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Drogas: Parar ou reduzir danos?

Atualizado em 03 de novembro de 2009 às 12:49 | Publicado em 03 de novembro de 2009 às 11:17

por Conceição Lemes

Não adianta bancar a avestruz.  As drogas – ilícitas e legais – estão onde quer que estejamos. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia...

No momento, especialistas, pesquisadores, gestores, parlamentares, militantes de movimentos sociais organizados e órgãos governamentais preocupados com a questão estão envolvidos num amplo debate. A Secretaria Nacional sobre Drogas (Senad) , órgão vinculado à Presidência da República, e o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) acabam de formar um expressivo e gabaritado grupo de trabalho, para elaborar proposta de projeto de lei ao Congresso Nacional para modificar a atual legislação.

Supondo que fosse chamado (a) a opinar, você proporia:

* Guerra às drogas?

* Repressão ao uso?

* Internação dos usuários?

* Prisão dos traficantes?

* Descriminalização do uso?

* Redução de danos?
 

Do ponto de vista de saúde, o ideal, claro, é evitar o uso de drogas. Só que, queiramos ou não, as drogas sempre existirão e as pessoas farão uso delas. Algumas param, outras não. Dessas, algumas não querem, outras não conseguem, apesar do uso problemático.

“É ilusão achar que a repressão motiva o tratamento ou interrompe o uso”, desmistifica a psicóloga Denise Serafim, assessora técnica da Unidade de Prevenção do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde. “Considerando as dificuldades de enfrentamento de situações complexas da vida, os diferentes desejos de prazer e até as motivações inconscientes, a redução de danos é estratégia fundamental para se lidar com a questão drogas e com as pessoas que fazem uso. É uma estratégia de saúde pública que visa à redução das conseqüências danosas à saúde e sociais do uso problemático de álcool e outras drogas.”

“O objetivo principal dessa estratégia não é a interrupção do uso”, adianta Denise. “É motivar o usuário a ir ao serviço de saúde, a falar mais sobre seus hábitos de drogas e a se cuidar melhor. O respeito à sua escolha ou necessidade de uso, sem imposição ou preconceito, faz com que o usuário se sinta um cidadão, com direitos e deveres também.”  

 “A política de ‘guerra às drogas’ não obteve bons resultados – nem lá fora nem aqui”, põe abaixo outro mito o advogado e deputado federal Paulo Teixeira (PT-São Paulo). “Mundialmente está perdendo a batalha.”

No Brasil, o tráfico se fortaleceu.  Financeiramente, cooptando milhares de pessoas para distribuir seus “produtos”. Militarmente, se instalando e controlando o território de inúmeras comunidades pobres. Politicamente, neutralizando a ação repressiva do Estado.

Os condenados por tráfico de drogas – quase 70 mil – são o segundo contingente do sistema carcerário brasileiro. Pesquisa realizada por Luciana Boiteux e Ela Wiecko nas varas criminais de Brasília e Rio de Janeiro traça o perfil deles: a maioria é réu primário, foi preso sozinho, com pouca quantidade de drogas e não tinha associação com o crime organizado.

 “A lei brasileira não penaliza o consumo individual, porém não diferencia o usuário do traficante”, condena Teixeira. “A distinção então é subjetiva e muitos usuários estão sendo presos e condenados, especialmente os pobres e pretos, sem acesso à assistência jurídica. Nos presídios, organizações criminosas atraem parte deles para delitos mais graves, como roubos, sequestros e extorsões.”

“De fato, na hora de decidir o enquadramento, policiais e juízes acabam levando em conta onde a pessoa mora ou é presa”, revela Luciana Boiteux, professora de Direito Constitucional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Isso reforça a criminalização da pobreza”.

O problema advém da política de enfrentamento das drogas. As legislações da América Latina, inclusive a do Brasil, sofrem forte influência dos Estados Unidos.

 “Só que esse modelo não é adequado à nossa realidade social nem à nossa Constituição”, argumenta Luciana Boiteux. “Temos de olhar para outro lado. A minha proposta é que seja para a Europa.”

Paulina Duarte, Secretária Adjunta da Senad, afirma: “No Brasil, a tendência é discutir as drogas somente com base na experiência pessoal ou nas informações da mídia. É preciso fazer agora um debate mais científico e menos ideológico”.

DESCRIMINALIZAÇÃO: A EXPERIÊNCIA BEM-SUCEDIDA DE PORTUGAL

Tratar a questão de forma científica é exatamente o que pretende fazer o Viomundo.

Nos dias 21 e 22 de outubro, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados realizou um seminário com especialistas nacionais e estrangeiros, que defenderam: 1. a prevenção do abuso de drogas; 2. a implementação de políticas visando à saúde dos usuários, inclusive a redução de danos; 3.a descriminalização do uso e posse de pequenas quantidades para uso pessoal.

Holanda e Inglaterra foram os primeiros adotar essas políticas. E cada vez mais países estão mudando para essa direção.

"Portugal descriminalizou o uso e o porte, criou um serviço de acompanhamento do usuário e diminuiu o uso de drogas. Caíram também os crimes e as mortes relacionados às drogas”, justifica Teixeira. “Só no Rio de Janeiro ocorrem anualmente 4 mil mortes associadas a crimes de drogas, enquanto o uso provoca cerca 100. A droga tem produzido efeitos menos nocivos do que o próprio crime relacionado à droga."

Luciana Boiteux defende: “O Brasil deve unir os avanços da legislação de Portugal, onde descriminalizaram as drogas,  com os da Espanha, que diferencia pequenos e grandes traficantes e as drogas de baixo e de alto impacto social”.

A Holanda tem uma abordagem pragmática. Vai atrás dos consumidores e encaminha para tratamento de redução de danos, às vezes até com prescrição da droga sob cuidado médico. É para evitar, por exemplo, que o usuário problemático pratique pequenos roubos para obtê-la.

México e Argentina também descriminalizaram o consumo e estabeleceram critérios claros para separar os usuários dos traficantes e evitar que consumidores acabem na cadeia.

“Uma diferenciação menos subjetiva é necessária também no Brasil ”, propõe Teixeira. “O uso de drogas passaria a ser infração administrativa, com advertência, multa e frequência em cursos.”

“REDUÇÃO DE DANOS É UMA ESTRATÉGIA MAIS HUMANIZADA E INCLUSIVA”

“Afinal, o que é redução de danos?”, alguns devem estar querendo mais detalhes desde o começo da reportagem. Outros, de pé atrás, questionam: “De que adianta a redução de danos se ela não objetiva acabar com o uso das drogas?”

Temos que voltar no tempo. Mais precisamente a 1989. O vírus da aids se disseminava entre os usuários de drogas injetáveis. No exterior e aqui, se observou que o ritual de uso – o compartilhamento da seringa – é que provocava, pela via sanguínea, a infecção pelo HIV. Além disso, é comum, sob efeito de substâncias psicoativas, os usuários se protegerem menos, ou seja, não usarem a camisinha nas suas relações sexuais.

O diagnóstico positivo de HIV equivalia à sentença de morte. Hepatite C e formação de abscessos no local da injeção (por conta da higiene precária) também eram comuns. Pessoas da sociedade civil ligadas à questão e do Programa Nacional de DST/Aids resolveram usar a estratégia da redução de danos.
 
“Como os usuários não iam ao serviço de saúde, para não revelar o uso de droga ilegal, nós, profissionais de saúde, e os redutores de danos, representantes da sociedade civil, passamos a ir à noite, de madrugada, ao encontro deles nos mocós”, relembra a psicóloga Denise Serafim. “Aí, descobrimos que não adiantava dizer ‘pára de usar’. Isso afugentava. Dizíamos então que muitos estavam se infectando pelo HIV, morrendo cedo e isso não precisava acontecer com eles. Para isso, era importante que não compartilhassem a seringa e usassem camisinha nas relações sexuais. Nesses contatos, eram oferecidos os materiais, pois geralmente não tinham dinheiro para comprar, com orientações para uso mais seguro das drogas, prevenção das DST [doenças sexualmente transmissíveis] e de outros danos para a saúde.”

Com o tempo, essa experiência foi disseminada para outras cidades brasileiras. A estratégia se estendeu à cocaína aspirada, ao crack, ao álcool. Hoje, a redução de danos é uma estratégia do Ministério da Saúde para lidar com usuários de qualquer droga.

“O usuário abordado assim usa mais camisinha, busca mais o serviço de saúde, tende a olhar mais para a dependência, no mínimo reduzindo o uso da droga”, revela Denise. “É uma política que respeita a vontade do usuário. É inclusiva, mais humanizada e favorece ao autocuidado.”  

“Mas não seria melhor parar de vez?”, vão cobrar de Denise Serafim.

“Alguns conseguem interromper o uso bruscamente, outros precisam ir aos poucos. Há uma diversidade de usos e de perfil dos usuários”, explica a psicóloga. “Por isso, há um ‘cardápio’ de opções. A gente tem de sentar com o usuário, ouvir sobre a sua rotina, as suas pretensões e com ele identificar qual o tratamento que melhor se adapta àquele caso específico. Ele tem de ter a liberdade de escolha.”

Para cada droga e doença associadas há uma abordagem. Vamos supor que a pessoa já esteja infectada pelo vírus da hepatite C – a maioria dos usuários de drogas injetáveis está – tomando medicamento.  Conversar sobre a sobrecarga do fígado é fundamental. Repensar o uso se torna indispensável. “Você tem hepatite C e ainda vai beber todo dia?” A prevenção é para evitar a piora do fígado e do estado geral. 

 “Os serviços e os profissionais de saúde precisam entender que a abordagem baseada na redução de danos aproxima mais o usuário do serviço”, continua Denise. “Favorece uma melhor adaptação ao tratamento quando o usuário deseja se tratar.” 

“OS PAIS DEVEM MANTER DIÁLOGO ABERTO COM OS FILHOS”

No Brasil inteiro, o uso de drogas está crescendo entre os jovens do ensino fundamental e médio. Raramente os professores sabem abordar o assunto. Como a política é a de prevenção ao uso, quando um aluno é flagrado, frequentemente é expulso. 

“É para não ‘contaminar’ os outros”, critica Denise. “É um faz de conta que aqui não está acontecendo nada. Uma pena. Afinal, é também no contexto escolar, que a gente tem que investir na redução de danos. É importante problematizar a questão, mostrando aos jovens quais são as drogas, seus efeitos e consequências, para no caso do uso, fazê-lo de forma mais consciente.”

A droga sozinha não tem efeito demoníaco. É preciso sempre fazer a sua contextualização. A droga junto com uma pessoa em conflito é que vai facilitar o seu uso. Depois, dependendo da maneira como essa droga atua na vida daquela pessoa e do seu contexto familiar, é que vai se tornar problemática ou não.

“Por isso, é preciso se dialogar de forma ampla com os filhos”, aconselha Denise.

“E se de repente meu filho começar a usar?”

“Será que proibir vai ajudar? Será melhor permitir, para saber o que está acontecendo? A família tem de definir a estratégia. Aí, é importante também discutir com um profissional”, diz Denise. “Não há uma recomendação única. Eventualmente, quando o o uso se torna problemático, é preciso até a contenção.”

Paulo Teixeira tem seis filhos: “Os pais devem manter diálogo aberto com os filhos e acompanhá-los nos diferentes momentos de vida. Acredito na educação aberta, na prevenção. Falo a eles dos perigos e espero que me contem o que fazem para que eu possa aconselhá-los”.

E para a sociedade geral, qual a “receita”?

“Desaconselho o uso de drogas. Para o usuário, evitar o abuso”, frisa Teixeira.  “No caso de abuso, o tratamento voluntário deve estar à disposição do usuário.”

Nota do Viomundo 1: Drogas é um tema bastante complexo. Nesta reportagem , estamos apenas começando a discussão. Outras virão, já que preocupa gentes  de diferentes faixas etárias.  É questão de saúde pública.

Nota do Viomundo 2: A psicóloga Denise Serafim, assessora técnica do Ministério da Saúde , se dispôs a responder às dúvidas dos leitores sobre redução de danos, e Paulo Teixeira, a respeito das questões legais. Basta colocá-las em comentários. As respostas serão postadas aqui, no Blog da Saúde.


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
paulo bigode (02/03/2010 - 08:52)
imprimi para quarta

dependente de crack (08/01/2010 - 18:05)
boa tarde, gostaria se possivel tirar uma duvida se alguem tiver esse conhecimento.
gostaria de saber se tem algum alimento ou bebida como agrião agua de coco ou outras que ajuda a menimizar os efeitos do crack ?
por favor se alguem sou ber responda
obrigado de coração

A verdadeira droga que mata (19/11/2009 - 07:11)
Atropelamentos em Salvador chegam a 1,7 mil este ano

Entre janeiro e outubro deste ano, Salvador teve 6.812 vítimas de acidentes de trânsito, com 195 mortos. O número de atropelamentos é igualmente preocupante: até o último dia 12, foram registradas 1.797 ocorrências, com 92 mortos. Os dados são da Transalvador (órgão de trânsito da prefeitura municipal).

http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=1284482

kakaka... ainda vêm me falar de maconha kakaka.. o país da piada pronta !!

Eugenia (18/11/2009 - 10:40)
Eu nunca vi drogas psicotrôpicas tanto legal(remêdios, alcool) como ilegal(maconha(a inocente, segundo os usuârios), cocaîna, LSD Extase, crack e "otras cositas mâs" fazerem bem ao ser humano Todas elas, mais cedo ou mais tarde os usuârios ficam com seus neurônios todos sequelados. Em sentido figurado, ficam "frouxos", "traumatizados". Ê muito sêria essa histôria.

maconheiro (17/11/2009 - 06:50)
Se atleta tem anti-doping,por quê a policia não tem ????

Dilma Coelho (14/11/2009 - 13:16)
Desculpe-me por colocar um assunto "off topic", não localizei seu blog ou site.
O governo do Estado pratica mais um crime covarde contra os portadores de transtorno mental. Decidiu, sem prévio aviso, cortar dois terços do salario dos servidores aposentados por doença mental. Um paciente, ex agente penitenciario, concursado, avaliado e aprovado fisica e psicologicamente e que desenvolveu doença mental em razão das péssimas condições de trabalho, com sua aposentadoria publicada em DO, teve seu salário reduzido de R$ 1.600,00 para R$ 481,00 e está sem condição de pagar o quarto onde mora e comprar alimentos e remédios. O decente seria que convocassem os aposentados para uma perícia ou reavaliasse seus processos para aposentadoria. Este paciente esteve internado no Pinel, e continua sendo acompanhado por equipe médica psiquiatrica. Como esses políticos podem ser tão perversos?
Tirar dinheiro de doente mental...

JULIO SILVEIRA (13/11/2009 - 17:46)
No meu entendimento, sujeito a mudança por convencimento, nosso problema nacional com drogas está muito ligada a forma como a sociedade brasileira se constrói. Impunidade em todos os níveis, leviandade, irresponsabilidade e uma boa dose de coitadismo. Nosso país subverte costumeiramente o sentido de correção e costuma privilegiar a criminalidade dando-lhe prerrogativas que deveriam ser primazia dos cidadãos de bem, aqueles que buscam levar a vida dentro de princípios condignos com a civilidade e as normas sociais.
A droga tem sido isso, historicamente um instrumento de beligerância contra a sociedade, contra as normas sociais. Buscam-nas quem quer transgredir, e que dela necessitam por falta de coragem na transgressão de cara limpa. Os danos à saúde são secundários diante dos resultados que almejam.
Os traficantes de drogas, aqueles que usam a fraqueza humana, ou a beligerância anti-social como instrumento de enriquecimento, no meu entendimento são como os traficantes de armas, criam produto para guerra, buscam o enfrentamento. Do outro lado necessitamos enfrentar quem desde o principio foi contra as instituições sociais e busca a guerra e, portanto esperam o confronto. Aceitar a transgressão em qualquer dos casos do consumo transgressor ao trafico beligerante, ou mesmo facilitar o uso, é transferir covardemente a todos, principalmente aqueles que pautam suas vidas pelas normas dentro dos parâmetros de civilidade, ao aviltamento incompreensível e covarde.

Eugenia (13/11/2009 - 09:38)
Sr Patrick,
Quando eu disse liberou geral, ê para acabar com os crimes dos traficantes e a arrecadaçâo de impostos como acontece com o alcool, os "lexotan" e os cigarros. Alêm da acessibilidade as essas drogas, em que o indivîduo dependente, ter que ir as "bocadas" .

Emerson Paulista (13/11/2009 - 00:18)
Caro Azenha,

Uma sugestão de reportagem para teu blog é com o agente da Polícia Federal de Niterói Sandro Araújo. Ele e mais um parceiro da PF comanda um projeto chamado Geração Careta. Esse projeto visa um ciclo de palestras em milhares de escolas conscientizando os males dos efeitos dos entorpecentes. O esforça do agente é muito grande no combate as drogas e relata entrevistas, palestras e até algumas operações no próprio blog. Segue o link:

http://sandro-anjodanoite.blogspot.com/




Neo-tupi (11/11/2009 - 23:39)
Patrick,
Desde 2006, a lei 11.343, aprovada pelo Congresso e sancionada pelo Presidente, determina penas alternativas para usuários:

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:

I - advertência sobre os efeitos das drogas;

II - prestação de serviços à comunidade;

III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

§ 1o Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica.

Ou seja, a lei no Brasil já é razoável com o usuário. Não dá cadeia. O problema é que a definição de pequena quantidade para uso próprio depende da cabeça do juiz. E ai dos pretos, pobres e p... que não tem bons advogados, e caem nas mãos de um juiz insensato. São presos por qualquer baseado ou papelote, enquanto um rico com bom advogado diz ser dependente de 10 gramas por dia e pode sair livre com quantidade significativamente grande.

Neo-tupi (11/11/2009 - 23:27)
Dan, parte 2:
O envelhecimento da população também é uma hipótese clássica sobre diminuição da criminalidade me várias cidades do mundo, porque a criminalidade violenta se dá mais na população jovem. Muita gente credita parte da queda da criminalidade em Nova York ao envelhecimento da população e não apenas à política de tolerância zero.

Apenas para reforçar minha hipótese (que continua carecendo de confirmação em dados mais abrangentes), a Holanda apresenta hoje uma taxa de 12 homicídios para cada cem mil habitantes que para os padrões europeus é considerado muito alto. Não creio que seja a maconha que provoque esses homicídios. Mas o ambiente hedonista criado em torno de Armsterdan atrai o consumo e tráfico ilegal das outras drogas consideradas pesadas. Tanto o consumo lá é maior destas drogas ilícitas (não pelos holandeses, mas pelos turistas), que o preço é mais barato do que em outras cidades da Europa, indicando que há maior oferta e facilidade.

Neo-tupi (11/11/2009 - 23:25)
Dan
Se deu a entender que eu associei a legalização da prostituição à aumento da criminalidade, eu me expressei mal (ou não fui feliz ao citar a reportagem da abril sobre fechamento de bordéis).

Eu critico a prostituição lá por outros motivos: porque permite o rufianismo (o empregador, na verdade o cafetão). Por princípio eu acho a lei brasileira mais correta. A mulher (ou homem) fazer o que quiser com seu corpo é uma decisão que cabe a ela, mas eu não concordo com leis que permitam uma outra pessoa auferir lucros da venda do corpo alheio. Mas isso nada tem a ver com aumento da criminalidade. Até onde sei, a prostituição nunca foi proibida na Holanda, passou apenas a ser emprego formal. Isso não afetaria em nada a criminalidade.

Para mim, a palavra degradação no sentido urbano de áreas degradadas, não se refere à prostituição em si (existem casas de prostituição de luxo aqui mesmo no Brasil em bairros nobres que não incomodam ninguém), e sim pelo ambiente típico marginal e soturno que conhecemos como boca de lixo. Parece ser o caso das intervenções da prefeitura de Amsterdan.

Você enriqueceu bem o debate, trouxe informações que eu não sabia ou não cheguei a citar, e pode estar com razão. Quando eu escrevi "parece que a diminuição da criminalidade pode estar ligada a um cerco as drogas e ao envelhecimento da população..." o parece não foi ironia, é apenas uma hipótese, contrária a hipótese de que prisões são fechadas em 2009 por causa da descriminalização.

Joao Rodrigues dos Santos para CONCEICAO LEMES, in off (11/11/2009 - 22:34)
Nao me leve a mal. Considero seus textos aqui no blog do azenha, excelentes mas em janeiro de 2008 voce "cutucou a onça com vara curta" quando me criticou incorretamente no caso da vacina da febre amarela e por esta razao eu continuo eu tentando abrir seus olhos para as verdades reais e nao as verdades de uma politica do passado que ainda nao se extinguiu no Brasil. Nada como o tempo para que a verdade se estabeleça. Espero que vc tenha recebido minha mensagem da publicacao na NATURE de outubro de 2009 mostrando que a vacina da febre amarela provoca 1 caso de febre amarela a cada 250 mil vacinados. Pergunte ao MS quantas mortes por febre amarela vacinal ocorreram em MG quando foram aplicados 16 milhoes de doses entre 1998 e 2003. Nesta semana a OMS mostra que mais de 54% dos casos de poliomielite no mundo sao provocados pela vacina do " Zé Gotinha" (http://www.medscape.com/viewarticle/710466?src=mp&spon=38&uac=39701HT).Nenhum caso notificado no Brasil(rsrsrs). Esta é a vacina que o ministerio da saude diz nao ter contra indicacao durante as campanhas mas que está proibida nos EUA desde o ano 2000. Abraço

Dan (11/11/2009 - 20:07)
Parte 3

De acordo com esse site: http://www.cbs.nl/en-GB/menu/themas/veiligheid-recht/publicaties/artikelen/archief/2008/2008-2516-wm.htm, houve uma queda nos roubos enquanto crescimento de crimes de natureza mais violenta. Por isso tendo caido a criminalidade desde 2002. Isso parece nao contribuir com sua tese, que o "cerco as drogas" diminuiu a criminalidade. Outros fatores podem ser utilizados para explicar porque o descrescimo de roubos. Novamente, nao vi dados suficientes que comprovem isso. O que vejo é uma serie de afirmacoes, porem sem a apresentacao dos dados relevantes.

O presente artigo é feito pelo professor citado no artigo (deveras moralista, diga-se de passagem), prof. Dirk J Korf. Nesse artigo ele basicamente contradiz aquilo que a Abril quer dizer que ele afirma. Na conclusao do artigo, ele diz: "The Dutch coffeeshops falsify the prohibitionistic assumption that decriminalisation inevitably leads to an increase in drug use. Those who believe in a repressive policy towards cannabis need better arguments, since the Dutch coffeeshops do not support their deterrent prophecies." http://www.drugtext.org/library/articles/902106.htm

Na boa, concordei com bastante do que voce disse. Achei que voce pontuou bem alguns problemas e questoes acerca da legalizacao. E voce tem razao, teria que ser um "legaliza essa merda", pois acreditar que maconha nao faz mal é o mesmo que acreditar em Papai Noel. No entanto, suas afirmacoes mais empiricas carecem de dados.

Abs.

Dan (11/11/2009 - 19:55)
Parte 2

As afirmacoes acerca da prostituicao se baseiam na ideia que o povo nao gosta da prostituicao, ou que ha mais prostitutas la que em um lugar especifico, Paris. Creio que na Alemanha tenha mais, onde a prostituicao, e casas de S&M sao legalizadas (aparecendo constantemente na tv alema). O aumento do trafico. Infelizmente o artigo coloca uma questao muito especifica, nos 3 primeiros anos. Nao ha dados, nao ha nenhuma citacao, sequer afirma sobre os anos seguintes. Fora que o aumento do trafico de mulheres nao precisa ser uma consequencia direta da legalizacao. Acredito que na holanda a prostituicao, por ser legalizada, tenha que ter alvara ou uma permissao de trabalho. O que deve dificultar a prostituicao de escravos sexuais. Infelizmente nao posso dizer muito acerca sobre esse tema, pois nao achei dados sobre este.

2 - Acerca das drogas, o artigo ainda diz: "As prisões por posse ou comércio de cocaína, heroína e ecstasy (drogas proibidas na Holanda) cresceram 21% entre 2002 e 2006". Sim, possivelmente, visto que o turismo de drogas traz pessoas que desejam outras drogas que nao a maconha somente, como o artigo aponta. Houve realmente um pequeno aumento em um certo tipo de crminalidade, que ainda que possa ser relacionado as drogas, estas nao sao causas unicas. Visto que esse tipo de criminalidade so ter crescido agora, e na verdade ser uma tendencia mundial em seu crescimento. (continua...)

Dan (11/11/2009 - 19:43)
Neo-Tupi,

sua afirmacao: "parece que a diminuição da criminalidade pode estar ligada a um cerco as drogas e ao envelhecimento da população, e não a liberação.", tem certos pontos complicados.

1- Me parece que voce se refere tambem a prostituicao com tal afirmacao. Porem, afirmar a priori que a prostituicao é um crime é um contra-senso, pois algo é crime ou nao somente dependendo de seu status legal. O artigo que voce cita deixa claro ser contra qualquer das medidas holandesas, nao a toa escreve: "o avanco do crime", quando na realidade nao apresenta dados alguns, torce retoricamente a opiniao de um especialista holandes, e ainda apresenta sua propria nocao de moralidade: "A Holanda descriminalizou o consumo de maconha em 1976 e legalizou a prostituição em 2000. O resultado foi a degradação da capital do país

- Amsterdã tem 14 prostitutas para cada 1.000 habitantes, quatro vezes mais que em Paris

- O tráfico de mulheres aumentou 260% nos primeiros três anos da legalização dos bordéis

- As prisões por posse ou comércio de cocaína, heroína e ecstasy (drogas proibidas na Holanda) cresceram 21% entre 2002 e 2006

- 67% da população de Amsterdã é a favor de medidas para restringir a prostituição"

Nao a toa usam a palavra degradacao, pois é uma palavra ambigua que possui um tom moral ao mesmo tempo que um tom fisco. Nesse sentido, conseguem disfarcar a propria moralidade. (continua...)

Maconheiro (11/11/2009 - 16:28)
Toda minha família ,quem não fuma maconha,toma Lexotan !!!!

Patrick (11/11/2009 - 11:29)
"Eugenia (11/11/2009 - 10:16)
Ou entâo, liberar geral as drogas, deixar a galera idiota se drogar atê o talo"

É o mesmo discurso da turma que acusa o "apedeuta" de ser nordestino, pobre e cachaceiro.

Eu sou abstêmio, mas reconheço que há pessoas que são consumidoras de álcool, tabaco e outras drogas e ainda assim são elementos produtivos da sociedade. Por que motivo eu haveria de desejar que essas pessoas sejam "curadas" com a prisão? Por que elas estão prejudicando sua própria saúde? Vamos proibir os esportes radicais, então?

Eugenia (11/11/2009 - 10:16)
Ou entâo, liberar geral as drogas, deixar a galera idiota se drogar atê o talo, o Miistêrio da Saûde, oferecer a populaçâo algumas clinicas de reabilitaçâo, quem nâo quiser, morrerâ mais rapidamente, sem que precise ter armas como uma guerra que estamos assistido atualmente. Ê melhor do que construir presîdios. Peo menos dâo emprego aos mêdicos

Eugenia (11/11/2009 - 10:05)
Nesse caso, esse contexto, de problema de saude publica ê balela. O brasileiro precisa saber gostar do seu paîs, e uma das formas de manifestar esse sentimento, ê guardâ-lo. Tomar conta de quem entra e de quem sai, principalmente estrangeiros. Nâo esqueçam que nosso paîs e um dos celeiros na ârea a alimentaçâo e o maior detentor hîdrico do mundo. Entâo ê conveniente o crime organizado, que nâo ê sô o "mane" do morro que tem interesse de acabar com um povo de um paîs tâo rico como o nosso. Se liguem brasileiros. Tomem conta dos seus filhos. Parem de votar em politicos deliquentes.

Juliana Paiva (11/11/2009 - 09:38)
Conceição,

Como de costume excelente matéria; a diferença do n° de mortos entre usuários e crimes ligados às drogas é brutal! Com certeza, quero acompanhar a discussão por aqui.
Aproveito e faço coro com o luis: que tal uma discussão semelhante à respeito da legalização do aborto? Sem dúvida, um dos nossos grandes problemas de saúde pública.



Eugenia (11/11/2009 - 09:04)
Coibir a entrada de drogas e armas no paîs. Investir maciçamente nas fronteiras brasileiras. E isso ê dificil, porque esse assunto e bastante nebuloso.Parar de prender traficantes. Daqui a pouco nâo teremos mas programas de habitaçâo, e sim carcerârio. Nâo tem mas presîdio para quantidade de gente envolvida com o crime organizado. E essa turma tem enteresse de fazer a populaçâo brasileira ficar demente e inuteis como sâo os drogados.

Juliana (11/11/2009 - 07:56)
No dia em que nos formos uma raca realmente evoluida a gente nao vai mais fazer uma porcao de coisas contra nos mesmos, tipo se drogar. Porque qualquer dependencia, e aqui fala uma dependente da nicotina, nao pode ser bom para o ser humano. O ser humano nasceu pra ser livre e o vicio aprisiona o corpo e de consequencia aprisiona a alma, no vicio, qualquer vicio, perdemos o que temos de mais precioso, a liberdade. Esse papo de que e divertido e pura balela, ninguem deveria precisar de substancias prejudiciais ao proprio corpo para se sentir "bem".Na minha opiniao todos os vicios sao iguais: tabaco, maconha, heroina, cocaina, alcool, todos agem da mesma maneira sobre a psique humana, em intensidades diferentes, a estrutura e a mesma. Fiquei sabendo de um conhecido meu de infancia que esta viciado em crack, quem e que pode ficar feliz por um amigo que se viciou em qualquer coisa? O mundo ocidental vende estranhas formas de diversao. Mas e preciso enfrentar a realidade atual como ela e e nao tentar levar as coisas pra um plano ideal, ja que o consumo existe e existira por muito e muito tempo e preciso entao tentar, de todas as maneiras, extinguir a violencia que o acompanha.
Nunca entendi porque prendiam usuarios de droga no Brasil, foge a minha compreensao que raio de crime pode ser esse, e quem criou uma lei tao estpafurdia.

Juliana (11/11/2009 - 07:41)
Outro dia discuti esse tema com um amigo frances. Ele levantou uma questao que nao tinha me ocorrido: caso as drogas fossem descriminalizadas e legalizadas, quem venderia?E qual a garantia de que a guerra pelo poder sobre esse comercio findaria?Afinal de contas e grana que nao acaba mais.Comento isso porque eu, embora seja escrava so do cigarro e volta e meia consiga me libertar, defendia a liberacao porque nao acho justo que um unico ser humano morra por uma coisa que vai ser feita de qualquer maneira, querendo ou nao, gostando ou nao, aceitando ou nao, pessoas consomem drogas no mundo inteiro. Eu acho a posicao da Europa bastante hipocrita a respeito dessa questao porque parece tudo muito moderninho mas e so porque eles nao tem que conviver com as chagas sociais reais do trafico, eles tratam e dao assistencia aos viciados mas eles nao tem que lidar com traficantes, que ficam bem longinhos laaaaa na distante america do sul. Portanto nao da pra comparar as politicas europeias com as nossas porque o batatao quentao e aqui com a gente mesmo. Visto que droga e uma coisa que se vende sempre tera quem ganhe dinheiro com ela por isso meu amigo conseguiu implantar em mim a duvida de que a liberacao da venda um dia resolveria o problema, e um mercado e tanto, ninguem vai largar esse osso na maior.

Neo-tupi (10/11/2009 - 21:59)
Hans Bintje
Segundo Wálter Fanganiello Maierovitch:
Pelo levantamento de 2003, existiam 800 cafés autorizados a vender maconha na Holanda. O número teria caído em 20%, no ano de 2008.

Em várias cidades, os alvarás para aberturas de novos cafés com autorização para venda canábica estão suspensos.

No momento, os conservadores (no poder, infelizmente) não querem mais ver aberto nenhum "grow-shop" (loja especializada na venda de instrumentos e produtos para os que pretendem cultivar maconha e desfrutar do produzido.)

Fonte: http://maierovitch.blog.terra.com.br/2009/04/22/maconha-guerra-contra-grow-shop-na-holanda/

Em dezembro de 2008 uma droga que era permitida foi proibida depois que um jovem frances pulou de uma ponte em uma bad trip: os cogumelos mágicos (de efeito semelhante ao LSD). Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL882462-5602,00-HOLANDA VAI PROIBIR CULTIVO E VENDA DE COGUMELOS MAGICOS.html

Leia também: Farta de ser tolerante, Amsterdã troca bordéis em bairro degradado por lojas e ateliês de arte

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cidade/conteudo_272408.shtml

Além disso maconha é liberada desde o início dos anos 70 em Amsterdan, e me parece improvável que só em 2009 causaria queda na criminalidade depois de um aumento no fim do século passado.

Como se vê, para nossa decepção, parece que a diminuição da criminalidade pode estar ligada a um cerco as drogas e ao envelhecimento da população, e não a liberação.

Hans Bintje (10/11/2009 - 17:31)
Mais um tema para a série de reportagens que eu estou sugerindo que o Azenha faça sobre a Holanda:

"Neo-tupi (09/11/2009 - 12:40)

Em países como a Holanda, onde algumas drogas são legais, a criminalidade é muito maior entre usuários do que entre não usuários"

De Marcos Guterman, do insuspeito Estadão:

"O governo da Holanda anunciou que vai fechar oito prisões. Motivo: os índices de criminalidade não param de cair, e os juízes têm trocado as penas de privação de liberdade pelas de serviços comunitários.

Em compensação, a Holanda vai aceitar milhares de presos da Bélgica, que vai pagar 30 milhões de euros pela gentileza."

Fonte: http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/?c=1&more=1&pb=1&tb=1&title=um_problemao_na_holanda

Patrick (10/11/2009 - 15:19)
"Neo-tupi (09/11/2009 - 12:40)

Em países como a Holanda, onde algumas drogas são legais, a criminalidade é muito maior entre usuários do que entre não usuários"

Exatamente como acontece com o álcool. Mas não criminalizamos o ato de beber álcool. Criminalizamos quem, sob efeitos do álcool, comete um crime (como um assalto). Tal como deveria ser com outras drogas.

luis (10/11/2009 - 00:59)
Droga existe porque é gostoso e ponto final. Assim como o tabaco e o alcool. A pessoa ou jovem que tem dinheiro, vai e compra, o que não tem dinheiro vai furtar alguma coisa para poder comprar,e isto pode ser o início da criminalidade.Penso que a discriminalização do usuario seria bom inclusive para o plantio da maconha individual.Sabe-se que a trajedia dos crimes é entre polícia e traficantes.Por outro lado,continuo pensando que a pior droga ainda é a ignorância propalada por religiosos fanáticos e políticos corruptos, falando nisso,não seria interessante concomitantemente discutir o direito da mulher ao aborto?Aliás a proposta não passou na camara dos deputados.Que forças ocultas estão por traz disso?

ROCHA (10/11/2009 - 00:04)
NUNCA legalizar é o fim da moral crista!!!

marcio gaúcho (09/11/2009 - 18:03)
Parabéns ao NEO-TUPI. Excelente texto, condensando o que está sendo tratado nesse tema,com maestria e conhecimento.

Neo-tupi (09/11/2009 - 14:30)
Parte - 1
A princípio não faz sentido a sociedade alocar verbas para justiça, polícia e sistema prisional pagear adultos que escolhem ser dependentes de remédios (drogas) para gerar artificialmente emoções (prazer) que são naturais do ser humano. Sob essa ótica liberal, as drogas tóxicas deveriam ser liberadas, e dane-se o indivíduo que se der mal com seu uso.

Mas o consumo (e não o tráfico) de determinadas drogas interferem nas estatísticas de criminalidade como um todo, afetando a sociedade. Então o caso é semelhante a uma epidemia, onde as drogas provocam distúrbios (doenças) psíquicas com danos sociais coletivos (e não apenas individuais).

Controlar a propagação da doença se faz necessário, e é criminoso alguém disseminar qualquer doença propositalmente. Nesse contexto é que o tráfico de drogas como o crack precisa continuar criminalizado (há que se melhorar todo o sistema penal, para recuperar recuperáveis).

Numa cidade onde não existe consumo de drogas como o crack, a criminalidade é baixa. Os índices de criminalidade comum (roubo, homicídio, latrocínio, estupro, etc.) em cidades do interior antes bucólicas, explodem com o aumento do consumo de determinadas drogas, como o crack e cocaína.
Continua na parte 2...

Neo-tupi (09/11/2009 - 14:29)
Parte 2 -
Regra geral, dependência química provoca danos financeiros (nem todo usuário é dependente, há consumo social, outros sobrevivem bem a variadas drogas).

Com isso, grande parte de drogados com problemas financeiros, recorrem a delitos para sustentar o vício e aí a droga torna-se um problema público. Como agravante, muitas drogas euforizam, reduz a auto-censura da pessoa e provoca delírios. Assim um simples roubo pode descambar para uma sessão de terror violenta, com lesões corporais, homicídios, estupros, que a pessoa não cometeria se estivesse sob domínio da consciência.

Quanto mais usuários, mais dependentes químicos, e quanto mais dependentes, maior a criminalidade e violência comum contra a sociedade. Isso independente do comércio (tráfico) ser legal.

Drogas que geram comportamento anti-social é como o porte de arma. O porte em si não faz mal, depende de quem puxa o gatilho. O problema é que quanto mais gente armada, mais homicídios fúteis (brigas de trânsito, bares, ciúmes, etc). Daí a restrição do porte. O mesmo acontece com drogas como o crack. O drogado passa a representar risco para os outros que cruzam seu caminho. Nem todos drogados representem risco, mas os de risco tampouco são exceção. Então, em caso de conflito, leis sociais devem priorizar os direitos coletivos sobre direitos individuais. Se os danos da maconha à sociedade podem ser tolerados, que seja descriminalizada. Se danos do crack são insuportáveis, não dá para conviver com eles.

Vinícius Aires (09/11/2009 - 12:40)
Naturalmente, a conversa fugiu um pouco do tema da Redução de Danos. Com ou sem proibição, eu acho que é, sim, hipocrisia oferecer só repressão aos viciados.

Concordo com o companheiro que disse que estamos nos afundando desde os anos 80. O mundo não passou por uma mudança de valores, passou por uma perda de valores, e agora está todo mundo sem saber o que fazer da vida.

Também acho que, assim como o fim do moralismo em relação às drogas ajudaria os jovens usuários a terem mais consciência de seu uso, mais respeito com os defensores da proibição permitiria uma verdadeira e bilateral troca de idéias. O debate sobre as drogas foi sempre uma guerra de trincheiras, sem avanço sem recuo de nenhum dos lados; ninguém aprende nada de novo, ninguém toma nenhuma atitude e o problema só vai se aprofundando. Abraço pra todos.

Neo-tupi (09/11/2009 - 12:40)
Patrick
A lei seca vigorou de 1919 a 1933. Al Capone foi preso 2 anos antes, em 1931. Portanto quem acabou com a quadrilha de Al Capone e a corrupção em Chicago foi a intervenção federal do FBI e não a revogação da lei seca, que só veio 2 anos depois.

Al Capone já era gangster antes da lei seca, e continuaria sendo se não tivesse morrido. Seus congêneres, como Lucky Luciano, Meyer Lansky, Benjamin "Bugsy" Siegel, também eram gangsters antes da lei seca, foram durante, e não abriram deslarias nem distribuidoras de bebidas legais com o fim da lei. Mudaram para outros crimes como extorsão, roubo, contrabando, jogo e apostas, rufianismo, corrupção, tráfico de novas drogas, assassinatos em guerras por poder, etc.

Fernandinho Beira-Mar, Marcola, Elias Maluco, não se tornariam empresários honestos distribuidores de maconha cocaína e crack, se o comércio fosse legal. Eles e suas quadrilhas cometeriam outros crimes, como roubo de cargas (inclusive de drogas), venda de drogas para menores, assaltos, extorsão, etc.

Por outro lado, o consumo de drogas como o crack, se legalizado, produziria uma epidemia de violência e crimes como assaltos, homicídos, latrocínio e estupros. Estatísticas de criminalidade em todo o mundo indicam a relação entre a explosão de crimes violentos e o consumo de drogas como o crack (consumo, veja bem, e não tráfico).

Em países como a Holanda, onde algumas drogas são legais, a criminalidade é muito maior entre usuários do que entre não usuários.

Gerson Pompeu (09/11/2009 - 10:56)
Quem colabora muito mais do que o consumidor de drogas para a violência dos traficantes, são as leis hipócritas, os fabricantes e vendedores de armas, a polícia corrupta, e por aí vai.

É como dizer que a culpa da mortalidade infantil seja das crianças que nascem.

Maria Lucia (09/11/2009 - 01:33)
A questão das drogas que causam tóxico-dependências não pode ser analisada só do ponto de vista da saúde do usuário e dos sofrimentos que causa aos circunstantes quando o que se deseja e procura é uma solução para os graves problemas humanos e sociais que cria.
O narcotráfico é hoje uma das atividades econômicas que movimentam imensos recursos financeiros e existe porque há poderosíssimos interesses não apenas econômicos mas igualmente políticos para que se desenvolva e atinja o maior número de países,ampliando-se o consumo ao máximo e em todo o mundo.
Vivemos num tipo de sociedade que não apenas tolera o uso de drogas tóxicas como igualmente não pode prescindir dos efeitos que as drogas produzem sem correr o risco de ser profundamente alterada em sua estrutura social e econômica.
Liberar a venda e o uso ou proibir a venda e o uso nada alterará o quadro existente. Hoje são tantos os tipos de drogas e surgem novas a cada momento porque é do interesse do sistema capitalista que assim seja.
Os seres humanos vão ter que lutar para construir um tipo de sociedade e de sistema no qual atividades econômicas cujos produtos sejam nocivos e danosos não possam ser levadas adiante.
Pelo que sei naqueles países em que se liberou a venda de drogas,se usou a perspectiva de tentar a redução de danos,o problema continuou inalterado,e o consumo de drogas não diminuiu.



Leonardo (08/11/2009 - 22:33)
a causa por uma abordagem mais pragmática está em franca desvantagem. diariamente os policiais sobem os morros cariocas, e com a justificativa oficial de combater o tráfico, praticam uma faxina étnica. no resto do país, claro, reproduz-se o enfrentamento.

Carlos Costa, pseudônimo de um cidadão brasileiro. (08/11/2009 - 21:36)
Sugiro incluir no debate a possibilidade de financiamento de pesquisas para descoberta do processo e formação do vício e também soluções (drogas por exemplo, no sentido de remédios) para que se perca o vício. Pois, se for possível o fim do vício desfaz-se todo a lenga lenga "destruição pelo vício". Se o vício é o problema, que se investigue como por fim ao vício.
Que bosta é essa de liberdade que todos querem dizer que existe e que quer controlar o que o outro quer usar?
Que bosta é essa de lei que proíbe que se cultive uma planta?
Por que não fazem um plebiscito? Essa eu imagino o porquê. Medo de que seja aprovado pela população a liberação completa. Se o cara bebe e bate que seja punido porque bateu. Se fumou, cheirou, que seja punido por que bateu. Ou alguém aí é punido porque bateu por ter ficado sem dormir e com sono foi dirigir? É punido pela batida e não por causa do sono. Ninguém criminaliza a vigília. Vão proibir a falta de sono porque é causa do cochilo na direção? Será que ninguém reparou que é um mercado/modelo de negócio?
Por que se exige cinto de segurança no automóvel e nos ônibus coletivos urbanos não? E pior, andam em pé.
Por que há caos aério nos aeroportos e o metrô cheio todo dia não é caos? Vocês sabia que existe um índice de passageiros por metro quadrado? Reses têm procedimento de transporte para não "estressar" o animal. Humanos no metrô/trem/ônibus não. Desculpem-me por fugir um pouco do tema no final. Foi só para ilustrar outros absurdos.

João (08/11/2009 - 21:15)
Gostaria dar os parabéns ao Eduardo Guimarães pelo belo trabralho que faz contra o PIG, mas discordo com relação
ao seu comentário.Acho que só não desistindo, que consiguimos mudar uma lei injusta.

alirio (08/11/2009 - 09:46)
Além de descriminalizar o uso de drogas será preciso sobretaxar todos os meios de sua produção, a fim de financiar o tratamento médico e psicológico dos usuários.
Por outro lado, é contraditório permitir qualquer tipo de publicidade, mesmo aquelas disfarçadas de pesquisas acadêmicas, como a do Portal G1, onde se demonstra que tomar cerveja reduz o estresse e beneficia o metabolismo. (Mesmo com a ressalva de 'consumo responsável' o mal já está feito: a 'pesquisa' serve de justificativa e de propaganda para o uso desse tipo de tóxico).

Cláudio Motta (07/11/2009 - 22:15)
Meu Deus!!!! Abaixo, de forma irônica, escrevi dizendo que para descriminalizar o consumo deveriam tbm descriminalizar a produção e venda e teve uma galera que achou que eu estava falando sério!!!! Putz, convenhamos: a maioria arrasadora dos crimes, assaltos, latrocínios, acidentes de trânsito, estupros e outras atrocidades contra seres humanos são efetuados sob o efeito das drogas. E querem "segurança" pra comprar cocaína, LSD e maconha?!?!?! É perigoso deslocar-se até as "bocas de fumo"?!?! Segurança quem está precisando é a grande maioria da população que se encontra à mercê da maioria dos usuários e da totalidade dos traficantes desse país. Há uma inversão absurda de valores. Gostaria que essa minoria que parece que "aprendeu" a cheirar sem se detonar começasse a frequentar sessões dos Narcóticos Anônimos. Talvez conhecessem um pouco deste submundo criado pelas drogas.
Vou mais além. Ao contrário da maioria, defendo a criminalização do consumo de drogas, a proibição do tabaco e o fim da propaganda de álcool. Conheço muitas pessoas que acabaram suas vidas e de seus pais e amigos por causa destas coisas. Quem não consegue viver sem "um pega" ou um "traguinho" tá precisando é visitar o terapeuta, urgente!!

mac (07/11/2009 - 16:37)
Entrevista o Marcola ,Azenha .Ele deve ter muitas novidades ! Tinha uma entrevista com ele numa Caros Amigos das antiga ,você podia publicar aí,também .

Flavio/CE (07/11/2009 - 14:26)
Trata-se de um problema de saúde pública. A droga consumida por jovens os deixa facilmente dependentes. A repressão é importante para evitar a fácil disseminação dos tóxicos mas não podemos esquecer a prevenção e tratamento dos dependentes de drogas lícitas ou ilícitas.

SBA (07/11/2009 - 12:35)
Apesar de ser contrário ao consumo de drogas, seja qual for, sou favorável à liberação da maconha pela seguinte razão: O adolescente que desejar fumar um "baseado" precisa normalmente ir às "bocas de fumo" para adquirir a erva. É aí que mora o perigo pois são induzidos a "provar" o crac, merla e outras drogas de alto poder de dependencia. Lamentável ver um jovem "noiado".

marcio gaúcho (07/11/2009 - 11:30)
Os danos sociais e econômicos causados pelos viciados em drogas é uma chaga inominável. Crimes são cometidos por causa da droga e para adquirir a droga. Bons momentos de um viciado são trocados pela vida de inocentes todos os dias.Famílias gastam todas as suas reservas financeiras na ansia desesperada de recuperar o familiar doente. Sim, doente mesmo! Ao sistema de saúde, que já é precário, cabe atender quem deliberadamente se drogou uma vida inteira e depois quer se salvar, numa última tentativa para se recuperar. Sabemos que mais de 90% dos drogados voltam a reincidir no vício, realimentando o círculo vicioso dos prejuízos à sociedade. Temos que reverter isso, mesmo que a longo prazo, com ações reais e concretas a partir de dentro da nossa casa e na comunidade na qual vivemos nosso dia-a-dia.

marcio gaúcho (06/11/2009 - 17:55)
Ao internauta Maurício: quando falo em drogas, aí estão também o álcool e o fumo, bem como outras drogas pesadas receitadas por médicos de forma indiscriminada. Veja, Maurício, a sociedade está apodrecendo em ritmo acelerado pelos maus hábitos e costumes adquiridos nos últimos 80 anos. Estamos indo para o "buraco negro" da nossa existência, enquanto humanos. Não percebe? Analise bem a tua vida e da tua família e, também, dos amigos mais próximos e tire tuas próprias conclusões. Estou sempre aberto ao debate...

Douglas Yamagata (06/11/2009 - 17:11)
Não tenho uma opinião formada a respeito do assunto. No entanto, acho que a discriminalização das drogas traria um impacto no tráfico de drogas. Talvez fosse possível a liberalização como é na Holanda (porte restrito de maconha). Não sei a solução para as drogas pesadas como a cocaína e o crack, que tem efeitos devastadores. É uma demagogia os estadunidenses serem os maiores consumidores e ao mesmo tempo criarem políticas de intervenção na Colômbia. Não são eles (os estadunidenses) os "melhores" em política de segurança? Como deixam entrar drogas nos EUA então?

joão bravo (06/11/2009 - 16:34)
Sou favoravel a legaliação de qualquer tipo de droga.Acredito que legalizada a criminalidade diminuiria e muito.

maconheiro (06/11/2009 - 12:06)
Nunca ví maconheiro matar ninguém atropelado !

Maurício (06/11/2009 - 06:00)
Será que o Márcio Gaucho seria tão implacável assim com todos os fumantes, de cigarro, e todos os bebedores sociais de cerveja por exemplo????....que leão vc heim Márcio Gaúcho.Quero ver vc lutar contra a indústria do cigarro e do álcool, estes muito mais prejudiciais que a Maconha por exemplo.Vamos lá, vamos a luta, vamos proibir a cervejinha, fechar todos os barzinhos e acabar de vez com os fumódromos para que assi nínguém mais fume ou beba no planeta!....é iso aí Marcio Gaúcho.....sem tolerância.Abaixo as drogas né!!!!!!!

Patrick (05/11/2009 - 23:22)
Caro

"Neo-tupi (05/11/2009 - 19:22)
Agora, se liberar só as leves, o tráfico armado e corrupto continua para as drogas que continuarem ilícitas como o crack. E os traficantes vão concentrar suas vendas nos menores de idade (para quem, presume-se, continuará proibida a venda). Então a legalização não resolverá o problema da violência."

Na época da lei seca nos Estados Unidos, os traficantes de então, como Al Capone, comercializavam destilados clandestinos de péssima qualidade a preços baixos, que causavam graves prejuízos à saúde de seus consumidores. Nesse aspecto, o crack não é novidade.

Quanto aos menores de idade, não serão os traficantes a tentar alcançá-los, mas as empresas fabricantes das drogas. Elas já fazem isso, basta ver os comerciais coloridos e divertidos da Ambev & concorrentes. Quando meu sobrinho tinha 4 anos, seu personagem preferido na TV era o caranguejo do "nã-na-na-na" da Brahma.

Ainda assim, acredito que controlar a publicidade de uma Ambev (ou Souza Cruz) da maconha/cocaína seja muito mais fácil e eficiente do que dar murro em ponta de faca contra a criminalidade. Os fatos estão aí para mostrar que não deu certo (4 mil mortes/ano, centenas de milhares de pessoas submetidas a um estado de terror, centenas de milhões de reais gastos com repressão, etc.).

Anonimo (05/11/2009 - 23:17)
O João não faz nada daquilo que escreve, parabens é um bom moço. Mas é meio pequeno analizar o uso de drogas pelo apelo marginal com que a sociedade estigmatiza o usuario. Porque fazer a cabeça? Não gosta do básico? Tem maluco de todo jeito, No fim da festa nos encontramos todos no inferno e alguns ainda percebem que só chegaram la pela qualidade das desculpas que usaram ao longo do percurso.

A droga da polícia (05/11/2009 - 22:03)
PMs jogam água e agridem em rosto de homem no Morro dos Macacos

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1154595-7823-PMS JOGAM AGUA E AGRIDEM EM ROSTO DE HOMEM NO MORRO DOS MACACOS,00.html

Neo-tupi (05/11/2009 - 19:22)
Patrick
No meu primeiro comentário eu defendi a legalização de drogas leves como a maconha, mas que façam uma campanha honesta do tipo "legalizem essa merda", sem glamourização da droga, sem apresentar como algo inocente, nem libertário, porque não é.

Agora, se liberar só as leves, o tráfico armado e corrupto continua para as drogas que continuarem ilícitas como o crack. E os traficantes vão concentrar suas vendas nos menores de idade (para quem, presume-se, continuará proibida a venda). Então a legalização não resolverá o problema da violência.

Em tempo: O álcool que é legal também deveria ter propaganda proibida e avisos dos malefícios igual ocorre com cigarro: como por exemplo pode provocar cirrose, dependência química.

www.guilhermescalzilli.blogspot.com (05/11/2009 - 18:47)
O Tribunal de Justiça descriminalizou as drogas

A 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (segunda instância do Judiciário) publicou um Acórdão no dia 31 de março inocentando um acusado de tráfico. O caso específico tem pouca importância, mas a argumentação do julgamento, relatado pelo juiz José Henrique Rodrigues Torres, é revolucionária.
Segundo ele, a legislação que criminaliza o porte e o uso de substâncias entorpecentes é inconstitucional, porque: a) viola prerrogativas individuais garantidas pela Constituição, b) a prática não causa danos inequívocos a terceiros ou à coletividade e c) drogas comprovadamente nocivas, como tabaco e álcool, não poderiam receber tratamento legal privilegiado.
As teses do juiz Torres não trazem novidade aos antigos debates internacionais sobre o tema. Entretanto, quando tais idéias florescem no seio do próprio Judiciário, a discussão recebe um peso diferente. O documento, que pode ser lido aqui, representa (a partir da página 9) um marco na discussão jurídica envolvendo o assunto. E não apenas pela polêmica decisão, mas porque bem escrito, corajosamente desmistificador e com cuidadosa fundamentação doutrinária.
A medida cria um precedente jurídico para que qualquer réu enquadrado na Lei de Entorpecentes tente suspender as sanções nela previstas até uma decisão definitiva das instâncias superiores competentes. É o passo mais sólido e decisivo jamais esboçado rumo à descriminalização das drogas no Brasil.

marcio gaúcho (05/11/2009 - 17:55)
O combate ao uso de drogas, através de campanhas massificadas na mídia, em escolas e comunidades deve ser incansável. O combate ao traficante deve ser implacável.
As famílias dos viciados morrem bem antes do próprio, tal a devastação social, emocional e patrimonial a que são submetidas. Amigo que oferece droga a outro amigo, também vira traficante. À sociedade cabe reagir com força contra a drogatização dos seus filhos. Basta à passividade!

Patrick (05/11/2009 - 14:40)
Neo-tupi (04/11/2009 - 22:20)
"Quem já teve um dependente químico na família que desestruturou uma família inteira é contra a droga e tem um discurso legítimo que não tem nada de hipocrisia."

É tão grave e urgente quanto o problema do alcoolismo. Mas é um mal uma ordem de grandeza inferior à existência de bandos de criminosos fortemente armados e que impõe uma vida de terror a centenas de milhares de pessoas. E esse mal (a dependência), como já se viu, não foi solucionado com a criminalização.

Tiago Cenossaum (05/11/2009 - 13:37)
Esse papinho "super-original" de quem consome financia o tráfico é uma mão na roda de quem realmente o financia, distribuindo armas, corrompendo autoridades para criar sua rota de distribuição, etc.

O mercado negro vai sempre buscar comercializar o que for ilegal. Seria importante concentrar a força do
Estado para coibir a venda de armas, a prostituição infantil, o tráfico de biomassa...

Na origem, quem financia o crime é quem fez a lei que proíbe a maconha.

Se eu não tivesse que pagar o "custo de distribuição" da minha maconha, ela seria tão cara quanto o agrião.




Clóvis (05/11/2009 - 12:33)
1- Quem consome drogas, atualmente, comete crime, não punível com pena restritiva de liberdade, mas é crime! Não dá pra vir com lenga lenga que nunca cometeu crimes... Ademais, como expos o Eduardo Guimarães, está financiando crime organizado. É uma opção sua fazer isso, assim como a do traficante de vender drogas, ambas foram tipificadas pelos "representantes do povo" como crime.
2- Maconha, parece que realmente faz mal como cigarro e álcool, viciando um pouco mais, mas também não faz tanta diferença. Legalize, mas de verdade, produção, venda e consumo, porque não? Se deixamos vender álcool e cigarro, porque a maconha é proibida (nunca fumei maconha, mas não vejo porque proibir mesmo);
3- Demais drogas - extremamente viciantes e trazem malefícios violentos à saúde de seus usuários... Dá pra legalizar? Acho que não, não dá pra legalizar qualquer coisa, drogas como crack, heroína, e cia, tem grande tendência a deixar usuários em abstinência violentos. descriminalizar o uso só? também acho que não. O uso que sustenta o crime organizado que traz as drogas, e comete uma penca de crimes.

Eduardo Guimarães (05/11/2009 - 11:27)
O leitor João pode não fazer mal diretamente a ninguém fumando maconha, mas alimenta o tráfico de drogas com seu dinheiro. De fato, ele deveria poder fazer o que faz sem colaborar com bandidos. Mas enquanto a maconha não for legalizada e comercializada como a bebida ou o cigarro, João está colaborando, sim, com assassinos que, para venderem seu produto, mutilam e/ou matam pessoas, no mínimo.

joão (05/11/2009 - 10:37)
Fumo maconha há 30 anos. Nunca robei nem uma bala, nunca me envolvi com marginais, nunca me envolvi em brigas, corrupção,enfim nunca fiz mal a ninguem.Trabalho, tenho familia, pratico esportes, gosto de ler, nunca votei em nenhum tucanopefele.Fumar diminui o stress, abre o apetite e me da sono, não etendo por que tenho que viver como se fosse um marginal.

Celso Silva (05/11/2009 - 09:20)
Com tanta coisa boa no mundo pra gente viciar, tipo viciar numa moreninha ou numa loira, ou num moreno(para as mulheres), viciar em um esporte, em uma profissão, viciar em ler, em dançar etc... tem gente que vai atrás de drogas pra mascarar seus problemas internos e afogar suas angustias. Problemas todo mundo tem, mas nada vai se resolver depois de puxar um baseado. Isso tudo é falta de amor próprio.

Anonimo (05/11/2009 - 00:22)
Pra quem usou drogas por anos e parou, reduzir danos no sentido de que se use menos ou mude pra droga mais leve é uma verdadeira piada. Só pra quem ainda ta na festa. Isso não é serio tipo: pimenta no dos outros não arde.

Neo-tupi (04/11/2009 - 22:36)
Continuando no vamos ser honestos ao falar em legalização, essa estatística de que no Rio de Janeiro ocorrem anualmente 4 mil mortes associadas a crimes de drogas, enquanto o uso provoca cerca 100, está mal feita. Grande parte do crime comum: estupro, latrocínio, homicídio, assaltos são praticados sob efeito de drogas ou para conseguir dinheiro para comprar droga. Muita gente só se tornou criminoso ao se tornar dependente químico. O crack já é responsável pela maior parte de internação de dependentes químicos em centros terapêuticos, e dependentes de crack podem ser bastante violentos na fissura para conseguir a droga ou dinheiro para a droga.
Também não é verdade que impostos altos no mercado legal seria solução para conciliar o consumo com políticas de prevenção e tratamento. Imediatamente surgiria o mercado negro vendendo mais barato sem os impostos, comandado pelos mesmo esquema de tráfico que existe hoje.
Tampouco faz sentido dizer que a legalização das drogas reduziria a violência. Os criminosos de hoje acostumados ao dinheiro abundante e fácil do tráfico, não abandonariam o crime se o tráfico se inviabilizasse. Eles apenas passariam a praticar outro tipo de crime que rendesse dinheiro, e haveria aumento de assaltos a residências e comércio, transeuntes, roubos de carros, sequestros, etc. Isso já acontece no Rio com as quadrilhas onde a polícia ocupou os morros e os traficantes perderam momentamente o ponto de venda.

Neo-tupi (04/11/2009 - 22:20)
Tá tudo muito bom, se quiserem até legalizar o comércio que façam, não me oponho desde que façamos uma campanha honesta, do tipo "legalizem essa merda". Mas não façam campanha escondendo e minimizando o malefício da droga, dizendo apenas que é hipocrisia não ser legal. Quem já teve um dependente químico na família que desestruturou uma família inteira é contra a droga e tem um discurso legítimo que não tem nada de hipocrisia.
Da minha observação de leigo a maconha se assemelha ao álcool em termos de danos. A questão é que a evolução do usuário do álcool é do chopp de baixo teor para uma bebida destilada forte como vodka, cachaça, uisque, mas o elemento alucinógeno continua sendo álcool.
Já a evolução da maconha é para a cocaína, crack, ecstasy, heroína, LSD, etc. São drogas capazes de provocar distúrbios de comportamento semelhante à surtos de doenças psíquicas como esquizofrenia e paranóia. Há casos de neto que decaptou a avó.

Alexandre Braga da Costa (04/11/2009 - 18:20)
Recomendo a leitura:

http://alegreteempauta.zip.net/arch2009-09-20_2009-09-26.html

Válido como ideia e debate!

maconheiro (04/11/2009 - 12:22)
A única droga que mata é a polícia !

ERSC (04/11/2009 - 00:23)
Eu fumo maconha a uns 20 anos. Sou uma jovem senhora, casada, tenho filhos, família, amigos, trabalho, residencia fixa, nunca tive problemas com a lei ou com o Serasa, pago todos os meus impostos. Entao me diga porque é que eu toda vez que quero um mísero cigarro de maconha é um martírio? ambientes desconhecidos e geralmente baixo astral, lidar com gente que nunca vi mais gordo, que pode até estar armado. A pior coisa é ir buscar. Porque nao posso comprar na farmácia e escolher a marca? Porque tenho que ter medo dos bandidos e da policia? Se eu compro pouco baseado, em uma semana tenho que ir buscar novamente, se compro muito e dou azar (nunca dei, gracas a deus) corro o risco de ser confundida com traficante, se acontecer até chegar o advogado, eu já teria ido passear de camburao com direito a um par de pulseiras de aco. Nao é justo, nao faco mal pra ninguém, deixa eu pagar imposto por essas porcarias que eu consumo, imagina só o volume de dinheiro envolvido só na venda da maconha no Brasil? Esse dinheiro nas maos certas, revolucionaria todo o sistema de saúde brasileiro. Deixem plantar maconha quem quiser plantar. Porque deixar toda essa dinheirama nas maos de bandidos e engordando o soldo dos paraísos fiscais?? Pelomaordedeus, abram suas cabecas, eu e meus amigos que fumam um baseado nao somos bandidos e até podemos ajudar o Brasil economicamente falando :-) Hipcrisia. Eu perdoaria o THC digo, o FHC se ele parasse de falar bobagem e abracasse de verdade essa causa.

Rachel Araújo (03/11/2009 - 23:51)
Sei que a discussão não é esta. Mas peço um espaço no "blog da saúde" para a discussão a respeito da negativa do sistema de saúde em relação a medicamentos de uso continuo. Hoje , depois de meses de batalha administrativa e dois dias de batalha judicial já que depois de conseguir que finalmente as secretarias de saude estadual e municipal negassem administrtivamente os medicamentos para meu pai, a defensoria pública da união pode entrar judicialmente e o juíz ( que nada mais fez do que mandar que a constituição seja cumprida) concedeu a tutela antecipada em 24 hs e, fui retirar os medicamentos. Em tempo: estava gastando 1.400,00 reais por mês só com remédios. E o problema é mais sério pois em virtude dos avanços da medicina estamos vivendo mais. Só que com Parkinson, sequelados por AVC e etc, etc. Ou seja no futuro teremos milhares de pessoas acamadas, necessitando de cuidadores especializados 24 hs por dia e, usando medicamentos caros. A solução é pagar cuidadores em domicílio, o que sai mais caro ou mante-los em instituições que, apesar de custar menos, ainda assim são caras. O que o MS tem como política para esses casos? Não são poucos. E a população está envelhecendo. Ainda não vi uma discussão séria sobre o assunto Eu consigo pagar a instituição para meu pai mas quem naõ pode? Não há instituições públicas, apenas instituições de caridade para quem é de baixa renda.

Conceição Lemes para Michael (03/11/2009 - 23:44)
Caro Michael,

A política de redução de danos engatinha no Brasil.E pessoas como vc podem ajudar muito a construí-la.

A psicóloga Denise Serafim, do Ministério da Sáude, há 20 anos tem atuação voltada para a redução de danos. Ela ajudou a construir essa estratégia aqui. Na entrevista que fizemos, ela falou do preconceito dos médicos do sistema público em relação ao tema. Muitos tratam mal os usuários que procuram os serviços. Consequentemente afugentam o pessoal. Vai ser necessário, portanto, reciclar a cabeça dos próprios médicos.

Como vc bem sabe, há um longo caminho a percorrer. Aparentemente,pela primeira vez, vai se discutir pra valer o assunto, considerando todas as vertentes.

E o Viomundo vai compartilhar com vcs esse debate nacional. Fazer uma discussão séria,voltada para as questões de saúde, em bases científicas, é o que a gente pretende fazer aqui. Abs

Marcia Costa (03/11/2009 - 23:17)
Minha opção é pela descriminalização. Vamos acabar com a hipocrisia. Em tempo: bebo ocasionalmente e não fumo nem cigarro.

Michael (03/11/2009 - 22:45)
Como estava escrevendo, é isso que me assusta, o risco que se corre... Imaginem no auge da tal "crise da gripe suína": lugares de aglomeração sendo fechados para evitar contaminações, e usuários de cocaína trocando canudos no país inteiro. Pode-se pensar: "são poucos". Nâo, não são. Há muito consumo de droga no país. Muito mesmo. E em todos os nives sociais, ambientes de trabalho, etc. Aqui em Curitiba, já cheirei com candidato a senador, deputado que foi candidato a prefeito. Ja cheirei com atores, com putas, com bancarios, com industriarios, com moradores de rua, com empresários, com religiosos. Não sei mas com quem falta. Está espalhado pelo país o hábito de se usar drogas. Mesmo que seja um tapinha de vez em quando. Ou um "raio" no final de uma noite. Muita gente usa. E não há nenhuma politica séria de redução de danos. Nada que seja percebido, e a discussão, quando se insinua a começar, é logo desacreditada e enterrada. E assim continuamos. Sem informação, sem prevenção, e sem atendimento médico. Atendimento médico é outro problema. Mesmo eu, que tenho plano de saúde, e dos bons, não tenho coragem de conversar abertamente com os médicos sobre isso. E muito dos danos a saúde que poderiam ser evitados, são ignorados. Hoje, mais conhecedor de minha situação, priorizo a utilização em casa. Possuo meu canudo, minha seda. Quando utilizo fora de casa, é só em lugares conhecidos, e com a utilização do meu canudo, meu cartão, minha carteira. Hoje me protejo. Mas e os outros?

Michael (03/11/2009 - 22:36)
Azenha, boa noite!
Tenho 26 anos de idade e utilizo drogas desde os 16, portanto, há dez anos. Sou casado, bancário, formado e com pós graduação. Nem de longe lembro a imagem sempre feita de um usuário de drogas. Mantendo cabelos cortados, trabalho de terno diariamente, faço academia, tenho vida social ativa... E mais, conheço centenas de pessoas usuárias de algum tipo de droga (cocaína, machonha, bala, etc) e que, como eu, não tem a minima proximidade com a imagem do usuario de drogas da tv. Não digo não ser viciado, devo ser, já que não tenho interesse atualmente em parar. Como não tem interesse em parar um monte de gente que fuma e bebe. Mas esses não são drogados. Só nós somos. O que me preocupa nisso tudo, é o perigo que se enfrente para conseguir a droga. Há que se buscar em becos, barzinhos em regiões barra pesada, vilas onde traficantes disputam ponto, bares sujos de boates. E a utilização então. Quase todo bar GLS, por exemplo, possui em seus banheiros locais destinados ao consumo de cocaína. Para quem nunca se atentou, aqueles lugares que parecem ser para colocar copos, dentro de banheiros, não só em boates GLS mas em muitos outros lugares també, são maioria das vezes destinados ao uso de cocaína. Imaginem então o risco envolvido no uso, com notas que passam pelas mãos, bolsos, e muitas vezes de narizes, de dezenas de pessoas, em "prateleiras" dentro de banheiros onde se urina, defeca, transa. Dá para imaginar? É isso que me assusta (continua)

eduardo ayrton (03/11/2009 - 17:57)
Azenha não basta só a descriminalização pois a violencia do trafico irá continuar. É preciso avançar mais e defender a legalização, taxar com impostos altos para reverter esses recursos ao SUS e realizar tratamento para dependentes. Só a descriminalização é discurso para FHC o Brasil e o mundo precisam avançar e estatizar a produção de maconha,coca e afins.

Paulo Teixeira (03/11/2009 - 17:53)
Concordo contigo! Sou favorável a legalização da maconha como medida para diminuir a violência associada ao mercado de drogas. O efeito da maconha para a saúde é comparável ao efeito do alcóol. Defendo uma regulação muito restritiva, caso haja legalização. Mas o Brasil é signatário de tratados internacionais que impedem a legalização. Uma política alternativa seria a de descriminalizar o uso e o porte de pequenas quantidades para retirar o usuário da ação criminal. Esta medida foi adotada em Portugal, contribuindo para diminuir o uso de drogas e os crimes associados ao tema. Toda a atenção ao usuário deve ser da área da saúde e das demais políticas sociais. Em relação a obtenção da maconha, creio que a autorização para o cultivo pelo usuário de pequenas quantidades para seu uso próprio seria a melhor solução para afasta-lo do traficante, desde que tivesse autorização e acompanhamento de órgãos de saúde. Essa prática existe na Espanha e em alguns estados dos EUA.

Cláudio Motta (03/11/2009 - 14:04)
Gostaria de saber dos defensores da descriminilização, como eles imaginam a relação dos usuários com o traficante. Como fazem para adquirir a droga, senão através do contato direto com o próprio? E isso não preocupa ninguém? Então discriminalizem tudo, inclusive a produção e o tráfico, afinal quanto imposto isso poderia gerar??? Não seria mais tráfico e sim centro de logística. Bastaria fazer editais para distribuir os pontos de venda, assim como o governo faz com casas lotéricas da Caixa Federal, por exemplo. Isso por si só reduziria enormemente as mortes ligadas às drogas, já que elas ocorrem exatamente pela busca de ampliação ou manutenção dos mercados. Abraços fraternos.

JMello (03/11/2009 - 13:04)
Certamente un dos itens a ser incluido e o destino do dinheiro gerado pelo trafico, a investigação dos caminhos ate os grandes bancos onde e lavado e legalizado sua aprenção e aplicação pública (Saude, educação)acredito que contribuiria para reverter o cuadro atual.

Carlos (03/11/2009 - 12:28)
Se comprar de um traficante você financia o crime e tudo bem, não te acontece nada. Se você plantar um pé, de preferencia com tratamento orgânico, VAI PRESO COMO TRAFICANTE. As leis são para manter o mercado.

Patrick (03/11/2009 - 11:59)
Da própria matéria:

"Só no Rio de Janeiro ocorrem anualmente 4 mil mortes associadas a crimes de drogas, enquanto o uso provoca cerca 100. A droga tem produzido efeitos menos nocivos do que o próprio crime relacionado à droga."

Precisa de outro argumento para justificar a legalização? Devemos trazer o problema das drogas da área criminal para a de saúde pública, onde estão o álcool e o tabaco.

Rafael Oliveira (03/11/2009 - 11:44)
Azenha, use o http://twitterfeed.com/ para mandar suas mensagens pelo twitter automaticamente. O Nassif usa.



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