Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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BAURU, PELÉ E XUXA

Atualizado e Publicado em 10 de março de 2008 às 15:22

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Nasci em Bauru, interior do estado de São Paulo. Foi lá que Pelé cresceu e começou a jogar futebol. Em Bauru, metade dos homens adultos dizem que já jogaram com ele. Não foi meu caso, embora, como Pelé, eu chutasse com os dois pés.

Torço pelo Santos FC por causa de Pelé. Vi o craque jogar em fim de carreira. Entrevistei o Pelé algumas vezes, em Nova York e em Roma.

Mas a melhor lembrança que tenho dele foi da despedida em Bauru, quando Pelé voltou a vestir a camisa do Bauru Atlético Clube, o Baquinho, onde começou a carreira.

No jogo, Pelé refez a jogada que poderia ter resultado no gol mais inteligente da carreira dele. Foi na Copa do México, em 1970, contra o Uruguai. Mazurkiewski era o goleiro adversário. A jogada da Copa está no filme Pelé eterno, que vale pelo arquivo dos gols geniais que ele fez.

Voltando ao lance da Copa, Pelé recebeu um passe na grande área, deixou a bola passar e confundiu o goleiro uruguaio. Foi buscar a bola do outro lado de Mazurkiewski. Infelizmente, concluiu a jogada chutando para fora.

O resto todo mundo sabe: a Seleção Brasileira foi tricampeã mundial com o melhor time que o Brasil já formou. Felix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo (Marco Antonio); Clodoaldo, Gérson e Rivelino; Jairzinho, Tostão e Pelé. O gol perdido contra o Uruguai ficou entalado na garganta de Pelé.

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Ele se desfez do fantasma ao se despedir do futebol em Bauru. O campo do BAC é acanhado. Ficou menor ainda, por causa da construção de piscinas.
O pessoal da velha guarda conta que, no auge do clube - que abandonou o futebol -, o BAC tinha um craque melhor que Pelé: Dondinho, o pai dele.

O BAC foi campeão do Interior com os gols de cabeça de Dondinho, no início dos anos 50. Nos anos 60, meu pai era um dos torcedores mais exaltados do BAC, quando o time ainda disputava campeonatos estaduais.

Lembro-me de um dia em que, revoltado com a atuação do juiz, seo Azenha atirou pedaços de tijolo para dentro do campo, tentando acertar o safado. Quando Pelé foi a Bauru se despedir do futebol, vi o jogo da lateral de campo. Já era repórter.

Ele recebeu a bola na entrada da área, deu o mesmo drible de corpo, e não desperdiçou. Deu a volta no goleiro e só empurrou a bola para dentro do gol vazio.
A arquibancada só não desabou porque era de concreto.

Reencontrei Pelé anos depois, em Nova York, como jogador do Cosmos. Ele tinha uma turma de amigos na cidade. Comprou uma casa de veraneio nos Hampton's, uma praia chique de Long Island.

As farras, dizem testemunhas, eram de tirar o fôlego. Lulu, o fotógrafo oficial de Pelé, e Omar Freire eram fiéis escudeiros do craque. Pelé era desconhecido dos americanos. O inglês dele era sofrível. Omar conheceu Pelé numa loja de eletrônicos, na rua 46, a então rua dos brasileiros (agora tem mais lojistas coreanos do que brasileiros).

Pelé estava mal agasalhado para o inverno novaiorquino. Omar ofereceu uma carona numa Kombi, a mesma que usava como motorista-produtor da Revista Manchete. Pelé aceitou a carona e Omar entrou para o círculo de amigos.

Nas festas de arromba, havia sempre duas mulheres para cada homem. No dia seguinte, muita gente reclamava com Pelé, dizendo que "não tinha se dado bem". Pelé lembrava que não tinha sido por falta de mulher. "O problema é que todas querem ficar com você", reclamavam os amigos.

Anos mais tarde, Pelé começou a namorar a apresentadora Xuxa, que iniciava carreira na tevê. Pelé encomendou fotos dela ao Lulu, profissional brilhantíssimo. Omar e o fotógrafo escolheram o cenário: um pier no Brooklyn, com linda vista para a ilha de Manhattan.

Com a maior naturalidade, entre uma série de fotos e a seguinte, Xuxa entrava na Kombi e trocava de roupa. Ficava nua, diante do Omar.

Nos Estados Unidos, Pelé era garoto-propaganda do grupo Time Warner. Teve algumas idéias marotas, como a de se candidatar a presidente da República.
Ainda bem que os compromissos comerciais dele nos livraram disso. Pelé sempre foi simpático com os jornalistas.

Na Copa de 1990, na Itália, Pelé foi comentarista de várias emissoras estrangeiras. O centro de imprensa ficava em Roma, mas Pelé não passava por lá.
Ia direto aos estádios. Eu trabalhava na Rede Manchete. Minha tarefa era gravar reportagens especiais em todo o país e retornar ao centro dos jornalistas, para cuidar da edição.

Numa dessas ocasiões, começou a correria. Até os bombeiros italianos ficaram com medo de que se tratava de um incêndio ou desabamento. Descobriram que o problema era Pelé. Ele visitava o centro de imprensa e jornalistas do mundo inteiro se esmurravam para entrevistá-lo. Um fenômeno que até hoje se repete, onde quer que esteja o Rei.

Publicado originalmente em 2005


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Cris (01/10/2008 - 00:44)
Minha família é de Bauru. E meu e meus tios, ehe, como vc bem observou, dizem que jogaram com ele. Na verdade, papai diz que não jogou exatamente com ele, porque o Pelé era mais velho e meu pai tava na turma dos mais novos. Mas é verdade, ele tem fotos! :) Gostei do que vc disse que a melhor seleção foi a de 1970. Claro que foi, venceu, com graça e tudo. Não suporto quem diz que a melhor seleção foi a de 1982, porque eles simplesmente perdram. E melhor no futebom é ser melhor na prática e não na teoria. Beijos

Hobert (17/09/2008 - 18:21)
O Edson realmente é de três corações, mas o Pelé é de Bauru hahahahahahahahahha

pinheiro (24/08/2008 - 12:15)
Ô gente burra... Quem nasceu em Bauru, e o autor do texto, o jornalista Azenha. E quem nasceu em Tres Coracoes, muito embora isso nao seja dito na materia, é Pele.Olhe, prestem atencao a essa frase: -Nasci em Bauru, interior do estado de São Paulo. Perceberam? Nasci! preimeira pessoa (eu). Sujeito oculto, porem nao indefinido.Depois nao se sabe o porque, do nosso atraso cultural. Estamos no minimo, com 500 anos de defesagem em relacao ao resto do Mundo.

Vinícius (13/08/2008 - 20:59)
Pelé nasceu em Três Corações. Seu apelido é esse por causa de um goleiro do Vasco do início da década de 50 (reserva do Barbosa) o Bilé. E como o pai do Pelé era vascaíno, chamava o filho de Bilé, mas acabou pegando Pelé.

Samantha (01/08/2008 - 21:13)
Nasceu em BAURU???? e Três COrações???

Carlos (01/08/2008 - 20:02)
Pelé é humano, sujeito a falhas e acertos. Agora negar o seu valor, principalmente na propagação do nome do Brasil no exterior. É uma das pessoas que mais fizeram o país ser reconhecido internacionalmente. OBSERVEM BEM, ISTO DESDE OS ANOS 60! O resto é despeito por causa da sua origem, raça e posição social. Eu posso discordar do Pelé em muitas coisas, e até discordo, mas tirar a sua importância para o país, o seu brilhantismo, a sua genealidade no esporte, isso eu não o faço, porque eu procuro separar as coisas e agir com bom-senso.

Jogi-Japao (27/07/2008 - 04:47)
Nos nunca devemos misturar a arte com a vida particular muitos tem a dificuldade de administrar as duas coisas e da era Pele poucos se deram bem porque nunca deram valor ao seu proprio talento diferente do Pele que sobreviveu a tudo isso e com muito sucesso..parabens

Garcia (26/07/2008 - 07:25)
Parabéns Fernando, são poucas pessoas que não vêem apenas um lado da moeda. È fácil criticar alguém quando o mesmo não está presente. Pelé, o maior jogador de todos os tempos não merece ser ridicularizado.Quanto ao fato de negar a paternidade de sua filha, não nos dá o direito de julga-lo pois não conhecemos o motivo que o levou a tomar tal decisão.

Fernando Carvalho (24/07/2008 - 12:10)
Érika, não sou amigo e nem tenho procuração do Pelé para defende-lo no episódio da Sandra, mas sou de Santos SP e pelo que acompanhei a "coitadinha" não queria o reconhecimento apenas, ela queria entrar na grana e se dar bem, tanto que quando foi reconhecida judicialmente ela passou usar o sobre nome Arantes, ela não usava o da mãe e nem o do marido nas campanhas a vereadora e deputada, e isso mostra o que mesmo? O nome do pai alçou-a a câmara de vereadores de Santos, com mais de um mandato medíocre, ela também usava e a força de criar opinião de uma igreja evangélica para se manter no cargo, morreu por ignorância travestida de fé, Se o Pelé fez bem em não aceitar ela como filha, isso é com ele, mas a grande maioria dos homens deste país fariam a mesma coisa, mas ele é o Pelé, e para paracer bom tem que engolir tudo que aparece pela frente. Ela era uma espertalhona que se deu bem usando a fama do pai. Não é pq ela morreu que virou santa, nem o pelé é! De ídolos feitos pela mídia o asssassino Che e o babão Fidel ainda assustam o sono das criancinhas. E eu não vejo tanto empenho em desmistificá-los.

Maria de Fátima (23/07/2008 - 22:25)
Ele,o rei que não teve a ombridade de reconhecer,de verdade a filha,ou seja sendo o pai ,amigo ,companheiro.Ela,rainha dos baixinhos,que ficava nua assim,assim.Senhores,vamos começar a destronar esses ídolos que a imprensa vira e mexe os colocam em evidência.Por favor,tá na hora,ou melhor já passou anos da hora.

Xexéu (29/03/2008 - 01:48)
Ô Erica vc tá é morrendo de inveja do pelé isso sim! Só pq ele pegou a xuxa e vc queria também né??? éééééé´....conheço seu tipo. fui

Erica (24/03/2008 - 20:20)
Pelé? dizem que é o rei do futebol, pra mim é apenas um homem que lutou até aonde pode pra nao reconhecer a própria filha, que nao teve nem a ombridade de visitar a mesma qdo. essa se encontrava agonizante no hospital. Esse sr. nao merece meu respeito. Em minhas viagens ao exterior, qdo. alguém faz algum elogio à ele, faco questao de contar sobre o episódio "Sandra", a maioria fica perplexo, a mascara caí a as pessoas ficam com uma interrogacao na cara: "será mesmo verdade?" "que atitude asquerosa", a mascara caí, as pessoas perdem o ídolo e encontram o pior dos pais, aquele ai ausente, e todo mundo perde o ídolo e encontra lguns falam.pois a imagem de bom senhor nao combina com essa atitude, a mascara caem facilmente com argumentos inefutáveis. Pobre Sandra, morreu sem conhecer amor de pai... pai? arremedo de pai, mais um desses homens que fazem filho por aí e nao querem nem saber se estao bem, se estudam, se precisam de amor, se estao sendo abusados. Homem assim devia ser castrado de nascenca. As maes solteiras desse pais que o digam, o Brasil tem alguns milhoes de "reis" que agem exatamente da mesma forma.

teresinha (23/03/2008 - 11:26)
Concordo plenamente, é gozado como ninguém fala nisso na mídia, diferentemente de como esta se comporta tanto a celebridades quanto autoridades, será que ganham bem pelo silêncio ou gastariam muito com juízes em eventual ação?

Clovis (18/03/2008 - 05:08)
Lá nas fazendas de gado do rei no vale do ribeira, o ilustre deixa a desejar. Calotes nas lojas que fornecem materias para tais fazendas é normal. Quem ve cara não vê coração.

Dulce Leão (10/03/2008 - 22:03)
:)) Realmente, em qualquer lugar do mundo que você esteja, por mais difícil que seja o idioma, se disser que é do "Brasil, terra do Pelé", todos abrem um largo sorriso...

Conceição Oliveira (10/03/2008 - 20:41)
Eu adoro futebol, embora tenha nascido na terra do Santos Futebol Clube, sou corintiana por causa do meu avô paterno e do meu pai. Pelé é ícone sim, independente do time para o qual se torça o respeito e reconhecimento de seu futebol é quase unânime. É uma pena que um brilhantismo tão genuíno em campo não tenha sido acompanhado de caráter.  Pena que um ícone nacional e quase global possa ser tão cafajeste na relação pai e filho...A luta de Sandra para conseguir seu nome e um mínimo de afeto é de cortar o coração. Pelé recorreu mais de uma dezena de vezes contra o reconhecimento de paternidade. Bem fez dona Anísia em não permitir a entrada das flores que ele enviou no velório de Sandra. Insensível, quase uma pedra: não foi ver a filha nem na hora da morte, nem ao menos um telefone que era o último desejo dela. Já o filho que ele tanto zelou envolvido com tráfico de drogas, preso...Pelé em termos de identidade ética-racial e responsabilidade social deixa muito a desejar, reproduz todos os estereótipos socialmente construídos sobre o homem negro no Brasil, pena, grande pena.



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