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Eis aqui um comunista

16 de agosto de 2017 às 20h01

por Marco Aurélio Mello

Não é sempre que a gente conhece uma pessoa de notório saber.

E quando esta pessoa faz parte da sua família?

E quando ela não faz questão nenhuma de aparecer?

Assim é meu tio Boris, um dos mais importantes cientistas brasileiros da atualidade.

Quem diz isso não sou eu, são seus pares dos centros internacionais de pesquisa.

E sabe por que a mídia brasileira o ignora?

Porque Bernardo Boris Vargaftig, professor sênior do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, militou a vida inteira na esquerda.

Ele é o que as pessoas chamam de comunista.

Sim, Boris é um comunista convicto.

E, ao contrário do que dizem por aí sobre os comunistas, ele não come criancinhas.

Aliás, ele adora crianças.

É uma das pessoas mais dóceis e mais meigas que já conheci.

Boris pesquisou efeitos de anti-inflamatórios, como a aspirina, e só não ganhou o prêmio Nobel de Medicina, em 1982, porque o ganhador, o farmacêutico britânico John Vane, conseguiu publicar um artigo sobre o mesmo tema
antes dele, por pertencer a um laboratório maior e mais importante à época.

Em carta, John Vane parabenizou Boris pela descoberta feita por seu laboratório anteriormente.

No mês passado Boris recebeu em Londres o Life Achievement Award da International Association of Inflammation Societies (IASI), associação que reúne grandes centros internacionais de pesquisa sobre inflamação.

Perseguido pela ditadura militar em 1963 Boris, então recém formado médico pela USP, deixou o país e viveu na França por quase 40 anos.

Em Paris foi um dos diretores do Instituto Pasteur.

Boris é membro da Academia Brasileira de Ciências e foi nomeado Doutor Honoris Causa pela Unicamp, mas renunciou ao título depois que soube que Jarbas Passarinho, ex-ministro da Educação durante a ditadura militar, também havia ganhado tal deferência.

Para nós da família é uma honra ter um pessoa com a coerência de Boris.

Meus parabéns tio.

Atualização dia 16 de agosto às 21:24 – A partir de uma conversa no Facebook resgatei teaser do documentário Nau Insensata, aqui, que traz testemunho do tio Boris quando esteve preso no navio-prisão Raul Soares, nos primeiros anos da ditadura. Para saber mais sobre o navio fantasma, clique aqui.

 

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