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Ataque aos imigrantes Utilidades

NA TRAVESSIA, ILEGAIS MORREM DE FRIO E DE SEDE

Atualizado em 02 de fevereiro de 2008 às 13:09 | Publicado em 24 de janeiro de 2008 às 01:02

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São 3.140 quilômetros de fronteira entre os Estados Unidos e o México. A foto acima é da cerca enferrujada que separa os países numa praia da Califórnia.

Eu e o cinegrafista Sherman Costa fomos conhecer dois pontos quentes da fronteira: Brownsville, no Texas, e Tucson, no Arizona. Brownsville fica perto do Golfo do México.

Passamos algumas horas com agentes da patrulha de fronteira americana. Eles dispõem de helicópteros e câmeras que emitem raios infravermelho - permitem aos policiais enxergar durante a noite. É óbvio que é impossível guardar toda a extensão da fronteira.  Os americanos teriam que mobilizar o Exército que luta no Iraque se quisessem de fato controlar a imigração. É impossível calcular quantos imigrantes furam o bloqueio fronteiriço.

São mexicanos e centro-americanos - de El Salvador e República Dominicana, principalmente. O Brasil já está entre os cinco principais países de origem dos ilegais. Em setembro de 2005, a Polícia Federal desmontou um esquema que dá uma idéia da sofisticação das máfias. Os candidatos à travessia eram levados de Ipatinga, Minas Gerais, para São Paulo. Recebiam passaportes brasileiros com vistos americanos falsos.

O esquema contava com a conivência de agentes da Polícia Federal e de funcionários de empresas aéreas do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Eles facilitavam o embarque dos viajantes com documentos falsos. Uma vez no México, tinham transporte garantido até a fronteira com os Estados Unidos. Preço completo do pacote: 15 mil dólares.

Dias antes, o México havia voltado a exigir visto para brasileiros que pretendem entrar no país. Forma de dificultar o desembarque daqueles que, na verdade, tem como destino a fronteira com os Estados Unidos. Durante nossa visita à guarda de fronteira americana em Brownsville, no Texas, um agente explicou que o objetivo da patrulha era bloquear as regiões de maior trânsito de ilegais. Os coiotes, intermediários do tráfico humano, adotam rotas cada vez mais perigosas para fugir da fiscalização.

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Um dos trajetos usados agora exige a travessia das montanhas de Baboquivari. Na escuridão, os imigrantes caem nestas plantas baixas, que são espinheiros. A viagem a pé chega a ser de oitenta quilômetros. Em 2004, o número de imigrantes mortos na travessia bateu o recorde: 325. O calor do dia e o frio da noite são as principais causas de morte.

Pelo menos três delas são atribuídas a grupos racistas que se formaram na região de Tucson, Arizona, onde visitamos brasileiros detidos num presídio.
Fazendeiros e grupos radicais que se organizam para defender a fronteira fazem caçadas humanas. Prendem os imigrantes e os entregam ao Serviço de Imigração. Um destes grupos, batizado de Vigilantes da Vizinhança, distribuiu panfletos convocando americanos de outros estados a ajudá-los, no que definiram como um passeio turístico com o título de "Divirta-se sob o sol".

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Esta é uma placa comum em algumas rodovias próximas à fronteira. Adverte motoristas americanos para a possível travessia de imigrantes em fuga. A suposta preocupação com a vida dos ilegais não se reflete num relatório da Anistia Internacional, que denunciou maus tratos cometidos por agentes americanos contra imigrantes presos.  Um brasileiro que ouvimos na cadeia perto de Tucson resumiu: "Somos tratados como cachorros".

Ativistas americanos dizem que a política do governo é hipócrita: reduz o número de imigrantes, força o uso de caminhos mais perigosos e ao mesmo tempo mantém abertos alguns funis. Por eles passa a mão-de-obra barata que ajuda a manter baixos os salários dos trabalhadores americanos.

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Um muro fronteiriço já existe, em algumas regiões mais populosas da fronteira. Mas o governo mexicano rejeita a ampliação da barreira. Análise publicada pelo Council on Foreign Relations, de Nova York, sobre a imigração de mexicanos para os Estados Unidos:

"A economia americana depende de mão-de-obra não qüalificada em dezenas de áreas, inclusive agricultura, construção e trabalho doméstico. Para esses empregos, os Estados Unidos dependem fortemente dos 10 milhões de imigrantes ilegais atualmente no país. A maioria desta população veio do México - e mais imigrantes tornam a travessia da fronteira mais perigosa a cada ano."

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A foto acima identifica um ponto de troca de roupas, em que os ilegais se livram das peças sujas e se vestem para começar o sonho americano. Desde 2000, quando Vicente Fox assumiu o poder, cerca de dois milhões de mexicanos imigraram - legal e ilegalmente. A maioria deles para os Estados Unidos.

Cerca de 575,000 mexicanos entraram nos Estados Unidos entre 2000 to 2004, de acordo com o Pew Hispanic Center, de Washington. Deste número, só 90 mil o fizeram legalmente. Em 2004, mexicanos que vivem fora do país remeteram U$ 22,2 bilhões para os parentes no México. Mas isso tem um preço: todo ano, cerca de 400 imigrantes morrem na travessia.

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A maior parte de sede ou de frio. Cerca de 46% dos ilegais que atravessam para os Estados Unidos são mulheres e crianças. Em alguns casos as quadrilhas de tráfico de gente cavam túneis como o que aparece acima, já lacrado com concreto. Os túneis também são usados por traficantes de drogas.

Que tipos de medida estão sendo analisadas pelo Congresso americano? Construir um muro de 1.050 quilômetros na fronteira; aumentar as penalidades para empregadores de imigrantes ilegais; tornar uma contravenção trabalhar sem documentação apropriada e tornar ilegais os grupos humanitários que ajudam imigrantes não documentados.

Em minha opinião é pouco provável que todas as propostas analisadas pelo Congresso americano saiam do papel. Os imigrantes se tornaram uma fonte de divisas essencial para a economia do México, país que enfrenta rebeliões internas pouco noticiadas pela imprensa brasileira - primeiro em Chiapas e agora no estado de Oaxaca.

Sem o trabalho dos ilegais, os salários nos Estados Unidos sofreriam pressão para cima, prejudicando empresários americanos. Esse é um argumento suficientemente forte para convencer republicanos e democratas de que falar para agradar aos eleitores é uma coisa, fazer são outros quinhentos. Enquanto isso, grupos privados estão pagando pela construção de barreiras em propriedades privadas que ficam na fronteira.

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Este é o projeto de uma empresa do Arizona, que garante: se toda a fronteira fosse protegida assim, ninguém entraria ilegalmente nos Estados Unidos. Um grupo de apoio civil ao Border Patrol diz que os "invasores" mexicanos oferecem um perigo de longo prazo. Texto publicado pelo grupo na internet:

"Os imigrantes ilegais mexicanos usam um nome, Reconquistas, os re-conquistadores. Eles estão reconquistando a América e a transformando em um lugar igual ao México de hoje. O símbolo deles é a bandeira americana original, com treze estrelas. A situação é extremamente grave. A maior ameaça à nossa América vem da fronteira ao Sul".

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"Sem rendição e sem anistia", diz o texto escrito na bandeira. Notem o revólver na cintura do cidadão. É um dos patrulheiros. Combater imigrantes desarmados é muito menos arriscado do que lutar no Iraque, concordam?  Defender os Estados Unidos de uma ameaça externa, ainda que falsa, faz essa gente se achar útil e patriota.

A imigração cresceu depois que o México fez tudo o que reza a cartilha do consenso de Washington: privatizações, controle dos gastos públicos, abertura comercial completa. Os mexicanos ricos ficaram mais ricos e os pobres, mais pobres. Quem se deu mal tenta fugir rumo ao Norte.

O verdadeiro medo, nos Estados Unidos, é quanto ao crescimento da população hispânica - a taxa de natalidade entre os cucarachas é bem mais alta do que entre os WASPs - white anglo-saxon protestant - brancos, protestantes, anglo-saxões.  Mas ninguém fala nisso abertamente. Seria politicamente incorreto.

Publicado originalmente em 2005 e reeditado em novembro de 2006
 


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Elaine Cristina (21/07/2008 - 14:51)
Acho ridiculo vc sair do seu país para passar esses absurdos em uma travessia para os Estados Unidos,mas,ainda vamos perder muitos brasileiros,até que se tome providencias para que não precisemos sair do nosso país para tantar uma vida melhor!

EDIMAR RA (17/07/2008 - 03:22)
JÁ PENSOU EM UM POVO TODO NEGRO NOS USA ,VOCÊ ACHA QUE UM POVO MESTIÇO TEM CAPACIDADE INTELECTUAL PARA CHEGAR PERTO DE UM POVO BRANCO? NOTADAMENTE MESTIÇOS SÃO INFERIORES A BRANCOS .

wilson cunha junior (03/02/2008 - 11:38)
CLANDESTINO - MANU CHAO Solo voy con mi pena Sola va mi condena Correr es mi destino Para burlar la ley Perdido en el corazón De la grande Babylon Me dicen el clandestino Por no llevar papel Pa' una ciudad del norte Yo me fui a trabajar Mi vida la dejé Entre Ceuta y Gibraltar Soy una raya en el mar Fantasma en la ciudad Mi vida va prohibida Dice la autoridad Solo voy con mi pena Sola va mi condena Correr es mi destino Por no llevar papel Perdido en el corazón De la grande Babylon Me dicen el clandestino Yo soy el quiebra ley Mano Negra clandestina Peruano clandestino Africano clandestino Marijuana ilegal Solo voy con mi pena Sola va mi condena Correr es mi destino Para burlar la ley Perdido en el corazón De la grande Babylon Me dicen el clandestino Por no llevar papel Argelino clandestino Nigeriano clandestino Boliviano clandestino Mano negra ilegal



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