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POPEYE: ONDE ESTÃO OS U$ 3 MILHÕES?

Atualizado em 25 de março de 2008 às 02:54 | Publicado em 24 de março de 2008 às 20:06

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Para não ser extraditado para os Estados Unidos, Pablo Escobar fez um acordo com o governo da Colômbia. Aceitou se entregar, desde que a prisão dele fosse construída numa colina com vista para Medellin. A colina é a que aparece na foto acima, que fiz em Medellin.

Do alto, Escobar queria vigiar os movimentos de seus inimigos. Os guardas penitenciários ele mesmo pôde selecionar.

Pablo era inteligente, ousado, ambicioso e vingativo. Um bandido que usou todas as armas para enfrentar um estado apodrecido. O chefão do cartel de Medellín peitou com sucesso as instituições da Colômbia. Só foi morto por causa da intervenção americana.

Os americanos usaram contra Escobar e seu bando as mesmas armas que o chefão usou contra seus inimigos. O cartel de Medellín lutou ao mesmo tempo contra o governo e contra traficantes rivais, do cartel de Cali. Escobar fundou um grupo que batizou de Os Extraditáveis, em nome dos quais liderava o combate à extradição de colombianos para os Estados Unidos.

O que ele mais temia era morrer apodrecendo numa cadeia americana. Militares e policiais colombianos se reuniram em torno de Los Pepes, grupo armado que dizia agir em defesa dos perseguidos por Pablo Escobar.

Escobar mandava matar familiares e aliados dos traficantes rivais, além de policiais, juízes, ministros de Estado e políticos colombianos. Los Pepes formavam um esquadrão da morte com apoio semi-oficial. Recebiam informações de forma indireta dos serviços de espionagem dos Estados Unidos.

Foi assim que mataram muitos aliados de Escobar e levaram o terror aos familiares do chefão de Medellín. Pablo Escobar foi tão poderoso que comprou votos na assembléia constituinte colombiana que bloqueou a extradição. Fortalecido, ditou os termos de sua rendição. O governo construiu a penitenciária em terreno de Pablo Escobar.

O exército patrulhava do lado de fora. Assim, ele continuou comandando o tráfico, sob proteção do Estado. Temendo um ataque pelo ar, Pablo Escobar mandou construir no presídio um abrigo anti-aéreo. Comida, bebida e mulheres entravam no caminhão que abastecia a prisão - eram três viagens por dia.

Para as grandes despesas, Escobar tinha 3 milhões de dólares em dinheiro güardados em um móvel. Também havia uma caixinha de cerca de 300 mil dólares para as pequenas despesas - comprar um policial aqui, pagar um assassino de aluguel ali.

Pablo Escobar tinha um plano de fuga pronto para ser usado a qualquer momento. Uma saída secreta que havia mandado construir. Quando sentiu que seria morto, escapou. Foi perseguido e finalmente morto em Medellín, em 1993.

Jhon Jairo Velásquez Vásquez, o Popeye, era assessor de Pablo. Ficou preso com o chefão na Catedral, como ficou conhecida a prisão construída para Escobar. Popeye passou a colaborar com as autoridades, teve a pena reduzida mas cumpre ainda cumpre pena. Cheguei a Popeye através do editor do livro que o bandido lançou na Colômbia. De dentro da cadeia, usando os telefones públicos que ficam à disposição dos presos, Popeye ligou várias vezes para o hotel em que eu estava hospedado, em Bogotá.

Fizemos uma entrevista por telefone. Popeye falou do mistério que permanece até hoje em Medellín, mais de uma década após a morte de Pablo Escobar. Onde foram parar os U$ 3 milhões de Pablo Escobar? Popeye acredita que as forças do exército que invadiram a prisão, pouco depois da fuga de Escobar, embolsaram o dinheiro.

A notícia de que havia um tesouro escondido na Catedral, como era conhecida a penitenciária, correu o país. Quando o exército desocupou o lugar, moradores da cidade correram até lá. Invadiram as instalações e derrubaram as paredes em busca do tesouro. Nada encontraram. Hoje a construção está abandonada.

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Esta é outra relíquia dos tempos da fortuna do narcotráfico em Medellin. Um prédio confiscado pela polícia, que estava em construção com dinheiro sujo.

Segundo nosso guia em Medellín, a família de Pablo Escobar preservou boa parte dos bens. Os filhos dos bandidos freqüentaram as melhores escolas dos Estados Unidos e Europa. Muitos abandonaram o crime, outros não.

Os que continuam no narcotráfico se tornaram homens de negócio. Empresários modernos, que comandam suas empresas de transporte de cocaína armados com laptops e conectados pela internet. Pablo Escobar morreu, mas a Colômbia continua sendo a maior produtora mundial de cocaína; e os Estados Unidos, o maior mercado consumidor.

Publicado originalmente em 2006


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Everton, de Belo Horizonte (06/05/2008 - 19:16)
Sensacional essa matéria. Riqueza e precisão de detalhes das ações desse líder, dessa mixórdia chamada tráfico. Quero ver matérias semelhantes com os Pablos aqui do Brasil, tipo Fernandinho Beira-mar e outros mais, desse lixo chamado tráfico de drogas, que usam prisões mantidas por trabalhadores que pagam impostos e que são ameaçados e mortos por esse escória humana, os traficantes. É preciso expor esses lixos humanos chefiando o tráfico, comandando ações, corrompendo juízes, promotores, delegados, carcereiros, políticos (os mais fáceis de serem corrompidos)e até setores da chamada elite empresarial e midiática, que são os verdadeiros consumidores e mantenedores dessa destruição humana.

Mateus (19/04/2008 - 22:40)
A mais que conhecida história do tráfico: uns fingem que combatem e os outros fingem que jogam o jogo dos primeiros. É assim: enquanto houver gente grande lucrando com cocaína, continua reinando o faz de conta. Os EUA vão sempre dizer que precisam investir PESADO no controle da produção e distribuição da coca, escondendo suas reais intenções: manter protegidos os chefões, de quem recebem muita grana e a quem permitem entrar nos EUA com a quantidade de coca que quiserem, bastando somente, é claro, abrir mão da famosa porcentagem. Moral da gistória: os americanos precisam da Colômbia, dos cartéis e do suposto combate ao narcotráfico. Uma combinação infinitamente rentável.

EDUARDO (02/04/2008 - 21:49)
Sinceramente, para quem não sabia nada sobre o canastrão, estou muito bem informado..obrigado.

Filipe Rodrigues (25/03/2008 - 15:09)
Pablo soube aproveitar a incompetência do estado colombiano, que serviu apenas para o desfrute das oligarquias, incapaz de amenizar a miséria do país. O exército de pobres da Colômbia serviu para Escobar, tornar-se popular entre as comunidades carentes, por disponibilizar benefícios que o governo local não dispunha (habitação, emprego, esporte e etc) e abastecer seu próprio exército paralelo. É de dar medo, se as autoridades brasileiras não oferecerem dignidade aos habitantes das favelas brasileiras, que pode levar a esta situação.

Felipe Vargas Zillig (24/03/2008 - 21:25)
Jornalismo de verdade,como leitor,obrigado pelas reportagens.Como cidadão,obrigado pelo reforço as pessoas que consideram fazer seu trabalho,política e participar da vida de seu país,coisas simples,e não entendem bem este negócio de me dá uma grana aqui,uma vantagenzinha alí.Acho que somos a imensa maioria.VALEU



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