Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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Ataque aos imigrantes Utilidades

AUGUSTO NA CADEIA

Atualizado e Publicado em 22 de janeiro de 2008 às 17:30

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Eu tive um impulso moralista antes de escrever essa história. Ia detonar o pai como irresponsável e acusar os americanos de violar os direitos humanos. Mas pensei melhor.  Dramas humanos como o de Augusto escapam ao julgamento moral. Imaginei o quanto ele sonhou quando morava em Ji Paraná, estado de Rondônia.  Imaginei o conteúdo das cartas da mulher dele, que vivia há um ano na Flórida, incentivando o marido a fazer a viagem.

Pensei no sofrimento da mãe, distante da filha; e na angústia da criança, que demonstrou coragem quando enfrentou o desconhecido. Augusto é daqueles pais que chamam a filha de bichinha.  Natália tinha só nove anos de idade quando o acompanhou na tentativa de entrar ilegalmente nos Estados Unidos, pela fronteira do México.  Os dois foram capturados por agentes do Serviço de Imigração americano.  Sem falar inglês, Augusto tentou convencer os agentes americanos a deixar que explicasse para a filha o que estava acontecendo.  Nada feito.

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Ele foi para uma penitenciária, onde o encontramos durante uma visita de parlamentares brasileiros aos imigrantes detidos. Passou dias agoniado, sem saber onde estava a filha. Augusto demonstrou orgulho da bravura demonstrada por Natália na travessia. "A bichinha andou quatro horas sem reclamar. Era dia do aniversário dela", contou o pai, chorando muito.  Natália disse para o pai: "Já passamos muitos aniversários juntos, mas nenhum como esse, né? Se tudo der certo, a gente vai ver a mãe."

"Ela estava com o rosto todo arranhado, porque caiu várias vezes na caminhada. Fui algemado diante dela", contou Augusto. Nessa hora nem o sangue frio de repórter resistiu. 

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Mandei chamar o americano do Departamento de Homeland Security (Departamento de Segurança Doméstica) que havia agendado a visita dos parlamentares brasileiros. Queria vê-lo diante de Augusto para oferecer alguma explicação.

O americano não tinha idéia do que estava se passando.  Mas se prontificou: "Hoje mesmo você vai ficar sabendo onde está a sua filha." Mais tarde Augusto foi informado de que Natália estava sob a guarda do Juizado de Menores de Phoenix, no Arizona, perto da penitenciária.  Algumas semanas depois de nossa visita, pai e filha foram mandados juntos de volta para o Brasil.

Publicado originalmente em 2005


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Mateuz (22/01/2008 - 21:33)
É, nessas horas a liberdade idealizada pelos norte-americanos some.



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