Atualizado em 11 de julho de 2008 às 23:24 | Publicado em 01 de julho de 2008 às 11:58
NAIROBI - Submeto a vocês algumas fotos que fiz no aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, quando eu estava a caminho da África.
Fiquei realmente impressionado com o que vi e com o que imagino será o mundo no século vinte e um, com a ascensão de países como a China e a Índia, sem falar na Indonésia e na Malásia.
Será o século da Ásia.
Fica mais fácil entender, agora, o motivo pelo qual a Igreja Católica - ou pelo menos a hierarquia dela, no Vaticano - está na defensiva.
Este não será um século apenas dos cristãos, mas também e principalmente dos budistas, dos muçulmanos e dos hindus.
Um dos aspectos mais intrigantes do que vem por aé diz respeito ao casamento da fé com a tecnologia.
No século vinte imaginamos que a Ciência daria conta de jogar a fé para escanteio.
Não aconteceu.
E duvido que vá acontecer agora.
O que vi no aeroporto de Dubai mostra claramente o descolamento entre fé e tecnologia.
Mulheres muçulmanas andavam no saguão com suas vestes tradicionais antes de embarcar em jatos de última geração da companhia dos Emirados Árabes Unidos.
Uma delas sentou-se bem perto de onde eu estava. Só dava para ver os olhos dela através de uma fresta. Estava acompanhada. Sentado ao lado dela o rapaz abriu um laptop da Apple e entrou na internet, usando uma conexão wireless.
E eu fiquei de olho naquela cena bizarra: lado a lado, o século 12 com o 21.
Me parece Azenha, justo o contrário: o casamento perfeito entre ciência e religião. Álias, os ataques de 11 de setembro foram um exemplo extremo de uso da tecnologia para a guerra, a partir de interesses políticos e religiosos. As guerras do Afeganistão e do Iraque também. E para aqueles que acham os muçulmanos uns bárbaros loucos, é bom lembrar que foram os árabes que guardaram grande parte dos documentos e do pensamento clássico e românico, na Idade Média, enquanto a Europa queimava livros na longa ditadura católica que ficou conhecida como Feudalismo. Há muito mais entre ciência e religião do que sonha a vã filosofia.