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Altercom: Entrevista com Venício

Atualizado em 12 de maro de 2010 s 22:42 | Publicado em 12 de maro de 2010 s 22:40

11.03.10 - BRASIL     
Altercom: Um representante das mídias alternativas. Entrevista com Venício Lima

IHU - Unisinos *

na
Adital

Há cerca de 15 dias, empresários e empreendedores da área de comunicação, representantes de pequenas mídias, ou mídias alternativas, reuniram-se para efetivar um projeto pensado durante o processo da 1º Conferência Nacional de Comunicação. A Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação - Altercom é uma associação feita para representar aqueles que estão por trás das produções das mídias alternativas e que não têm interesses defendidos por outras organizações semelhantes, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

"A convocação recente para a 1º Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), e sua efetiva realização em dezembro do ano passado, tornou mais claro que existe uma divergência importante de interesses entre esses grandes grupos empresariais, representados por essas associações e grupos de empresários numa escala econômica bem menor, e são ligados a novas mídias", considerou o professor Venício Lima durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line por telefone.

Conhecido por seu comprometimento com o direito da comunicação, Venício participou das discussões durante a Confecom que idealizaram a Altercom. "Eu vejo a Altercom como uma iniciativa no caminho da democratização do mercado da mídia no Brasil", verbalizou.

Venício Artur de Lima é sociólogo, graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais. É mestre em Advertising, pela University of Illinois, onde também realizou o doutorado em Comunicação e o primeiro pós-doutorado. Também é pós-doutor pela Miami University. É professor aposentado pela Universidade de Brasília (UnB). Escreveu Mídia: crise política e poder no Brasil (São Paulo: Perseu Abramo, 2006) e Rádios comunitárias: coronelismo eletrônico de novo tipo (São Paulo: Observatório da Imprensa, 2007), entre outras obras.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - O que é a Altercom?


Venício Lima - A Altercom é uma associação de empresários e empreendedores da área de comunicação que não se sentem representados pelas atuais associações que existem no setor, mais especificamente a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Estas são associações tradicionais que historicamente têm representado o interesse dos grandes grupos de comunicação existentes no país, tanto na área de radiodifusão quanto na área de impressos. A convocação recente para a 1º Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), e sua efetiva realização em dezembro do ano passado, tornou mais claro que existe uma divergência importante de interesses entre esses grandes grupos empresariais, representados por essas associações e grupos de empresários inseridos numa escala econômica bem menor, ligados à mídia alternativa. Esses empresários e empreendedores, que participaram da Confecom enquanto os outros grandes grupos não só não participaram como boicotaram a conferência, tiveram contato durante as fases preparatórias do evento e chegaram à conclusão de que precisavam se organizar para que seus interesses e ponto de vista fossem representados na disputa que se faz nesse setor no país. Então, na verdade, a Altercom é o resultado dessa constatação, que não é nova, mas que ficou evidente durante a realização da 1º Confecom.
Faz parte do jogo democrático a associação de grupos e pessoas que têm interesses comuns para defesa e luta por seus interesses. Existem várias formas de associação, desde partidos políticos até a Altercom. Vou dar um exemplo muito objetivo e concreto: o Estado brasileiro é o maior anunciante do país. Se você manusear, ver, assistir qualquer veículo de comunicação comercial no Brasil, vai constatar que, em alguns casos de forma muito evidente, outros nem tanto, o Estado é o grande anunciante. Essas associações que representam os grandes grupos funcionam, dentre outras coisas, como representantes dos interesses desses veículos inclusive na distribuição desses recursos que são públicos. E essa mídia alternativa, que tem uma escola comercial menor, trabalha com novas tecnologias e tem dificuldades de acesso à parte desses recursos publicitários, por várias razões. Uma delas é porque os anunciantes comerciais normais resistem e até mesmo desconhecem a penetração dessa nova mídia. Assim, essa nova associação vai disputar em nome desses pequenos empresários da mídia alternativa e representar seus interesses em relação ao bolo publicitário e exercer um papel educativo de mostrar que está havendo uma mudança muito grande nesse setor de mídia, assim como deve mostrar o crescimento importante da mídia alternativa. Do ponto de vista comercial, é absolutamente justificável que exista uma associação desse tipo.

IHU On-Line - Quem está participando da Altercom?

Venício Lima - O grupo que publica a revista Fórum, o grupo que publica a revista Caros Amigos, o grupo Aboré, o site multimídia Carta Maior, vários blogueiros como Rodrigo Viana, a Casa de Cinema de Porto Alegre, o jornal ABCD Maior, a Adital, edições Paulinas, editora Boitempo, o blog do Nassif, o site Vermelho, a Fundação Perseu Abramo, a Revista do Brasil, a Teoria e Debate, o Núcleo Piratininga... São cerca de 60 empresários. Esses nomes que te dei já dão uma ideia.

IHU On-Line - O que significa defender as posições políticas desse setor?

Venício Lima - Vejo a Altercom de maneira extremamente positiva porque entendo que, no Brasil, se tem não apenas uma mídia concentrada, mas as associações que a representam. O sistema de mídia brasileiro precisa de regulação, mais pluralidade e diversidade. Eu sou um sujeito comprometido com a ideia de direito da comunicação, o que significa não só a liberdade de ser comunicado, mas de comunicar, de ter acesso a mídias e equipamentos para tornar a sua opinião pública. Eu vejo a Altercom como uma iniciativa no caminho da democratização do mercado da mídia no Brasil.

IHU On-Line - A Altercom tem relação com o Fórum de Mídia Livre?

Venício Lima - Eu tenho impressão que o Fórum de Mídia Livre tem ligação com essa organização da mídia alternativa. Porém, durante a fundação da Altercom, não apareceu uma relação com o Fórum de Mídia Livre.

IHU On-Line - Existem, no mundo, organizações com ideias próximas ao da Altercom?


Venício Lima - Com certeza. Nos Estados Unidos, tem o Media Consortium, que reúne empresários da mídia independente, como eles chamam. No mesmo dia em que fizeram reuniões aqui para falar da Altercom, os empresários da mídia independente se reuniram em Nova York para tratar das mesmas questões. Isso mostra que não é só no Brasil que iniciativas desse tipo estão acontecendo. Uma explicação para essas iniciativas é a inquestionável mudança que está acontecendo no mercado de mídia, porque vivemos uma crise universal da mídia impressa, há uma queda de audiência importante nos canais tradicionais de televisão. E nesses espaços de crise e com a capilaridade cada vez maior das novas mídias, sobretudo a Internet, é natural que empreendedores e empresários não se sintam representados pelas associações existentes.

IHU On-Line - Qual seria a diferença fundamental entre a Altercom e entidades como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)?

Venício Lima - A primeira diferença é de escala, porque essas associações representam a grande mídia. A Abert, apesar de ela representar concessionárias do serviço público, historicamente tem representado, sobretudo, os interesses das organizações Globo e seus afiliados Brasil afora. A ANJ, atualmente, é presidida por um superintendente do Grupo Folha. Já a Anert tem representado, principalmente, os interesses do Grupo Abril. A Altercom está representando empresários que estão em escalas menores, mais associados com a mídia alternativa, e têm maior entendimento em relação a questões ligadas ao direito da comunicação, liberdade de expressão e de imprensa. Esse entendimento do papel e do espaço da mídia é muito diferente desses grandes grupos. Essas são algumas diferenças, mas isto vai ficar ainda mais claro quando sair a carta de princípios e o estatuto. Eu tive uma informação no dia 09-03 de que a carta já está redigida, mas ainda não foi divulgada.

IHU On-Line - Que novidades as mídias podem trazer durante o processo eleitoral deste ano?

Venício Lima - Já em 2006, vários estudos mostraram que a Internet desempenhou um papel muito importante em relação ao comportamento da grande mídia. Depois disso, houve as eleições nos EUA que elegeram Barack Obama, e, nesse momento, esse papel das novas tecnologias foi fundamental para Obama, sobretudo na arrecadação de recursos. Embora haja diferenças grandes entre o que acontece no Brasil e o que acontece nos Estados Unidos, eu não tenho dúvida que, nesse processo de transformação que a mídia está sofrendo, a Internet tem um papel cada vez mais importante, porque ela está deslocando da grande mídia tradicional o monopólio da formação da opinião.

* Instituto Humanitas Unisinos


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Franco Atirador (14/03/2010 - 15:05)
EXTRA! EXTRA!

PSICOSE MANÍACO-DEPRESSIVA PRÉ-ELEITORAL TUCANA

Os jornalistas brasileiros da grande mídia empresarial, mercantil e patrimonial estão sofrendo de uma grave doença chamada pelos psiquiatras de psicose maníaco-depressiva pré-eleitoral tucana.

De acordo com os médicos, por eles consultados, não existe tratamento para a doença aqui no Brasil.
Só em Cuba.

Os "coitados" dos midiáticos deprimidos viajaram para Cuba, em avião fretado pela Venezuela, para fazer gratuitamente o tratamento que só existe lá naquela pequena ilha do Caribe.

Por essa razão, todas as "informações" da grande mídia, desde jornais, passando por rádios, até as redes de televisão, estão sendo enviadas direto de Havana.

Rogerio Mattos Costa (14/03/2010 - 01:11)
Prezado Dr Ethevaldo Siqueira:
Parabéns pelo seu blog.
Será ótimo podermos dialogar, diretamente, sem intermediários ( e sem censura, esperamos) , com o homem que conduziu, por trás das cortinas, o processo de privatização do setor de telecomunicações brasileiro.
Muito interessante, mas nada surpreendente sua oposiçào ferrenha à que o governo federal leve banda larga a toda a população. Afinal, será mais doação de patrimônio publico a um setor da população que emuitos consideram dispensável, não-intelectualizado e que de preferência não deveria nem votar. Para não eleger pessoas como o Lula, não é mesmo?
Parabéns também pela visisbilidade com que j;a nasce o seu blog, recomendado pelo Estadão, pela FOLHA e pela Veja.Ótimas credenciais!
Por viaa das dúvidas, todos os comentários que farei aqui no seu blog, postarei no blog do Azenha, o http://www.viomundo.com.br, por garantia que, me mantendo dentro das regras do blog, não terei meus pensamentos censurados.
Um abraço e bom debate.
Caso seja censurada qualquer opinião minha, assinada, o Luiz Carlos Azenha já está avisado: a publicará na integra e dará "o crédito" da censura ao senhor.
Cuidado,portanto com o artigo 220 da Constituição Federal, em seu paragrafo segundo que proibe qualquer tipo de censura. Ponto final. A Constituição nesseponto não diz se é proibida só a censura do governo ou de particulares.QUalquer censura é proibida.Inclusive a censura promovida pelos donos dos meios de comunicação.
Um forte abraço e m

Hipocrisia (13/03/2010 - 20:56)
Naquela epoca SARNEY era um santo aliado da Globo. Hoje é o inimigo prefrencia. Por que heim? O que mudou tanto em sarney?

Hipocrisia (13/03/2010 - 20:55)
Toninho Malvadeza, O ACM, que se encontra, agora mesmo, com o DEMONIO, no inferno, foi MINISTRO DAS COMUNICAÇÕES de SARNEY por exigencia da GLOBO. Hoje a GLOBO, INGRATA cospe em SARNEY.

Luciano Prado (13/03/2010 - 13:48)
Já imaginou toda essa gente reunida num mesmo jornal digital? Não teria pra ninguém. A medida que as adesões ocorressem teríamos uma fonte limpa, confiável vinda de todas as praças. Teríamos notícias de todo o Brasil com a chancela da credibilidade.

Eu acredito no futuro da Altercom. Aliás, não só acredito como desejo.



(13/03/2010 - 11:57)
Moacir Simples Assim , sabe que isto é o que mais me preocupa? A direita que temos, atualmente, é burra, preconceituosa e inepta.
Até os trols deles são tão fraquinhos que têm de rir das próprias piadas.
E como, de fato, não temos como saber o que virá no lugar destes asnos ensandecidos, a preocupação deve mesmo estar mais no futuro...

Moacir Simples Assim (13/03/2010 - 11:46)
Ao amigo Fábio Passos das 10:43,

Não é tão inacreditável assim ter Hélio Costa, um lacaio das organizações time-life-globo, nas comunicações para quem tem o demo juramentado Edson Lobão nas minas e energia e o tucano praticante porém neo-peemedebista Henrique Meirelles no Banco Central, entre outras aberrações do governo de "esquerda" Lulinha Paz e Amor.

Aliás, quem acredita que o atual governo é progressista o faz por ingenuidade ou má fé.

Evidentemente que em comparação com o (des)governo anterior, de FHC, o PT é comunista radical, de resto como seria também meu barbeador elétrico caso tivesse sido eleito em 2006.

Enfim, a pergunta que não quer calar continua pertinente: - a quem interessa polarizar as próximas eleições entre PT e Demo-Tucanos?

Abraços




Fabio Passos (13/03/2010 - 10:43)
É inacreditável ter o helio costa como ministro da globo.

Candidato que firmar compromisso de colocar a Luiza Erundina no Ministério das Comunicações leva meu voto.

Leiam que é excelente:

Erundina: "Congresso dá concessões às escuras"
http://www.deputadaluizaerundina.com.br/detimp.asp?Det=341

"Não se tem consciência de que isso é um patrimônio da sociedade. E é o Estado, em nome da sociedade, que confere ou não essas outorgas e essas renovações de concessões. Então, há um déficit de consciência política a respeito do tema na sociedade"

"São quatro, cinco grupos que detêm o oligopólio dessas concessões, com, evidentemente, a leniência e a conivência de quem concede, ou permite, ou fecha os olhos a essa concentração fantástica de controle sobre os meios de comunicação."

Mirabeau Bainy Leal (13/03/2010 - 09:22)

Suzy dos Santos, pesquisadora adjunta do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), especializada em economia política, concedeu entrevista para a revista MídiaComDemocracia nº 4 onde expõe sua visão sobre a reestruturação dos sistemas e mercados de mídia no Brasil.

A entrevista foi republicada no sítio do FNDC, no seguinte endereço:

http://www.fndc.com.br/internas.php?p=noticias&cont_key=111012

Recomendo a leitura.

Moacir Simples Assim (13/03/2010 - 09:18)
É indubitável que as grandes corporações privadas estão próximas da hecatombe, causada por seus próprios pecados.

Resta saber o que virá em seu lugar.






Mirabeau Bainy Leal (13/03/2010 - 00:38)
Quais os princípios básicos do mercado de comunicação no Brasil?
Suzy dos Santos: As políticas comunicacionais e culturais no Brasil - ou a falta delas - instituíram uma centralidade da televisão aberta. Esta centralidade, consolidada ao longo das relações históricas de clientelismo, foi pautada por duas funções hegemônicas: uma de integração nacional, e outra de manutenção da esfera de poder político e econômico. Num cenário mais amplo, esta centralidade tem funcionado como uma barreira às possibilidades de convergência das comunicações, bem como à entrada de novos atores, ao acesso universal às novas tecnologias e à regulamentação do setor. Conforme vimos no recente episódio da disputa pelo modelo de TV digital, a televisão aberta tem conseguido, em certa medida, barrar inclusive os interesses das global players de telecomunicações, que têm um peso econômico muito superior ao do empresariado de rádio e TV.

Quais as perspectivas para o mercado de comunicação nos próximos anos? Como pode ocorrer a democratização da mídia?
Suzy: O avanço da democratização da mídia está diretamente relacionado ao avanço da democracia nas bases estruturais da sociedade.
Quais as perspectivas para o mercado de comunicação nos próximos anos? Como pode ocorrer a democratização da mídia?
Suzy: O avanço da democratização da mídia está diretamente relacionado ao avanço da democracia nas bases estruturais da sociedade.
Íntegra em: http://www.fndc.com.br/internas.php?p=noticias&cont_key=111012

Mirabeau Bainy Leal (13/03/2010 - 00:32)
A verdade é que a Rede Globo -e a TV aberta em relação aos outros veículos- ocupa um lugar central e excessivamente concentrado nesse cenário.Mais do que oxigenação,acredito ser imprescindível uma diversificação dos atores e das possibilidades de acesso à informação e ao entretenimento.Saindo do exemplo da TV aberta,já amplamente discutido,se você verificar no portal da Ancine a lista de filmes nacionais lançados entre 1995 e 2004 que renderam mais de dez milhões de reais,verá que os filmes co-produzidos pela Globo Filmes obtiveram 72% da captação e 92% da renda.Dos 42 filmes nacionais lançados em 2005, 20 tiveram menos de dez cópias ou foram exibidos em menos de 10 salas de cinema.A inserção de novas tecnologias de acesso poderiam ser uma oportunidade de reestruturação do cenário.Mas qualquer reestruturação está profundamente condicionada à vontade de reestruturação e inovação a partir dos atores que compõem o ambiente.Infelizmente,no Brasil,o peso político dos radiodifusores é muito maior que o de outros atores.Como uma parte expressiva dos radiodifusores é composta por figuras políticas -exercendo ou não mandato político- é quase impossível separar o que é Estado e o que é mercado nesse ambiente.A radiodifusão foi tomando o lugar da terra no sistema coronelista que é perpassado por uma rede de relações entre poderes locais e federais - o chamado coronelismo eletrônico.
Suzy dos Santos, pesquisadora do PPG em Comunicação da UNB. Entrevista em: http://www.fndc.com.br



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