Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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SOB ATAQUE DE UM POLVO

Atualizado e Publicado em 02 de fevereiro de 2008 às 16:06

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Eu não sei quem foi que inventou essa história de repórter participativo. É o dever que temos de fazer micagem diante da câmera para mostrar envolvimento na reportagem. Dizem que isso aproxima o repórter do telespectador.

Pode ser cascata (para os mais jovens, gíria que no meu tempo de adolescente significava bobagem). Alguns repórteres realmente apreciam esse tipo de envolvimento. São aqueles que atravessam com facilidade a fronteira (acho que hoje nem existe mais) entre Jornalismo e entretenimento.

Fui formado no tempo em que jornalista era remediado, não saía em coluna social e era do contra. Os tempos mudaram. Em 2001 fui fazer um Globo Repórter no Japão. Eu ainda tentava soltar o corpo, perder a timidez.

Estava testando os meus limites. Não precisava ter escolhido um bicho cheio de tentáculos para contracenar comigo. Numa das reportagens, decidimos mostrar a pesca tradicional de polvos na costa do Japão. Fomos a uma pequena cidade na costa do Japão. Um pescador muito cordial aceitou que o acompanhássemos.


Ele contou que durante a noite lançava ao mar cumbucas de cerâmica, amarradas umas às outras. Na manhã seguinte, voltava para recolhê-las. O polvo, bicho burrro, cai na armadilha. Entra nas cumbucas acreditando que é um bom esconderijo para uma noite de descanso.

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A foto acima registra nossa viagem de volta ao porto, depois de recolher as cumbucas. Na hora de retirar a pesca, recebi um pedido do cinegrafista José Henrique. Ele queria que eu tirasse um dos polvos capturados de dentro de uma cumbuca, para mostrar ação na reportagem.

O pescador, velho de guerra, disse que não havia problema algum. Faltou combinar com o bicho. Talvez meu rosto, na foto do topo da página, não expresse o momento de pavor. Os tentáculos do bicho envolveram meu braço. Quase fui obrigado a esmagar o polvo contra a parede do barco. Corri o risco de tomar processo de alguma associação protetora de polvos.

O bicho só largou minha mão depois de uma animada luta de judô. Hoje, quando frequento restaurantes japoneses, sempre peço sashimi de polvo. É minha forma de vingança contra esse bicho cheio de dedos grudentos.

Publicado originalmente em 2005


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Fernando (14/03/2008 - 13:49)
Azenha, Quando eu li a chamada para o artigo imaginei que você tivesse sido vítima daqueles monstros dos livros de Júlio Verne. Francamente. Abraços (sem trocadilhos), Fernando



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