase, que ajuda a metabolizar o  álcool, como acontece aos homens. As mulheres só possuem essa enzima no  fígado. Segundo: mesmo as magras, têm proporcionalmente mais gordura e  menos água do que os homens no organismo. E como o álcool se distribui  pela porção de água, ele se concentra mais fortemente no organismo das  mulheres.</p>
<p>“Se apesar de todas essas precauções, a ressaca ocorrer, repouse e tome  bastante líquido”, recomenda a doutora Laura. “Em caso de dor de cabeça,  pode tomar um analgésico. Se der azia, utilize algum medicamento que  iniba a produção de ácido no estômago.”</p>
<p>Mais um cuidado. Não dirija enquanto perdurar o mal estar pelas doses a  mais. A ressaca piora os reflexos, a concentração e a capacidade visual,  aumentando o risco de acidentes. Tanto que as companhias americanas de  aviação proíbem os pilotos de voar se tiverem bebido até 24 horas antes.</p>
<p>Essa cautela vale também para nós circulando no chão. De ressaca, faça o  mesmo que se tivesse acabado de beber. Não dirija carro, moto ou lancha  nem ande bicicleta ou de jet-ski. Vá de metrô, ônibus, táxi, peça  carona. Você protege a sua vida e a das pessoas que você ama. Tintim,  saúde!</p>
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		<title>Aids: As aparências enganam, o HIV é democrático</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Dec 2010 10:37:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
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		<description><![CDATA["Teste" visual é furadíssimo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Conceição Lemes</strong></p>
<p>Você diria que o uso de camisinha, ou preservativo, é dispensável quando:</p>
<p>* Parceiro (a) é de boa família?</p>
<p>* Parceiro (a) teve poucas (os) namoradas (os)?</p>
<p>* Garoto (a) é de boa família, bem-educado (a)?</p>
<p>*  Garoto (a) tem alto nível social, cultural e econômico?</p>
<p>*  Garoto (a) é “supergato(a)” sofisticado(a)?</p>
<p>*  É amigo (a) da turma, colega de trabalho?</p>
<p>*  Se tem parceiro (a)  fixo (a)?</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Pois nessas circunstâncias – <strong>atenção!</strong> &#8211;, o homem, ao não usar camisinha, a mulher, ao não pedi-la, se arriscam a pegar doenças sexualmente transmissíveis (DST), inclusive o HIV, o vírus da aids. É como se fizessem o “teste” de aids e demais DST pelo olho. Isso não existe!</p>
<p>Paradoxalmente, quase todo brasileiro sabe que a camisinha é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV.</p>
<p>Diferentes pesquisas nas diferentes faixas etárias comprovam isso.  Uma delas, a Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira 2008. Ela revelou que 97% dos jovens de 15 a 24 anos de idade sabem que o preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV, mas o uso cai à medida que a parceria sexual se torna estável. O percentual de uso do preservativo na primeira relação sexual é de 61% e chega a 30,7% em todas as relações com parceiros fixos.</p>
<p>Outra pesquisa, divulgada nessa quarta-feira pelo Departamento DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde (MS), aponta tendência de crescimento do HIV entre os jovens, embora eles tenham elevado conhecimento sobre prevenção da aids e outras DST.</p>
<p>O estudo foi feito com 35.432 jovens de 17 a 20 anos de idade alistados no serviço militar. A prevalência do HIV nessa população passou de 0,09% para 0,12% em cinco anos. O estudo também revela que quanto menor a escolaridade maior o percentual de infectados pelo HIV.</p>
<p>“Os jovens não se veem em risco”, alerta o infectologista Dirceu Greco, diretor do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do MS. “É preciso que percebam que a prevenção é uma decisão pessoal e não estarão seguros se não se conscientizarem da necessidade do preservativo em todas as relações sexuais.”</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>DESCUBRA POR QUE O “TESTE” VISUAL É FURADO</strong></p>
<p>Em tempos de aids, transar com camisinha não significa chamar o outro de infiel, promíscuo, nem de se apresentar como tal. Ao contrário. É pessoa antenada com os tempos modernos. É sinal de ética, responsabilidade, solidariedade, delicadeza, respeito, prova de amor. Quem ama cuida e se cuida.</p>
<p>E por que fazer o “teste” de DST e aids pelo olho não existe?!</p>
<p>Na verdade, ele é feito aos montes. Só que é furadíssimo.</p>
<p><strong>O <a href="http://www.viomundo.com.br/wp-admin/post.php?action=edit&amp;post=5828">livro Saúde &#8212; A hora é agora, capítulo Relacionamento,  explica por quê</a></strong>. Atentem :</p>
<p><strong>1)</strong> As aparências enganam. Bastaria ficar na sala de espera da Casa da Aids para atestar isso: garotas lindas, que poderiam ser modelos, e donas de casa exemplares; professores(as), engenheiros(as), advogados(as) e executivos(as), que diariamente cruzamos em bares, festas, cinema, reunião familiar, encontro de negócios; vovôs e vovós – eles têm vida sexual, sim! –, que volta e meia vemos contando histórias para os netos.</p>
<p>Ou seja, o “teste” visual é completamente furado. Portadores do HIV podem ficar dez anos, em média, sem sintomas, muitas vezes desconhecendo a própria contaminação e passando o vírus para os seus parceiros sexuais.</p>
<p><strong>2</strong>) O HIV, como os germes causadores das demais DST, é absolutamente democrático. Ele não tem preconceitos de classe socioeconômica, raça, religião, idade, sexo, nível cultural, educacional ou padrão estético.</p>
<p><strong>3)</strong> O HIV também não se importa se a pessoa gosta ou não da outra. O que o vírus da aids quer é continuar vivo. Para isso, passa de um parceiro a outro, e em poucos segundos. Basta um estar infectado e transar sem camisinha. O amor não protege ninguém desse risco.</p>
<p><strong>4)</strong> O HIV é transmitido de homem para mulher, de mulher para homem, de homem para homem e de mulher para mulher. Atualmente a proporção de novas infecções em mulheres e homens é quase igual. “A aids hoje tem a cara da população do Brasil”, compara Castilho. Portanto, quem ainda acha que aids é doença de homossexuais, prostitutas e usuários de drogas corre o risco de ser “atropelado” pelo HIV a qualquer instante.</p>
<p><strong>5)</strong> Embora vivamos numa sociedade que prega a monogamia, a vida é diferente. Bom seria que as pessoas fossem eternamente apaixonadas e felizes com um(a) único(a) parceiro(a). Mas isso é irreal. Assim como é impossível o Ministério da Saúde decretar: está proibido “pular a cerca”! Quem vai seguir a recomendação? Você pode falar por você. E pelo(a) parceiro(a)? Quem tem certeza de que o(a) seu (sua) nunca vai traí-la(o)?</p>
<p><strong>6)</strong> Quando você faz amor, o(a) parceiro(a), mesmo que seja fixo(a), não é a sua única “companhia”. Transam junto os <em>ex</em> e as <em>ex </em>de ambos. Ou seja, o passado e o presente. E, aí, como ter certeza de que nenhuma dessas pessoas viveu situações que possam ter facilitado a transmissão do HIV, como drogas injetáveis, transfusão de sangue e sexo com portador do vírus?</p>
<p>“Na verdade, não existe mais grupo de risco”, garante a assistente social Susan Marisclaid Gasparini, do grupo de prevenção da Casa da Aids do HC-SP. “Atualmente, todos nós que temos vida sexual ativa somos vulneráveis ao HIV e às outras DST se não usarmos preservativo. Inclusive quem só ‘fica’.”</p>
<p>Tem mais. Não dá para tapar o sol com a peneira. A experiência de psicólogos, psiquiatras e terapeutas sexuais mostra que parte dos casais, incluindo as mulheres, tem relações extras. Assim, supondo que você ou seu (sua) parceiro(a) dê uma escapada com uma (um) colega de trabalho – que, por sua vez, tenha outro(a) parceiro(a). No mínimo, já são quatro transando.</p>
<p>“Logo, o ideal é usar camisinha em todas as relações sexuais – oficiais e extraoficiais”, assegura a médica Eliana Battaggia Guttierrez, diretora da Casa da Aids do Hospital das Clínicas de São Paulo e infectologista da Divisão de Moléstias Infecciosas da mesma instituição. “É mais eficaz e seguro para todos. De quebra, ajuda a reduzir a epidemia.”</p>
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		<title>Guaraná reduz fadiga em mulheres com câncer de mama</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/guarana-reduz-fadiga-em-mulheres-com-cancer-de-mama.html</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 22:27:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[tratamento para fadiga causada pela quimioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[tumores malignos]]></category>
		<category><![CDATA[Universidade Federal do ABC]]></category>

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		<description><![CDATA[Revela pesquisa da Universidade Federal do ABC]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Conceição Lemes</strong></p>
<p>Diz a lenda que as tribos de Munducurucânia eram as mais prósperas. Venciam todas as guerras, apanhavam os melhores peixes e as doenças eram raras.</p>
<p>Tudo isso por causa de um curumim, que nascera naquela tribo havia alguns anos. Era o mais protegido. Nas pescas era acompanhado por muitos pescadores, que afastavam dos rios piranhas, jacarés ou qualquer outro perigo. Mas, certo dia, o Gênio do Mal apareceu em forma de cascavel e feriu o garoto. A tribo entrou em desespero.</p>
<p>Tupã, deus dos indígenas, atendeu os lamentos e disse:</p>
<p>&#8211; Tirem os olhos do curumim, plantem em terra firme e reguem com lágrimas durante quatro luas.  Ali, nascerá a &#8220;planta da vida&#8221;, ela dará força aos jovens e revigorará os velhos.</p>
<p>Os pajés não tiveram dúvida. Fizeram o que Tupã recomendou. Nasceu uma nova planta, travessa como as crianças, com hastes escuras e sulcadas como os músculos dos guerreiros da tribo. Quando ela frutificou, seus frutos eram negro azeviche, envoltos de um arilo branco com duas cápsulas vermelho-vivas. Diziam os indígenas:</p>
<p>&#8211; É a multiplicação dos olhos do príncipe!</p>
<p>O fruto trouxe progresso à tribo. Ajudou os velhos e deu mais força aos guerreiros.</p>
<p>Esse fruto é o guaraná (<em>Paullinia cupana)</em>, planta nativa da Amazônia muito usada na medicina popular como estimulante. Essa propriedade medicinal se deve à guaraína, a cafeína do guaraná. A semente é muito rica nessa substância.</p>
<p>Pois uma pesquisa do Departamento de Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do ABC descobriu que o guaraná reduz a fadiga, ou cansaço, em mulheres com câncer de mama fazendo quimioterapia.  O sintoma é freqüente, tem impacto na qualidade de vida e ainda não há uma terapia padrão para tratá-lo.</p>
<p>“Nós sabíamos que o guaraná é um tônico, os estudantes usam-no para combater fadiga, se manter acordados, para estudar de madrugada”, conta o oncologista e professor Auro Del Giglio, coordenador do estudo. “Resolvemos então verificar se aliviaria a fadiga nas pacientes com câncer de mama, que atinge 50% a 80% delas.”</p>
<p>A fadiga pode decorrer da quimioterapia. Aparece também nos casos em que o tumor é diagnosticado em estado avançado. A pessoa sente cansaço, fica prostrada.</p>
<p>“A fadiga relacionada ao câncer é diferente da que se manifesta na depressão”, explica Del Giglio. “Na da depressão, a pessoa não tem vontade de fazer as coisas. Já na do câncer, a pessoa tem vontade de fazer as coisas, mas não consegue.”</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>EFICAZ, NÃO TÓXICO E BARATO</strong></p>
<p>O estudo envolveu 75 mulheres em tratamento de câncer de mama no Ambulatório de Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do ABC. Todas sentiam cansaço crescente após o primeiro ciclo de quimioterapia.</p>
<p>Foram divididas em dois grupos. Um, integrado por 32 pacientes, recebeu 50 mg de extrato de guaraná, duas vezes por dia, durante 21 dias. O outro, com 43 pacientes, recebeu placebo (produto com aparência do guaraná verdadeiro, mas sem nenhuma substância ativa).</p>
<p>As mulheres também responderam questionários no dias 1, 7, 14 e 21 após o início do tratamento para avaliar o nível de fadiga. Ao final, 66% das pacientes do primeiro grupo relataram melhora, contra 13% do grupo que recebeu placebo.</p>
<p>“Ainda desconhecemos como o guaraná age nessas pacientes, apenas sabemos  que funciona”, expõe Del Giglio. “Uma das hipóteses a diminuição do cansaço seria o efeito estimulante da cafeína [2% a 5%], que atua no cérebro. Mas talvez não seja, já que o café também contém cafeína [1% a 2,5%] e não produz os mesmos resultados.”</p>
<p>Os efeitos colaterais foram mínimos e não se verificou insônia nem ansiedade nas pacientes tratadas com o guaraná.</p>
<p>&#8220;Além de eficaz e não ser tóxico, o guaraná é barato, por isso a nossa ideia agora é avaliar o seu uso em pacientes com outros tumores”, conclui o oncologista. “Pretendemos investigar também o mecanismo que faz com que essa planta atue no cansaço de pacientes oncológicos.”</p>
<p><strong> &#8212; Como o médico descobre se a prostração é devido à depressão ou ao câncer e/ou quimioterapia?</strong></p>
<p>“É preciso analisar os demais sintomas”, afirma o oncologista Auro Del Giglio. “Na dúvida, trata-se primeiro a depressão. Caso não haja melhora, é possível que o cansaço seja devido ao câncer.”</p>
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		<title>Sexo: distribua carícias à vontade</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/distribua-caricias-a-vontade-sem-a-menoooooooooor-pressa.html</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Nov 2010 23:30:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Os dois ganham]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>Em tempos de internet banda larga, muitos querem tudo na base do pá-pum: objetivo, rápido e competente. Isso inclui a sexualidade. Tanto que sexo virou sinônimo de penetração; competência sexual é penetrar e ser penetrado. Se não houver, o restante do contato não vale nada. O “negócio” é ir logo para os “finalmentes”. Mero encontro de genitais. Uma pena.</p>
<p>“O prazer não é só genital, tem de integrar tudo”, argumenta a ginecologista e obstetra Fátima  Duarte, com base no atendimento de mulheres de todos os níveis sociais e faixas etárias, em 30 anos de profissão. “A grande jogada para ter e dar prazer é distribuir carícias à vontade – sem pressa.</p>
<p>Isso mesmo. Sem a menooooooooooooooooooooooooor… pressa. Imagine-se num restaurante divino comemorando uma data especial. Você prefere que o chefe de cozinha prepare o seu prato em dois minutos, tirando-o do freezer, ou que demore para fazer algo especial? No sexo, é parecido. Você quer um prato feito rapidinho ou se dispõe a caprichar nos temperos, e depois saborear o manjar dos deuses? Pois as carícias são os temperos.</p>
<p>Por isso, aqui vai uma dica do livro   <a href="http://www.manole.com.br"><strong>Saúde &#8212; A hora é agora</strong>, <strong>capítulo Relacionamento &#8212; O corpo inteiro para amar</strong></a><strong> </strong>: invista mais nas preliminares.</p>
<p>Em geral, não utilizamos nem 30% do potencial erótico do nosso corpo. E os receptores de sensações estão nele inteiro. Basta você e seu (sua) parceiro(a) se tocarem bastante para os seus pontos preferidos aflorarem. Por falar nisso, você sabe quais são os seus?</p>
<p>“Quanto mais tempo o casal se dedica às preliminares, maiores tendem a ser a carga erótica e o prazer”, abre o jogo a psiquiatra e especialista em medicinasexual Carmita Abdo,  professora livre-docente e coordenadora do Projeto Sexualidade  (ProSex) da  Faculdade de Medicina da USP.  “A mulher fica mais lubrificada e a penetração mais fácil, o que ajuda, ainda, a atingir o orgasmo. Para o homem saudável, cria condições para boas ereções.”</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>INFORME O QUE E COMO GOSTA &#8212; SEM ACANHAMENTO<br />
</strong></p>
<p>Aproveitando a brecha, algumas e alguns desabafam:</p>
<p>– Ah… Mas meu parceiro não sabe do que eu gosto&#8230;</p>
<p>– Adoro meu marido, só que de uns tempos para cá não sinto desejo.</p>
<p>– Quando estou de TPM, meu tesão vai pra cucuia.</p>
<p>– Minha ex-namorada ia às nuvens; a atual, eu tento, tento, e ela não tem orgasmo. Será que se o meu pênis fosse maior…?</p>
<p>– Há um tempo saí com uma menina só porque ela me deu mole. Falhei! Desde então, perco o controle direto. Quando me dou conta, já gozei; minha companheira fica uma fera, diz que não ligo para o prazer dela. Juro que me importo.</p>
<p>Calma. Praticamente tudo em sexualidade tem explicação e – o melhor – solução. Na maioria das vezes, é questão de informação. Frequentemente, a mulher espera que o homem nasça sabendo fazer sexo, para que ela não precise comunicar o que gosta. O homem, por seu lado, habitualmente acha que as carícias que uma mulher adora a outra também vai amar, certo?</p>
<p>Ambos errados. Nem o homem é o “professor” nem a mulher a “aluna”. Cada pessoa é uma pessoa. Para descobrir onde “mora” o prazer do(a) parceiro(a), o casal tem de fazer tentativas. A mulher não deve se envergonhar de comunicar o que lhe agrada, assim como o homem também não.</p>
<p>No Brasil, 3,4% dos brasileiros nunca se masturbaram, contra 34% das brasileiras. Portanto, se você ainda desconhece todas as suas áreas erógenas, sempre é tempo de elas serem exploradas. Prazer é questão de foco, duração e intensidade.</p>
<p>A mulher tem de aprender a identificar suas áreas prediletas de carícias e o homem a detectar novas. Seria o clitóris ou a vagina? O abdome, o pescoço ou os seios? Os lábios ou a sola do pé? Por acaso a cabeça ou o corpo do pênis? A região do umbigo ou a da nuca? Os lábios ou as costas? É tudo junto? Ou junto com o quê? Pegue a mão do(a) parceiro(a) e o(a) oriente. Você é que tem de lhe dizer: <em>Está ótimo aí, continue</em>!; <em>Aqui, não</em>!</p>
<p>Agora, não é fazer um carinho rápido e pronto. É preciso um tempo para o estímulo sair das terminações nervosas existentes nas áreas externas do corpo, chegar ao cérebro, informar que algo prazeroso está sendo feito e voltar sob a forma de sensação agradável. Além disso, você tem de informar sobre a intensidade dos toques naquele instante. São os movimentos lentos ou rápidos? Mais superficiais ou profundos? Em circular ou ziguezague?</p>
<p>“Se você silenciar, acabará entrando e saindo da relação sem a menor excitação, provavelmente não sentirá prazer, e o sexo se tornará desagradável”, comenta Carmita. Se o(a) parceiro(a) for realmente legal, ficará feliz em tomar conhecimento das suas preferências para lhe satisfazer. Portanto, nada de acanhamentos. Informe-o(a) das suas predileções, pois ninguém tem bola de cristal. Só assim o prazer de ambos poderá ser explorado ao máximo.</p>
<p><em><strong>Nota do Viomundo</strong>: <a href="http://www.manole.com.br/"> <strong>Saúde — A hora é agora,</strong> publicado pela<strong>Manole</strong></a>,  tem como autores a repórter Conceição Lemes, o médico Mílton de Arruda  Martins, professor titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da  USP, e o médico Mario Ferreira Junior, responsável pelo Centro de  Promoção de Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo. Setenta profissionais de saúde, entre médicos, nutricionistas, psicólogos, enfermeiros, foram entrevistados para os 11 capítulos do livro.<br />
</em></p>
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		<title>Check up: Conversa é a parte mais importante da consulta</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Sep 2010 13:09:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[avaliação anual de saúde]]></category>
		<category><![CDATA[check-up]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição Lemes]]></category>
		<category><![CDATA[exames obrigatórios]]></category>
		<category><![CDATA[Mílton de Arruda Martins]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção promoção de saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde -- A hora é agora]]></category>

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		<description><![CDATA[Esclareça as suas dúvidas com o médico.Não se intimide ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong><br />
<strong> </strong></p>
<p>Check ups com maior número de exames laboratoriais e inovações tecnológicas são a preferência nacional. Quanto mais testes realizados, mais valorizados. Porém, ao contrário do que muitos imaginam, exames de laboratório não previnem doenças.</p>
<p>A advertência é do médico Mílton de Arruda Martins, professor titular de Clínica Médica da Faculdade da USP, no livro <strong><a href="http://www.manole.com.br">Saúde – A hora é agora</a>.</strong> Ele é um dos autores.</p>
<p>“Prevenção e promoção de saúde só se conseguem com estilo de vida saudável: exercícios regulares, não fumar, sexo seguro, cinto de segurança, entre outros cuidados”, afirma o professor Martins. “Consequentemente, as orientações dos profissionais de saúde envolvidos no atendimento fazem a diferença. Sem elas, o check-up não serve para nada.”</p>
<p><strong>O MÉDICO DEVE PERGUNTAR MUITO E OUVIR MAIS AINDA</strong></p>
<p>A prática do check-up de saúde começou na década de 1960 e tomou fôlego nos anos 1970. O termo foi emprestado da revisão de material da engenharia mecânica e incorporado à medicina como avaliação periódica de saúde.</p>
<p>A finalidade é avaliar a sua saúde no momento em que é realizado. Mais precisamente, rastrear determinadas doenças, visando ao diagnóstico precoce em pessoas assintomáticas, ou seja, que não sentem nada e estão muito bem, obrigada.</p>
<p>Ele não precisa ser em serviço especializado ou no ambulatório da empresa; pode ser com o seu próprio clínico geral. É recomendável a homens e mulheres. Para um adulto sem doença e com menos de 50 anos, basta pelo menos uma avaliação de saúde a cada dois anos; acima de 50, uma por ano.</p>
<p>“A conversa, para saber sua história pessoal e familiar de doenças, queixas atuais e antigas, é a parte mais importante da consulta”, ressalta Martins. “Associada ao exame físico, fornece os principais dados para o médico ir atrás das doenças de cada pessoa.”</p>
<p>Por isso, a conversa deve ser demorada: o médico deve perguntar muito e ouvir mais ainda. Eis algumas das perguntas obrigatórias e os respectivos motivos:</p>
<p>* Qual é a sua atividade profissional? É para, se necessário, indagar sobre possíveis problemas de saúde que decorrem do seu tipo de trabalho.</p>
<p>* Onde nasceu, viveu e mora? Determinadas doenças são preocupação apenas em certas regiões do Brasil. A resposta, portanto, pode fornecer pistas para o médico investigar problemas específicos.</p>
<p>* Tem alguma doença? Que medicamentos toma? Por exemplo, hipertensão, diabetes e colesterol elevado aumentam o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame cerebral. Alguns remédios também podem colocar a sua saúde em risco, devido aos efeitos colaterais.</p>
<p>* Tem sentido ou observado algo diferente no corpo nos últimos tempos? Essas questões visam a identificar sintomas iniciais de eventual distúrbio.</p>
<p>* Tem antecedentes familiares de câncer, doença cardíaca ou diabetes? Quando existem casos na família, principalmente pais e irmãos, cuidados especiais são indispensáveis, inclusive avaliações de saúde e testes laboratoriais mais precoces.</p>
<p>* Está em dia com as vacinas? Adultos devem tomar algumas, e muitos não sabem disso.</p>
<p>* Tem praticado atividade física? Qual, quantos minutos diariamente, quantas vezes por semana? É para, dependendo do caso, indicar uma atividade física mais adequada.</p>
<p>* Fuma cigarro (industrializado, de palha, indiano ou de Bali), cigarrilha, charuto ou cachimbo? Quantos por dia? Há quanto tempo? Já pensou em largar? Qualquer que seja a sua idade, sempre é tempo para parar, e o médico pode orientá-lo sobre as melhores estratégias ou encaminhá-lo a serviços especializados.</p>
<p>* Consome bebida alcoólica todo dia? Quanto bebe por semana? Muitas vezes a pessoa passa da conta, sem ter consciência do abuso, e o consumo excessivo põe em risco a sua saúde e até a sua própria vida.</p>
<p>* Usa maconha, cocaína, crack ou ecstasy? Além de esclarecer sobre os riscos à saúde dessas drogas, o médico tem condições de indicar onde buscar ajuda para a pessoa dar um basta.</p>
<p>* Usa preservativo nas relações sexuais? A camisinha é um método eficaz para a prevenção da aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.</p>
<p>* Como é o seu sono? Qualidade e quantidade são essenciais para uma vida saudável. Existem problemas que a orientação adequada resolve.</p>
<p>* Como é sua alimentação? Alimentação mais saudável ajuda a prevenir infarto do miocárdio, AVC, diabetes e vários tipos de câncer, entre outras doenças.</p>
<p>* Como anda seu humor? Tem se sentido para baixo, sem prazer, interesse ou disposição para as tarefas do dia a dia? O objetivo é descobrir quem tem depressão. O problema é frequente e piora muito a qualidade de vida, mas tem tratamento.</p>
<p>* Experimenta situações de risco de acidente ou violência no trabalho ou em casa? A identificação delas permite estabelecer estratégias de prevenção.</p>
<p>* Quantas vezes por dia escova os dentes? A higiene bucal adequada é essencial em todas as fases da vida.</p>
<p>* No lazer ou no trabalho, fica muito no sol? A exposição excessiva à luz solar aumenta o risco de câncer de pele, especialmente em quem tem pele clara. Uso de protetor solar é uma das maneiras de reduzir a ameaça.</p>
<p>* Está enxergando bem? E a sua audição, como anda? Para detectar problemas de visão e/ou audição.</p>
<p>– Ah, é pergunta demais! Demora muito, não tenho tempo a perder&#8230;</p>
<p>Acredite: não é invasão de privacidade nem tempo perdido ou exagero. A avaliação periódica de saúde só acontece uma vez a cada um ou dois anos, dependendo da sua idade. Logo, a conversa aprofundada é vital.</p>
<p>Fornece as principais pistas para rastrear sintomas e sinais que possam indicar doença em fase inicial e mereçam investigação. “Portanto, não minta nem omita”, aconselha Martins. “Pistas erradas muitas vezes atrasam diagnósticos, tratamentos e até impedem prevenções adequadas.”</p>
<p>A etapa seguinte ao check up é o exame físico. É importante sempre verificar: peso, altura e circunferência abdominal (devido à obesidade, que aumenta o risco de diabetes, infarto do coração, AVC e alguns tipos de câncer, entre outras doenças), pressão arterial e visão.</p>
<p><strong>EXAMES INDISPENSÁVEIS A TODOS OS ADULTOS</strong></p>
<p>A combinação da conversa com o exame físico é que determina o passo seguinte: os testes laboratoriais. Eles são importantes para pesquisar distúrbios que possam estar presentes, mas ainda não dão sintomas ou sinais.</p>
<p>O Centro de Promoção da Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo,  o CPS do HC-SP, recomenda de rotina para adultos apenas os seguintes exames:</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>1) Colesterol total e frações –</strong> É fator de risco importante para doenças nas coronárias (artérias que irrigam o coração) e AVC.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>2) Glicemia –</strong> Verifica se a pessoa tem diabetes, que é o aumento do “açúcar” no sangue.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>3) Densitometria óssea –</strong> Para saber se a mulher tem osteoporose.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>4) Mamografia –</strong> Destina-se ao diagnóstico precoce do câncer de mama.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>5) Papanicolau –</strong> Visa a diagnosticar câncer do colo do útero bem no início.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>6) Pesquisa de sangue oculto nas fezes –</strong> Objetiva a detecção precoce de câncer no intestino grosso ou colorretal (cólon e reto).</p>
<p>“Esses testes são obrigatórios na avaliação periódica de saúde, mesmo que você esteja muito bem”, frisa o professor Martins.</p>
<p>Mas se pela avaliação clínica houver suspeita de algum problema, o médico pode solicitar mais exames. É igualmente necessário a pessoas em situações que implicam maior perigo à saúde.</p>
<p>&#8211; Ah, mas há médicos que não gostam de dar muitas explicações&#8230;A gente pergunta, eles não dão bola&#8230; Eles não gostam de ouvir&#8230;Se respondem, a gente não entende&#8230;</p>
<p>Verdade. Verdade. Verdade. Verdade. Mas não se intimide. Você tem direito a esclarecimentos não só sobre as questões levantadas acima, mas também sobre os exames que ele solicitar.  Por exemplo: Qual o objetivo do teste? Tem risco? Qual?  Informe-se antes de fazer os exames. Pese os prós e os contras e tome a decisão.</p>
<p>“Juntando o que foi detectado na conversa, no exame físico e nos testes, o médico deve orientar sobre o que é necessário para diminuir ou evitar riscos futuros à sua saúde”, arremata  o professor Martins. “As orientações do médico e dos demais profissionais de saúde envolvidos no check up são mais importantes do que os exames de laboratório solicitados.”</p>
<p><strong>Nota do Viomundo: </strong>Esta repórter é um dos três autores do livro <strong><a href="http://www.manole.com.br">Saúde &#8212; A hora é agora</a>.</strong> O professor Mílton de Arruda Martins e o médico Mario Ferreira Jr, coordenador do CPS-HC-SP, são os outros.</p>
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		<title>Drogas: Chega de empurra-empurra!</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 18:05:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[abuso de drogas]]></category>
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		<description><![CDATA[Adolescentes têm mais risco de perder o controle. O que falar com eles ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Conceição Lemes<br />
</strong></p>
<p>O consumo de drogas, inclusive álcool, cresce na maior parte dos países. No Brasil, mais da metade das pessoas já experimentou alguma droga ilícita e a iniciação é cada vez mais precoce. Daí a importância da prevenção.</p>
<p>No seu entender, qual destes discursos deve ser adotado por uma mãe ou um pai:</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>a)</strong> <em>Meu filho, evite as drogas</em>.</p>
<p><strong>b)</strong> <em>Meu filho, o problema não é a droga; é a polícia, o bandido. Então venha usar aqui em casa</em>.</p>
<p><strong>c) </strong><em>Meu filho, eu sei lidar, você saberá lidar também. Como você é um bom garoto, a questão está em suas mãos. </em></p>
<p>“A longo prazo, filhos de pais que lançam mão do discurso <em>a<strong> </strong></em>usam menos drogas do que os dos que recorrem ao <em>b</em> ou <em>c</em>, que são ambíguos. É difícil o adolescente entender que drogas fazem mal se o uso é permitido em casa”, alerta o psiquiatra e professor André Malbergier, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea), da Faculdade de Medicina da USP, no livro <em><strong><a href="http://www.manole.com.br">Saúde &#8212; A hora é agora</a></strong></em>.  Ele avisa: “O cérebro dos adolescentes não está preparado para lidar com situações de prazer envolvidas no uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas, o que aumenta o risco de se tornarem usuários”.</p>
<p>Existem no cérebro regiões que medeiam a relação de prazer que temos com as coisas da vida. Algumas substâncias nele produzidas estão envolvidas nessas sensações. Uma delas é a serotonina, ligada à tranquilidade e ao bem-estar. Outra é a dopamina, associada ao prazer.</p>
<p>Em adultos saudáveis, a produção de serotonina e de dopamina é relativamente equilibrada. Já os adolescentes produzem normalmente menos serotonina e mais dopamina. Porém, a partir do momento em que começam a usar drogas, têm o circuito cerebral de prazer alterado.</p>
<p>“As drogas potencializam o efeito da dopamina. Funcionam como reforçador do prazer que dificilmente se obtém nas atividades comuns”, explica Malbergier. “Por isso o risco de o adolescente perder o controle sobre o consumo de drogas é consideravelmente maior do que o de alguém que inicia aos 30, 40 anos.”</p>
<p>Mas não é só. Outros fatores contribuem para que adolescentes e até pré-adolescentes se tornem usuários quando entram em contato com drogas: a tendência à impulsividade e a dificuldade de esperar pelo prazer – ele tem de ser imediato; pressão do grupo social; vulnerabilidade genética devido ao tipo de personalidade – há garotos e garotas que nascem com maior propensão à busca de sensações de grande impacto; história familiar de conflitos importantes; falta de um dos pais ou distanciamento de ambos; abuso sexual; violência; acessibilidade.</p>
<p>Nessa altura, estas perguntas são inevitáveis.  O próprio Malbergier responde.</p>
<p><strong>– Mas eu sempre soube lidar com droga, meu filho saberá também. Isso é coisa da adolescência&#8230;</strong></p>
<p>O fato de você ter o consumo sob controle não significa que seu garoto ou sua garota terá, por melhor que eles sejam. Deixar essa questão só nas mãos dos jovens é um risco. Promover saúde é tentar evitar o contato.</p>
<p><strong>– Ah&#8230; Mas eu usei drogas dos 18 aos 25 anos, hoje tenho 40, sou um executivo bem-sucedido, trabalho numa boa&#8230;</strong></p>
<p>Por mais careta que pareça, o discurso de evitação colabora para que os filhos usem menos drogas. Aliás, mesmo que você consuma, há coisas ligadas ao prazer que não precisam ser ditas aos filhos. Da mesma maneira que você não lhes conta como é sua atividade sexual, certo?</p>
<p><strong>– Mas, se eu disser para evitar, será que ele não vai usar só para me contrariar?</strong></p>
<p>Independentemente de dizer sim ou não, é imensa a probabilidade de os adolescentes experimentarem, pois o acesso é muito fácil. Afinal, em boa parte das festas rolam drogas ilícitas. Agora, se eles introjetaram que os pais preferem que as evitem, diminui a possibilidade de continuarem o consumo.  “A sensação de risco é muito maior do que se simplesmente ouvissem dos pais ‘Isso é fase, faz parte da vida’, justifica Malbergier.</p>
<p><strong>– E se, apesar do discurso de evitação, meu filho continuar usando drogas?</strong></p>
<p>Não é porque ontem seu filho ou sua filha provou álcool ou alguma droga ilícita que amanhã ele ou ela será dependente, irá mal na escola, terá atritos com familiares. Em geral, a dependência é desenvolvida gradativamente. Portanto, fique atento(a) ao processo lento de mudança de comportamento social e  notará tão logo ele ou ela comece a ficar “diferente”. Caso positivo, converse.</p>
<p>Se necessário, busque ajuda.</p>
<p>“É claro que vocês, pais, são os primeiros responsáveis pela orientação dos filhos quanto ao uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas”, salienta Malbergier. “Mas não os únicos. Como questão de saúde coletiva, a prevenção é responsabilidade também de professores, profissionais de saúde, autoridades governamentais e dos próprios adolescentes. Cada um tem de fazer a sua parte. Chega de empurra-empurra!”</p>
<p><em><strong>Gostaria de esclarecer alguma dúvida sobre como abordar a questão drogas com o seu filho? Pois deixei-a  em comentários. O doutor Malbergier vai responder. </strong></em></p>
<p><em><strong>Nota do Viomundo</strong>: O livro</em><a href="http://www.manole.com.br/"><em> <strong>Saúde — A hora é agora,</strong> publicado pela <strong>editora Manole</strong></em></a><em>,  tem como autores a repórter Conceição Lemes, o médico Mílton de Arruda  Martins, professor titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da  USP, e o médico Mario Ferreira Junior, responsável pelo Centro de  Promoção de Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo</em>.</p>
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		<title>Em briga de marido e mulher se mete a colher, sim!</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/em-briga-de-marido-e-mulher-se-mete-a-colher-sim.html</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 01:46:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Dayana Alves da Silva]]></category>
		<category><![CDATA[direito e respeito à dignidade humana]]></category>
		<category><![CDATA[Disque 180]]></category>
		<category><![CDATA[Eliza Samudio]]></category>
		<category><![CDATA[Lilian Blima Schraiber]]></category>
		<category><![CDATA[Mapa da Violência no Brasil 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Islaine de Morais]]></category>
		<category><![CDATA[Mércia Nakashima]]></category>
		<category><![CDATA[Mônica Peixinho]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres assassinadas]]></category>
		<category><![CDATA[Orestina Soares]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção da violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde -- A hora é agora]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência doméstica]]></category>

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		<description><![CDATA[Aja enquanto a violência ainda não descambou para a tragédia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p><strong>Janeiro</strong>. O ex-marido de Maria Islaine de Morais, 31 anos, a executa  diante das câmeras de vídeo do seu salão de beleza em Belo Horizonte (MG).</p>
<p><strong>Abril.</strong> Orestina Soares, 53 anos, de Duque de Caxias (RJ), é assassinada a pedradas pelo namorado. Engenho de Dentro (RJ): Dayana Alves da Silva, 24 anos, morre devido a queimaduras dois meses de o ex-marido atear-lhe fogo no corpo. Mônica Peixinho, 28 anos, é morta com um tiro na nuca em Lauro de Freitas (BA); seu companheiro é o principal suspeito é seu companheiro.</p>
<p><strong>Maio</strong>. Mércia Nakashima, 28 anos, é assassinada em Nazaré Paulista (SP); seu ex-namorado é o principal suspeito.</p>
<p><strong>Junho</strong>. Eliza Samudio, 25 anos,  é  assassinada em Vespasiano (MG) porque tentava provar que Bruno, ex-goleiro do Flamengo, era pai do seu filho.</p>
<p>A imensa maioria, porém, dessas estúpidas tragédias femininas não sai nos jornais. No Brasil, agressões contra as mulheres ocorrem a cada 15 segundos. Quanto mais machista a cultura local, maior a violência contra a mulher. Os responsáveis por seus assassinatos são principalmente os atuais ou antigos maridos, namorados ou companheiros.</p>
<p>O <a href="http://www.institutosangari.org.br/mapadaviolencia/"><strong>Mapa da Violência no Brasil 2010</strong></a>, feito com base no banco de dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS), revela:  entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio, o que significa dez mulheres assassinadas por dia no país.</p>
<p>“As mulheres são menos vítimas de assassinatos do que os homens”, explica Julio Jacobo Wiaselfisz, autor do estudo. “Porém, o nível de assassinato feminino no Brasil fica acima do padrão internacional. Enquanto aqui ocorrem 4,2 assassinatos femininos por 100 mil habitantes, na maioria dos países europeus, os índices não ultrapassam 0,5 caso por 100 mil.”</p>
<p><strong>CRESCE PROCURA PELO DISQUE 180; MAIORIA MORA COM AGRESSORES</strong></p>
<p>Essa semana a <a href="http://www.sepm.gov.br"><strong>Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM</strong></a><strong>), </strong>divulgou o número de atendimentos de janeiro a maio de 2010. Somaram 271.719, um aumento de 95,5% em relação aos primeiros cinco meses de 2009 (138.985).<br />
<strong><br />
</strong>Nesse período, a Central 180 registrou 51.354  relatos de violência. Foram  29.515 casos de violência física, 13.464 de violência psicológica, 6.438 de violência moral, 887 de violência patrimonial, 1.060 de violência sexual, 42 situações de tráfico e 207 casos de cárcere privado.</p>
<p>“A procura pelos serviços da <strong>Central 180</strong> aumentou nos primeiros cinco meses de 2010 devido à campanha nacional ‘Uma vida sem violência é um direito de todas as mulheres’, realizada no final de 2009”, acredita a ministra Nilcéa Freire, da SPM. “Também por causa da maior divulgação da Lei Maria da Penha.&#8221;</p>
<p>O  relatório SEPM deste ano traz informações inéditas:</p>
<p>* 39,8% declararam que sofrem  violência desde o inicio da relação.</p>
<p>*  38% disseram que a relação com o agressor tem mais de 10 anos de duração.</p>
<p>* 71,7%  residem com o agressor.</p>
<p>* 68,9% relataram que os filhos presenciam a violência; 15,6 dos filhos sofrem também violência.</p>
<p>* 58, 2% das mulheres que buscam o <strong>Disque 180</strong> têm entre 20 e 45 anos, 68,3% estão casadas ou em união estável e 28,9% possuem nível médio de escolaridade.</p>
<p><strong>E VOCÊ, JÁ FOI VÍTIMA DE VIOLÊNCIA MASCULINA?</strong></p>
<p>Pense um pouco na convivência com seu marido, companheiro, noivo, namorado. Alguma vez ele:</p>
<p><strong>1)</strong> Xingou-a ou fez com que você se sentisse mal a respeito de si mesma?</p>
<p><strong>2)</strong> Depreciou ou humilhou você diante de outras pessoas?</p>
<p><strong>3)</strong> Ameaçou machucá-la ou alguém de que você gosta, como pessoas queridas ou animais de estimação?</p>
<p><strong>4)</strong> Deu-lhe um tapa ou jogou algo em você que poderia machucá-la?</p>
<p><strong>5)</strong> Empurrou-a ou deu-lhe um tranco/chacoalhão?</p>
<p><strong>6)</strong> Deu-lhe um chute, arrastou ou surrou você?</p>
<p><strong>7)</strong> Ameaçou usar ou realmente usou arma de fogo, faca ou outro tipo de arma contra você?</p>
<p><strong>8)</strong> Forçou-a fisicamente a manter relações sexuais quando você não queria?</p>
<p><strong>9)</strong> Você teve relação sexual porque estava com medo do que ele pudesse fazer?</p>
<p><strong>10)</strong> Forçou-a a uma prática sexual degradante ou humilhante?</p>
<p>“Se respondeu afirmativamente a pelo menos uma dessas perguntas, você já foi ou está sendo submetida à violência por parte do parceiro”, alerta a médica Lilia Blima Schraiber, professora do Departamento de Medicina Preventiva da  Faculdade de Medicina da USP, no capítulo <a href="http://www.manole.com.br"><strong><em>Relacionamento </em></strong>do livro <strong><em>Saúde – A hora é agora</em></strong></a>. As questões 1, 2 e 3 indicam violência psicológica; 4, 5, 6 e 7, violência física; e 8, 9 e 10, violência sexual. Freqüentemente, os três tipos estão sobrepostos.</p>
<p>No livro, a professora Lilian Blima Schraiber, que pesquisa a violência contra a mulher, responde algumas dúvidas muito comuns:</p>
<p><strong>&#8211; Mas essas situações não seriam apenas agressão ou abusos?</strong></p>
<p><strong>&#8211; Uma fala rude, um tapinha, um empurrão ou um beliscão não são normais entre casais?</strong></p>
<p><strong><em>Não</em></strong>. E <strong><em>não</em></strong>. Todas essas vivências são formas de violência e causam prejuízos à saúde física e mental. Só que as próprias mulheres nem sempre as percebem como violência, pois provocam uma dor sem nome. Pior. Por desinformação, desconhecimento dos seus direitos, vergonha, medo, insegurança econômica, amor pelo agressor, falta de apoio familiar e social, entre outras dificuldades, freqüentemente agüentam caladas. É como se esse fosse o único destino.</p>
<p>O preço do silêncio é alto: a escalada da violência doméstica e a busca tardia de saídas, quando às vezes vidas – da mulher, dos filhos ou do parceiro – estão em risco. Agudos ou crônicos, sinais e sintomas dos sofrimentos e abusos se distribuem por todo o corpo: desde diarréias, sangramentos vaginais, doenças sexualmente transmissíveis, dores de cabeça, musculares, abdominais e no peito, até depressão, ansiedade, negligência dos autocuidados, abuso de álcool e outras drogas e suicídio.</p>
<p><strong>&#8211; Então, o que fazer?</strong></p>
<p>Violência à mulher é problema de saúde pública. Se pintar briga, discussão, desentendimento, ciúmes, sente-se para conversar com o parceiro. O ideal é resolver tudo por meio do diálogo, inclusive a eventual separação. Agora, se for difícil lidar sozinha com a situação, busque ajuda de amigos, familiares, organizações não-governamentais, delegacias da mulher. A violência pode aumentar de intensidade e colocar em risco você e sua família. Aja enquanto ela ainda não descambou para a tragédia.</p>
<p>“Em briga de marido e mulher se mete a colher, sim”, avança Lilia Schraiber, pondo abaixo um velho e arraigado ditado popular.  Bruno, ex-goleiro do Flamengo, usou-o em março para defender Adriano,  então colega de time, que havia batido na noiva.</p>
<p>&#8220;Muitas vezes a própria mulher não tem consciência da ameaça&#8221;, observa Lilia Schraiber.    Se é  você amiga, vizinha ou parente, dê-lhe um toque. Se perceber que a situação está fora de controle, não hesite em chamar a polícia. O silêncio e o imobilismo são cúmplices da violência. Os comportamentos agressivos transgridem os direitos humanos. Questão de respeito ao direito e à dignidade da pessoa.</p>
<p><strong>&#8211; Mas os homens também não são vítimas de violência doméstica, não são?</strong></p>
<p>Com certeza, são. Mas as grandes vítimas da violência doméstica são as mulheres, as crianças (os meninos, mais a física; e as meninas, mais a sexual) e os idosos. Tanto que, segundo estudos feitos no Brasil e no exterior, mais de 90% das violências perpetradas contra a mulher ocorrem no ambiente familiar, e o agressor é pessoa conhecida – freqüentemente, o parceiro. Já entre os homens é o inverso. Mais de 90% dos atos de violência são cometidos por outros homens, geralmente desconhecidos, e em espaços públicos.</p>
<p>“Apesar dessas diferenças de taxas, toda e qualquer violência deve ser prevenida: no espaço público e privado, contra mulheres, homens, crianças e idosos”, frisa Lilia. “De novo, uma questão de respeito ao direito e à dignidade humana.”</p>
<p><strong>COMO SE PROTEGER MAIS: USE ESTAS ARMAS A SEU FAVOR </strong></p>
<p><strong> </strong><a href="http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/images/stories/PDF/violencia/lei_maria_da_penha.pdf" target="_blank"><strong>Conheça a Lei Maria da Penha na íntegra</strong></a> – Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.</p>
<p><a href="http://sistema3.planalto.gov.br/spmu/atendimento/atendimento_mnulher.php"><strong>Central Disque 180</strong></a> –  É o disque-denúncia para violência contra a mulher. Vale para todo o território nacional, e a ligação é gratuita. Atende todos os dias, inclusive finais de semana e feriados, durante as 24 horas.</p>
<p>A Central funciona com atendentes capacitadas em questões de gênero, nas orientações sobre o enfrentamento à violência contra a mulher e, principalmente, na forma de receber a denúncia e acolher as mulheres.</p>
<p>Além de encaminhar os casos para os serviços especializados, a Central fornece orientações e alternativas para que a mulher se proteja do agressor. Ela é informada sobre seus direitos legais, os tipos de estabelecimentos que pode procurar, conforme o caso, dentre eles as delegacias de atendimento especializado à mulher, defensorias públicas, postos de saúde, instituto médico legal para casos de estupro, centros de referência, casas abrigo e outros mecanismos de promoção de defesa de direitos da mulher.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cfemea.org.br">Cfemea</a> </strong><strong></strong>– Oferece informações sobre legislação e direitos da mulher.</p>
<p><strong><a href="http://www.sepm.gov.br">Secretaria de Políticas para Mulheres</a></strong> – Entre outros assuntos, contém uma relação de serviços de atendimento específicos para a mulher.</p>
<p>Reiteramos. Em briga de marido e mulher, namorado e namorada, companheiro e companheira,  se mete a colher, sim! É por todas nós, mulheres. É também por todos vocês, homens.</p>
<p><em><strong>Nota do Viomundo</strong>: O livro</em><a href="http://www.manole.com.br"><em> <strong>Saúde &#8212; A hora é agora,</strong> publicado pela <strong>editora Manole</strong></em></a><em>, tem como autores a repórter Conceição Lemes, o médico Mílton de Arruda Martins, professor titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, e o médico Mario Ferreira Junior, responsável pelo Centro de Promoção de Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo</em>.</p>
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		<title>Check-up da próstata, fazer ou não?</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/check-up-anual-de-prostata-fazer-ou-nao.html</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Jun 2010 12:25:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[É polêmico, embora seja o segundo câncer mais comum entre os brasileiros.  Médicos debatem prós e contras ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os brasileiros. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, era de que, em 2002, ocorressem no país 25.600 novos casos da doença. Para 2010, calcula 52.350.</p>
<p>Um salto de 104% em nove anos devido especialmente ao aumento de diagnósticos. Nisso, a mídia tem ajudado, estimulando a detecção precoce. Há duas estratégias. Uma, para indivíduos que apresentam sintomas ou sinais iniciais da doença. É o diagnóstico precoce. Outra, àqueles aparentemente saudáveis, sem qualquer sinal ou sintoma. É o que os médicos denominam rastreamento.</p>
<p>O diagnóstico precoce é inquestionável. É consenso no mundo inteiro. O mesmo não acontece com rastreamento destinado à população masculina em geral.</p>
<p>“Eu não tenho dúvida de que é preciso rastrear, detectar e tratar o câncer de próstata em homens saudáveis, assintomáticos”, afirma urologista Sidney Glina, professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do ABC. “O câncer de próstata só mata menos do que o de pulmão. O óbito ocorre, em média, 12 anos após o seu início. Se aos 50 anos o indivíduo tem câncer de próstata e não se tratar vai morrer com 62. Portanto, o rastreamento tem impacto positivo na vida.”</p>
<p>“Não se tem ainda grandes evidências de que diminua a mortalidade se o câncer de próstata for tratado antes de os sintomas aparecerem, fazendo o paciente viver mais e melhor”, diverge o clínico geral Arnaldo Lichtenstein, do Hospital das Clínicas de São Paulo e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. “Além disso, o tratamento tem efeitos colaterais importantes.”</p>
<p>Essa discordância no meio acadêmico retrata um grande debate que ocorre no mundo inteiro.</p>
<p>Sociedades de especialistas, como a American Cancer Society, American Urology Association e Sociedade Brasileira de Urologia, são a favor do rastreamento. Recomendam anualmente o toque retal e do PSA em homens saudáveis, sem sintomas, a partir dos 50 anos. Caso exista história familiar de câncer de próstata, a partir dos 40.</p>
<p>Já a US Preventive Services Task Force e a Canadian Task Force, respeitados organismos multidisciplinares independentes, e o National Institute of Cancer, dos EUA, contra-indicam o check-up anual em homens assintomáticos, sem histórico familiar. No Brasil, o Inca e o Centro de Promoção de Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo também.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>TEM ALGUMA DIFICULDADE PARA URINAR?</strong></p>
<p>Estranhou? Ficou confuso, por que não é o que normalmente aparece na mídia?</p>
<p>Calma. Antes de avançarmos, atente aos sintomas abaixo e responda:</p>
<p>* É comum a sensação de não esvaziar completamente a bexiga aós terminar de urinar?</p>
<p>* Tem vontade urinar menos de 2 horas após ter urinado?</p>
<p>* Ao urinar, parou e recomeçou várias vezes?</p>
<p>* O jato de urina anda fraco?</p>
<p>* Tem de fazer força para começar a urinar?</p>
<p>* Tem de se levantar duas, três, quatro vezes à noite para urinar?</p>
<p>Quanto mais <em>sim</em>, maior a intensidade dos sintomas. Mas eles – atenção! – não significam que a doença seja maligna ou benigna. É apenas o que o homem está sentindo em decorrência de prováveis alterações na próstata.  Vá ao médico.</p>
<p>O que tem a ver dificuldade de urinar com próstata? Muito. A razão é a posição dela. Situada logo abaixo da bexiga e em frente ao reto, ela fica em volta da uretra.</p>
<p>A próstata é uma glândula, seu formato e tamanho assemelham-se ao de uma castanha portuguesa e pesa cerca de 20 gramas. É órgão fundamental do aparelho reprodutor masculino. Sua função principal é produzir a secreção que participa do esperma, o líquido expelido pelos homens durante a ejaculação. A secreção prostática representa 30% do volume ejaculado. Serve como meio de transporte, alimento e proteção para os espermatozóides durante o seu percurso na vagina rumo à fertilização. E, ao contrário do que muitos imaginam, não tem nenhum papel na ereção peniana.</p>
<p>“Três enfermidades podem afetar a próstata”, explica Glina.  “A prostatite [infecção], a hiperplasia benigna [crescimento benigno da glândula] e o câncer.”</p>
<p>Imagine uma maçã. A casca equivale à região periférica da glândula: é onde nasce a maioria dos cânceres. O miolo, onde ficam os caroços, é a zona central: local onde mais freqüentemente ocorrem as prostatites. A parte maior, que é a polpa, equivale à região de transição: é onde surge a hiperplasia benigna da próstata, disparado a mais freqüente das enfermidades da glândula.</p>
<p>“Geralmente no início, o câncer de próstata é silencioso, não dá sintomas”, previne Lichtenstein. “Independentemente disso, ao sentir dor ou desconforto na micção ou notar alguma mudança no fluxo da urina, não empurre com a barriga, busque ajuda médica, pois alguma alteração há.”</p>
<p><strong>OPERAÇÃO ÀS VEZES DESNECESSÁRIA E MUTILANTE</strong></p>
<p>Especificamente em relação ao câncer de próstata, sabe-se que:</p>
<p>1) A genética é fator importante. Homem cujo pai ou irmão teve câncer de próstata antes dos 60 anos tem 3 a 10 vezes mais risco de desenvolver a doença do que a população em geral.</p>
<p>2) Obesidade e alimentação parecem favorecer a doença. Na Ásia, é baixa a incidência . Porém, quando os asiáticos migram para os países ocidentais, a geração seguinte tem a mesma prevalência que a população branca.</p>
<p>3) A sua incidência aumenta após os 50 anos. É considerado um câncer da terceira idade, já que 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.</p>
<p>4) Estudos demonstram a presença de câncer de próstata em 30% das necropsias feitas em homens acima de 80 anos. Porém, menos de 5% desses óbitos são devido ao tumor. Ou seja, em um grande contingente de homens a doença jamais evoluirá.</p>
<p>5) Há dois tipos de tumores de próstata. Os que crescem rapidamente e se espalham para outros órgãos (metástases), podendo levar à morte em alguns meses, se não diagnosticados e tratados bem cedo. E os que se desenvolvem lentamente – demoram aproximadamente 15 anos para atingir 1  centímetro cúbico &#8211;, e não chegam a dar sinais durante a vida e nem ameaçar a saúde do homem. Esse segundo tipo corresponde à maioria dos casos.</p>
<p>“A questão é que não existe exame que nos permita saber se o tumor é do primeiro ou do segundo tipo”, adverte Lichtenstein. “Operam-se então homens sem necessidade, e a cirurgia pode causar disfunção erétil [antes denominada impotência sexual] e incontinência urinária.”</p>
<p>“Provavelmente tratamos mais do que seria preciso”, reconhece Glina, “e o tratamento é mutilador, e o pós-operatório, chato. Esse é o problema”.</p>
<p>A cirurgia chama-se prostatectomia radical. Feita com anestesia geral, remove a glândula inteira e os tecidos ao redor. Incontinência urinária é um dos riscos. A operação pode lesar a musculatura que segura a urina na bexiga. Em conseqüência, 2% a 5% perdem totalmente a capacidade de conter a urina e têm de usar fralda o tempo todo. Cerca de 10% deixam escapar um pouco quando riem, tossem ou fazem esforço e precisam usar um pequeno absorvente.</p>
<p>Outro risco é a disfunção erétil. Inicialmente, todos ficam impotentes. Com o tempo, 30% a 50% recuperam naturalmente a ereção. Mas em 50% a 70% a cirurgia causa disfunção erétil, já que os nervos da ereção passam ao lado da próstata e muitas vezes não dá para preservá-los. A disfunção erétil pode ser tratada com medicamentos orais, injeções no pênis e prótese peniana.</p>
<p>“Em alguns casos, pode ser feita radioterapia em vez da cirurgia”, avisa Glina. “A radioterapia provoca menos efeitos colaterais.”</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>PSA AUMENTADO NÃO SIGNIFICA SEMPRE TUMOR MALIGNO</strong></p>
<p>E o PSA? E o toque retal?&#8211; muitos já devem estar cobrando.</p>
<p>O toque retal é o teste mais usado. Porém, como somente as porções posterior e lateral da próstata podem ser palpadas, 40% a 50% dos tumores ficam fora do seu alcance. Daí ser usado em combinação com a dosagem do PSA no sangue.</p>
<p>O antígeno prostático específico é produzido pelas células epiteliais da próstata e não pela célula cancerosa, especificamente. Resultado: o PSA altera-se não apenas quando há câncer, mas também prostatite e hiperplasia benigna da próstata, assim como após a ejaculação e a realização de citoscopia (endoscopia das vias urinárias).</p>
<p>PSA abaixo de 4 ng/ml é considerado normal. Porém, hoje se usa mais 3 a 3,5. Para alguns especialistas, resultado negativo só quando o PSA for abaixo de 2,5 ng/ml. Ou seja, não há consenso.</p>
<p>“Como o PSA alterado não diferencia a doença, torna-se necessária a biópsia da próstata, feita em 18 a 20 fragmentos”, afirma Glina. “Cerca de 70% dos casos  não são positivos para câncer, pois o PSA é um mau marcador tumoral. Mas é o único que temos. Infelizmente, ainda não há um método melhor para separar o tumor maligno das demais doenças.”</p>
<p>“O PSA elevado é apenas o início do processo que pode passar pela biópsia e chegar à cirurgia”, salienta Lichtenstein. “A biópsia é incômoda e gera muita ansiedade. Se for câncer, opera-se, correndo o risco dos efeitos colaterais. Por isso, não vale a pena fazer check-up prostático anual em  homens saudáveis. Acaba-se operando demais.”</p>
<p>“Vale a pena, sim, ‘ir atrás’ do tumor de próstata em homens saudáveis”, reafirma Glina. “O diagnóstico precoce terá impacto na sobrevida, principalmente nos mais jovens. Já há dados no mundo todo, inclusive do DataSUS de São Paulo, mostrando que a mortalidade pelo câncer de próstata vem caindo. Isso se deve ao fato de rastrear o câncer próstata entre os homens saudáveis após os 50 anos e a partir dos 40, em quem tem história familiar desse tumor.”</p>
<p>“Mas se for do tipo que não mata e o indivíduo ficar apenas com os ônus da cirurgia?”, Lichtenstein vai ao x da  questão. “Só tem sentido o rastreamento no dia em que houver um marcador para o tumor agressivo, ou tratamento que não deixe seqüelas ou evidências científicas de que o que tratar o câncer da próstata antes de os sintomas aparecerem faz o indivíduo viver mais ou melhor. Enquanto isso, check-up anual de próstata em homens saudáveis, sem antecedentes familiares , não deve ser política de saúde pública.”</p>
<p><strong>DISCUTATUDO ISSO COM SEU MÉDICO</strong></p>
<p>Sidney e Arnaldo são médicos muito competentes, atualizados e éticos. Além disso, amigos. Mas essa discussão é sem fim.  É um Fla-Flu, mesmo, pelo menos por enquanto. E não estão sozinhos.</p>
<p>No mundo inteiro, a comunidade científica busca uma resposta consistente, definitiva,  para esta pergunta: a procura de câncer de próstata em homens saudáveis, sem histórico familiar da doença, traz benefícios, reduzindo a mortalidade?</p>
<p>A expectativa era a de que dois grandes estudos – um europeu e outro estadunidense – com milhares de homens, divulgados em 2009, responderiam a questão. Mas não, ela continua em aberto.</p>
<p>O estudo estadunidense acompanhou 75 mil pacientes durante 11 anos. Concluiu que não há diferença de mortalidade entre rastrear ou não homens homens saudáveis, assintomáticos, acima dos 50 anos. Esse estudo foi contestado no mundo inteiro, pois  58% dos participantes do grupo controle fizeram o PSA por conta própria.</p>
<p>O estudo europeu envolveu 180 mil homens por 10 anos. Verificou que para evitar uma morte foram necessários 1.400 PSA e 50 tratamentos, dos quais 20 ou 30 ficaram impotentes. Para os epidemiologistas, é número muito alto de diagnósticos e de disfunção erétil para salvar uma vida.</p>
<p>Daí a US Preventive Services Task Force, a Canadian Task Force, o National Institute of Cancer, dos EUA, o Inca e o Centro de Promoção de Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo continuarem não recomendando a avaliação em homens aparentemente saudáveis, sem histórico familiar.</p>
<p>“Só se recomenda o rastreamento populacional, quando o exame é fácil de fazer, detecta a doença no início, ela é frequente e o tratamento precoce muda o curso dela”, esclarece Lichtenstein. “Isso está comprovado para hipertensão, diabetes e câncer do colo do útero. Para o câncer de próstata, ainda não.”</p>
<p>“Só que quando o câncer de próstata dá sintomas, a doença já se disseminou”, alerta Glina.  “Aí, o tratamento é paliativo, não há mais chance de cura.”</p>
<p>Diante desses prós e contras, o que fazer?</p>
<p>Se você tem histórico familiar de câncer de próstata, não há o que discutir. A recomendação é unânime:  faça a avaliação  anual a partir dos 40 anos. Isso implica toque retal e PSA.</p>
<p>Tendo dor, desconforto ou sintomas urinários, procure ajuda médica também, qualquer que seja a sua idade.</p>
<p>Se você tem 50 anos ou mais, está saudável, a decisão de fazer o check-up anual de próstata é sua. Discuta com o seu médico. Questione-os sobre os prós e contras.</p>
<p>O economista Carlos Vieira, 59 anos, faz desde os 50: “Fico mais tranqüilo”.</p>
<p>O colega de trabalho Marcos Pacheco, 57, não: “Enquanto não estiver comprovado que vale a pena em homens saudáveis, não farei. Pelo menos, até os sintomas aparecerem – se aparecerem &#8212; vou ser feliz”.</p>
<p>Mas qualquer que seja a sua decisão, cuidado com os espertalhões. “Tem médico que fala que opera com robô e garante 100% de potência no pós-operatório”, alerta Glina. “Isso é mentira.”</p>
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		<title>Ministério da Saúde alerta:18,9% dos brasileiros abusam do álcool</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 20:32:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA["beber pesado"]]></category>
		<category><![CDATA[abuso de álcool]]></category>
		<category><![CDATA[acidente trânsito]]></category>
		<category><![CDATA[Conceição Lemes]]></category>
		<category><![CDATA[cresce abuso de álcool no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[efeitos agudos do abuso de álcool]]></category>
		<category><![CDATA[heavy drinking]]></category>
		<category><![CDATA[Laura Helena Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[o que é beber com moderação]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa do Ministério da Saúde sobre abuso de álcool]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção]]></category>

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		<description><![CDATA[E você, já fez o teste? A questão não é o alcoolismo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por<strong> Conceição Lemes</strong></p>
<p>Os brasileiros relatam cada vez episódios de abuso de bebida alcoólica. É o que revela pesquisa <em>Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico</em> (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP). Entrevistou 54 mil adultos.</p>
<p>“Em 2006, 16,2% da população referiram consumo excessivo de álcool; em 2009, cresceu para 18,9%”, observa Deborah Malta, coordenadora de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde. “O levantamento mostra que as situações de descontrole são mais entre os homens. Em 2009, 28,8% dos homens e 10,4% das mulheres beberam demais.”</p>
<p>O Ministério da Saúde considera abuso de bebida alcoólica o consumo cinco ou mais doses na mesma ocasião em um mês, no caso dos homens, ou quatro ou mais doses, no caso das mulheres.</p>
<p>“Esse nível de consumo de bebida é bastante elevado e preocupante, pois é fator de risco para acidentes de trânsito, violência e doenças. Mas nem sempre isso é lembrado porque o álcool está presente na cultura brasileira, associado ao lazer e à celebração”, interpreta Deborah Malta.</p>
<p><strong>VOCÊ BEBE MODERADA OU ‘‘PESADAMENTE”?</strong></p>
<p>Os dados do Vigitel se assemelham aos de outros estudos feitos no Brasil.. Um deles é a pesquisa sobre o padrão de consumo de álcool e seus riscos na cidade de São Paulo, coordenada pela médica psiquiatra Laura Helena Andrade, responsável pelo Núcleo de Epidemiologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e professora colaboradora da Faculdade de Medicina da USP.</p>
<p>“Pensou em dificuldades com bebida alcoólica, a imensa maioria das pessoas pensa na alcoolismo – a dependência que vem com o uso crônico, por tempo prolongado”, observa a médica Laura Andrade. “Ou seja, só considera problema quem fica doente por causa do álcool. Esse grupo é minoria. Mas existe outro problema, muito mais abrangente, que é o padrão de beber da população.”</p>
<p>“Existe uma porção de gente que, numa sentada, bebe a ponto de se intoxicar, se expondo a comportamentos de risco”, ressalta a professora Laura. “É o <em>heavy drinking</em>, ou beber ‘pesado’.”</p>
<p>“O que é o <em>heavy drinking</em>, ou beber ‘pesado’”?</p>
<p>Bem, desde que você não vá dirigir, tudo bem, de vez em quando, se reunir com amigos, parceiros, familiares para celebrar, conversar, comer e “tomar alguma coisa”. Em geral, em pequenas doses, o álcool deixa as pessoas mais relaxadas, alegres e descontraídas, sem ameaçar a saúde. É o famoso <strong><em>beba com moderação</em></strong>.</p>
<p>E você, bebe com moderação? Pelo sim, pelo não, que tal fazer um teste bem simples preparado pela doutora Laura? Vamos lá? Primeiro, os homens. Pensem no consumo de bebida alcoólica no último mês. Você lembra de ter consumido em um único <em>happy hour, </em>balada, festa, evento:</p>
<p>1) Cinco latinhas de cerveja ou de garrafa pequena (<em>long neck</em>)?</p>
<p>2) Três garrafas normais de cerveja?</p>
<p>3) Cinco doses de uísque, vodca, aguardente ou rum? <em>Uma dose, aqui, é aquela medida de dosador de destilados, que contém 36 ml. Normalmente, a “dose” de bares e restaurantes contém duas doses de destilado</em>.</p>
<p>4) Três caipirinhas de vodka ou de aguardente? <em>Em geral, são usadas duas ou mais doses do destilado para fazer uma caipirinha.</em></p>
<p>5) Cinco taças ou copos de vinho?</p>
<p>Agora, as mulheres. Pensem também no consumo de bebida alcoólica no último mês. Você lembra de ter consumido num único <em>happy hour, balada, festa</em>, evento:</p>
<p>1) Quatro latinhas de cerveja ou de garrafa pequena (<em>long neck</em>)?</p>
<p>2) Duas garrafas normais de cerveja?</p>
<p>3) Quatro doses de uísque, vodca, aguardente ou rum? <em>Vale a explicação dada na pergunta dirigida aos homens</em>.</p>
<p>4) Duas caipirinhas de vodka ou de aguardente? <em>Lembre-se de que</em>, <em>em geral, são usadas duas ou mais doses do destilado para fazer uma caipirinha.</em></p>
<p>5) Quatro taças ou copos de vinho?</p>
<p>“Se respondeu <strong><em>não</em></strong> às cinco questões, significa que é você um (a) bebedor (a) moderado (a)”, diagnostica Laura. “Já o <strong><em>sim</em></strong> a qualquer uma das alternativas indica que você ultrapassou o limite da moderação; é um (a) bebebor (a) ‘pesado’ (a), ainda que ocasional.”</p>
<p>O chamado <em>heavy drinking</em>, ou beber “pesado”, significa o homem consumir cinco doses de álcool numa sentada; a mulher, quatro, já que seu organismo é naturalmente mais suscetível aos efeitos do álcool. “Uma vez por mês já é suficiente para se dizer que a pessoa tem padrão <em>heavy</em>”, justifica Laura. “Ele é bastante freqüente.”</p>
<p>Uma dose de álcool equivale ao consumo de uma latinha de cerveja (350 ml) <strong><em>ou</em></strong> de uma taça de vinho (de 120 ml) <strong><em>ou </em></strong>de uma dose de uísque, rum, vodca, aguardante ou outro destilado (36 ml). Num daqueles copinhos tradicionais de pinga, uma dose de destilado “pega” um pouco acima da segunda listra.</p>
<p>“Então se eu beber todo dia três doses sou bebedor moderado?”</p>
<p>Não.  Considera-se que um homem beba com moderação quando não ultrapassa 14 doses por semana; a mulher, 7 doses. “Acima disso por semana”, adverte Laura, “é um padrão de beber de risco, que pode levar à dependência.”</p>
<p><strong>PADRÃO <em>HEAVY</em> E RISCOS LIGADOS À INTOXICAÇÃO</strong></p>
<p>“É incrível como boa parte dos bebedores ‘pesados’ não tem noção de que ultrapassam o limite da moderação”, observa Laura. “Tanto o padrão <em>heavy </em>ocasional quanto o <em>heavy </em>e<em> </em>freqüente estão associados diretamente a vários problemas devido à intoxicação ou à ação biológica do álcool , independentemente de gênero.”</p>
<p>A lista de possíveis conseqüências imediatas da intoxicação pelo álcool é extensa:</p>
<p>* Estimula a violência doméstica e de rua.</p>
<p>* Favorece acidentes de trânsito (carro, moto, bicicleta, atropelamentos), no trabalho (operação de máquinas) e em casa (quedas). É que, mesmo em baixas doses, diminui os reflexos e a coordenação motora.</p>
<p>* Contribui para relação sexual sem proteção, ou seja, sem camisinha. Aumenta, assim, o risco de HIV, outras doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez não planejada.</p>
<p>* Prejudica a memória e o raciocínio.</p>
<p>* Aflora ou agrava dificuldades emocionais.</p>
<p>* Pode causar arritmia cardíaca: alteração dos batimentos cardíacos, causando palpitação; às vezes, essa alteração leva à morte.</p>
<p>“O padrão <em>heavy</em> nem sempre leva à dependência”, frisa Laura. “Porém, há risco, sim, de a pessoa perder o controle. E, ‘apesar dos problemas por causa da bebida’, continuar bebendo. É o que denominamos abuso do álcool. Se continuar bebendo assim,  pode chegar à dependência..”</p>
<p><strong>BEBA COM MODERAÇÃO. NUNCA DIRIJA DEPOIS! </strong></p>
<p>Por tudo isso, <strong>atenção:</strong></p>
<p>1) Se não bebe, não se sinta compelido (a) a começar só porque os seus amigos bebem.</p>
<p>2) Se beber, faça-o – sempre! &#8212; com moderação.  A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como de baixo risco até duas doses de álcool por ocasião/dia para um homem e uma dose/dia para mulher.</p>
<p>3) Se estiver grávida, nem uma dose de bebida alcoólica. Há maior risco de aborto e de malformações.</p>
<p>4) Bebida alcoólica também é contra-indicada a quem sofre de doença no fígado ou no pâncreas, utiliza remédios que interagem com o álcool, como antidepressivos, ansiolíticos, antialérgicos e certos antibióticos.</p>
<p>5) Ao beber, faça-o junto com as refeições. O alimento ajuda a competir com o álcool na hora da absorção, tornando-a mais lenta.</p>
<p>6) Beba devagar. Beber deve ser para celebrar, confraternizar, e não para afogar as mágoas e tristezas nem resolver desencantos e dificuldades. O maior espaçamento entre os drinques faz a metabolização do álcool ocorrer aos poucos.</p>
<p>7) Se beber qualquer que seja a quantidade, não dirija carro ou moto nem ande de bicicleta. “Em hipótese alguma”, reforça a professora Laura Helena Andrade.  Vá de metrô, ônibus, táxi, ou peça a alguém que não bebeu para guiar. Você protege a sua vida, a das pessoas de quem gosta e a de quem está passando por perto. Afinal, bebida é para ser curtida e não para causar infelicidade, dor, sofrimento.</p>
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		<title>Vai assistir à Copa na África do Sul? Três vacinas são necessárias</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/vai-assistir-a-copa-na-africa-do-sul-vacine-se-contra-febre-amarela-sarampo-e-rubeola.html</link>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 02:01:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[A recomendação é do Ministério da Saúde. Saiba por quê]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Conceição Lemes</strong></p>
<p>Quem se lembra que, durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, havia um surto de sarampo em vários países da Europa, e o Ministério da Saúde (MS) orientou quem fosse assistir aos jogos lá a se vacinar contra a doença? O cuidado faz parte da medicina do viajante. Varia de acordo com os surtos que ocorrem no mundo.</p>
<p>Pois, agora, a quem vai acompanhar os jogos na África do Sul, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra rubéola, sarampo e febre amarela. É a orientação também da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS)</p>
<p>“O certificado de vacinação contra a febre amarela é obrigatório para a entrada na África do Sul, pois temos a doença aqui”, explica o médico epidemiologista Eduardo Hage, diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria do MS. “Já as vacinas de sarampo e rubéola são recomendações nossas, para evitar que você adquira uma dessas doenças lá, atrapalhando o passeio, e a importação dos vírus causadores delas.”</p>
<p>A febre amarela existe em alguns lugares do Brasil assim como em vários outros países do mundo. Daí a exigência do governo sul-africano. O sarampo e a rubéola são de fácil transmissão. E ambas tiveram a transmissão interrompida no Brasil. Desde 2006, não há registro de transmissão de sarampo aqui. Os poucos casos são importados. Já a rubéola, em 2008, o Brasil pediu à Organização Mundial de Saúde, certificado de país livre da doença.</p>
<p>As vacinas devem ser tomadas com, pelo menos, dez dias antes do embarque, para terem eficácia total. São gratuitas na rede pública de todo o país. A vacina de sarampo integra a chamada MMR, que também protege contra caxumba e rubéola. Dose única.</p>
<p>&#8220;Deve tomar as vacinas de rubéola e sarampo quem não se recorda de ter tido essas doenças na infância nem se imunizado contra elas&#8221;, observa Hage.</p>
<p>A vacina de febre amarela só é disponível nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais e nos aeroportos. Uma dose de reforço deve ser tomada a cada 10 anos. Portanto, se você mora ou viajou para área de risco da doença no Brasil e já tomou a vacina nesse período, não se imunize de novo.</p>
<p>O viajante precisa levar seu passaporte e o cartão de vacinação assinado a um Centro de Orientação ao Viajante da Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa), para obter o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia da febre amarela.</p>
<p>“Muitas pessoas deixam para validar o cartão no aeroporto, um pouco antes do embarque e, aí, podem ter surpresas desagradáveis”, adverte Hage. “Por exemplo, o centro da Anvisa estar fechado no momento do embarque ou o cartão ter falhas no preenchimento.” Há centros em quase todos os portos e aeroportos do país. Para atendimento mais rápido, cadastre-se primeiro no Sistema de Informações de Portos, Aeroportos e Fronteiras, disponível na internet pelo endereço: <a href="http://www.anvisa.gov.br/viajante"><strong>www.anvisa.gov.br/viajante</strong></a></p>
<p><strong>REPELENTE, FILTRO SOLAR E REMÉDIOS</strong><br />
Para quem vai à Copa e fará turismo fora das áreas urbanas, o Ministério da Saúde recomenda:</p>
<p>* Use repelente nesses passeios; é essencial para afastar os insetos, que podem transmitir doenças, como dengue, malária, febre amarela e febre maculosa.</p>
<p>* Vista camisas de mangas compridas (preferencialmente cores claras), calças compridas e sapatos fechados, para se proteger de picadas de insetos.</p>
<p>* Examine o corpo a cada três horas para verificar a presença de carrapatos. Existem carrapatos em todo o mundo, inclusive no Brasil. Se eles estiverem contaminados pela bactéria responsável pela febre maculosa, eles podem transmitir a doença que causa febre aguda.</p>
<p>* Caso encontre carrapatos grudados na pele,  retire-os com uma pinça (de sobrancelhas serve). Não os esmague com as unhas, pois isso pode liberar as bactérias (caso ele esteja contaminado) e infectar partes do seu corpo.</p>
<p>O Ministério da Saúde lembra ainda:</p>
<p>* Não se esqueça do filtro solar. Passe-o nas partes do corpo expostas ao sol.</p>
<p>* Leve na bagagem de mão (nunca na mala) os medicamentos de uso contínuo ou controlado, como para hipertensão, diabetes e asma. A entrada de medicamentos de uso pessoal em outros países poderá sofrer fiscalização sanitária. Obtenha a prescrição médica da quantidade de medicamentos necessária para sua estada. Em caso de remédios líquidos, como xaropes, os frascos deverão ter a capacidade máxima de 100 ml. Coloque-os em embalagem plástica transparente e bem vedada. Líquidos em quantidades maiores são proibidos em bagagens de mão. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), há exceções. Por exemplo, alguns artigos medicamentosos com a devida prescrição médica, alimentação de bebês e líquidos de dietas especiais, na quantidade necessária a serem utilizados no período total de vôo, incluindo eventuais escalas. Devem ser apresentados no momento da inspeção.</p>
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		<title>Ciladas que homens criam para a própria vida sexual</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/desinformacao-pode-causar-impotencia-sexual-e-infertilidade.html</link>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 22:50:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[álcool]]></category>
		<category><![CDATA[cocaína]]></category>
		<category><![CDATA[desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[disfunção erétil]]></category>
		<category><![CDATA[educação sexual]]></category>
		<category><![CDATA[impotência sexual]]></category>
		<category><![CDATA[infertilidade masculina]]></category>
		<category><![CDATA[maconha]]></category>
		<category><![CDATA[pílulas facilitadoras da ereção]]></category>
		<category><![CDATA[Tabaco]]></category>

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		<description><![CDATA[Podem causar impotência e infertilidade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p>O medo de infertilidade e principalmente de disfunção erétil (antigamente denominada impotência sexual) ronda a cabeça de homens das mais diferentes idades. Ambas podem decorrer de fatores orgânicos e/ou emocionais.</p>
<p>“O problema é que, por desinformação, muitas vezes os homens caem em ciladas que eles criam para si próprios no dia a dia”, afirma o urologista Sidney Glina. “Na prática, são o grande obstáculo à fertilidade e à potência sexual masculinas plenas. Infelizmente já vi muitos pacientes com problemas sexuais ou de fertilidade por causa de alguns  &#8216;hábitos&#8217;.&#8221;</p>
<p>Sidney Glina é muito respeitado pelos próprios colegas. Já foi presidente da Sociedade Internacional de Pesquisa de Disfunção Erétil e da Sociedade Brasileira de Urologia.  Atualmente, é professor livre-docente de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC e chefe da Clínica Urológica do Hospital Ipiranga, em São Paulo.</p>
<p><strong>Viomundo –  O senhor atende em serviços públicos e no consultório particular. Qual a cilada mais comum entre os jovens, por exemplo ?</strong><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>– É o uso sem necessidade das facilitadoras de ereção [Cialis, Helleva Levitra, Viagra, Vivanza]. Eles correm o grande risco de ficar psicologicamente dependentes, e, aí, só funcionarem na base da medicação. Portanto,  uma armadilha.</p>
<p><strong>Viomundo – Por favor, explique melhor.</strong><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>&#8211;  Há basicamente três tipos de usuários dessas pílulas. Os pacientes que vão ao médico devido a dificuldades de ereção, e o médico prescreve. Há os homens maduros que querem dar uma turbinadinha para uma relação sexual eventual, principalmente na hora do almoço. Normalmente, eles não usam a medicação freqüentemente. E há um contingente, provavelmente o maior,  de homens que utilizam o remédio devido a medo ou insegurança. São principalmente jovens, inclusive adolescentes.</p>
<p><strong>Viomundo – Como  eles podem vir a ter disfunção erétil?</strong><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>– Esses homens, jovens e adolescentes têm um ponto em comum: ereção perfeita mas que, seduzidos pela propaganda, recorrem a uma das pílulas existentes no mercado, para “mostrar serviço” ou “ter certerza de que o pênis vai funcionar”. Eles sabem que o remédio pode dar ajudazinha. Então, na primeira vez, usam geralmente com a namorada nova. Aí, na próxima saída, eles usam também, pois receiam que não dê certo. E, assim, vão usando sucessivamente. A brincadeira pode acabar mal. Com o tempo, esses indivíduos têm grande probabilidade de ficar dependentes psicologicamente da medicação. Começam a achar que só funcionam na base da medicação. E, se não usarem, podem realmente falhar. É uma das causas de disfunção erétil psicológica.</p>
<p><strong>Viomundo – Que outras ciladas os homens armam contra a própria potência sexual e/ou fertilidade? </strong><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>– Há várias. A boa ereção depende não apenas do psiquismo “inteiro”, mas de nervos, artérias, veias, hormônios e músculos envolvidos no processo também íntegros. Por isso, ao usar cocaína o homem corre risco de promover danos à ereção. Explico. A cocaína mesmo consumida eventualmente e em pequenas doses pode levar à atrofia da musculatura dos corpos cavernosos, ou seja, das estruturas do pênis que, uma vez cheias de sangue, permitem a ereção. Com a manutenção do hábito, a lesão é irreversível. Aí, só prótese peniana. A cocaína afeta pouco a fertilidade masculina.</p>
<p><strong>Viomundo – E a maconha? </strong><strong><br />
<strong></strong></strong></p>
<p><strong><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong></strong>– Compromete menos a ereção do que a cocaína. O que a maconha pode provocar, assim como a cocaína, é alteração na ejaculação. Ambas atrapalham a concentração, dificultando a excitação.  Assim, sob efeitos delas o indivíduo ejacula mal. Agora, a maconha, o crack e a heroína  contêm substâncias tóxicas aos espermatozóides, afetando-os profundamente. Mesmo usuários de fins de semana dessas drogas têm diminuição da qualidade dos espermatozóides. A maconha, especificamente, pode levar também à infertilidade masculina, reduzindo os níveis de testosterona [hormônio masculino produzido pelos testículos].</p>
<p><strong>Viomundo – E a bebida alcoólica? </strong><strong><br />
<strong></strong></strong></p>
<p><strong><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong></strong>– Em excesso, o álcool, entre outras conseqüências à saúde, lesa os nervos penianos. Assim, a ordem enviada pelo cérebro aos corpos cavernosos para que se encham de sangue, não chega direito. O resultado é dificuldade para conseguir ter uma ereção. Segundo pesquisas, de 8% a 54% dos homens alcoólatras são impotentes. Além disso, homens que bebem freqüentemente têm mais dificuldade de engravidar suas parceiras por causa de dois problemas: ejaculação para trás, o que diminui o volume de espermatozóides no sêmen; ou insuficiência hepática, que pode levar à diminuição dos hormônios responsáveis pela produção dos espermatozóides.</p>
<p><strong>Viomundo – E o cigarro?</strong><strong><br />
<strong></strong></strong></p>
<p><strong><strong>Sidney Glina </strong></strong>– O cigarro interfere no número e na motilidade dos espermatozóides, reduzinho-os. Mas, não há nenhum trabalho científico demonstrando que  diminui a fertilidade. Já a potência sexual reduz, sim. A nicotina dificulta a entrada de sangue no pênis, conseqüentemente  a ereção. A quantidade de nicotina contida em dois cigarros é suficiente para inibir a ereção de adolescentes.  Para agravar, a longo prazo o cigarro leva à formação de placas de gordura nas artérias, estreitando-as, ou seja, pode comprometer a ereção no futuro. Cachimbo, charuto e cigarrilha acarretam os mesmos malefícios que o cigarro.</p>
<p><strong>Viomundo – Que outras armadilhas tem detectado? </strong><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>–As “bombas ”de anabolizantes, muito comuns em academias. No Brasil, são crescente causa de infertilidade. Por um mecanismo hormonal, fazem com que o indivíduo páre de produzir testosterona, impedindo a produção de espermatozóides. Em 10% a 20% dos casos, o dano é irreversível. Também por um mecanismo hormonal, as “bombas” levam à impotência sexual.</p>
<p><strong>Viomundo</strong> –<strong> É verdade que remédios contra quedas de cabelos à base de finasterida [Propecia, Pracap, Pro Hair, Finasterida Calvin, Finasterida Finastec, Finasterida Euro ou Finasterida Merck] podem causar infertilidade?</strong><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>– No estudo em que a Food and Drug Administration, a agência americana controladora de alimentos e remédios, se baseou para aprovar a finasterida, não afetou a fertilidade. O estudo da FDA foi feito com voluntários sadios durante seis meses.  Porém, num trabalho que fiz com pacientes com infertilidade, ficou comprovado que o uso crônico altera o sêmen. Trabalhos feitos por outros colegas no exterior comprovaram a mesma coisa: em homens inférteis, a finasterida pode agravar a infertilidade. Algumas vezes o paciente tem alguma outra causa de infertilidade, como a varicocele [varizes no escroto]. Aparentemente o uso da finasterida pode aumentar o efeito desta outra causa. Por isso, a recomendação a todo usuário de finasterida, que está tentando engravidar e não consegue, é suspendê-la. A produção de espermatozóides volta ao normal.</p>
<p><strong>Viomundo – Os efeitos de álcool, maconha, cocaína e cigarro sobre a potência e a fertilidade também são reversíveis? </strong><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>&#8211;  Nunca se pegou um indivíduo absolutamente adicto para fazer contagem de espermatozóides e verificar seis meses depois como estava a quantidade. Mas, é claro, que os efeitos dependem do tempo de uso, quantidade e sensibilidade individual a essas substâncias. Quanto maior o uso maior o risco e menor a possibilidade de reversão. O que a gente vê no consultório com usuários de fins de semana de maconha e cocaína, por exemplo, é alteração na motilidade dos espermatozóides.  Os espermatozóides  “andam” mais devagar, diminuindo a probabilidade de engravidar. Quando detecto isso, peço  para o paciente suspender a droga.</p>
<p><strong>Viomundo – Então o tratamento da infertilidade masculina e da impotência pode passar  pela suspensão dessas substâncias ?</strong><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>– Com certeza. E muitas vezes só isso basta para reverter o problema.</p>
<p><strong>Viomundo</strong> –  A esta altura, alguns leitores talvez estejam dizendo que isso é “caretice”, “nunca viram ninguém com impotência e/infertilidade por causa disso” e até que o senhor “está querendo tocar horror”. O que diria para eles?<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>– Infelizmente já vi, sim, muitos pacientes com problemas sexuais ou de fertilidade por causa destes “hábitos”. Recentemente atendi um que começou a tomar uma das pílulas para facilitar a ereção. No início, apenas um pedacinho do comprimido de 25mg. Dizia que era para dar uma turbinadinha. Agora, ele diz que a dose de 100mg já não funciona mais. Este paciente não tem nenhum problema orgânico! Tem apenas uma falta de confiança muito grande em si próprio.</p>
<p><strong>Viomundo</strong> <strong>– Afinal, qual a receita para o homem manter a potência sexual e a fertilidade?</strong><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>– É a mesma receita para ter boa saúde física e mental: 1) n ão abusar do álcool; 2) evitar maconha, cocaína, heroína, crack, ecstasy; 3) dar adeus ao tabagismo, qualquer que seja a sua idade; 4) evitar a obesidade ou emagrecer se estiver acima do peso.  Ao combater a combater a obesidade, por tabela, diminui-se o risco de impotência sexual e infertilidade masculina. A obesidade favorece ambas; 5) controlar a pressão arterial, os níveis de colesterol e de “açúcar” no sangue. São medidas fundamentais para manter a integridade de nervos, artérias e vasos sangüíneos de todo o corpo, inclusive do pênis, ajudando a evitar disfunção erétil; 6) praticar algum tipo de atividade física. O homem que caminha três vezes por semana durante 30 minutos tem mais chance de manter a potência sexual do que aquele que não faz exercício.</p>
<p><strong>Viomundo – O que receitaria mais? </strong><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Sidney Glina</strong><strong> </strong>– Educação sexual. Não existe medida preventiva mais efetiva contra a disfunção erétil. Todo homem tem medo potencial de ficar impotente. Não há como não ter. Mas, se entender como funciona a sexualidade, menor a probabilidade de ter impotência por problemas psicológicos, que é a maior parte dos casos. Por exemplo, não se obrigar a um número x de relações sexuais só para cumprir calendário. Transar em condições  adversas perturba o envolvimento erótico, portanto a ereção. Se falhar porque estava estressado, bebeu demais ou a garota, de repente, lhe desagradou, desencanar. Vai dormir, no dia seguinte levantará bem e terá uma relação sexual tranqüila. É vital também compreender e aceitar as alterações normais do desenvolvimento contínuo do homem.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>HIV-positivo: Direito a maternidade segura e filhos saudáveis</title>
		<link>http://www.viomundo.com.br/blog-da-saude/hiv-positivo-direito-a-maternidade-segura-e-filhos-saudaveis.html</link>
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		<pubDate>Tue, 11 May 2010 22:23:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conceição Lemes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog da Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Matéria equivocada da Folha estimula preconceito e discriminação]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Conceição Lemes</strong></p>
<p><strong>1984.</strong> Notificação do primeiro caso de aids em criança no Brasil. Inicialmente a transmissão é apenas sanguinea por transfusão ou produtos derivados de sangue contaminado pelo HIV, o vírus da aids.</p>
<p><strong>1985.</strong> É notificado o primeiro caso transmissão vertical, ou materno-infantil no País. O HIV passa da gestante infectada para o bebê. Torna-se a causa mais freqüente de transmissão de HIV em crianças.</p>
<p><strong>1996.</strong> Brasil incorpora o resultado do memorável estudo ACTG 076, feito em 1994, nos Estados Unidos. Ele comprovou que o uso do AZT pela gestante (antes e durante o parto) e pelo recém-nascido reduzia drasticamente a transmissão vertical.</p>
<p>O Ministério da Saúde (MS) passou então a garantir acesso ao AZT às gestantes HIV-positivas e aos seus bebês. Depois, o esquema triplo [utilização de três antirretrovirais durante a gestação], a cesariana programada e a substituição do aleitamento materno pelo leite em pó reduziram ainda mais a transmissão vertical, que pode chegar a 30%, se  não houver nenhuma intervenção.</p>
<p>Ou seja, de cada 100 crianças nascidas de mães infectadas pelo vírus da aids, 30 podem se tornar HIV-positivas. Porém, com medidas de prevenção a transmissão vertical pode cair para menos de 1%. Em 1996, os casos de aids por transmissão vertical somaram 893. Em 2007, caíram para 369.</p>
<p><strong>2010.</strong> Aids é uma doença crônica. Os portadores do HIV vivem cada vez mais. Claro que eles precisam tomar seus remédios e se cuidar. Mas têm vida praticamente normal. Trabalham, estudam, se apaixonam, mantêm relações sexuais. E, como a maioria dos casais, muitos desejam constituir família. Um direito de todas e todos.</p>
<p>“Em 2008, cerca de 3 mil mulheres sabidamente soropositivas e em uso de antirretrovirais resolveram engravidar”, cientifica Mariângela Galvão, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde. “Esse é o mundo real. Não adianta tampar o sol com a peneira.”</p>
<p>Esses dados combinados à divulgação de novos estudos científicos levaram, em 2009, o Ministério da Saúde a criar dois comitês técnicos para avaliar a gravidez dos soropositivos para orientá-los mais adequadamente. Um deles, voltado para os adultos. Outro, para os bebês. Até o final de junho, as orientações devem ser divulgadas.</p>
<p>No dia 4 de maio, porém, reportagem publicada pela <em>Folha de S. Paulo</em> deixou meio mundo aturdido. A manchete da primeira página:</p>
<p><em><a href="http://www.viomundo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/SC_184.jpg" rel="lightbox[4004]"><img class="alignnone size-full wp-image-4011" title="SC_184" src="http://www.viomundo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/SC_184.jpg" alt="" width="525" height="306" /></a></em></p>
<p><em>O deu no Ministério da Saúde?</em> <em>Como estimular HIV-positivo a ter filho?</em> <em>Essa notícia deve estar errada?</em> esta repórter chegou a ouvir de algumas pessoas. O <em>Viomundo</em> entrevistou a doutora Mariângela Galvão para esclarecer melhor essa questão tão delicada.</p>
<p><strong>Viomundo – Doutora Mariângela, o Ministério da Saúde planeja estimular a gravidez em portadores do HIV?</strong></p>
<p><strong>Mariângela Galvão</strong> – De jeito nenhum. O Ministério da Saúde não estimula as pessoas a engravidar – sejam soropositivas ou não. Quem decide se quer ou não engravidar é a mulher, o casal. O que cabe ao ministério fazer é, no caso do planejamento familiar, é disponibilizar os métodos contraceptivos. E, aí, cada casal, com ajuda de um profissional de saúde, decide o que é mais adequado: o DIU (dispositivo intrauterino), a pílula ou diafragma, por exemplo? Mas todos são orientados a usar preservativo masculino – a camisinha – nas relações sexuais.</p>
<p><strong>Viomundo – A manchete da <em>Folha</em> era mentirosa?<br />
Mariângela Galvão</strong> &#8211;  Infelizmente, sim. Faltou responsabilidade profissional.</p>
<p><strong>Viomundo – A Folha contatou o ministério para apurar o assunto?</strong></p>
<p><strong>Mariângela Galvão</strong> – O jornal entrevistou uma técnica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que atua com reprodução assistida em casais soropositivos e está há um mês no Departamento de DST e Aids do ministério. A Folha disse que existe um plano pronto, o que não é verdade. Eu gostaria de deixar bem claro que as recomendações ainda estão sendo trabalhadas pelos dois grupos técnicos que criamos em 2009. Não há nenhuma definição de como serão as orientações. </p>
<p><strong>Viomundo – Afinal, o que planeja o Ministério da Saúde?</strong></p>
<p><strong>Mariângela Galvão</strong> &#8211;  O objetivo é que os soropositivos que desejam ter filhos engravidem em condições as mais seguras possíveis seguras para si próprios e para seus bebês. Atualmente, não há uma padronização de conduta; cada médico orienta com base na sua experiência. Além disso, receando que o médico contraindique a gestação, muitas mulheres já chegam grávidas para a consulta.</p>
<p><strong>Viomundo – Quantas brasileiras soropositivas engravidam por ano? </strong></p>
<p><strong>Mariângela Simão</strong> &#8211; Em 2008, cruzando dados de testes laboratoriais, notificação de doenças, acesso a medicamentos, verificamos que 3 mil mulheres sabidamente soropositivas e em uso de medicação antirretroviral engravidaram. Esse é o mundo real. Não adianta tampar  o sol com a peneira, fingir que ele não existe. Os soropositivos vivem cada vez mais devido aos tratamentos disponíveis. Eles têm vida praticamente normal: trabalham, estudam, se apaixonam, mantêm relações sexuais, se casam e querem constituir suas famílias. É uma necessidade verdadeira, como a dos demais brasileiros e brasileiras.  Também um direito sexual e reprodutivo de todas e todos. </p>
<p><strong>Viomundo – Na Suíça, tem aquele estudo famoso que acompanha há uns cinco ou seis anos casais sorodiscordantes [apenas um dos parceiros é HIV-positivo]. Em que ele pé ele está?</strong></p>
<p><strong>Mariângela Galvão</strong> – Na Suíça, os casais cujo parceiro soropositivo tem carga viral indetectável são orientados a não usar preservativos nas relações sexuais.  Chegou a esse ponto lá. Mas é só na Suíça que isso acontece. O acompanhamento desses casais tem demonstrado que a transmissibilidade não é tão grande quanto se imaginava, quando a carga viral [quantidade de HIV presente no sangue] do parceiro soropositivo é indetectável pelos testes disponíveis. </p>
<p>Além disso, nos últimos dois anos saíram vários artigos na literatura científica internacional sobre transmissibilidade do HIV. Eles correlacionavam carga viral com quantidade de HIV no esperma e nos fluídos seminais, visando justamente estratégias de redução da transmissão na gravidez. Eles descobriram que quando o parceiro infectado tem carga viral indetectável a possibilidade de o outro se infectar pelo HIV é mínima e o risco de o bebê gerado por esse casal ser soropositivo é inferior a 1%.</p>
<p>Pois bem, juntando todos esses dados de realidade, o Ministério da Saúde resolveu criar em 2009 dois grupos técnicos, para estudar a literatura e estabelecer quais as melhores recomendações para os soropositivos que planejam ter filho. Se um dos parceiros é soropositivo, não existe risco zero. Nem para o parceiro negativo nem para o bebê, embora o risco seja menor do que 1%. </p>
<p><strong>Viomundo – Quando as orientações saem?</strong></p>
<p><strong>Mariângela Galvão</strong> – Os grupos técnicos devem finalizar a redação daqui a 20, 25 dias. Até o final de junho serão divulgadas.</p>
<p><strong>Viomundo – Os dois comitês técnicos do ministério devem ter ouvido vários especialistas. Daria para adiantar a tendência deles?</strong></p>
<p><strong>Mariângela Galvão</strong> – Por enquanto, não, pois, como já disse, não estão finalizadas. Mas orientações vão depender da situação do casal. Basicamente existem dois grandes grupos: casais sorodiscordantes – um parceiro é positivo e o outro, negativo; e casais soroconcodantes – os dois são HIV-positivos. Cada grupo vai abrir várias chaves. Uma coisa é quando a mulher é soropositiva, outra coisa, quando o homem é soropositivo.</p>
<p><strong>Viomundo – Suponhamos que a mulher seja positiva para  HIV, o marido, negativo. O uso de técnicas de inseminação artificial seria a forma mais segura de gravidez?  </strong></p>
<p><strong>Mariângela Simão</strong> – Essa é uma das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em toda relação sexual sem camisinha há troca de fluidos e contato de mucosas. Se a pessoa infectada usa o “coquetel” antirretroviral e a quantidade de HIV no sangue está em níveis muito baixos, o risco de transmissão é menor. Porém, não há risco zero. O uso de técnicas de inseminação artificial seria a forma mais segura de gravidez: evitaria o contato direto do indivíduo HIV-negativo com uma fonte HIV-positiva.</p>
<p><strong>Viomundo – E para os casais em que o homem é HIV-positivo e a mulher HIV-negativa?</strong></p>
<p><strong>Mariângela Simão</strong> –  Uma das recomendações da OMS é a inseminação artificial com a lavagem do esperma para que não contenha nenhum resíduo de vírus. Esse processo reduz o risco de transmissão do HIV para a mulher inseminada e, subsequentemente, para o feto.</p>
<p><strong>Viomundo – Mas a OMS tem outras recomendações?</strong></p>
<p><strong>Mariângela Simão</strong> – Sim. Uma delas: no caso de o parceiro ser negativo, colocar o esperma numa seringa e injetar na vagina. A reprodução assistida é um procedimento caro e o HIV está muito presente em países pobres, onde as pessoas não têm acesso a esses métodos. Por isso, a própria OMS coloca entre as orientações a possibilidade de uso de métodos naturais de contracepção. Aí, o casal no período fértil não usaria preservativo, desde que o parceiro positivo estivesse tomando corretamente a medicação e a carga viral fosse indetectável. Depois, como prevenção, o parceiro negativo deveria receber durante um período tratamento antirretroviral.</p>
<p><strong>Viomundo – Do jeito que a <em>Folha</em> divulgou inicialmente pareceu que o plano do governo visaria apenas à reprodução natural entre os HIV-positivos. </strong></p>
<p><strong>Mariângela Simão</strong> – É o que a <em>Folha</em> disse inicialmente, mas não é verdade. Entre as orientações do Ministério da Saúde estará certamente a reprodução assistida para determinadas situações. As recomendações vão depender de diversos fatores: idade, medicação usada, adesão ao tratamento, carga viral, se o homem ou a mulher é soropositivo. O que nós queremos é que o casal passe a ser devidamente informado em bases científicas e tome a sua decisão, considerando o tamanho do risco de cada um.</p>
<p><strong>Viomundo – Basicamente, o que deve constar dessas orientações?</strong></p>
<p><strong>Mariângela Galvão</strong> – Os métodos que podem ser usados, por quem, em que circunstâncias, quando. Também quando se deve esperar mais.</p>
<p><strong>Viomundo – A reportagem da <em>Folha</em> levou o jornalista Alexandre Garcia a dar declarações mais equivocadas ainda. Quais as conseqüências de matérias como essas?</strong></p>
<p><strong>Mariângela Galvão</strong> – Infelizmente, estimulam o preconceito e a discriminação contra os HIV-positivos. Esquecem que as pessoas soropositivas têm direito a uma maternidade segura e a um filho saudável, como todos nós.</p>
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