Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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UM ERRO DE CÁLCULO FATAL

Atualizado em 01 de fevereiro de 2008 às 10:47 | Publicado em 01 de fevereiro de 2008 às 10:45

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Quando o segundo avião atingiu a Torre Sul do World Trade Center, a 877 quilômetros por hora, Stanley Praimnath estava no andar 81, atingido em cheio pelo Boeing da United Airlines. Stanley viu quando o avião se aproximava e se jogou sob a mesa de trabalho. Eram 9h02:59 do dia 11 de setembro de 2001.

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Brian Clark estava três andares acima. Sentiu a torre se envergar e agachou para não cair. Cerca de 50 colegas dele, que estavam no outro extremo do escritório (cada andar do WTC tinha o tamanho de meio campo de futebol), morreram na hora. Ele não sabia disso porque uma espessa nuvem de pó escureceu o andar. Brian tinha uma lanterna no bolso e, com outros quatro colegas, procurou a escada de incêndio A, por sorte a única do prédio que estava desimpedida.

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Em 2004, para fazer uma gravação sobre o terrorismo para o Jornal Nacional, subi ao topo de um prédio vizinho ao Marco Zero, onde ficava o World Trade Center. Tirei a foto acima. São as garagens do edifício, em reconstrução. As torres eram tão gigantescas que a metragem construída no subsolo delas era maior do que todo o espaço interior do Empire State Building, o segundo edifício mais alto de Nova York.

Em 2003, no segundo aniversário do ataque terrorista, nossa equipe havia promovido o reencontro de Brian Clark e Stanley Praimnath, graças ao talento da produtora Fabiana Godoy, hoje repórter do Fantástico em São Paulo. No momento do impacto do avião da United Airlines, Brian e Stanley estavam em lugares distintos. Pela janela, Stanley viu o Boeing se aproximar. Estava mais ou menos na marca em amarelo. Um pedaço da asa do avião ficou a apenas seis metros dele, em chamas.

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A marca em verde mostra mais ou menos onde estava Brian. Ele caminhou até o ponto em vermelho, a escada A, a única do prédio que ficou desimpedida. Stanley, que estava no ponto amarelo, três andares abaixo, rastejou na mesma direção, mas o caminho estava bloqueado.

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Quem olha para o lugar da tragédia (a foto é de 2004) mal pode imaginar o que se passou nas Torres Gêmeas no dia do atentado. Notem a entrada da estação de metrô e trens de subúrbio, já reconstruída, logo atrás da bandeira americana. O encontro de Brian Clark e Stanley Praimnath, que reconstituímos em 2003, agora faz parte de um livro imperdível: 102 Minutos, A história inédita da luta pela vida nas Torres Gêmeas, lançado no Brasil pela editora Zahar.

Ao atingir a escadaria com colegas, Brian começou a descer. O grupo encontrou dois sobreviventes, que estavam subindo e os alertaram de que a escada A estava bloqueada e o andar abaixo, o 83, em chamas. Depois de conversar sobre o assunto, o grupo decidiu subir. Quem sabe seriam resgatados no teto, por helicópteros, calcularam.

Brian Clark ouviu um chamado e resolveu descer. Era Stanley, gritando por ajuda. Narra o livro: "Brian e Stanley começaram a desmanchar com as mãos a parede destruída que se interpunha entre eles. Stanley bateu em alguma coisa e um prego atravessou sua mão. Ele o arrancou batendo a mão contra uma tábua. E então não havia mais nada que pudessem afastar, porém Stanley ainda estava bloqueado pelos destroços.

- Você tem que saltar - disse Brian. - É o único jeito. Você tem que saltar fora daí.

Na primeira tentativa, Stanley Praimnath não conseguiu alcançar as mãos que Brian lhe estendia do alto. Tentou de novo. Desta vez Brian agarrou-o e o suspendeu com grande esforço por sobre a barreira, e caíram no chão, abraçados.

- Eu sou Brian, disse Clark.

- Eu sou Stanley, falou Praimnath.

Retiraram-se para a proteção da escada e começaram a descer."

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Para surpresa de todos, a Torre Sul despencou. Nem engenheiros, nem bombeiros acreditavam que isso pudesse acontecer. As torres do World Trade Center tinham sido apresentadas como resistentes ao impacto de grandes aviões.

Duas mil, setecentas e quarenta e nove pessoas morreram no WTC no dia 11 de setembro de 2001. Dezenas estavam presas em alguns dos 99 elevadores das Torres Gêmeas. Brian e Stanley perderam muitos colegas de escritório. A nossa reportagem para o Fantástico acabou com Brian e Stanley descrevendo a fuga deles escada abaixo, minutos antes da Torre Sul desabar.

Na rua, trocaram cartões e foram para casa. Queriam tranqüilizar familiares. Dias depois, Stanley ligou para Brian. Pretendia agradecer pessoalmente ao homem que o salvou. Até hoje são amigos. Stanley chama Brian de "o meu anjo da guarda". Brian diz o mesmo de Stanley.

Se não tivesse ouvido os pedidos de ajuda, Brian teria acompanhado o grupo que subiu a escadaria. Todos morreram quando o prédio desabou.

Publicado originalmente em 2005


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
M. (17/02/2008 - 19:55)
Azenha, você pelo jeito ainda acredita em papai noel? 11/9 foi um ataque árabe, e o complexo de torres caiu. aff zeitgeist, bate um google, tem em vários idiomas, e claro in english 2.



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