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Sauditas financiam fundamentalismo que os EUA guerreiam

08 de janeiro de 2015 às 23h19

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Comício do partido Aurora Dourada, da Grécia: a gente já viu este filme nos anos 30, com os comunistas no lugar dos imigrantes, inclusive muçulmanos

por Luiz Carlos Azenha

2001. Universidade de Darul Uloom, Deoband, ao norte de Nova Delhi, na Índia — Eu e o cinegrafista Sherman Costa viemos conhecer a escola onde foi formulada a teologia do talibã. Uma mesquita novíssima ao lado do campus acaba de ser inaugurada. Nossa visita foi garantida por um excelente contato do nosso produtor indiano, Rajan. O jovem professor de informática que se dispôs a nos receber e ciceronear é mais aberto aos ocidentais, pelo envolvimento que tem com a internet. É através dela que os teólogos deobandi respondem a perguntas de fieis de todo o mundo. Eles buscam respostas sobre a interpretação do Alcorão para questões cotidianas.

Pergunto ao professor quem financiou a mesquita. Resposta: a Arábia Saudita. Trata-se da batalha travada no interior do islamismo, especialmente entre sunitas e xiitas. Montados no petróleo, os sauditas financiam a expansão de sua própria corrente do islamismo, o wahhabismo. Mas também dão dinheiro para outros sunitas dispostos a enfrentar os xiitas, especialmente os do Irã e do Iraque. É uma ironia que o dinheiro saudita financie, hoje, as principais correntes fundamentalistas, considerando que a Arábia Saudita é o principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio. Eram sauditas os autores do ataque às Torres Gêmeas, lembram-se?

O poder da grana faz a mensagem saudita — que enfatiza uma interpretação ultraconservadora do Alcorão — chegar longe. Curiosamente, não atrai necessariamente os desesperados da periferia de Túnis ou do Cairo.

Repercute especialmente entre os jovens da classe media baixa muçulmana, que encaram o desprezo dos europeus nas periferias de Paris ou Londres. Mais que uma saída religiosa, o fundamentalismo é uma porta de escape para se livrar do profundo sentimento de inferioridade. A humilhação privada e cotidiana nas ruas anda paralela à humilhação política e militar dos muçulmanos sob os Estados Unidos, Israel e os ocidentais.

Em Deoband, a universidade é uma válvula de escape para os filhos de agricultores pobres do interior da Índia. Aqui eles mergulham numa vida ascética. Não tem colchão, nem espelho, nem ouvem rádio, nem lêem jornal. As representações gráficas, inclusive do profeta, são banidas. O espelho seria um convite à vaidade, à egolatria, quando a ideia é justamente submeter o indivíduo à vontade maior, coletiva, da Ummah.

Somos, os ocidentais individualistas da globalização consumista, uma ameaça à noção da comunidade. Por isso os estudantes nos olham extremamente desconfiados. Olhares de curiosidade — alguns, de ódio.

2003. Bagdá — Nosso motorista na capital iraquiana não é um fã de Saddam Hussein, mas acha que a invasão dos Estados Unidos, que se anuncia para as próximas semanas, será um desastre. Ele acha que acima de Saddam está o nacionalismo que une os iraquianos, independentemente de serem sunitas ou xiitas.

São resquícios do pan-arabismo. Aquele, do líder egípcio Gamal Abdel-Nasser. Houve, um dia, o sonho de uma grande nação árabe, socialista. Egito e Iraque chegaram a formalizar uma união, que nunca se concretizou. Ambos tiveram governos seculares e nacionalistas, um nacionalismo que pregava o controle dos recursos naturais (Suez e o petróleo, respectivamente).

Talvez Sattar, o motorista, não tenha se dado conta de que a derrubada de Saddam tinha, também, esta dimensão: enterrar de vez o pan arabismo e seu nacionalismo que nunca interessou às potências ocidentais.

No Iraque, eu e o Sherman vimos pessoalmente a justificativa para os olhares de ódio em Deoband. Durante as sanções econômicas impostas pelas Nações Unidas ao Iraque, por mais de dez anos, a estimativa é de que entre 200 e 500 mil crianças tenham morrido por falta de comida e/ou de remédio. O sofrimento dos iraquianos comuns durante este longo período, raramente noticiado no Ocidente, enfureceu os muçulmanos quase tanto quanto o massacre de palestinos por Israel.

2008. Algum lugar do interior do Quênia, na África — Alguns matatus passam por nós na estrada. Estávamos a caminho da casa da família de Barack Obama.

Os matatus são ônibus que fazem transporte urbano ou entre as comunidades. Costumam trazer as imagens de ídolos dos donos ou passageiros. Muhammad Ali. O imperador Haile Selassie. Osama bin Laden. Osama bin Laden? Perguntamos ao guia: como é que o autor de um pavoroso ataque contra civis, com mais de 3 mil mortes, pode ser idolatrado?

Ele nos respondeu que os muçulmanos locais tinham uma visão de longo prazo da História. Eles não se lembravam apenas do 11 de setembro. Tinham na memória a derrubada do governo nacionalista do Irã, a expulsão dos palestinos na nakba, o fracasso nos confrontos militares contra Israel, etc. etc. etc. Neste contexto, bin Laden tinha sido bem sucedido quando deu uma resposta às humilhações. Fiquei boquiaberto e calado, me perguntando se Obama, quem sabe, provocaria uma reviravolta na eterna “guerra ao terror”.

2012. Karachi, Paquistão — Não, Obama não provocou uma reviravolta. Aquela geração lá de trás, que vi com o Sherman Costa em Deoband, cresceu. Cresceu testemunhando que neste mundo a resolução de conflitos se dá pela força. Pelo terrorismo. De estado ou assimétrico.

Há milhares de pessoas nas ruas e não é recomendado que circulemos à vontade na maior metrópole do Paquistão. Esta é a cidade em que o jornalista Daniel Pearl, do Wall Street Journal, foi decapitado. Padu e Lucas, os cinegrafistas, se misturam à multidão para fazer imagens. É um protesto de um grupo ultrafundamentalista, sunita, que denuncia os ataques de drones dos Estados Unidos contra civis. Suspeitos de terrorismo morreram, mas também morreram homens, mulheres e crianças que nada tinham a ver com a guerra de Washington.

Um militar se aproxima para dizer que devemos abandonar as vestes ocidentais. Rumamos para o mercado para atendê-lo e compramos as longas batas tradicionais do país, nosso “disfarce”.

O Paquistão é um país pobre, que destina uma quantia considerável de recursos à manutenção de sua máquina militar. Bombas atômicas contra o inimigo número um, a Índia. Homens e fuzis contra o talibã, que quando interessava aos Estados Unidos o Paquistão ajudou a fomentar — era preciso afastar o “perigo comunista” do vizinho Afeganistão.

No Paquistão, a presença do Estado em serviços públicos é tão rala que Karachi está dividida entre milícias que representam interesses econômicos e religiosos.

Quando eu me sento com um líder sindical ligado ao agora minúsculo Partido Comunista local ele desabafa que nunca foi tão difícil militar: tanto o governo pró-Estados Unidos quanto os fanáticos religiosos que o combatem representam o feudalismo econômico. A luta social foi sequestrada pelo fascismo religioso, afirma ele na gravação.

2013. Budapeste — O livro A ‘ameaça’ Cigana, editado por Michael Stewart, ocupa um lugar de destaque na vitrine da livraria. Logo vou entender o motivo. O partido Jobbik, de extrema-direita, está em ascensão na Hungria. Num contexto mais amplo, a extrema-direita cresce em todo o Leste Europeu.

Assim como o nacionalismo árabe não conseguiu dar resposta às demandas econômicas e perdeu espaço para o fundamentalismo religioso, aqui o neoliberalismo fracassou e é impensável uma guinada à esquerda — que encarnou até recentemente o colonialismo vindo de Moscou. O fracasso das reformas pós-queda do muro de Berlim se reflete nos números espantosos do desemprego. E na busca por bodes expiatórios.

Se apenas a Hungria retornasse ao seu passado pastoril, sem a “contaminação” dos ciganos e outros elementos “estranhos” ao corpo social…

Com este discurso o Jobbik tem consistentemente obtido entre 15 e 20% dos votos. É um fenômeno regional. Na vizinha Ucrânia a extrema-direita já faz parte da coalizão governista. Russos e judeus são o alvo. Na Grécia, as tropas de assalto do partido Golden Dawn aterrorizam refugiados e imigrantes em geral. Perto deles, a Frente Nacional francesa e o Freedom Party holandês, que combatem a imigração e promovem a islamofobia, são moderados.

Comentaristas europeus atribuem a ascensão da extrema-direita aos efeitos persistentes da megacrise financeira que teve início em 2008 e afeta a economia de todo o mundo, inclusive muçulmano. Os extremos se encontram na Europa, em meio à crise.

Os irmãos Said e Cherif Kouachir, que cometeram a barbárie em Paris, são franceses. Um deles, preso anteriormente, declarou em seu julgamento que ficou ultrajado com a tortura cometida por soldados dos Estados Unidos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. São de uma família tão vulnerável que ambos foram tirados de casa e ficaram sob os cuidados do Estado francês. Cherif fez parte de uma rede de recrutamento de militantes para lutar contra a coalizão que ocupou o Iraque.

É como se fizessem parte ao mesmo tempo dos dois lados da moeda. Em ambos predomina a busca por soluções violentas para enfrentar o ambiente de degradação econômica e social.

Leia também:

Em Paris, um atentado contra a extrema-esquerda

09 - nov 26

Nem sempre é o que parece

Bebendo chá comunista

 

24 Comentários escrever comentário »

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Urbano

13/08/2015 - 15h26

É como a ideia tida inda pouco para outro comentário, aqui mesmo no VIOMUNDO, em que afirmei: os fascistas internacionais quando não rapinam nada, rapinam a verdade.
Nos tempos atuais já está bem patenteado que as pendengas mundialmente existentes, principalmente no Oriente Médio, vêm a ser o tipo da película, na qual a maior parte das vezes os bandidos são os artistas; e vice-versa.

Responder

Hans Bintje

12/01/2015 - 11h46

Azenha:

Eu gosto demais dessas suas crônicas não-exaltadas, no melhor estilo Conrad ( Joseph Conrad, autor de “O Coração das Trevas” )

Porque o Horror surge do contexto em que vivem as personagens. O demônio perde qualquer tipo de maquiagem retórica e surge em sua enorme feiúra.

Eu também costumo me vestir como a multidão e me misturar com ela — como você escreve, “um militar se aproxima para dizer que devemos abandonar as vestes ocidentais. Rumamos para o mercado para atendê-lo e compramos as longas batas tradicionais do país, nosso ‘disfarce’.”

Fiz isso tantas vezes que tive que rir!

Há uma expressão dos viajantes para isso:

– When in Rome, do as the Romans do. (“Quando em Roma, aja como os romanos.”)

Responder

Roberto Locatelli

11/01/2015 - 14h04

É preciso lembrar que grande parte da indústria de armas se concentra nos EUA, principalmente se falamos de bombas e mísseis de alto poder de destruição.

Para o Tio Sam, Guerra = Lucro.

Responder

Yacov

11/01/2015 - 13h13

O FATO de a famiglia BIN LADEN ser saudita é mera coincidência, né ?!? Como a carteira do piloto do jato que bateu das torres gêmeas e foi encontrada intacta em meio aos escombros, ou o RG que o terrorista esqueceu no carro depois do atentado ao CH. Aliás, alguém viu o cadáver do Bin Laden além das fotos disponibilizadas pela CIA !?!?

“O BRASIL PARA TODOS não passa na REDE GLOBO de SONEGAÇÃO & GOLPES – O que passa na REDE GLOBO de SONEGAÇÃO & GOLPES é um braZil-Zil-Zil para TOLOS”

Responder

    Yacov

    11/01/2015 - 13h17

    Sugiro a mudança do nome PLANETA TERRA para ASILO ARKHAM.

    “O BRASIL PARA TODOS não passa na REDE GLOBO de SONEGAÇÃO & GOLPES – O que passa na REDE GLOBO de SONEGAÇÃO & GOLPES é um braZil-Zil-Zil para TOLOS”

Tomudjin

10/01/2015 - 17h03

“INFILTRADO”.A palavra do século 21.

Responder

Cassio

10/01/2015 - 03h48

Caro Franco Atirador, muito importantes os seus comentarios, está ai uma das razões da existencia do “SUPOSTO” terrorismo, “TERRORISMO” mesmo fazem as grandes potencias, especialmente os EUA, onde ele com suas ações por todo o mundo, mata milhares de pessoas, seja em suas guerras, ou pela fome, a ascessão da extrema direita por toda a Europa trará consequencias imprevisiveis, infelizmente caminhamos para a 3ª guerra mundial, a ganancia de uns poucos, irá por fogo no mundo, todas as nações serão atingidas, se a mega crise está fazendo enorme estrago, imagine uma guerra mundial, milhões de pessoas morrerão pelas armas e pela fome.

Responder

Luís Carlos

09/01/2015 - 20h27

Texto muito bom. Sugiro ainda, para ajudar no entendimento filme chamado Dirty War do jornalista investigativo Geremy Scahill. Está na internet.
Conforme informado, assassinos de Paris teriam gritado enquanto fugiam que eram da Al Qaeda do Iêmem. No filme de Scahill, ele reporta ataques dos EUA no Iêmem, país com o qual os EUA NÃO estãm em guerra. Se pergunta Scahill: porque os EUA ATACAM UM PAÍS COM QUEM NÃO ESTÃO EM GUERRA? Geopolítica e petróleo.

Responder

FrancoAtirador

09/01/2015 - 19h52

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QUEM CRIOU O TAL ESTADO ISLÂMICO DO IRAQUE E DO LEVANTE (EIIL/ISIS)?

17/10/2012 05:00:20
New York Times, via iG

Envio de armas para rebeldes sírios beneficia islâmicos radicais
De acordo com autoridades americanas, maioria dos armamentos
enviados à Síria por Arábia Saudita e Catar cai nas mãos de jihadistas, contrários aos interesses ocidentais

Os Estados Unidos não enviam armas diretamente para a oposição síria.
Porém, estão fornecendo informações de inteligência e outros tipos de apoio
que viabilizam a transferência de armas como fuzis e granadas
para a Síria, principalmente orquestrada pela Arábia Saudita e Catar.

Por David E. Sanger

Autoridades americanas e diplomatas do Oriente Médio acreditam que a maioria das armas enviadas pela Arábia Saudita e pelo Catar para abastecer grupos rebeldes que combatem o governo do presidente da Síria, Bashar Al-Assad, acabam indo parar nas mãos de jihadistas islâmicos – e não dos grupos de oposição mais seculares, que o Ocidente quer reforçar.

Esta conclusão, da qual o presidente Barack Obama e outras autoridades de alto escalão foram informadas durante avaliações confidenciais sobre o conflito sírio, que já matou mais de 25 mil, questiona se a estratégia de intervenção mínima e indireta no conflito adotada pela Casa Branca está atingindo sua finalidade de ajudar a oposição de espírito democrático a derrubar um governo opressor.

“Os grupos de oposição que estão recebendo a maior parte das armas são exatamente os que não queremos ajudar”, disse uma autoridade dos Estados Unidos familiarizada com essas descobertas, comentando uma operação que, do ponto de vista dos americanos, tem piorado cada vez mais.

Os Estados Unidos não estão enviando armas diretamente para a oposição síria.
Ao invés disso, estão fornecendo informações de inteligência e outros tipos de apoio que viabilizam a transferência de armas como fuzis e granadas para a Síria, principalmente orquestrada pela Arábia Saudita e Catar.

Os relatos indicam que particularmente os embarques organizados pelo Catar vão parar nas mãos dos islâmicos mais radicais.

Autoridades americanas vêm tentando entender o motivo de os islâmicos radicais terem recebido a maior parte das armas enviadas para a oposição síria por vias do Qatar e, em uma escala menor, Arábia Saudita.

Os oficiais, expressando frustração, disseram que não existe um local de recebimento central para os envios e não há uma maneira eficaz de vetar os grupos que os recebem.

Esses problemas foram preocupações centrais para o diretor da CIA, David H. Petraeus, quando ele viajou secretamente à Turquia no mês passado, segundo as autoridades.

A CIA não comentou a visita de Petraeus, que foi para uma região que conhece bem devido à época em que serviu como general do Exército encarregado do Comando Central, que é responsável por todas as operações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Oficiais de países da região disseram que Petraeus tem estado profundamente envolvido na tentativa de orientar o esforço da distribuição, embora autoridades dos Estados Unidos disputem tal afirmação.

De acordo com oficiais americanos e árabes, a CIA enviou agentes para a Turquia para ajudar a administrar o auxílio, mas a agência tem sofrido dificuldades pela falta de informações sobre algumas das principais figuras rebeldes e de muitas das facções.

(http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/2012-10-17/envio-de-armas-para-rebeldes-sirios-beneficia-islamicos-radicais-dizem-eua.html)

(http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=12639)

(http://abre.ai/quem_criou_eiil-isis)

(http://www.orientemidia.org/quem-criou-o-estado-islamico-e-quem-lucra-com-isso)
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Responder

    FrancoAtirador

    10/01/2015 - 00h36

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    11 Dezembro 2013 | 23h 52
    Agência Estado

    EUA suspendem envio de armas a rebeldes sírios
    Grã-Bretanha acompanha decisão,
    motivada pela captura dos arsenais
    por grupos radicais islâmicos no norte do país

    Por CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE EM WASHINGTON

    WASHINGTON – Em mais um indício das dificuldades que os EUA enfrentam na guerra civil síria, autoridades americanas anunciaram ontem a suspensão da ajuda militar não letal a rebeldes que atuam no norte do país, depois que bases na região passaram a ser controladas por extremistas islâmicos que lutam contra o regime de Bashar Assad.

    Equipamentos fornecidos por americanos eram destinados ao Exército Sírio Livre (ESL), o grupo laico de oposição à ditadura síria, visto como confiável pelos EUA e seus aliados ocidentais. No entanto, na semana passada, as posições que o ESL mantinha no norte do país foram atacadas por rebeldes islamistas.

    As baixas do ESL incluíam depósitos próximos da fronteira com a Turquia onde estavam armazenados equipamentos fornecidos pelos americanos. Os locais estariam agora sob controle da Frente Islâmica, uma aliança de sete grupos rebeldes que defende a criação de um Estado islâmico ortodoxo na Síria. Apesar de não ser filiada à Al-Qaeda, sua posição radical é rejeitada pelos EUA.

    Em visita ao Catar, na terça-feira, o secretario de Defesa, Chuck Hagel, reconheceu as dificuldades de apoio ao ESL.

    Segundo ele, a oposição síria é extremamente dividida e inclui grupos terroristas.

    Muitos deles contam com apoio de países aliados dos EUA no Oriente Médio, enquanto o Irã ajuda a sustentar o regime de Assad.

    Desde seu início, há dois anos e sete meses, a guerra civil síria
    provocou a morte de pelo menos 100 mil pessoas
    e transformou mais de 2,2 milhões em refugiados,
    número que corresponde a 10% da população do país.

    Cerca de 9,3 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária.
    O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, confirmou ontem que os EUA suspenderam toda a entrega de assistência não letal aos rebeldes que atuam no norte da Síria.
    Esse tipo de ajuda inclui equipamentos de comunicação, medicamentos, coletes à prova de bala e veículos.

    A Grã-Bretanha também anunciou ontem a interrupção desse tipo de assistência.

    “Nós não temos mais nenhum plano de entregar equipamentos enquanto a situação permanecer confusa”, disse um porta-voz da embaixada britânica em Ancara, na Turquia.

    (http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,eua-suspendem-envio-de-armas-a-rebeldes-sirios,1107411)
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    11 DEZ 2013 – 15:23 BRST
    El País

    EUA e Reino Unido suspendem a ajuda militar aos rebeldes sírios
    Respondem assim à tomada de um arsenal por parte de uma milícia islamita
    O Exército Livre Sírio está enfraquecido em duas frentes, o regime e os jihadistas

    DAVID ALANDETE de Jerusalém

    Há apenas três meses, tratavam de convencer seus parlamentos da necessidade de um ataque contra o regime de Bachar el Asad para enfraquecê-lo e mudar o rumo da guerra na Síria. Nesta quarta-feira, afastaram-se um passo a mais dos rebeldes moderados, os mesmos que, no passado, foram elevados à categoria de interlocutores e representantes legítimos da cidadania síria.

    Os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha anunciaram a suspensão do envio de ajuda não letal – equipes de comunicação, coletes anti-balas, material médico – ao norte do país, após a Frente Islâmica, um grupo de nova formação, assaltar e saquear no sábado e no domingo vários arsenais do Exército Livre Sírio cerca da fronteira com Turquia.

    Segundo fontes diplomáticas norte-americanas no Oriente Médio, a medida foi tomada para evitar que algum tipo de material “acabasse em mãos erradas”, isto é, das milícias islamitas que foram ganhando terreno dos opositores moderados nos últimos meses.

    A Frente Islâmica, uma união de sete brigadas que há alguns meses apenas, cooperaram com o Exército Livre, assaltou no fim de semana o quartel do rebelde Conselho Militar Sírio e um depósito de armas na localidade de Bab ao Hawa, no noroeste da Síria.

    Segundo um relatório do Observatório Sírio de Direitos Humanos foram apreendidos um armamento antiaéreo e antitanque.

    Após um ano de guerra na Síria, em março de 2012, a Casa Branca começou a suspender o envio de ajuda militar aos rebeldes.

    Desde então, só autorizou pontualmente o envio de equipamento de assistência, não armas ou munição.

    Além disso, a CIA treinou vários grupos de rebeldes sírios na Jordânia, porém sem entregar-lhes qualquer armamento.

    Em uma visita a Jordânia, em março deste ano, o presidente norte-americano, Barack Obama, já expressou sua resistência a intensificar a ajuda aos rebeldes pela ascensão do jihadismo entre as categorias opositoras.

    “Me preocupa muito que a Síria se converta em um enclave para o extremismo, porque os extremistas são cultivados no caos, crescem em Estados frustrados, nos quintais do poder”, disse.

    O Exército Livre Sírio fica assim cada vez mais encurralado entre duas frentes. Por um lado, o regime não deixa de ganhar terreno com a tomada da localidade de Qusair, na fronteira com o Líbano, no final de maio.

    Por outro, os jihadistas têm se arraigado e impuseram sua lei nas zonas tomadas pelos rebeldes no norte do país, sobretudo em Alepo e Raqqa.

    “Esperamos que nossos aliados reconsiderem e esperem em poucos dias que a situação se esclareça”, disse em um comunicado o porta-voz do Exército Livre, Louay Meqdad.

    (http://brasil.elpais.com/brasil/2013/12/11/internacional/1386780655_227878.html)
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Andre

09/01/2015 - 18h57

Explosões irracionais de ódio e violência são plenamente compreensíveis (não estou dizendo justificáveis) em situação de desintegração econômica e social como as que estamos vivendo. O que me preocupa é o tipo de violência, sua base, aonde ela pretende ou pode levar. Digo isso porque dar racionalidade – e por isso entento análise crítica da sitação que vivemos, busca de formulação de estratégias de alternativas -a essa explosão de sentimentos negativos parece quase impossível hoje.Aqueles que teriam condições de faze-lo são poucos, ou estão ‘comprados’, ou tomados pelo ódio e desespero ou falam ao vazio (como nota o artigo na fala do sindicalista paquistânes). Perigoso porque o ódio e desespero sem essa análise crítica e estratégica pode levar a simples manipulação dos sentimentos para que tudo – isto é a maior concentração de renda em nível planetário já registrada – fique como está. Não é a toa que a aristocracia árabe (da qual a família Bin Laden era parte) e o departamento de Estado dos EUA fomentam e financiam as explosões de ódio e violência. É uma ‘guerra preventiva’ contra alternativas de esquerda.Eles aprenderam com a História.

Responder

Bacellar

09/01/2015 - 16h28

Aula.

Ler e estudar o mundo é importante…Mas ver o vundo é fundamental.

Tudo ainda está muito nebuloso neste caso, considerando o que ocorreu na Alemanha estrategicamente estes atentados não tem lógica (não que a lógica seja o forte do pensamento extremista), mas do que o caso em si me preocupam os desdobramentos do caso.

Responder

    Bacellar

    09/01/2015 - 17h08

    Hehehehe, “vundo”…Também conhecido como mundo…Faia nossa.

FrancoAtirador

09/01/2015 - 12h28

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Europa: Um Continente em Explosão

O Terrorismo, a Extrema-Direita e o Suicídio Europeu

O que nascerá desses Escombros ainda se está por ver,
mas boa coisa não será, nem para a Europa, nem para o Mundo.

Por Flávio Aguiar, para a Rede Brasil Atual

Os partidos e políticos tradicionais, em sua maioria, estão brincando com fogo, sem se dar conta, talvez.
Não aceitam o reconhecimento, por exemplo, que grupos por eles apoiados na Ucrânia são declaradamente fascistas, homofóbicos e até antissemitas.
Preferem exacerbar o sentimento antirrusso e anti-Putin.

Durante mais de uma década as duas agências do serviço secreto alemão concentraram-se em esmiuçar a vida dos partidos e grupos de esquerda (além dos possíveis terroristas islâmicos) e negligenciaram criminosamente o controle sobre os grupos e terroristas alemães [de Extrema-Direita].

No momento, o “grande terror” que se alastra no establishment europeu não é o de que a extrema-direita esteja em ascensão, embora isso também preocupe,
mas é o provocado pela possibilidade de que um partido de esquerda, o Syriza,
vença as eleições na Grécia (marcadas para dia 25 deste mês), forme um governo,
e assim ponha em risco os sacrossantos pilares dos planos de austeridade.

Nega-se o pilar da Democracia:
contra o Syriza agitam-se as ameaças de expulsão da Grécia da zona do euro e até da União Europeia;
ou seja, procura-se castrar a livre manifestação do povo grego através da chantagem política e econômica.

Se as coisas continuarem como estão,
poderemos estar assistindo o suicídio da Europa que conhecemos.

O que nascerá desses escombros ainda se está por ver,
mas boa coisa não será, nem para a Europa, nem para o mundo.

Íntegra em:

(http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-do-velho-mundo/2015/01/o-terrorismo-a-extrema-direita-e-o-suicidio-europeu-um-continente-prestes-a-explodir-3286.html)
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Responder

Gerson Carneiro

09/01/2015 - 10h22

Luciano Hulck já começou vender camisas “Somos todos Charlie Hebdo”?

Responder

Lukas

09/01/2015 - 09h21

Me parece que quando os adversários de vocês atacam são culpados; já quando são atacados, são culpados também.

Mundinho fácil de viver este de vocês, hein?

Responder

    Fernando Garcia

    09/01/2015 - 19h43

    Lukas, acho que você errou nessa… não sou advogado do Azenha mas o que vejo é que o texto apenas discute como que o pessoal da grana, neste caso os sauditas, financiam com vias a atender seus interesses, a promoção de uma visão conservadora e violenta do islã.

    Os sauditas se aproveitam da situação precária nas quais vivem estas populações que foram radicalizadas por anos de intervenções patrocinadas ou apoiadas por países ocidentais.

    Acredito que o quadro que o Azenha pintou é bastante desfavorável aos sauditas, já que estes se beneficiam enormemente destas intervenções e, ao mesmo tempo, financiam o que o Azenha chamou de “terror assimétrico” que é catalisado pela reação destas populações à violência causada pelo “terror de Estado”.

    Não consigo inferir do texto a ideia de que os franceses são culpados pelos atentados que sofreram.

Alexandre Maruca

09/01/2015 - 09h18

Maravilha de texto Azenha. Obrigado pelos relatos muito esclarecedores

Responder

Mauro Assis

09/01/2015 - 09h09

Uma perguntinha simples: o Ocidente “oprime” só muçulmanos ou entre os oprimidos do mundo se encontram praticantes de outras religiões?

Responder

    Fernando Garcia

    09/01/2015 - 20h15

    Nos países do oriente médio, existe uma maioria muçulmana e minorias cristãs e judaicas, dentre os quais muitos são “oprimidos” e sofrem violências terríveis. Desta maneira, acho que o maior inimigo destas minorias não são o inimigo externo e sim seus próprios Estados.

    Até onde sei, não existem grandes potências ocidentais patrocinando centros de doutrinação ao estilo da Universidade de Darul Uloom, insuflando estas minorias para praticar o terror em sua terra natal.

    No entanto, além de constatar estes fatos, acredito que é importante entender como que estes Estados autoritários na região do oriente médio se sustentam e, principalmente, como que um dos maiores financiadores do terror mundial consegue equipamentos militares sofisticados para projetar seu poder na região.

    Meu entendimento, é que enquanto as sociedades ocidentais se modernizavam, os estados mais modernos do oriente médio foram sendo substituídos por regimes autoritários, muitos dos quais apoiados pelas chamadas potências ocidentais.

    A ideia que o cristianismo de alguma forma é intrinsecamente “mais moderno” me parece falsa porque a modernização do ocidente cristão ocorreu ontem em termos históricos. Até muito recentemente mulheres não votavam, as leis de divórcio era assimétricas, homossexualismo era crime, etc… nestes países.

Julio Silveira

09/01/2015 - 08h03

Não fossem os yankes a lhes garantir segurança, o que só prova a venalidade deles acima de qualquer interesse humano, pelo Petroleo e por interesses estrategicos no oriente médio, a Arabia Saudita já deveria ter sido interditada. Reune tudo que pode haver de pior como simbolo contrariando o que se busca. Fosse nos passado quando os países eram menos hipocritas e percebiam a periculosidade de determinadas ações tomadas por países, a este já teria sido declarado guerra.
Fomentam o mal no mundo sob a fragil desculpa de não se ligarem ao terrorrismo religioso, que financiam.

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FrancoAtirador

09/01/2015 - 00h18

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CAPITALISMO NEOLIBERAL DEIXA PLANETA EM ‘CARNE VIVA’

Zona do Euro enfrenta deflação recessiva;

Itália tem desemprego recorde;

Grécia tem 59% da juventude fora do mercado;

Portugal tem 500 mil desempregados

e Espanha devastou sua rede de proteção social.

Alemanha e França assistem a uma espiral de Extremismo Xenófobo;

Europa tem hoje 8 milhões de imigrantes ‘sem papéis’;

120 milhões de pobres e 27 milhões de desempregados.

Após Arrocho Neoliberal, a Rejeição ao Outro criou
o Medo da ‘Islamização’, alimentou a Extrema Direita
e liberou a Demência Terrorista no Hemisfério Norte.

(Hora a Hora – Carta Maior)
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(http://cartamaior.com.br/?/Editorial/Os-naufragos-da-civilizacao/29116)
(http://www.pco.org.br/internacional/imigrantes-queimam-centro-de-deteno-e-fogem/bso,i.html)
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