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Ataque aos imigrantes Utilidades

AGONIA DE BRASILEIROS NA PRISÃO

Atualizado e Publicado em 23 de janeiro de 2008 às 11:47

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Eles nos receberam com aplausos, acenos e gritaria. Foi a primeira visita de uma equipe de televisão brasileira à cadeia da região de Tucson, no estado americano do Arizona. Nela são mantidos os imigrantes capturados ao tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos pelo deserto. Desde que fomos lá, 1.200 brasileiros já foram repatriados.  Pouco adiantou.

O ciclo continua: mais brasileiros tentam atravessar a fronteira, muitos são presos e a cadeia fica lotada novamente.  Eu e o cinegrafista Sherman Costa saímos de Nova York para acompanhar uma delegação parlamentar brasileira que visitou presídios onde havia imigrantes brasileiros presos. Dela faziam parte os senadores Hélio Costa (PMDB-MG) e Marcelo Crivella (PFL-RJ) e o deputado João Magno (PT-MG).

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Na foto acima, aparecem o senador Hélio Costa e o deputado João Magno. Conversavam com dois brasileiros presos numa cadeia de Brownsville, no estado americano do Texas. Desde então foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista - da Câmara Federal e do Senado - para investigar a emigração. Explico logo, antes que alguém se confunda.  Emigrante é o brasileiro que está saindo do país. Imigrante é aquele que chegou lá.

Desde aquela missão, a vida dos parlamentares ficou agitada. Marcelo Crivella, da Igreja Universal, foi acusado pela revista IstoÉ de movimentar contas no Exterior, o que ele nega. Hélio Costa tornou-se ministro das Comunicações do governo Lula. João Magno foi acusado de ser um dos deputados que receberam o mensalão. Ele admitiu ter recebido 426 mil reais em dinheiro das contas do publicitário Marcos Valério. Em sua defesa, afirma que usou o dinheiro para pagar contas da campanha política de 2002. Achei o deputado uma pessoa simples e genuinamente preocupada com os imigrantes brasileiros. Não tenho como dizer se ele é culpado ou inocente.

[A cassação do deputado foi negada pelo Congresso, em votação]

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Numa entrevista ao site, feita antes que estourasse o escândalo, o deputado João Magno deu um quadro geral do resultado das investigações feitas até agora. Mulheres como Valdirene, que aparece na foto acima, representam menos de cinco por cento dos ilegais.  No primeiro vôo acertado entre parlamentares brasileiros e o governo americano para trazer de volta os ilegais presos, embarcaram 274 imigrantes; 141 eram de Minas Gerais, 34 de Goiás e 14 de Rondônia.

Por que Rondônia? Para os moradores do estado, a passagem aérea é mais barata. Existem vôos que saem de Rondônia para La Paz, na Bolívia, de onde os brasileiros seguem para o México. Segundo o deputado, a máfia que organiza a emigração não tem um comando central. É gente que ganha cerca de 10 mil reais por brasileiro que completa a travessia. O dinheiro é depositado numa conta bancária e liberado quando o imigrante chega ao destino.

Nesse "pacote" já está incluído o preço dos vôos. Os intermediários no México, conhecidos como coiotes, estes sim são muito bem organizados. Recebem pouco por pessoa atravessada, ganham no volume. Segundo o deputado, a chance de sucesso de um brasileiro que tenta entrar ilegalmente nos Estados Unidos é de 50%. João Magno não pretende sugerir punições nem mesmo para quem lucra com o tráfico de gente.

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"Em Minas ninguém quer saber disso", diz ele. É que muitas famílias recebem remessas de dinheiro daqueles que trabalham nos Estados Unidos. O pessoal de Minas compra casas, carros, fazendas - tudo com o dinheiro que vem de fora. Em 2005, o valor injetado pelos imigrantes na economia brasileira deve chegar aos 6 bilhões de dólares.

Publicado originalmente em 2006


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