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PROMOTORES APROVEITAM AMOR DO BRASILEIRO À "ORDEM" PARA TENTAR CRIMINALIZAR O MST

Atualizado em 26 de junho de 2008 às 18:31 | Publicado em 26 de junho de 2008 às 18:20

Estão tentando formalizar, no Brasil, uma democracia de alguns e para alguns. Eu diria que a ação dos dois promotores aloprados do Rio Grande do Sul representa não só a tentativa de criminalizar os movimentos sociais. Trata-se de mais um passo na articulação difusa da extrema-direita brasileira, que sente seus privilégios ameaçados e quer impor "ordem" à sua maneira. Veja? Pode. Fantástico? Pode. Novela das oito? Pode. Índio pedindo terra? Não pode. Empregado pedindo salário? Não pode. MST protestando? Não pode.

Esse discurso tem grande entrada na sociedade civil brasileira, uma vez que a democracia nunca "pegou" no Brasil. Brasileiro adora um ditador, adora calar o diferente, adora permitir tudo aos amigos e nada aos adversários políticos. Isso serve tanto para a direita quanto para a esquerda brasileiras, ambas de DNA autoritário. Reproduzo do site do MST:

Cidadãos e cidadãs brasileiros, amigos no exterior e representantes de entidades da sociedade civil prestam solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras rurais do MST, que está sofrendo uma verdadeira ofensiva de forças conservadoras no Rio Grande do Sul.

Não só querem impedir a divisão da terra, como determina a Constituição, mas pretendem criminalizar os que lutam pela Reforma Agrária e impedir a continuidade do Movimento.

Para tanto, essas forças politicas defensoras de poderosos interesses de grupos econômicos de empresas transnacionais, que estão se instalando no Estado para controlar a agricultura, e os latifundiários, estão representadas hoje no governo de Yeda Crusius (PSDB), na Brigada Militar, no setores do Poder Judiciário local e no poder do monopólio da mídia.

Nesta terça-feira, o MST-RS apresentou uma denúncia formal, junto a comissão de Direitos Humanos do Senado Federal que se deslocou até Porto alegre, especialmente para acompanhar a situação.

Nesse momento difícil e importante para a democracia brasileira, o MST pede aos nossos amigos e amigas que enviem cartas de protesto para a Governadora Yeda Crusius e ao procurador geral de Justiça, que é nomeado pela governadora e coordena o Ministério Publico Estadual.

Abaixo, leia o modelo de abaixo-assinado, mas fica aberto que todos os nossos companheiros e companheiras escrevam de "próprio punho".

Pedimos também que enviem cópias para o setor de direitos humanos do MST (dhmst@uol.com.br) e para setor de imprensa (imprensa@mst.org.br), para organizarmos todos os nomes do abaixo assinado.


EM DEFESA DA DEMOCRACIA
EM DEFESA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
EM DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO


Ilustríssima Senhora Yeda Crusius
M.D.Governadora do Estado do Rio Grande do Sul
governadora@gg.rs.gov.br

C/Cópia Procurador Geral da Justiça Dr. Mauro Renner
pgj@mp.rs.gov.br

Nós abaixo-assinados, vimos à presença de Vossa Excelência manifestar nosso mais vêemente repúdio à iniciativa do Estado Maior da Brigada Militar do RS - PM 2, à iniciativa do Conselho Superior do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, e à iniciativa do Ministério Público Federal, pelos motivos a seguir indicados.

No dia 20 de setembro de 2007 o então Subcomandante Geral da BM Cel. QOEM, Paulo Roberto Mendes Rodrigues, encaminhou o relatório n. 1124-100-PM2-2007 cuja elaboração havia sido por ele determinada, ao comandante geral da BM, onde emite parecer sugerindo sejam tomadas todas as medidas possíveis para impedir que as três colunas do MST que rumavam ao Município de Coqueiros do Sul, fossem impedidas de se encontrar.

No relatório houve uma investigação secreta sobre o MST, seus líderes, número de integrantes e atuação no RS. O relatório foi remetido ao Ministério Público do Estado do RS e ao Ministério Público Federal. O relatório da força militar do RS caracteriza o MST e a Via Campesina como movimentos que deixaram de realizar atos típicos de reivindicação social mas sim atos típicos e orquestrados de ações criminosas.

Na conclusão do relatório é condenada a “corrente que defende a idéia de que as ações praticadas pelos movimentos sociais não deveriam ser consideradas crimes, mas sim uma forma legítima de manifestação”. As investigações também foram dirigidas sobre a atuação de deputados estaduais, prefeitos, integrantes do INCRA e supostos estrangeiros.

Em função desta ação da Brigada Militar, o MPE ingressou com ACP impedindo as colunas do MST de entrarem nos quatro municípios da comarca de Carazinho no RS, e foram ingressadas com várias ações para retirar as crianças das famílias que marchavam.

As iniciativas da Brigada Militar não ocorriam no Brasil deste o término da ditadura militar brasileira e são atentatórias a Constituição Federal de 1988 que proibiu as policias militares de atuarem na investigação de infrações penais e de movimentos sociais ou partidos políticos.

O art. 144 da Constituição Federal estabelece que às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. A Brigada Militar invadiu a competência da Policial Civil e da Polícia Federal.

No dia 3/12/07 o Conselho Superior do Ministério Público aprovou o relatório elaborado pelo promotor Gilberto Thums (processo nº 16315-09-00/07-9), referente ao procedimento administrativo instaurado pela Portaria 01/2007. O grupo de investigadores tinha por objetivo fazer um levantamento das informações sobre o MST.

O relatório final do grupo de investigadores merece repulsa de toda a sociedade. Uma das decisões tomadas pelo Ministério Público foi no “ (...) sentido de designar uma equipe de Promotores de Justiça para promover ação civil pública com vistas à dissolução do MST e declaração de sua ilegalidade (...)”

Como não bastasse a tentativa de declarar o MST ilegal, o Ministério Público decidiu “(...) pela intervenção nas escolas do MST a fim de tomar todas as medidas que serão necessárias para a readequação à legalidade, tanto no aspecto pedagógico quanto na estrutura de influência externa do MST.”

A decisão do Ministério Público ofende o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, especialmente o artigo 22, nº 1. Este pacto foi reconhecido pelo Governo brasileiro através do Decreto nº 592, de 6 de julho de 1992.

A decisão também ofende a Constituição Federal. O artigo 5º, inciso XVII, diz que “é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar.” No dia 11 de março de 2008, o Ministério Público Federal denunciou oito supostos integrantes do MST por “integrarem agrupamentos que tinham por objetivo a mudança do Estado de Direito, a ordem vigente no Brasil, praticarem crimes por inconformismo político”, delitos capitulados na Lei de Segurança Nacional da finada ditadura brasileira, referindo na sua denúncia que os acampamentos do MST constituem “Estado paralelo” e que os atos contra a segurança nacional estariam sendo apoiados por organizações estrangeiras como a Via Campesina, as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, além de estrangeiros que seriam responsáveis pelo treinamento militar.

As teses constantes na denúncia foram formuladas pelo proprietário da Fazenda Guerra, integrante da FARSUL em 2005, e ratificadas pelo Coronel da Brigada Militar Valdir Cerutti Reis, que participou da ditadura militar brasileira, tendo inclusive, atuado como infiltrado por dois anos no acampamento Natalino, sob o codinome de Toninho, onde tentava convencer acampados a abandonar o movimento e aceitar os lotes de terra oferecidos em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, pela ditadura militar.

A ação do MPF foi impetrada contrariamente as conclusões do inquérito penal da Polícia Federal que investigou o MST durante todo o ano de 2007, e concluiu inexistirem vínculos do movimento com as FARC, presença de estrangeiros realizando treinamento de guerrilha nos acampamentos e inexistir a pratica de crimes contra a segurança nacional.

O MST vem se notabilizando como um dos movimentos sociais mais importantes da nossa história, justamente pela sua opção de luta utilizando a não-violência. Portanto, receba nosso mais veemente repúdio pela decisão tomada no Conselho Superior do Ministério Público, pelo seu Estado Maior da Brigada Militar e pela decisão do Ministério Público Federal. Declaramos nosso apoio à luta do MST.

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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
João (11/09/2008 - 16:05)
Marco Antônio Leite disse: "Essa gente que compõe esse partido não se conforma com a luta dos trabalhadores em todos os flancos, eles temem que o povão melhore suas condições de vida e, percam o medo dessa genitália." Hahaha.... É verdade, não pode ter medo da genitália, seja ela qual e de qualquer porte for...

Leonidas Arapaho (31/08/2008 - 22:00)
Já fui petista. Não sou e nunca fui proprietário de terras. Antes eu até que defendia e entendia o MST. Mas hoje, o MST nos passa a imagem de movimento que não respeita as leis do país. Alguns dirão que as leis são feitas pelas elites e para beneficiar as elites. Ora, o Brasil é ou não é um país democrático? Se não é, a culpa é exclusivamente dos brasileiros. Então, se temos leis ruins, vamos tentar mudá-las, através de representantes de nossos interesses. Reumindo, penso que o MST, assim como qualquer outro movimento social, assim como qualquer pessoa, física ou jurídica, TEM que obedecer as leis. Não tem que "inventar" suas próprias leis. Fazer isso é retornar à época das cavernas. E, aqueles que não obedecem às leis, devem se sujeitar às conseqüências. Numa sociedade democrática e num estado de direito, o voto, é o meio adequado para as mudanças, não a desobediência às leis.

Marco Antônio Leite (19/07/2008 - 14:13)
A extrema-direita esta procurando colocar seus tentáculos sobre as costas da vagarosa democracia brasileira. Essa gente que compõe esse partido não se conforma com a luta dos trabalhadores em todos os flancos, eles temem que o povão melhore suas condições de vida e, percam o medo dessa genitália. Nesse balaio do partidão da direitona estão juntos PSDB, Dem-mônio, PDT, PMDB entre outros partidos de política indefinida, ou seja, eu vou junto com a maré ou para onde ela me levar eu chego lá, quem sabe pego a rabeira do barco da direita desumana. Ademais, é nesse momento que os trabalhadores tem que juntar forças e combater as artimanhas e armadilhas que a elite nos prepara todos os dias. Viva a liberdade, viva a democracia. Viva a vida, viva nós trabalhadores! Estou disposto a assinar esse manifesto, como também a-sasinar todo sujeito que queira manter o povo manietado nas garras do sistema direitista?

Marco Antônio Leite (19/07/2008 - 12:33)
Este país é diferente das demais nações que formam o universo habitado por homens e mulheres que pensam e trabalham em alguma atividade do ramo produtivo capitalista ou socialista. Essa diferença reside em um detalhe pouco observado pelo povão, vivemos no regime democrático para poucos e, ditatorial para muitos. Na democracia burguesa eles podem roubar, morar bem, comem ainda melhor, passeiam com seus reluzentes carrões, viajam pelo mundo para conhecer outras culturas entre outras benesses que o dinheiro oferece. Já no sistema ditatorial, o pobre é obrigado a trabalhar com salários indignos, sem qualificação, morar em guetos de todos os tipos e modelos, passar fome ou introduzir migalhas no esfomeado estômago, seus filhos freqüentar escolas sem o mínimo de qualidade, ou seja, vive na ponta do chicote do carrasco de plantão. Este não é um país, mas um grande circo com espetáculos sui-generes e engraçados.

Eduardo Nascimento (01/07/2008 - 09:57)
O manifesto é válido, porém faltou um parágrafo: Eu, membro do MST, declaro que sou integralmente sujeito à Constituição, na alegria e na tristeza; desta forma devo ser detido e julgado sempre que invadir ou depredar propriedade particular.

JR (29/06/2008 - 21:13)
Estou assinando este manifesto. É inadmissível que em pleno séc. XXI, em pleno Estado de Direito, ainda se procure cercear os mais elementáres direitos do Cidadão que é o direito de associação. O que é que é isto minha gente? voltamamos às práticas hediondas da Ditadura Militar? fiquemos de olho a direita está sedenta de poder, e para atingir seus objetivos usará de todas as armas, inclusive este tipo de aberração política. ABAIXO TODO TIPO DE AUTORITARISMO, VIVA A DEMOCRACIA.

Fabio Campelo - Brasília/DF (27/06/2008 - 09:13)
Acabei de assinar esta carta de repúdio também. Contra a ofensiva da extrema-direita! Viva o MST! Viva os Movimentos Sociais! Viva a DEMOCRACIA!

Fernando (26/06/2008 - 21:23)
Apoio e assino. Vivam s movimentos sociais, os únicos a dar vida à pasmaceira política.

Paulo (26/06/2008 - 21:06)
O assunto veio em boa hora, assim as pessoas deixam de pensar na quadrilha do detran

Sérgio José de Andrade (26/06/2008 - 20:22)
Querem demonizar o úncio movimento realmente de base socilal que tem a coragem de enfrentar,no Brasl, as mazelas do capitlismo selvagem. Viva o MST...viva a REFORMA AGRÁRIA.

Conceição Oliveira (26/06/2008 - 20:01)
Azenha, assino embaixo, concordo com sua conclusão. Aliás, vc e o Altamiro sintetizaram bem o essencial que busquei dizer no meu texto escrito na manhã de ontem quando li na íntegra (sem acreditar) na forma explícita com que o procurador gaúcho se posicionou para defender um lado que não precisa de defesa do MP. O descaramento desse povo da 'ordem'(como diria minha sábia mãe) está beirando o absurdo. Hoje, ninguém se envergonha de falsear a verdade, de defender abertamente a opressão. Esse procurador é só mais um exemplo: Istoé adultera foto por estética; o Quartiero diz para vc quando vc pergunta o que ele sente quando o chamam de grileiro 'estou defendo os interesses de produtor que sou (esquecendo-se que ele também é prefeito e há outros interesses que ele deveria representar, defender e garantir se fosse de fato um representante que legitimasse os princípios republicanos (a tal da res publica- coisa pública, inventada pelos romanos). Além de explicitar que defende os interesses de seu grupo, ele quer convencer a nós que os interesses do grupo dele é o de todos os brasileiros ('vou defender quem a austrália?'...). Queria saber quanto ganha um trabalhador do agro-negócio dele. Se com o salário que ganha tem acesso à saúde (porque os 'defensores da 'ordem' são contra a CSS), à moradia decente, à educação decente (porque os defensores da 'ordem' estão se lixando se a educação pública está um lixo)... Ao menos alguns anos atrás eles eram menos descarados, mais dissimulados.

para Lucas e outros que queiram repudiar essa ação autoritária do MP gaúcho (26/06/2008 - 19:44)
Turma, logo abaixo do texto do Azenha e do pequeno texto do MST explicando o porquê do manifesto, vem em caixa alta um cabeçalho que começa assim: EM DEFESA DA DEMOCRACIA(...) É aí que começa o texto do manifesto e segue até o final. Esta é a carta manifesto de repúdio da ação do MP que criminaliza o MST. A carta deve ser copiada (ctrl C ctrl V) e pode ser enviada por mail e por correio postal à governadora do Estado: M.D.Governadora do Estado do Rio Grande do Sul Palácio Piratini, Praça Marechal Deodoro s/n CEP 90010-282 - Porto Alegre/RS (e-mail da Yeda)- (Gabinete-governadora@gg.rs.gov.br.) O MST pede que mandemos cópias também para os seguintes endereços: Procurador Geral de Justiça Dr. Mauro Renner (pgj@mp.rs.gov.br) Direitos Humanos do MST (dhmst@uol.com.br) Setor de imprensa (imprensa@mst.org.br), pois os nomes serão organizados em um abaixo-assinado. abraços Conceição Oliveira

Fabio Passos (26/06/2008 - 19:44)
Criminalizar movimentos sociais... este pessoal perdeu o pudor. Ministério Público Afrikaaner!

Lucas Secanechia Pereira (26/06/2008 - 19:09)
Onde que eu posso assinar?



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