Atualizado e Publicado em 02 de fevereiro de 2008 às 16:52

José Henrique, repórter cinematográfico da TV Globo, provou que Pelotas não merece a fama que tem. Com uma roupa improvisada, mergulhou num rio infestado por piranhas. O grande medo dele era que as feras entrassem calça adentro, fazendo danos irreparáveis. Sim, ele mergulhou de jeans e tudo.
Foi em Mamirauá, na primeira reserva de desenvolvimento sustentável do Brasil. Agora o lugar está virando moda, principalmente entre turistas estrangeiros. Estivemos lá quando a reserva ainda estava sendo organizada. Fica perto de Tefé, no estado do Amazonas.
Mamirauá é um dos lugares mais bonitos do mundo. O diretor do Globo Repórter, Alexandre Alencar, foi o autor da idéia de filmar as piranhas. Muy amigo, diria aquele antigo personagem da televisão. Alex queria provar a voracidade dos peixes carnívoros. Buscava cenas originais.
O risco de mergulhar com os peixes carnívoros ficou para o Zé Henrique. O próprio Zé conta: "Foi tudo improvisado, a partir das dicas de um biólogo. Não tínhamos roupa de mergulho. Botei um casaco grosso de naylon, meias de futebol para proteger as mãos, feito luvas. E o capuz do casaco para proteger as partes descobertas da cabeça, principalmente as orelhas."
Do lado de fora, segurávamos na ponta de uma vara de pescar um peixe morto, bem diante da lente da câmera à prova d'água que o Zé manejava. Fiquei agarrado numa corda, para garantir a estabilidade. Calça jeans, botas de couro e uma máscara de snorkel para respirar. A adrenalina ajudou a esquentar o sangue na água gelada, conta o cinegrafista. Nem ele estava preparado para testemunhar o que aconteceu. Assim que o peixe foi colocado na água, as piranhas atacaram em bando.

Esta foto mostra o que sobrou do peixe mergulhado diante do cinegrafista, depois do ataque das piranhas. A descrição é de José Henrique: "O medo era de levar uma mordida numa parte descoberta do corpo. Um pouco de sangue e elas viriam enlouquecidas para o meu lado. Dava para ouvir o barulho das mandíbulas. Além de destruir o peixe, elas atacavam umas às outras, na disputa por um pedaço de carne."
O cinegrafista saiu ileso da água, com imagens espetaculares. Mas assustado: "Senti mordidas no casaco, perto do braço. Ainda bem que o naylon resistiu." Naquela noite, de volta ao Picão - esse era o nome do barco em que estávamos hospedados -, o Zé pôde relaxar. A embarcação tinha uma antena parabólica. Se não estou enganado, o gaúcho fanático pelo Internacional viu uma vitória do Colorado em partida do Campeonato Brasileiro.
O diretor Alexandre Alencar deixou a surpresa para o fim. Só à noite, no conforto do barco, contou para o Zé: aquelas eram piranhas-caju, avermelhadas, as mais vorazes da Amazônia.
Publicado originalmente em 2005