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Foi assim

05 de julho de 2017 às 20h35

por Marco Aurélio Mello

Recebi um e-mail da advogada informando que a decisão sobre o processo sairia na tarde do dia seguinte.

Tratava-se de um recurso chamado Embargos Declaratórios.

Decidimos apelar à corte superior, no caso o Superior Tribunal de Justiça, porque havia acontecido algo no mínimo curioso.

Depois que fui condenado na primeira instância do Rio de Janeiro, recorremos ao Tribunal de Justiça (segunda instância).

Só que o desembargador relator não manteve a primeira decisão apenas, decidiu por conta própria aumentar o valor da indenização, o que não é permitido, salvo quando há um pedido expresso da acusação, o que não fora feito.

Mesmo assim, a avaliação dos advogados era a de que dificilmente conseguiríamos vencer, ainda que o texto que tivesse originado a ação fosse um texto de ficção, como numa novela, por exemplo.

Já estávamos decididos a não recorrer ao Supremo Tribunal Federal por duas razões: uma, teríamos que constituir advogado em Brasília, ou ficar na ponte aérea. Em ambos os casos não havia dinheiro; e outra, segundo os entendidos do Direito, a Suprema Corte tem má vontade em julgar ações de interesse individual, em detrimento das de interesse coletivo, ainda que o tema seja constitucional, como é o caso.

Do ponto de vista político, a avaliação que faço é que ninguém no STF, nesta altura do campeonato, quer se indispor com a famiglia Marinho, muito ao contrário.

Portanto, eu sabia que no dia seguinte deveria começar a pensar em como pagar a indenização.

Depois que a decisão saiu — claro — fiquei muito triste.

Aliás, estamos vivendo um momento histórico triste.

No último ano presenciamos uma nova modalidade de golpe de Estado, um conluio entre a oposição, os donos do capital nacional e internacional e a mídia.

Depois de deposta nossa presidenta, todos os programas sociais foram congelados no Orçamento da União.

E nosso sonho de nação justa e soberana começou a desmoronar com uma velocidade incrível.

Daqui a pouco vamos ter de recorrer ao FMI, pode escrever aí.

Com tudo isso estamos todos anestesiados.

Eu, do meu lado, chocado.

Foi quando o amigo Azenha me chamou.

Resolvi contar a ele o que havia acontecido na Justiça.

De pronto ele disse: “Monte um financiamento no Catarse. Eu vou te ajudar e você vai conseguir esse dinheiro. Procure a Conceição Lemes e peça para ela para te dar as dicas”.

A Conceição é a minha vizinha aqui do andar de cima, do blog da Saúde.

Ela é daquelas pessoas que fazem a gente lembrar que “as melhores coisas da vida não são coisas”.

Conceição havia acabado de apoiar a campanha da melhor amiga, que está muito doente, e conseguiu ser bem sucedida.

Mas nosso tempo era curto.

Estávamos numa quinta-feira e o Viomundo queria lançar a campanha já no Domingo, que é quando há menos notícia e a chance das pessoas estarem mais receptivas aumenta, segundo nosso gestor e guru.

Aliás, tocar o Viomundo com recursos próprios, como faz o Azenha, é só para os fortes.

Sem contar que dá um trabalhão.

Bom, voltando ao assunto, eu estava com viagem marcada para Minas Gerais para resolver questões de família.

Ainda assim comecei a trabalhar no projeto ainda na quinta-feira tarde da noite.

O primeiro passo era aprender a usar a plataforma de crowdfunding.

Manuais, tutoriais em vídeo, dicas…

Digerir tanta informação num curto espaço de tempo não era tarefa fácil.

Mas na noite seguinte já tinha um rabisco.

Enviei-o para algumas pessoas que pudessem palpitar, entre elas, a Conceição.

No sábado recebi uma resposta dura dela, mas muito importante: “Nada disso, você tem que fazer diferente.”

Não tive dúvidas.

Na noite de sábado reprogramei a plataforma inteira, amparado pelas orientações da amiga, e pela minha intuição, que resolveu dar o ar da graça.

Domingo de manhã tínhamos um projeto.

Com o apoio da Maraísa Ribeiro, a pescadora esportiva número um do Brasil, minha prima-irmã e ex-repórter da Globo, começamos a ativar as redes.

Enquanto eu disparava 52 e-mails personalizados e compartilhava conteúdo no Viomundo, no Facebook e no Twitter, a Maroca, como é carinhosamente chamada, replicava no FB e montava os grupos de Whatsapp.

Assim que o Azenha e outros jornalistas independentes entraram em ação a campanha engrenou.

Tive apoios imediatos do DCM, do GGN, do 247, do Tijolaço, da Rede Brasil Atual, do Barão de Itararé, dos Jornalistas Livres, do FNDC, do PCdoB, da Frente Ampla em Defesa do Brasil, do Minas Contra o Golpe, do Esse eh o NOSSO Brasil, do Latuff Brasil e de tantos outros que eu não sei, por uma razão que dá até vergonha de confessar: não criamos uma hashtag.

Se alguém tiver acesso a outros importantes grupos de apoio avise que a gente nomeia e agradece também.

Faço aqui um mea culpa.

Sou de uma geração que se alfabetizou digitalmente à unha.

Ainda que atue como comunicador na internet, não raro as ferramentas me soam estranhas e a tecnologia me assusta.

Mesmo com a falta da tal  hashtag, que poderia turbinar ainda mais nossa ação, principalmente no Twitter, na noite de domingo já havíamos batido 20% da meta.

Em 24 horas 30%.

Em 48 horas 60%.

Hoje, terceiro dia, alcançamos 70%!

Qual é a razão deste sucesso estrondoso?

Não é o Marco Aurélio, ainda que eu tenha algum mérito, é claro.

O sucesso da campanha se deve a uma combinação importante de fatores, que para mim são mais importantes:

1. Tem um monte de gente de saco cheio da Globo;

2. Tem um monte de gente que rechaça injustiças, principalmente quando se trata de gigantes contra uma formiguinha;

3. Tem um monte de gente disposta a lutar por causas que considera justas, nem que tenha que por dinheiro do próprio bolso;

A Rede Globo sentiu o golpe.

Vocês podem ter certeza disso.

Nos corredores da emissora só se falava nisso hoje.

E entre os patrocinadores o desconforto é grande.

Afinal, ninguém gosta de por dinheiro num negócio que está ruindo, perdendo credibilidade e relevância.

Mas agora o mais importante é nós continuarmos mobilizados.

Não fossem as centenas de pequenas contribuições, de dez reais, não estaríamos aqui.

Portanto, minha enorme gratidão aos anônimos, aos que se dispuseram a tirar de um orçamento já tão apertado para colaborar com a causa.

Nossos adversários têm poder econômico e político, só que nós temos uma força maior: a solidariedade.

Estamos próximos da meta, mas ainda não a atingimos.

Toda ajuda na divulgação ainda é importante.

Até a vitória!

[Estamos na reta final da campanha. 94% do total arrecadados!]

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Sabryna

07/07/2017 - 15h55

Fiquei curioso para conhecer este texto.

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