Atualizado em 11 de abril de 2008 às 16:37 | Publicado em 02 de novembro de 2007 às 19:18

Convivi com Tim Lopes na redação da TV Globo, no Rio de Janeiro. Na foto acima, ele aparece com a mulher, na festa de aniversário de Fátima Bernardes. Tim era um boa praça.
Não me lembro de tê-lo visto que não fosse em dois estados emocionais: sorridente, ao chegar ao trabalho; e ansioso com o resultado de alguma investigação. Ele estava cansado de trabalhar nas reportagens do dia-a-dia. Buscava projetos de longo prazo, que exigissem mais do talento que tinha para dar.
Falávamos sempre sobre isso, na padaria que é ponto de encontro dos funcionários da Globo, no Jardim Botânico. Sugeri a Tim que procurasse o pessoal do Globo Repórter, o que ele fez. A proposta que ele apresentou à diretora do programa foi aceita.
Tim estava prestes a iniciar a produção de um programa sobre caminhoneiros quando foi morto daquela forma bárbara. Ele começou a carreira em redação de jornal. Gostava de se colocar na pele dos outros. Já tinha se vestido de Papai Noel, de operário da construção e de mendigo. Tirou reportagens originais das experiências.
Enquanto os novatos da redação se esforçavam fazendo buscas na internet, o Tim era dos velhos tempos. Gostava de se enfiar num ônibus, num trem, numa cadeia, de vagar pela Central do Brasil. Quando a rotina permitia que fizesse isso, voltava renovado, cheio de idéias.
Onde os outros viam apenas uma cena da miséria carioca, o Tim enxergava uma reportagem. Fizemos vários trabalhos juntos, alguns investigativos. Ele tinha jeito para resumir a idéia em duas ou três palavras. Eram as manchetes do Tim. Com elas, convencia editores de que valia a pena investir num assunto. Tim nasceu no morro da Mangueira. Quando o noticiário foi invadido pelas aflições de Michael Jackson, ele continuou preocupado com o drama dos descamisados.
Não era um repórter pop, como hoje se definem aqueles que buscam os assuntos da moda para botar no jornal ou na televisão. Juntos, fomos atrás da bailarina que saiu da escolinha do morro para estudar fora do país. Fomos ao abrigo de vítimas de violência doméstica. Ao hospital que maltratava doentes mentais.
Ele queria falar de presos afetados pela AIDS, do escroque que dava golpes vendendo terras inexistentes, de gente que tinha escapado da pobreza pela auto-superação. Acho que foi o jeito que ele encontrou de reafirmar a vitória pessoal, do menino que desceu o morro para ser um jornalista bem sucedido. Se um só novato abraçar o Jornalismo com o entusiasmo e o senso de Justiça que você teve, caro amigo Tim, terá valido a pena.
Publicado em 2005
Caro Tim,
Estamos precisando de você de volta o mais rapidamente possível.
abs
do Azenha
Atualizado em 18 de outubro de 2006
Caro Azenha, parabéns pelo blog. Quanto ao Tim, faço minhas suas palavras. Única observação: a informação que eu tinha é de que o Tim era gaúcho. Abs