Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
Não dá pra mostrar tudo na tv.
Home Receba as últimas notícias via RSS [ Leia + ] Fale Comigo
Bizarro Utilidades

AUTOR DE GUIA SOBRE O BRASIL TRANSOU COM A GARÇONETE E DESCREVEU SERVIÇO DE RESTAURANTE COMO "AMIGÁVEL"

Atualizado em 27 de abril de 2008 às 20:25 | Publicado em 27 de abril de 2008 às 20:21

WASHINGTON - Um dos autores de um dos guias mais conhecidos do mundo, o Lonely Plant, confessou em um livro recém-lançado que recomendou lugares em que nunca esteve no Brasil. Thomas Kohnstamm foi contratado para uma viagem de dois meses e 1.600 quilômetros pelo Nordeste brasileiro, que resultou em uma seção da edição de 2005 do guia.

Mas, no livro que acaba de lançar - "Jornalistas de turismo vão para o inferno?" -, ele confessa que usou fontes de segunda mão em alguns casos e que gastou boa parte do dinheiro que recebeu da editora em drogas e noitadas.

Kohsntamm, que vive nos Estados Unidos com a namorada brasileira, conta que durante a viagem recebeu a sugestão de uma garçonete para voltar ao restaurante depois de terminado o expediente, o que fez. "Transamos sobre uma das mesas", diz ele no livro. No guia, o restaurante foi descrito como "uma agradável surpresa" e "com serviço de mesa amigável." Ou seja, o safado tem bom humor.

O editor do Lonely Planet disse que a empresa está revisando todas as contribuições de Kohnstamm com o objetivo de eliminar erros.

O viajante americano diz que recebeu um pagamento muito inferior ao necessário para cobrir o roteiro. Quando acabou o dinheiro, passou a se apresentar como "a serviço do guia" e obteve tratamento vip.

O Washington Post, que contou em detalhes o caso, informou que os jornalistas que trabalham para o caderno de turismo do jornal não se identificam e nem recebem os chamados jabás. Não se identificar é recomendável por motivos óbvios. Qual é o dono de hotel ou restaurante que não vai caprichar se souber que um hóspede é jornalista a serviço de um guia turístico?

No Brasil, a não ser que as regras tenham mudado, existe uma verdadeira jabalândia. Os jornalistas viajam com todas as despesas pagas pelas empresas sobre as quais vão escrever. Aliás, se você é leitor de algum jornal diário sugiro que dirija-se ao editor da publicação perguntando sobre as regras seguidas pelos jornalistas de turismo, antes de embarcar em uma viagem recomendada.

Dom Quixote de La Prensa, um blogueiro que era integrante do SIVUCA e trabalha na redação de um grande jornal de São Paulo, certa vez contou sobre o jabá que fez para o caderno de Turismo. Ao voltar, decidiu ser honesto mas foi obrigado a reescrever o texto pelo editor, já que o conteúdo original tinha o potencial de desagradar ao financiador da viagem. Talvez este seja o setor do jornalismo brasileiro mais carente de uma reforma completa, uma vez que milhares de pessoas torram suas economias, muitas vezes embarcando em cruzeiros sem a possibilidade de resgate no meio do caminho. 

Em minha opinião, todo jornal ou revista que recomendar um cruzeiro deve assumir, com os leitores, a obrigação de enviar um helicóptero para resgatar aqueles que ficarem desgostosos com a viagem.

Voltando ao caso do colaborador do Lonely Planet, ele disse que torrou dinheiro se divertindo com uma aeromoça no Rio de Janeiro e em passagens aéreas entre o Rio e Fortaleza. O guia paga um quantia fixa pelo trabalho.

O Washington Post entrevistou outros profissionais da área, que disseram que os veteranos desistiram de trabalhar no ramo nos últimos anos, já que o dinheiro foi ficando cada vez mais curto. Um deles disse que, recentemente, recebeu uma oferta de 3.100 dólares para fazer uma viagem que, de acordo com estimativa pessoal, custaria 9.500 dólares. Ou seja, é o mesmo processo de degradação profissional que enfrentamos no Brasil: jornalistas ganhando cada vez menos relativamente à carga horária, à disposição 24 horas por dia através do celular, do messenger e do skype e recebendo como "agrado" dos patrões viagens como se fossem prêmios.

Ah, sim, os jabás também são distribuídos como prêmios.

 

 

 


Indique esta Matéria
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Arthur (01/06/2008 - 21:55)
gostosa eu não sei, mas safada com certeza!

andre (28/04/2008 - 16:59)
alguem sabe se pelo menos a garconete era gostosa...

Gustavo Eduardo Paim Pamplona (28/04/2008 - 12:35)
Azenha, sugiro um artigo comentando sobre a nova pesquisa CNT/Sensus: http://www.cnt.org.br/informacoes/noticia.asp?cod=15829 Especialmente nos items Terceiro Mandado e Dengue.

Silvio (28/04/2008 - 08:37)
Azenha, você lavou minha alma de pobre radialista! É a primeira vez na minha vida que vejo alguém escancarar que o verdadeiro jabá rola forte mesmo é na mídia impressa e na TV. E o rádio, coitadinho, sempre levou a fama sozinho. Os inocentes estudantes dessas escolinhas medíocres de jornalismo que o digam.

Everaldo (28/04/2008 - 08:30)
Sou guia de turismo. E antes de me tornar guia trabalhei na hotelaria de nível internacional por muitos anos. Vcs não imaginam quanta'carteirada' já tomei de jornalista. Eles te ameaçam com supostas publicações negativas a todo momento. Quanto aos guias turísticos, picaretagem há em toda parte. E,como disse o Azenha, tem a sua principal fonte no salário baixíssimo que o profissional recebe. Isto acontece demais no turismo. Muitas vezes o profissional(guia) se submete a trabalhos contando apenas com as comissões que ele poderá vir a receber dos restaurantes/lojas onde ele levar o cliente.

Ricardo Júnior (28/04/2008 - 06:21)
Isso só vem corroborar o quanto o jornalismo está contaminado. Agora eu pergunto, acreditar ou confiar em que veículo ou empresa de comunicação ? Certa feita, li em um site/blog de um jornalista brasileiro especializado em turismo, que o mesmo tinha feito um cruzeiro pelo litoral brasileiro, e que no final de cada noite dentro do navio só acontecia suruba entre os marinheiros estrangeiros e as viajantes brasileiras e era algo escamcarado. Obviamente que no jornal, isso não foi publicado e ele ainda foi "obrigado" a recomendar a viagem. Acho que após esse fato, ele parou de fazer jornalismo nessa área.

Gérson (28/04/2008 - 00:12)
Suspeito que o Jabá deve rolar mesmo. Anos atrás fui para Trancoso e fiquei em uma pousada que constava num guia que consultei. Passados 2 anos, comprei uma versão atualizada do guia e a pousada não constava mais na lista. Mesmo assim voltei para a mesma pousada e verifiquei que ela estava inclusive melhor equipada do que da primeira vez. Perguntei ao proprietário por que ele achava que não foi incluido na versão do guia atualizado e ele disse: "Você não sabe como funciona isso" e desconversou. Acho que esses guias se forem sérios, deveriam contratar turismólogos, e com especialização em gastronomia, hotelaria.

(27/04/2008 - 22:25)
Eu não considero as listas dos dez mais pra comprar livros, raramente leio críticas de filmes ou espetáculos que decido assistir, infelizmente viajo pouquíssimo, mas costumo usar diferentes fontes para decidir para onde vou, como e onde vou ficar. Na época da universidade fiz viagens fantásticas pelo país com dicas e apoio de amigos que conheci na pós um de cada canto do Brasil. Tinha um Guia (não sei se existe mais) mas era bem legal, foi a única vez que me baseei em um Guia pra viajar, chamava-se 'viajar bem e barato' algo assim. Fui com o namorado pra Búzios e ficamos em uma pousada de um argentino bem simpática e ele era um verdadeiro anfitrião. Fomos em outubro, ainda baixa temporada, a gente comprava peixe e ele cozinhava e abria o vinho (que não era incluso em nossa conta), jantávamos sempre juntos, ele nos emprestava seu bug para passeios mais distantes e indicou lugares fantásticos, conhecemos umas 18 praias. ********* Quanto aos estrangeiros usarem fontes de segunda mão para falar sobre o nosso país isso é prática, ao menos desde o século XIX. Vários viajantes que por aqui passaram descreveram alguns lugares onde não foram e para isso usaram de materiais (textos, litografias, aquarelas de outros viajantes).



Comente este Texto
Email: viomundoteve@msn.com Receba o conteúdo do site via RSS developed by: webmasters online design by: kallore design