Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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A morte de perto Utilidades

EM BUSCA DAS ARMAS DE SADDAM

Atualizado em 01 de fevereiro de 2008 às 17:14 | Publicado em 01 de fevereiro de 2008 às 17:13

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O sorriso, diante do retrato de Saddam Hussein, foi num dos poucos momentos em que relaxamos. A reportagem do dia estava garantida. Apareço ao lado do colega Sherman Costa. Estamos diante de uma instalação militar do Iraque. Todos os dias, grupos de inspetores saíam da sede das Nações Unidas em Bagdá com destinos diferentes.

As equipes de tevê jogavam com a sorte. Podiam acabar numa fazenda onde nada acontecia ou numa base militar suspeita de abrigar as famosas e inexistentes armas de destruição em massa. Nós demos sorte. A equipe de inspetores que perseguimos por 80 quilômetros foi a uma das instalações militares mais importantes do regime de Saddam Hussein.

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Assistimos, por cima de um muro, ao teste do motor de um míssil, que mais tarde seria considerado ilegal pela ONU. No caminho, passamos por um aperto. As equipes de tevê que acompanhavam os inspetores usavam jipes de último tipo. O nosso carro de aluguel era um Gálaxie surrado. Voamos baixo pelas avenidas de Bagdá. Eu desisti de olhar para o velocímetro.

O santo protetor dos jornalistas estava alerta naquele dia. Quando a avenida em que estávamos tornou-se de pista única, demos de frente com um caminhão. O motorista Sattar fez uma manobra rápida. Deu para sentir o cheiro da tinta do caminhão. Escapamos por um triz.

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Apesar de infiéis, ou seja, não muçulmanos, eu e o cinegrafista Sherman Costa visitamos várias mesquitas. A foto acima foi feita no pátio de uma delas. As mulheres ficam do lado de fora. Só os homens podem entrar. Hoje a mesquita que visitamos é um dos centros políticos da resistência sunita à ocupação americana.

Os iraquianos que encontrávamos previam que haveria resistência à invasão do país - o que se confirmou. Na sexta-feira em que visitamos a mesquita central de Bagdá, o orador fez um discurso inflamado contra os Estados Unidos. Antes das orações, anunciou nossa presença aos fiéis. Uma equipe da televisão brasileira está conosco, disse ele. Alguns fiéis nos olharam com desconfiança, outros com curiosidade.

Alguns foram simpáticos. Tiramos os sapatos e entramos na mesquita. Sem entender uma palavra de árabe, o Sherman usou a linguagem dos gestos. Ele tem um jeito simpático e logo conquista aqueles que pretende filmar. Enquanto eu acompanhava o discurso, ouvindo a tradução de nosso guia, o Sherman se misturou aos fiéis. Quase não acreditei ao vê-lo. Meias brancas, traseiro para cima, agachou como se estivesse orando, voltado para Meca. Tudo por uma boa imagem.

Publicado originalmente em 2004


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