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Pardon

18 de junho de 2017 às 13h42

por Marco Aurélio Mello

– Cor da pele?
– Cor da pele, como assim?
– Qual é a cor da pele do senhor?
– Que cores tem aí?
– Branca, amarela, indígena, parda e preta.
Estico o braço como que comparando minha cor à dela (clara) e respondo: parda.
Na mesma hora sou tomado de uma dúvida: será que é isso mesmo?
Fiquei desconfortável com a pergunta feita durante renovação do meu Registro de Identidade.
Critérios de distinção sempre me perturbaram.
Vamos supor que eu respondesse preta.
O que aconteceria?
Quem escolhe o que você é é você mesmo, mas o assunto é controverso.
Descubro que os pardos somos mais de 40% da população brasileira, segundo o IBGE.
Portanto, todo aquele cuja a cor da pele é misturada pode-se dizer pardo.
Serve para mulato (branco e negro), caboclo (branco e índio) e cafuzo ou mestiço (negro e índio).
Meus ancestrais portugueses, negros e indígenas.
Portanto, sou fruto de uma combinação de mulatos e caboclos.
Sou simpatizante de causas afirmativas e de direitos sociais: mulheres, negros, indígenas, LGBT, sem-terra, sem-teto…
Mas minha condição de homem, pardo, hétero, escolarizado e de classe média alta não me dá pertencimento a nenhum dos grupos acima.
Isso me impediria de lutar ao lado de algum deles, ou mesmo de todos?
Claro que não!
Mas noto que começa a haver em nossa sociedade uma espécie de segregação às avessas.
Termos como sororidade, no caso das mulheres, e lugar de fala, no caso dos negros, por exemplo, se por um lado empoderam, por outro discriminam.
Fico preocupado porque é como se a legitimidade estivesse sendo fracionada.
Vários grupos distintos em lutas distintas, ainda que no final das contas o interesse seja comum: combater a opressão.
Tanta divisão interessa menos aos grupos em disputa e mais a quem está no poder, afinal, é preciso “dividir para governar”.
Apesar de eu estar classificado no grupo dos opressores, não me considero um, porque não concordo com suas teses. Também não concordo com as tantas divisões internas entre os “outros”, ou “nossos”.
Haja amor para entender esta Divina Comédia humana…

 

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