Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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UM BIG BROTHER ANTES DA FAMA

Atualizado em 09 de janeiro de 2008 às 23:01 | Publicado em 09 de janeiro de 2008 às 22:53

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Os personagens acima você conheceu na TV, se assistiu à terceira versão do Big Brother. Dhomini e Sabrina foram namoradinhos do Brasil por algumas semanas. Ela agora é estrela do grande sucesso da RedeTV, o Pânico. Ele caiu no esquecimento e deve estar sentindo falta da atenção que recebeu.

Há alguns meses, o vencedor do Big Brother bateu boca com o motorista de uma van que deveria transportá-lo.
Ficou impaciente de esperar por outros passageiros. Irritado, quebrou o retrovisor do carro. Um inquérito policial foi aberto para apurar o piti de Dhomini. O irmão dele disse, numa entrevista, que se Dhomini se irritou é porque teve motivo. "Ele continua sendo o mesmo (de antes da fama)", afirmou.

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Eu conheci o Dhomini original no interior do Brasil, em circunstâncias no mínimo estranhas, muito antes dele ser selecionado para participar do Big Brother.
Nosso desafio, na época, era produzir um Globo Repórter sobre o fim do mundo.
Isso mesmo: teríamos que falar, com credibilidade, sobre o dia em que a Terra poderia ser pulverizada por um asteróide, por satã ou seres de outras galáxias.

Só mesmo o diretor Alexandre Alencar, o Alex, poderia ser escalado para a tarefa. O fim do milênio, comemorado prematuramente em dezembro de 1999, coincidia com algumas previsões de Nostradamus.
Obviamente, elas não se concretizaram. Caso contrário, você não estaria lendo este artigo.

Na encarnação anterior, Alex, a produtora Luciana Savaget e o cinegrafista José Henrique foram alquimistas.
Só assim se explica como foram capazes de me ajudar a produzir uma reportagem de quarenta minutos sobre o fim do mundo. Alex e Luciana logo descobriram um destino óbvio: a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Além de ser um dos lugares mais bonitos do Brasil, tem o poder magnético de atrair malucos.

Gente do bem, mas dedicada a propagar teorias alucinadas. F
oi assim que, sob um pôr-de-sol deslumbrante, conhecemos a turma do IstoEle estava acompanhado por um grupo de seguidores, vindos de Goiânia e Brasília, para um fim-de-semana de meditação. Pareciam mais naturalistas ripongos do que religiosos, descreveu Alex.  Cantavam letras estranhas. Nos pulsos, escreviam números. Acreditavam no poder curativo deles, escrevi no texto da reportagem.

Não confundir com numerologia. Eram, na definição do líder do grupo, cromoritmos, seqüências numéricas capazes de abrir caminho. As seqüências teriam o poder de combater a inveja, o pânico, aguçar a intuição, trazer harmonia e ajudar a vida profissional. 

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Para proteger viajantes, bastava escrever 1.7.6.3 num papel ou no pára-brisas do automóvel - repetida como um mantra, a seqüência poderia evitar acidentes, quem sabe até pneus furados. Isto negava o título de profeta ou guru, se definia apenas como um cientista. O principal assessor dele, um rapaz sorridente e entusiasmado, esclareceu cochichando: Isto é o mesmo que Cristo, sem as duas primeiras letras.

De todas as seqüências numéricas, a que mais nos impressionou foi a que seria capaz de conter ânimos exaltados: 76.29.88.46.36.28.19.72.39.

Fiquei imaginando: até eu me lembrar destes dezoito numerais, a pancadaria terá começado. Havia números para combater doenças: o curador interno, 7.6.3, deveria ser escrito no pulso. Havia também a sequência do amor, o 1.9.3.6, que o grupo cantou com o acompanhamento de um violão. Estávamos no topo de uma montanha e o Zé Henrique produziu imagens belíssimas do ritual.

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Anos mais tarde, Alexandre Alencar (na foto acima, já hipnotizado pelo poder dos numerais) reconheceu: Dhomini tinha sido entrevistado por nós na Chapada dos Veadeiros. Na época, se identificou como André Augusto Ferreira Fontes.  Era o rapaz de sotaque caipira que nos disse que Isto era a nova encarnação de Cristo. Estava um pouco mais gordinho no programa.

Alex viu no participante do Big Brother o mesmo entusiasmo que André-Dhomini usou para tentar nos convencer do poder dos cromoritmos. "Qual foi a sequência numérica que Dhomini usou dentro da casa do Big Brother para derrubar concorrentes tão talentosos ?", pergunta até hoje o Alexandre Alencar.

Na minha opinião foi o 2.5, destinado a ajudar alguém em dificuldade.  O Alex insiste - e deve ter razão - que foi o 6.2.4.1, seqüência que teria o poder de ajudar quem enfrenta dificuldades financeiras. Depois de faturar 500 mil reais no Big Brother, Dhomini parece ter esquecido da sequência que evita os ataques de nervos.

Repita comigo, André: 76.29.88.46.36.28.19.72.39.

Publicado originalmente em 2005


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Luiz Domingos de Luna (11/02/2008 - 13:20)
Assisto o Big Brother e vejo que é um programa muito interessante, porque é através deste "confinamento" que o telespectador pode devendendar os mistérios da alma humana, pois se consegue fingir um dia, uma semana, mas nunca, "eternamente enquanto dure" e o Big Brother tem este poder de desmascarar a alma humana na rotina da observação,da vigilância constante e no "retiro da carapuça" que as pessoas colocam para massagear o ego. Entendo o Big Brother como um revelador fiel da radiografia do ser humano no espaço tempo, bem como nas suas relaçoes sociais.



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