Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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Bizarro Utilidades

NÃO EXISTE IRONIA POR ESCRITO

Atualizado em 27 de abril de 2008 às 23:15 | Publicado em 27 de abril de 2008 às 22:42

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Um fiel leitor deste site, jornalista, não entendeu direito o concurso que lancei recentemente com perguntas hipotéticas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Aprendi desde os tempos do Jornal da Cidade de Bauru que não existe ironia por escrito.

Por isso, explico.

Foi assunto do site, nos últimos dias, o fato de que a Secretaria de Educação do governo paulista vai reservar, este ano, seis horas semanais dos alunos da terceira série do segundo grau para "atualidades" - que caem tanto no ENEM quanto no vestibular. O curso terá como base o Guia do Estudante, da Editora Abril. Para efeito de esclarecimento, pedi à Secretaria que nos informe sobre como foi feita a escolha do Guia, quantos exemplares foram comprados, qual o tempo de duração do contrato e qual é o custo do material.

Um dos comentaristas do site informou, então, sobre a existência de um guia baseado em informações da revista Época e "com consultoria dos professores do Cursinho da Poli". Uma leitora, aliás, já me informou que não existe relação entre o cursinho e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Com certeza o cursinho pretendia tirar proveito, no nome, da excelência da faculdade de engenharia da USP.

O guia está nas bancas, custa R$ 9,90, é da Editora Globo e, que seja de meu conhecimento, não é adotado em escolas públicas.

Portanto, estamos falando de dois "produtos": um - o Guia do Estudante da Abril - é oficialmente adotado e, portanto, sancionado pelas autoridades governamentais do estado de São Paulo; o outro - da Editora Globo - é oferecido em bancas.

O que me chamou a atenção no guia da Editora Globo é que, em minha modesta opinião, por expressar opiniões onde deveria haver fatos, corre o sério risco de induzir estudantes ao erro no ENEM e em vestibulares.

Deixo com vocês alguns exemplos, aqueles que mais me chamaram a atenção.

AMERICA_DO_SUL.jpg

SOBRE A CRISE DIPLOMÁTICA NA AMÉRICA DO SUL, O GUIA FAZ INTERPRETAÇÃO DE SONHO

CHAVEZ.jpg

DE NOVO, SOBRE CHÁVEZ, DÁ UMA INFORMAÇÃO INCORRETA: ELE QUERIA "CONCORRER"  INDEFINIDAMENTE

BOLSA_FAMILIA.jpg

SOBRE O BOLSA-FAMÍLIA E O ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO, O GUIA CITA "OS ESPECIALISTAS"  SEM IDENTIFICÁ-LOS

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EXEMPLO DE SUCESSO: PARA QUEM? A PRESIDENTE DO CHILE SE ELEGEU FAZENDO CRÍTICAS E PROMETENDO REFORMAR  O SISTEMA.

REFORMA_TRIBUTARIA.jpg

REFORMA TRIBUTÁRIA: SIMPLIFICAÇÃO GROSSEIRA DE UMA QUESTÃO COMPLEXA

O nosso ENEM hipotético é, pois, uma brincadeira envolvendo o mundo de acordo com a Editora Globo, no qual o governo baixa imposto e, se alguém reclamar, "prende e arrebenta" - como dizia o saudoso ex-presidente e general João Figueiredo.

 

 

 

 

 

 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Marco Antonio (10/07/2008 - 13:55)
Só agora fui ver isso... Estou absolutamente chocado! Adicionaram mais um sub-nível ao esgoto.

Edinho (13/06/2008 - 12:56)
Que lixo de material! E o pior é que não serve nem para limpar a b$#*§.... Pelo menos os jornais deles servem para a tarefa higiênica.

Lucas Batista (09/05/2008 - 14:14)
Nao achei que essas perguntas existiam de fato. Estou chocado... O que é isso? É o manual completo do PIG?

Haertel (08/05/2008 - 22:54)
Olha pessoal, do jeito que a turma da oposição adora uma CPI poderia muito bem orientar sua bancada estadual a propor uma na Assembléia. Como diz o PHA, o presidente eleito iria adorar (e o PIG também).

Sidnei Brito (29/04/2008 - 09:36)
O que será que o Ali Kamel e aquele pessoal da ong "escola sem partido" têm a dizer sobre o imparcialíssimo e apartidaríssimo guia da Editora Globo?

O Chris Almeida - BH (28/04/2008 - 19:56)
Eu respondi à "questão" do ENEM, mas não sabia que o caso era tão grave. Não cabe recurso quanto à utilização desse guia nas escolas de SP?

Mateuz (28/04/2008 - 17:32)
Estamos caminhando para o nazismo democrático, e como dizia Carlos Drummond, o Brasil está durmindo, coitado.

Mateuz (28/04/2008 - 17:28)
Vamos dar 3 vivas à liberdade de expressão, para os brancos e católicos. Vamos dar 3 vivas ao livre comérico, para os brancos e católicos. Vamos dar 3 vivas à liberdade individual, para os brancos e católicos. Vamos dar 3 vivas aos brancos e católicos, pois como bem disse Reinaldo Azevedo, eles nos trarão a liberdade prendendo todos que se opõe, nos trarão a paz montados em bombas atomicas, nos trarão a igualdade de diretos para os brancos e católicos.

Augusto Luz (28/04/2008 - 11:39)
Bom dia Azenha; Misericórdia, diria uma senhora de idade avançada. Fiz Enem nos anos de 1999, 2000 e 2001 e fui aluno do Cursinho da Poli (2001). Faço uma disciplina na faculdade de Educação Da USP em que discutimos vários problemas da Educação Pública paulista...com esse guia (e os "jornais-apostilas") as coisas, teoricamente, vão piorar muito! Cabe ao professor, através e sua cada vez menor autonomia, informar sobre este desvio ideológico imposto pelo Estado.

Patrick (28/04/2008 - 09:00)
O engraçado é que, nos diz Miriam Leitão, juros não podem ser baixados "por decreto", mas carga tributária - pelo visto - pode. Também é curioso afirmar que editar lei complementar (cuja aprovação só é menos rigorosa que a emenda constitucional) não exige "esforço legislativo". Talvez o ENEM da Época conte pontos para o curso de Direito da Universidade Estácio de Sá.

Conceição Oliveira (28/04/2008 - 07:48)
Azenha, mas para entender ironias (escritas ou não)o leitor/interlocutor precisa de informações, caso contrário como adivinhar que você deseja dizer o contrário do que se quer dar a entender? Para entender o sarcasmo temos de ter alguma leitura a respeito, sequer sabíamos desse Guia época/ globo que deve ter sido redigido pelo Kamel... Esse Guia devia ser lido de cabo a rabo pelos editores da Nova Geração, as mesmas críticas que Kamel fez a Schmidt (emitir juízos de valores, abraçar um único discurso e vendê-lo como a verdade histórica..) são reproduzidas com requinte nos exemplos selecionados.

André (28/04/2008 - 07:28)
O pior é a vaga noção de proceso legislativo que os autores desse guia parecem ter. Desde quando leis complementares são "simples"^? Até onde eu sei, o quórum para aprovação de uma lei complementar (maioria absoluta) é maior que o de uma lei ordinária (maioria simples), exigindo maior consenso. E medidas provisórias, segundo o art. 62, parágrafo 1º, inciso III, de nossa Constituição, não podem tratar de matéria reservada à lei complementar. De uma forma ou de outra, nenhuma dessas medidas legislativas podem alterar as matérias extensamente tratadas no texto da Constituição relativo ao sistema tributário nacional, que é nosso maior problema atual. Para isso que se quer fazer a dita Reforma Tributária...

Nilson de Vix (28/04/2008 - 02:29)
É cada vez maior a prepotência de certos setores de "nossa" imprensa. Agora são, desavergonhadamente, "educadores". Os exemplos acima poderiam ser reunidos em um tópico, tipo, "O Mundo segundo o PiG"...



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